Tuesday, May 30, 2006

Lá vem a noiva, toda de branco


Igrejinha Kill Bill na serra de Miguel Pereira: para o dia em que eu quiser me casar sem convidar ninguém (ou seja, nunca).

Deve ser coisa da idade essa minha vontade de vestir véu, grinalda e vestido branco longuíssimo. Durante toda a minha adolescência repudiei o traje quero-ser-Cinderela das noivas, e jurava de pé junto que por nada desse mundo iria me colocar diante de um altar, conduzida pelo meu pai até o meu marido. Sentiu o simbolismo da coisa? Um chefe entregando a minha pessoa a outro chefe; o que zela por mim entregando nas mãos outro que me zelará pelo resto dos meus dias.

Só que agora está se dando o que uns chamam de instinto feminino, e eu chamo de resultado de uma vida inteira de mensagem subliminar dos filmes da Disney. Eu quero casar de branco, em frenta a um altar, à tarde, em um gramado verde, ao pôr do sol. Sem padre. Sem igreja. E, principalmente, sem missa.

Não é medo de ficar pra titia. Eu sei muito bem que desse mal não sofro, essa falta de possibilidades sentimentais. A minha questão é ser Amélia 2000: adoro cozinhar pro namorado comidas intragáveis de tanto alho, dou longos passeios pelo Rio Design observando móveis muito além do meu orçamento e sonho com um apezinho simpático no Bairro Peixoto. Ou seja: tudo muito bucólico e romântico.

Se houvesse uma máquina do tempo e a Bruna adolescente viesse encontrar a Bruna adulta, tenho certeza de que a minha versão teen ficaria decepcionada. Naquele tempo, minhas idéias sobre uma vida a dois eram beeeem diferentes. Mas, por outro lado, quem é que consegue ser fiel aos seus idealismos adolescentes? Se existem, são pessoas com quem eu não teria paciência de conversar. Mais um tipo pra lista.

Thursday, May 25, 2006

O Código Da Vinci

Sinceramente, não entendi por que os críticos soltaram uma gargalhada debochada depois da exibição em Cannes de Código Da Vinci. O que exatamente eles esperavam do filme? Será que ninguém ali leu o livro? Porque quem leu sabe muito bem que o filme não iria passar de mais um blockbuster hollywoodiano do naipe de tantos outros que já vimos por aí. Cinema e pipoca: isso é Código Da Vinci.

Fui ontem a uma sessão lotada do Unibanco Artplex. Ainda me pergunto por que é que não esperei mais uma mísera semaninha para que a bola do filme baixasse e as filas diminuíssem. Cheguei ao local e ali estava uma fila que saía pela porta e se estendia Praia de Botafogo afora - e essa era a fila para entrar no cinema, e não para comprar o ingresso! Eu e Ninja assistimos no limite da torcicolo.

Como eu já havia lido o romance, o filme foi entediante. Eu já sabia o final, e todo o suspense em torno de quem seria o Mestre para mim não tinha sentido. Mas gostei de ver as inúmeras cenas internas no Louvre, mais um lugar da lista dos que eu tenho que ver antes de ter um filho. Aliás, ultimamente minha grande diversão no cinema tem sido admirar as locações dos filmes - como em Missão Impossível III, que foi rodado no Vaticano. Meu deus, como tenho visto besteira nos últimos tempos...

Voltando ao Da Vinci, o resto do público não parecia acompanhar o meu tédio. Ninja, que esperatemente não pegou o Código pra ler, acompanhava todas as viradas surpresas da trama. E nem se importou quando eu cochilei no ombro dele. Taí uma boa razão para ver esse filme acompanhada.

Wednesday, May 24, 2006

A única celebridade com quem tiraria uma foto

O dia-a-dia do meu trabalho é encontrar gente famosa. Eu nunca fui muito de cutucar as amigas quando via um global no shopping e, depois que assumi meu atual posto, o gosto pelas celebridades murchou mais ainda. É que atores, salvo exceções interessantíssimas, têm umbigos do tamanho de um quarteirão, e eu sinceramente não tenho paciência para lidar com umbigos tão grandes. Portanto, encontrar com gente famosa é tão excitante para mim quanto ler o Caderno Ela.

Acontece que, ok, já tirei umas fotos por aí com personagens públicos. Tipo o Felipe Dylon. Foi mais por piada que por qualquer outra coisa, e eu publiquei no meu falecido fotolog a minha imagem ao lado do cantor sob a legenda: musa do verão. Para os atentos, estaria claro o teor da piada: eu não sou musa, muito menos do verão, e o único motivo de eu ter sido fotografada ao lado do teen mais queridinho do Brasil é a bizarrice do fato de eu estar na mesma sala que ele.

Depois disso, foram incontáveis as vezes que me encontrei com aquela galera que compõe a classe artística. E a cada contato com a tal da classe, mais claro fica de que só existe uma pessoa no mundo com quem eu gostaria de ser fotografada: Keith Richards.

Acho que é óbvio por que eu pediria a ele um clique qualquer. Mas se alguém precisa de justificativas, vamos lá:
1 - Ele parece o Moon-ha e está sempre com um cigarro no canto da boca.
2 - Ele é o Keith Richards.

E agora, toda hora vejo na internet notícias de que Richards tá ruinzinho. Também, pudera: nunca vi alguém pisar tanto na jaca por tantos anos consecutivos. Fico tranquila de saber que, se ele daqui a pouco cansar desse mundo, vai se mandar com incontáveis rugas de incontáveis festas. E então será o fim oficial das minhas fotos com celebridades.

Wednesday, May 17, 2006

Monstro do Lago Ness

Eu sou o monstro do lago Ness. Ele existe, e sou eu. Detentora de todos os sentimentos baixos e sujos e absurdos, eu sou o monstro que à noite aterroriza pobres e inocentes pescadores da pequena aldeia ali ao lado.

À primeira vista, pareço inofensiva: uma minhoquinha nadando pela água escura, nada mais que uma cobra d'água de quinta categoria. Mas me dê um tempo e a sua confiança que aí sim mostro a minha verdadeira face.

Não me orgulho do que faço, e por isso me escondo nas pronfudezas da água de Ness, para que ninguém me veja e me deixem em paz. Porém mesmo que eu fique quieto e esquecido, não pararia de praticar monstruosidaes. Faz parte da minha natureza de monstro... E não se pode lutar com a natureza.

Tuesday, May 16, 2006

Cruise descontrol

De repente, não mais que de repente, eis que me vejo demitindo a analista, começando uma dieta à base de shakes sabor baunilha e mandando currículos para remotas assessorias de imprensa. Decidi, não sei bem por quê, que estava na hora de mudar de vida. Até agora não perdi nenhuma vírgula de quilograma, e os cheques da terapia (intensiva) ainda batem na minha conta quase que completamente vermelha, mas eu já me sinto melhor por estar movimentando alguma parte da roda das horas.

Sempre senti um asco pelo estilo de vida 'cruise control': aquele que controla o limite de velocidade e direção para onde os acontecimentos estão te levando. De repente, não mais que de repente, me descobri absurdamente entediada, à espera de que o instante seguinte surgisse. Sou viciana no frio na barriga. Naquele nervozinho de se deparar com uma situação completamente nova. Quando fico muito tempo sem a tal sensação, o state of emergency que eu adorava cantar a plenos pulmões björkianos, me ataca o bicho carpinteiro e eu quero mudanças. Agora.

Tenho inveja das pessoas que desde sempre souberam os seus objetivos. Os meus mudam a cada quinze minutos.

Monday, May 15, 2006

O texto da menina mimada

Talvez você nunca entenda uma situação muito simples: que eu sou tão absolutamente sua que às vezes me comporto como uma marionete feliz e saltitante, governada pelas suas vontades. É verdade que isso você nunca pediu e nem nunca quis, e que mulheres-marionete estão fora da sua wishlist, mas eu não imaginava que fosse ser assim. Que mesmo quando tenho tudo o que sempre busquei nas mãos, eu me sentiria ainda tão incompleta. E, pior, cheia de questionamentos adolescentes e realidades irrealizáveis.

Ao longo dos anos me acostumei com a ausência, mas de vez em quando o medo volta. Eu me sinto sozinha e absolutamente incompreendida - afinal, é notório o quanto reclamo de barriga cheia. Eu sou feliz mas sou triste, entendeu? Tipo Vinícius de Moraes. Por isso a única coisa que pode me satisfazer neste exato segundo é que você coloque uma foto minha bem grande no meio da sua sala de jantar, e tome café e almoce e ceie e tudo o mais olhando para os meus olhos. Caso você não queira, pode esquecer: você não me ama, nunca me amou e não faz idéia do que seja ser uma marionete feliz, saltitante e, ao mesmo tempo, triste.

