Thursday, July 14, 2011

Maçãzinha

No meu trabalho, todo mundo tem Iphone. TODO MUNDO. As reuniões podem ser descritas como pessoas ao redor de seus Iphones, todos pseudo displicentemente colocados em cima da mesa, todos pretos, mas com uma coleção de capas de padronagens diferentes. Na época em que comecei a perceber tudo isso, eu carregava na bolsa um daqueles modelos de celular que as pessoas ganham no supermercado, que não tirava fotos, não entrava na internet e não tinha absolutamente glamour algum. E nas reuniões de trabalho, meu aparelho ficava bem escondido no bolso da minha calça, eu sem ter a coragem de colocar o pobrezinho lado a lado com aqueles monumentos de design da Apple. Era uma época tensa.

Passados alguns meses e muitos emails lidos horas depois do que todo mundo já tinha lido, eu me dobrei aos Iphones. Não que fosse preciso uma grande lista de razões para me convencer, mas o fato é que eu achava sempre que não tinha dinheiro pra nada, e que não poderia fazer parte do seleto e moderno grupo do I alguma coisa. Chutando um certo balde das minhas finanças, me dirigi à loja da minha operadora e pedi pro vendedor fazer todos os cálculos do que seriam, pelo menos, umas dez prestações.

Comprei um 3 GS de 16 giga, branquinho, a coisa mais fofa. Em dez vezes. Mas foda-se: agora, nas reuniões, o meu celular também estava em cima da mesa. Com personalidade, porque era o único branco e sem capa, e ninguém poderia ver que ele só tinha 16 giga, enquanto todos ali sustentavam os 32 gb. Rapidamente, eu me tornei uma usuária ainda pior de Facebook, Twitter, Gmail e o que mais fosse inventado. Baixava os aplicativos mais bombados e mandava emails assinados com "Enviado pelo meu Iphone" (depois eu apaguei essa assinatura porque fiquei com uma vergoinha).

Mas, meses depois, veio o Iphone 4. E agora, todos os celulares na mesa de reunião são quadrados nas bordas, enquanto o meu ainda é flat. Tenho certeza de que isso foi uma maneira da Apple me colocar no meu devido lugar. Pra me lembrar que que, não importa em quantas prestações eu pague, sempre vou estar um modelo atrás do último lançamento.

É o que eu sempre digo: tem gente que tem alma de Iphone 4, e conta de Iphone 3.

Meia noite em Paris

Sou do tipo fã boboca do Woody Allen: tudo que ele faz, eu nem i e já acho genial, e na verdade não chego a me decepcionar nem com os filmes que todo mundo decepciona. Eu sou fã, e fã é sempre um bobo. Só que esse último filme fez WA virar unanimidade de novo.

Todo mundo viu antes de mim, é claro, e todo mundo disse que é incrível. Eu estava louca pra assistir porque passei o fim do ano em Paris e percebi a mágica da cidade (era a minha segunda visita, mas talvez eu tenha sentido os efeitos parisienses mais fortes dessa vez), até que alguém me avisou: a Paris do filme é uma cidade diferente de todas as outras.

Pra quem não viu o filme fica difícil de falar sem estragar a surpresa, mas eu fiquei muito tempo pensando sobre a nossa inserção nos dias atuais: o que achamos da época que vivemos, como nos relacionamos com o presente e com o passado.

Quando eu tinha 15 anos, tudo o que mais queria na vida era ter nascido em 1969. Eu me vestia, ouvia as músicas, devorava os livros daquela época. Chegava ao meu colégio mega burguês de subúrbio vestindo longas saias indianas, como uma hippie. Mas me sentia muito sozinha ao encontrar meninas que se vestiam igual ao mim, porque reparava que elas (aparentemente) só tinham em comum comigo as saias indianas. Elas ouviam Geraldo Azevedo (ui!) e liam Sem Tesão Não há Solução, ou She e He, o que me dava um certo medo.

Só que um ano depois tudo isso já tinha mudado: eu estava totalmente inserida no final dos anos 90.

Essa historinha só serve pra ilustrar um pouco do que o filme fala, de que nunca estamos satisfeitos com a época que vivemos, e estamos sempre achando que décadas passadas foram as melhores épocas da História. A gente sempre vai achar isso, porque todo mundo tende a romantizar o que passou; o passado é realmente perfeito, e até o que foi dor a gente vê como aprendizado, já reparou?

Mas, sinceramente, depois que passei da fase 1969, eu parei com essa mania de querer viver em outra época. Na verdade, eu tenho uma super admiração pela geração mais nova que eu: o pessoal que tem vinte e poucos, e que tem um acesso irrestrito a todo tipo de informação e aprendizagem. E esse povo sabe usar direitinho essas ferramentas! Eu acho a geração que tem dez anos a menos que eu muito mais interessante do que a que tem dez anos a mais.
Uma pena que ninguém nunca tenha me ensinado o caminho à Terra do Nunca...

