Wednesday, July 25, 2007

Domingo na praia

Domingo de sol na praia de Ipanema. Encontro com amigos no segundo coqueirão (o primeiro coqueirão datou, minha gente) para mais uma tarde de sol, água gelada e muito salgada, gringos diversos (entre eles, a delegação americana de natação), mate de garrafão feito com água suspeita, biscoito Globo, queijo coalho com orégano, canga, cadeira, Rolling Stone Brasil e jornal O Globo. Minha praia acabou às 19h30, e fazia bastante tempo que eu não chegava em casa de biquini em um horário que o sol havia há muito se posto.

O bom de uma praia domingueira no inverno é que ela não é tão cheia quanto no verão, e existe a certeza absoluta de que todos os componentes dos meses mais quentes do ano estarão presentes. Não é porque estamos em julho que não vai rolar aquele clima de calçadão carioca que eu tanto adoro. Estacionei o carro no Leblon, porque lá tem vaga, e fui andando calmamente até o 9 quase 10, assistindo a todos os acontecimentos ao meu redor. Gente de patins, de bicicleta, de skate, de cachorro em punho, de namorada de braço dado, de criança no colo, de cheiro de milho verde e churros, de água de côco.

Houve um tempo em que o fim de semana praieiro era obrigatório. Eu acordava com mensagens de texto chamando pra praia, e imediatamente me levantava, colocava o biquini, engolia alguma coisa e dirigia vinte quilômetros até o litoral da minha preferência. Ia ouvindo reggae, as únicas músicas de reggae que eu gosto, gravadas em uma fitinha K7 pela Karen, que sempre tentou me conduzir ao clã de Jah. Nessa época, eu gostava de ouvir reggae porque achava que tinha tudo a ver com o clima em questão. Ia de janela aberta, sentindo o ar quente do verão, e pouco me importava com ar condicionado e possíveis pivetes. Aqueles eram bons tempos.

Muita coisa mudou desde então. Troquei as manhãs na praia pelas noites que acabavam só no dia seguinte (na verdade, sempre tive essa tendência...) e fiquei longos meses sem sentir na pele o gosto do mar. Só quando viajava a trabalho fazia questão de dar um mergulho na cidade em que estava. Porque se piso pela primeira vez em uma cidade litorânea, me sinto na obrigação de mergulhar nas suas águas. Mas a verdade é que meus fins de semana mudaram drasticamente de uns tempos pra cá, apesar de nada disso ter sido imposto. Foi uma mudança minha.

Por isso achei tão engraçado quando ouvi de um amigo, outro dia: "Nossa, a gente é tão diferente, mas se diverte tanto". Esse amigo acha que só porque eu gosto de música eletrônica e ele se amarra em um bom boteco de Santa Teresa, nossa amizade é contra as leis da física. Ledo engano. A gente sempre se adapta ao que aparece, sempre molda um pouquinho os nossos gostos ao que é novo e, por isso mesmo, eu ignoro sua tendência de querer levar um Raul no violão para sentar no Mineiro e dar boas risadas com ele, noite adentro.

Bom, talvez isso não seja tão comum, essa versatilidade de programas que eu sei que tenho. Mas se isso é uma das coisas mais legais da vida! Acho uma pena se engessar em um determinado estado, em um grupo seguro de amigos, onde com certeza falarão a mesma língua que nós, entenderão a nossa piada e cantarão juntos a mesma música.

Faz tempo que não vejo o tal amigo hippie. Tenho quase certeza de que ele também estava na praia de Ipanema domingo passado. Não no mesmo ponto que eu, é verdade, mas em algum lugar daquela comprida faixa de areia.
Tem lugar pra todo mundo. Até pra pós-hippies e pós-clubbers.

1 comment:

Gabriela said...

Praia no inverno é tudo de bom.
Amo.

Saudades amigaaaaaaaaa.