Agora, se você colocar a minha foto, vou precisar também de telefonemas carinhosos em quartos de hotéis cinco estrelas com camas kingsize vazias, ou de uma noite fria comendo fondue, ou de presentinhos fora de época e surpresas fofas e calóricas em caixas em formato de coração. E mesmo assim, pode ter certeza, eu continuarei triste.
A opção sempre foi sua, em qual dos caminhos seguir.

Thursday, May 04, 2006

Falta Fé

Sou uma pessoa sem fé. Alguém que há muitos anos declarou ser atéia, e desde então não consegue se apegar a nenhum tipo de crença. Sou um ser humano que não consegue acreditar em Deus e nem em Destino com D maiúsculo, ou Céu x Inferno. Faço minhas as palavras do Quintana: "O mistério está aqui".

Durante anos eu tinha a certeza de ter encontrado no ateísmo a maior verdade do mundo. Mas agora - que ironia - invejo todos aqueles que acreditam em uma força suprema. Descobri que sem uma crença em algo é muito difícil aturar o mundo e a vida como eles são, cheios de surpresas deliciosas e desagradáveis, prontos para provarem o inesperado.

Mas agora que vejo que não posso viver sem um sentido maior nisso tudo, cadê que eu consigo me interessar por alguma religião? Não consigo. Olho para tudo com certo desdém e com um cinismo que não consigo me livrar. Eu tento ver o lado bom de cada tipo de fé, mas acabo me deparando com dogmas absurdos que não consigo entender. E aí, volto para o lado dos que não acreditam em nada.

O problema é que toda essa secura tem me atingido no peito. Falta fé no trabalho, com os amigos, com a família. Falta fé em mim. Demoro a acreditar que alguma coisa vai melhorar, porque para mim não existe mudança em uma pessoa. E daí eu vejo o quão triste é uma existência sem uma crença. As pessoas são capazes de mudar, desde que por algo muito maior e mais belo do que as coisas que existem neste mundo.
Pena que eu não sei se esse algo existe.

Wednesday, May 03, 2006

Avalon


Para as vezes em que só o pôr do sol piegamente colorido resolve.

Olha só, basta um fim de semana fora do circuito mega conhecido e pronto: estou novamente com o humor na ponta da língua, ávida por assuntos e pessoas e lugares e animais novos e preparada para mais uma rodada daqueles que já viraram o cúmulo da repetição. Alguém entende que tem vezes que eu não agüento mais a mínima menção à passar outro fim de semana no Rio? nem a promessa de um passeio a dois na Lagoa, bebendo Cuba Libre e comendo salmão cru me convence do contrário. Nessas horas eu quero - eu preciso - de um tempo em Avalon, meu sítio brumático no interior do Rio.

Que seja Avalon ou a casa de alguém que tenha um lago e muitos patos e verde morro abaixo. Eu não me importo. O fato é que existem sábados e domingos em que preciso sair da imensidão de azul e concreto em que se transformou a minha cidade, sempre precisando de mais uma dose para que a noite não tenha fim.

Mas quando vou para Avalon o misticismo é outro, sabe? Lá a gente acende a lareira mesmo quando ainda não é frio o suficiente para todo esse fogo. E a gente faz pizza em forno a lenha, e toma um porre de vinho rosé, e tem certeza de que todos os amores são eternos.

Eu adoro Avalon, e este já deve ser o terceiro ou quarto texto sobre ele. Se a humanidade se comportar direitinho, um dia eu levo lá.

Thursday, April 27, 2006

Quem entrou no meu Orkut

Engraçada essa história de agora aparecer o nome de quem andou bisbilhotando a sua página do Orkut. Uns dias depois da mudança de configuração me deparo com a listinha de visitantes. Todos ok, amigos e tal, até que - tchanan - surge um nome estranho. Quer dizer, estranho no sentido de não fazer parte do meu círculo social internético, mas conhecido por se tratar da ex-namorada do meu namorado. Peraí, o que a ex-namorada do Ninja anda fazendo por aqui? Ninja e eu rimos da curiosidade da outra e a história se deu por encerrada (se bem que não jogo a primeira pedra, já que eu mesma me envenenei com a falta de privacidade da rede).

Na era pré-ninjal, quando eu tinha um namoradinho tralálá, cismava de passar, de cinco em cinco minutos, no scrapbook do rapaz. Resultado: chegou o dia em que vi uma mensagem sensual de uma amiga vitaminada (era assim que ela se descrevia). Fiquei brabíssima, briguei com o namoradinho tralálá e decidi me matar no Orkut. Foram meses sem participar de comunidades péla sacas e de trocar mensagens sem sentido. Não senti falta.

Depois voltei. Voltei porque o próprio Ninja queria que eu voltasse, convidando para uma comunidade chamada "Eu sou foda", e como na época essa era uma piada interna nossa, aceitei a oferta. O fato é que eu acabei nunca fazendo parte do grupo de pessoas foda, mas ao mesmo tempo passei a usar o meu Orkut como agenda de endereços on line. Deu certo, mas volta e meia vejo que aquilo ali já deu o que tinha que dar, que perdeu a graça pra quem já conhece de cor e salteado tudo o que vai acontecer na tal 'rede de relacionamentos'. Pode ser um papo blasé, mas é que eu sou megablasé de vez em quando mesmo. Fazer o quê.

paralelamente, fui apresentado a um documentário bacaninha do diretor David Chapelle. Chama-se Rize, e fala de movimentos de streetdance que dominaram LA. Obviamente, o filme não foi lanlçado no Brasil, mas pra quem gosta de cinema e música e dança, vale baixar na internet. Afinal, essa rede serve pra isso, né. Mais do que para ficar procurando recadinho em páginas de adolescente.

Tuesday, April 25, 2006

Uma boa frase

Da Gabi, sobre a noite no Rio:

"Os anos passam e ninguém morre."

Meus aplausos.

Monday, April 24, 2006

A busca da perfeição

Sempre que eu penso em perfeccionismo, lembro de seleção de empresas feita pelo RH. É porque esta se tornou uma resposta clássica para a pergunta: "Qual é o seu maior defeito?" Responder que a busca da perfeição é o maior problema que você tem na vida pode ser interpretado, por alguns aspirantes desesperados a cargos e salários fixos, como um defeito positivo, por mais paradoxo que isso pareça. Só que, para as pessoas verdadeiramente perfeccionistas, essa característica não tem nada de valioso. Ao contrário, é um puta de um sufoco.

Eu sou uma pessoa perfeccionista. Nada do que eu faço está à altura de como eu gostaria que estivesse feito. A busca da perfeição é uma busca perdida, visto que perfeição não existe. Os perfeccionistas estão fadados ao fracasso.

Não é só no trabalho que essa história de desapontamento acontece. Nas minhas relações pessoais eu estou sempre pensando que deveria ter agido diferente. Cansa demais ser perfeita e, com isso, os acessos de mau humor são ainda mais freqüentes, já que todas as minhas ações são altamente criticadas.... por mim mesma. Ser perfeccionista é nunca estar plenamente satisfeito com nada.

Nas minhas andanças por aí, venho combatendo milhões de defeitos, mas nunca pensei em combater o perfeccionismo. Não houve momento algum que eu tenha pensado 'fiz tudo o que podia fazer'. Há sempre um porém, um 'e se', que fica me atormentando na parte de dentro dos ouvidos.

Os aspirantes a cargos deveriam saber que, na hora de listar um defeito, é melhor confessar que fala muito, ou que tem mau humor de manhã, do que mencionar a procura pelo totalmente correto. A não ser, é claro, que eles sejam tão chatos e enfadonhos quanto eu, nesse aspecto. Coitadinhos.

Tuesday, April 04, 2006

Heading to Floripa no madrugadão da Gol

Três horas da manhã todo mundo sabe onde me encontrar: de malas prontas e olheiras mais profundas do que nunca no saguão do aeroporto internacional Tom Jobim. Estou tão satisfeita em deixar o Rio de Janeiro por uns diazinhos que até cortei os cabelos, fiz as unhas e comprei um corretivo para esconder a mancha preta embaixo dos olhos. Aliás, o investimento na cosmética foi tanto que cheguei ao trabalho como se tivesse acabado de sair do quadro Transformação da Xuxa: de escova, maquiagem e esmalte rosa. Ui ui ui.
(Obviamente, virei atração na minha sala durante uns cinco minutos. Depois esqueceram de mim)

É que eu amo o Rio, tudo bem, mas há tanto tempo não faço uma viagenzinha assim legal, pra praias diferentes e gente que eu nunca vi na vida... A última foi em outubro de 2002, quando eu e Bagunceira fomos tocar o terror em Jericoacoara. A primeira e única viagem de férias remuneradas da minha vida! Logo depois entrei para a vida de frila e, portanto, das férias por sua conta e risco.

E agora, em outro esquema, piso em Floripa pela terceira vez com clima de primeira. Explico: na minha estréia na capital catarinense fazia um frio de dar dó, em pleno julho, e ainda por cima foi uma viagem a trabalho. Na segunda passagem pela ilha fui de Ninja a tiracolo, que é avesso a praias. E agora vou com o Ninja de novo, mas com a esperança de que, dessa vez, eu dê um passeiozinho ali pela Joaquina... Ou praia Mole... Ou qualquer lugar onde ele tiver paciência de me levar.

Mas a animação toda vem da possibilidade de passar um fim de semana off jogação no RJ. E eu ando deveras ansiosa por entregar os presentes de aniversário que comprei pro Ninja. É essa mania que eu tenho de comprar presentes e ficar mais animada que o presenteado, a ponto de me frustrar quando a reação não chega à minha expectativa.

Por essas e por outras, cheers to Floripa.

Monday, April 03, 2006

Fim de semana de bocas livre

Sou uma pessoa que gosta de bocas livre, não importa aonde sejam. Pintou uma festa no caixa prego, se alguém me garante que tem Red Label de verdade a rodo, estou eu lá, de copinho na mão. Sei que é um meio de agir suburbano/carioca/duro, mas sinceramente não estou muito preocupada. As bocas livre são raras, e é bom usufruir dos contatos dos amigos, de vez em quando.

A primeira parte do regabofe foi no encerramento da exposição do Carlito Carvalhosa no MAM. Uma baiana do Paraguai recebia os visitantes do museu com um delicioso mini acarajé, cocadas brancas e skol gelada. Comi cinco acarajés e perdi a conta das cocadas. Lui, amiga que trouxe à tona o programa, falou baixinho "hoje não pretendo nem almoçar". Ok, vamos nessa, afinal de contas é assim que se faz quando nos é oferecido acarajé no 0800. A gente se esbalda.

E já que eu estava lá, passei na expo do Lichtenstein. É legal o cara, né? Só que tem uma coisa que sempre me decepciona nas mostras de grandes pintores que são trazidas ao Brasil. É que eu fico esperando ver aqueles quadros mais famosos, ou mega pinturas de paredes inteiras, como as que são vistas no Louvre e no Metropolitan, e nunca é do jeito que eu havia imaginado. Pois então, essa exposição do Lichtenstein é muito mais sobre estudos do que sobre quadros... E daí chega uma hora que cansa, por mais genial que o artista seja, entende?

Depois da encher a pança pornograficamente, rumei ao Leblon para largar a Lui. Passamos por um prédio em ruínas na beira da praia que parecia abrigar uma festinha de modernos. A Lui comentou que recebeu convite pro tal do evento e a gente resolveu entrar só pra ver o que era - porém receosos do público estilo juventude dourada da zona sul que dominava o lugar.

O tal prédio em ruínas e com iluminação moderna abrigava a exposição de um Marcelo Rocha. O nome da expo era "Como filosofar com o martelo", título tirado de um livro de Nietzche, como eu descobri no Google (ah, o que é o Google para pessoas sem cultura, hein? Dá até pra enganar). Esse Marcelo aí tem dinheiro a dar com o pau. Só assim posso explicar aquele bando de obras penduradas na parede, mostrando telas perfuradas por arma de fogo e atropeladas, com marcas de pneus, sendo exibidas com pompa e circunstância em endereço nobre carioca. Aquilo é uma porcaria, muito ruim mesmo. Corremos os olhos pelos três andares do prédio (de quem será o prédio, meu deus? A locação não pode ser barata...) e chegamos ao terraço. Ai, graças ao padroeiro da boca livre, tinha ali na minha frente um open bar. Me passa então uma caipirinha de morango com absolut que assim eu fico mais calma.