Tuesday, July 12, 2011

Autoimagem

Hoje comentei com uma amiga que acabou de completar os 29 anos que ando preocupada com a chegada dos meus 35: agora tenho 33, faço 34 em dois meses, e isso me coloca a apenas um ano de distância daquele idade tão terrível para as mulheres. A idade em que se deve optar pela pílula ou pelo cigarro, em que as mamografias passam a ser exames obrigatórios e anuais, em que deixamos pra trás definitivamente os 30 e poucos para entrar na contagem regressiva dos 40. Tenho medo dos 35, assim como já tive medo dos 25 e dos 30 (e depois descobri que são duas idades ótimas, cada uma por um motivo).

Mas o pior de se ter à frente um ano e dois meses prestes a completar 35 primaveras é não ter a noção de que já cheguei a essa idade. Não posso ver um pessoal de 20 e poucos que logo quero me enturmar, como uma tia Sukita precoce (e a galera dessa idade nem conhece a referência dos tios Sukita!). O fato é: converso mais com a filha da minha vizinha do que com a minha vizinha. Isso é muito triste, ou só um pouco triste?

É que assim como as pessoas que fizeram operação de redução de estômago e ainda se vêem gordas, eu ainda me vejo com vinte e poucos. E olha que eu já melhorei bastante, mas ainda insisto no vício de redes sociais da última semana (já faço parte do Google +, você faz?) e nas bandas de rock que acabaram de tocar no Coachela. Uma trintona Sukita.

Por outro lado, morro de medo de virar uma daquelas mães que só conhecem musiquinhas de creches, ou casas de festas, e que se esquecem de consumir qualquer outro tipo de leitura que não seja informação materna. Não, deus me livre guarde de virar uma dessas mulheres que se fecham no mundo as suas casas e esquecem o resto lá fora. Será que existe maneira de não pensar só em fraldas e gracinhas do seu filho e, mesmo assim, ser uma boa mãe? Será que há possibilidade de cuidar e brincar com seu rebento e continuar consumindo música boa e romances legais?

Tenho algumas referências de mães que não viraram amamentadoras profissionais, mas essas são uma pequena ilha diante de um oceano de casos opostos. Acho que só quem viver, verá - e, enquanto isso, eu bato papo com a minha vizinha pós adolescente sobre bandas e redes sociais do momento.

Monday, July 11, 2011

Silêncio de ouro

Andei pensando sobre o que falar e o que manter calado, e cheguei à conclusão de que, na maioria dos casos, a gente deve ficar quieto e deixar que os outros se enforquem nas próprias palavras. Esperto é aquele que fica tranquilinho no seu canto, só observando e fazendo cara de paisagem.

Pena que eu nunca consegui ser assim. Tanto que criei um blog pra contar melhor e worldwide as minhas peripécias de garota ligada na tomada. Gosto de ler os textos antigos pra ver o quanto eu já aprontei nessa vida: 33 anos bem vividos e agora dedicados à realização de planos. Então, na fase atual, eu vou tentar levar em frente a máxima de que o silêncio vale ouro.

Mas deixa eu só contar que eu ando feliz da vida, com um carrinho novo que comprei à prestação, e a possibilidade de finalmente conseguir uma promoção. Eu sei que não se deve contar uma coisa boa que está pra acontecer antes dela realmente acontecer - mas, what the hell, se fosse por isso só tinha mudo milionário no mundo.

E deixa eu falar também que todos os dias eu sonho em escrever contos geniais e colocar pra competir em concursos literários, mas nunca faço isso de verdade, porque sempre perco o prazo da inscrição.

E deixa eu falar que eu to morrendo de medo do fim do ano, quando vou chutar o meu trabalho atual pra tentar coisas novas e arriscadas, mas que por isso mesmo são as coisas que me parecem mais legais nos últimos cinco anos.

E só mais uma coisinha: estou pensando seriamente em entrar pro time de mães de família no próximo ano.

Ok, agora a gente pode ficar em silêncio. Antes que eu diga que to sentindo um mega frio na barriga de tudo que me deixa tão feliz.

Friday, July 08, 2011

Caderninho

Queria tanto ter um moleskini com desenhos incríveis. Só que não sei desenhar, e não tenho um moleskini, mas carrego na bolsa o caderno que ganhei da Paulinha quando a gente fez aquele trabalho prum escritório de design. Eu escrevendo e ela desenhando, é claro. O trabalho acabou - rendeu bons frutos, inclusive - mas o caderno resistiu e hoje mora na minha bolsa, todo sujinho e cheio de orelhas causadas pelo dia-a-dia de turbulência do meu saco de coisas. São anotações de trabalho, de lazer e de pura viagem mental: eu sento por muitos minutos e fico vendo a vida passar, e escrevo pra ver se consigo entender alguma coisa do mundo.

