Friday, January 14, 2011

À procura de um bom livro

Essa semana fiquei sozinha em casa, na tal solidão que eu reclamei há uns dias que não tinha mais. Pois adivinha só: ao invés de colocar uma música bem alta, ou ler enlouquecidamente, ou finalmente fazer aquela adaptação de um conto meu pra HQ, eu fiquei lamentando que estava sozinha em casa, asssitindo a todos os episódios do Seinfeld que eu conseguia, entendiada e com saudade da casa cheia.

Mas até que eu li um pouquinho. Umas cinco míseras páginas, de um capítulo que eu não consigo terminar, de um livro que não em empolgou (mas o título é ótimo: Trem Noturno para Lisboa).
Depois de me crucificar e achar que eu perdi totalmente o gosto pela leitura, cheguei à conclusão de que o problema não sou eu, é o romance que eu etsou lendo (e que continuo tentando).

Preciso de indicações para um bom livro. Ou de várias indicações. Mas tem que ser leitura soco no estômago, tem que ser pra enlouquecer, pra devorar a história. Pra dar vontade de escrever. Se tem uma coisa que e faz gastar dinheiro é livraria. Eu piro. Não consigo entrar em uma sem sair com uma sacolinha. Mas faz tempo que não acerto na compra, então etsou bem necessidade de uma voz guia, digamos assim.

A vida fica muito chata quando a gente não tem umas páginas pra ler de vez em quando. Algo que não fale de tromba d'água e contagem de corpos.

Thursday, January 13, 2011

E a vida continua

Quase 400 mortos nos alagamentos da região serrana do Rio de Janeiro e eu continuo com vontade de falar de Paris. A vida continua para aqueles que estão longe da tragédia: a gente chora quando vê a imagem da senhora que teve que largar o cachorro na enxurrada para poder se salvar, mas depois sai pra tomar um café e fumar um cigarro e beber um chope com amigos. É o pesar fast food: a gente assiste, chora, desliga a tv e volta a sorrir.

Isso me lembra muito setembro de 2001 em Nova York. Quando eu morava lá e testemunhei o ataque ao World Trade Center, e todos os meus amigos me viram na TV e telefonaram pro meu pai (que estava calmíssimo, sob a justificativa: "se ela está dando entrevistas na TV, ela tá bem". Faz sentido.) Durante uma semana não se falou em outra coisa no mundo; depois o assunto foi esfriando e ganhando menos destaque no Jornal Nacional.

Mas pra mim, o mês seguinte ainda era de muita tristeza, com as ruas tomadas de cartazes de pessoas desaparecidas, de carros abandonados cobertos pela poeira que cobriu NY na destruição das Torres Gêmeas, de flores e velas acesas nas praças em homenagem aos mortos. Nova York era um poço de tristeza, e eu vivi isso intensamente, enquanto o resto do mundo se preparava para a próxima tragédias mundial.

Mas depois que voltei ao Brasil, eu também parei de pensar no 11 de setembro. Até porque nunca consegui contar pra alguém como foi exatamente o dia do ataque.

Hoje não dá pra falar de Paris: são 400 mortos no estado. Mas amanhã, quem sabe, a gente já não amenizou a imagem da senhora que joga o cachorrinho fora?

Tuesday, January 11, 2011

Percorrendo os cafés em Montparnasse

Na minha semana e meia parisiense, desenvolvi uma rotina cara, engordartiva e... deliciosa. Ao final de um dia de passeios turísticos e comprinhas desnecessariamente necessárias (uma forma que faz gelos nos moldes das naves do Space Invaders é imprescindível pra minha vida, digam o que quiserem), eu passava no hotel, deixava as minhas bolsas, e corria pra rua pra comer alguma coisa. Ou algumas coisas. Geralmente, eram umas 7h da noite e eu ainda não havia almoçado. Geralmente, eu estava gelada da cabeça aos pés e precisava de um bom copo de vinho francês. Eu e o namorido avaliávamos as dezenas de cafés nos arredores do nosso hotel e sentávamos naquele que mais tinha cara de... francês. E aí, começava a nossa noite.

Percorríamos pelo menos 3 cafés por noite. Procurávamos não repetir os lugares por onde tínhamos passado na noite anterior - a menos que a fome fosse insuportável demais. E a ordem dos acontecimentos era a seguinte: no primeiro café, a gente pedia um vinho e uma entrada qualquer (queijos, frios, patés). No segundo café, pedíamos mais vinhos e um jantar legal (risotos, bifes, patos). No terceiro café, tomávamos o derradeiro copo, a saideira daquele dia. Às vezes eu optava por uma taça de champagne, mas na maioria das noites ficava com o vin rouge mesmo. E quando a gente voltava pro hotel, passávamos na mercearia em frente e comprávamos mais uma garrafinha, pra beber no quarto.

