Tuesday, March 06, 2012

O mundo bizarro das parideiras

Eu costumava olhar com certa pena algumas mulheres que diziam, orgulhosas, desconhecer totalmente tal ou tal banda que ia tocar no Circo no fim de semana, porque desde que os filhos tinham nascido, tudo o que ouviam era "A Galinha Pintadinha", ou coisa que o valha. Eu ficava com pena e me prometia nunca me tornar uma delas, mesmo desejando muito um dia ser mãe também. Afinal, eu seria uma mãe que nunca perderia contato com o mundo lá fora, uma mãe cosmopolita, prática, que poderia viajar pra qualquer lugar do mundo com o filho debaixo do braço, fosse qual fosse a sua idade, tal qual fazem os europeus. Tudo bem, eu ignorei que na Europa a gente anda um pouquinho de trem e já está em outro país, enquanto que aqui e a gente pode andar, andar e andar de carro, e só chegar em São Paulo. Mas o fato é que eu não deixaria nunca de viver a vida por causa do meu filho. O plano era trazer meu rebento pro meu universo, e não o contrário.

Mas nada como uma dose mínima de realidade pra colocar a gente no devido lugar. Mal começou a gravidez e eu descobri o bizarro universo consumista infantil. Fiquei fissurada em blogs e artigos e ítens com design destinados aos bebês, e particularmente maluca com um fone de barriga que vende na Amazon, e que permite que o meu filhinho escute, desde o ventre, todas as bandas que a mãe dele um dia vai fazer com que ele assista no Circo. E de repente eu me vi cercada de listas e listas de compras, com nomeclauras absolutamente novas (culote? conjunto pagão? fralda de ombro, pano de boca?) e objetos imprescindíveis pro bem estar do meu baby.

Mas não foi sempre assim. Um dia eu resolvi passear na feira de gestante que tem no Rio Centro, só porque estava ali pertinho, e porque uma amiga me prometeu companhia. Uma amiga corajosa, que não tem filhos, e que mesmo assim topou encarar o programa de índio. E a cena que se segue é de dar dó: duas completas perdidas no meio de todos os tipos, tamanhos e gostos do tal universo paralelo de parideiras. Eu vagava pelas ruelas da feira sem entender muito bem o que eu tinha que comprar, se era barato ou era caro, se eu devia viajar pra Miami e fazer o enxoval todo por lá ou se haveria uma boa alma que fosse capaz de me dar aulas sobre "ser mãe" (na vertente mercadológica desse vasto tema).

Aquilo foi me dando um desespero tão grande, uma noção do quão despreparada eu sou pra chegada desse serzinho, que eu voltei pra casa deprimida, pensando em me inscrever num daqueles cursos de grávida. E mesmo assim, no auge da depressão, eu tive tempo de comprar um balde e uma banheira transparentes com detalhes verdes, a coisa mais fofa do mundo.

A depressão passou e deu lugar a um monstro dersenfreadamente consumista no cartão de crédito. Ainda estou na metade da gestação, mas já maluca por objetos que eu coleciono em links salvos nos meus favoritos. Um dia, em breve, eles vão estar espalhados pela minha casa, entre panos de boca e fraldas de ombro (mas conjuntos pagão, jamais!). Enquanto isso, a "Galinha Pintadinha" vai bombar no iPig. E eu vou ser uma mãe, como tantas outras, que vai achar incrível qualquer gracinha do seu bebê, e vai mostrar, a quem quiser ver, todas as ultras, de todos os meses, como se fossem books fotográficos da America's Next Top Model. Não duvide, mulher: um dia isso vai acontecer com você também.

7 comments:

Barbara said...

Eu entrei numa noia desesperada para NAO comprar coisas, porque meu apartamento eh pequeno e fiquei em panico com a ideia de nao sobrar espaco na casa pra mim.
O que eu fiz, e recomendo, eh esperar o rebento nascer e ir descobrindo do que vc precisa. E mandar o pai sair pra comprar :) Compre o basico para a sobrevivencia. Por exemplo, comprei um carrinho cheio de coisas e minha mae me deu milhoes de super mantinhas lindas - eu pendurei o garoto no canguru e quase nao usei nenhuma dessas coisas.
Quando essa crianca chega? Eu posso levar meus baby carriers para vc experimentar. Vc pode tambem comprar coisas pela internet e mandar entregar aqui. Mas se sua familia eh como a minha, nao compre roupa para essa crianca. Eu comprei UM macacaozinho pro Jonas, o resto tudo ganhei.
(ai, tou louca para ver sua barriga!)

Maluzinha said...

Escrevi um post enorme e apagou... deve ser um sinal. Amo-te, beijos

Bruna Paixao said...

Baxt, quando vc vem ao Rio? Quero muito que vc veja a minha barrigona! Eu to muito ansiosa pra começar a comprar as coisas, mas aqui em casa também tenho um problema de espaço... Então não tem essa de decoração de quarto de bebê, etc, porque nos primeiros meses, o meu quarto é que vai ser o quarto do bebê!

Maluzita, to esperando vc ao vivo pra me falar tudo o que vc escreveu e o post apagou... Muito ansiosa com a sua vinda :)

beijos!

Fabi Cimieri said...

Bruna,
Bacana o teu blog!! Quando eu tava grávida tb tinha um... fiz um grupo de amigas grávidas que de vez em quando encontro até hoje. Na verdade, muuito de vez em quando. Eu tb sempre pensei como vc, e na gravidez tb não conseguia pensar em mais nada. Lembro que ia para a pauta e não cobseguia concetrar no que tava rolando, só pensava se ia pintar o quarto de rosa ou lilás... e coisas do gênero. Agora a Cat tem 6 anos e acho que consigo conciliar bem a maternidade com a vida normal (pelo menos é o que minhas amigas dizem, rs). Mas ter filho muda tudo, e vc pode ter ctz, vai ser como se sempre tivesse tido. Eu morria de insegurança de não saber ser nãe, achava que não ia conseguir fazer coisas básicas, como deixar o bb cair no chão ou afogar a criança no banho, rsrs. mas eh td super natural, instintivo mesmo, believe, rs. bjs e boa hora!!!

Bruna Paixao said...

Fabi, obrigada pelas palavras! To na torcida pra dar tudo certo mesmo, mas tenho um trunfo que pode me salvar em momentos de desespero: meu marido tem dois filhos, que também moram comigo, e ele é meio mãe, sabe. Aquele tipo de pai que dá banho, troca fralda, e só não dá de mamar porque não tem peito!
Ele me deixa bem mais tranquila pra encarar a maratona :)

Kal said...

Ahááá... minha vingança!!! rss Brincadeira, Bruneca, mas se não cheguei a ouvir de você, com certeza vi algumas vezes nos seus olhos a pena que vc sentia de mim por eu não saber mais das bandas que estavam rolando no Circo. Desde que fiquei grávida, meu mundo realmente passou a ser este que vc está vivendo agora, e depois que o Pedro nasceu passou a ser o Barney, os Backyardigans, e hoje é Ben 10, canal Disney XD, beyblade... e eu acho bom demais!!!! :D

Bruna Paixao said...

Kal, deixa de história, que olhar de pena o quê! Nunca isso, japa! hahahahh
Eu bem que tento me manter conectada com o mundo lá fora, mas me dá uma preguiiiiça de sair de casa... por mim, eu ficava o dia inteiro revendo os DVDs das ultras! hahahahah!