Durante um tempo eu achei que as respostas pras grandes questões da vida eu conseguiria em livros e filmes. Depois eu vi que não é bem assim, não é a resposta da pergunta que está ali nos filmes e nos livros, é a pergunta que mora naquelas páginas. Por isso agora quando eu não sei o que perguntar, eu compro um livro novo: eu queria fazer uma pergunta sobre amor, mas não sabia qual, e aí comprei o "Um Dia". Pra sonhar com um casal como aquele, e pra depois voltar a escrever sobre tudo isso no meu caderninho que não tem nada de moleskini.

Minha loucura com os cadernos é tão arraigada que não consigo fazer uma viagem sem comprar um caderno pra mim. Depois fico com pena de usar, e os blocos vão se acumulando na minha parte do armário. Outro dia finalmente abri o bloco que comprei no Museu do Prado (uma capa linda, com detalhes do quadro Jardim das Delícias). Fiquei um tempão sem coragem de macular a primeira página, achando que nada do que eu escreveria seria digno daquele exemplar lindo de caderno.

Tuesday, June 14, 2011

A única história de amor





Eu não esperava que o livro da Patti Smith "Só garotos" fosse me ensinar o que é amar de verdade. Eu achava que simplesmente ia ler uma puta biografia, de uma das maiores poetas e cantoras de rock de todos os tempos. E eu achava que o nome original era "Only boys", e pensava que ela queria dizer que estava sempre cercada por muitos homens, no começo da era punk, em meados de 1970.


Só que não é "Only Boys". É "Just Kids". E o punk me deu uma lição de amor.


O livro conta a história de Patti com o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Dois artistas mortos de fome morando na Nova York da década de 60. O lindo é que os dois fizeram um pacto de proteção mútua que não foi dissolvido nem com o fato do cara ser muito e absolutamente gay.


Quanto mais eu lia a história dos dois, de luta e de apoio, e de carinho... Mais eu tive medo de nunca me aproximar de um amor desse tipo. Amor que só dá e quase não pede de volta. Amor que fecha com aquela pessoa, que confia, que sabe que nada de ruim vai acontecer vindo dela.


A minha geração aprendeu a amar desconfiando sempre. Quer dizer, as minhas amigas, o meu círculo social, todos os que estão ao meu redor pisam com calma e bem devagar quando se trata de relacionamento. Ninguém se joga. E eu, a mais desconfiada dos desconfiados, a ascendente em escorpião que não admite levar ferroada de ninguém, me previno tanto do problema que acabo me esquecendo de fechar os olhos e pular.


Viver meu amor passou a ser a minha intenção. Dou a mão a Patti e pulo.

Trabalho de mulher

Eu sei o que é trabalho de homem. Matar barata, trocar pneu de carro, consertar encanamento = trabalho de homem. Só que um dia me pediram pra definir o que é "trabalho de mulher". E tudo o que eu pensava soava muito machista. Cuidar da casa? Fazer compras? Cozinhar? Essas parecem as funções de uma mulher dos anos 1950.

Parece que a mulher da década de 2010 não tem bem um trabalho definido...
A gente ainda ganha bem menos do que os homens. Mas temos a cobrança igual. E trabalhar fora acabou por afastar as mulheres dos assuntos de casa. Do que fazer pro jantar, repor mantimentos ou finalmente mandar pendurar aqueles quadros que estão há três semanas no chão da sala.

Tem um bando de homem que reclama. Uma vez, o Leo Jaime me falou que as mulheres se acham cheias de direitos, mas que na hora do aperto levantam o cartão de café com leite. E o pior é que é verdade. Quantas vezes eu já não usei meu passe café com leite, mesmo me achando totalmente independente e dona do meu nariz? Usando sempre o argumento de que isso ou aquilo é "coisa de homem". E que por isso eu não precisaria me mexer.

Mas tem horas que eu acho que a validade do cartão de café com leite vai expirar. Quando eu não for mais novinha (ops, nem sou tão novinha assim...), e o meu sorriso não amolecer muitos marmanjos por aí, será que vai ser mole encontrar alguém pra trocar o pneu do carro? Tudo bem que eu sempre dei uns dez real de agradecimento, mas o fato é que, uma vez acionado, não costumo esperar muito pro meu cartão café com leite fazer efeito. Até quando?

Voltando às vacas frias: eu não sei fazer trabalho de mulher, e também não sei fazer trabalho de homem. O que me torna, automaticamente, uma imprestável social. Eu sou muito melhor no meu trabalho do que nas tarefas domésticas. Mas o lance é que meu salário não é lá essas coisas, e nem assumir o papel de provedora da família eu posso.

E sabe o qu é pior? Tenho zero vontade de aprender qualquer tipo de trabalho doméstico.
Que tenha prazo longo o meu cartão café com leite!

