Thursday, May 04, 2006

Falta Fé

Sou uma pessoa sem fé. Alguém que há muitos anos declarou ser atéia, e desde então não consegue se apegar a nenhum tipo de crença. Sou um ser humano que não consegue acreditar em Deus e nem em Destino com D maiúsculo, ou Céu x Inferno. Faço minhas as palavras do Quintana: "O mistério está aqui".

Durante anos eu tinha a certeza de ter encontrado no ateísmo a maior verdade do mundo. Mas agora - que ironia - invejo todos aqueles que acreditam em uma força suprema. Descobri que sem uma crença em algo é muito difícil aturar o mundo e a vida como eles são, cheios de surpresas deliciosas e desagradáveis, prontos para provarem o inesperado.

Mas agora que vejo que não posso viver sem um sentido maior nisso tudo, cadê que eu consigo me interessar por alguma religião? Não consigo. Olho para tudo com certo desdém e com um cinismo que não consigo me livrar. Eu tento ver o lado bom de cada tipo de fé, mas acabo me deparando com dogmas absurdos que não consigo entender. E aí, volto para o lado dos que não acreditam em nada.

O problema é que toda essa secura tem me atingido no peito. Falta fé no trabalho, com os amigos, com a família. Falta fé em mim. Demoro a acreditar que alguma coisa vai melhorar, porque para mim não existe mudança em uma pessoa. E daí eu vejo o quão triste é uma existência sem uma crença. As pessoas são capazes de mudar, desde que por algo muito maior e mais belo do que as coisas que existem neste mundo.
Pena que eu não sei se esse algo existe.

3 comments:

Baxt said...

Nhé!

Ter um emprego de 30 anos não é para todo mundo.

Abrir seu próprio negócio não é para todo mundo.

Ter filhos também não.

Casar fantasiada de noiva tampouco.

Comprar a casa própria? Idem. Serve para alguns e para outros não.

Ter um casamento de 30 anos em que ambos falam a verdade. Você já entendeu.

E ter fé é só mais uma dessas coisas. Serve para alguns, para outros não.

Eu até tenho fé em algumas coisas, e sou agradecidíssima a Deus ou ao Grande Whatever por tudo que tenho, mas ter uma religião? Enlatada, empacotada, desenhada há milhares de anos? Não obrigada. Tudo para mim tem que ser customizado. E às vezes nem assim me serve.

É menos confortante, menos prático, mas para mim é assim, não adianta tentar ser diferente.

Aichego said...

Durante muito tempo me declarei atéioa sem o ser. Me declarei atéia porque sofro do mesmo mal que você, não consigo olhar para as religiões, crenças whatever das ppessoas que as acho todas sem sentido. Não acredito nem em Deus, enm em orixás, nem em astros regendo minha vida, nem em fadas que morrem quando eu digo que não acredito nelas (eu não acredito em fadas). Mas, com o tempo, descobri que isso não faz de mim atéia. Ateu é aquele que crê no nada, crê que quanda acaba, acaba. E que não existe nada maior do que aquilo que podemos comprovar.

Não é o meu caso. Não sei se haverá ou não uma continuação da "vida" depois que eu morrer, não sei se há algum siginificado maiornas coisas que me acontessem ou acontessem no mundo. Pode ser que sim, pode ser que não. Hoje me declaro agnóstica o que é muito mais confortável. Assim, tem horas que posso dar uma "acreditadinha" numa coisaa ou outra, agradecer aos céus por algo, ou mandar alguém para o inferno sem culpas. Não acredito nessas coisas, mas tb não desacredito.

Aichego said...

Normalmente me pego querendo acreditar em algo superior quando estou triste, pra tentar melhorar. Muitas vezes já invejei quem tem religião. Mas, pra mim, o melhor é buscar a tranquilidade para saber que tudo na vida passa (inclusive ela mesma).