Wednesday, November 08, 2006

Inveja da nova geração

Outro dia comprei a Rolling Stone brasileira. Foi mais barata do que eu imaginava (paguei oito e cinquenta, mas esperava que fosse pelo menos uns dez reais; ponto pra eles), e deu vontade de comprar todo mês. É que desde pequena eu tenho essa mania de ler revista sobre música e, aliás, quis ser jornalista para virar repórter musical, tendência que logo passou depois que comecei a faculdade. É que, como pude comprovar, ser jornalista musical requer uma dose de nerdice que estava além das minhas medidas e, portanto, como uma boa profissional que se deixa levar pela correnteza, acabei parando na outra margem do rio: na tv, fazendo programa infantil. Coisas da vida.

Mas então, quando eu tinha uns doze, treze anos, comprava a Bizz todos os meses. Lia a revista de cabo a rabo, até as matérias sobre bandas que eu não conhecia. Muitas vezes ficava chupando dedo, porque não tinha como ouvior sons novos a não ser me aventurando a comprar discos sem saber do que se tratavam. A coisa melhorou um pouco com a chegada da MTV no Brasil, e então eu pude conhecer pelo menos o hit de algumas das bandas faladas na Bizz antes de decidir se comprava ou não o disco dos caras.

Lembro que uma vez respondi a uma pesquisa de opinião da Abril. Eu tinha doze anos e era muito aplicada quando se falava em música. Mas então, preenchi tudinho, e ainda me dei ao trabalho de colocar a pesquisa no correio, para que os caras recebessem as minhas sugestões. E uma das minhas idéias era que a revista deveria vir com uma fita cacete contendo pelo menos uma música das bandas que haviam sido pauta naquela edição.

Tadinha de mim! Minha sugestão nunca foi ouvida - e nem sei se foi lida. E eu continuei morrendo de curiosidade de saber como eram os grupos que recheavam a minha leitura.

Com a Rolling Stone Brasil foi completamente diferente. Havia várias bandas que eu nunca tinha ouvido falar. Mas agora, maravilha, eu tenho a internet! Agora eu posso ler e ouvir e ver quem são aqueles caras. É completamente diferente de ler a Bizz do começo dos anos 90.
Pra compreender uma revista musical, o melhor é engolir os artigos perto de um computador conectado. Rapidinho você passa no Google, ou no You Tube, ou em qualquer página que possa mostrar se aquela é ou não a sua onda. Se eu fosse adolescente agora, seria uma daquelas pessoas que conhecem todas as bandas, aquele tipo de nerdice musical, sabe como é? Eu seria intragável, porém feliz.

É verdade, eu tenho inveja da nova geração. E não só dos adolescentes, que têm muito mais acesso a filmes e bandas e camisetas cool e tintas de cabelo estranhas do que eu tinha aos quinze, dezessseis anos. Eu também morro de inveja das crianças, as de cinco aninhos mesmo, que saem na rua vestidinhas de princesa. Já viu isso? A menina vai no parquinho com a roupa da Cinderela. Eu daria tudo por um vestido da Cinderela, até mesmo hoje em dia!

Quando eu era pequena, tinha uma fantasia mega tosca da Mulher Maravilha. Eu não tirava essa fantasia por nada no mundo, ia pra escola com ela e tudo, e brincava de Super Amigos no recreio. Imagina se eu tivesse um desses vestidos com anáguas e muitas camadas de saias, e tule, e estrelinhas?

Tenho medo de como serão os meus filhos...

Monday, November 06, 2006

Leis de atração

Outro dia encontrei um amigo que tinha acabado de voltar de uma mega viagem de 45 dias pela Europa, e que estava engajado na onda de que a nossa mente nos proporciona tudo o que desejamos. Falou sobre um tal de Abraham Hicks, e de como a viagem dele pelo continente velho tinha sido uma viagem mágica graças à técnica do tio Abraham. Deu exemplos de situações em que o pensamento positivo determinou o final de feliz, como a vez em que ele foi ver um show totalmente soldout da Madonna (em alguma cidade que já não me lembro qual). Ele mentalizou e imaginou ele mesmo chegando na porta do teatro e encontrando alguém vendendo um ingresso de última hora. Pois bem, depois disso, meu amigo em carne e osso e espírito se encaminhou para a porta do mega evento até que, tcha-nan, esbarrou em um carinha que precisava vender a entrada do date que não viria mais. Meu amigo, na hora e lugar certos, fechou o negócio. "Foi a força do pensamento", ele me garantiu.

Tanto o menino falou que fui conhecer o trabalho de Abraham. Até aqui pude perceber que é uma técnica de mentalização que mistura meditação, alimentação regular e uma certa dose de religião. Mas pra quem quer desesperadamente encontrar alguma coisa para depositar a sua crença, Abraham Hicks pode servir. Como eu sou uma pessoa assim, desesperada por uma causa, assinei o boletim eletrônico de uma das páginas que visitei e respirei fundo. Vamos lá, vai que dá certo? Na pior das hipóteses, eu volto a ser o que era antes.