Monday, May 16, 2011

Crônicas Visuais do Cotidiano













Estou absolutamente viciada e apaixonada por Instagram. Aquele aplicativo pro Iphone que permite que os usuários compartilhem fotos em formato quadrado, tipo Polaroid, com vários tipos de filtros que deixam as fotos charmosinhas. Graças a esse aplicativo, adquiri a mania de contar a minha vida em imagens e postar para que os meus amigos vejam como anda o meu olhar pro mundo. É como fazer um diário visual.



Quando eu era mais nova, muito antes da era dos celulares com câmeras digitais (quem eu quero enganar? Isso foi muito antes DAS câmeras digitais...), meu sonho era andar com uma câmera na bolsa clicando coisas e pessoas por aí. Até que eu ganhei uma Pentax K1000 - que eu ainda tenho, mas que não funciona - e passei a carregar na bolsa aquela mega pesada máquina fotográfica.



Mas naquela época eu fotografava o mundo. Eu gostava disso. De ficar procurando o melhor ângulo e o melhor enquadramento, e de ficar abrindo ao máximo o diafragma pro fundo ficar desfocado. tenho muitos registros da minha época de faculdade, quando as fotos digitais tinham péssima qualidade e ainda valia a pena fotografar com filmes.



Só que eu não tenho a mínima saudade dessa época. Porque com o meu telefone eu não só fotografo o que eu quero, como compartilho com quem quer ver. E eu gosto de fotografar o Rio. Tem sempre alguma coisa legal pra mostrar, alguma paisagem absurdamente incrível, ou alguma mania, alguma piada interna dos cariocas. O Rio é uma cidade cronicamente viável.



E aí que outro dia eu fui na Feira de São Cristovão, que é um lugar realmente incrível. E lá eu tirei uma foto Instagram, e postei no Facebook, e recebi os comentários por email que eu acessei do celular. A coisa começa e termina pelo meu telefone e é por isso, e por milhões de outras razões que não, eu não tenho a mínima saudade dos meus vinte e poucos anos.


Thursday, May 05, 2011

Um brinde

Copos de vinho me acompanham muito bem quando eu não tenho companhia nenhuma. Muito antigamente, quando eu era jovem e fumava muitos cigarros saborosos, os vinhos eram o combustível que mais combinavam com o jazz que tocava no meu computador. Mas agora que sou uma ex-fumante, bebo vinhos no silêncio. Talvez assim eu ouça melhor o que eu mesma tenha a dizer.

Estou sempre frente a frente com a solidão. Quem acha que casar é derrubar de uma vez por todas a solidão, se engana redondamente. Amar alguém talvez seja o mais solitário dos sentimentos. A questão não é ser ou não ser amado de volta. A questão é o tipo de amor que está sendo construído. E este, eu garanto, nunca vai ser igual ao do outro.

Vinhos solitários enobrecem a alma. E, mesmo assim, eu apostaria todas as minhas garrafas de merlot francês que beber com os amigos é bem mais divertido. Na última vez que entornei um vinho bem mais ou menos com amigas em um boteco de Botafogo, terminamos a noite assistindo ao vídeo da Luisa Marilac e caindo na gargalhada. E hoje eu estou bebendo sozinha e escrevendo no blog.
Deu pra sacar a diferença?

Tuesday, May 03, 2011

1o. de janeiro

Estou vivendo em desacordo com o tempo oficial. Pra mim, outro dia foi 31 de dezembro, e hoje é 1o. de janeiro. Dia da Paz Universal. Porque eu estou em paz universal desde o momento em que decidi que era hora de ter um reveillon fora de época. Eu tive, e feliz ano novo pra você também.

A gente precisa da renovação de vez em quanto. De se matar filosoficamente pra renascer moralmente. Sou absolutamente adepta do suicídio filosófico. E desejo que morram (pra mim, não pra vida) todos aqueles que se apegam a dogmas. Verdades absolutas são inimigas da liberdade, e eu já expliquei aqui que não há nada mais precioso que a sua própria liberdade.

Mas no meu 1o. de janeiro, as renovações estão de pé, e novos contratos são assinados. Carimbados, sacramentados e batizados. Pra mim, agora, começa tudo de novo. Pode ser ingenuidade, mas é assim que eu sou. Uma trintona ingênua.

Wednesday, April 27, 2011

Feliz Ano Novo

Tem vezes que a vida dá uma virada que exige tanto um recomeço que é como se fosse dia 31 de dezembro. Só que sem os fogos. E sem aquela alegria e todas aquelas pessoas de branco em Copacabana. Só que sem os amigos abraçando você, e a música alta de alguma festa, ou o beijo compartilhado com a única pessoa que você gostaria que estivesse ao seu lado naquele momento.

