Friday, April 25, 2008

A última das otimistas

Sou uma otimista. Meus amigos dizem isso, sempre disseram, e eu, durante muito tempo, combati a definição. Afinal de contas, costumava ler Fernando Pessoa e me vestir de preto, quando tinha 16 anos. E aos 20 anos, acreditava que só eu e os meus amigos sabíamos a real dor do mundo. O resto dos mortais, coitados, eram ovelhas guiadas em direção ao caminho que seus pais já haviam trilhado. Bunch of conformists.

Só que depois eu percebi que as mesmas pessoas que cruzavam os braços e se encostavam ao meu lado nos pilotis da minha faculdade, deixaram de olhar o resto do mundo sob esse ângulo, digamos, incorfomista, e passaram a ter um bom trabalho, família, filhos, casa & carro. E, como os outros, eu me tornei parte desse grupo.

Toda a questão do otimismo é: não dá pra ser de outro jeito? Vambora dessa maneira mesmo, então. Tipo: tá no inferno, abraça o capeta. E, se é pra entrar no jogo, bora entrar de braços abertos, sorriso nos lábios, matando no peito e correndo pro gol. Se é pra entrar, que seja com o campeonato ganho, nos dez minutos finais, só pra fazer aquele pontinho que alegra a galera. Alegria desnecessária ainda é alegria.

E eu sou otimista do tipo burrinha, que acredita em todo mundo, até que leva a bordoada na cabeça. E além de burrinha, eu sou meio esquecida, porque mesmo levando nos cornos, to lá eu acreditando em nenguinho de novo. Quer dizer, arrumo outros pra acreditar. Mas corro o risco sempre.

Lembrei do lance do otimismo porque é uma característica quase inocente, e eu tenho visto muitos casos gente inocente enganada por aí. Quer dizer, por mais que eu tente não julgar, é muito difícil não achar ridícula a história daquela senhora da Barra da Tijuca que comprou um bilhete da Sena "premiado" por módicos R$240 mil.

Acho que cheguei a uma conclusão sobre o assunto: tudo bem que os otimistas sejam inocentes. Mas nem todo inocente é otimista...

2 comments:

Baxt said...

Jorge Benjor disse numa musica que para acabar com a malandragem tem que mandar prender todos os otários. Sábio Jorge Benjor.

Baxt said...

Mais uma coisa: a historia já começou a dar errado quando a cidadã deu o nome da filha de Francieli Freduzeski, né não?