A primeira lição de Hicks para o mundo é: você atrai o que você pensa. Se você mira o pensamento em situações desagradáveis, você, inadvertidamente, irá trazê-las. Isso geralmente acontece quando você não sabe o que quer, e acaba se confundindo nos seus desejos. Mas ora, ensina o mestre, para saber seus verdadeiros desejos, basta que você se permita guiar pelos seus sentimentos. Sentimentos ruins significam que você lá no fundo não quer uma coisa, sentimentos bons significam que você está no caminho certo, atraindo boas vibes para si.

Parece simples, né? Pra mim, não é. Eu nunca sei direito o que eu quero. Eu sei muito bem o que eu não quero, e mesmo assim essa lista muda toda hora. E, às vezes, eu sinto algo ruim por alguma coisa que eu queria muito que fosse boa, entende? Como é que se faz desse jeito? Ignoramos e tentamos transformas as sensações?

Não desisti do Hicks. Apenas comecei. Duvido muito que ele vá me convencer a parar de comer carne vermelha bem sangrenta, ou a largar o cigarro, etc. Mas, de qualquer maneira, quero aprender a respirar antes de agir. A ter aquele segundo precioso que muitas vezes faz a gente segurar a onda. Ando partindo pro ataque com muita freqüencia e, apesar de sempre ter considerado este um ponto positivo, agora estou a fim de pegar mais leve. De ficar de bem com todo mundo. De ficar na paz.

Monday, October 30, 2006

Beijo na alma

Cheguei ao Tim Festival para assistir Daft Punk com muito medo de não ter os meus anseios atendidos. Eu estava esperando esse show há tanto tempo, e a cada nova crítica que eu lia, ou a cada novo vídeo que me mandavam, eu ficava mais fascinada pelo que vinha na frente. Mas lá, na hora H, esperando que as luzes se apagassem, eu pensava: "E se eu criei tanta expectativa que acabei estragando a minha noite por antecipação?" Não seria a primeira vez, e desconfio que também não seria a última do caso.

Mas todas as minhas ridículas dúvidas se desfizeram quando a pirâmide foi acesa. E depois, mentindo descaradamente, eu falava para os amigos que estavam em volta: "Eu sabia que ia ser assim". E sorria de felicidade - porque bons shows fazem a gente ficar genuinamente feliz. Olhava em volta e via tanta gente que, como eu, sorria para o palco, e pulava, e esgoelava as letras sem sentido e pensava: sou totalmente dependente disso.

Eu tenho um grande preconceito, um preconceito que não consigo me livrar, que é contra as pessoas que vivem sem amar músicas, livros e filmes. Não consigo entender o que faz levantar da cama alguém que só ouve, lê e assiste o que lhe é facilmente empurrado. Quer dizer, eu também adoro filmes blockbuster, com explosões e atores com bíceps deliciosos, mas isso é uma parte apenas, entende? Eu preciso de outra coisa, de satisfação interna, de beijos na alma aqui e ali, para que o dia-a-dia fique menos monótono.

E depois que eu saí do Daft Punk, tão acelerada que tinha cetreza que o taxista estava correndo enlouquecido no Aterro (coitado, ele só estava a noventa...), fiquei jurando pra mim mesma que nunca, em hipótese nenhuma, mesmo que eu seja mãe de trigêmeos, mesmo que eu vire uma esposa e mãe de família - sei lá, quando se tem quase trinta a gente pensa nisso... - eu nunca vou deixar de ter a minha alma beijada. É uma promessa de vida ou morte, e todos vocês podem cobrá-la de mim.

Friday, October 27, 2006

Ninguém ganha da Morte (pelo menos no xadrez)


Entendam por que eu incluí a Morte do Sétimo Selo na minha lista de personagens.

Tudo aconteceu um dia em que eu, entediada, saí da faculdade rumo ao Estação Botafogo. Naquele mês que eu não lembro, do ano que eu não me recordo, o grupo Estação fazia uma retrospectiva com filmes de Ingmar Bergman. Só que, naquela época esquecida, eu não fazia a mínima idéia de quem vinha a ser Ingmar Bergman. Mas como era uma estudante sem estágio e com muito tempo livre, ia com certa assiduidade ao cinema.

Neste dia específico, abri o Segundo Caderno e me deparei com a Morte. De braços abertos, em frente a um tabuleiro de xadrez. Não quis saber mais nada e fui ao cinema, com certeza absoluta de que não iria me arrepender. Não quis ler a sinopse (Aliás, se tem uma coisa que me irrita, é ler sinopse de jornal. Também não me incomodo em saber o final do filme, como a grande maioria das pessoas. Sei lá, acho que o final nem é tão importante assim.) Só queria um lugar na sessão.

Deixa eu explicar uma coisa sobre a primeira sessão de um dia de semana no Estação Botafogo. Têm tipo dez pessoas no cinema. Sete são senhoras de idade. Dois são estudantes de cinema. Um é alguém como eu, que não tem mais o que fazer. Então, obviamente, eu consegui meu ingresso com facilidade. E esperei que o filme começasse.

