Wednesday, September 19, 2007

Ex-fumante com data marcada

Paro de fumar no dia 23 de setembro. Toda vez que falo isso, meus amigos me olham de lado e soltam aquele risinho zombateiro, de descrença, sabe como é? Nós, os fumantes que planejam parar de fumar, somos alvos de todo tipo de dúvida da sociedade. Somos uma categoria que sofre com o preconceito geral: o dos fumantes que não pensam em largar seu vício, o dos fumantes que tentaram inúmeras vezes ficar longe da nicotina e desistiram da empreitada (por hora) e o dos antitabagistas convictos. Ou seja: todos estão contra nós, e nós estamos contra nós. Porque dentro do nosso grupo, ninguém leva fé nos outros. Uma eterna guerra, contra tudo e contra todos.

Mas eu já estou convencida de que tenho que parar de fumar. Há muitos e muitos anos, quando eu comecei com o cigarrinho malvado na minha vida, dizia a todos que aos 30 seria dado o adeus a este delicioso e fedorento troço. Só que, naquela época, os 30 anos eram uma época distante, mítica, em que eu supostamente já estaria casada, grávida do primeiro filho e ganhando o triplo do que ganho atualmente.
Ah, que delícia é ser adolescente e imaginar a vida aos 30...

Nada do que se supunha foi configurado. No entanto, mantenho a minha promessa, a única que depende única e exclusivamente da minha força de vontade direta. É só eu querer que pronto, parei. Como em um passe de mágica. Então, vambora, né. Chega de empurrar com a barriga.

Enquanto isso, fico me deliciando com as últimas doses do bastãozinho do prazer (soou erótico, ou foi impressão minha?). Fumo cigarros dirigindo, com a janela aberta, curtindo o ventinho. Fumo em frente ao computador, enquanto converso na internet. Fumo na hora de esticar as pernas para o cafezinho de 9h às 18h. Fumo quando assisto Seinfeld. E, claro, fumo quando encontro os amigos pra um chopinho.
Ai, como é bom fumar.

Mas pra mim, já deu. Por isso eu digo tchau. Se ninguém acredita, só lamento.
E acendo mais um cigarro brindando a isso.

Tuesday, September 18, 2007

I go out on Sunday night and I come home on Monday morning

Existe um determinado momento da noite que a gente sabe que não deve ir além. Um instante em que a nossa consciência avisa: mais um drink vai ser exagero, amanhã é dia de trabalho, não converse com malas em potencial, etc etc. Essa parte da decisão noturna eu já entendi. O que eu ainda não sei como acontece é exatemente quando e por que a gente opta pelo errado. Qual é a hora da definição do fracasso do dia seguinte? Não dá pra saber...

Outro dia fui encontrar amigas para um singelo drink e um inocente bate-papo. Pelas minhas contas, à meia-noite eu estaria em casa, com a alma intacta e o dia de trabalho de segunda-feira cheio de produtividade. Mas o que parecia ser uma noite calma se transformou em uma festa longa... e que acabou tarde.

No dia seguinte, eu catava os milhos em cima do meu teclado. A cabeça pesava e cada cigarro parecia a morte. Eu só queria, desesperadamente, dormir. Mas como a gente paga pelas escolhas que faz - mesmo que elas tenham sido feitas na base do mojito - meu dia só acabou 10h30 da noite, com direito a geladeira sem comida e quarto completamente desarrumado.

E tem mais: demorei a dormir. Inacreditável.

O problema é que se alguém me perguntar se rolou um arrependimento, eu vou confessar que... não. Nenhum. Nem dos telefonemas insanos de madrugada, direcionados a pessoas improváveis (quando a gente acha que ninguém vai atender, aí mesmo que nego atende, né? Esse mundo tá todo do avesso).

Vai ver a minha consciência, de tanto ser ignorada tarde da noite, optou por se calar de vez.
É o preço que se paga.

Friday, September 14, 2007

I go out on Friday night and I come home on Saturday Morning

Quem foi que disse mesmo que com 30 anos acabou o tempo de fazer loucurinhas? Comigo não rolou isso não. Na verdade, tenho 30 anos e 15 dias, e por isso não me libertei ainda do ranço dos twenty-something. Mas a impressão que eu tenho é de que justamente agora é que tá ficando bom! E só lamento o tempo inacreditávelmente enorme que eu perdi com cabelos esquisitos e reclamações pseudo-existencialistas.

Outro dia um amigo me escreveu perguntando como é que eu estava me sentindo agora que tinha chegado aos 30. Respondi que estava ótima, que me achava muito mais bonita agora do que aos 25, e que a independência financeira era um presente dos deuses. No email de resposta, ele escreveu: "Caramba, você está soando como uma autêntica balzaquiana".
Vale ressaltar que esse meu amigo é mais velho, tem dois filhos, etc, e me conheceu com vinte e poucos, no auge dos meus questionamentos pós-adolescentes, que ele provavelmente encarava entre o tédio e a diversão de homem mais velho. Talvez a constatação do meu amigo de que agora eu tenho 30 tenha feito com com que ele se sinta meio coroa. Afinal de contas, eu era o seu contato com o mundo "jovem", solteiro e sem amarras sociais.

Apesar da minha rotina continuar basicamente a mesma, há alguns aspectos que eu não posso negar que mudaram sensivelmente. Na maioria das vezes eu sei exatamente o que falar e quando falar, e são cada vez mais raras as pessoas que conseguem me impressionar de alguma maneira. Sei que é um papo blasé e meio pentelho, mas alguma coisa tem que mudar na gente depois de certa experiência de vida, né? E, pra falar a verdade, nem sei se é tão bom assim não ser surpreendida pela humanidade.

Eu sinto um pouquinho de falta de ficar desconcertada diante de uma situação e de sentir frio na barriga. Mas é só um pouquinho mesmo. De resto, to bem melhor agora.
Quem viver até os 30, verá.

Wednesday, September 12, 2007

Coisas legais que fiz nos últimos dias

- Pedi uma pessoa em casamento e ouvi um sim (provavelmente ele nem se lembra, mas isso não vem ao caso agora).
- Vi o sol nascer na Praia de Botafogo e tirei milhões de fotos com o celular.
- Dei uma estrela no canteiro central do Aterro do Flamengo, no exato momento que um ônibus passava.
- Apresentei dois amigos que se tornaram grandes companheiros naquela noita.
- Coloquei meus amigos de graça pra dentro de uma festa.
- Fiz uma macarronada pra duas amigas.
- Encontrei ao vivo um amigo virtual.
- Dei de presente pra uma amiga que tinha arrancado os cisos um pote (pequeno) de Haagen-Dasz.

Monday, September 10, 2007

O filme do momento

Outro dia fui fazer compras e ouvi um empacotador comentando com outro: "...agora vai sair a segunda versão pirata, dizem que é diferente da primeira, e que tem a versão proibida também. Lá no Centro eu comprei um DVD e já emprestei pra um camarada..."

Mesmo sem ouvir o nome do filme, eu sabia que eles estavam falando de Tropa de Elite.

Essa foi a terceira ou quarta vez na semana que ouvi alguém comentar sobre a obra não lançada de José Padilha. Até a minha manicure assistiu ao filme, e o meu professor de direção cinematográfica mencionou na aula o caso de pirataria da obra. Esse é o assunto do momento, e vai das classes A a D: do governador do Rio aos empacotadores do Zona Sul.

Depois de prestar atenção na conversa dos meninos do mercado, resolvi que era hora de saber que negócio é esse que todo mundo está falando. Procurei no Youtube um trecho do filme e, pra minha surpresa, encontrei a tal cena de invasão do morro, em que o policial pega um estudante pra cristo e põe a culpa da situação em que vivemos em "maconheiros como ele".

Eu fiquei impressionada, achei a seqüência bem feitinha e tal. Mas uma amiga me disse que viu o filme e achou tudo muito lugar comum: as cenas de violência, a truculência dos policiais, o ambiente das bocas de fumo. Só que eu não sei se é tão lugar comum assim, porque eu imagino que invasão de morro seja exatamente daquela maneira. Quer dizer, eu, enquanto classe média alta do asfalto, não faço a mínima idéia do que acontece nas favelas com boca de fumo. Não subo morro pra comprar nada, então todas as vezes em que estive em uma favela eu passei bem longe dos cara. Nunca levei uma dura, nunca fui presa, nunca fui a baile funk. Então, pra mim, tudo o que rola na seqüência do filme pode ser o mais puro retrato da realidade.