Toda vez começávamos a noite prometendo não dormir tarde. E toda vez quebrávamos a promessa.

É que eu nasci pra essa vida parisiense. Esse povo gosta de sair, de comer bem, de encontrar amigos pra conversar. Não teve um dia em que não encontrássemos os cafés cheios. É muito comum também que as pessoas saiam sozinhas pra tomar um café, ou um copo de vinho, e fumar um cigarro, sem que sejam encaradas como aberrações solitárias. É normal, só isso.

A rua do hotel era cheia de creperias, que é uma das minhas paixões gastronômicas. Eu queria sempre sentar em um daqueles lugares, mas o marido desanimava, porque queria comer pratos menos conhecidos, mais diversificados. Mas havia uma creperia que tinha sempre, a partir das 17h, uma longa fila de espera. Nessa fila, só tinha francês. Então alguma coisa boa devia estar ali.

Uma noite, depois do nosso percurso de cafés, passamos pela creperia. Ela estava aberta, mas sem fila (já era meia noite), e nós resolvemos entrar. E aí, a cena era a seguinte: apenas uma mesa vaga (a que sreia a nossa), uma velhinha cozinhando, dois rapazes atendendo, e um senhor no caixa. Você abre a porta e dá de cara com uma família francesa dona de uma tradicional creperia de Montparnasse!

Pedimos o crepe e ele veio diferente de qualquer outro crepe que você já deve ter comido. Era naquele estilo de crepe do Le Blé Noir, em Copacabana. Só que muito mais barato (em Paris, se come melhor e mais barato que no Rio, acredite).
Obviamente, eu não sei o nome da creperia. Mas o nome da rua era Rue du Montparnasse.

Se você for a Paris e entrar numa de só comer no Mac Donalds porque é mais barato, por favor, nunca mais dirija a palavra à minha pessoa. Mac Donald não é tão mais barato assim, e lá você consegue comer bem por 9 ou 10 euros. E comer, peloamordedeus, faz parte da viagem. Comer scargot é tipo subir na Torre Eiffel. Você pode nunca mais tocar naquelas conchinhas, mas um dia você tem que provar o prato de lesmas.

Monday, January 10, 2011

Show da Amy Winehouse x 3

Amy Winehouse toca hoje e amanhã no Rio, no HSBC Arena, bem ao lado do meu trabalho. E eu não vou. Acabo de chegar de uma viagem mega cara, to individada até a alma, e optei por não me complicar ainda mais. Mas doi um pouquinho no coração, até porque eu não sei até quando ela vai estar viva pra voltar aqui em outra época. Mas, tudo bem, eu sobrevivo ao trauma. O lance é que todo mundo, em um raio de 50 quilômetros, só fala sobre isso. E aí eu percebi que só eu deixo de ir a um show porque to dura. Tem uma grande parte da galera que dá um jeitinho.

Por exemplo: tenho um casal de amigos de uns 40 anos que vão ao show. Ela é doutoranda, mas ele já fez doutorado. Ela tem carteirinha de estudante, e fez uma hackeada pra ele. Quando comentei que não ia ao show por causa de grana, eles me ofereceram fazer uma carteirinha de estudante. Eu fiquei super sem graça e não topei. Faz tempo que não uso carteirinha falsa, anos mesmo, e sou totalmente contra essa festa da meia entrada. Acho, inclusive, que carteirinha tinha que ser só pra estudante de graduação. Mas obviamente não ia polemizar sobre isso com os meus amigos, porque essa decisão de não pagar meia é muito minha, e nada tem a ver com o resto do mundo.

Daí no mesmo dia, mais tarde, eu li no twitter do Tom Leão que ele só não paga o ingresso de um show quando vai cobrir ou quando é convidado. E que ele não ia cobrir o show da Amy, então ele teria que comprar, ou não iria, não lembro bem o desfecho. O lance é que aquilo me surpreendeu, porque se tem um cara que eu achava que não pagava pra nada, era ele. Primeiro porque ele escreve sobre música no Globo há anos, e aqui no Rio ele é um dos jornalistas musicais mais importantes. Segundo porque já é hábito dos jornalistas ligar pedindo um convitinho. Juro, todo mundo faz isso. Menos, é claro, eu. Não que eu seja melhor que ninguém. É porque fico com vergonha mesmo. Mas não se engane, porque se outra pessoa pede um convite e me oferece, eu aceito de bom grado. Ou seja: eu não faço o serviço sujo, mas mando fazer.

Essa história do Tom Leão me lembrou uma situação que presenciei no trabalho outro dia. Um repórter bem jovem do programa onde estou trabalhando temporariamente ligou pra assessora do HSBC pra pedir um ingresso. Isso me chamou atenção porque ele fez isso com tanta naturalidade, que eu fiquei me achando uma idiota por não fazer o mesmo. Será que é mesmo mal pedir pra entrar de graça? As assessorias já têm uma cota pros jornalistas - aliás, é assim que elas trocam favores com repórteres, produtores de reportagem, etc. Eles fazem um favorzinho de lá e a gente faz um favorzinho aqui. Mas é tudo muito... esquisito, não? Ou eu estou sendo puritana demais?