O reveillon fora de época vem acompanhado de tristeza - apesar da certeza de que melhores dias virão. Você faz a virada sozinho, e se tranca por mais umas semanas, até que os dias do seu novo ano não machuquem tanto quanto antes. Você não faz pedidos pro futuro, porque no reveillon fora de época você decide viver um dia de cada vez. Como um ex-alcóolatra, sem pensar muito na frente. Porque quando você pensa lá na frente, você fica sem ar de tanta angústia de nunca masi ter o que você não queria mais.

Sem rosas pra Iemanjá, sem sete pulinhos no mar. Sem calcinha rosa e sutiã amarelo. Prefiro o fim de ano tradicional, mas não tem virada fora de época que não traga onda de novas situações que um dia serão bem vindas.
Ainda não são. Mas serão.

Monday, April 25, 2011

Coragem

É fácil viver ignorando o que o coração manda. Porque muitas vezes o que a gente sabe que é certo é também o caminho mais difícil. E mais doloroso, a princípio. E foi por essas e outras que eu me descobri uma covarde. Coisa que nunca tinha visto em mim antes, carcaterística que eu considerava de gente fraca e de caráter duvidoso.

Pois é, eu faço parte deles também.

E quando você se dá conta de que é covarde, você procurar imediatamente reverter esse quadro. Tentar provar pra você mesmo que sabe o que é melhor, optar pelo caminho certo e não pelo fácil.
Até porque... nada é fácil mesmo.

Hoje eu coloquei um recado pra mim mesma no Gtalk. Eu escrevi "Força", bem embaixo do meu login. Que é pra encarar a grande onda de mudanças que eu vou ter que atravessar.
Por favor, me desejem sorte. Toda ela é bem vinda.

Sunday, April 24, 2011

1 tonelada

Vez ou outra eu e pego pensando em como seria a Clarice Lispector. Será que ela, que era tão densa nos textos, usava a literatura pra tirar o peso do mundo e assim caminhar mais leve? Será que a Clarice descobriu a fórmula pra tornar os dias mais vivíveis e toleráveis?

Não é que eu não goste do mundo. É que às vezes ele fica pesado demais.

É fácil ser uma pessoa alegre, mais fácil do que ser triste. Mas pra ser alguém alegre, divertido, risonho, a gente tem que ter, em primeiro lugar, a liberdade de fazer o que gosta. E eu, por mil razões que não preciso explicar, poucas vezes faço o que gosto de verdade. Tenho horários, obrigações, deveres que me impedem de seguir o primeiro impulso, o impulso do prazer.

Houve uma época em que eu tentei viver assim, seguida pelo impulso. Obviamente, não deu certo. Mas na época foi uma experiência interessante. Em primeiro lugar, totalmente influenciada pelo professor de Antropologia, parei de usar relógio. E comia quando tinha fome, dormia quando tinha sono, e ia embora quando estava chato.
Consegui manter esse ritmo por uma semana. Depois, sempre ansiosa, voltei aos meus ponteiros e à eterna sensação de esperar o próximo minuto. Sempre esperando o futuro.

Será que era pela impossibilidade de seguir o impulso do prazer que as donas de casa dos anos 60 se enchiam de tarja preta?

Às vezes também é difícil definir o que eu quero de verdade.
Por exemplo, agora. Um clássico fim de domingo deprê: chovendo na rua, eu trancada no quarto, meio que gostando da solidão mas, na verdade, angustiada. O que eu queria fazer agora? Encontrar os amigos. Ir ao cinema, talvez. Mas não é nada disso. Eu não quero absolutamente nada.
Eu só quero dormir e esperar que o desassossego passe sozinho.
Uma hora ele sempre passa.

Monday, April 11, 2011

A arte de ouvir pessoas

Eu, que sempre carrego o livro na bolsa, descobri que um livro deve ficar em casa, em cima da mesinha de cabeceira, esperando pela sua vez de ser lido. Ou então deve, no máximo, seguir viagem para a sala de espera mais próxima, e assim me livrar das leituras das caras-quem-contigos da vida. Mas que eu, por ironias de profissão, acabei tendo que dar uma olhada vez ou outra. Fora essas situações, um livro deve ficar aguardando que seja lido em local claro, fresco, quieto e recluso. E todos os outros lugares do mundo são feitos para que a gente ouça as pessoas.

Não sou boa em ouvir conversas alheias. Na verdade, há muitos anos atrás prestei total atenção ao bate papo de um grupo sentado ao meu lado em uma festa. E levei um fora de fazer gosto. Desde então, acostumei a me esconder atrás das páginas mais próximas, minding my own business. Um grande erro pra quem gosta de escrever.

Pessoas na rua têm vida, têm histórias e têm um livro preferido. Na minha arrogância sem medidas, acho logo que o livro preferido das pessoas nas ruas é do Paulo Coelho. Na maioria das vezes, realmente é. Mas outras vezes, não. Sempre tem unzinho pra ser do contra. E eu gosto exatamente desse.