Saí da sala pulsando, sentindo todos os meus poros, que é o que acontece quando eu vejo alguma coisa realmente incrível. Não conseguia parar de pensar no filme, e então me tornei uma obcecada por Ingmar Bergman - se surgia o nome do homem, lá estava eu na filinha de ingresso. Mas nenhuma outra obra do diretor teve a avalanche de alma que o Sétimo Selo produziu em mim. Foi um dia memorável.

No ano passado, revi o filme. Fazia muito tempo que eu não o assistia de novo. Pra falar a verdade, fiquei morrendo de medo de achar tudo chatíssimo, arrastado, decepcionante. Mas que nada, o filme é o mesmo, e por mais que eu tenha mudado, nenhuma mudança pode transformar essa trama em bobagem. Quando revi aquelas imagens, tive certeza de que O Sétimo Selo seria eterno.

Se você gosta de cinema, ou de uma boa história, ou de pensar, assista. Faça isso por você.

Wednesday, October 25, 2006

Os bastidores de um casório

Tenho uma grande amiga que está para casar. A cerimônia vai ser no próximo sábado, e eu dedico essa semana a pé e mão, escova e pesquisas de simpatias de casório que envolvem vestidos de noiva. Faço as simpatias mais pela piada do que pela fé, uma vez que tenho total noção de que casamento não faz parte do meu futuro próximo.

Mas, voltando à noiva, outro dia fizemos um chá de panela pra ela. Eu, três amigas, e todas as mulheres da família da menina. Acabou que quem comandou todas as brincadeiras (e bebedeiras) do dia fomos nós, as amigas, sob os olhares preocupados da avó da homenageada, que temia que a neta torcesse o pé e tivesse que entrar na igreja manquinha, tadinha. Se bem que foi tanta cerveja que a noiva bebeu que ela bem que poderia não só torcer o pé como cair no chão e bater com a cabeça e coisas sinistras do tipo. Eu que fiquei preocuopada, admito.

Pra quem não sabe, o chá de panela funciona da seguinte maneira: a noiva tem que adivinhar quem deu o presente; e se nao adivinhar bebe uma dose (de qualquer coisa), depois tem que adivinhar o que é o presente; e se não adivinhar, bebe outra dose. E depois de um monte de líquido goela abaixo, a noiva, tadinha de novo, já não sabia distinguir pirex de esponja de louça. Pra se ter uma idéia, terminei a tarde de domingo lavando o banheiro da casa da mãe da minha amiga.

E depois, na outra semana, a gente fez uma despedida de solteira. Não dessas de Clube das Mulheres e strippers que a gente nunca pegaria. Ao invés disso, seguimos, nós quatro, para a Inferninho do momento. Era para ser uma girls night out, e virou um evento, digamos assim, mais abrangente. Regado a Red Bull e destilados, como fazíamos nos nossos vinte e poucos anos. Cantando alto, a plenos pulmões, as músicas que todo mundo gosta.
Adoro casamentos. Ainda mais quando eu estou coladinha nos acontecimentos.

Pra alguém pode servir
Simpatia infálivel aproveitado a vez em que uma grande amiga casar

Para fazer esta, você deverá contar com a ajuda de uma boa amiga, no dia do casamento dela. Para você quer arrumar logo um casamento, quando a amiga for se casar e desde que essa sua amiga seja virgem, faça a seguinte simpatia: escreva seu nome, com uma caneta vermelha, na barra do vestido de casamento de sua amiga ou na sola do pé esquerdo do sapato dela.
Quando ela entrar na igreja, deverá repetir baixinho por três vezes a seguinte intenção:
Hoje nesta igreja entro eu,
amanhã será a vez de... (ela dirá o seu nome).

Nota: ainda bem que eu nunca pensei a recorrer a este tipo de magia. Se não, ia penar pra encontrar uma amiga nas condições adequadas..

Wednesday, October 18, 2006

As pessoas que não existem mais influentes da minha vida

Tinha que ser coisa de americano. Dois dessa espécie lançaram um livro listando os 101 personagens que mais influenciaram a sociedade norte-americana e, por tabela, a nossa também. Não sei do que o livro trata - será uma grande lista de personagens famosos? - mas desconfio que só vale pela piada. Ou alguém acredita que tenha surgido daí um trabalho antropológico e sobre a sociedade de consumo de massa?

A lista deles é encabeçada pelo cowboy do Marlboro, seguida do Grande Irmão, Rei Arthur, Papai Noel e Hamlet. O meu top 5 obviamente nunca apresentaria o homem de Marlboro como o número um dos influentes, muito menos sob a apresentação de "assassino mais famoso dos últimos 200 anos", como é dito no livro, segundo a matéria do GloboOnline. Eu começaria com Lestat, que durante a minha adolescência foi o responsável por me fazer usar preto e desejar ardentemente virar uma vampira. Ou talvez John Constantine - não o péla do filme, mas o dos quadrinhos, sempre meio deprimido e usando uma capa de chuva, charmosíssimo, andando por ruas escuras, ai, ai.

Sou péssima de listinhas e sempre me falta o último ítem. Mas se fosse fazer uma lista dos meus personagens mais influentes, seriam:

1- Constantine
2 - Sabina
3 - Morte
4 - Morte
5 - Enid

Aviso logo que essa lista não está justa. Que eu acabei escolhendo personagens que eu gosto, e não que me influenciaram. E esses nem são os cinco que eu mais gosto! São apenas uns legais que eu lembrei agora. É assim mesmo; como disse, sou péssima de listas.

Saturday, October 14, 2006

What have happened with Babe Jane?

Sábado à noite. Há seis meses eu estaria recebendo ligações de dez em dez, reunindo informações sobre os acontecimentos relevantes da cidade e repassando este conhecimento para frente. Eu era, sempre fui, alguém com informações. Alguém que recebia telefonemas de amigos que não me chamavam para sair, e sim para informar qual era a boa da data. Kinda sad, eu admito, mas não me importo muito. Eu sempre tinha o que fazer.

Não sei bem quando se deu a virada. Não vale ninguém falar que é porque eu estou namorando que a história de cair na gandaia desandou, porque o meu namorado é tão ou mais notívago que eu. Ou costumava ser, quando eu o conheci. E, por sinal, esse encontro se deu em uma boate GLS depois de eu ter bebido duas doses de cachaça em um festival de curtas, seguido de uns três copos de vinho numa festinha de despedida, até cair na inacreditável pilha das três da manhã: "vamos para o Dama!" E eu fui, porque essa era uma época em que eu fazia esse tipo de coisa. Nego chamava, eu já tava lá. Não precisava insistir. Quando cheguei na boate, pedi uma gim-tônica (para completar o cardápio alcóolico) e bati os olhos no Ninja. E então, é o que acontece até hoje.

Mantive a fama de menina noturna por bastante tempo, mesmo acompanhada. Mas agora parece que a preguiça venceu. Ontem estava tudo certo para sair e encontrar amigos de longa data, até que um cochilo estendido acabou com a noite. Hoje, estou esperando que alguém dê sinal de vida. Quase sucunbindo à segunda temporada de Twin Peaks, com ar condicionado e sem cheiro de cigarro dos outros no meu cabelo. Só o meu próprio.

Tuesday, October 10, 2006

Intensamente Bored

Hoje já estalei meu pescoço cinco vezes. Já corrigi a postura e rodei o ombro esquerdo que está doendo dez vezes. Já falei no chat do Gmail com umas três pessoas. Já escrevi uma pauta e dei um telefonema de trabalho. Almocei uma marmita mal recheada e ainda tenho fome. Ainda são 17h. Tem mais lá na frente. Li uma matéria sobre drogas e políticos italianos, fiz simulação para saber se posso comprar um quarto e sala no ano que vem (e descobri que não), encontrei amigas e bati papo, fumei uns cinco cigarros e agora o meu maço acabou. E eu não quero comprar outro.

Quando me vejo assim, esperando os ponteiros andarem, lembro da Lebre Maluca conversando com a Alice. Dizendo que não sei quem e o Tempo estavam brigados, depois que o não sei quem andou matando tempo. O Tempo briga comigo quando eu mato tempo. Não se deve matar o Tempo, é uma lição que a gente aprende mas não aplica, como aquelas de não furar sinal vermelho, não gastar dinheiro desnecessariamente e, é claro, não fumar.

Por outro lado, fico pensando que é melhor aproveitar a calmaria. Que daqui a pouco as coisas não serão tão fáceis assim e que vai ter muito trabalho sobre esses ombros que já doem só de sentar na posição errada em frente ao computador. Mas o porblema é que eu gosto dessa história de trabalhar muito. Eu gosto de acordar cedo e ir pra academia e depois chegar no trabalho e almoçar em meia hora e chegar em casa à noite e assitir novela sem prestar atenção em quem é quem. Mas isso, só ano que vem. Até lá, ombros doendo.

Thursday, October 05, 2006

30 minutos de esteira existencialista

Descobri a resposta para o meu mau humor latente: esteira. Foi uma libertação me ver assim tão fácil de se resolver, e agora eu gasto meu dinehirinho de academia feliz por ter me tornado uma pessoa mais tragável. Quando você está de mau humor e vai para a academia, é questão de minutos a melhora do clima interno: parece que tudo se esvai em suor e batimentos cardíacos acelerados. Me sinto como naquele comercial da Nike em que a mulher cospe o chefe, o trabalho e a cobrança da mãe por um casamento enquanto corre pelo parque. Esse, meus amigos, tem sido meu remédio.

Descobri a cura durante, óbvio, uma TPM. Acordei amarguíssima, chatíssima, latindo para a minha própria sombra. E fui, cheia de preguiça, rumo à academia. Daqui a pouco lá estava eu sorridente, puxando conversa com senhoras de meia idade enquanto esperava o meu aparelho de musculação da vez ser liberado, jogando endorfina nesse cérebro cheio de porcarias que eu tenho. Meu cérebro também sua: dá pra sentir quando ele expele todas as toxinas. Depois eu fico leve, descabelada e me sentindo mais magra - mesmo que não esteja de verdade.