E isso tudo me deprime horrores. Tenho amigos que plantam maconha em casa porque gostam de fumar um baseado mas não concordam em comprar de traficantes. Além disso, dizem eles, a qualidade da cannabis caseira é muito melhor que a de atacado.
Admiro quem faz isso, mas a grande maioria compra no morro mesmo, ou então consegue com intermediários que são os buchas que vão lidar com os donos da boca. De qualquer forma, a menos que você passe a produzir seu próprio barato, você está diretamente ligado a toda essa merda. É simples e cruel.

Ao mesmo tempo que eu chego a essa conclusão, eu penso em Nova York. Todo mundo fuma maconha em NY. E usa cocaína. E, mesmo assim, não existe esse duplo controle de estado - o oficial e o oficioso. Então é muito fácil colocar toda a culpa no usuário, mas o buraco é muito mais embaixo.

Tropa de Elite vai estrear no Festival BR, que deve ser em outubro. Eu não vou assistir à cópia pirata, vou esperar pra ver no cinema, em tela grande e, de preferência, com ar condiocionado. Mas vou asssitir e comentar com quem puxar esse papo comigo. Acho que esses temas têm mais é que ser debatidos à exaustão mesmo.

Update (copiando Baxt): Depois de escrever o texto, cheguei na casa do meu pai e enocntrei uma cópia pirata do filme. Aí me sentir na obrigação de assistir, né? Já que eu tava ali... Resumindo, o filme é bom mesmo. E eu vou ver no cinema também. Provavelmente não na primeira semana, mas vou ver.
É isso.

Thursday, September 06, 2007

Nova Mania

Meu mais novo hobby é filmar os amigos quando eles estão no auge da bebedeira. Funciona assim: em certo momento da festa, quando todas as conversas não fazem mais o mínimo sentido, eu ligo a câmera a começo a captar a conversa. Nesse momento, ninguém mais se importa se eu estou filmando ou não. Na verdae, quando se encontram em estado avançado de álcool, todos são grandes atores e pensadores.

Minha primeira experiência foi na viagem pra Teresópolis. O grupo estava sentado na mesa da cozinha - onde, invariavelmente, as festas acabam - quando saquei a minha Sony Cybershot e iniciei a filmagem. Capitei uma amiga imitando o som do ronco dela quando ela bebia, e um dos meninos, que é estudante de cinema, explicando que quando terminar a faculdade vai fazer filmes pornôs e ganhar muito dinheiro. Diz ele que é melhor que fazer filme publicitário.

A segunda experiência foi no dia do meu aniversario, quando eu e dois amigos decidimos terminar a noite no Diagonal, o bar mais deprimente do Rio de Janeiro. Bebemos apenas um chope e o garçom anunciou que o bar estava fechando. Pedimos a saideira e fomos negados! O meu filme consiste no discurso que uma amiga fez sobre o direito de obter o último do chope da noite quando se chega aos trinta anos.

No fim de semana passado ffilmei a minha última obra incrível. Um amigo que já havia consumido váááárias doses de vodca com qualquer coisa sem álcool começou uma manifestação sobre as pessoas que estavam na festa. Corri para a sala, peguei a minha câmera e gravei toda a lógica sem sentido dele. No dia seguinte assistimos ao vídeo e demos boas gargalhadas.

É ótimo eternizar estes momento que não deveriam ser eternizados.

Tuesday, September 04, 2007

Revelações automobilísticas

É dirigindo que tenho as maiores revelações existencialistas. E também idéias para textos. Não sei se isso acontece porque estou relaxada, ouvindo música, fumando um cigarro, ou se é porque este é o momento que me reservo para pensar na vida. O fato é que outro dia tive uma revelação que mudou a minha existência imediata (no sentido de ser existência que está acontecendo no momento, sabe): descobri que se mudo de A pra B e de B pra A o tempo todo, é porque não quero nem uma coisa nem outra.


Foi como tirar um piano das costas. Foi realmente incrível. De repente eu estava admirando o brilho do sol nos carros, cantando Beatles no máximo da minha curta afinação e dirigindo um pouquinho mais devagar que o habitual.

Dirigir é a maior diversão. Às vezes invento de viajar só pra poder ficar trancada no meu Palio 2002 com o som nas alturas e as janelas fechadas. Lembro de uma vez que peguei a serra de Teresópolis depois de ter brigado com um namoradinho tra-lá-lá. Coloquei aquele disco vocal da Björk e fui admirando toda a mata Atlântica intocada da região. O celular estava fora de área, o meu tanque estava cheio e o meu cartão de crédito andava a pleno vapor. O que mais eu posso pedir da vida, meu deus?

Uma pena a gasolina ser tão cara.

Thursday, August 30, 2007

E agora?

No fim de semana passado, terminei o livro "Extremamente..." Na verdade, não sosseguei enquanto não finalizei a história, e fiquei até altas horas da sexta à noite me deliciando com a prosa daquele cara que tem a minha idade e já escreveu dois livros geniais. Desisti de sair e encontrar amigos pra ficar cara a cara com Oskar e todos aqueles pensamentos absurdamente sensíveis e tristes. Obviamente, também fiquei sensível e triste enquanto acompanhava a vidinha do moleque novaiorquino - basta reler os últimos textos desse blog pra concluir que alguma coisa o livro conseguiu mexer aqui dentro.

Depois de ler a última frase e de acompanhar as últimas fotos, fiquei tomada daquela sensação de dever cumprido. Sabe como é, quando você conclui uma atividade a que se propôs, e fica sentindo aquele gostinho de satisfação. Mas essa sensação durou cerca de cinco minutos, e logo depois se transformou em um grande vazio. Afinal, agora eu não tinha mais com o que beijar a minha alma diariamente.

Costumo dizer para as pessoas que elogiam alguns textos desse blog que eu sou uma fraude. Porque os melhores contos e crônicas e etc saem justamente quando eu estou lendo algo muito bom. É como se a chama-piloto de repente passasse pra carga máxima, e então eu tivesse que colocar pra fora todas as coisas que costumo pensar enquanto leio um livro ou vejo um filme. Mas, uma vez terminada a leitura ou o cinema, volto ao estado inicial de chama-piloto, volto aos relatos fáceis e engraçados e curiosos do cotidiano, que eu escrevo com o pé nas costas, ouvindo música e conversando com outras pessoas. Falar sobre o cotidiano não é nem um pouco complicado pra mim; falar de sentimentos pega mais fundo, sai mais difícil e quase nunca eu gosto de resultado final. Mas também, quando gosto, leio e releio do texto me deliciando com a qualidade. Fico orgulhosa. Não é todo dia que a gente realmente gosta do que produz.

Agora me dedico ao livro do século XIX, um calhamaço de quase 700 páginas que eu estou há meses saboreando. Mas não é alguma coisa. Estou morrendo de saudades do Oskar. E também não é todo dia que sinto falta de alguém que nem existiu de verdade.

Tuesday, August 28, 2007

O milagre da multiplicação das cangas

Outro dia eu estava na praia com Gilles e outros amigos. Gilles vem a ser um francês maquiador da Chanel de Paris que calhou de aparecer na minha casa em um sábado à noite. Resultado: passou o sábado maquiando a mulherada, que ficou enlouquecida com a técnica sfumatto do rapaz. A partir desse dia, eu fiquei absolutamente fã de Gilles, de modo que nós marcamos uma praia antes que ele voltasse para sua terra.

No começo, era só eu, o francês, a Mari e uma amiga dela. Dali a pouco, apareceu o Kito com duas amigas, que estenderam a canga junto às nossas. E, um pouquinho depois, amigos das amigas do Kito também deitaram-se do nosso lado.

Gilles ficou admiradíssimo. Perguntou pra Mari, dias mais tarde, se a prática da união de cangas era muito comum nas praias cariocas. Quando soube da pergunta do francês, foi a minha vez de ficar surpresa. Afinal, não é assim no mundo inteiro? Não é por isso, inclusive, que é uma delícia ir à praia?

Houve um dia em que as cangas se multiplicaram com intensidade sem igual. Fui encontrar com a Lui e o Pepeu em frente à barraca Sandália da Humildade (escolhi ali porque simplesmente adoro esse nome) e logo apareceu um amigo do Pepeu que trouxe outro amigo, que trouxe uma canga gigante (talvez a maior que eu já vi na vida), que trouxe um monte de meninos que faziam malabares e acrobacias. Confesso que dessa vez fiquei meio incomodada, porque em poucos minutos eu não conhecia mais ninguém que estava ao meu redor, e me irrita em certo nível todas essas atividades circenses.

Mas aí, como Deus é brasileiro e, ainda por cima, carioca, logo se formou um subgrupo dentro do grupo do cangão, e todos foram felizes para sempre. E essas amizades de dias ensolarados vão se encontrar novamente no próximo fim de semana, em frente à Sandália da Humildade, ali pelo coqueirão.
Me encontra lá. E leva a sua canga.

Monday, August 27, 2007

Conexão 24h

A minha rotina tem sido mais ou menos assim: chego em casa do trabalho, ligo o computador, conecto na internet (com MSN, Skype e GTalk funcionando), preparo o meu sanduíche fromage au grill e meu copo de sucos variados e me sento em frente à tela. E ali fico por pelo menos uma hora, conversando com amigos que estão a um quarteirão da minha casa ou em outro país, assistindo a vídeos no Youtube, checando recados no Orkut, passando links e fotos para o mundo.

Até esse fim de semana, achei que só eu e alguns poucos estavam engajados em tamanha nerdice. Mas um papo na praia me mostrou que esse é um vício geral. A conversa surgiu depois que um dos amigos comentou que agora que tinha consertado a internet da sua casa, se sentia de volta à realidade. E confessou que a primeira coisa que faz quando chega em casa é ligar o computador, colocar um MP3 pra tocar e entrar na internet.

Nesse mesmo dia, encontrei com outro grupo de amigos e comentei sobre o papo da praia. Os meus amigos da noite disseram que eles também levavam a vida on line, e uma das meninas falou que o computador dela está 24h ligado, porque ela estava sempre baixando músicas no SoulSeek.

O curioso é que toda essa galera está, como eu, na faixa dos 30. Eu já sabia que os adolescentes gostavam de um bate-papo on line, mas não imaginava que os balzaquianos também levavam essa vida. Adolescentes já nasceram com a internet bombando, conexão banda larga e vários programas para baixar músicas e filmes. Os balzaquianos, ao contrário, viram essa história toda nascer e crescer - e, mesmo assim, se renderam às facilidades da vidinha do computador.

Eu acho tudo ótimo. Não vejo problema nenhum em não encontrar com os amigos ao vivo para ficar conversando via internet. Se não rolasse essa conexão, provavelmente eu ficaria isolada em casa, vendo TV. Mas, por outro lado, ando lendo muito menos do que gostaria, e isso tem muito a ver com o tempo que gasto em frente à telinha do meu querido laptop. Mas aí em nem coloco a culpa na internet.... A culpa é minha mesmo, compulsiva que sou em novidades comportamentais.

Friday, August 24, 2007

Se joga II

Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade.

Do livro Extremamente Alto, Incrivelmente Perto


Abro o livro do século XXI e, em meio a um texto sobre amor e abandono, encontro essa frase. Quando leio uma passagem que me chama a atenção, tenho essa necessidade urgente de anotar pra nunca mais esquecer. Meu primeiro impulso ao bater os olhos naquelas linhas foi copiar a frase e mandar uma mensagem para alguém que iria entender. Depois pensei que não adiantaria nada, porque só entende aquele que quer entender, e ao invés de anotar os dizeres para terceiros, anotei pra mim mesma, no caderninho que mora na minha bolsa. Para que eu pudesse usar a frase mais tarde. Ou para não enterrá-la em meio a outras frases muito menos importantes e eficientes.

Não é possível proteger-se da tristeza...

Foi meio que um soco no estômago. Estava me sentindo tão sabida, tão madura, totalmente segura dos meus sentimentos, tateando o chão antes de dar o próximo passo. E aí, não saía do lugar, ficava parada sentindo com as pontas dos dedos do pé a terra ao meu redor. Uma ilha de segurança que criei.

... sem antes proteger-se da felicidade.

E agora eu descobri que não é nada disso, e o que todas as minhas amigas falam sobre futuros e passados amantes é muito triste, porque a cada passo, a cada minuto, nos tornamos um pouquinho menos o que somos de verdade, porque escolhemos fazer o papel mais seguro, o que supostamente não nos magoa, porque acreditamos que estamos todos preparados para a vida e nada pode nos derrubar facilmente. E depois que eu descobri isso, eu fiquei com muita vergonha de toda a minha segurança, e gritei internamente: que se dane o que é certo, e passei a torcer por paixões impossíveis e avassaladoras, e passei a procurar pessoas que tivessem o mesmo sentimento que eu. Só não encontrei ninguém ainda que pense e que sinta como eu penso e sinto agora.

Mas não tem nada não. Tenho todo tempo do mundo.

Thursday, August 23, 2007

Comentário do Nic sobre "Que que eu quero mesmo?"

Ele me mandou por email, mas é tão bom que precisa ser publicado.
Eu faria tudo pra sonhar com Krishna me servindo em um restaurante.
O Nicholas é foda.

"um pouco antes de viajar pra NY, eu tive um desses sonhos-revelacao em que conversava com krishna (que atendia tables de varios customers, us, e tava pretty busy).

ele falou que sim, a realidade eh feita de nossos desejos. e temos problemas pq nossos desejos batem de frente um com outro, e fica dificil descrever o prato pro cozinheiro.

falou tb que a diferenca entre criancas e adultos, eh que pra criancas, os overlapping desires sao esquecidos, pra adultos nao. tipo, cafe-com-leite, coitados.

BTW, i wanna be invisible an do outrageous things. i wanna be an international freedom fighter.(so far)"

Se joga

Faz o seguinte: finge que você não viveu aquilo tudo e se joga. Fecha os olhos e se aproxima do parapeito, depois dá o passo em direção ao infinito e pronto, sente o vento empurrando as bochechas pra trás, sente o ar faltando aos pulmões. Alguém me contou uma vez que aqueles que se jogaram do topo do World Trade Center morreram antes de atingir o chão. Tinha alguma coisa a ver com isso, com ar e pulmões, mas eu não lembro bem o que era. O lance é que aquelas pessoas olhavam pra trás e viam fumaça e fogo, olhavam pra frente e viam o skyline de Nova York. Se eu estivesse lá, também me jogaria. Mas que coisa ruim de pensar, bem hoje que estou me referindo a outro tipo de salto. Me refiro ao salto que livra daquele medo que não serve pra nada a não ser estagnar a nossa vida. Aquele medo que nos faz pensar assim: "Isso aqui eu conheço, porque vou me meter onde nunca me meti antes?"

Houve uma época em que eu fazia tudo na base do instinto. Tava bom, eu ficava; não tava, pegava as coisas e ia embora. Geralmente, sem dar tchau. Comia quando tinha fome, dormia quando tinha sono. Essa fase durou umas duas semanas, mas depois tive que voltar ao normal porque a vida não segue assim, não é? E eu inventei de viver desse jeito porque tive um professor de Antropologia que não usava relógio. Eu achei isso o máximo. Eu sou uma escrava do relógio, do celular, do email, do msn, do carro, dos livros, dos amigos, dos bares de quinta, dos bares de primeira, de boa comida boa música bons lugares. Eu sou tiranizada pelas coisas boas da vida, dá pra imaginar? E eu não consigo me livrar das coisas boas, e me programo em função delas. E, por isso, não posso viver como um animal.

Mas agora que voltei ao modo ser humano racional, eu tenho saudades do tempo em que chutava o balde dos bons costumes. Não lembro se eu era mais feliz nessa época, mas é simplesmente insuportável pra mim ficar regulando intensidade. Acho que quanto mais velho a gente fica, mais medo a gente tem. Faz sentido, não faz? E é meio triste... E eu não quero isso pra mim. De repente é melhor se jogar e morrer intoxicada de ar do que ficar e morrer intoxicada com fumaça.
Olha eu falando de morte de novo. Fuck.

Wednesday, August 22, 2007

O vinho nosso de cada dia

Quando eu era pequena, lembro do meu pai chegando do trabalho e se servindo de uma dose de whisky. Ele se sentava no sofá da sala e ficava rodando as pedras de gelo. Eu achava aquilo o máximo, pedia pra rodar as pedras de gelo também, e depois chupava o dedo sujo de bebida. Vai ver vem daí o meu gosto por destilados.

Anos depois, ouvia dos meus amigos maconheiros a grande justificativa do beck diário: "não tem gente que gosta de tomar um whiskynho em casa pra desestressar? Pois então, eu gosto de fumar um". Eu achava que aquilo fazia todo sentido do mundo, apesar do meu gosto estar muito distante do baseado pós-escola/trabalho.

Na verdade, quando eu quero desestressar, ligo pra cerca de 30 amigos e marco um chope no bar mais próximo (no qual uns dois comparecem). Mas ontem eu estava com uma garrafa de vinho aberta na geladeira, e pensei: "se eu não beber esse vinho logo, ele vai estragar". Saquei a taça do armário e me servi do primeiro copo.

O primeiro copo é ótimo. Realmente caiu bem junto com o meu jantar, um sanduíche feito no gril com queijo minas curado. Sentei no computador e fiquei papeando no MSN, falando abobrinhas pra passar a vida, a tempo de me servir do segundo copo.

Daí comecei a ficar de pilequinho. Bem de leve. Falando um monte de besteiras no messenger, fumando cigarros e cigarros e me achando muito, mas muito adulta. Tem coisa mais madura que beber um vinhozinho de noite, depois do trabalho? Aliás, tem coisa mais balzaquiana?

Quando deitei, dormi como um bebê. E hoje, penso no resto de vinho que ficou na geladeira. Provavelmente, duas taças vão me fazer a alegria novamente.
Cuidado se você me conhece e eu estiver no msn. Posso falar muita besteira com apenas duas taças de vinho tinto seco.

Tuesday, August 21, 2007

Que que eu quero mesmo?

Desde que aprendi sobre as Leis de Atração, muito antes de O Segredo se tornar filmografia básica para os que buscam o aperfeiçoamento através da auto-ajuda, venho tentando fazer com que o universo me dê de presente o que eu quero. E quanto mais eu leio sobre o assunto, mais eu tenho certeza absoluta de que vou alcançar os meu objetivos.

Só tem um probleminha: meus desejos mudam de cinco em cinco minutos.

Me dei conta disso outro dia, quando conversava com um amigo sobre possíveis caminhos que a minha vida seguiria no segundo semestre do ano. Ele disse: "Peraí, você já falou de tanta coisa que pode rolar, mas o que exatamente você quer?" Ah, pois é. O que eu quero. Sabe que eu não tinha parado pra pensar nisso até agora?

Daí lembrei de uma passagem de O Estrangeiro, quando o protagonista está no corredor da morte e o padre pergunta pra ele do que ele gosta. E ele responde: "Não sei do que gosto, mas tenho certeza do que não gosto". Comigo é mais ou menos assim também: tenho total segurança do que não quero pra mim. Eu acho.

Com tantas mudanças de planos em um tempo tão curto, fica difícil exigir do universo alguma coisa. Me dá até uma certa vergonha apontar a proa do barco pra outra direção pela enésima vez. Morro de inveja daquelas pessoas que têm seu objetivo traçado desde muito cedo porque, teoricamente, essas pessoas vão atingir algum objetivo muito mais rápido do que eu.

Como a cada microacontecimento do cotidiano eu cancelo a ordem anterior, acho que o universo já deve estar meio de saco cheio de mim. Talvez eu deva ordenar que quero saber exatamente o que quero. Mas será que eu quero isso?

Monday, August 20, 2007

Terê

No sábado eu tinha uma festa pra ir. Uma festa de aniversário, o que eu considero um evento sagrado, que deve ser cumprido. Mas ao invés de ir na festa que ficava a apenas alguns quilômetros da minha casa, resolvi dar uma passadinha em Teresópolis, onde uns amigos faziam (mais) festinhas e bebedeiras e tudo o que se pode fazer em uma casa na montanha. Então, às 5h da tarde, completei o tanque e caí na estrada, mesmo sem ter a mínima noção de qual era o endereço do meu destino.

Quando consegui chegar, já era noite. O grupo era dividido em duas partes: as pessoas que eu não conhecia e as que eu conhecia. E eu realmente adoro viajar pra um lugar onde não conheço todo mundo, porque, dessa forma, novas amizades são criadas no espaço de 48 horas.

Os que me conheciam me mimaram com um drink na hora da minha chegada. Fui recebida com vodca e coca-cola, iPods bombando e peixinho saindo da brasa. "Não podia ter feito uma escolha mais feliz", foi o que pensei naquele momento. E me preparei pra o que seria uma noite divertida e nada relax.

Digo que não foi relax porque não deu tempo. Levei o livro do século XXI pra ler e nem toquei no coitado, atazanada que estava por conhecer todas as histórias de todas as pessoas que estavam ali. Havia estudantes de cinema, advogados, microempresários e nerds de todas as categorias. E eu queria saber como é que as pessoas tinham ido parar ali, pra onde iam depois da festa, aonde gostavam de sair, qual era a banda preferida, qual foi o show mais maravilhoso que já viram, etc etc etc. Eu queria histórias.
Se tem uma coisa que eu gosto é chutar o balde e cair na estrada. Sem justificativa e sem amarras.

Friday, August 17, 2007

Coisas pra lembrar depois

1 - De vez em quando ser dois, mas nunca deixar de ser uma.
2 - Construir paciência pra poder usufruir da alheia.
3 - Deixar ir sabendo que vai voltar.
4 - Aprender que o egoísmo é o avesso do amor.

Histórias Incompletas

Um dia os dois se encontraram e ele ficou obcecado por aquela ruga no canto esquerdo da boca dela. Não existia a tal ruga na última vez que eles haviam se encontrado. Tudo bem que já fazia alguns anos, e ele mesmo havia desenvolvido involuntariamente uma barriguinha indesejável. Mesmo assim, a ruga no canto esquerdo da boca não encaixava com todas as imagens que ele guardava em algum canto escuro do cérebro. "Deve ser porque ela ri muito", concluiu. E se despediram sem marcar novos encontros.

Naquela mesma noite, ele sonhou com ela. Os dois se encontravam e se beijavam como se aquela fosse a situação mais natural do mundo. Ou melhor: como se aquilo nunca houvesse deixado de acontecer. Quando acordou, ele sentiu a frustração de deixar pra trás um sonho bom, do tipo que gostaria que fosse realidade. Foi assim que percebeu que ainda a amava.

Se o mundo fosse um episódio de enlatado americano, ele teria ligado pra ela e os dois teriam se encontrado e todos seriam felizes para sempre. Mas como o mundo é muito mais caótico e incompleto e irônico que a vida de fácil resolução dos seriados de TV, ele não a procurou, não buscou seu endereço ou seu telefone, não fez serenata em frente à sua janela, não jogou pedrinhas na sua varanda, não impediu o padre na hora que ela disse sim pra outro, não se jogou da ponte quando ela ficou grávida, não jurou amor eterno mesmo que ela estivesse nos braços de outro, não rolou na rua brigando com seu rival. Ao invés disso, seguiu a vida e também conheceu alguém pra casar e ter filhos e fazer todas aquelas atividades de fim de semana com a família.

Só que ele guarda um segredo - e, na verdade, ela também. É que debaixo de camadas e camadas de cotidiano, ela ainda existe dentro dele: um pedaço minúsculo do passado que insiste em se fazer ouvir de vez em quando.

Tuesday, August 14, 2007

Fotografias

Ando com a mania de fotografar o céu. Aponto a câmera pra cima de qualquer maneira e bato a foto, pra depois tentar descobrir formatos nas nuvens das minhas fotografias. Hoje mesmo bati mais uma, indo para o trabalho, naquele previsível engarrafamento a que já estou tão habituada. Quanto menos indefinidas estão as nuvens, mais eu gosto do resultado da fotografia. Acho que o que me atrai mesmo é a indefinição.

Essas imagens estão guardadas no meu celular. Nunca tive vontade de ter um celular com câmera e com vídeo, mas confesso que, agora que tenho um desses, tudo é motivo para gravar ou fotografar.

Percorro as imagens do meu celular e vejo o seguinte: duas fotos de céu azul com nuvens, o bar de uma gafieira, eu e duas amigas na mesma gafieira, a praia de Ipanema lotada, uma instalação de arte feita com fitas coloridas penduradas no teto e que iam até o chão (e que a gente podia andar por dentro), três fotos consecutivas da mesma pessoa (mas em lugares diferentes), um auto-retrato (logo eu, que sou tão avessa a auto-retratos...), um camelo babando em cima de uma câmera de TV, vasos de cerâmica de tamanhos variados, a minha boca (outro auto-retrato?) e muitas fotos de amigos.

Os vídeos: eu andando dentro da instalação de fitas, eu contando uma história e caindo na gargalhada (alguém gravou e eu só descobri agora, pra falar a verdade), pessoas no trabalho (sem a mínima vontade de trabalhar) cantando e conversando alto, eu fazendo a Marmota Dramática.

Alguém me explica o que tudo isso quer dizer. E por que, afinal, eu inventei essa história de fotografar o céu. Isso quer dizer alguma coisa?
A resposta é: eu sou uma pessoa que prefere nuvens indefinidas àquelas que formam animaizinhos imaginários. E só. Tá de bom tamanho já, né?

