Tuesday, January 24, 2006

Chinesinha triste

2046 é um puta filme, mas eu facilmente tiraria 30 minutos do tempo final. Eu ando com essa mania de querer encurtar tudo que é filme que vejo, e não sei se isso é reflexo de ansiedade ou se minhas últimas idas ao cinema foram excessivamente longas mesmo.

Mas então, tem tanta coisa pra falar de 2046, tanta coisa que eu poderia ter adorado e nunca esquecido, mas o que realmente ficou foi a chinesinha do quarto da frente. A chinesinha que se apaixona pelo escritor e que, por causa disso, tem a sua vida mudada para sempre. Faz parte daquela história que todo mundo já conheceu uma vez na vida: o que significou para ela não significou para ele. Não chegou nem perto. E a menina carrega durante muitos anos dentro dela o peso do escritor mulherengo.

Tudo muito pequeno comparado com o que Jabor viu. Um dia, quem sabe, quando a minha cabeça não estiver mais ocupada em pensar um monte de baboseiras minúsculas, eu consiga enxergar 2046 da maneira como ele enxergou. Por enquanto eu só consigo pensar na chinesinha triste e chorando atrás da porta, torcendo para que com ela seja diferente do que foi com tantas.
As mulheres se unem em sentimentos iguais, e isso se chama visão estreita. E eu sofro disso.

No comments: