Wednesday, November 08, 2006

Inveja da nova geração

Outro dia comprei a Rolling Stone brasileira. Foi mais barata do que eu imaginava (paguei oito e cinquenta, mas esperava que fosse pelo menos uns dez reais; ponto pra eles), e deu vontade de comprar todo mês. É que desde pequena eu tenho essa mania de ler revista sobre música e, aliás, quis ser jornalista para virar repórter musical, tendência que logo passou depois que comecei a faculdade. É que, como pude comprovar, ser jornalista musical requer uma dose de nerdice que estava além das minhas medidas e, portanto, como uma boa profissional que se deixa levar pela correnteza, acabei parando na outra margem do rio: na tv, fazendo programa infantil. Coisas da vida.

Mas então, quando eu tinha uns doze, treze anos, comprava a Bizz todos os meses. Lia a revista de cabo a rabo, até as matérias sobre bandas que eu não conhecia. Muitas vezes ficava chupando dedo, porque não tinha como ouvior sons novos a não ser me aventurando a comprar discos sem saber do que se tratavam. A coisa melhorou um pouco com a chegada da MTV no Brasil, e então eu pude conhecer pelo menos o hit de algumas das bandas faladas na Bizz antes de decidir se comprava ou não o disco dos caras.

Lembro que uma vez respondi a uma pesquisa de opinião da Abril. Eu tinha doze anos e era muito aplicada quando se falava em música. Mas então, preenchi tudinho, e ainda me dei ao trabalho de colocar a pesquisa no correio, para que os caras recebessem as minhas sugestões. E uma das minhas idéias era que a revista deveria vir com uma fita cacete contendo pelo menos uma música das bandas que haviam sido pauta naquela edição.

Tadinha de mim! Minha sugestão nunca foi ouvida - e nem sei se foi lida. E eu continuei morrendo de curiosidade de saber como eram os grupos que recheavam a minha leitura.

Com a Rolling Stone Brasil foi completamente diferente. Havia várias bandas que eu nunca tinha ouvido falar. Mas agora, maravilha, eu tenho a internet! Agora eu posso ler e ouvir e ver quem são aqueles caras. É completamente diferente de ler a Bizz do começo dos anos 90.
Pra compreender uma revista musical, o melhor é engolir os artigos perto de um computador conectado. Rapidinho você passa no Google, ou no You Tube, ou em qualquer página que possa mostrar se aquela é ou não a sua onda. Se eu fosse adolescente agora, seria uma daquelas pessoas que conhecem todas as bandas, aquele tipo de nerdice musical, sabe como é? Eu seria intragável, porém feliz.

É verdade, eu tenho inveja da nova geração. E não só dos adolescentes, que têm muito mais acesso a filmes e bandas e camisetas cool e tintas de cabelo estranhas do que eu tinha aos quinze, dezessseis anos. Eu também morro de inveja das crianças, as de cinco aninhos mesmo, que saem na rua vestidinhas de princesa. Já viu isso? A menina vai no parquinho com a roupa da Cinderela. Eu daria tudo por um vestido da Cinderela, até mesmo hoje em dia!

Quando eu era pequena, tinha uma fantasia mega tosca da Mulher Maravilha. Eu não tirava essa fantasia por nada no mundo, ia pra escola com ela e tudo, e brincava de Super Amigos no recreio. Imagina se eu tivesse um desses vestidos com anáguas e muitas camadas de saias, e tule, e estrelinhas?

Tenho medo de como serão os meus filhos...

Monday, November 06, 2006

Leis de atração

Outro dia encontrei um amigo que tinha acabado de voltar de uma mega viagem de 45 dias pela Europa, e que estava engajado na onda de que a nossa mente nos proporciona tudo o que desejamos. Falou sobre um tal de Abraham Hicks, e de como a viagem dele pelo continente velho tinha sido uma viagem mágica graças à técnica do tio Abraham. Deu exemplos de situações em que o pensamento positivo determinou o final de feliz, como a vez em que ele foi ver um show totalmente soldout da Madonna (em alguma cidade que já não me lembro qual). Ele mentalizou e imaginou ele mesmo chegando na porta do teatro e encontrando alguém vendendo um ingresso de última hora. Pois bem, depois disso, meu amigo em carne e osso e espírito se encaminhou para a porta do mega evento até que, tcha-nan, esbarrou em um carinha que precisava vender a entrada do date que não viria mais. Meu amigo, na hora e lugar certos, fechou o negócio. "Foi a força do pensamento", ele me garantiu.

Tanto o menino falou que fui conhecer o trabalho de Abraham. Até aqui pude perceber que é uma técnica de mentalização que mistura meditação, alimentação regular e uma certa dose de religião. Mas pra quem quer desesperadamente encontrar alguma coisa para depositar a sua crença, Abraham Hicks pode servir. Como eu sou uma pessoa assim, desesperada por uma causa, assinei o boletim eletrônico de uma das páginas que visitei e respirei fundo. Vamos lá, vai que dá certo? Na pior das hipóteses, eu volto a ser o que era antes.

A primeira lição de Hicks para o mundo é: você atrai o que você pensa. Se você mira o pensamento em situações desagradáveis, você, inadvertidamente, irá trazê-las. Isso geralmente acontece quando você não sabe o que quer, e acaba se confundindo nos seus desejos. Mas ora, ensina o mestre, para saber seus verdadeiros desejos, basta que você se permita guiar pelos seus sentimentos. Sentimentos ruins significam que você lá no fundo não quer uma coisa, sentimentos bons significam que você está no caminho certo, atraindo boas vibes para si.

Parece simples, né? Pra mim, não é. Eu nunca sei direito o que eu quero. Eu sei muito bem o que eu não quero, e mesmo assim essa lista muda toda hora. E, às vezes, eu sinto algo ruim por alguma coisa que eu queria muito que fosse boa, entende? Como é que se faz desse jeito? Ignoramos e tentamos transformas as sensações?

Não desisti do Hicks. Apenas comecei. Duvido muito que ele vá me convencer a parar de comer carne vermelha bem sangrenta, ou a largar o cigarro, etc. Mas, de qualquer maneira, quero aprender a respirar antes de agir. A ter aquele segundo precioso que muitas vezes faz a gente segurar a onda. Ando partindo pro ataque com muita freqüencia e, apesar de sempre ter considerado este um ponto positivo, agora estou a fim de pegar mais leve. De ficar de bem com todo mundo. De ficar na paz.

Monday, October 30, 2006

Beijo na alma

Cheguei ao Tim Festival para assistir Daft Punk com muito medo de não ter os meus anseios atendidos. Eu estava esperando esse show há tanto tempo, e a cada nova crítica que eu lia, ou a cada novo vídeo que me mandavam, eu ficava mais fascinada pelo que vinha na frente. Mas lá, na hora H, esperando que as luzes se apagassem, eu pensava: "E se eu criei tanta expectativa que acabei estragando a minha noite por antecipação?" Não seria a primeira vez, e desconfio que também não seria a última do caso.

Mas todas as minhas ridículas dúvidas se desfizeram quando a pirâmide foi acesa. E depois, mentindo descaradamente, eu falava para os amigos que estavam em volta: "Eu sabia que ia ser assim". E sorria de felicidade - porque bons shows fazem a gente ficar genuinamente feliz. Olhava em volta e via tanta gente que, como eu, sorria para o palco, e pulava, e esgoelava as letras sem sentido e pensava: sou totalmente dependente disso.

Eu tenho um grande preconceito, um preconceito que não consigo me livrar, que é contra as pessoas que vivem sem amar músicas, livros e filmes. Não consigo entender o que faz levantar da cama alguém que só ouve, lê e assiste o que lhe é facilmente empurrado. Quer dizer, eu também adoro filmes blockbuster, com explosões e atores com bíceps deliciosos, mas isso é uma parte apenas, entende? Eu preciso de outra coisa, de satisfação interna, de beijos na alma aqui e ali, para que o dia-a-dia fique menos monótono.

E depois que eu saí do Daft Punk, tão acelerada que tinha cetreza que o taxista estava correndo enlouquecido no Aterro (coitado, ele só estava a noventa...), fiquei jurando pra mim mesma que nunca, em hipótese nenhuma, mesmo que eu seja mãe de trigêmeos, mesmo que eu vire uma esposa e mãe de família - sei lá, quando se tem quase trinta a gente pensa nisso... - eu nunca vou deixar de ter a minha alma beijada. É uma promessa de vida ou morte, e todos vocês podem cobrá-la de mim.

Friday, October 27, 2006

Ninguém ganha da Morte (pelo menos no xadrez)


Entendam por que eu incluí a Morte do Sétimo Selo na minha lista de personagens.

Tudo aconteceu um dia em que eu, entediada, saí da faculdade rumo ao Estação Botafogo. Naquele mês que eu não lembro, do ano que eu não me recordo, o grupo Estação fazia uma retrospectiva com filmes de Ingmar Bergman. Só que, naquela época esquecida, eu não fazia a mínima idéia de quem vinha a ser Ingmar Bergman. Mas como era uma estudante sem estágio e com muito tempo livre, ia com certa assiduidade ao cinema.

Neste dia específico, abri o Segundo Caderno e me deparei com a Morte. De braços abertos, em frente a um tabuleiro de xadrez. Não quis saber mais nada e fui ao cinema, com certeza absoluta de que não iria me arrepender. Não quis ler a sinopse (Aliás, se tem uma coisa que me irrita, é ler sinopse de jornal. Também não me incomodo em saber o final do filme, como a grande maioria das pessoas. Sei lá, acho que o final nem é tão importante assim.) Só queria um lugar na sessão.

Deixa eu explicar uma coisa sobre a primeira sessão de um dia de semana no Estação Botafogo. Têm tipo dez pessoas no cinema. Sete são senhoras de idade. Dois são estudantes de cinema. Um é alguém como eu, que não tem mais o que fazer. Então, obviamente, eu consegui meu ingresso com facilidade. E esperei que o filme começasse.

Saí da sala pulsando, sentindo todos os meus poros, que é o que acontece quando eu vejo alguma coisa realmente incrível. Não conseguia parar de pensar no filme, e então me tornei uma obcecada por Ingmar Bergman - se surgia o nome do homem, lá estava eu na filinha de ingresso. Mas nenhuma outra obra do diretor teve a avalanche de alma que o Sétimo Selo produziu em mim. Foi um dia memorável.

No ano passado, revi o filme. Fazia muito tempo que eu não o assistia de novo. Pra falar a verdade, fiquei morrendo de medo de achar tudo chatíssimo, arrastado, decepcionante. Mas que nada, o filme é o mesmo, e por mais que eu tenha mudado, nenhuma mudança pode transformar essa trama em bobagem. Quando revi aquelas imagens, tive certeza de que O Sétimo Selo seria eterno.

Se você gosta de cinema, ou de uma boa história, ou de pensar, assista. Faça isso por você.

Wednesday, October 25, 2006

Os bastidores de um casório

Tenho uma grande amiga que está para casar. A cerimônia vai ser no próximo sábado, e eu dedico essa semana a pé e mão, escova e pesquisas de simpatias de casório que envolvem vestidos de noiva. Faço as simpatias mais pela piada do que pela fé, uma vez que tenho total noção de que casamento não faz parte do meu futuro próximo.

Mas, voltando à noiva, outro dia fizemos um chá de panela pra ela. Eu, três amigas, e todas as mulheres da família da menina. Acabou que quem comandou todas as brincadeiras (e bebedeiras) do dia fomos nós, as amigas, sob os olhares preocupados da avó da homenageada, que temia que a neta torcesse o pé e tivesse que entrar na igreja manquinha, tadinha. Se bem que foi tanta cerveja que a noiva bebeu que ela bem que poderia não só torcer o pé como cair no chão e bater com a cabeça e coisas sinistras do tipo. Eu que fiquei preocuopada, admito.

Pra quem não sabe, o chá de panela funciona da seguinte maneira: a noiva tem que adivinhar quem deu o presente; e se nao adivinhar bebe uma dose (de qualquer coisa), depois tem que adivinhar o que é o presente; e se não adivinhar, bebe outra dose. E depois de um monte de líquido goela abaixo, a noiva, tadinha de novo, já não sabia distinguir pirex de esponja de louça. Pra se ter uma idéia, terminei a tarde de domingo lavando o banheiro da casa da mãe da minha amiga.

E depois, na outra semana, a gente fez uma despedida de solteira. Não dessas de Clube das Mulheres e strippers que a gente nunca pegaria. Ao invés disso, seguimos, nós quatro, para a Inferninho do momento. Era para ser uma girls night out, e virou um evento, digamos assim, mais abrangente. Regado a Red Bull e destilados, como fazíamos nos nossos vinte e poucos anos. Cantando alto, a plenos pulmões, as músicas que todo mundo gosta.
Adoro casamentos. Ainda mais quando eu estou coladinha nos acontecimentos.

Pra alguém pode servir
Simpatia infálivel aproveitado a vez em que uma grande amiga casar

Para fazer esta, você deverá contar com a ajuda de uma boa amiga, no dia do casamento dela. Para você quer arrumar logo um casamento, quando a amiga for se casar e desde que essa sua amiga seja virgem, faça a seguinte simpatia: escreva seu nome, com uma caneta vermelha, na barra do vestido de casamento de sua amiga ou na sola do pé esquerdo do sapato dela.
Quando ela entrar na igreja, deverá repetir baixinho por três vezes a seguinte intenção:
Hoje nesta igreja entro eu,
amanhã será a vez de... (ela dirá o seu nome).

Nota: ainda bem que eu nunca pensei a recorrer a este tipo de magia. Se não, ia penar pra encontrar uma amiga nas condições adequadas..

Wednesday, October 18, 2006

As pessoas que não existem mais influentes da minha vida

Tinha que ser coisa de americano. Dois dessa espécie lançaram um livro listando os 101 personagens que mais influenciaram a sociedade norte-americana e, por tabela, a nossa também. Não sei do que o livro trata - será uma grande lista de personagens famosos? - mas desconfio que só vale pela piada. Ou alguém acredita que tenha surgido daí um trabalho antropológico e sobre a sociedade de consumo de massa?

A lista deles é encabeçada pelo cowboy do Marlboro, seguida do Grande Irmão, Rei Arthur, Papai Noel e Hamlet. O meu top 5 obviamente nunca apresentaria o homem de Marlboro como o número um dos influentes, muito menos sob a apresentação de "assassino mais famoso dos últimos 200 anos", como é dito no livro, segundo a matéria do GloboOnline. Eu começaria com Lestat, que durante a minha adolescência foi o responsável por me fazer usar preto e desejar ardentemente virar uma vampira. Ou talvez John Constantine - não o péla do filme, mas o dos quadrinhos, sempre meio deprimido e usando uma capa de chuva, charmosíssimo, andando por ruas escuras, ai, ai.

Sou péssima de listinhas e sempre me falta o último ítem. Mas se fosse fazer uma lista dos meus personagens mais influentes, seriam:

1- Constantine
2 - Sabina
3 - Morte
4 - Morte
5 - Enid

Aviso logo que essa lista não está justa. Que eu acabei escolhendo personagens que eu gosto, e não que me influenciaram. E esses nem são os cinco que eu mais gosto! São apenas uns legais que eu lembrei agora. É assim mesmo; como disse, sou péssima de listas.

Saturday, October 14, 2006

What have happened with Babe Jane?

Sábado à noite. Há seis meses eu estaria recebendo ligações de dez em dez, reunindo informações sobre os acontecimentos relevantes da cidade e repassando este conhecimento para frente. Eu era, sempre fui, alguém com informações. Alguém que recebia telefonemas de amigos que não me chamavam para sair, e sim para informar qual era a boa da data. Kinda sad, eu admito, mas não me importo muito. Eu sempre tinha o que fazer.

Não sei bem quando se deu a virada. Não vale ninguém falar que é porque eu estou namorando que a história de cair na gandaia desandou, porque o meu namorado é tão ou mais notívago que eu. Ou costumava ser, quando eu o conheci. E, por sinal, esse encontro se deu em uma boate GLS depois de eu ter bebido duas doses de cachaça em um festival de curtas, seguido de uns três copos de vinho numa festinha de despedida, até cair na inacreditável pilha das três da manhã: "vamos para o Dama!" E eu fui, porque essa era uma época em que eu fazia esse tipo de coisa. Nego chamava, eu já tava lá. Não precisava insistir. Quando cheguei na boate, pedi uma gim-tônica (para completar o cardápio alcóolico) e bati os olhos no Ninja. E então, é o que acontece até hoje.

Mantive a fama de menina noturna por bastante tempo, mesmo acompanhada. Mas agora parece que a preguiça venceu. Ontem estava tudo certo para sair e encontrar amigos de longa data, até que um cochilo estendido acabou com a noite. Hoje, estou esperando que alguém dê sinal de vida. Quase sucunbindo à segunda temporada de Twin Peaks, com ar condicionado e sem cheiro de cigarro dos outros no meu cabelo. Só o meu próprio.

Tuesday, October 10, 2006

Intensamente Bored

Hoje já estalei meu pescoço cinco vezes. Já corrigi a postura e rodei o ombro esquerdo que está doendo dez vezes. Já falei no chat do Gmail com umas três pessoas. Já escrevi uma pauta e dei um telefonema de trabalho. Almocei uma marmita mal recheada e ainda tenho fome. Ainda são 17h. Tem mais lá na frente. Li uma matéria sobre drogas e políticos italianos, fiz simulação para saber se posso comprar um quarto e sala no ano que vem (e descobri que não), encontrei amigas e bati papo, fumei uns cinco cigarros e agora o meu maço acabou. E eu não quero comprar outro.

Quando me vejo assim, esperando os ponteiros andarem, lembro da Lebre Maluca conversando com a Alice. Dizendo que não sei quem e o Tempo estavam brigados, depois que o não sei quem andou matando tempo. O Tempo briga comigo quando eu mato tempo. Não se deve matar o Tempo, é uma lição que a gente aprende mas não aplica, como aquelas de não furar sinal vermelho, não gastar dinheiro desnecessariamente e, é claro, não fumar.

Por outro lado, fico pensando que é melhor aproveitar a calmaria. Que daqui a pouco as coisas não serão tão fáceis assim e que vai ter muito trabalho sobre esses ombros que já doem só de sentar na posição errada em frente ao computador. Mas o porblema é que eu gosto dessa história de trabalhar muito. Eu gosto de acordar cedo e ir pra academia e depois chegar no trabalho e almoçar em meia hora e chegar em casa à noite e assitir novela sem prestar atenção em quem é quem. Mas isso, só ano que vem. Até lá, ombros doendo.

Thursday, October 05, 2006

30 minutos de esteira existencialista

Descobri a resposta para o meu mau humor latente: esteira. Foi uma libertação me ver assim tão fácil de se resolver, e agora eu gasto meu dinehirinho de academia feliz por ter me tornado uma pessoa mais tragável. Quando você está de mau humor e vai para a academia, é questão de minutos a melhora do clima interno: parece que tudo se esvai em suor e batimentos cardíacos acelerados. Me sinto como naquele comercial da Nike em que a mulher cospe o chefe, o trabalho e a cobrança da mãe por um casamento enquanto corre pelo parque. Esse, meus amigos, tem sido meu remédio.

Descobri a cura durante, óbvio, uma TPM. Acordei amarguíssima, chatíssima, latindo para a minha própria sombra. E fui, cheia de preguiça, rumo à academia. Daqui a pouco lá estava eu sorridente, puxando conversa com senhoras de meia idade enquanto esperava o meu aparelho de musculação da vez ser liberado, jogando endorfina nesse cérebro cheio de porcarias que eu tenho. Meu cérebro também sua: dá pra sentir quando ele expele todas as toxinas. Depois eu fico leve, descabelada e me sentindo mais magra - mesmo que não esteja de verdade.

Toda essa questão me faz chegar à seguinte conclusão: o que meninas como eu precisam de verdade é de um tanque de roupa suja pra lavar. Já posso antever comentários irados depois da frase anterior, todo mundo me chamando de machista, etc, etc. Já aconteceu outras vezes. Mas é que, se eu fico tão bem levantando pesos que eu não preciso levantar, não seria de se esperar que eu fosse feliz esfregando roupa? A infelicidade feminina de classe média veio com o advento da máquina de lavar, microondas e diarista de quinze em quinze dias. A gente deveria viver como nossas avós.

Monday, September 25, 2006

Coisas que andei pensando enquanto não tinha mais o que fazer

É legal tirar férias; acho que ninguém discorda disso. Mas o que não é nem um pouco legal é ficar de pernas pro ar, sem mais o que fazer, enquanto seu namorado, seus amigos e toda a sua família trabalham como pessoas normais. Estas férias foram esclarecedoras, porque eu sempre achei que daria uma ótima mulher de milionário, que redecoraria a casa de quinze em quinze dias e faria cursos de aquarela no parque Lage, mas de repente eu descobri que não, que não iria agüentar um milésimo dessa vida, e que eu reclamo mas o que eu gosto mesmo é de trabalhar dez horas por dia. Sendo assim, concluo: bom mesmo é trabalhar porque se gosta, e não porque é preciso - tipo aquelas pessoas que ganham na Mega sena e continuam sua vidinha normal. Aliás, existem pessoas assim?

Mas a questão toda do saco cheio dos dias vazios veio depois. Na minha primeira semana em casa eu praticamente fiz uma tabela no Excel para coordenar todas as minhas atividades. Visiteis bebês que acabaram de nascer, almocei com a minha avó que mora longe, me despedi de uma prima que vai sair do Brasil, protagonizei inúmeras girls nights - com o aval do Ninja, que é a favor de casais com eventos independentes aqui e ali - e comecei a ler um livro muito bom, um mal escrito e um clássico difícil.

Ah, sim, e decidi que não vou votar. Comuniquei aos meus amigos mais intímos a minha intenção de me abster do "direito" de escolha a um presidente, e fui recebida com um bombardeio de emails contrários à minha manifestação. É que os meus amigos são pessoas tão melhores e elevadas espiritualmente que eu que chegam a pensar em não usar a carteirinha de estudante falsificada para comprar ingressos para o Tim Festival. Eu, obviamente, nem cogito tal possibilidade.

E agora surgiu o Festival do Rio. Quando eu era uma interessada universitária, seguia os filmes favoritos, me acabava na fila do ingresso e assistia sessões improváveis que tanto poderiam ser geniais quanto furadíssimas. Depois que virei adulta, tive que deixar essa vida de lado porque nunca que eu conseguia conciliar minha vontade de ir ao cinema com os horários absurdos da minha profissão. Nesse ano, não. Comprei logo um monte de ingressos, e vou assistir a todos os medalhões. Outro dia mesmo foi a vez do novo do Wim Wenders. Uma merda, aliás. Ouvi o amigo ao meu lado dizer que ele está ficando gagá. Ou então somos nós mesmos que andamos cada vez mais impacientes.

Monday, August 21, 2006

Versão in line

Existe um submundo dos patins no Rio de Janeiro. Descobri o underground sobre rodas depois que ganhei de aniversário antecipado do Ninja um par de patins in line. Há duas semanas todos os meus sábados e domingos são dedicados a tombos com joelheiras e cotoveleiras que não protegem a minha bunda. Mas a culpa, obviamente, é minha. Eu é que tenho que cair direito.

Falando assim até parece que foi um presente de grego. Mas a verdade é que eu estou absolutamente viciada no brinquedo novo, a ponto de trocar a vida noturna pelas manhãs no Aterro do Flamengo. Eu e Ninja parecemos crentes recém convertidos e vendedores de Herba Life: não podemos ver um conhecido que tascamos a ladainha da vida sobre rodas em cima do coitado.

E não somos só nós que nos comportamos desse jeito. Quando você coloca seus patins e vai para um lugar público, pode contar que você fará contato com alguém que também gosta do esporte. Quando dois patinadores se cruzam numa pista, rola aquela olhada de reconhecimento underground: "você faz parte do clube." Mesmo que você não conheça ninguém do submundo do roller, você será (bem) recebido nesse meio e se tornará, dessa forma, um vendedor de Herba Life dos rinques de patinação.

Outro dia eu e Ninja fomos para o Parque dos Patins. Eu estava lá colocando meus equipamentos de segurança - que, no meu caso, são extremamente necessários - quando fomos abordados por um daqueles patinadores profissionais. Sabe aquele tipo de pessoa que se comporta sobre rodas como se estivesse de pé no chão? O cara se aproximou e sacou um cartão, e explicou que toda quarta tinha um grupo que se reunia ali para patinar e trocar dicas. E contou que rolava um site com datas dos encontros e lista de discussão. E convidou a gente para uma festa no sábado seguinte!

Eu e Ninja não acreditamos em tamanha hospitalidade. E fomos percebendo que em todo lugar de patins era assim: uma galera que se conhecia abraçando os novatos. Nada de gritos do tipo fora hauli. Vai ver que esse povo dos patins faz tanto exercício que é movido a endorfina. Vai ver vem daí tanto bom humor!

Tuesday, August 15, 2006

Tadinho do agricultor de Juiz de Fora



Orelhão de Ouro Fino, MG: não é fofo?

De todas as notícias terríveis e horripilantes que dominram os jornais nas últimas semanas, a que mais me emocionou foi a história do agricultor de Juiz de Fora que veio tentar a vida no Rio de Janeiro. A história dele se tornou o meu exemplo pessoal de esteriótipo de interioranos x moradores da cidade grande: os primeiros sempre ingênuos, fofos, prontos para cair no conto do vigário; os segundos sempre exxxxpertos, de olho nos otários, sem perdoar um pobrezinho recém chegado do campo.

Pra quem não sabe, a história é a seguinte: o tal agricultor veio de carroça com os dois filhos de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, em uma viagem que durou dois meses. Ele ficou famoso assim que chegou à cidade porque foi fotografado andando com a carrocinha no meio da avenida Presidente Vargas. O mineirinho estava com tudo preparado pra ficar na casa de uns parentes na Rocinha, mas daí falarm pra ele que se ele fosse morar lá, teria que se desfazer da carroça e da égua Darlene. Só que aí ele não quis, porque a Darlene era uma égua que tinha ajudado muito a família dele quando eles ainda moravam no roça. E aí ele resolveu ir pra um outro bairro onde a égua ficaria a salvo.

Só que é dura a vida na cidade grande. O agricultor foi até a Ceasa, em Irajá, pra ver se conseguia alguma comida para os filhos. Amarrou Darlene do lado de fora e foi à luta. Quando voltou, cadê Darlene? Ela e a carroça haviam desaparecido, fruto de algum desalmado mais rápido do que ele.

"O que eu vou fazer da minha vida agora? Como vou trabalhar", ele perguntava à repórter do Globo. Eu não sei o que ele vai fazer. Poderia voltar a Juiz de Fora e reconstruir sua vida na terra que ele conhece bem. Mas se o homem colocou os filhos pequenos em cima de uma tábua sobre rodas durante dois meses só para tentar a vida no Rio, é sinal de que as coisas na cidade dele não andavam lá essas coisas.

Eu tenho muita pena do mineirinho agricultor. Torço pra que um ricaço desses leia a sua história e o contrate como piscineiro, ou jardineiro, ou caseiro. De vez em quando a vida dá uns finais felizes assim.

Monday, August 07, 2006

O ano mais foda da minha vida

Uma vez fiz um mapa numerológico que falou que o melhor ano da minha vida seria nos meus 32 anos. Na verdade, não lembro bem se era nos 32 ou nos 34, mas com certeza era na casa dos 30. Naquela época eu era uma jovem de vinte e poucos, e achava que a casa dos trinta estava longe da minha realidade. Agora, como uma jovem de vinte e muitos, acho que o melhor ano da minha vida se aproxima perigosamente rápido.

Quer dizer, o que eu vou fazer depois que o melhor ano da minha vida passar? Vou pensar: "Ok, agora já foi, aproveitei enquanto durou. Agora vou relaxar porque nada vai bater esse ano"? Mas aí é meio chato, né, achar que você vai viver até os noventa, até os cem, que é o quanto eu quero viver - na verdade, imagino que ninguém ache que viveu o suficiente, mesmo que tenha batido a marca dos cem - e ter seu ano mais brilhante lá pelas trinta. E todos os outros anos, como é que ficam?

Por outro lado, eu meio que imagino o meu ano mais foda. Com certeza eu vou receber uma promoção ou conseguir um trabalho que pague muito melhor do que o meu do ano anterior. A julgar pela idade, estarei grávida da primeira ou segunda menina (na minha família só dá mulher, fazer o quê). A conta bancária vai bem e o casamento também, já que a gravidez é fruto direto do amor, entende?

Nossa, acabei de descobrir que o meu ano mais foda é o último capítulo de uma novela do Manoel Carlos. Bem que já disseram, e infelizmente não fui eu, que Deus é Janete Clair.

Tuesday, August 01, 2006

Texto Kerouaquiano falso traduzido pelo cara que escrevia na Bizz Letras Traduzidas

Ei, garota, você tem que acreditar que vai dar certo. Você tem que olhar em volta e vupt, apostar no que aparece. É sim, você tem. Ei, garota, você precisa se concentrar nos seus planos e não esperar que eles se realizem pelas mãos dos outros. As mãos são suas, garota! O mundo é seu. Ouça bem o que eu lhe digo, menina, e se jogue pelo mundo conhecendo pessoas tão diferentes que vão fazer você pensar melhor. A diversidade é a salvação do mundo. Sim, sim, com certeza. Garota, você precisa perceber que não está sozinha, mas que tudo depende de você. Você é que sabe o que é bom e o que é ruim, você pode salvar o universo da catástrofe de planetas perdidos colidindo, você tem a chave que abre as portas para um mundo melhor. Um mundo novinho em folha. Fique ligada, garota, que dessa vez é com você.

Wednesday, July 26, 2006

Eu já fui High School Sweetheart de alguém

Outro dia, arrumando um armário que eu não arrumava há, vamos lá, uns seis anos, encontrei minhas mixed tapes. Eu adoro mixed tapes. Aquelas fitinhas K7 gravadas com o requinte do amadorismo, mas cheias de boas intenções. Decidi que daria uma olhada nas fitas guardadas, e todo o dia eu ouço um pouco delas no som paraibinha que tem no quarto da minha irmã.

Hoje cheguei em uma gravação que ganhei de aniversário lá pelas idos de 1994. Uma criança, eu lembro bem. Quem me presenteou foi um menino que era de uma séria abaixo da minha, com quem eu geralmente passava os recreios conversando.
Na época do presente eu achei muito bonitinho da parte dele (afinal de contas, dava o maior trabalho gravar uma fita dessas), mas não percebi aí nenhum sinal de afetividade avançada. Só muitos anos mais tarde fui descobrir que o tal menino nutria por mim uma paixão secreta, que durou o segundo grau inteiro.

É engraçado quando você se vê na posição de objeto de adoração de alguém. Eu era uma musa, um ser perfeito e inantigível para esse garoto. Obviamente ele achava tudo lindo em mim, até meus ataques de pseudo-melancolia de adolescente freqüentadora de inferninhos de rock. Até o que era mais lamentável ele gostava. Eu não tinha defeitos. Era uma deusa.

Hoje, ouvindo a fita, tentei perceber se em algum momento as músicas denunciavam as intenções do meu amigo. Mas que nada, o que tinha gravado eram vários músicas de punk rock, que a gente escutava horrores na época, e uma do Renascence que eu gosto muito - e que não escutava há um tempão.

Os anos foram se passando e nós nunca perdemos o contato. Outro dia mesmo eu fui na porta da Matriz e encontrei o meu amigo perambulando com um copo de alcólico não identificado na mão. A gente combinou de se ver lá dentro, mas não deu porque estava tudo muito lotaaaado. Mas é assim. A gente se econtra, e conversa, e de vez em quando relembra da época em que ele gostava de mim e eu não sabia. E morremos de rir.
Fala a verdade. Essa é a verdadeira história de amor com final feliz.

Friday, July 21, 2006

Sem tema, sem posts

Ai, que preguiça de escrever no blog. Que preguiça. Checo a data do meu último post e - surpresa - faz um tempão. E olha que eu já pensei em um monte de assuntos pra postar, mas depois que algumas horas passam as idéias se esvaem... Por isso que eu tenho que andar com um caderno debaixo do braço. E que pena que é não poder escrever enquanto eu dirijo.

Já cogitei de escrever sobre novela, que é uma coisa boa de assistir, porque você não pensa muito e depois ainda tem sobre o que conversar no trabalho. Ando assistindo à nova novela das 9h, aquela que se passa no Leblon e que faz a gente acreditar que morar lá é tudo de maravilhoso. Só não falam que o Leblon dá uma certa preguiça (que nem a de escrever no blog, sabe) de ter tudo muito arrumadinho e plástico demais, com corpos esculturais aqui e ali, e litros de leite 30% mais caros que nos outros supermercados do Rio. Nem fui eu que disse isso, mas sim uma verdadeira moradora do bairro, que anda cansada de tanta beleza. Acho que dá pra cansar da beleza se ela não é natural, entende?

Depois pensei em escrever sobre a minha mania de chorar por tudo, o que já rendeu até o apelido dado pelo Ninja de Atriz da Globo (como se as minhas lágrimas fossem atuação! Nem todas, poxa...). O texto ia se chamar "Desidratada", e ia falar que eu choro vendo Jornal Nacional, novela (de novo) e filmes e livros e tudo o mais. Ia até ter uma parte bem bonita relacionando lágrimas com fazer amor. Mas depois eu me liguei de que não uso o termo 'fazer amor' para nada, mesmo que o faça, e daí fica falso, parecendo livro traduzido.

Ontem à noite, voltando da Matriz, me ocorreu um outro post. Seria sobre redescobrir prazeres, como festas de rock numa noite Sex and the City, beber whisky com Red Bull e voltar dirigindo a 110 por hora (sóbria, juro que sim). E enquanto eu voltava pra casa de madrugada cortando os poucos carros que ainda se aventuram à noite no Rio, escrevi mentalmente um texto lindo e bem colocado. Mas agora... Olha aí.

Tudo o que tenho é um post sobre outros possíveis posts que nunca chegarão a existir.

Tuesday, July 04, 2006

Paradinho

Quando a gente acha que não, acaba percebendo que sim. Que vem de onde não se sabe bem uma certeza e uma vontade de acreditar que vai dar certo. E vem junto com o medo. E fica assim, balançando, entre o "está tudo bem" e o "fudeu". Mas eu me recuso a pensar no "fudeu". De que me serve adiantar a catástrofe? Enquanto ela não vem eu concentro no lado bom, mezzo me enganando, mezzo colocando a prática do bem pensar em ação, para ver se a energia do cosmos acaba concordando comigo, percebe?

O fato é que agora eu quero que tudo dê certo. Quero muito, mais do que tudo. E aí, olha que estranho, tenho mais confiança no final feliz do que tinha quando estava tudo um mar de rosas. Pode isso? Uma pessoa que precisa de um quase "fudeu" para pensar no melhor? Pois é, esta sou eu, senhores.

Enquanto isso, releio emails antigos que eu tenho mania de guardar, ainda não sei bem pra quê. E descubro que é nas linhas passadas que está o meu coração piegas e brega. Tudo lá, intacto, congelado. Meu coração está pouco se lixando para seleções pseudo-hexas, CPIs que já nem sei o nome, contratos temporários x funcionária vitalícia. Meu coração pára onde não existe jornal.
E fica por lá. Paradinho.

Thursday, June 29, 2006

Menos um bom show no país

Podem chorar os amantes da cultura pop: Madonna não vem mais. Desmarcou, na cara e na coragem, e deixou a gente orfão de mais um bom show. Desde o Tim festival do ano passado (beleza, não faz tanto tempo asim, mas faz quase um ano!), não vejo um bom show. Aliás, não vi mais nenhum show, bom ou ruim, a não ser os de duas bandas bizarras que tocaram no cantinho da Fosfobox, aquela boate que é tão underground, mas tão underground, que tem cheiro de banheiro entupido.

A vida é muito cruel comigo. Houve um tempo em que eu tinha todas as melhores bandas do mundo a meus pés, nos melhores teatros, com balcão e frisa e cortina vermelha. Era o tempo em que eu morava em NY. Em seis meses passaram pela cidade PJ Harvey, Tori Amos, Radiohead, Bjork, John Spencer & the Blues Explosion, e tantos, tantos outros. Destes, eu só consegui assistir ao histórico show da PJ, realizado em um teatro mega luxuoso de Manhattan. O resto eu não consegui/ não tinha dinheiro para o ingresso, pobre de mim.

Ainda fico incomodada em observar como filmes e discos e peças e shows demoram a chegar ao Brasil. Ou não chegam nunca. Pessoas minimamente ligadas ao que acontece no mundo ficam chupando dedo na hora de ver um nome artístico diferente por aqui. O que resta é nos contentar com os campeões de bilheteria - estes sim, trazidos a peso de ouro para entreter as massas latinas. A gente tem que levantar as mãos pro céu, é bem por aí.

Só que depois da experiência do show dos Rollings Stones, decidi que estou fora do esquema Arena Rock. To velha, sei lá. Ando preferindo shows de bandas bizarras da minha própria cidade. Mesmo que sejam em boates que não têm lá um grande perfume no ar.

Wednesday, June 28, 2006

Lygia, a melhor



Foto: "Você sabe o que é clitóris? A resposta está muitas vezes na ponta da língua!"
Frase romântica encontrada em uma casa de Paty, RJ, levando em conta que sexo é amor.

Há um tempo venho amargando a sindrome de abstinência de um livro bom. Tenho uma lista lá em casa que ainda não peguei para ler, mas acontece que em vários livros parei na página 20. Não dava para continuar, eu achava que era perda de tempo e tal... acabava por não ler nada.

Até que outro dia fui tomar um café na Argumento e pensei: dane-se todo o meu esquema de guardar dinheiro. Vou comprar um livro.

Eu tenho esse problema com livrarias. Basta pisar em uma que me dá a maior vontade de sair de lá com uma sacolinha. É tipo vício mesmo. E quando compro um livro novo fico que nem criança quando ganha um brinquedo: não consigo nem me concentrar direito no atual romance, morrendo de vontade de passar para a próxima trama.

E foi assim que eu comprei um livrinho de bolso com contos da Lygia Fagundes Telles. Para mim, ela é a melhor escritora brasileira viva, com uma maneira muito única de enxergar o mundo. Uma vez fui vê-la debater sobre seus clássicos preferidos na Feira Literária Internacional de Paraty, e saí ainda mais apaixonada por ela. A senhorinha é uma loucura, acreditem.

Todo mundo deveria ler "Pomba Enamorada". É uma das coisas mais lindas que alguém já pôde ter escrito. O que ela conta faz total sentido e é triste sem ser piegas. Mas, na minha cabeça, tem um final feliz.

Já acabei de ler os contos da Lygia, e passei pra um livro do Henry MIller sobre uma viagem de um ano que ele fez pela Grécia. Ao mesmo tempo, etsou vendo as agruras femininas da chinezinha chamada Mian Mian, que deve ter sido de onde eles tiraram o nome daquele restaurante no Rio. E depois, não tenho mais nada pra ler.
Por isso, aceito sugestões.

Monday, June 26, 2006

Anarriê

Época de festas juninas é a melhor de todas. As comidas são ótimas.
Sou o tipo de pessoa que analisa uma festa pelos comes e bebes que são servidos:

- Cerveja e salgadinho: a festa estava animada.
- Vinhos e queijos: os convidados eram intelctualmente interessantes.
- Whisky e azeitonas recheadas: a trilha sonora era a melhor de todos os tempos.
- Champagne e caviar: o casamento foi tão lindo...

Previously on LOST

Provavelmente fui a última pessoa do planeta a aderir à série-drogas pesadas que é Lost. Em compensação, agora ando tirando o atraso e me tranco na pseudo-minha casa durante o fim de semana, assitindo à segunda temporada baixada na internet. Sem legendas, que é para pelo menos eu tirar algum proveito de todas essas horas dedicadas às vidas de Jack e etc. Pelo menos eu treino meu inglês.

Friday, June 23, 2006

Otimização do texto

Não sou mais a Carie Bradshawn. Não vejo mais o meu futuro de trinta e muitos anos com roupas de grife bebendo coquetéis caros ao lado de amigas igualmente trintonas. Tampouco me imagino trocando fraldas de bebê, com a blusa suja de golfadas antigas e o cabelo despenteado. Eu bem que quero ter filhos, mas não sei como fazer isso de uma maneira higiênica.
Eu queria ser mãe tipo a Madonna: com cinco babás e corpinho de adolescente. E ficar com a prole nas horas em que não existe cocô mole.

O estranho é que quanto mais o penso no que quero, mais eu fico confusa. Quando se coloca o peso de 'para o resto da vida', minhas filosofias vão ficando molengas até virarem água, como se tivessem passado do tempo de preparo. Nunca fiz tatuagem por um medo louco de enjoar do desenho em três tempos. Então acho que essas decisões importantes a gente vai deixando acontecer, vai esperando o desenrolar e esperando que de repente tudo fique cor de rosa.

Uma vez um tarólogo (na época em que eu ainda gastava dinheiro com isso) me disse que meu destino era morar no exterior, casar por lá, ter filhos com outra cidadania. Oba, eu pensei. É isso mesmo o que eu quero. Mas daí entra ano e sai ano e nada de morar fora, nenhuma oportunidade imperdível, nenhuma chance memorável. Começo a desconfiar de que o cara errou comigo.

Mas se tem uma coisa que eu aprendi com o tarô foi a maneira de fazer uma pergunta. Quando você encara as cartinhas mágicas, não pode nunca levantar a questão de maneira negativa. Por exemplo: não dá pra falar 'vou continuar desempregada?' Tem que perguntar assim: 'vou arrumar um emprego?'. A resposta deve estar na pergunta, entende?
Adotei a técnica na vidinha e até que dá certo, sabia. Engraçado como mudar ligeiramente o foco traz outro resultado. Deve ser por isso que meus amigos que consideram otimista.

Tuesday, June 20, 2006

Desejos e Pedidos

De vez em quando dá isso mesmo, uma sensação de que eu sou a Mulher Maravilha e tenho e terei tudo o que desejar nas minhas mãos. É bom quando vem esse sentimento, mesmo que nao passe de uma puta de uma ilusão. É claro que é ilusão. Mas eu gosto de fingir um monte de coisas, então por que não fingir que tenho total e irrestrito controle do que acontece com a minha vida? Se é pra mentir, vamos mentir direito.

No começo do ano a minha fitinha do Senhor do Bonfim arrebentou. Ou melhor, ela se desvencilhou do meu pulso, desfez os nós sozinha e pulou do meu braço. Como eu não sou (muito) boba nem nada, interpretei que aquilo queria dizer que os meus desejos seriam atendidos. E, desde então, ajo como quem tem absoluta certeza de que vai conseguir o que quer.

Já fazem uns cinco meses que a pulseirinha arrebentou. E eu estou esperando. É errado dizer que nenhum pedido se concretizou, mas a história também não rolou exatamente como o planejado, sabe? Está meio realizada. É possível isso? Uma realização parcial dos seus pedidos?

Se eu não fosse neutralizar completamente os poderes mágicos da pulseirinha, eu exemplificaria o que está acontecendo com os meus pedidos, para eles estarem, assim, parcialmente realizados. Mas não posso contar, se não o pedido se desfaz! Não pode, não pode. Se é pra ser supersticiosa, que eu seja direito. Afinal de contas, não dá pra ficar aturando nada pela metade.

Monday, June 19, 2006

De costas para a Copa

No primeiro jogo da seleção, TVs e jornais do país resolveram mostrar imagens de alguns dos locais normalmente mega movimentados nas grandes capitais exatamente no momento da partida. Tudo vazio, é claro. Avenida Paulista, Praia de Ipanema, Centro do Rio e de São Paulo. Nada, nada, a não ser por um ou outro passante desavisado. Não pude deixar de reparar nos "uns e outros" que se atreveram a dar uma volta de bicicleta quando o Quadrado Mágico mostrava seus supostos encantos. Fiquei com uma inveja danada. Achei tudo tão.... desprendido. Queria ser assim, desligada da Copa, e ficar com a praia de Ipanema só pra mim. Delícia.

Mas, ao invés disso, estava eu lá bem em frente da telinha, vendo aquela partida chata de fazer dormir, ouvindo meus amigos da corrente pra trás torcendo pela Croácia. Eles fazem a corrente ao contrário pela piada e também pelo saco que é uma Copa do Mundo no Brasil: o banco fecha, o trabalho empaca, as cornetas reinam e você é praticamente obrigado a ter uma blusa de camelô nas cores verde e amarelo. Mas, apesar da torcida contra, nenhum deles conseguiu se livrar da obrigação social de assistir aos jogos canarinhos.

Corrente pra trás de verdade é passear na Avenida Copacabana durante os 90 minutos de Brasil. Bem no meio da rua, nem aí para os carros. Ignorando as televisões 12 polegadas dos botecos. Mantendo o livro aberto no momento em que se ouvir por todos os cantos o grito de gol. Não saber o nome dos jogadores que vestem as nossas camisas - nem os atacantes famosos. E não comemorar uma possível e longínqua vitória sobre a Alemanha na final.

Eu queria ser assim, sem amarras, mas eu gosto da social que é a Copa. Acho um saco ter todos os compromissos profissionais e pessoais amarrados por este evento, mas gosto da algazarra e de falar palavrão bem alto. Eu xingo horrores durante o jogo. Deve ser por isso que não consigo deixar a Copa pra trás. Como é que vou gritar "Puta que o pariu" a plenos pulmões sem ser chamada de louca?
Futebol serve pra essas coisas.

Thursday, June 08, 2006

Homem que chora

Hoje eu fui fazer a minha vistoria anual e, de repente, um dos atendentes do Detran saiu chorando de sua cabine. Digo chorando mesmo, copiosamente, ao mesmo tempo em que era abraçado e consolado pelos colegas de container. Ver uma pessoa chorando já me deixa morta de curiosidade de saber o que acontece. Mas ver um homem aos prantos multiplica a minha xeretice, e portanto eu olhava quase que descaradamente.
Depois, em um dos meus ataques bipolares, pensei: saco, esse cara podia parar de chorar e me dar logo meu documento.
Estou sempre assim, oscilando entre ser uma boa pessoa ou adotar o estilo bitch. Acaba que a boazinha sempre ganha, e é realmente um saco, porque esse lado do cérebro e da alma dá um trabalho danado. De cuidar do mundo e se preocupar em fazer o bem.

O episódio do choro me lembrou a única vez em que vi o meu pai chorar. Foi um dia em que a gente tinha brigado horrores, eu no auge da aborrecência, 15 aninhos, a rebeldia saindo pelos poros. Eu fui uma teenager da pior espécie. Mas, enfim, brigamos e nos odiamos bastante a caminho de um veterinário, onde meu cãozinho receberia uma dose de vacina.
Sentados na sala de espera, meu pai resolve bater papo com a recepcionista. Pergunta de um amigo das antigas que era dono da clínica veterinária, quer saber se ele ainda continua por aquela área.
A recepcionista: "O senhor não soube? O dr. Pedro está com um tumor no cérebro. Ele operou, mas a cirurgia não deu certo. Os médicos já desenganaram."
Foi assim. Tudo na lata.
Meu pai não disse nada. Colocou a mão na testa e começou a soluçar.

Eu olhava para o horror daquilo tudo e não sabia o que fazer. Meu pai chorando - eu não tinha visto isso nem na morte da minha mãe. E eu fiquei ali, sem chegar perto dele, dar um abraço, sei lá. Fiquei imóvel e perplexa, esperando que os soluços terminassem.

Esse blog está foda. Leitura tarja preta.

Thursday, June 01, 2006

O Funeral de Victória

Depois de 93 primaveras e meia, Victória de Angelis resolveu deixar este mundo. Morreu bem cedinho, às seis e meia da madrugada, logo ela que nunca foi muito de acordar cedo. Fomos todos de carros e caronas até o Caju, dedicar um último olhar e a primeira de uma série de lágrimas àquela velhinha deitada que não se parecia em nada com a minha avó, e que mesmo assim axibia o seu nome junto ao caixão.

Acontece que a morte de alguém de quase 94 anos não é exatamente uma surpresa, e por isso minutos anteriores à cerimônia foram dedicadas a dois expressos com dois cigarros e notícias de quem nasceu, quem está sem emprego, quem casou, quem separou e quem foi preso por porte de drogas. E então, deitada em berço de flores, Victória foi servida.

Não gosto de enterros. Não curto essa de passar a mão na cabeça do morto, beijar suas faces frias e deixar que as minhas lágrimas manchem a roupa engomada. Portanto, quando entra o caixão, saio eu. Fiquei lá da porta tentando me lembrar de Victória organizando jantares para a família com exagerada comilança - sua marca registrada. Repassei mentalmente a história de como a nossa homenageada e seu marido, também já passado desta para melhor, se conheceram na praia de Copacabana em remotos anos 1940. E não consigui rezar.

Alguém me explicou que, naquela altura, Victória estaria no hospital das almas, sendo tratada das dores do espírito, recebida pelo irmão, o mencionado marido e as amigas mais chegadas. Talvez até a minha mãe esteja por lá. Ouvi tudo com extrema atenção e penso:"Deve ser muito bom acreditar nisso tudo".

Depois levaram Victória embora. E até agora eu não entendi direito o que aconteceu; tanto que não consigo terminar este texto de maneira apropriada. Talvez porque a própria Victória não tenha terminado totalmente, entende? Ontem mesmo fui mexer em seu armário e descobri desenhos que fiz para ela quando era criança. E decidi que, quando me tornar avó, serei igual à minha querida vovó Nena: aquela que guarda até a morte os desenhos infantis dos netos.

Tuesday, May 30, 2006

Lá vem a noiva, toda de branco


Igrejinha Kill Bill na serra de Miguel Pereira: para o dia em que eu quiser me casar sem convidar ninguém (ou seja, nunca).

Deve ser coisa da idade essa minha vontade de vestir véu, grinalda e vestido branco longuíssimo. Durante toda a minha adolescência repudiei o traje quero-ser-Cinderela das noivas, e jurava de pé junto que por nada desse mundo iria me colocar diante de um altar, conduzida pelo meu pai até o meu marido. Sentiu o simbolismo da coisa? Um chefe entregando a minha pessoa a outro chefe; o que zela por mim entregando nas mãos outro que me zelará pelo resto dos meus dias.

Só que agora está se dando o que uns chamam de instinto feminino, e eu chamo de resultado de uma vida inteira de mensagem subliminar dos filmes da Disney. Eu quero casar de branco, em frenta a um altar, à tarde, em um gramado verde, ao pôr do sol. Sem padre. Sem igreja. E, principalmente, sem missa.

Não é medo de ficar pra titia. Eu sei muito bem que desse mal não sofro, essa falta de possibilidades sentimentais. A minha questão é ser Amélia 2000: adoro cozinhar pro namorado comidas intragáveis de tanto alho, dou longos passeios pelo Rio Design observando móveis muito além do meu orçamento e sonho com um apezinho simpático no Bairro Peixoto. Ou seja: tudo muito bucólico e romântico.

Se houvesse uma máquina do tempo e a Bruna adolescente viesse encontrar a Bruna adulta, tenho certeza de que a minha versão teen ficaria decepcionada. Naquele tempo, minhas idéias sobre uma vida a dois eram beeeem diferentes. Mas, por outro lado, quem é que consegue ser fiel aos seus idealismos adolescentes? Se existem, são pessoas com quem eu não teria paciência de conversar. Mais um tipo pra lista.

Thursday, May 25, 2006

O Código Da Vinci

Sinceramente, não entendi por que os críticos soltaram uma gargalhada debochada depois da exibição em Cannes de Código Da Vinci. O que exatamente eles esperavam do filme? Será que ninguém ali leu o livro? Porque quem leu sabe muito bem que o filme não iria passar de mais um blockbuster hollywoodiano do naipe de tantos outros que já vimos por aí. Cinema e pipoca: isso é Código Da Vinci.

Fui ontem a uma sessão lotada do Unibanco Artplex. Ainda me pergunto por que é que não esperei mais uma mísera semaninha para que a bola do filme baixasse e as filas diminuíssem. Cheguei ao local e ali estava uma fila que saía pela porta e se estendia Praia de Botafogo afora - e essa era a fila para entrar no cinema, e não para comprar o ingresso! Eu e Ninja assistimos no limite da torcicolo.

Como eu já havia lido o romance, o filme foi entediante. Eu já sabia o final, e todo o suspense em torno de quem seria o Mestre para mim não tinha sentido. Mas gostei de ver as inúmeras cenas internas no Louvre, mais um lugar da lista dos que eu tenho que ver antes de ter um filho. Aliás, ultimamente minha grande diversão no cinema tem sido admirar as locações dos filmes - como em Missão Impossível III, que foi rodado no Vaticano. Meu deus, como tenho visto besteira nos últimos tempos...

Voltando ao Da Vinci, o resto do público não parecia acompanhar o meu tédio. Ninja, que esperatemente não pegou o Código pra ler, acompanhava todas as viradas surpresas da trama. E nem se importou quando eu cochilei no ombro dele. Taí uma boa razão para ver esse filme acompanhada.

Wednesday, May 24, 2006

A única celebridade com quem tiraria uma foto

O dia-a-dia do meu trabalho é encontrar gente famosa. Eu nunca fui muito de cutucar as amigas quando via um global no shopping e, depois que assumi meu atual posto, o gosto pelas celebridades murchou mais ainda. É que atores, salvo exceções interessantíssimas, têm umbigos do tamanho de um quarteirão, e eu sinceramente não tenho paciência para lidar com umbigos tão grandes. Portanto, encontrar com gente famosa é tão excitante para mim quanto ler o Caderno Ela.

Acontece que, ok, já tirei umas fotos por aí com personagens públicos. Tipo o Felipe Dylon. Foi mais por piada que por qualquer outra coisa, e eu publiquei no meu falecido fotolog a minha imagem ao lado do cantor sob a legenda: musa do verão. Para os atentos, estaria claro o teor da piada: eu não sou musa, muito menos do verão, e o único motivo de eu ter sido fotografada ao lado do teen mais queridinho do Brasil é a bizarrice do fato de eu estar na mesma sala que ele.

Depois disso, foram incontáveis as vezes que me encontrei com aquela galera que compõe a classe artística. E a cada contato com a tal da classe, mais claro fica de que só existe uma pessoa no mundo com quem eu gostaria de ser fotografada: Keith Richards.

Acho que é óbvio por que eu pediria a ele um clique qualquer. Mas se alguém precisa de justificativas, vamos lá:
1 - Ele parece o Moon-ha e está sempre com um cigarro no canto da boca.
2 - Ele é o Keith Richards.

E agora, toda hora vejo na internet notícias de que Richards tá ruinzinho. Também, pudera: nunca vi alguém pisar tanto na jaca por tantos anos consecutivos. Fico tranquila de saber que, se ele daqui a pouco cansar desse mundo, vai se mandar com incontáveis rugas de incontáveis festas. E então será o fim oficial das minhas fotos com celebridades.

Wednesday, May 17, 2006

Monstro do Lago Ness

Eu sou o monstro do lago Ness. Ele existe, e sou eu. Detentora de todos os sentimentos baixos e sujos e absurdos, eu sou o monstro que à noite aterroriza pobres e inocentes pescadores da pequena aldeia ali ao lado.

À primeira vista, pareço inofensiva: uma minhoquinha nadando pela água escura, nada mais que uma cobra d'água de quinta categoria. Mas me dê um tempo e a sua confiança que aí sim mostro a minha verdadeira face.

Não me orgulho do que faço, e por isso me escondo nas pronfudezas da água de Ness, para que ninguém me veja e me deixem em paz. Porém mesmo que eu fique quieto e esquecido, não pararia de praticar monstruosidaes. Faz parte da minha natureza de monstro... E não se pode lutar com a natureza.

Tuesday, May 16, 2006

Cruise descontrol

De repente, não mais que de repente, eis que me vejo demitindo a analista, começando uma dieta à base de shakes sabor baunilha e mandando currículos para remotas assessorias de imprensa. Decidi, não sei bem por quê, que estava na hora de mudar de vida. Até agora não perdi nenhuma vírgula de quilograma, e os cheques da terapia (intensiva) ainda batem na minha conta quase que completamente vermelha, mas eu já me sinto melhor por estar movimentando alguma parte da roda das horas.

Sempre senti um asco pelo estilo de vida 'cruise control': aquele que controla o limite de velocidade e direção para onde os acontecimentos estão te levando. De repente, não mais que de repente, me descobri absurdamente entediada, à espera de que o instante seguinte surgisse. Sou viciana no frio na barriga. Naquele nervozinho de se deparar com uma situação completamente nova. Quando fico muito tempo sem a tal sensação, o state of emergency que eu adorava cantar a plenos pulmões björkianos, me ataca o bicho carpinteiro e eu quero mudanças. Agora.

Tenho inveja das pessoas que desde sempre souberam os seus objetivos. Os meus mudam a cada quinze minutos.

Monday, May 15, 2006

O texto da menina mimada

Talvez você nunca entenda uma situação muito simples: que eu sou tão absolutamente sua que às vezes me comporto como uma marionete feliz e saltitante, governada pelas suas vontades. É verdade que isso você nunca pediu e nem nunca quis, e que mulheres-marionete estão fora da sua wishlist, mas eu não imaginava que fosse ser assim. Que mesmo quando tenho tudo o que sempre busquei nas mãos, eu me sentiria ainda tão incompleta. E, pior, cheia de questionamentos adolescentes e realidades irrealizáveis.

Ao longo dos anos me acostumei com a ausência, mas de vez em quando o medo volta. Eu me sinto sozinha e absolutamente incompreendida - afinal, é notório o quanto reclamo de barriga cheia. Eu sou feliz mas sou triste, entendeu? Tipo Vinícius de Moraes. Por isso a única coisa que pode me satisfazer neste exato segundo é que você coloque uma foto minha bem grande no meio da sua sala de jantar, e tome café e almoce e ceie e tudo o mais olhando para os meus olhos. Caso você não queira, pode esquecer: você não me ama, nunca me amou e não faz idéia do que seja ser uma marionete feliz, saltitante e, ao mesmo tempo, triste.

Agora, se você colocar a minha foto, vou precisar também de telefonemas carinhosos em quartos de hotéis cinco estrelas com camas kingsize vazias, ou de uma noite fria comendo fondue, ou de presentinhos fora de época e surpresas fofas e calóricas em caixas em formato de coração. E mesmo assim, pode ter certeza, eu continuarei triste.
A opção sempre foi sua, em qual dos caminhos seguir.

Thursday, May 04, 2006

Falta Fé

Sou uma pessoa sem fé. Alguém que há muitos anos declarou ser atéia, e desde então não consegue se apegar a nenhum tipo de crença. Sou um ser humano que não consegue acreditar em Deus e nem em Destino com D maiúsculo, ou Céu x Inferno. Faço minhas as palavras do Quintana: "O mistério está aqui".

Durante anos eu tinha a certeza de ter encontrado no ateísmo a maior verdade do mundo. Mas agora - que ironia - invejo todos aqueles que acreditam em uma força suprema. Descobri que sem uma crença em algo é muito difícil aturar o mundo e a vida como eles são, cheios de surpresas deliciosas e desagradáveis, prontos para provarem o inesperado.

Mas agora que vejo que não posso viver sem um sentido maior nisso tudo, cadê que eu consigo me interessar por alguma religião? Não consigo. Olho para tudo com certo desdém e com um cinismo que não consigo me livrar. Eu tento ver o lado bom de cada tipo de fé, mas acabo me deparando com dogmas absurdos que não consigo entender. E aí, volto para o lado dos que não acreditam em nada.

O problema é que toda essa secura tem me atingido no peito. Falta fé no trabalho, com os amigos, com a família. Falta fé em mim. Demoro a acreditar que alguma coisa vai melhorar, porque para mim não existe mudança em uma pessoa. E daí eu vejo o quão triste é uma existência sem uma crença. As pessoas são capazes de mudar, desde que por algo muito maior e mais belo do que as coisas que existem neste mundo.
Pena que eu não sei se esse algo existe.

Wednesday, May 03, 2006

Avalon


Para as vezes em que só o pôr do sol piegamente colorido resolve.

Olha só, basta um fim de semana fora do circuito mega conhecido e pronto: estou novamente com o humor na ponta da língua, ávida por assuntos e pessoas e lugares e animais novos e preparada para mais uma rodada daqueles que já viraram o cúmulo da repetição. Alguém entende que tem vezes que eu não agüento mais a mínima menção à passar outro fim de semana no Rio? nem a promessa de um passeio a dois na Lagoa, bebendo Cuba Libre e comendo salmão cru me convence do contrário. Nessas horas eu quero - eu preciso - de um tempo em Avalon, meu sítio brumático no interior do Rio.

Que seja Avalon ou a casa de alguém que tenha um lago e muitos patos e verde morro abaixo. Eu não me importo. O fato é que existem sábados e domingos em que preciso sair da imensidão de azul e concreto em que se transformou a minha cidade, sempre precisando de mais uma dose para que a noite não tenha fim.

Mas quando vou para Avalon o misticismo é outro, sabe? Lá a gente acende a lareira mesmo quando ainda não é frio o suficiente para todo esse fogo. E a gente faz pizza em forno a lenha, e toma um porre de vinho rosé, e tem certeza de que todos os amores são eternos.

Eu adoro Avalon, e este já deve ser o terceiro ou quarto texto sobre ele. Se a humanidade se comportar direitinho, um dia eu levo lá.

Thursday, April 27, 2006

Quem entrou no meu Orkut

Engraçada essa história de agora aparecer o nome de quem andou bisbilhotando a sua página do Orkut. Uns dias depois da mudança de configuração me deparo com a listinha de visitantes. Todos ok, amigos e tal, até que - tchanan - surge um nome estranho. Quer dizer, estranho no sentido de não fazer parte do meu círculo social internético, mas conhecido por se tratar da ex-namorada do meu namorado. Peraí, o que a ex-namorada do Ninja anda fazendo por aqui? Ninja e eu rimos da curiosidade da outra e a história se deu por encerrada (se bem que não jogo a primeira pedra, já que eu mesma me envenenei com a falta de privacidade da rede).

Na era pré-ninjal, quando eu tinha um namoradinho tralálá, cismava de passar, de cinco em cinco minutos, no scrapbook do rapaz. Resultado: chegou o dia em que vi uma mensagem sensual de uma amiga vitaminada (era assim que ela se descrevia). Fiquei brabíssima, briguei com o namoradinho tralálá e decidi me matar no Orkut. Foram meses sem participar de comunidades péla sacas e de trocar mensagens sem sentido. Não senti falta.

Depois voltei. Voltei porque o próprio Ninja queria que eu voltasse, convidando para uma comunidade chamada "Eu sou foda", e como na época essa era uma piada interna nossa, aceitei a oferta. O fato é que eu acabei nunca fazendo parte do grupo de pessoas foda, mas ao mesmo tempo passei a usar o meu Orkut como agenda de endereços on line. Deu certo, mas volta e meia vejo que aquilo ali já deu o que tinha que dar, que perdeu a graça pra quem já conhece de cor e salteado tudo o que vai acontecer na tal 'rede de relacionamentos'. Pode ser um papo blasé, mas é que eu sou megablasé de vez em quando mesmo. Fazer o quê.

paralelamente, fui apresentado a um documentário bacaninha do diretor David Chapelle. Chama-se Rize, e fala de movimentos de streetdance que dominaram LA. Obviamente, o filme não foi lanlçado no Brasil, mas pra quem gosta de cinema e música e dança, vale baixar na internet. Afinal, essa rede serve pra isso, né. Mais do que para ficar procurando recadinho em páginas de adolescente.

Tuesday, April 25, 2006

Uma boa frase

Da Gabi, sobre a noite no Rio:

"Os anos passam e ninguém morre."

Meus aplausos.

Monday, April 24, 2006

A busca da perfeição

Sempre que eu penso em perfeccionismo, lembro de seleção de empresas feita pelo RH. É porque esta se tornou uma resposta clássica para a pergunta: "Qual é o seu maior defeito?" Responder que a busca da perfeição é o maior problema que você tem na vida pode ser interpretado, por alguns aspirantes desesperados a cargos e salários fixos, como um defeito positivo, por mais paradoxo que isso pareça. Só que, para as pessoas verdadeiramente perfeccionistas, essa característica não tem nada de valioso. Ao contrário, é um puta de um sufoco.

Eu sou uma pessoa perfeccionista. Nada do que eu faço está à altura de como eu gostaria que estivesse feito. A busca da perfeição é uma busca perdida, visto que perfeição não existe. Os perfeccionistas estão fadados ao fracasso.

Não é só no trabalho que essa história de desapontamento acontece. Nas minhas relações pessoais eu estou sempre pensando que deveria ter agido diferente. Cansa demais ser perfeita e, com isso, os acessos de mau humor são ainda mais freqüentes, já que todas as minhas ações são altamente criticadas.... por mim mesma. Ser perfeccionista é nunca estar plenamente satisfeito com nada.

Nas minhas andanças por aí, venho combatendo milhões de defeitos, mas nunca pensei em combater o perfeccionismo. Não houve momento algum que eu tenha pensado 'fiz tudo o que podia fazer'. Há sempre um porém, um 'e se', que fica me atormentando na parte de dentro dos ouvidos.

Os aspirantes a cargos deveriam saber que, na hora de listar um defeito, é melhor confessar que fala muito, ou que tem mau humor de manhã, do que mencionar a procura pelo totalmente correto. A não ser, é claro, que eles sejam tão chatos e enfadonhos quanto eu, nesse aspecto. Coitadinhos.

Tuesday, April 04, 2006

Heading to Floripa no madrugadão da Gol

Três horas da manhã todo mundo sabe onde me encontrar: de malas prontas e olheiras mais profundas do que nunca no saguão do aeroporto internacional Tom Jobim. Estou tão satisfeita em deixar o Rio de Janeiro por uns diazinhos que até cortei os cabelos, fiz as unhas e comprei um corretivo para esconder a mancha preta embaixo dos olhos. Aliás, o investimento na cosmética foi tanto que cheguei ao trabalho como se tivesse acabado de sair do quadro Transformação da Xuxa: de escova, maquiagem e esmalte rosa. Ui ui ui.
(Obviamente, virei atração na minha sala durante uns cinco minutos. Depois esqueceram de mim)

É que eu amo o Rio, tudo bem, mas há tanto tempo não faço uma viagenzinha assim legal, pra praias diferentes e gente que eu nunca vi na vida... A última foi em outubro de 2002, quando eu e Bagunceira fomos tocar o terror em Jericoacoara. A primeira e única viagem de férias remuneradas da minha vida! Logo depois entrei para a vida de frila e, portanto, das férias por sua conta e risco.

E agora, em outro esquema, piso em Floripa pela terceira vez com clima de primeira. Explico: na minha estréia na capital catarinense fazia um frio de dar dó, em pleno julho, e ainda por cima foi uma viagem a trabalho. Na segunda passagem pela ilha fui de Ninja a tiracolo, que é avesso a praias. E agora vou com o Ninja de novo, mas com a esperança de que, dessa vez, eu dê um passeiozinho ali pela Joaquina... Ou praia Mole... Ou qualquer lugar onde ele tiver paciência de me levar.

Mas a animação toda vem da possibilidade de passar um fim de semana off jogação no RJ. E eu ando deveras ansiosa por entregar os presentes de aniversário que comprei pro Ninja. É essa mania que eu tenho de comprar presentes e ficar mais animada que o presenteado, a ponto de me frustrar quando a reação não chega à minha expectativa.

Por essas e por outras, cheers to Floripa.

Monday, April 03, 2006

Fim de semana de bocas livre

Sou uma pessoa que gosta de bocas livre, não importa aonde sejam. Pintou uma festa no caixa prego, se alguém me garante que tem Red Label de verdade a rodo, estou eu lá, de copinho na mão. Sei que é um meio de agir suburbano/carioca/duro, mas sinceramente não estou muito preocupada. As bocas livre são raras, e é bom usufruir dos contatos dos amigos, de vez em quando.

A primeira parte do regabofe foi no encerramento da exposição do Carlito Carvalhosa no MAM. Uma baiana do Paraguai recebia os visitantes do museu com um delicioso mini acarajé, cocadas brancas e skol gelada. Comi cinco acarajés e perdi a conta das cocadas. Lui, amiga que trouxe à tona o programa, falou baixinho "hoje não pretendo nem almoçar". Ok, vamos nessa, afinal de contas é assim que se faz quando nos é oferecido acarajé no 0800. A gente se esbalda.

E já que eu estava lá, passei na expo do Lichtenstein. É legal o cara, né? Só que tem uma coisa que sempre me decepciona nas mostras de grandes pintores que são trazidas ao Brasil. É que eu fico esperando ver aqueles quadros mais famosos, ou mega pinturas de paredes inteiras, como as que são vistas no Louvre e no Metropolitan, e nunca é do jeito que eu havia imaginado. Pois então, essa exposição do Lichtenstein é muito mais sobre estudos do que sobre quadros... E daí chega uma hora que cansa, por mais genial que o artista seja, entende?

Depois da encher a pança pornograficamente, rumei ao Leblon para largar a Lui. Passamos por um prédio em ruínas na beira da praia que parecia abrigar uma festinha de modernos. A Lui comentou que recebeu convite pro tal do evento e a gente resolveu entrar só pra ver o que era - porém receosos do público estilo juventude dourada da zona sul que dominava o lugar.

O tal prédio em ruínas e com iluminação moderna abrigava a exposição de um Marcelo Rocha. O nome da expo era "Como filosofar com o martelo", título tirado de um livro de Nietzche, como eu descobri no Google (ah, o que é o Google para pessoas sem cultura, hein? Dá até pra enganar). Esse Marcelo aí tem dinheiro a dar com o pau. Só assim posso explicar aquele bando de obras penduradas na parede, mostrando telas perfuradas por arma de fogo e atropeladas, com marcas de pneus, sendo exibidas com pompa e circunstância em endereço nobre carioca. Aquilo é uma porcaria, muito ruim mesmo. Corremos os olhos pelos três andares do prédio (de quem será o prédio, meu deus? A locação não pode ser barata...) e chegamos ao terraço. Ai, graças ao padroeiro da boca livre, tinha ali na minha frente um open bar. Me passa então uma caipirinha de morango com absolut que assim eu fico mais calma.

Foi bom, mas não o suficiente pra aguentar por muito tempo o climinha de "estamos curtindo uma festa legal, de gente interessante, artistas, saca?" que dominava o público do prédio. Engolimos nossos drinks e saímos correndo antes que começasse a performance de Marcelo Rocha, que consistia em quebrar um monte de quadros sem valor. Sabe como é, performance é jogo baixo. Nem com um milhão de garrafas de Absolut de graça eu ficaria pra assistir. Eu ainda me amo.

Friday, March 31, 2006

Expectativas e decepções no diretório cultural do Poça D'água

Será que quanto mais um livro/filme é esperado, mais ele decepciona? Até pouco tempo eu achava que isso era bobagem, coisa de gente que não sabia saborear a contagem regressiva do lançamento de uma obra. Mas hoje em dia, talvez porque eu esteja - finalmente - me aproximando do termo "adulta" para classificar a minha pessoa, ando achando chato tudo aquilo que contava as horas para ver.

Naked Lunch, por exemplo. Que livro chato que é Naked Lunch! (e que chovam, agora, milhões de comentários em defesa do Burroughs). Eu tinha medo de admitir que estava de saco cheio do romance, e que empurrava goela abaixo todas aquelas imagens nojentas que o autor descreve por páginas e páginas sem fim. Mas aí, um belo dia, veio a libertação: um amigo me disse que parou de ler Almoço Nu na metade. "Eu também", concordei, quase emocionada, e me senti menos farsante por conseguir expressar meu descontentamento com um clássico da literatura maldita em voz alta.

Por outro lado, é muito triste saber que esse tal de Willian Burroughs é um chato. Quer dizer, a história dele é ótima, cheia de doses de heroína e brincadeiras de Guilherme Tell chapado, e todo o glamour de ter começado a escrever com mais de 40 depois de ter matado a mulher justamente quando fingia ser Tell. Sempre que eu pensava que tinha que me movimentar e escrever alguma coisa que realmente valesse à pena, fazia emergir a vozinha que sossegava o meu facho: "que nada, o Burroughs só foi escrever um livro quando já era coroa!" E agora, vendo que eu não gostei nem um pouco do livro, fico achando que a hora de escrever é agora mesmo, e que mulher que escreve tarde fica parecendo a Lia Lufth. Deus me livre.

E teve também Morangos Mofados. E filmes que eu queria muito gostar, mas que agora não me lembro mais quais são. Ai, ai, preciso com urgência sentir aquele tesão que só a arte dá. Ou eu vou acabar dormindo em frente ao computador do meu trabaho.

Thursday, March 30, 2006

O que vou fazer da minha vida?

Nas últimas semanas de ausência do blog, várias questões passaram pela minha cabeça. Tais como:
- Devo lutar pela minha vida profissional ou deixar as águas rolarem?
- Será que procuro um apt na Barra ou na Zona Sul?
- Por que os professores de ginástica falam com os alunos como sargentos na hora da abdominal?
- Algum dia eu vou me olhar no espelho e não me achar gorda? Aliás, existe alguma mulher que não se ache gorda?
Todas essas perguntas de tamanha importância vieram à minha cabeça para encobrir a maior de todas: o que é que eu vou fazer da minha vida?

Não importa o quanto eu esteja realizada pessoal e profissionalmente, ou se eu estou realaxadamente trabalhando e ganhando pouco, ou se tenho dedicado meus dias a algum hobby que não sirva para nada mas que me deixe contente ou sei lá o quê. A qualquer momento, em qualquer lugar, surge na mente a pergunta como um pop up de filosofias de vida superficiais: o que é que eu vou fazer da minha vida?

É que são muitas as opções. Geralmente, sou uma pessoa que sabe exatemente o que quer. Só me sinto confusa em relação a comida (o que vou pedir de lanche no Mc Donald's? Vou jantar em uma creperia, um restaurante japonês ou no Outback?) e ao resto da minha vida. Eu tenho muitas possibilidades e aquele medinho que não me abandona que é o temor de ter escolhido o caminho errado.