Toda essa questão me faz chegar à seguinte conclusão: o que meninas como eu precisam de verdade é de um tanque de roupa suja pra lavar. Já posso antever comentários irados depois da frase anterior, todo mundo me chamando de machista, etc, etc. Já aconteceu outras vezes. Mas é que, se eu fico tão bem levantando pesos que eu não preciso levantar, não seria de se esperar que eu fosse feliz esfregando roupa? A infelicidade feminina de classe média veio com o advento da máquina de lavar, microondas e diarista de quinze em quinze dias. A gente deveria viver como nossas avós.

Monday, September 25, 2006

Coisas que andei pensando enquanto não tinha mais o que fazer

É legal tirar férias; acho que ninguém discorda disso. Mas o que não é nem um pouco legal é ficar de pernas pro ar, sem mais o que fazer, enquanto seu namorado, seus amigos e toda a sua família trabalham como pessoas normais. Estas férias foram esclarecedoras, porque eu sempre achei que daria uma ótima mulher de milionário, que redecoraria a casa de quinze em quinze dias e faria cursos de aquarela no parque Lage, mas de repente eu descobri que não, que não iria agüentar um milésimo dessa vida, e que eu reclamo mas o que eu gosto mesmo é de trabalhar dez horas por dia. Sendo assim, concluo: bom mesmo é trabalhar porque se gosta, e não porque é preciso - tipo aquelas pessoas que ganham na Mega sena e continuam sua vidinha normal. Aliás, existem pessoas assim?

Mas a questão toda do saco cheio dos dias vazios veio depois. Na minha primeira semana em casa eu praticamente fiz uma tabela no Excel para coordenar todas as minhas atividades. Visiteis bebês que acabaram de nascer, almocei com a minha avó que mora longe, me despedi de uma prima que vai sair do Brasil, protagonizei inúmeras girls nights - com o aval do Ninja, que é a favor de casais com eventos independentes aqui e ali - e comecei a ler um livro muito bom, um mal escrito e um clássico difícil.

Ah, sim, e decidi que não vou votar. Comuniquei aos meus amigos mais intímos a minha intenção de me abster do "direito" de escolha a um presidente, e fui recebida com um bombardeio de emails contrários à minha manifestação. É que os meus amigos são pessoas tão melhores e elevadas espiritualmente que eu que chegam a pensar em não usar a carteirinha de estudante falsificada para comprar ingressos para o Tim Festival. Eu, obviamente, nem cogito tal possibilidade.

E agora surgiu o Festival do Rio. Quando eu era uma interessada universitária, seguia os filmes favoritos, me acabava na fila do ingresso e assistia sessões improváveis que tanto poderiam ser geniais quanto furadíssimas. Depois que virei adulta, tive que deixar essa vida de lado porque nunca que eu conseguia conciliar minha vontade de ir ao cinema com os horários absurdos da minha profissão. Nesse ano, não. Comprei logo um monte de ingressos, e vou assistir a todos os medalhões. Outro dia mesmo foi a vez do novo do Wim Wenders. Uma merda, aliás. Ouvi o amigo ao meu lado dizer que ele está ficando gagá. Ou então somos nós mesmos que andamos cada vez mais impacientes.

Monday, August 21, 2006

Versão in line

Existe um submundo dos patins no Rio de Janeiro. Descobri o underground sobre rodas depois que ganhei de aniversário antecipado do Ninja um par de patins in line. Há duas semanas todos os meus sábados e domingos são dedicados a tombos com joelheiras e cotoveleiras que não protegem a minha bunda. Mas a culpa, obviamente, é minha. Eu é que tenho que cair direito.

Falando assim até parece que foi um presente de grego. Mas a verdade é que eu estou absolutamente viciada no brinquedo novo, a ponto de trocar a vida noturna pelas manhãs no Aterro do Flamengo. Eu e Ninja parecemos crentes recém convertidos e vendedores de Herba Life: não podemos ver um conhecido que tascamos a ladainha da vida sobre rodas em cima do coitado.

E não somos só nós que nos comportamos desse jeito. Quando você coloca seus patins e vai para um lugar público, pode contar que você fará contato com alguém que também gosta do esporte. Quando dois patinadores se cruzam numa pista, rola aquela olhada de reconhecimento underground: "você faz parte do clube." Mesmo que você não conheça ninguém do submundo do roller, você será (bem) recebido nesse meio e se tornará, dessa forma, um vendedor de Herba Life dos rinques de patinação.

Outro dia eu e Ninja fomos para o Parque dos Patins. Eu estava lá colocando meus equipamentos de segurança - que, no meu caso, são extremamente necessários - quando fomos abordados por um daqueles patinadores profissionais. Sabe aquele tipo de pessoa que se comporta sobre rodas como se estivesse de pé no chão? O cara se aproximou e sacou um cartão, e explicou que toda quarta tinha um grupo que se reunia ali para patinar e trocar dicas. E contou que rolava um site com datas dos encontros e lista de discussão. E convidou a gente para uma festa no sábado seguinte!

