Tuesday, August 16, 2011

Nem todos os amores são horríveis

Nem todos os homens são traidores em potencial, nem todas as paixões são destinadas às lágrimas, nem todos as luas cheias deixam as mulheres loucas, nem todas as crianças são fofas e gentis (mas todos os pais têm culpa), nem todos os salários são essa bosta, nem todo emprego é trabalho, nenhuma família é de comercial de margarina, nem todo parente é de confiança, mas toda melhor amiga é melhor que parente ruim, nem todo mundo briga por dinheiro, nem todo céu é paraíso pra todo mundo.

Hoje me deu uma vontade de escrever que nem tudo é o que a gente acha que sempre foi. Passei anos e anos acreditando que amar era sofrer, até que um dia um amigo leu a minha mão (será que ele lembra disso?) e disse que a minha vida amorosa seria de tristeza. Eu me recusei a acreditar nisso, mas acreditei. Na verdade, eu já acreditava. Eu já desconfiava de todo mundo, já deixava meu lado de ascendente em escorpião ficar de guarda, à espera de um possível bote que eu no final não deixaria chegar. Mas sabe o que acontece: o bote sempre chega, a gente sempre leva a ferroada, mesmo estando de guarda. E aí eu aprendi que o melhor é relaxar e esquecer que existe a possibilidade de ser sacaneado.

Segundo o meu amigo, a minha linha do amor é cheia de falhas, que seriam interpretadas numa leitura de mão como os percalsos de uma vida amorosa. Agora mesmo eu parei e tentei achar a linha do amor; mas na palma da mão eu só conheço a linha da vida, e essa parece bem longa e desenhada, obrigada. E, afinal, eu nem sei se a mão a ser lida deve ser a esquerda ou a direita, porque parece que uma tem as linhas mais certinhas que a outra - ou será que é porque a minha palma direita está suja?

E aquela história de fechar a mão e ver quantos filhos você vai ter? Eu fazia isso quando era criança, via as dobras na lateral dos dedos e dizia pras minhas amigas: você vai ter tantos filhos. Na minha mão parece que eu vou ter quatro, mas será que eu já conto nesses os meus enteados, a situação mais próxima de maternidade que eu conheço? O que me lembra o sonho que eu tive e levei ao consultório do terapeuta: sonhei que tive quatrigêmeos, e que como já tínhamos duas crianças do primeiro casamento do meu marido, não teríamos como ficar com seis bebês em casa. Então eu tive que dar dois dos meus filhos. Imagina o horror. Eu acordei bem triste de ter tomado essa decisão, de ter que dar dois dos bebês que eu não tive.

Mas nem todos os sonhos são realidade - ainda bem - e no final as crianças que sobraram na minha casa são as mesmas, que não são meus filhos mas eu considero como se fossem, embora obviamente eles não em consideram como mãe. E eu entendo. Mas lamento. E fico levemente enciumada.
Porque nem todas as madrastas são más.

2 comments:

rko2000 said...

Textos sempre ótimos e cabíveis a realidade...
Por isso sou fã!

bruna paixão said...

obrigada! :)