Tuesday, October 23, 2007

Pseudo malandragem

Tenho uma grande amiga que está de malas prontas pra morar em Madri. O plano é fazer um doutorado - 4 anos, minha gente... - e voltar com a tese debaixo do braço. Se bem que eu acho que ela vai terminar o doutorado e arrumar um trabalho em alguma universidade madrilenha, e conhecer um espanhol bem gato e se casar e ter dois filhos lindinhos e espanhoizinhos, que irão chamá-la de madrecita. E acho também que ela vai ser bem feliz lá, e de vez em quando ela virá pro Rio no carnaval, enquanto eu vou ter que ficar um tempão juntando dinheiro pro poder visitá-la, porque vou continuar ganhando míseros reais que nada valem no Velho Continente.

Tenho uma outra grande amiga, a única que conheço precisamente desde que nasci (ela nasceu dia 29 de abril e eu 29 de agosto, olha que simpático) que resolveu morar na Austrália, e já avisou que de lá ela não volta nunca mais. Lá vou eu juntar mais e mais ridículos reais para comprar essa passagem de avião mega cara que é a Rio - Sidney - Rio só para poder rever a minha amiga do coração.
Deve ser por isso que tenho problemas de abandono.

Eu e essas duas meninas costumávamos passar juntas todas as tardes depois do colégio. Fazíamos vários tipos de merdas, tipo roubar o carro do pai de uma delas pra ficar dando voltas pelo bairro, ter a cara de pau de pegar um filme de sacanagem pra ver como é que era e ficar com nojinho das cenas (porque o filme era feito de várias situações, mas todas terminavam com uma mulher sendo comida por cinco caras ao mesmo tempo), ou fumar os primeiros baseados de uma série, hábito que se estendeu por alguns anos.

Existe também a história clássica do arrombamento do armário. Uma das minhas amigas ficava o dia inteiro sozinha em casa, sem família e sem empregada, e por isso aquele lugar foi escolhido como a base do nosso pequeno clube. E a gente passava o dia inteiro comendo leite condensado com nescau e vendo televisão e ouvindo música, ou qualquer outro tipo de eventos não produtivos do dia-a-dia. Estudar, só se fosse na véspera da prova, ou nas provas finais. O que a gente queria era falar bastante besteira e andar de carro por aí.

Mas aí, a madrasta dessa amiga percebeu que os víveres do mês estavam acabando cada vez mais rápido. Mal sabia ela que alimentava duas bocas extras. E a madrasta passou a trancar o armário da despensa.
Nós três achamos um absurdo. Mas logo descobrimos um jeito de arrombar o armário sem que ninguém percebesse. E continuamos enchendo nossas barrigas de brigadeiros e biscoitos recheados de chocolate. Não sei como não ficamos obesas.

Anos depois, descobrimos que o pai da amiga de quem roubávamos o carro sempre soube do nosso truque. Perecebeu por causa da quilometragem. E a madrasta também sabia dos nossos assaltos à despensa. Provavelmente também sabiam dos baseados, mas isso a gente deixa quieto, né?
A gente se considerava tão malandra! Bons tempos esses de adolescentes de subúrbio. Pelo menos a pseudo-malandragem ficou pra trás...
E adolescência serve pra isso mesmo. Pra fazer coisas que ficariam ridículas se a gente fizesse quando adultos.

1 comment:

Anonymous said...

Te amo! Bjs com sabor de queijo de ovelha...