Eu e Ninja não acreditamos em tamanha hospitalidade. E fomos percebendo que em todo lugar de patins era assim: uma galera que se conhecia abraçando os novatos. Nada de gritos do tipo fora hauli. Vai ver que esse povo dos patins faz tanto exercício que é movido a endorfina. Vai ver vem daí tanto bom humor!

Tuesday, August 15, 2006

Tadinho do agricultor de Juiz de Fora



Orelhão de Ouro Fino, MG: não é fofo?

De todas as notícias terríveis e horripilantes que dominram os jornais nas últimas semanas, a que mais me emocionou foi a história do agricultor de Juiz de Fora que veio tentar a vida no Rio de Janeiro. A história dele se tornou o meu exemplo pessoal de esteriótipo de interioranos x moradores da cidade grande: os primeiros sempre ingênuos, fofos, prontos para cair no conto do vigário; os segundos sempre exxxxpertos, de olho nos otários, sem perdoar um pobrezinho recém chegado do campo.

Pra quem não sabe, a história é a seguinte: o tal agricultor veio de carroça com os dois filhos de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, em uma viagem que durou dois meses. Ele ficou famoso assim que chegou à cidade porque foi fotografado andando com a carrocinha no meio da avenida Presidente Vargas. O mineirinho estava com tudo preparado pra ficar na casa de uns parentes na Rocinha, mas daí falarm pra ele que se ele fosse morar lá, teria que se desfazer da carroça e da égua Darlene. Só que aí ele não quis, porque a Darlene era uma égua que tinha ajudado muito a família dele quando eles ainda moravam no roça. E aí ele resolveu ir pra um outro bairro onde a égua ficaria a salvo.

Só que é dura a vida na cidade grande. O agricultor foi até a Ceasa, em Irajá, pra ver se conseguia alguma comida para os filhos. Amarrou Darlene do lado de fora e foi à luta. Quando voltou, cadê Darlene? Ela e a carroça haviam desaparecido, fruto de algum desalmado mais rápido do que ele.

"O que eu vou fazer da minha vida agora? Como vou trabalhar", ele perguntava à repórter do Globo. Eu não sei o que ele vai fazer. Poderia voltar a Juiz de Fora e reconstruir sua vida na terra que ele conhece bem. Mas se o homem colocou os filhos pequenos em cima de uma tábua sobre rodas durante dois meses só para tentar a vida no Rio, é sinal de que as coisas na cidade dele não andavam lá essas coisas.

Eu tenho muita pena do mineirinho agricultor. Torço pra que um ricaço desses leia a sua história e o contrate como piscineiro, ou jardineiro, ou caseiro. De vez em quando a vida dá uns finais felizes assim.

Monday, August 07, 2006

O ano mais foda da minha vida

Uma vez fiz um mapa numerológico que falou que o melhor ano da minha vida seria nos meus 32 anos. Na verdade, não lembro bem se era nos 32 ou nos 34, mas com certeza era na casa dos 30. Naquela época eu era uma jovem de vinte e poucos, e achava que a casa dos trinta estava longe da minha realidade. Agora, como uma jovem de vinte e muitos, acho que o melhor ano da minha vida se aproxima perigosamente rápido.

Quer dizer, o que eu vou fazer depois que o melhor ano da minha vida passar? Vou pensar: "Ok, agora já foi, aproveitei enquanto durou. Agora vou relaxar porque nada vai bater esse ano"? Mas aí é meio chato, né, achar que você vai viver até os noventa, até os cem, que é o quanto eu quero viver - na verdade, imagino que ninguém ache que viveu o suficiente, mesmo que tenha batido a marca dos cem - e ter seu ano mais brilhante lá pelas trinta. E todos os outros anos, como é que ficam?

Por outro lado, eu meio que imagino o meu ano mais foda. Com certeza eu vou receber uma promoção ou conseguir um trabalho que pague muito melhor do que o meu do ano anterior. A julgar pela idade, estarei grávida da primeira ou segunda menina (na minha família só dá mulher, fazer o quê). A conta bancária vai bem e o casamento também, já que a gravidez é fruto direto do amor, entende?

Nossa, acabei de descobrir que o meu ano mais foda é o último capítulo de uma novela do Manoel Carlos. Bem que já disseram, e infelizmente não fui eu, que Deus é Janete Clair.

Tuesday, August 01, 2006

Texto Kerouaquiano falso traduzido pelo cara que escrevia na Bizz Letras Traduzidas

Ei, garota, você tem que acreditar que vai dar certo. Você tem que olhar em volta e vupt, apostar no que aparece. É sim, você tem. Ei, garota, você precisa se concentrar nos seus planos e não esperar que eles se realizem pelas mãos dos outros. As mãos são suas, garota! O mundo é seu. Ouça bem o que eu lhe digo, menina, e se jogue pelo mundo conhecendo pessoas tão diferentes que vão fazer você pensar melhor. A diversidade é a salvação do mundo. Sim, sim, com certeza. Garota, você precisa perceber que não está sozinha, mas que tudo depende de você. Você é que sabe o que é bom e o que é ruim, você pode salvar o universo da catástrofe de planetas perdidos colidindo, você tem a chave que abre as portas para um mundo melhor. Um mundo novinho em folha. Fique ligada, garota, que dessa vez é com você.