Outro dia peguei uma fila no caixa de uma loja. Estava sem livro na bolsa, mas automaticamente peguei meu telefone para olhar emails, Facebook, Twitter e todo o resto. Foi quando me lembrei de uma dica do escritor que estou adorando no momento (Grant McCreacken, em Chief Culture Officer, que outro dia eu conto sobre o que é). Esse cara sugere que todo mundo tem que sentar em um café com um bloquinho e uma caneta, para ouvir - discretamente - as conversas dos outros. E fazer anotações. E saber do que elas gostam, do que procuram, do que reclamam... Ele diz que a gente tem que fazer isso pelo menos uma vez por semana. Estamos na segunda-feira, e eu ainda não fiz a minha investigação em cafés. Mas vou fazer, e postar um pouquinho da conversa alheia aqui.

Eu gosto de cultura. Não só da cultura erudita, mas também da cultura diária, daquela acessível a todos. Dos hits de funk, dos pagodes. Odeio muito sertanejo universitário, mas confesso que gostaria de ir um dia a uma dessas micaretas de cowboys, onde os sertanejos jovens estão se apresentando. Quem é essa galera que sai de chapéu de boiadeiro na cabeça? Pra mim, é gente de outro mundo. E eu adoro conhecer uns marcianos.

O engraçado é que durante anos frequentei boates em que todo mundo tinha tatuagens e piercings e cabelos roxos, e por isso não acho nem um pouco estranha a galera emo. Mas mostre uma foto de um emo e outra de um cantor sertanejo teen ao primeiro que passar na rua, e vamos ver quem é chamado de marciano.

As pessoas têm julgamentos, e eu quero saber sobre o que são.
De hoje a sexta eu prometo postar um diálogo de desconhecidos. Pra ver se querem dizer alguma coisa. Ou se significam apenas uma conversa, e mais nada.

Tuesday, April 05, 2011

A obrigação de aproveitar o tempo

Há uns dez meses, comprei um iPhone. É um brinquedinho lindo, pra quem gosta de brinquedinhos caros e com design incrível. Mas pra mim, mais do que um brinquedinho moderno, um smartphone era uma necessidade. E já que vamos gastar dinheiro, que seja um dinheiro bem gasto, certo?

Minha entrada no mundo dos smarts inaugurou uma nova categoria de estilo de vida: a de quem não pode perder um minuto do precioso tempo. Eu virei a neurótica do email. Acordo, abro os olhos e, antes de me levantar da cama, checo as minhas mensagens. E sempre tem uma mensagem importante. Isso porque o meu chefe é o rei dos neuróticos do email, e foi graças a ele que eu me convenci de que precisava estar conectada 24h/dia.

A partir daí, veio a contabilização do tempo. Se eu to de bobeira em casa, pego o jornal pra ler. A novela das 20h eu assito porque faz parte do meu trabalho (ainda bem). Mas não há possibilidade de eu ficar olhando pro teto. A não ser que seja pra assistir um episódio gravado de Seinfeld - o que também faz parte do meu trabalho. Resumindo: o tempo é curto e eu preciso me informar.

Graças a deus, eu tenho um trabalho ótimo, e que me diverte bastante. Buscar informação que me faça ficar mais ligada no meu mercado não é encarado como um dever de casa, mas como um divertimento. Eu adoro baixar bandas novas, filmes novos, séries novas. Eu adoro parar pra ver coisa nova. O que eu não gosto, em hipótese nenhuma, é me sentir entediada. Isso é mau humor na certa.

Mas quando eu conto que todo o eu tempo é usado para uma atividade, digamos, informativa, as pessoas me olham como uma louca. Deve ser porque, quando eu falo disso, eu vendo a pauta com o lead errado. Se tem que coisa que eu faço mal na minha vida, profissional ou pessoal, é vender pauta. Aliás, vendas em geral: na faculdade eu vendia bijouterias e sanduíches naturais pra ganhar um extra, e era simplesmente horrível nisso. Acabava eu mesma usando as bijous e comendo os sandubas.

Wednesday, March 30, 2011

Arena Rock

Eu lembro bem quando anunciaram a morte do Freddie Mercury no Jornal Nacional. Era 1991, eu tinha 14 anos e era uma fã incondicional dos movimentos de contra cultura dos anos 60. E aquela era uma época em que se falava em impeachment do Collor, e a TV inventada um movimento que nunca existiu: os caras pintadas. Cara pintada só se for de palhaço - hoje eu penso assim. Mas naquela época eu queria mesmo era estar no meio dos protestos contra a corrupção do governo, mas não podia ir a nenhuma passeata porque... er... meu pai não deixava. Que grande revolucionária!E no momento em que o Jornal Nacional notociou a morte do líder do Queen, eu assisti a matéria com lágrimas nos olhos, e deixei escapar algo do tipo: "Por que ele tem que morrer? Por que o Collor não morre?!" Ah, esse drama adolescente... Eu era uma adolescente dramática. Sou até hoje, né. E aí, diante da minha exclamação, minha madrasta riu um pouco e eu odiei demais aquela risada. E saí em disparada pro quarto, pra poder ouvir um pouco de Queen e chorar em paz a morte do pop star.