Não sei, mas o fato é que eu não vou ao show, e isso está ficando recorrente demais, essa coisa de perder eventos. Deve fazer parte da vida de casada. Mas, também, é tudo uma questão de prioridade. Troquei meu ingresso da Amy Winehouse por algumas taças de vinho em Paris. Por enquanto eu acho que estou ganhando na troca. Quando eu achar que to perdendo, eu mudo o jogo - mas pagando inteira.

Friday, January 07, 2011

O primeiro dia do ano

Onde você estava no dia 1/1/11? Nunca tinha escrito essa data, e agora que escrevi e visualizei todos esses números 1 reunidos parecem uma coisa, assim, da Cabala. Mas então, no dia 1o. eu estava no segundo andar da Torre Eiffel. E a primeira paisagem que vi no ano foi Paris de cima.

Um belo começo. Vou pular os detalhes mundanos de que subir na Torre Eiffel é um puta de um programa de índio, que você pega uma fila enorme e demorada, e que passa um frio tremendo (caso você, como eu, resolva visitar Paris no inverno mais frio da última década). Vou pular tudo isso e manter o glamour, porque a verdade é que se você nunca foi a Paris e pretende ir um dia, nesse dia você vai se sentir na obrigação de subir na Torre Eiffel. Faz parte da rotina de turista essa vida de corno.

Pra você que ainda não foi, uma dica: compre o passe no site da torre um dia antes e pegue uma fila muuuito menor. Eu não fiz isso, é claro. Mas acho esperto qualquer um que seja mais organizado do que eu.

Se você nunca foi à Paris, vá à Torre Eiffel, fiquei maravilhado com a vista e prometa a si mesmo nunca mais passar esse perrengue de novo.

Eu já tinha ido a Paris. Mas essa é uma cidade que a gente nunca cansa de voltar. Eu ainda carrego aquele clima de viagem pra Europa (e olha que eu passei dos 2 graus para os 30 graus em 10 horas de vôo). Dessa vez, a minha viagem foi totalmente gastronômica e boêmia: passei os dias (as noites) indo a cafés, bebendo vinhos incríveis e baratíssimos, comendo queijos e entradas e, óbvio, engordando. Liguei o foda-se e me joguei na comida francesa, comi mariscos, ostras, bifes, risotos, bombas de chocolate, pan au chocolat, chocolate quente, e tudo o mais que passava na minha frente e que paercida gostoso. E, acredite, em Paris, o que parece gostoso, é gostoso de verdade.

No primeiro dia do ano, depois da visita à torre e do frio, e de mais um chocolate quente, e de mais uma porção de castanhas na brasa (além de ser uma delícia dá uma quenturinha por dentro), andei por todo o meu bairro - Montparnasse - fotografando os cafés que mais frequentei nos últimos 9 dias, fotografando a avenida, a estação do metrô e me despedindo (temporariamente) daquela vida.

O primeiro dia do ano foi o meu último dia de viagem. Mas de alguma maneira foi um outro começo também.

Thursday, January 06, 2011

Feliz ano totalmente e absolutamente novo

Andei bastante tempo sumida desse blog, até que no mês passado aconteceu uma coisa engraçada: comecei a receber comentários elogiando o blog e pedindo que ele voltasse à ativa. Alguns desses comentários foram de amigos, outros foram de estranhos. E eu adoro quando estranhos comentam e elogiam o blog. Eu sou vaidosa, egotripeira e, enfim, agradeço os elogios sem constrangimentos algum!

(Parênteses filosófico: isso de aceitar elogios com naturalidade só acontece na web. Na vida real, fico totalmente sem graça com qualquer palavra benéfica vinda de outrem. Menos no trabalho, porque aí eu acho que o elogio é merecido, porque eu ralo pra caramba mesmo).

Mas sumi porque casei´. É a mais pura verdade. Quando a gente é solteira, chega em casa e fica sozinha. Eu costumava tomar um copo de vinho comendo meu luxuoso jantar de queijo quente, e me sentava ao computador. No segundo copo, já me sentia mais levinha, e no terceiro os textos saíam sensacionais. Produção em massa. Mas quando você vai morar com alguém, você conversa, dá atenção, quer contar o que rolou, quer saber o que rolou com ele. Tem um milhão de coisas pra falar naquele espaço de tempo entre a chegada do trabalho e a hora de dormir.

E aí... não leio como antes, não escrevo como antes. Essas são atividades que necessitam de solidão. E quando eu me vejo sozinha eu nao aproveito, porque fico perdida com o excesso de tempo só meu. Muito louco isso?