Foi bom, mas não o suficiente pra aguentar por muito tempo o climinha de "estamos curtindo uma festa legal, de gente interessante, artistas, saca?" que dominava o público do prédio. Engolimos nossos drinks e saímos correndo antes que começasse a performance de Marcelo Rocha, que consistia em quebrar um monte de quadros sem valor. Sabe como é, performance é jogo baixo. Nem com um milhão de garrafas de Absolut de graça eu ficaria pra assistir. Eu ainda me amo.

Friday, March 31, 2006

Expectativas e decepções no diretório cultural do Poça D'água

Será que quanto mais um livro/filme é esperado, mais ele decepciona? Até pouco tempo eu achava que isso era bobagem, coisa de gente que não sabia saborear a contagem regressiva do lançamento de uma obra. Mas hoje em dia, talvez porque eu esteja - finalmente - me aproximando do termo "adulta" para classificar a minha pessoa, ando achando chato tudo aquilo que contava as horas para ver.

Naked Lunch, por exemplo. Que livro chato que é Naked Lunch! (e que chovam, agora, milhões de comentários em defesa do Burroughs). Eu tinha medo de admitir que estava de saco cheio do romance, e que empurrava goela abaixo todas aquelas imagens nojentas que o autor descreve por páginas e páginas sem fim. Mas aí, um belo dia, veio a libertação: um amigo me disse que parou de ler Almoço Nu na metade. "Eu também", concordei, quase emocionada, e me senti menos farsante por conseguir expressar meu descontentamento com um clássico da literatura maldita em voz alta.

Por outro lado, é muito triste saber que esse tal de Willian Burroughs é um chato. Quer dizer, a história dele é ótima, cheia de doses de heroína e brincadeiras de Guilherme Tell chapado, e todo o glamour de ter começado a escrever com mais de 40 depois de ter matado a mulher justamente quando fingia ser Tell. Sempre que eu pensava que tinha que me movimentar e escrever alguma coisa que realmente valesse à pena, fazia emergir a vozinha que sossegava o meu facho: "que nada, o Burroughs só foi escrever um livro quando já era coroa!" E agora, vendo que eu não gostei nem um pouco do livro, fico achando que a hora de escrever é agora mesmo, e que mulher que escreve tarde fica parecendo a Lia Lufth. Deus me livre.

E teve também Morangos Mofados. E filmes que eu queria muito gostar, mas que agora não me lembro mais quais são. Ai, ai, preciso com urgência sentir aquele tesão que só a arte dá. Ou eu vou acabar dormindo em frente ao computador do meu trabaho.

Thursday, March 30, 2006

O que vou fazer da minha vida?

Nas últimas semanas de ausência do blog, várias questões passaram pela minha cabeça. Tais como:
- Devo lutar pela minha vida profissional ou deixar as águas rolarem?
- Será que procuro um apt na Barra ou na Zona Sul?
- Por que os professores de ginástica falam com os alunos como sargentos na hora da abdominal?
- Algum dia eu vou me olhar no espelho e não me achar gorda? Aliás, existe alguma mulher que não se ache gorda?
Todas essas perguntas de tamanha importância vieram à minha cabeça para encobrir a maior de todas: o que é que eu vou fazer da minha vida?

Não importa o quanto eu esteja realizada pessoal e profissionalmente, ou se eu estou realaxadamente trabalhando e ganhando pouco, ou se tenho dedicado meus dias a algum hobby que não sirva para nada mas que me deixe contente ou sei lá o quê. A qualquer momento, em qualquer lugar, surge na mente a pergunta como um pop up de filosofias de vida superficiais: o que é que eu vou fazer da minha vida?

É que são muitas as opções. Geralmente, sou uma pessoa que sabe exatemente o que quer. Só me sinto confusa em relação a comida (o que vou pedir de lanche no Mc Donald's? Vou jantar em uma creperia, um restaurante japonês ou no Outback?) e ao resto da minha vida. Eu tenho muitas possibilidades e aquele medinho que não me abandona que é o temor de ter escolhido o caminho errado.

Ok, estamos em quase abril. Nestes quatro meses, já considerei (e ainda considero) trocar de empresa, trocar de cargo, conversar com o chefe sobre aumento, fazer o meu trabalho bem feitinho e esperar que ele fale por si só, frilar para aumentar o orçamento, frilar como estilo de vida, trocar de profissão e até (uma vez só, confesso) abrir um negócio próprio.