Ok, estamos em quase abril. Nestes quatro meses, já considerei (e ainda considero) trocar de empresa, trocar de cargo, conversar com o chefe sobre aumento, fazer o meu trabalho bem feitinho e esperar que ele fale por si só, frilar para aumentar o orçamento, frilar como estilo de vida, trocar de profissão e até (uma vez só, confesso) abrir um negócio próprio.

O Ninja não é nada assim. Ele sabe muito bem o que quer, para onde vai e como estará daqui a 5 anos. Deve ser ótimo viver dessa maneira.

Tuesday, March 21, 2006

Sobre gente que abriu mão

Eu nunca tinha conhecido nenhum suicida até ontem, quando soube que uma amiga havia se jogado do décimo andar de um prédio. Ao contrário do que a gente pode imaginar sobre pessoas que se matam, esta amiga não parecia deprimida ou desgostosa da vida, mas sim uma mãe coruja e esposa orgulhosa, inteligente e bonita. Pra mim, é difícil entender o que a levou a uma atitude tão drástica.

Daí eu fico pensando que deveria ter marcado aquele chope de que a gente sempre falava. De vez em quando eu passava pelo nome dela na lista do meu celular e pensava: tenho que ligar. Mas nunca liguei, e agora não ligo mais. Dá um puta arrependimento.

Depois eu fiquei o dia inteiro pensando nessa história, e até chorei um pouquinho, mais chocada do que triste (será?). Só que hoje já está tudo bem, a vida continua, e só de vez em quando eu me lembro dela. Tipo agora.

Thursday, March 16, 2006

Presente de Grego I: bichinhos de estimação


De: Bruna
Para: namorado Ninja

Ziggberg, o gato cabeçudo.
Cada ida ao veterinário: $45
Ração importada: $20
Aparador de unha: $17
Produtos de limpeza para o xixi no pufe de couro: $15
Oferecer o pufe de couro para a visita indesejada sentar: não tem preço...

Em nome do português aceitável

Tem me dado muita preguiça de escrever no blog. De repente nada disso faz o mínimo sentido mais, tudo não passa de uma grande besteira, e eu aqui perdendo um tempo precioso, escrevendo para uma média de dez leitores diários, todos conhecidos meus, salvo raras exceções.

Mas, por outro lado, existe essa necessidade de não deixar a peteca cair e desaprender a escrever, que é um risco que todo o mundo corre, o tempo todo. Tenho medo de daqui a pouco virar uma dessas pessoas que usam'a nível de', ou falam 'que eu seje' e 'estou meia chateada'. No jeu trabalho, adivinhem, é cheio de gente que fala assim. Inclusive pessoas que ganham muito mais que eu.

Ai, ai, que falta de paciência.

Wednesday, March 08, 2006

Deveres, Match Point, Dostoiévski e falta de criatividade

Demorou, mas a vida finalmente voltou ao normal: trabalho de dez horas/dia, insônia, imposto de renda, ipva, problemas com o banco, quatro ações no Juizado Especial.... Pode parecer que eu estou reclamando, mas não estou não. Eu gosto. Parece que quanto menos tempo eu tenho, mais coisas eu faço.

E ontem ainda consegui dar uma passadinha no cinema pra assistir Match Point. Fui sozinha, na última sessão de uma sala da Barra. Taí outra mania minha, a de ir sozinha ao cinema em salas quase que completamente vazias, no meio da semana. Saio sempre encucada com o filme, envolta em uma bolha imaginária que me separa de toda esse mundinho ordinário. Não ouço o trânsito, não sinto calor, não sou um ser humano. Inclusive, quando vou ao cinema sozinha, no meio da semana e em salas quase totalmente vazias, escolho sempre um lugar à frente do resto dos espectadores. Nâo quero saber que existem outros humanos naquela sala, porque fico distraída com os outros. Quando choro, fico com vergonha de alguém ver que estou chorando. Quando não choro, sempre dou uma espiadinha no rosto de quem está ao meu lado. Pessoas me distraem.

Mas, sobre o fime, o que eu achei foi o seguinte: não é Woody Allen, é outra coisa. Tá bom, é legal, mas não é Woody Allen. Quer dizer, não é pra mim, entende? Acho que o próprio Allen já está de saco cheio de ser como ele é, por isso fez um filme totalmente diferente do que costuma fazer.
Outra coisa: tudo aquilo que a gente vê ali é Crime e Castigo. Pra mim isso é bem óbvio, e foi por isso que eu gostei. Mas explicar o estrago que Crime e Castigo fez em mim é complicado, e eu deixo para outro dia. No momento, tenho que passar no banco, ou fazer a unha, ou alguma coisa do tipo. Escolha.

Wednesday, February 22, 2006

Programação intensa

Como já foi dito, não gosto de carnaval, mas adoro cinco dias de férias. Adoro porque, entre outras coisas, gosto de não ter que trabalhar durante cinco dias. Parece óbvio, mas não é: todo mundo quer um trabalho, mas ninguém quer ter que trabalhar, entende. E é por isso que se ouve por aí que bom mesmo deve ser ter um trabalho sem precisar de um: ganhar na loteria e ocupar seus dias com duas ou três horinhas de escritório. Resta saber qual tipo de emprego me manteria ocupada duas ou três horas, dois ou três dias por semana. Esta é a parte mais difícil.

Mas enquanto eu não ganho na mega sena, celebro os meus cinco dias de mini-férias com muitas programações. Intensas, de várias modalidades e promessas de diversão sem limites.
São tantas as minhas possibilidades que começo a ficar preocupada. É que desde segunda-feira eu ando combinando encontro/ chopes/ praia/ DJ Hell/ piscininha + caipirinha/ fofocas/ monguices com metade do Rio de Janeiro. E metade da metade do Rio de Janeiro é composta por amigos que eu não vejo há muito tempo e que prometi encontrar sem falta durante o carnaval.

São muitos amigos para encontrar e apenas cinco dias. Oh, céus.

Monday, February 20, 2006

Stones no Rio - Eu fui!

Até os primeiros acordes dos Stones, o que me passava pela cabeça era: "Será que eu fico aqui? Será que eu vou pra casa? Neste momento o metrô deve estar vazio... Será que eu aproveito essa deixa?"
Todas estas questões existenciais se dissiparam nas primeiras notas de Jumpin' Jack Flash. Gente, o que eu posso fazer? Sou fã de Rolling Stones, não sou VIP e sei que outra oportunidade de ver os caras ao vivo iria ser muito difícil, dado que eu moro no Brasil e eles já têm mais de 60. Eu tinha que aproveitar de algum jeito.

Destaco os seguintes momentos:
* "Out off my cloud", música da década de 60 que quase ninguém conhecia mas que me fez ir ao delírio.
* A cover do Ray Charles, bluesíssima, linda, linda.
* "You can't always get what you want" no bizz, inacreditável, maravilhosa e tocada, graças a deus, ANTES de Satisfaction (quando a guitarrinha do hit começou, eu já estava pegando o meu rumo pra casa).
* VIPs levando coró do povão.
* Senhoras de 60 anos na minha frente dançando animadíssimas.
* Adolescentes que se pegaram, trocaram dois beijos sem mão no peito ou na bunda (eu observei) e depois se despediram.
* Medo de pegar o metrô na volta pra casa e caminhada até o Túnel Velho de Botafogo, onde fui resgatada pelo meu namorado-herói - que, por sinal, não me acompanhou ao show. "Ele é que tem juízo", declarou o meu pai.
* Medo dos hippies sujos que lotaram Copacabana, em rodinhas de violão, levando um Raul Seixas.
* Só turistas, por todos os lados, dando a impressão de que os cariocas tinham viajado pra Búzios. Me senti como aqueles turistas que vão a NY no reveillon e ficam morrendo de frio no Times Square, vendo a tal da maçã descendo em um frio de alguns graus negativos, enquanto que os newyorkers se animam em outros cantos da cidade.
*Quem foi que inventou a história da blusa "Stones no Rio - eu fui!"? Tipo assim, é isso mesmo?
* O povo só conhecia Satisfaction, Start me up, Sympathy for the Devil - e mesmo assim, a animação na areia foi contagiante.

E a raivinha de quem tinha blusa de VIP? Eu sou um ser rastejante, o pior de todos os seres, e dei um discreto sorriso quando vi uma perua de salto agulha levando um tropeção na calçada irregular da Princesinha da Praia. Foi minha vingança de plebe.

Friday, February 17, 2006

Coisas em que já acreditei

- Jornalismo hard news é um trabalho legal.
- Casamento é uma instituição fadada ao fracasso.
- Megashows são imperdíveis quando a banda é boa.
- Perfiro um trabalho que pague mais ou menos e mê dê prazer que um trabalho que pague muito bem e não me realize profissionalmente (hahahahaha!)
- Música sem vocal é chata.
- Guns 'n Roses é a melhor banda de todos os tempos.
- Deposi que eu me formar vou sair da casa dos meus pais.
- Não tem problema nenhum em uma mulher chamar um homem para sair. Se o homem achar que essa mulher é muito avançadinha para ele, azar o dele.
- Moda é um assunto interessante.
- Todos têm obrigação de sair no sábado à noite.
- Eu e mais uns cinco sabemos o que realmente significa a vida. O resto da humanidade, coitados, apenas vive seu cotidiano mediano no piloto automático.
- Quando morrer vou pro céu.
- Se eu fizer o bem para os outros, a minha vida vai ter bondade também.
- Livros, filmes e artes plásticas escondem a resposta do sentido da vida.

Thursday, February 16, 2006

Preciso de uma página

Dia desses me colocaram em contato com aquele formulário de pedido de visto para os EUA. Um formulário é, por si só, um objeto estúpido. Mas talvez aquele seja o rei de todos os formulários estúpidos que já foram inventados.

Dentre as várias perguntas burocráticas que o burocrata americano tem mesmo que perguntar - tipo nome, idade, telefone, data de nascimento, tribo, etc - o cara quer saber se eu, por acaso, assim como quem não quer nada, sei manejar granadas ou explosivos plásticos ou qualquer tipo de arma. Ele me apresenta dois quadradinhos, um escrito SIM e outro escrito NÃO, e depois acrescenta: "caso a resposta seja SIM, por favor explique".

Tudo bem, eu esperaria tudo isso de um americano. Principalmente de um americano paranóico pós 11 de setembro. Mas o pior é que o espaço destinado à explicação é de uma linha!

Se eu soubesse manejar granadas, armas de fogo e explosivos plásticos, eu ia querer pelo menos uma página inteira como espaço para explicação. Poxa, deve ter uma história muito espetacular pra alguém saber usar tudo isso, deve haver um motivo, um local e uma aventura. Mas a gente só pode escrever duas ou três palavras, e mesmo assim saindo do espaço do quadrinho, se quiser justificar tantos conhecimentos de guerra.

Deve ser porque os americanos são muito cartesianos e resumem uma vida em duas frases. Eles são assim, não são?

Wednesday, February 15, 2006

Nózinho na garganta

Se tem uma coisa que me deixa sentimental são emails antigos que eu esqueci que tinha guardado.
Entre mensagens de amigos, textos e provas de livros de outros, encontrei uma poesia de um cara que não me conhece, mas leu o meu blog e viu meu defunto fotolog. Olha só:

Bruna, vi tuas fotos e quis te dizer isso:
Bruna, bruníssima
sua cara é tão franca
cheinha
de uma beleza meio assim
rensacença, renascente
resplandescente
e quando ilumina
e aperta os olhos
pra sorrir
deixa perceber
nalgum canto
qualquer coisa de santa
e sacana ma non troppo
que é "capaz de certas coisas que não quis fazer"
e que esse mundo é mesmo
muito injusto
mas que não é sempre
necessáriamente
disgusting
e que as vezes
quando quer
ou está distraido(a)
poder ser muito muito muito lindo(a).

Oooow. Não é fofo?

Stones: um programa Funai

Tudo bem, concordo que o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana tem todas as características de programa de índio. Mas eu simplesmente não consigo me convencer de que ficar em casa e assistir pela televisão será melhor do que ver os caras ao vivo. A quilômetros de distância, é verdade - mas ainda assim, ao vivo.

Na primeira vez em que os Stones tocaram no Brasil, eu fui assistir no Maracanã. Era uma pirralha de 18 aninhos (ou menos, não lembro bem...), e achava aquilo tudo inacreditável demais. Eu não havia visto nenhum dos megashows que mudaram vidas até o momento - Paul MacCartney, Rock in Rio I, etc... - então aquilo era o supra sumo pra mim.

