Tuesday, August 05, 2008

De volta à 1998

Pra que tudo isso? Por que as raízes brancas no alto da cabeça? Pra que a dor de estômago e o livro que há duas semanas parou na mesma página? E os discos que eu baixei, pra que baixei, se só ouço no pequeno espaço de tempo reservado para meus MP3, quando saio do banho e escolho a roupa e tento, de alguma maneira, arrumar o quarto? E por que os convites recusados, e a minha avó que já tem mais de 90 anos e pra quem eu não dou um telefonema sequer, e pra que a minha afilhada que eu só vejo de seis em seis meses, quando muito, e que nem me chama de 'dinda'? E pra que o diploma e a faculdade, e todos os anos de mensalidades, pra que servem agora?

Ainda espero o furo inacreditável da minha carreira de jornalista.
O meu livro a ser laçado.
O documentário.

Eu não consigo nem mais escrever no blog. E pra quê?

Não estou mais rica.
Não descobri a cura da AIDS.
Não adotei uma criança pobre.
Não fiz bem pra ninguém, a não ser a um minúsculo número de socialmente relativos.

Se eu pudesse recomeçar, faria tudo diferente. Ou ficava podre de rica, ou pobre e satisfeita.
Nunca esse meio termo escroto a que todo o rebanho se acostumou.

8 comments:

Massashi L. Hosono said...

Ahh se fosse fácil projetar a vida.... Escolhemos esse termo porque não conseguimos conceber nossa realidade na sua forma mais crua. Desenhamos o futuro e a vida vai apagando algumas partes e deixando outras. É como um jogo mesmo. Bom, agora vou assistir um Friends... :s

Baxt said...

Cara, eu tentei ser pobre e satisfeita. Mas acho que nao com enfase suficiente. Estou que nem vc (vc sabe)...

elisacolepicolo said...

Esse questionamento vai existir sempre, você rica e infeliz ou pobre e satisfeita. Porque sempre você vai deixar coisas pra trás, não tem jeito. O que a gente pode é viver o mais em conformidade com os nossos ideais possível, sem pirar na batatinha e virar um daqueles idealistas que param no tempo. Faça as coisas pensando na sua felicidade, que o resto vem junto. Porque se a gente não for feliz não faz ninguém feliz. ;)

Bjo.

Aichego said...

Escrevi um troço sobre um tema parecido... talvez vc goste.
http://bichatrambiqueira.blogspot.com/2008/07/balzaquianas.html
bjs

Maluzinha said...

Ih nega, é o pré... já já passa (rs).
Mas adorei saber que nao vou ser a única mae adotiva.
Bjs

B. said...

cara, essas perguntas me assombram muito tb.

ainda mais agora, morando em sampa. estou com a sensação de que não dei atenção suficiente às pessoas aí no rio... pais, avós, família em geral.

espero conseguir fazer isso nos poucos fins de semana que estarei com eles.

adriana said...

querida, o negócio é viver o presente da melhor forma possível...e fazer o que for possível também.
Mas, conformismo, jamais!!

danielog said...

otimo...
o primeiro passo foi dado!