Wednesday, January 17, 2007

'You're still doing things that i gave up years ago'

Lou Reed me dá tesão. Transformer é o disco mais afrodisíaco já lançado, com todos aqueles pianos e a voz rouquinha e meio sussurada (mesmo quando ele grita; é possível isso?) do Lou. Ele sim, ele pode falar de baixeza e do submundo, ele entendeu o que é isso, casou com um travesti e fez uma música em homenagem à heroína. É difícil tentar ser moderno depois do surgimento de Lou. Todos esses modernos wanna be que eu vejo por aí deveriam ficar envergonhados, porque ninguém, jamais, conseguiu ser como ele, Mr. Reed.

E de todas as músicas que eu ouço dele, o verso que mais cutuca a ferida é esse aí do título do texto. Ele, que já sabia que era moderno mesmo sem nunca ninguém ter dito, avisou pra quem tentasse copiar: você tá indo quando eu já estou voltando. Sacou? Dá vontade de fazer uma camiseta e sair por aí andando e cumprimentando gente que, meu deus, se prendeu a uma década. Lou é foda.

A culpa do renascimento da minha paixão por Lou Reed aconteceu quando eu comprei um MP3 player lindinho. Me rendi à tecnologia, apesar de ser uma menina do século dezenove. Eu baixei Transformer e fui suar barras de chocolate na esteira da academia ouvindo a voz de veludo do meu mais novo antigo muso, e aí percebi que, caramba, não existe mais nada depois de Satelitte of Love, ou Perfect Day. Não existe nada, quem faz música deveria parar de escrever, todo mundo já pra dentro de casa pra colocar o disco no repeat, até cansar as orelhas, até acabar a bateria do seu radinho. Todo mundo, agora, tirando a roupa e fazendo uma suruba em nome de Lou. Ele sim sabe o que é sexo.

1 comment:

adelson said...

acho q não tinha lido nada destes de 2007. c´est pas possible? agora vou ter q catar lou reed por aí. eu tinha e adorava solamente aquele do velvet com uma banana na caixa.