Monday, August 13, 2007

Assombração

Outro dia tive que ouvir a pergunta que não tem resposta: como é que se faz pra matar a saudade de uma pessoa que não existe mais? Eu olhei pra ela e fiquei calada, porque eu não sei matar saudades nem de quem está nesse mundo, quanto mais no outro. E lamentei pela minha amiga, a que tinha feito a pergunta sem resposta, enquanto ela vasculhava fotos antigas e chorava silenciosamente em frente ao computador.

Desde então a saudade tem pegado no meu pé, me perseguido sem trégua, traiçoeira. Quando o momento está divertido, ela aparece sorrateiramente, e me faz pensar em gente que não existe mais, nesse mundo ou no outro. E não importa aonde eu esteja, ou quem esteja ao meu lado, eu tenho vontade de ir embora e me trancar no quarto e abrir os meus meninos do século XIX e do século XXI nas páginas marcadas, pra ver se consigo me livrar dessa tormenta.

Mas só o que eu lembro são daqueles versos do Chico Buarque que, de tão verdadeiros, eu decorei:

A saudade é o pior tormento
É pior que o esquecimento
É pior que se entregar.
A saudade é o pior castigo
Eu é que não vou levar comigo
a mortalha do amor; adeus.

E os versos se sentam no meu ombro direito e ficam sussurando insistentemente no meu ouvido, enquanto eu rio e conto piadas e mostro pra todo mundo que eles não são tão fortes assim. Só eu sei que é uma luta constante, uma queda de braço interna, e que se eu der mole, eu perco. E tenho que pagar mais uma rodada de tequila pra todo o bar.

Como esses sentimentos são cíclicos, e como a vida realmente dá voltas, espero na santa paciência para que a saudade se canse de mim e vá embora. Que vá assombrar outra pessoa, alguém que goste de fantasmas.

Sunday, August 12, 2007

Necessariamente álcool

Existem duas ou três coisas que você precisa aprender sobre mim, e a primeira delas é: se eu pego o telefone, percorro a lista na agenda até chegar ao seu nome e então aperto o send e quando você atende, falo assim, bem devagar: "tá a fim de tomar um chope?" é porque eu já estou a muitos mil quilômetros de distância e to mesmo precisada de um rosto como o seu e de um papo como aqueles que já rolaram, e de histórias sobre gatos e lugares interessantes e baratos e ainda sobre pessoas que você conheceu e que são e não são legais. Se eu peguei o celular e liguei, acredite, o caso aqui está sério. E como a gente fez esse trato nunca falado claramente de que somos amigos, então eu acho que tenho todo o direito de, em casos extremos, exigir um pouco de atenção, você não acha? E não vale falar que eu exijo atenção demais, que eu sou mimada demais (você não faz idéia de como já ouvi isso!), não vale nada disso porque toda vez que você precisa de chopes milagrosos, eu to lá. A postos. Batendo continência. Mas isso nem é uma coisa que eu faço com dificuldade, porque na verdade adoro ouvir todas as suas histórias sobre todas as coisas que você gosta de contar e, aliás, descobri que gosto de ouvir as histórias da grande maioria das pessoas. Até aquelas que são meio malas eu gosto de ouvir também, e depois eu fico comparando com as minhas histórias e pensando: será que também pode acontecer comigo? No final, o que rola mesmo é que eu fico tentando aprender com o que aconteceu com os outros, mas isso é outra coisa, deixa pra outra vez.

É que tem vezes que eu fico assim meio em desespero, e o meu livro do século dezenove e o outro do século vinte e um já não conseguem mais resolver meus problemas, e aí eu procuro as pessoas. Só que bem na hora que eu procuro as pessoas, todas elas desaparecem e eu fico a ver navios, tendo que resolver tudo, eu comigo mesma, sem uma só história pra ouvir e tomar como aprendizado. Foi assim com você - não preciso nem dizer que você foi a minha primeira opção, porque você é uma das poucas pessoas bonitas que eu conheço que são ainda mais lindas por dentro, e eu acho a sua alma deslumbrante, e falo pra todo mundo isso. Sem citar nomes, é claro. Então no dia eu queria um chope exclusivo com você, porque eu andava no meio de um monte de idéias malucas e precisava clarear a minha cabeça. Mas aí... como todos os outros seres humanos, você não estava lá, não podia, não queria, pouco me importa, e eu tive que deitar no sofá e ligar a TV e ficar morrendo de tédio de todos os humorísticos enlatados que existem atualmente.

Enfim, eu precisava falar isso porque tem vezes que eu pareço uma coisa e na verdade sou outra, e o que eu queria mesmo era escrever uma carta pra te contar tudo isso, mas como sou covarde, a carta vai aqui mesmo. Você que nunca me lê. E, quando lê, pede pra mudar a construção das frases e trocar os adjetivos. E, já que você não vai ler mesmo, isso aqui virou um lugar seguro pra dizer todas essas coisas. E fique sabendo que todo mundo vai saber, menos você, o que é realmente lamentável da minha parte.

E tem outra coisa: depois me fala onde você comprou aquele poncho peruano que eu vi na sua casa. É que tem alguém que quis saber.

Enfim.

Thursday, August 09, 2007

Extremamente, incrivelmente

Sento à mesa da Argumento a apenas 21 dias do meu aniversário de 30 anos. Uma certa melancolia me acompanhou o dia inteiro - até quando eu comia, ou quando eu bebia café morno do escritório, ou quando eu fumava cigarros que não deveria estar fumando, porque tenho a garganta ruim e uma tosse seca constante. E, geralmente, quando certas melancolias me assolam sem razão, eu busco uma explicação. Deve haver uma explicação.

Descubro vários motivos, mas nenhum deles é o verdadeiro. Se eu acreditasse em infernos astrais, diria que esse pode ser um dos sintomas de hoje. Ou, olhando no calendário, poderia prever uma explosão de detestáveis hormônios femininos. Mas eu não acredito em nenhum tipo de inferno, muito menos os astrais, apesar de ler horóscopos no começo do mês e ficar levemente surpresa quando as previsões batem com alguns aspectos da minha vida. Se é pra acreditar, eu acredito na TPM, e acredito que ela não se manifesta apenas em determinado período do ciclo feminino, mas é mutável, de acordo com as circunstâncias e o grau de cansaço e de trabalho e de gente chata à minha volta.

Mas hoje, nenhuma dessas observações faz sentido.

E logo ontem eu comecei a ler Extremamente Alto, Incrivelmente Perto. Lia um pouquinho e parava para chorar um monte, soluçando que nem criança, gemendo um pouquinho alto demais para o meu gosto. Mais uma vez, fiquei me perguntando: por que esse choro? Dá pra explicar por quê?
Mas a razão não saiu. E hoje eu passei o dia inteiro pensando no livro.

Cheguei à conclusão de que eu gosto do personagem principal. Só pode ser isso. Oskar é um menino de uns dez que é sensível e inteligente e não passa um único segundo sem inventar algum objeto revolucionário e absolutamente sem utilidade. E não dá pra falar mais, porque esse é o tipo de livro que as pessoas devem comprar no escuro e se trancar no quarto para chorar e soluçar um pouquinho mais alto que os padrões aceitáveis. Dica de uma manteiga derretida.

Wednesday, August 08, 2007

Bares parasitas

É um fenômeno do Rio de Janeiro. Perto de onde há um bom bar, há um bar ruim que absorve o público de quem não sonseguiu sentar no bar bom. Dá pra entender? São aqueles lugares fadados à segunda opção, aqueles que estão sempre mega vazios enquanto que o vizinho está bombando.

Posso dar uma lista de bares que se relacionam dessa maneira: Plebeu e "aquele bar da frente", Pizzaria Guanabara e Diagonal, Braseiro e Hipódromo e, mais recentemente, Drinkeria Maldita e o boteco do outro lado da rua.

Tenho amigos que se recusam a sentar no bar da segunda opção. Consideram muito deprê passar pro lado vazio, com garçons com cara de sono e mesas insossas. Preferem incomparavelmente os atendentes atolados e às vezes rudes dos bares da moda, mesmo que o chope demore um pouquinho mais a chegar.
Aliás, nos bares da moda, o chope não demora nunca a chegar, pro incrível que pareça. Deve ser por isso que esses lugares estão sempre cheios.

Confesso que de tanto sair pra beber com gente que não se conforma com a segunda opção, acabei me tornando um deles. Fico terrivelmente decepcionada quando aterriso no Braseiro e dou de cara com as calçadas tomadas de mesas, sem cadeiras sobrando, sem espaço físico para mais uma galera. Fico me amaldiçoando internamente por não ter chegado mais cedo e, assim, garantido o meu lugar sentada. A noite, então, vira uma desgraça.

