Thursday, October 01, 2009

Entre muitos

Tem gente que veio ao mundo preparada pra casar, ter filhos, constituir família. Assim, tudo certinho, um depois do outro. Eu não. Houve uma época em que eu achei que era um desses seres humanos pré-destinados ao núcleo familiar. Com o passar do tempo ficou muito claro que o que funciona pra mim é ficar sozinha. É ter uns 3 ou 4 grupos de amigos diferentes. É sair do trabalho às 10 da noite muito satisfeita com o fato de ter trabalhado até tarde. É viajar no fim do ano. É morar em outra cidade quando estiver a fim de morar em outra cidade. É dividir o apartamento com duas amigas, apesar do único banheiro. É tomar vinho com essas mesmas amigas enquanto assitimos novela das oito. É ficar feliz em passar uma semana trabalhando em São Paulo porque tem um milhão de amigos lá que eu não vejo há quinhentos anos.
Eu tenho muito o que fazer sozinha. Aliás, eu adoro estar sozinha.

Só que eu também gosto de me apaixonar. Estou sempre apaixonada por alguém. No momento, estou apaixonada. Até no nome carrego a cruz da paixão. Seria um problema se não fosse tão bom. É um vício.

Mas nenhum dos namorados que tive entendeu direito esse frenesi da minha vida social. Uns foram mais adaptáveis, e toparam mesclar seus amigos com os meus. Outros foram durões e não admitiram essa orgia de grupos de lugares diferentes. É difícil de entender mesmo. Tenho os amigos do colégio, os amigos da faculdade, os amigos do trabalho, os amigos dos amigos que também viraram meus amigos. Pra quem não tem saco de conhecer gente nova, realmente é chato. Eu entendo. Mas continuo gostando de sair na rua e encontrar conhecidos em tudo quanto é canto.

Na minha profissão, conhecer muita gente é um plus. Os personagens que consigo pras matérias que produzo vêm de infindávies telefonemas e emails e mensagens no Facebook. E eu sempre acho o que procuro, não importa o quão estranho seja a encomenda. Tem gente de todo tipo no mundo.

Mas não é só isso. Eu enjôo das pessoas muito fácil. Preciso ter essa possibilidade de circular entre vários mundos, ou fico entediada. Por isso, faço um rodízio de chopes. E assim tem funcionado bem.

2 comments:

Massashi L. Hosono said...

... somos assim, com a emoção sempre pra derramar. Mas não seria isso a vida? Sozinhos ou acompanhados?
E posso te garantir uma coisa, há sempre algo de podre no "Mundo de Doriana"... nem que seja um arranhãozinho no carro.

Anonymous said...

Você bem que queria ter casado com o japa, heim????