Eu acho que essa coisa toda que eu tinha com o Queen vinha de uma lembrança da infância, uma daquelas lembranças que você não tem certeza se sonhou ou se elas aconteceram realmente. Eu lembro de assistir à apresentação do Queen no Rock in Rio 1 pela televisão, eu e a minha mãe animadas com a multidão. A banda tocava Radio Gaga, e todas aquelas milhares de pessoas respondiam com as palminhas ao ritmo da música. Lembro da minha mãe falando "olha só, que legal, todo mundo junto!" E eu acho que foi naquele momento que eu virei uma apaixonada por Queen e por shows de rock em geral. Mas agora eu nem sei por que lembrei disso tudo,. Talvez seja por causa do novo RiR, que eu obviamente não vou. Ou porque os shows são ainda a forma de lazer que mais me lava a alma. Ou porque ouvi Love of My Life outro dia.

Anyway, consegui resgatar no Youtube o vídeo que assisti com a minha mãe há quase trinta anos. E era exatamente como eu me lembrava da cena. Então, pelo menos dessa vez, eu não devo ter sonhado nenhuma memória.

Tuesday, March 29, 2011

Sonhos Estranhos

Uma das reações adversas do meu remédio para parar de fumar era ter sonhos estranhos. A bula exibia o aviso exatamente assim, chamando de "estranho" o que, por definição, é de se estranhar. Eu, pelo menos, nunca conheci quem não fosse contar um sonho e começasse a frase com "Ontem à noite tive um sonho muito estranho..." Alguém já sonhou normal na vida?

E bem que eu comecei a ter realmente muitos sonhos. Mais do que costumava ter. Não eram sonhos ruins, na verdade eles eram muito legais, e parecia que surgiam assim que eu fechava os olhos, e só desligavam quando o despertador tocava na manhã seguinte. Várias vezes pensei em anotar essas histórias pra poder me lembrar mais tarde. Mas obviamente, nunca anotei nada, e hoje só lembro de uma das minha aventuras inconscientes. Eu estava em um mega aquário, que exibia peixes de vários lugares do planeta. O visitante passava por um túnel por dentro do aquário, e conseguia ver os peixes nas paredes, no teto e no chão do lugar. À medida que eu ia caminhando, ia encontrando conhecidos. Parava um pouquinho pra conversar, dava umas risadas, e continuava a visita. Até que, num certo momento, os visitantes podiam entrar no aquário pra nadar com uns peixes fosforecentes e coloridos. Eram uns peixes que pareciam feitos de energia, e eu abraçava os bichos e saía nadando. Eu não precisava parar pra respirar, não sei porquê. Olhava pro lado e via meus conhecidos e meus amigos embaixo d'água, abraçados com seus peixes energéticos e coloridos, nadando pelo aquário. Todos se divertindo.

Contei o sonho pra algumas pessoas, e ouvi sempre a mesma piada: "Onde tem desse remédio pra vender?" Ha ha. Gente engraçada assim não merece uma volta com os meus peixes energéticos.

Notícias Umbiguistas

Lá vou eu no meu blog bissexto, de novo tentar alguma periodicidade. É que nem sempre eu tenho coragem de abrir a página do Blogger no meio da redação, para gastar o meu tempo remunerado com uma atividade que nada tem a ver com trabalho. Aliás, meu blog é o contrário de qualquer obrigatoriedade, regra, dever. Escrevo quanto to a fim, sobre o que quero. E lê quem quer, certo? E comenta quem tem vontade. Mesmo que seja pra falar mal (o que eu acho bizarro, porque o trabalho que dá entrar no blog de uma pessoa que você não gosta, ler um texto inteirinho pra depois deixar um blá blá blá anônimo... Isso é amor, só pode ser!)

É que a urgência de escrever acontece assim mesmo. Vai crescendo uns dias, eu vou ignorando, até que chega uma tarde em que não to fazendo nada de importante, em que não tenho com quem conversar, em que nenhuma ligação me satisfaz. E aí, nasce um post novo. Que não vai falar absolutamente sobre Big Brother, José Alencar recém morto, Maria Bethânia. UFRJ que pegou fogo... No meu blog, a manchete é sobre o mês e pouco que eu já estou sem fumar. E sobre como eu estou psicótica e neurótica em relação ao meu peso, e em como conto calorias e vou à academia todos os dias, e em como continuo achando o meu corpo uma bela porcaria que precisa de uma lipoescultura, mas não tenho coragem nem de encarar a faca nem de optar pela mesa de cirurgia ao invés de, suponhamos, uma viagem a Paris. No meu blog, o umbiguismo da autora é o editorial.

