Saturday, October 24, 2009

Dostoiévski

Redescobri meu escritor preferido. Foi um dia em que eu andava pela Avenida Paulista, e vi vendendo em uma banca de jornal alguns dos livros do melhor escritor de todos os tempos. Eu já tinha comprado dois livros no aeroporto do Rio, mas não resisti e acabei embolsando mais um. Dost é Dost. Não há comparação.

Comprei Notas do Submundo, um livro de contos que deu origem à Crime e Castigo, o mais maravilhoso (e perigoso) romance já escrito. É um livro bem fininho, pequenininho, mas intenso. A cada frase lida, dá vontade de reler, só pra fixar melhor o que o cara quis dizer. Dá vontade de decorar o livro pra ver se eu me torno uma pessoa menos medíocre. E, quando você termina uma página, tem a sensação de que ele levou um ano pra escrevê-la, tamanha a profundidade que o pensamento do Dost alcança. Dostoiévski é um tesão.

Com tanta coisa a dizer e tanto sendo pensado, eu juro que fiquei imaginando como era a vida dele com a mulher. Como é sentar com Dostoiévski no café da manhã, discutir para onde vão no fim de semana, preparar um jantar para os amigos. Como é trepar com Dostoiévski, pelo amor de deus? Será que ele era sempre assim, incrivelmente intenso? Será que ele tinha sempre algo indefinivelmente necessário a ser dito?

Como todos os outros gênios, ele devia sofrer. Eu admiro que escolhe o caminho do sofrimento em nome da arte. Eu não conseguiria. Nem ninguém que eu conheço. Todos os que me rodeiam, até os mais inteligentes, parecem filhotes de subpensadores quando comparados aos grandes nomes. Houve um tempo em que eu queria ser assim, grande também. Em que eu lia Clarice Lispector aos montes, e sofria, e achava que sorrir era para palhaços ou para ocasiões extremamente necessárias. Mas depois vi que não dava pra viver assim: mesmo que eu me tornasse a pessoa que menos sorria no mundo, nunca seria Clarice Lispector. Muito menos Dost. Quem sabe, forçando uma barra, eu chegava num Paulo Freire...

Mas também não importa. Eu estou aqui pra ler todos eles, sem acreditar como alguém pode ter ecsrito aquilo. Estou aqui pra perguntar na rua onde as pessoas gostam de fazer sexo. E pra tomar chopes e fazer viagens no fim do ano, que continuo pagando ano adentro.
E você acha que tá ruim assim?
Não. Tá ótimo!

4 comments:

Julie said...

Tio Dosto é tudo na vida...hehe Necessário, único,essencial... Bom saber que ele virou seu escritor preferido também! Meu "amor" vem de longa data e concordo totalmente qdo vc diz que ao final de cada página imagina que foi preciso um ano, tamanha a profundidade... Perfeito! ;)
Siga lendo Dosto... é sempre bom!

Baxt said...

Menina, fazia tanto tempo que eu nao vinha aqui! Vc meio que tinha parado de escrever, e eu parado de visitar (eu nao assino feeds, nao quero mais uma lista de textos nao lidos na minha vida).

Eu sempre, sempre lembro de voce e dessa sensacao que voce descreve como "alma beijada." As vezes esqueco que essa eh uma necessidade que certas pessoas tem.

Bom, estarei no Rio no final do ano. Avise se vc tambem estiver. Ou mande um mail. Ou sei la.

beijinhos!

PS: eu e o Marido estavamos debatendo esses dias, ao fazer o jantar, sobre o fato de eu nunca ter lido Dostoievski. E mais nao digo.

bruna paixão said...

Baxt, me avisa quando chegar! Quero muito te ver! Acho que vou estar por aqui no fim do ano sim, mas ainda não sei nada da minha vida com certeza. Nem sei o que vai ser de novembro, imagina então em dezembro! Mas me avise, porque dou um jeitinho :)
Sobre ler Dostoievski: vc perecisa. Vc vai gostar. Mas aviso logo que dá um revertério. Ele incomoda. Mas a gente gosta de ser incomodada, ne?
beijos enormes pra vc e o Marido :)

Baxt said...

Vou ler. Eh coisa que eu to adiando, mas lerei. Chego ai dia 17 de dezembro, e vou embora logo depois do reveillon. Alguma dica de virada de ano? Quero te ver sim! temos que marcar um chope para conversar dessas coisas todas. Beijao!