Wednesday, July 26, 2006

Eu já fui High School Sweetheart de alguém

Outro dia, arrumando um armário que eu não arrumava há, vamos lá, uns seis anos, encontrei minhas mixed tapes. Eu adoro mixed tapes. Aquelas fitinhas K7 gravadas com o requinte do amadorismo, mas cheias de boas intenções. Decidi que daria uma olhada nas fitas guardadas, e todo o dia eu ouço um pouco delas no som paraibinha que tem no quarto da minha irmã.

Hoje cheguei em uma gravação que ganhei de aniversário lá pelas idos de 1994. Uma criança, eu lembro bem. Quem me presenteou foi um menino que era de uma séria abaixo da minha, com quem eu geralmente passava os recreios conversando.
Na época do presente eu achei muito bonitinho da parte dele (afinal de contas, dava o maior trabalho gravar uma fita dessas), mas não percebi aí nenhum sinal de afetividade avançada. Só muitos anos mais tarde fui descobrir que o tal menino nutria por mim uma paixão secreta, que durou o segundo grau inteiro.

É engraçado quando você se vê na posição de objeto de adoração de alguém. Eu era uma musa, um ser perfeito e inantigível para esse garoto. Obviamente ele achava tudo lindo em mim, até meus ataques de pseudo-melancolia de adolescente freqüentadora de inferninhos de rock. Até o que era mais lamentável ele gostava. Eu não tinha defeitos. Era uma deusa.

Hoje, ouvindo a fita, tentei perceber se em algum momento as músicas denunciavam as intenções do meu amigo. Mas que nada, o que tinha gravado eram vários músicas de punk rock, que a gente escutava horrores na época, e uma do Renascence que eu gosto muito - e que não escutava há um tempão.

Os anos foram se passando e nós nunca perdemos o contato. Outro dia mesmo eu fui na porta da Matriz e encontrei o meu amigo perambulando com um copo de alcólico não identificado na mão. A gente combinou de se ver lá dentro, mas não deu porque estava tudo muito lotaaaado. Mas é assim. A gente se econtra, e conversa, e de vez em quando relembra da época em que ele gostava de mim e eu não sabia. E morremos de rir.
Fala a verdade. Essa é a verdadeira história de amor com final feliz.

Friday, July 21, 2006

Sem tema, sem posts

Ai, que preguiça de escrever no blog. Que preguiça. Checo a data do meu último post e - surpresa - faz um tempão. E olha que eu já pensei em um monte de assuntos pra postar, mas depois que algumas horas passam as idéias se esvaem... Por isso que eu tenho que andar com um caderno debaixo do braço. E que pena que é não poder escrever enquanto eu dirijo.

Já cogitei de escrever sobre novela, que é uma coisa boa de assistir, porque você não pensa muito e depois ainda tem sobre o que conversar no trabalho. Ando assistindo à nova novela das 9h, aquela que se passa no Leblon e que faz a gente acreditar que morar lá é tudo de maravilhoso. Só não falam que o Leblon dá uma certa preguiça (que nem a de escrever no blog, sabe) de ter tudo muito arrumadinho e plástico demais, com corpos esculturais aqui e ali, e litros de leite 30% mais caros que nos outros supermercados do Rio. Nem fui eu que disse isso, mas sim uma verdadeira moradora do bairro, que anda cansada de tanta beleza. Acho que dá pra cansar da beleza se ela não é natural, entende?

Depois pensei em escrever sobre a minha mania de chorar por tudo, o que já rendeu até o apelido dado pelo Ninja de Atriz da Globo (como se as minhas lágrimas fossem atuação! Nem todas, poxa...). O texto ia se chamar "Desidratada", e ia falar que eu choro vendo Jornal Nacional, novela (de novo) e filmes e livros e tudo o mais. Ia até ter uma parte bem bonita relacionando lágrimas com fazer amor. Mas depois eu me liguei de que não uso o termo 'fazer amor' para nada, mesmo que o faça, e daí fica falso, parecendo livro traduzido.

Ontem à noite, voltando da Matriz, me ocorreu um outro post. Seria sobre redescobrir prazeres, como festas de rock numa noite Sex and the City, beber whisky com Red Bull e voltar dirigindo a 110 por hora (sóbria, juro que sim). E enquanto eu voltava pra casa de madrugada cortando os poucos carros que ainda se aventuram à noite no Rio, escrevi mentalmente um texto lindo e bem colocado. Mas agora... Olha aí.

Tudo o que tenho é um post sobre outros possíveis posts que nunca chegarão a existir.