Nunca fui do tipo que conhece o garçon pelo nome. Deve ser porque no terceiro hope já etsou morrendo de sono e com vontade de ir pra casa, enquanto meus companheiros de mesa estão apenas começando. Na maioria das vezes é assim, pelo menos.
Mas, em alguns momentos, eu realmente gostaria de ser amiga do garçon. por exemplo, quando chego no Jobi. Esse é o bar que mais me deixa frustrada, e eu só conseguia um lugar ao sol quando namorava um habitué do local.

Acabou o namoro e, pro conseqüência, acabou o bar pra mim também.

Mas acho que ser dono de bares de segunda opção deve ser um bom negócio. Porque nenhum desses estabelecimentos fechou. Entra ano, sai ano, lá estão as mesas vagas, os garçons com cara de sono e o ambiente insosso.
No Rio de Janeiro, até bar de segunda categoria dá certo.

Tuesday, August 07, 2007

Passamos dos 10 mil acessos

Yupi.

To tão doente que não consigo nem celebrar muito.
Ok, nem tão doente assim. Mas o suficiente para me deixar de mau humor e torcer para que essa porcaria passe logo...
Eu sou do tipo que acredita que a dor vai embora sozinha. Que não toma remédio, que não sabe marca de nada, nem a diferença entre neosaldina e dipirona. Que nunca, mas nunca MESMO, fica doente.
Mas agora eu to doente. Fuck.
E comendo como uma louca. Porque meteram na minha cabeça que eu to doente porque eu não como.
Eu ando comendo como se isso fosse me deixar curada. Mas só tá me deixando gorda.

Ai, muito mau humor mesmo; sorry.

Friday, August 03, 2007

Penetra de Vernissage

Tenho um amigo que trabalha no MAM e volta e meia me convida para vernissages regadérrimas: comidinhas, bebidinhas e gente que teoricamente gosta de arte. Digo teoricamente porque, como eu, uma grande parcela do público que freqüenta aberturas de exposição está lá mais para os gelados do que para as obras. É freqüente me perguntarem de quem é a vernissage a que estou sendo convidada e eu não fazer a mínima idéia do que responder. Rola uma certa vergonha...

Ontem foi mais um dia de festinhas no MAM. Mas dessa vez eu tentei ver a exposição, uma instalação da Bia Lessa inspirada em "Grande Sertão: Veredas", que ficou quase um ano no Museu da Língua Portuguesa. Digo que tentei porque era muita gente pra pouco espaço, o que confirma a minha teoria de que abertura de exposição só serve mesmo pra beber umas e outras.

O problema dessas aberturas muito concorridas é que é difícil conseguir atenção dos garçons. Gente fina praticamente se estapeava por uma caipirinha, e muitas vezes o pobre do moço da bandeja não conseguia dar um passo sequer em seu caminho pelo salão. Por isso é sempre mais recomendado observar aquelas vernissages em que o cara nem é tão bãm bãm bãm, mas que tem um bom patrocinador. Me mostra uma festa bancada pela Petrobrás e eu te direi que já estou lá.

Meu amigo acabou se tornando um profissional na arte de convidar penetras para esses eventos artísticos. Tanto que ontem a grande maioria do público presente era composta por nossos amigos nada entendedores do assunto em questão. Pelo menos uma vez por mês saímos direto do trabalho em direção ao MAM, e repetimos a senha secreta na portaria. Uma senha que abre as portas de festas memoráveis e obras nem tão incríveis. Mas sempre, com certeza, diversão garantida.

Wednesday, August 01, 2007

Friozinho em Búzios

Se você é uma pessoa normal, você não leva em consideração um convite para um balneário em plena frente fria. Principalmente se esse convite surge na madrugada de quinta para sexta. E, mais principalmente ainda se você está sem carro no fim de semana.

Só que eu não sou normal.

Chutei o balde do trabalho às 3h da tarde e, armada de uma mochilinha de quinta categoria, rumei para aquele local aprazível do Rio de Janeiro chamado Rodoviária Novo Rio. Foram três horas de viagem de ônibus do meu trabalho até a rodô, mais um tempão na fila da passagem, até que, finalmente, tive o bilhetinho nas mãos: RJ - Cabo Frio às 19h.

Quase perco o ônibus de bobeira, porque fiquei dando pinta na deliciosa rodoviária: fumando um cigarrinho, comendo um chocolatezinho, apagando as mensagens do meu celular... Quando me dei conta, lá vai o MEU ônibus manobrando pela plataforma. Desesperei. Depois de tanto esforço, só me faltava perder o buzão! Pedi encarecidamente e aos berros que um funcionário me ajudasse. Não só ele se recusou como ficou rindo da minha cara. Não me dei por vencida e saí correndo no meio da plataforma, a mochila de quinta sacolejando nas costas, os cabelos completamente despenteados. Mas cheguei a tempo. O motorista - muuito mais simpático que o outro cara - abriu imediatamente a porta pra mim. Entrei no ônibus e lá estava a minha poltrona, único lugar vazio no meio de tantas cabecinhas e olhares curiosos em cima de mim.
E então começou a viagem.

Búzios é Búzios mesmo com chuva, não é mesmo, minha gente? Mas o que se faz na Armação em dia de tempestade é... beber.
Sábado fomos para a Rua das Pedras e compramos fogos em uma barraquinha de feira e duas garrafas de saquê. Depois de terminado o saquê, eles passaram para o chope e eu para a vodca + coca-cola. E, então, decidimos que era hora de soltar os fogos.

Resumidamente, não foi uma boa idéia. Secretamente eu pensava no meu pai, e em como ele sempre me censurou nas festas juninas, liberando que eu brincasse com fogos se fossem aquelas estrelinhas de bolo de aniversário - e olhe lá. Bombinha ele já pirava. Imagina então se ele descobrisse que, na era balzaquiana, eu me metia no meio de rojões e derivados.

Não posso negar, no entanto, de que foi engraçado.

Em menos de meia hora já conhecíamos todos os garçons do bar (inclusive, porque quase colocamos fogo no Conversa Fiada graças ao show pirotécnico), e nem percebemos que o ambiente foi enchendo, enchendo, até que a nossa mesa era, com toda certeza, a mais
barulhenta. Alguém falou em ir embora e nós fomos, sem perceber que a chuva tinha apertado.

Nem deu trabalho, a chuva. Eu e a Lina, há muito tempo libertas dos grilhões sociais, dançamos na rua para espantar os maus espíritos. (Na verdade a gente tentou entrar em um show de blues, mas fomos barrados. Daí gritamos: não precisamos disso! E fomos pagar um puta mico no meio da Rua das Pedras). E ainda ligamos para amigos que estavam no Rio, e pegamos endereços de emails para onde nunca enviaremos mensagens, e voltamos de carro pra casa tirando fotos malucas.

Depois disso tudo, me responde você: vale ou não a pena passar um friozinho em Búzios?
Eu e Brigite adoramos.

Monday, July 30, 2007

Convites

Quinta foi um dia estranho. Originalmente eu havia combinado de beber um vinho e comer um queijo lá em casa, porque estava dura como um coco e não queria gastar dinheiro. Mas acontece que uma das amigas com quem eu iria me encontrar estava enrolada no jornal (quem mandou ter amiga jornalista?) e avisou que só conseguiria chegar no Flamengo lá pelas 23h. A solução foi simples, dada pela segunda amiga da noite: vamos sair para tomar um chope enquanto seu lobo não vem.

E fomos nós para o Baixo. Há uns três anos eu não pisava no Hipódromo ou no Braseiro, por isso foi uma agradável surpresa perceber como tem meninos bonitos por lá. Quanto mais happy hour for o horário, melhores são os meninos. Depois das dez o clima vai ficando mais muvucado, mais adolescente, e aí já não tem graça. Bom mesmo é encontrar aqueles engravatados bebericando suas tulipas.

Mas só pra olhar mesmo, né, gente. É que adoro um colírio.

Quando eu achava que iria ficar no chopinho e nada mais, encontro a minha chefe sentada em uma mesa e cercada de amigos. Fui intimada a sentar e, como chefe é chefe, a gente obedece. Ela me apresentou rapidamente a toda a mesa, não guardei o nome de ninguém, e recebi um chope bem geladinho pra passar o tempo.
É que ainda esperava encontrar a tal amiga que estava no jornal.

