Wednesday, August 10, 2011

127 horas

Demorei tanto pra ver esse filme que nem sei se vale a pena falar sobre ele. Na verdade, dei uma certa amarelada quando li que pessoas em cinemas do mundo inteiro saíam das salas de exibição na cena em que o alpinista corta o braço. Por causa da minha covardia cinematográfica, já deixei de ver alguns grandes filmes, como Irreversível (pela cena do estupro). Eu tenho problemas com salas escuras de cinema: elas ampliam as minhas sensações de uma maneira que até quando assisti ao último Batman eu fiquei com um certo medinho.

Mas um dia aluguei 127 horas. Em blue-ray. Pra ver na minha casa, de noite, com tudo apagado. Pra fingir que estava vendo no cinema. E eu que sou bem fã do Danny Boyle: desde o primeiro filme que assisti (acho que foi Transpotting), percebi que estava diante de um cara que merecia toda a minha atenção por, no mínimo, duas horas. Passei a procurar outros exemplos da filmnografia dele, e assim cheguei a Cova Rasa, A Praia e... amarelei de novo no Extermínio. É um saco ser covarde.

Voltando a 127 horas, é óbvio que o mais comovente nesse filme é saber que se trata de uma história verídica. O Aron Ralston é o verdadeiro super herói americano - só que, no caso, ele não usa os seus poderes pra salvar a humanidade, e sim ele mesmo. Se eu estivesse em um canyon do meio de Utah, eu não durava nem 24 horas, pode ter certeza. Se bem que eu sempre me pergunto qual seria a minha atitude numa situação como essa, em que a gente lembra que é bicho, e que o instinto de sobrevivência se sobrepõe à qualquer outra sensação.

Isso me faz lembrar de um outro filme, O Pianista. Lembro de uma das cenas mais lindas que eu já vi, de quando finalmente o pianista judeu é descoberto pelos aliados, quando a guerra termina. O fugitivo está usando um casaco do exército alemão, e por isso quase leva um tiro dos aliados. Quando ele se identifica como judeu, o soldado americano pergunta: por que você está usando esse casado? E o pianista responde: porque tenho frio.
Foda-se que é um casaco nazista. Ele tinha frio.

Mas o cara do 127 horas, esse é um homem que merece admiração. Durante o período que ficou preso no canyon, ele gravou com sua câmera alguns depoimentos. Pedidos de desculpas, frases de adeus de quem acha que daquela enroscada não vai conseguir passar. Mas o tom não é de desespero, é de calma, o que é mais que surpreendente, considerando que o cara já estava há alguns dias sem comer quando começou as gravações. Muitos desses depoimentos estão no Youtube e são fáceis de encontrar.

A parte mais linda pra mim é a cena final. Tentei achar no Youtube, mas nao consegui, talvez porque o final seja um ponto importante do filme, certo? (TOM IRÔNICO). Eu até chorei vendo o cara se safar, vendo que ele perdeu um braço, mas não perdeu totalmente pra natureza.
Na seleção natural, esse cara é o primeiro da fila.

2 comments:

Anonymous said...

Ola adoro seu blog, gostaria de mais informaçoes sobre vc ^^ q me parece ser bem legal, facebook, twitter, others.... bjos

bruna paixão said...

Oi.
O twitter é @brunapaixao, mas confesso que faz teeempo que não atualizo...
Vou ver se me animo de novo.
E o fb é /bruna.paixao

bjs