Wednesday, August 08, 2007

Bares parasitas

É um fenômeno do Rio de Janeiro. Perto de onde há um bom bar, há um bar ruim que absorve o público de quem não sonseguiu sentar no bar bom. Dá pra entender? São aqueles lugares fadados à segunda opção, aqueles que estão sempre mega vazios enquanto que o vizinho está bombando.

Posso dar uma lista de bares que se relacionam dessa maneira: Plebeu e "aquele bar da frente", Pizzaria Guanabara e Diagonal, Braseiro e Hipódromo e, mais recentemente, Drinkeria Maldita e o boteco do outro lado da rua.

Tenho amigos que se recusam a sentar no bar da segunda opção. Consideram muito deprê passar pro lado vazio, com garçons com cara de sono e mesas insossas. Preferem incomparavelmente os atendentes atolados e às vezes rudes dos bares da moda, mesmo que o chope demore um pouquinho mais a chegar.
Aliás, nos bares da moda, o chope não demora nunca a chegar, pro incrível que pareça. Deve ser por isso que esses lugares estão sempre cheios.

Confesso que de tanto sair pra beber com gente que não se conforma com a segunda opção, acabei me tornando um deles. Fico terrivelmente decepcionada quando aterriso no Braseiro e dou de cara com as calçadas tomadas de mesas, sem cadeiras sobrando, sem espaço físico para mais uma galera. Fico me amaldiçoando internamente por não ter chegado mais cedo e, assim, garantido o meu lugar sentada. A noite, então, vira uma desgraça.

Nunca fui do tipo que conhece o garçon pelo nome. Deve ser porque no terceiro hope já etsou morrendo de sono e com vontade de ir pra casa, enquanto meus companheiros de mesa estão apenas começando. Na maioria das vezes é assim, pelo menos.
Mas, em alguns momentos, eu realmente gostaria de ser amiga do garçon. por exemplo, quando chego no Jobi. Esse é o bar que mais me deixa frustrada, e eu só conseguia um lugar ao sol quando namorava um habitué do local.

Acabou o namoro e, pro conseqüência, acabou o bar pra mim também.

Mas acho que ser dono de bares de segunda opção deve ser um bom negócio. Porque nenhum desses estabelecimentos fechou. Entra ano, sai ano, lá estão as mesas vagas, os garçons com cara de sono e o ambiente insosso.
No Rio de Janeiro, até bar de segunda categoria dá certo.

1 comment:

adelson said...

você esqueceu só um detalhe:
geralmente o bar da moda morre depois de um tempo e o bar parasita continua impávido, embora nunca tenha sido nem nunca vá ser um colosso.na cobal de botafogo tem pelo menos um parasita ótimo, fica quase na esquina onde o embaixador americano foi sequestrado.