Os minutos foram passando, e depois as horas. A mesa foi crescendo, crescendo, e os planos mudaram. Minha outra amiga, a que chegou comigo no Baixo, resolveu que era hora de ir para o Plebeu. Graças a um pedido charmoso, desisti de ir embora do BG, e fiquei para o que desse e viesse. E o que apareceu foi o seguinte: vamos terminar a noite no Clube Democráticos.
Já era meia-noite.

O Democráticos estava lotado, uma mistura de malandragem carioca (em menor número), juventude dourada pós adolescente (a grande maioria) e eu. É claro que ninguém ali se parecia comigo.
Eu aceitei todos os convites pra dançar (é desfeita dizer não), avisando que com certeza eu pisaria no pé do meu acompanhante. Ninguém se importou, mesmo quando eu perdia o ritmo. Foi bem divertido, tanto que a minha abóbora demorou para avisar que estava na hora de ir embora.
Quando percebi, eram quase 4h.

Corri pra casa de táxi, com um tremendo peso na consciência de como seria meu dia de trabalho na sexta. Deixei pra trás a minha chefe e todo o seu séquito, louca pra tomar um banho e cair na caminha.

Foi só depois de entrar no meu apartamento que percebi a mensagem no celular, enviada 3 horas antes:
"Vem pra Búzios amanhã?"
Respondi na hora: "Reserva aí meu lugarzinho"

E fui dormir feliz e muito cansada.

Thursday, July 26, 2007

Entendimento

Pra que tentar entender o mundo? Muito melhor é deixar a coisa fluir, acreditando piamente que o universo conspira em seu favor. Ele passou a acreditar nessa história de universo e, por tabela, ela talmbém. Vai boiando sobre as águas, deixando a onda levar, mesmo que um dia a colisão com as pedras seja inevitável. Até lá, é só o sol esquentando o rosto, o silêncio do mundo submerso afogando os ouvidos, a misteriosa vida marinha vez ou outra roçando de leve nos seus braços. Assim é bem melhor: sem luta, sem cansaço, sem desespero.

Outro dia explicaram pra ele, que depois explicou pra ela: quando você quer atingir um objetivo, faça de conta que esse objetivo já é seu. Ao invés de bater a cabeça, vá ao cinema. Uma hora vai acontecer o que você deseja.

Mas ela não era assim, estava o tempo inteiro tentando explicar o por quê das coisas, esperando que os dias seguissem uma lógica. Gostava de colecionar casos dos outros para assim desenvolver uma teoria sobre a humanidade. Já fazem trinta anos que essa teoria está para ser construída. Outros teriam desistido; não ela. Ela acredita que a perseverança é o caminho da descoberta.

Mesmo vivendo em lados opostos, os dois conseguiam se encontrar. Melhor viver em oposto do que em paralelo, aí sim fica complicado o encontro. Na contradição, ninguém sabe ainda como, chega uma hora em que a língua é a mesma. E aí dá certo. Como no jogo do universo.

Wednesday, July 25, 2007

Domingo na praia

Domingo de sol na praia de Ipanema. Encontro com amigos no segundo coqueirão (o primeiro coqueirão datou, minha gente) para mais uma tarde de sol, água gelada e muito salgada, gringos diversos (entre eles, a delegação americana de natação), mate de garrafão feito com água suspeita, biscoito Globo, queijo coalho com orégano, canga, cadeira, Rolling Stone Brasil e jornal O Globo. Minha praia acabou às 19h30, e fazia bastante tempo que eu não chegava em casa de biquini em um horário que o sol havia há muito se posto.

O bom de uma praia domingueira no inverno é que ela não é tão cheia quanto no verão, e existe a certeza absoluta de que todos os componentes dos meses mais quentes do ano estarão presentes. Não é porque estamos em julho que não vai rolar aquele clima de calçadão carioca que eu tanto adoro. Estacionei o carro no Leblon, porque lá tem vaga, e fui andando calmamente até o 9 quase 10, assistindo a todos os acontecimentos ao meu redor. Gente de patins, de bicicleta, de skate, de cachorro em punho, de namorada de braço dado, de criança no colo, de cheiro de milho verde e churros, de água de côco.

Houve um tempo em que o fim de semana praieiro era obrigatório. Eu acordava com mensagens de texto chamando pra praia, e imediatamente me levantava, colocava o biquini, engolia alguma coisa e dirigia vinte quilômetros até o litoral da minha preferência. Ia ouvindo reggae, as únicas músicas de reggae que eu gosto, gravadas em uma fitinha K7 pela Karen, que sempre tentou me conduzir ao clã de Jah. Nessa época, eu gostava de ouvir reggae porque achava que tinha tudo a ver com o clima em questão. Ia de janela aberta, sentindo o ar quente do verão, e pouco me importava com ar condicionado e possíveis pivetes. Aqueles eram bons tempos.

Muita coisa mudou desde então. Troquei as manhãs na praia pelas noites que acabavam só no dia seguinte (na verdade, sempre tive essa tendência...) e fiquei longos meses sem sentir na pele o gosto do mar. Só quando viajava a trabalho fazia questão de dar um mergulho na cidade em que estava. Porque se piso pela primeira vez em uma cidade litorânea, me sinto na obrigação de mergulhar nas suas águas. Mas a verdade é que meus fins de semana mudaram drasticamente de uns tempos pra cá, apesar de nada disso ter sido imposto. Foi uma mudança minha.

Por isso achei tão engraçado quando ouvi de um amigo, outro dia: "Nossa, a gente é tão diferente, mas se diverte tanto". Esse amigo acha que só porque eu gosto de música eletrônica e ele se amarra em um bom boteco de Santa Teresa, nossa amizade é contra as leis da física. Ledo engano. A gente sempre se adapta ao que aparece, sempre molda um pouquinho os nossos gostos ao que é novo e, por isso mesmo, eu ignoro sua tendência de querer levar um Raul no violão para sentar no Mineiro e dar boas risadas com ele, noite adentro.

Bom, talvez isso não seja tão comum, essa versatilidade de programas que eu sei que tenho. Mas se isso é uma das coisas mais legais da vida! Acho uma pena se engessar em um determinado estado, em um grupo seguro de amigos, onde com certeza falarão a mesma língua que nós, entenderão a nossa piada e cantarão juntos a mesma música.

Faz tempo que não vejo o tal amigo hippie. Tenho quase certeza de que ele também estava na praia de Ipanema domingo passado. Não no mesmo ponto que eu, é verdade, mas em algum lugar daquela comprida faixa de areia.
Tem lugar pra todo mundo. Até pra pós-hippies e pós-clubbers.

Tuesday, July 24, 2007

Sobre gente legal

Tenho conhecido muita gente legal, ido a eventos legais, ouvido música legal. E por "legal" não quero dizer mediano, e sim absolutamente apaixonante, empolgante. Novidades que às vezes me fazem sentir que eu ainda tenho muito o que descobrir e o que aprender com os outros. Meu esporte favorito dos últimos meses é ouvir histórias alheias, e descobri que conversar com estranhos é muito mais fácil do que eu imaginava.

Sofro de amor à primeira vista a todo momento. Meu último caso de amor foi com a música Ceremony, do New Order, que eu baixei na trilha sonora de Marie Antoinette, e não consigo parar de ouvir. Coloco pra tocar todos os dias, e só no percurso trabalho - casa são duas execuções, uma quanto estou na zona sul e outra quando chego na zona oeste.

Sinto um prazer ainda maior ao me cercar dessas pessoas e eventos e músicas legais ao mesmo tempo em que risco da minha vida toda a espécie de chatices. Dá uma certa leveza a todos os movimentos se livrar dos pentelhos e péla sacos do mundo, e eu ando leve, leve demais, a ponto de dançar como se os meus pés tivessem vida própria, sem me importar com o que está ao meu redor, sem olhar pra trás ou pros lados, à procura de rostos conhecido.

Já fiz tanto disso, meu deus. Agora estou livre.

Mas falta mais. Falta dançar ainda mais, e ouvir ainda mais músicas e histórias legais, e depois copiar tudo nesse blog que, afinal, eu vivo buscando uma finalidade.
Porque agora eu escolho os temas. Não são mais os temas que me escolhem.

Thursday, July 19, 2007

Reconsiderando

O acidente da TAM me deixou muito mais angustiada que o da Gol. E não foi só comigo que ficou essa impressão, porque a amiga que vinha de SP me visitar desistiu do fim de semana carioca por conta da tragédia. Não se trata de medo de que seu avião caia (tudo bem, isso também está em jogo no momento), mas sim do clima macabro que se instalou em São Paulo.