Mas o importante é que o ano chegou, e eu to botando muita fé em 2011. Com vontade de fazer acontecer mil coisas. Fico louca quando não etsou fazendo nada, quero sempre aproveitar cada minutinho, pensar sobre o que escrever e o que fazer, pensar em projetos, me tornar uma pessoa audiovisual (daquelas que eu tanto falava mal na faculdade).

Monday, August 30, 2010

Senhora é o caralho

Fiz 33 anos. Não que isso seja grande coisa, porque na minha cabeça eu ainda tenho 25. Com um pouquinho mais de dinheiro no banco, mas com muito menos juízo que eu achava que teria depois dos 30. Pelo menos ninguém veio me dizer que eu estava completando a idade de Cristo, porque isso significaria um risco alto de agressão física. Ainda bem que eu estou cercada por trintões que, como eu, ainda se enxergam com vinte e poucos.

O problema é que, fora os meus amigos, todas as outras pessoas do mundo sabem que eu sou uma trintona. E algumas arriscam seus pescoços me chamando de senhora. Sempre que isso acontece eu tenho vontade de responder "senhora é o caralho", mas sou impedida pela culpa católica de longos anos de educação em colégio de freira. Geralmente eu finjo que não ouvi e deixo pra lá. Mas quando o contato passa a acontecer com mais freqüência, treino o meu melhor sorriso e peço: senhora não, ne.

Lá em casa eu ainda sou apenas Bruna, enquanto meu marido é Seu fulano. Mas acho que isso tudo vai mudar quando eu passar praquele círculo de mulheres que deram cria.

Eu quero dar cria, mas morro de medo de dar cria. Eu preciso de no mínimo dois a três anos e um salário duas vezes melhor do que recebo pra pensar em um rebento. E, principalmente, eu preciso me habituar a ser chamada de senhora. Porque uma mãe é uma senhora por definição. E é por respeito, o que torna tudo mais bonito.
Só falta agora eu acreditar em tudo isso.

Wednesday, August 18, 2010

Cada um tem seu canto



Não me canso de olhar a pedra do Arpoador. É impressionante como a gente passa a vida de cara pro mesmo cenário, e mesmo assim consegue, vez ou outra, se maravilhar com aquela paisagem conhecida.


Nunca fumei maconha na pedra do Arpoador (mas também, eu sempre fui uma maconheira de quinta categoria, maconheira de faculdade e que, aos trinta, prefere não fumar pra evitar a larica e a tentação de perder a noção caindo no chocolate...).
Nunca beijei na pedra do Arpoador.Foi só outro dia que subi lá no topo da pedra, pra ver a ressaca melhor.
Mas já vi o sol nascer na base da pedra do Arpoador, no reveillon de 2007-2008. Isso serve?

Depois de muitos anos sem conseguir frequentar aquele canto, finalmente descobri como se faz pra aproveitar o Arpoador. E como ninguém lê esse blog mesmo (a não ser uns 5 ou 6 leitores fiéis - vocês acham que eu não sei da sua existência?), estou disposta a revelar aqui o segredo da melhor praia do Rio.

Pimeiro, esqueça o Arpoador nos fins de semana do verão. É impossível. Considere exclusivamente os sábados e domingos do inverno carioca, aquele que os ingleses dariam um braço pra ter igual. Posto isso, acorde cedo para chegar na praia antes das 10h da manhã. E fique só até 1h da tarde. Você nunca mais vai se esquecer do paraíso que é essa cidade.

A minha última praia ali foi no meio da Copa. A televisão exibia algum jogo obscuro e inútil, tipo Japão e Coréia do Norte. Fui sozinha pro Arpex. Aluguei uma cadeira, coloquei os fones no ouvido, e fiquei assistindo a vida de camarote.

A água estava naquele azul transparente que vez ou outra somos presenteados. Eu coloquei Radiohead pra ouvir, e embora a voz do Thom York seja para dias nublados, fiquei emotiva. Ainda fico, quando me lembro daquele dia. Eu precisava de um tempo assim, olhando o mar, ouvindo música e vendo criancinhas correndo pra lá e pra cá. Foi foda.

E me rendeu essa foto.

Thursday, August 12, 2010

Conversando com estranhos

Carrego sempre na bolsa um livro emergencial pra momentos de espera. Não suporto ficar vendo as horas passando sem conseguir ocupar essa cabeça tão cheia de conversa mole que é a minha. Até em fila de banco to eu lá em pé e de volume aberto nas mãos. É uma maneira de não me irritar com pessoas que ficam muito coladas em você, ou que demoram a dar aquele passinho a mais quando a fila anda.

