Monday, July 16, 2007

A vida com os porteiros

Tenho pensado muito nos porteiros do meu prédio. De como eles devem me achar completamente louca, a julgar por quem entra e quem sai, a que horas entra e a que horas sai. Sei que é um absurdo me preocupar com o que os pobres dos rapazes da portaria devem concluir, mas a verdade é que essa vida de prédio é uma novidade pra mim. E, sim, me incomoda um pouquinho saber que algumas pessoas conhecem o meu cotidiano tão bem.

Alguns exemplos de situações constrangedoras perante os porteiros:

1 - Saí com uma amiga para beber uns drinks na Lagoa. Era pra ser um happy hour, mas aí um telefonema leva a outro, que leva a outro lugar, que leva a novos drinks. Enfim, cheguei em casa tarde da noite, de pilequinho (Porque desde os meus 16 anos eu não fico bebérima, só de pilequinho. É um tipo de consciência que se ganha quando se tem quase 30 e muitos cabelos brancos metodicamente cobertos com tinta vermelha). Saí do carro pensando: vou fazer a de simpática pro porteiro da noite. Encolhi a barriga, sorri e disse "boa noite" - ele respondeu "bom dia" - calculei os passos e mirei na porta do elevador. Mas, no caminho (certa de cinco metros), consegui:
- esbarrar na mesa da portaria (o que resultou em um mega roxo que durou umas três semanas),
- bater com força a porta que separa o hall de entrada do corredor do prédio,
- tropeçar no degrau que se formou entre o piso e o elevador.

2 - Em um fim de semana recebi um amigo para ver filminhos e ficar de bob na minha casa. O papo acabou tarde, e o meu amigo saiu do apartamento umas 3h da manhã. Deitei pra dormir e dez minutos depois o celular toca: é a minha roommate, meio desesperada, porque um outro amigo nosso botava os bofes pra fora na porta de uma festa. "Bota ele dentro de um táxi e leva pra tomar glicose", sugeri. Desliguei o telefone e voltei a dormir. Quinze minutos depois a roommate chega carregando o outro amigo bebum pelos braços, dizendo que ele só precisava dormir um pouco. Abrimos o sofá da sala e jogamos o pobre do menino ali. E o porteiro da noite - mais um a vez ele - acompanhou, sem se mover da cadeira, o esforço da minha amiga para levar o menino pro sofá da nossa sala.

3 - Tem o porteiro do dia que sempre, mas sempre, sacaneia o modo como eu estaciono o carro na frente do prédio.

4 - Tem o porteiro da tarde que fala uma língua estranha, a qual eu não entendo cerca de 60% do conteúdo.

5 - E, o meu preferido, o porteiro da noite. Aquele que chega meia-noite e sai às 5h. O que sempre responde "bom dia" quando eu dou boa noite. O que sabe quem entra e quem sai do meu apartamento. O que interfonou para pedir que abaixasse o som no dia do Open House.

E mesmo assim, eles são ótimos e necessários, né, gente. Tipo, sei lá, usar fio dental depois de escovar os dentes.

4 comments:

Baxt said...

A lingua estranha tem nome: é "porteirês", e é difícil mesmo.

Luiza said...

o fio dental vem antes de escovar. ahahha

Luiza said...

(detalhe pra hora do post..)

bruna paixão said...

Uhu! Faz um pedido, Lui!!