Na segunda apresentação da banda no país, deixei de ir ao evento porque achava que ver os Stones uma vez já bastava. Mas que nada: a verdade era que eu não tinha amigos que me acompanhassem ao show, fora aqueles que iriam com um ex que recentemente havia me dado um belo de um pé na bunda, e com quem eu não queria nenhum contato. E então, adeus Rolling Stones na Apoteose.

E agora eles inventam essa história de show de graça em Copacabana. Como um ser humano elitista e pré-balzaquiano, eu pagaria a fortuna que fosse para ver os vovôs com (um poquinho mais de) conforto, visão parcialmente garantida, som teoricamente louvável e companhia provavelmente muito melhor. Essa história de RS na praia virou a boa do fim de semana, o que não me deixa dúvidas de que a galera vai pra lá só porque não tem mais o que fazer mesmo.

Mas como eu sei que, mesmo com todos os contras, eu vou me enfiar no meio da multidão no dia do show, minha carteirinha da Funai já está separada, junto com os bilhetes especiais de metrô. Só vou rezar pra que não chova.

Tuesday, February 14, 2006

A Bagunceira está indo embora

Ok, alguém me ensina como é que se faz quando aquela sua amiga que você liga TODOS os dias simplesmente vai mudar de estado. Como é que se faz? A gente passa a pagar DDD e gastar fortunas, ou vai uma vez por mês pra São Paulo para conhecer o novo apê da ex-companheira de todas as horas, ou arranja novas amigas pra ligar todos os dias, mesmo sabendo que definitivamente não será a mesma coisa? E como é que se faz quando a gente precisa desesperadamente conversar com a dita cuja da tal amiga que agora vai morar em São Paulo, sob o risco de ir parar no Philip Pinel ou terminar o namoro caso não se consiga um minuto de conversa apaziguadora? Ou então quem é que vai tirar uma foto minha comendo Biscoito Globo doce e fazer com que isso pareça, ao mesmo tempo, carioquíssimo e cool?

Até o presente momento eu não tinha me dado conta de que dona Mess está de malas prontas. No tinha caído a ficha até que eu descobri a foto do biscoito e lembrei desse dia, quando nós fomos à praia no meio da semana e ela queria participar de um concurso da Lomo, e até que ela foi selecionada, mas não com essa foto aí. E então eu percebi que esses dias de praia, que atualmente são bastante comuns nas nossas vidas, vão ficar resumidos a feriados e meses de férias ou recessos de trabalho.

Será que todo mundo é que nem eu, que só me toco de que o doce está acabando quando começo a raspar o fundo do tacho?

Vai nessa que daqui a pouco eu vou encontrar com você lá. E São Paulo vai ficar bem pequeno com nós duas juntas na terra da garoa.

Monday, February 13, 2006

Prazeres terceiro-mundistas

Em fevereiro, brinco o jogo do contente repetindo mentalmente o mantra: “Poderia ser pior; eu poderia estar em Salvador”. Mas se eu tivesse nascido na Bahia, provavelmente teria arrumado uma maneira de fugir de mais uma unanimidade brasileira: o carnaval.

Odeio. E não é que eu seja doente do pé, porque de um bom samba eu gosto muito. Até na quadra da Mangueira eu já fui, arrastada por um amigo que me convenceu de que o Palácio do Samba era imperdível, e o que era para ser uma noite antropológica acabou se transformando em muita diversão. Mas o meu amigo, que me conhece de outros carnavais (com o perdão do trocadilho), me levou pra sambar em novembro, quando a quadra ainda não está lotada e a temperatura não se encontra absurdamente alta.

Tem gente que acha que desse jeito não tem graça. Que carnaval tem que ser um monte de cerveja quente, e homens suados sem camisa, e sprays de espuma fedorenta. Pois é disso que eu não tenho paciência, e parece que é exatamente neste, digamos assim, exotismo, que os gringos se amarram.

Pra começar, gringo que é gringo gosta da Lapa. Claro que sim. Tem coisa mais terceiro-mundista que um bairro sujo, pobre, fedorenta, com barraquinhas de comidas esquisitas e cervejas gelada e barata? No carnaval, dá no mesmo. Uma porção de nativos dançando freneticamente em microvestimentas. Todos muito felizes, saltitantes.

Eu explico por que vim falar mal de carnaval, assim, do nada. É que durante este sábado fiquei ilhada no apartamento do meu namorado, por conta de um bloco fora de época que passava na porta do prédio dele.

Ainda bem que lá dentro tinha ar condicionado e muito Hershey’s de Io Io Cream. Taí o tipo de divertimento que eu gosto.

Thursday, February 09, 2006

Efeitos Básicos

1 - A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
Na primeira vez que li, quis ser Sabina. Na segunda leitura, descobri que era Franz. Na terceira, concluí que Tereza é que é mulher de verdade. Mas ainda não sei o que vou achar de Thomaz na quarta.

2 - O Estrangeiro - Albert Camus
Porque todo mundo é julgado o tempo inteiro por qualquer de seus atos; porque todo mundo é júri do comportamento alheio; porque ninguém se sente tão à parte do resto do planeta; porque nenhum de nós se encaixa perfeitamente; porque às vezes a morte é só apertar um gatilho; porque 'não sei do que gosto, mas tenho certeza do que não gosto'.

3 - Crime e Castigo - Dostoiévski
Depois de ler me achei, assim, tão pequena e minúscula e tão ridícula ao me preocupar com microcosmos de acontecimentos que, dessa forma, abri meus horizontes.

4 - O Apanhador no Campo de Centeio - Sallinger
Não sei bem por quê, não sei bem o que, não sei bem quando nem como, mas esse livro me dá uma vontade louca de fumar um cigarro.

5 - 1984 - George Orwell
Estamos cada vez mais próximos.

6 - Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio - Henry Miller
Tive vontade de virar homem e fazer sexo sem camisinha.

7 - Tantos poemas do Fernando Pessoa
Descobri as piores feridas da minha alma e coloquei o dedo em todas elas.

8 - Um copo de cólera - Raduan Nassar
Bebi em largos goles babando de raiva em uma tarde de sábado.

9 - Pergunte ao Pó - John Fante
Aí está um livro que eu gosteria de ter escrito. Ou melhor: aí está O livro que eu gostaria de ter escrito.

10 - On the road - Jack Kerouac
Li aos 14 anos porque era o livro preferido do Jim Morrison e de repente descobri que existe vida fora do eixo escola - faculdade - emprego - casamento - dois filhos. E a descoberta deu um certo alívio, mesmo sabendo que provavelmente vou seguir o mesmo caminho dos meus pais.

Wednesday, February 08, 2006

Repetitivamente ex-fumante

Tem dias que são assim mesmo, que a gente acorda achando que não faz parte de nenhum círculo social, ou então que a gente simplesmente não tem saco de encarar o círculo social o qual somos obrigados a integrar, entende? Hoje eu vim pra cá meio cansada de uma noite mal dormida e incomodada, com um pouquinho de vontade de chorar (mas isso é normal, essa vontade de chorar, até quando eu estou vendo comercial de pizza me vem um sentimento, assim, de sopetão, e eu já cheguei à conclusão de que toda vez que eu sinto de verdade, seja bom ou seja ruim, as lágrimas me vêm aos olhos), mas incrivelmente impaciente para small talk e fofoquinhas e universos pequenos, que é onde, infelizmente, passo meus dias enfurnada, de 9h às 17h.

Outras vezes eu penso 'e daí?', e realmente não ligo a mínima para as pautas desinteressantes do resto da humanidade. Caramba, eu penso, isso deve ser falta de trabalho. Falta de encostar a barriga no tanque e lavar uma trouxa enorme de roupa e ariar uma panela sem teflon. Tudo bem, eu nunca fiz nada disso, graças a deus papai trabalhou bastante e proviu minha vida com uma infinidade de panelas teflon que eu nunca precisei ariar, mas eu garanto que ocupo a minha mente com problemas mais importantes que os do vizinho - ou seja, os meus próprios. E quando eu estou muito assim sem jeito com o resto do mundo é porque não tenho mesmo o que fazer, é porque estou de bobeira no trabalho esperando que uma nova torrente de obrigações caia em cima de mim. São bem vindas, eu juro! Se tem uma coisa que eu adoro é trabalhar que nem louca, dez, onze horas por dia, vendo as coisas se realizando, se construindo, erguendo-se tijolo por tijolo na minha frente.

Caramba. Como eu queria um cigarro agora.

Monday, February 06, 2006

Cuidado com o que você procura na rede

Ando acompanhando a polêmica acerca da censura chinesa ao Google, e a história vinha me parecendo muito óbvia, visto que todas as grandes empresas ponto com querem saber mesmo é de mais milhões em suas contas e não estão nem aí para a informação das massas. Mas aí hoje eu bolei. Bolei quando li que o Google e demais ferramentas de busca que a gente conhece armazenam os dados de pesquisa de todos os seus usuários, e podem passar essa informação pra justiça de qualquer país, se forem obrigados (ou se for de seus interesses).

Medo. Isso significa que absolutamente nada do que eu, você e a galera mundial fazemos na rede de computadores passa despercebido, e que se houver a necessidade todos nós teremos a vida exposta e arruinada pelas grandes corporações, por possíveis ditaduras e por gente má e poderosa.

Não tenho paciência para teorias da conspiração e provavelmente vou continuar pesquisando na internet e mandando emails idiotas para os meus amigos usando a conta do trabalho. Mas não posso deixar de lembrar daquele filminho meia bomba, protagonizado pela atrizinha meia bomba Sandra Bullock, que é o The Net. A Sandra Bullock era perseguida por uns terroristas-hackers e eles faziam de gato e sapato das fichas delas na polícia e no crediário; ela com o nome sujo na praça e polícia querendo prendê-la, coitadinha.

Descobrir que isso é possível dá uma certa preocupação, mas o que que a gente pode fazer? Parar de usar o Google, o Yahoo e o MSN?
Se pelo menos o Cadê funcionasse melhor... Ai, ai...

Thursday, February 02, 2006

Momentos de ócio na rede

Com a produção em baixa e uma internet banda larga na minha frente, sou capaz de passar horas e horas só navegando na rede. Começo com uma olhada nos meus quatro emails, passo para O Globo on line, depois blogs de amigos, blogs de desconhecidos e então não tenho mais nada o que fazer. Nadinha. Obviamente eu poderia procurar por infinidades de sites interessantes, mas como sempre escolho a pior alternativa, fui cair na página da Saraiva.

E daí comprei um livro, um mega livro, que está me fazendo perder o sono enquanto não chega na minha casa. Naked Lunch, do William Burroughs, que de todos os beatniks era o mais atormentado, que matou a mulher brincando de Guilherme Tell, que já trabalhou de caçador de ratos e detetive, ai, que inveja, e ele só chega lá em casa daqui a quatro dias úteis, quatro dias que significam semana que vem, segunda ou terça se o correio não entrar em greve e se eu não conseguir esperar calmamente sem antes comprar outro exemplar na livraria do mundo real Matrix mais próxima.

Da mesma forma que fiquei com medo do que aconteceria depois que lesse Crime e Castigo e Pergunte ao Pó, estou com medo do que vai me acontecer depois de Almoço Nu.
Juro que se meu presentinho for bom, eu queimo um livro ruim em homenagem a Burroughs. Vai ser como o sacrifício de uma virgem.

Wednesday, February 01, 2006

A vida sem nicotina é tosca

O ministério da Saúde adverte: nunca dê o primeiro trago. Pode parecer exagerado, mas nesse momento é exatamente desta maneira que eu me sinto. Se eu nunca tivesse começado, os meus dentes seriam mais claros, o meu pulmão seria mais limpo e o meu humor seria muito melhor do que está agora. Privar o corpo acostumado há dez anos com constantes baforadas é sentenciar a mente à TPM fora de época.

De vez em quando eu me pergunto por que mesmo eu parei de fumar, e daí lembro que tinha alguma coisa a ver com o fim da era dos vinte anos e com doenças respiratórias iminentes e pele, cabelo e voz de mulhereres que fumam há décadas. Só que quando a vontade bate, todas essas razões me parecem ridículas diante do prazer de dar um traguinho - ainda mais agora que estão descobrindo que as células-tronco podem ser usadas na cura de doenças pulmonares. Adeeeeus, câncer de pulmão!

Se você começa a pensar em todos os avanços da medicina e em tudo o que os cientistas caminham para descobrir, a última coisa que você se preocupa é em cuidar de si mesmo. Mas eu não quero pensar sobre isso, não quero pensar sobre cigarro, e quando alguém pára do meu lado com um bastãozinho de nicotina aceso, eu inspiro longamente, aproveitando o cheirinho de fumaça.

A vida é tosca com ou sem nicotina, eu presumo.