Os livros de bolsa também servem para evitar a conversa com estranhos ávidos por trocar experiências. Acho que fiquei traumatizada anos atrás, quando voltava da faculdade no 750 lotado das 7h da noite. Sentei ao lado de uma senhora que me contou tudo, com detalhes, sobre suas doenças ginecológicas: miomas, úteros arrancados, sangramentos. Nunca foi tão longa a volta pra casa.

Mas recentemente andei pensando que até que as pessoas têm boas histórias pra contar. E que, se eu queria contar casos, deveria começar também a ouvir. E aí um dia me dei essa chance, enquanto esperava o carro voltar da revisão da concessionária.

Eu estava com o famoso livro de bolsa nas mãos quando um senhor nos seus 60 e poucos puxou conversa. Fechei o livro e escutei o homem falando do carro, da casa em Búzios, do síndico do condomínio em Búzios, e da filha dele que morava em Portugal e com quem ele não encontrava há 5 anos. (Aliás, ele puxou papo comigo porque me achou parecida com ela).

Argumentei que ele deveria fazer uma visita a ela, e aproveitar para passear por Lisboa. Ele me disse que em 2009 chegou a comprar a passagem, mas teve um problema no embarque e depois disso nunca mais tentou viajar de novo.

Ele parecia triste com isso, e acabou me confidenciando por que nunca mais tinha viajado para a Europa. Acontece que ele chegaria em Lisboa por um vôo Rio - Paris, com escala em Portugal. Mas no momento do embarque, os policiais encrencaram com o passaporte argentino dele, dizendo que ele deveria ter um brasileiro, já que tinha dupla cidadania. Não o deixaram embarcar.

O homem voltou pra casa arrasado, comeu alguma coisa e foi dormir. No dia seguinte, ligou a TV e sentiu o coração fraquejar. Seu aviaão Rio - Paris havia caído quando saía do Brasil. Era o vôo 447 da Air France.

No momento em que ele me contou isso, joguei o livro dentro da bolsa. Apenas três pessoas haviam sobrevivido ao desastre - três passageiros que não tinham embarcado - e eu estava diante de uma delas. O homem disse que nunca contou para a filha porque não foi a Portugal, e confessou que desde então não teve coragem de encarar um avião.

Ainda penso nessa conversa e tento imaginar qual é a sensação que existe quando se descobre que não morreu. Alívio imediato, provavelmente. Crença em Deus ou em um poder supremo que governaria o mundo. Medo da morte.

Contei para duas pessoas a história do homem da concessionária. Meus ouvintes se surpreenderam, mas nem de perto sentiram o mesmo que eu senti no momento em que ouvi a história. Talvez eu não tenha feito a mesma expressão ou não tenha usado as mesmas palavras que o homem. Mas com certeza a falta foi minha.

Thursday, August 05, 2010

Previsibilidades Imprevisíveis

As pessoas são previsíveis. E uma das características das pessoas é achar que outras pessoas podem nos surpreender. Vez ou outra isso acontece, é verdade. Mas na maioria das vezes nós já sabemos o final da história, e só cabe à gente acreditar no prólogo ou não.

Repetimos sempre os mesmos comportamentos, as mesmas mancadas cíclicas. Dá uma raiva danada quando eu vejo que estou passando pela mesma situação que passei no mês passado por culpa exclusivamente minha. Admiro quem aprende com os erros, mas eu mesmo nunca conheci ninguém com essa capacidade. Só errando muito e várias vezes seguidas é que a gente se convence de que errou de verdade.

Eu adoro quando sou surpreendida com atitudes imprevistas - boas, é claro. Mas elas são tão raras. Eu acho uma pena. Queria uma surpresinha só de vez em quando, peloamordedeus. Alguém?

Wednesday, August 04, 2010

Olhos bem abertos

Quem sofre de insônia sabe: existe aquele micro momento em que estamos quase adormecendo e pensamos: vou conseguir dormir. Aí a gente acorda. E demora mais uma horinha looonga pra conseguir entrar no clima de novo, dessa vez tentando esvaziar a mente - o que por si só já dá um trabalho filho da puta. Insônias são contraprocentes, irritantes e angustiantes. E sempre chega a hora em que eu desisto de lutar e ligo a TV.

Não sofro de insônia. Mas, vez ou outra, por conta de ansiedade/putisse/preocupação eu acabo fritando bolinhos na cama. Aí levanto, acendo um cigarro, circulo pela casa. Mas aí é o problema, porque quando faço isso tudo estou contribuindo para que o sono não volte a se apresentar tão cedo. E quando ele chega de verdade é sempre uma hora antes do despertador tocar. É só comigo que é assim?

Daí hoje eu estou com olheiras até o umbigo, e me matei pra não dormir na aula sobre Proust. Ele também tinha insônia. E ele também acordava e achava que estava em outro lugar, às vezes. E às vezes ficava feliz, outras ficava triste por não estar onde achava que estava.