Tuesday, July 04, 2006

Paradinho

Quando a gente acha que não, acaba percebendo que sim. Que vem de onde não se sabe bem uma certeza e uma vontade de acreditar que vai dar certo. E vem junto com o medo. E fica assim, balançando, entre o "está tudo bem" e o "fudeu". Mas eu me recuso a pensar no "fudeu". De que me serve adiantar a catástrofe? Enquanto ela não vem eu concentro no lado bom, mezzo me enganando, mezzo colocando a prática do bem pensar em ação, para ver se a energia do cosmos acaba concordando comigo, percebe?

O fato é que agora eu quero que tudo dê certo. Quero muito, mais do que tudo. E aí, olha que estranho, tenho mais confiança no final feliz do que tinha quando estava tudo um mar de rosas. Pode isso? Uma pessoa que precisa de um quase "fudeu" para pensar no melhor? Pois é, esta sou eu, senhores.

Enquanto isso, releio emails antigos que eu tenho mania de guardar, ainda não sei bem pra quê. E descubro que é nas linhas passadas que está o meu coração piegas e brega. Tudo lá, intacto, congelado. Meu coração está pouco se lixando para seleções pseudo-hexas, CPIs que já nem sei o nome, contratos temporários x funcionária vitalícia. Meu coração pára onde não existe jornal.
E fica por lá. Paradinho.

Thursday, June 29, 2006

Menos um bom show no país

Podem chorar os amantes da cultura pop: Madonna não vem mais. Desmarcou, na cara e na coragem, e deixou a gente orfão de mais um bom show. Desde o Tim festival do ano passado (beleza, não faz tanto tempo asim, mas faz quase um ano!), não vejo um bom show. Aliás, não vi mais nenhum show, bom ou ruim, a não ser os de duas bandas bizarras que tocaram no cantinho da Fosfobox, aquela boate que é tão underground, mas tão underground, que tem cheiro de banheiro entupido.

A vida é muito cruel comigo. Houve um tempo em que eu tinha todas as melhores bandas do mundo a meus pés, nos melhores teatros, com balcão e frisa e cortina vermelha. Era o tempo em que eu morava em NY. Em seis meses passaram pela cidade PJ Harvey, Tori Amos, Radiohead, Bjork, John Spencer & the Blues Explosion, e tantos, tantos outros. Destes, eu só consegui assistir ao histórico show da PJ, realizado em um teatro mega luxuoso de Manhattan. O resto eu não consegui/ não tinha dinheiro para o ingresso, pobre de mim.

Ainda fico incomodada em observar como filmes e discos e peças e shows demoram a chegar ao Brasil. Ou não chegam nunca. Pessoas minimamente ligadas ao que acontece no mundo ficam chupando dedo na hora de ver um nome artístico diferente por aqui. O que resta é nos contentar com os campeões de bilheteria - estes sim, trazidos a peso de ouro para entreter as massas latinas. A gente tem que levantar as mãos pro céu, é bem por aí.

Só que depois da experiência do show dos Rollings Stones, decidi que estou fora do esquema Arena Rock. To velha, sei lá. Ando preferindo shows de bandas bizarras da minha própria cidade. Mesmo que sejam em boates que não têm lá um grande perfume no ar.

Wednesday, June 28, 2006

Lygia, a melhor



Foto: "Você sabe o que é clitóris? A resposta está muitas vezes na ponta da língua!"
Frase romântica encontrada em uma casa de Paty, RJ, levando em conta que sexo é amor.

Há um tempo venho amargando a sindrome de abstinência de um livro bom. Tenho uma lista lá em casa que ainda não peguei para ler, mas acontece que em vários livros parei na página 20. Não dava para continuar, eu achava que era perda de tempo e tal... acabava por não ler nada.

Até que outro dia fui tomar um café na Argumento e pensei: dane-se todo o meu esquema de guardar dinheiro. Vou comprar um livro.

Eu tenho esse problema com livrarias. Basta pisar em uma que me dá a maior vontade de sair de lá com uma sacolinha. É tipo vício mesmo. E quando compro um livro novo fico que nem criança quando ganha um brinquedo: não consigo nem me concentrar direito no atual romance, morrendo de vontade de passar para a próxima trama.

E foi assim que eu comprei um livrinho de bolso com contos da Lygia Fagundes Telles. Para mim, ela é a melhor escritora brasileira viva, com uma maneira muito única de enxergar o mundo. Uma vez fui vê-la debater sobre seus clássicos preferidos na Feira Literária Internacional de Paraty, e saí ainda mais apaixonada por ela. A senhorinha é uma loucura, acreditem.

Todo mundo deveria ler "Pomba Enamorada". É uma das coisas mais lindas que alguém já pôde ter escrito. O que ela conta faz total sentido e é triste sem ser piegas. Mas, na minha cabeça, tem um final feliz.

Já acabei de ler os contos da Lygia, e passei pra um livro do Henry MIller sobre uma viagem de um ano que ele fez pela Grécia. Ao mesmo tempo, etsou vendo as agruras femininas da chinezinha chamada Mian Mian, que deve ter sido de onde eles tiraram o nome daquele restaurante no Rio. E depois, não tenho mais nada pra ler.
Por isso, aceito sugestões.