Wednesday, November 22, 2006

A história da história

Comprei um livro novo. Na verdade, foi ele que me comprou, porque se postou na minha frente assim, tão oferecido, em plena rua do Catete quase esquina com Manoel e Juaquim (quem precisa saber nome de rua quando se sabe nome de bar?), no meio de uma montoeira de livros velhos e sebentos que eu adoro. Bati os olhos por acaso e segurei no braço do Ninja, pedindo - ordenando - cinco reais. Não era empréstimo, era presente. E com a nota eu adquiri o exemplar enrugado e mofado daquela obra, talvez a mais famosa, do Herman Hesse: O Lobo da Estepe.

Não faço idéia do que se trata o livro. Mas há anos eu sei que um dia iria tê-lo nas mãos. Pra ser mais precisa, tenho essa absoluta certeza desde 1999, quando ainda era uma estudante, como já disse, interessada nas coisas que eram escritas e filmadas e cantadas por pessoas mais inteligentes que eu. Que delícia que é ser uma estudante interessada. E, enfim, como uma pessoa que tem absoluta certeza de que alguma coisa vai acontecer, nunca fiz esforço algum para obter o livro. Ele seria meu. Um dia.

Entendam que existe uma história por trás da história. Poderia ser uma história de amor, mas não passa de duas ou três noites de conversas e aulas assassinadas nas mesas do bar em frente à faculdade - o famigerado bar do Seu Pires. Era começo de período, ou final de período, quando estamos todos com o saco tão cheios de tantos trabalhos a entregar, formatados com o cuidado que só o Word constrói, que a gente passava na sala, assinava a listinha, entregava aquele calhamaço, e depois ia pro bar. Pedia uma cerveja e depois um caldinho de feijão, que só custava um real. Eu nunca fui muito de cerveja - eu nunca consegui entender a cerveja e o chope - mas esse era um dia de libertação. E eu fui pro Seu Pires.

E lá eu conheci um menino. Que fazia a mesma faculdade que eu, períodos acima, e que eu nunca tinha visto na vida. E a gente conversou sobre muitas coisas que eu não lembro. Sei que uma hora eu falei do Paulo Leminski. Eu era uma estudante interessada que gostava muito do Paulo Leminski naquela época. E ele me falou um monte de coisas que eu também não faço mais idéia do que foram, mas sei que surtiram efeito.

No dia seguinte, ele me ligou. Já estávamos de férias, e ele ia pra cidade dele que não era o Rio de Janeiro, e portanto eu só o veria no ano seguinte, para descobrir que já não tinha mais nada a ver. Mas nesse dia ele me ligou e disse: "Eu to lendo um livro chamado O Lobo da Estepe, e bem ontem, depois da nossa conversa, o cara do livro conhece uma mulher. E eu pensei: é você!"
Daí eu guardei o nome. E a certeza de que um dia ia ler esse livro pra saber que mulher é essa.

Depois que passa o tempo que passou, esse episódio perde qualquer razão que ele pudesse possuir. Esse menino não foi um grande amor. Ele está mais para colega de faculdade, vamos ser sinceros. Mas eu comecei a ler o livro e descobri que ele é bom. Parece ser bom, pelo menos. E era pra ser meu.

2 comments:

zander catta preta said...

Olá Bruna.

Poucas vezes vi uma história de amor tão bonita quanto essa.

Ah! Sidarta, do Hesse, é tão bom quanto. Mesmo.

Boa leitura.

Juliane said...

Oi sumida!! Aproveite sua leitura, eu adorei esse livro, mas sou suspeita porque gosto bte de Herman Hesse... Conte depois o que achou e dê notícias, ok?! Bjs
Juli