Depois de pensar "dormi" e acabar acordando, achei que estava no meu quarto de infância, na casa do meu pai. Fui abrindo os olhos e reconhecendo o fundo barulhento de Copacabana onde, não importa a hora, tem sempre um ônibus passando embaixo da minha janela. Não, eu não estava na casa do meu pai, aquele lugar tão silencioso e quieto que me dava tédio na adolescência.

E dessa vez, quando percebi que não estava lá, eu fiquei triste.

Tuesday, August 03, 2010

Sunday Morning

Eu devo estar a caminho do Nirvana, porque o impensável aconteceu: dispensei uma festa no sábado à noite para aproveitar a manhã de domingo. E o pior (ou melhor) é que no dia seguinte acordei sem remorço de ter perdido a festa - o que também é novo pra mim - e fui pra praia com o meu aparato de corredora-fumante. Sinto que um novo ciclo se inicia.

A manhã é a minha parte favorita do domingo. O calçadão de Copa está fechado, e parece que todas as pessoas do Rio vão pra lá pra aproveitar o sol. Eu gosto disso. Porque não sou bairrista, porque não me considero um exemplo de moradora de Copacabana (ao contrário, ta escrito na minha testa que eu sou uma outsider) e porque eu gosto de ver a vida das pessoas passando por mim.

Como antes eu tinha o chorinho da praça, agora eu tenho só pra mim aquela paisagem conhecida mundialmente. Ajeito o boné com filtro solar 60 no rosto, e vou pela ciclovia recebendo um olhar de reconhecimento de semelhante por aqueles que, como eu, decidiram que suar um pouquinho por dia faz bem. Depois, paro na casa de suco mais próxima e peço um copo de suco de uvas roxas, e me recomponho antes de voltar ao apartamento. Reluto demais em me enclausurar de novo, porque a vida de domingo no Rio é muito pulsante e muito arrebatadora, e dá até vontade de andar de patins, mesmo que você seja péssima nisso. cair na frente de todo mundo não é um problema.

Tem domingos que não acabam nunca. No último, saímos meio tarde de casa, e eu corri pra lá e pra cá enquanto ele ficou no skate. Depois, andamos alguns quilômetros até o restaurante de frutos do mar e comemos uma paella com amigos. E eles foram lá pra casa ver futebol. E só às 9h da noite eu pude tirar a minha roupa de praia e encerrar o expediente da carioca com mais cara de paulista da história de Copacabana.

Thursday, July 29, 2010

E finalmente a caixas se vão

Faz oito meses que me mudei. Há nove meses eu era uma pessoa que dividia o apartamento com amigas, fazia festas de tendência duvidosa no fim de semana (que rendiam vídeos no Youtube e quase términos de amizade) e jantava, todos os dias, salsicha e ovo mexido. Agora eu faço compras de cinco quilos de arroz e já me acostumei a não pedir a pizza de champignon, porque lá em casa ninguém prefere esse sabor. E acabei descobrindo que nem sinto tanta falta assim dos cogumelos.

Mas as caixas da minha mudança, durante todo esse tempo, estavam encostadas em um canto da casa. Aquilo me fazia um mal que não dá pra descrever. Meus livros mal empilhados. Minha coleção do Peanuts misturada com a minha coleção do Sandman. Um caos de HQ completo.

Só que um milagre aconteceu: um dia, eu e o namorido viajamos para Itaipava, e voltamos pro Rio com um tapete para a sala. Experimentamos e o tapete pediu uma mesa de centro. Eu trouxe uma da casa do meu pai, arrumei bem no meio do tapete, e fiquei olhando praquele móvel vazio. E descobri que a minha coleção so Sandman ficaria luxuosa ali naquela mesa. E aí, finalmente, comecei a sentir que aquele apartamento estava ficando com cara de minha casa.

Outro dia, fomos comprar tecido para estofar a minha poltrona que a Catarina (a gatinha do meu antigo apartamento) tinha transformado em arranhador. Eu perguntei pro meu querido cônjuge o que vamos fazer depois que a fase da decoração acabar, e ele respondeu: vamos dar uma festa, claro. Achei a resposta muito digna de uma solução Bruna e, mais uma vez, entendi que ali é o meu lar.

Agora falta pendurar os posteres que compramos na Allposters.com. E vamos reformar a mesa anos 80 que foi presente da tia dele. Entre uma música e outra do Guitar Hero Rock Legends eu procuro enfeitinhos e coisinhas de casa que antes passavam batidas no meu passeio pelo shopping. Então é assim que se faz, né?

Achei que eu não ia aprender nunca.

Wednesday, July 28, 2010

Um ídolo não pop

De tantas imagens fortes que a cobertura jornalística mundial já exibiu, a que mais me impressionou foi o Peter Jennings, âncora da ABC, em mangas de camisa e nitidamente exausto, apresentando as últimas notícias sobre os ataques de 11 de setembro. Foi depois da queda das Torres Gêmeas que Peter Jennings não quis mais sair do ar, queria ele mesmo transmitir todas as notícias do início dessa guerra, e chegou a quebrar o record de pessoa que ficou mais tempo no ar na TV.