O Ninja não é nada assim. Ele sabe muito bem o que quer, para onde vai e como estará daqui a 5 anos. Deve ser ótimo viver dessa maneira.

Tuesday, March 21, 2006

Sobre gente que abriu mão

Eu nunca tinha conhecido nenhum suicida até ontem, quando soube que uma amiga havia se jogado do décimo andar de um prédio. Ao contrário do que a gente pode imaginar sobre pessoas que se matam, esta amiga não parecia deprimida ou desgostosa da vida, mas sim uma mãe coruja e esposa orgulhosa, inteligente e bonita. Pra mim, é difícil entender o que a levou a uma atitude tão drástica.

Daí eu fico pensando que deveria ter marcado aquele chope de que a gente sempre falava. De vez em quando eu passava pelo nome dela na lista do meu celular e pensava: tenho que ligar. Mas nunca liguei, e agora não ligo mais. Dá um puta arrependimento.

Depois eu fiquei o dia inteiro pensando nessa história, e até chorei um pouquinho, mais chocada do que triste (será?). Só que hoje já está tudo bem, a vida continua, e só de vez em quando eu me lembro dela. Tipo agora.

Thursday, March 16, 2006

Presente de Grego I: bichinhos de estimação


De: Bruna
Para: namorado Ninja

Ziggberg, o gato cabeçudo.
Cada ida ao veterinário: $45
Ração importada: $20
Aparador de unha: $17
Produtos de limpeza para o xixi no pufe de couro: $15
Oferecer o pufe de couro para a visita indesejada sentar: não tem preço...

Em nome do português aceitável

Tem me dado muita preguiça de escrever no blog. De repente nada disso faz o mínimo sentido mais, tudo não passa de uma grande besteira, e eu aqui perdendo um tempo precioso, escrevendo para uma média de dez leitores diários, todos conhecidos meus, salvo raras exceções.

Mas, por outro lado, existe essa necessidade de não deixar a peteca cair e desaprender a escrever, que é um risco que todo o mundo corre, o tempo todo. Tenho medo de daqui a pouco virar uma dessas pessoas que usam'a nível de', ou falam 'que eu seje' e 'estou meia chateada'. No jeu trabalho, adivinhem, é cheio de gente que fala assim. Inclusive pessoas que ganham muito mais que eu.

Ai, ai, que falta de paciência.

Wednesday, March 08, 2006

Deveres, Match Point, Dostoiévski e falta de criatividade

Demorou, mas a vida finalmente voltou ao normal: trabalho de dez horas/dia, insônia, imposto de renda, ipva, problemas com o banco, quatro ações no Juizado Especial.... Pode parecer que eu estou reclamando, mas não estou não. Eu gosto. Parece que quanto menos tempo eu tenho, mais coisas eu faço.

E ontem ainda consegui dar uma passadinha no cinema pra assistir Match Point. Fui sozinha, na última sessão de uma sala da Barra. Taí outra mania minha, a de ir sozinha ao cinema em salas quase que completamente vazias, no meio da semana. Saio sempre encucada com o filme, envolta em uma bolha imaginária que me separa de toda esse mundinho ordinário. Não ouço o trânsito, não sinto calor, não sou um ser humano. Inclusive, quando vou ao cinema sozinha, no meio da semana e em salas quase totalmente vazias, escolho sempre um lugar à frente do resto dos espectadores. Nâo quero saber que existem outros humanos naquela sala, porque fico distraída com os outros. Quando choro, fico com vergonha de alguém ver que estou chorando. Quando não choro, sempre dou uma espiadinha no rosto de quem está ao meu lado. Pessoas me distraem.

Mas, sobre o fime, o que eu achei foi o seguinte: não é Woody Allen, é outra coisa. Tá bom, é legal, mas não é Woody Allen. Quer dizer, não é pra mim, entende? Acho que o próprio Allen já está de saco cheio de ser como ele é, por isso fez um filme totalmente diferente do que costuma fazer.
Outra coisa: tudo aquilo que a gente vê ali é Crime e Castigo. Pra mim isso é bem óbvio, e foi por isso que eu gostei. Mas explicar o estrago que Crime e Castigo fez em mim é complicado, e eu deixo para outro dia. No momento, tenho que passar no banco, ou fazer a unha, ou alguma coisa do tipo. Escolha.