Tuesday, May 05, 2009

Mulher Total Flex

Passei pelo final dos anos 90 assistindo de camarote a todas aquelas meninas que experimentavam o lesbianismo de sábado à noite. Era moda, naquele tempo, beijar outras meninas nas festas de música eletrônica, se você fazia parte da ridícula (no sentido de mínima) cultura clubber que engatinhava no Rio de Janeiro. Bem, eu era uma ridícula (no sentido de patética) clubber carioca, se é que cabe rotular aqui, e posso dizer que, de todas aquelas experimentações de sábado, eu fui a única que beijou uma menina só uma vez - e achei ruim, diga-se de passagem. Sabe como é, faltou a barbinha por fazer e aquele jeito mais agressivo masculino. Enfim, faltou a virilidade. E, mesmo depois da experiência, eu passei por algum tipo de preconceito às avessas: as pessoas me olhavam torto porque eu era uma das poucas que não "fazia" garotas. Fui imediata e irrevogavelmente tachada de careta.

Os anos passam e a caravana continua, e essa história de lésbica de vez em quando ficou pra trás. Até que eu encontrei uma amiga de uns 30 e poucos que, às vésperas de fazer aniversário, disse que o importante na festa dela é que aparecessem pessoas solteiras. Porque na nossa idade todo mundo está casado ou recém-divorciado, pronto pra cair na gandaia da reconquistada vida de solteiro. No meu círculo social são poucos os amigos que deixaram a vida de adolescente pra trás e resolveram se casar. Separados, então, esses nem existem. Mas aí eu fiquei quieta, porque essa história de pós adolescente anda me envergonhando. E a minha amiga continuou a falar sobre os solteiros que deveriam aparecer na festa dela:

- Homens hétero de 30 a 50 anos
- Preferência por homens na faixa dos 38 sem filhos
- Gays que de vez em quando fiquem com garotas aqui e ali
- Mulheres dispostas a experimentações

E aí, quando ela disse isso, todo mundo riu. E alguém falou: "Mulher tem essa vantagem, pode ir e voltar. Já com o homem, se escolhido esse caminho, não volta mais". E todo mundo riu de novo, e eu fiquei tempos depois pensando que mulheres de 30 e poucos experimentam outras mulheres e podem até namorar e são muito bem resolvidas com isso. Achei curioso, porque namorar uma menina nunca foi uma opção pra mim. Meu namorado mesmo diz que eu sou a mulher mais hétero que ele conhece - e isso porque ele compartilha a opinião lamentável de que toda mulher tem um quê de lésbica. Mas quem sabe, vai ver é verdade mesmo. Nossa, seria a redenção das fantasias masculinas. E é interessante saber que as pessoas têm mais essa possibilidade. É tão... libertador.
Pena que não é da minha praia. Ainda. Vai saber, né.

4 comments:

Anonymous said...

Me encaixo na faixa dos 30 aos 50, hétero. Gosto de olhos, peitos, bundas e idéias, gosto muito, muito de mulheres. Tenho quase 37, sem filhos, e não me imagino tomado a pílula azul nos próximos 35 anos. Mas tem um problema: eu não existo, pois sou separado.
Achei esse teu texto com uma mensagem subliminar bem preconceituosa, independentemente de ter beijado mulher, ser amiga de gay e comer bastante chocolate, para perpetuar as espinhas, numa (quase) triste argumentação (pseudo) freudiana. Liberdade é passar a mão na bunda do guarda, o resto é neurose ou histeria, que se adota para continuar sendo, sem tanta sofreguidão, um psico-burguês.
Já li coisas melhores aqui.

Anonymous said...

Desculpe... mau humor! :)

bruna paixão said...

Imagina, o mau humor é muito bem vindo aqui, ainda mais com críticas que eu respeito! Vc só nao entendeu uma coisa, provavelmente pq o texto está confuso mesmo: quis dizer que nao existem casai separados no meu grupo de amigos mais próximos, porque são todos solteiros ou recém casados. Tanto que foi só há pouco tempo que eu conheci pessoas um estágio acima, no sentido de experiência de vida: namoro um cara de 41 anos, separado, pai de dois filhos. Pra quem tenta a todo custo perpetuar as espinhas, foi uma mudança e tanto!
Mas no fundo tenho é muita inveja (da boa, se é que existe) de mulheres que são livres o suficiente para se relacionarem com outras mulheres. Acho corajoso e autêntico.
Mas eu prefiro me relacionar com os homens e todos os seus defeitos. É assim que eu sou, seja por medo, seja porque ombros largos me chamam atenção na praia. Vai saber, é tudo uma mistura só, certo?
beijos
e pode continuar me batendo que eu gosto :)

Joana said...

sei, mulher de malandro, bate que gosta... rsrs adorei...
41 anos? não sabia,
tenho procurado, mas só os "infantes" gostam de mim. acredita que o último me disse que tem 22 anos, mas na real, tem 19!
bom, sigo tentando...
sobre experimentos na área sexual, hahaha, não farei comentários,
mas, devo dizer aqui, sério, é refrescante ler sobre nosso padrão "always 15", ainda me sinto com 17 anos..... obrigada. te amo. beijos