Peter Jennings já era meu âncora favorito antes. Porque eu acabei desenvolvendo um carinho especial por ele quando, por volta de 20h, eu tinha que ouvir e transcrever o jornal de rede da ABC, nos meus tempos de estagiária de jornalismo em NY. Foi ali que descobri que existe uma forma diferente de apresentar um telejornal. Uma coisa além de Willian Bonner e muito, muito mais próxima que Cid Moreira. O estilo de Jennings de ancorar aquelas notícias era todo pessoal. Por isso que eu gostava dele.

Agora olha só, o cara era ex fumante, e depois dos ataques ao World Trade Center, voltou ao vício. Isso resultou em sua morte por câncer no pulmão, em 2005. De algum modo, eu considero o meu ídolo um mártir do jornalismo. Pelo tanto que ele se envolveu com a história do seu país. Por ele se livrar do paletó e perder a postura rígida dos apresentadores de TV, enquanto passava das 12 horas na bancada do telejornal. E a imagem que eu carrego dele é o rosto cansado na TV, os cotovelos apoiados na bancada como se ele estivesse conversando na minha casa, me contando as últimas informações que recebeu.

Diante de Peter Jennings, somos todos eternas focas.

Tuesday, July 27, 2010

Onde você estava no começo dessa década?

Eu estava em Nova York, servindo mesas, ganhando míseros dólares de gorjeta e, mesmo assim, me divertindo bastante. Falando inglês com sotaque de moradora do Brooklin, porque o dono do restaurante que eu trabalhava era de lá. Vendo as torres do World Trade Center caindo. Passeando no Central Park nos meus days off - um programa barato e aconchegante. Cozinhando arroz com micro camarões e algas japonesas. Brincando de casinha com meu então namorado.

Felipe Hirsch, o único diretor de teatro que eu respeito, me perguntou isso ontem na sua coluna do jornal O Globo. Ele queria falar de bandas que despontaram a partir de 2000: Arcade Fire, LCD Soundsystem, Artict Monkeys. Bandas que eu ouço e recomendo, porque acredito que os anos 00 tiveram uma boa contribuição artística pro mundo. Eu não queria viver em outro lugar nem em outra época: acredito que estamos passando por um ápice tecnológico, que o Brasil está cada vez melhor posicionado no cenário mundial e que as descobertas da ciência fazem com que soframos menos com as mazelas do corpo.

Houve um tempo em que eu acreditava que a melhor época da história já havia passado. Quis viver nos anos 60, depois nos 70. Cresci nos 80 ouvindo rock brasileiro e nos 90 me preparei para cair nas pistas de dança. Observei tudo isso, e agora digo com certeza: não há nada como 2010.

Monday, July 26, 2010

Viva a melancolia

Quando eu era uma jovem universitária, era uma pessoa muito ávida por cultura. Lia pra cacete, via filmes em sessões vazias do Estação Botafogo e encarava meus colegas de período com aquele ar blasé fake de quem acha que já viu muito mais do que os outros. Pobre de mim.

Mas toda essa busca por cultura tinha uma razão de ser: a minha melancolia. Ela estava sempre lá. Não sei por quê inventei de ser melancólica (eu não tinha razão pra isso), mas o fato é que lia tanto e via tantos filmes pra conseguir algumas respostas sobre a vida.

Tinha vezes que dava certo. Foi quando assisti "O Sétimo Selo" e simplesmente pirei com o Bergman. Pensei: "Agora estou entendendo tudo!" Mas a real é que eu não estava entendendo nada. Mesmo continuando a ver filmes suecos lentíssimos.

Aí o tempo vai passando e a gente começa a trabalhar muito mais. E tem pouco tempo. E então, quando percebemos, quase não temos ido ao cinema, nem lido nada relevante, nada que nos dê um sentido. Aliás, passamos a não buscar mais esse sentido. Quando nos damos conta, estamos apenas vivendo.

E foi assim que, um dia, eu vi que estava indo pelo caminho errado. O caminho de deixar a correnteza levar, o que pode acabar fazendo com que eu bata nas pedras. Corri pra livraria e gastei uma grana considerável em três livros imprescindíveis. Era o recomeço da busca.

A minha melancolia ainda existe, mas dessa vez eu não a vejo mais como inimiga. É ela que me faz evitar a todo custo a vida no modo piloto automático. É ela que me obriga a gastar dinheiro que não tenho com coisas que vão me fazer bem. A minha melancolia é a minha melhor parte. Ainda bem que eu sempre trago comigo.

