Friday, May 09, 2008

Vida Estrangeira

Por causa do post abaixo, fiquei lembrando da minha época de newyorker girl. Foi uma passagem meteórica - 6 meses - mas foi o tempo suficiente para que eu me moldasse ao sabor do american way of life. Quer dizer, parece até que o governo americano sabe direitinho a hora de mandar os latinos embora: quando eles estão se acostumando com o frio, com o dinheiro, com o trabalho, com as relações sociais... eles têm que voltar. That's the way it is.

Morei em NYC de maio a novembro de 2001. De recheio dos meus meses na América há o episódio que inaugurou o século XXI: o ataque ao Worl Trade Center. É óbvio que a minha temporada novaiorquina ficou muito marcada por esse fato, mas não ficou restrita a isso. Mesmo depois dos ataques, tenho outras lembranças que não remetem, necessariamente, à derrubada das Torres Gêmeas.

Posso dividir o tempo que estive em Nova York em três partes: assim que cheguei, depois que comecei a trabalhar como garçonete e quando entrei de estagiária na Globo NY. O 11 de setembro foi já na minha época de estagiária, e eu senti todo aquele caos com o gostinho de quem acabou de se formar jornalista e está no meio do furacão mundial. Os amigos me escreviam pedindo pra eu voltar pro Brasil, e eu respondia: "mas nem morta! Agora que tá ficando bom?" E babava observando as putas velhas do jornalismo brasileiro cobrindo os atentados. Só tinha primeiro time, e se tem uma coisa que me dá um tesão na vida, é ver gente competente trabalhando.

Mas antes disso, quando eu havia acabado de pisar nos Estados Unidos, decidi tirar um mês de férias e conhecer a minha nova cidade temporária. Todos os dias eu pegava o guia da Folha de SP e escolhia onde queria passear. Passei um dia inteiro andando no Metropolitan Museum, parando só pra comer um cachorro quente do lado de fora, e depois entrando de novo no prédio. Fiz o mesmo com o Museum of Natural History - e, mesmo assim, não consegui ver todo o acervo. É coisa pra cacete!

Eu vagava pela cidade sem muito dinheiro no bolso, conversando com quase ninguém, totalmente Lost in Translation (apesar de que eu falo inglês muito bem, mas é que sou meio bicho do mato mesmo). Foi uma época solitária.

Depois, quando consegui um trabalho de fim se semana em um restaurante brasileiro no Greenwich Village, tudo mudou. Eu saía do restaurante meio bebinha, sempre, lá pela meia-noite, uma hora da manhã, e as ruas estavam cheias de gente. Era o bairro gay de NY (um deles), e em cada esquina existiam dezenas de bares, e todo aquele povo ficava na rua conversando e rindo e falando alto. Eu conseguia fazer amizades fast food no caminho do restaurente ao trem (morava em New Jersey, então era trem e não metrô o que eu pegava, mas na prátoca era tudo a mesma coisa). Era uma época divertida.

A terceira parte, de quando fui estagiar na Globo, é a mais cansativa de todas: eu trabalhava de manhã em um restaurante americano típico, e de tarde eu ia pra Globo, de onde só saía às 9h, 10h da noite. Acordava às 6h porque tinha que chegar às 8h no restaurante (1h de metrô), vivia cansada, mas estava feliz. E depois que o WTC caiu eu fiquei só trabalhando na Globo mesmo, mas trabalhava umas 12h por dia e, dessa vez, ganhando uma graninha pelas organizações.

Eu morria de saudades do Brasil. E quando voltei, achava que tudo no Rio era lindo. Meus amigos reclamavam que não tinha nada pra fazer na cidade, e eu dizia: "Mas olha que linda a Lagoa".
Obviamente, esse sentimento passou em uma semana, e depois tudo voltou ao normal. Só ficou a saudade da New York Fucking City.

1 comment:

Cristiano Casagrande said...

Nova York de maio a novembro de 2001? Puxa vida, não tinha uma época mais calma para você conhecer NYC? Mas mesmo assim deve ter valido muito a pena.

Nova York seria a São Paulo que deu certo?

Um abraço.