Eu costumo dizer que, pra toda profissão, existe uma certa postura que denuncia a amargura daquela atividade. Os jornalistas são todos encurvados, pode ver. É o peso da cruz nos ombros. Os roteiristas são barrigudos, porque dentro das barrigas mora um reizinho de genialidade que está pra ser parido a qualquer momento. Os diretores são estrábicos de tanto enxergar o mundo pela ponta do nariz. Mas os blogueiros... Eles são o quê? No começo, eles eram uns nerds que gostavam de escrever textos malditos sobre vidas que não conheciam de perto. Mas agora a coisa se popularizou e todo mundo tem um blog. Todo mundo. Os mais espertos definiram um assunto central e seguiram em frente, informando. Eu não tenho vontade de informar ninguém. Só tenho vontade de vomitar. Vai ver, se blogueiro fosse profissão, seriam todos bulímicos.

Thursday, February 03, 2011

Parei de Fumar (ou quase...)

Quem lê esse blog há algum tempo sabe que volta e meia eu estou de mal com o cigarro. Desde os meus vinte e muitos ando nesse vai e vem em relação à nicotina. E, todos os anos, escrevo na minha listinha de ano novo (sim, eu faço uma lista de ano novo de coisas que quero realizar) entra o "parar de fumar"como um dos primeiros tópicos.
E nada de eu conseguir me livrar do cigarro. Eu adoro fumar. É foda isso.

Mas ai, hoje eu fui ao médico pra conseguir um atestado de academia. Ele, obviamente, me perguntou se eu não queria parar. E dessa vez eu disse que... sim. Só pra variar um pouco. Aí ele ficou todo feliz e me receitou um remedinho chamado Champix. E eu, também feliz, me encaminhei à farmácia mais próxima.

A porra do remédio custa R$850!!!! Juro por deus. Não sabia que um remédio podia custar tão caro, e fiquei com aquela cara de idiota na frente do balconista da farmácia. Ele ficou me olhando, esperando a minha reposta, e me dando várias opções de pagamento. Aí eu pensei "ah, foda-se", e comprei logo a deliciosa caixinha, dividida em dez vezes.

Agora é questão de honra e de bolso doído. Esse vício vai ter que acabar. Liguei pro meu pai e pro meu marido pra contar a novidade, porque quero mesmo que os outros me policiem na decisão. E agora to contando pra vocês.
Fiquem de olho.

Monday, January 31, 2011

Parei de beber

Na minha geladeira descansa, semi esquecida, uma garrafa de brut de qualidade duvidosa. Comprei pro natal, mas acabei não abrindo, e hoje ela olha pra mim cada vez que vou pegar qualquer tipo de bebida que seja menos... comemorativa. Já pensei tantas vezes na garrafa gelada à minha espera, mas nenhuma ocasião parece grandiosa o suficiente. As minhas conquistas nunca são vitórias à altura das minhas expectativa.

Tem ideia do que é viver assim? Alguém tem ideia do que é esperar pra realizar algo que, quando chega, você já não dá tanto valor? Eu passo dias, anos, imaginando como seria se... E, de repente, é. E a garrafa de brut continua intocada.

Bruts, espumantes, proseccos e champagnes. Bebidas que são feitas pra gente brindar com amigos, pra abraçar e, quem sabe, usar um vestido longo. O vinho tinto é diferente: dá pra sentar na poltrona da sala, ouvindo Nina Simone, na penumbra. Sem ninguém por perto. Esperando que venha aquela sensação de álcool subindo, aquele formigamento que deixa as partes do corpo indefinidas. Uma técnica sfumato, só que de dentro da fora. Acabei de descobrir: Monalisa estava bebinha quando foi pintada, e Da Vinci era tão genial que conseguiu perceber isso e colocar no retrato dela. Nos cantinhos da boca da Mona.

Vodka é para pistas de dança. Para som alto e estrobo que quase dá convulsões, um desenho do Pikachu proibido para menores. A menos que a vodka esteja misturada com suco de limão. Nesse caso, ela combina com areias brancas e águas claras. Com ostras colhidas na hora e espreguiçadeiras.

Whisky é pra quem não gosta de cerveja. E eu odeio cerveja e chope, mas aceito mesmo assim, quando vou aos Baixos da minha nunca terminada adolescência.

Não sou de bebida, nunca fui. Mas basta que alguém me diga pra dar um tempo, que aquilo se torna a razão da minha vida.
Odeio essa minha nunca terminada adolescência. Às vezes cansa, e me juraram que ela ia acabar um dia. To esperando essa data chegar, junto com a minha garrafa de brut gelada.