Friday, July 23, 2010

Runners High

Quem corre direito, e não faz esse passeio medíocre que são as minhas manhãs na orla de Copa, diz que depois de 15 minutos passa a se sentir em um estado de êxtase corpóreo. É o que os corredores chamam de runners high: uma sensação de relaxamento e bem estar que se compara ao que sentimos quando usamos certos tipos de droga.

Mas a minha pergunta é: se isso só acontece após os 15 minutos iniciais de corrida, como é que ficam os pseudo atletas fumantes que não conseguem correr direto nem dez minutos? Eu tava precisando tanto de uma high dessas, só pra variar um pouquinho. Mas parece que, diferente do mundo das drogas sintéticas, essa aí a gente tem que fazer por merecer. E por enquanto eu não estou merecendo não.

Matei minha corrida de hoje. Ainda tenho a esprança de chegar em casa meia noite e dar uma volta no calçadão, só pra não fazer cair a minha meta. Porque dessa meta dependem outras metas, tipo manter o humor aturável e parar de fumar ainda esse ano.

Putz, a vida era bem mais fácil quando dava pra comprar satisfação com o playboyzinho da festa.

Thursday, July 22, 2010

Live and let live

Os psicólogos que trabalham com dependentes químicos avisam para a família dos seus pacientes: quando se trata de vício, o melhor é adotar o lema do Live and Let Live. Ou seja: deixa o outro se fuder um pouquinho que isso só vai ser bom pra ele, no final das contas. E, principalmente, siga com a sua própria vida.

Eu resolvi adotar esse lema pra tudo. Mesmo que eu não tenha pela frente um dependente químico, mesmo que eu não seja nem de perto uma viciada, resolvi seguir a linha do let live. É que fiquei muito tempo no estilo live and let die, o que pode parecer a mesma coisa, mas se você olhar bem de perto vê que não é. O live and let live é mais... pacifista. E eu to muito pacífica no momento.

Viver no estilo let live tira um grande peso das minhas costas. Todas vez que me vejo preocupada com outros que nem deveriam ser tão preocupantes assim, percebo que na verdade eles é que deveriam se fuder um pouquinho, como os viciados. Todo mundo que se fode aprende alguma coisa na vida. Eu já tive uma grande parcela de fodimento. Agora tá na hora de deixar os outros seguirem seu caminho.

Tuesday, July 20, 2010

Dia 1

Minha vida só funciona com metas. Me formei em jornalismo, mas seria uma ótima bibliotecária: adoro arquivar, fazer tabelas, organizar e... propor metas. A da vez é correr todos os dias, chovendo ou fazendo sol, de ressaca ou descansada, de mau humor ou bem humorada. A verdade é que correr na praia é receita pra bom humor: mesmo nos dias em que estou latindo pelo mundo, a música do Ipod e o ventinho do litoral me ajudam a virar o disco. Ainda bem.

Comecei hoje. Acordei cedo, coloquei a roupa e corri míseros 20 minutos, colocando os bofes pra fora. Fuma, vai, garota. Dá nisso. Mas aí, quando cheguei em casa e me arrumei pro trabalho, comecei a sentir os benefícios da endorfina: fui berrando Rufus Wainwright dentro do carro, os versos que eu amo de 14th street: "don´t ever change, don't ever worry, 'cause I'm comming back home tomorrow"

Correr na praia é como assistir televisão: a gente fica vendo a vida passando, fica olhando bebezinhos e animais de estimação fofos, e finge que não percebe os vovôs de Copacabana virando a cabeça pra olhar a nossa bunda. Aliás, descobri que se minha meta fosse a terceira idade, estava feita: os homens de 70 são absolutamente meus fãs. Vai ver é porque aos 32 sou para eles o que uma garota de 17 é para os quarentões.

Monday, April 05, 2010

Entre o teclado e eu

Houve uma época em que eu tinha certeza absoluta de que seria uma escritora. Não faz tanto tempo assim: eu ainda não havia virado o cabo da boa esperança dos 30 anos, e achava que tempo era o que não faltava para escrever meu livro. Enquanto isso, meus companheiros de outros blogs foram lançando livros, ganhando fama e pouco dinheiro, e hoje estão quase todos muito bem. E sobre o meu primeiro romance, nem uma linha. Virei a eterna promessa de mim mesma.

É que eu tinha (e tenho) medo de fazer algo medíocre. Sou muito boa em criticar a mediocridade, e não aguentaria o tranco de ser criticada de volta. Mas a vida vai passando e você percebe que não fez nada de relevante por você mesmo, e aí os medos começam a se transformar em outros. Foi isso o que aconteceu comigo.

Eu acho que preciso de solidão. De ficar um fim de semana isolada do mundo, de jogar meu celular no mar (como naquela cena de abertura do roteiro que eu comecei a escrever e não terminei), de ser forçada a pensar sobre a vida, mesmo que ela seja ficção.
Tá na hora de sair dessa comodidade ridícula.