Pela primeira vez na vida, me vi checando a lista de vítimas no Globo on line, para saber se não conhecia ninguém. Talvez a proximidade com São Paulo, ou o fato de que eu viaje muito de avião e já tenha feito Porto Alegre - SP milhões de vezes na vida, ou ainda talvez tudo isso junto, mais o medo da pista de Congonhas, e a crise dos controladores de vôo que ninguém mais agüenta comentar - talvez tudo isso tenha me deixado assim, chocada com a história, e um pouco mais deprê do que o habitual.

De qualquer forma, nessas horas a gente realmente considera ser um pouco menos hipócrita, um pouco menos egoísta, um pouco menos mesquinho. Tudo em nome do curtíssimo tempo que passamos aqui.
Pena que essa sensação de balanço interno acabe se esvaindo com o tempo.

Wednesday, July 18, 2007

Leve e esvoaçante

Fica assim não: a gente sabe que tudo isso aqui não passa de uma grande piada, que os sentimentos de agora não vão significar mais nada daqui a alguns dias, sejam eles raiva, amor, compaixão, afeto. Tudo se esvai pelo ralo, mesmo os mais sólidos acabam se desintegrando e se perdendo esgoto abaixo. Hoje em dia eu aprendi a rir de mim mesma e de todo mundo à minha volta. Não descobri nas últimas 24 horas um ser humano capaz de me tirar o sono. Já foi o tempo em que existiam outras prioridades. Agora é tudo risível, leve e esvoaçante. Todas as coisas no mundo ou caem esgoto abaixo ou saem planando pelos ares (o que é muito contraditório e, no entanto, não menos verdadeiro).

Mas tem vezes que eu perco a paciência. Parece que bem quando a gente precisa de um incentivo, de um empurrãozinho de outros humanos, aí mesmo que eles escondem as mãos atrás das costas, ou então abrem aquele espaço traiçoeiro na hora do mosh.

Mas essas são vezes que não contam, são as chamadas exceções que confirmam a regra, e, portanto, eu não me preocupo muito. Passo os meus dias como quem vai à feira: escolhendo muito bem o tomate menos pobre, a flor menos murcha.
Vai ver é esse o segredo pra você ficar bem: não buscar o perfeito, mas o menos pior da humanidade.

Tuesday, July 17, 2007

Todo dia um evento

Meu trabalho está calmo. A conseqüência disso é que todos os dias eu tenho um pequeno evento para comparecer: penetra de vernissage no MAM, jantarzinho com amigos que moram em SP, chopes intermináveis, festas de aniversário. É uma lista infindável de festividades as quais eu compareço diariamente, a ponto de quase não usufruir da minha nova casita. O engraçado é que chega o fim de semana e eu não tenho o que fazer. Todos os meus amigos já cumpriram suas obrigações sociais comigo de segunda a quinta.

Na primeira semana de festinhas, eu me joguei. Achei ótimo, dizia que essa era a vida que eu queria. Na segunda semana, o entusiasmo diminuiu um pouco, mas eu continuava uma participante ativa das combinações por email coletivos. E agora, na terceira semana, eu tenho sono, muito sono. E quero logo uma noite em casa, vendo novela das oito, para poder recuperar as minhas energias.

Amigos que moram sozinhos há mais tempo que eu avisaram que essa empolgação é normal nos primeiros dias de apartamento alugado. Disseram que com o passar dos dias a coisa toda vai esfriando e, de repente, nos pegamos novamente jantando em frente à TV. No meu caso, jantar não é exatamente a palavra que descreveria a minha útima refeição do dia. Faz um tempo que o que eu como quando chego em casa resume-se a fatias de queijo brie ou camembert, e suco de uva. Um primor da boa alimentação.

Bom, as francesas fazem isso. E elas são magras, não são?

De qualquer maneira, talvez estejam chegando ao fim as minhas obrigações sociais de dias úteis. Mas, ainda assim, na quinta-feira outra amiga de São Paulo estará no Rio, e já convocou a minha companhia para uma noitada que, com certeza, vai acabar tarde.

Mas não se enganem. Esse texto não é uma reclamação.
Os anos passam e os comportamentos continuam os mesmos.

Monday, July 16, 2007

A vida com os porteiros

Tenho pensado muito nos porteiros do meu prédio. De como eles devem me achar completamente louca, a julgar por quem entra e quem sai, a que horas entra e a que horas sai. Sei que é um absurdo me preocupar com o que os pobres dos rapazes da portaria devem concluir, mas a verdade é que essa vida de prédio é uma novidade pra mim. E, sim, me incomoda um pouquinho saber que algumas pessoas conhecem o meu cotidiano tão bem.

Alguns exemplos de situações constrangedoras perante os porteiros:

1 - Saí com uma amiga para beber uns drinks na Lagoa. Era pra ser um happy hour, mas aí um telefonema leva a outro, que leva a outro lugar, que leva a novos drinks. Enfim, cheguei em casa tarde da noite, de pilequinho (Porque desde os meus 16 anos eu não fico bebérima, só de pilequinho. É um tipo de consciência que se ganha quando se tem quase 30 e muitos cabelos brancos metodicamente cobertos com tinta vermelha). Saí do carro pensando: vou fazer a de simpática pro porteiro da noite. Encolhi a barriga, sorri e disse "boa noite" - ele respondeu "bom dia" - calculei os passos e mirei na porta do elevador. Mas, no caminho (certa de cinco metros), consegui:
- esbarrar na mesa da portaria (o que resultou em um mega roxo que durou umas três semanas),
- bater com força a porta que separa o hall de entrada do corredor do prédio,
- tropeçar no degrau que se formou entre o piso e o elevador.

2 - Em um fim de semana recebi um amigo para ver filminhos e ficar de bob na minha casa. O papo acabou tarde, e o meu amigo saiu do apartamento umas 3h da manhã. Deitei pra dormir e dez minutos depois o celular toca: é a minha roommate, meio desesperada, porque um outro amigo nosso botava os bofes pra fora na porta de uma festa. "Bota ele dentro de um táxi e leva pra tomar glicose", sugeri. Desliguei o telefone e voltei a dormir. Quinze minutos depois a roommate chega carregando o outro amigo bebum pelos braços, dizendo que ele só precisava dormir um pouco. Abrimos o sofá da sala e jogamos o pobre do menino ali. E o porteiro da noite - mais um a vez ele - acompanhou, sem se mover da cadeira, o esforço da minha amiga para levar o menino pro sofá da nossa sala.

3 - Tem o porteiro do dia que sempre, mas sempre, sacaneia o modo como eu estaciono o carro na frente do prédio.

4 - Tem o porteiro da tarde que fala uma língua estranha, a qual eu não entendo cerca de 60% do conteúdo.

5 - E, o meu preferido, o porteiro da noite. Aquele que chega meia-noite e sai às 5h. O que sempre responde "bom dia" quando eu dou boa noite. O que sabe quem entra e quem sai do meu apartamento. O que interfonou para pedir que abaixasse o som no dia do Open House.

E mesmo assim, eles são ótimos e necessários, né, gente. Tipo, sei lá, usar fio dental depois de escovar os dentes.

Thursday, July 12, 2007

Um ano faz diferença

Semana passada foi aniversário de uma amiga das antigas. Essa amiga já foi citada nesse blog, no post sobre os bastidores de um casório e em tantos outros menos importantes. Todos os anos ela faz uma pequena festa em sua casa, convida as mesmas pessoas de sempre, e geralmente nós enchemos a cara e saímos de lá com o sol raiando. Há pelo menos dez anos é assim.

Bom, costumava ser assim. No última festa aconteceu uma coisa bizarra: nossos comportamentos mudaram. Minha amiga, já casada e com o marido viajando, obviamente não participa mais dos programas adolescentes que o resto de nós insiste em desfrutar. Isso não é de se surpreender. O que me impressiona é que os outros membros do seleto grupo de amigos já não são mais os mesmos.

Dessa vez não bebemos um monte de vinho que deixa o dente preto. Ao invés disso, alguns optaram pelo whisky, outros (como eu), pela coca, e outros pela cerveja. As garrafas de vinho, compradas com muito esmero pela mãe da aniversariante, jaziam esquecidas sobre o balcão do bar. Um ou outro, de vez em nunca, levantava e se servia de um copo. Mas eu posso garantir que dessa vez sobrou muita bebida na festa.

E quanto aos papos? No ano passado, falamos de sexo e ligamos o som paraibinha nas alturas, conversando mais alto que a música e, por vezes, dançando no gramado. Em um determinado momento, enquanto discutíamos assuntos cabeludíssimos como drogas e (mais) sexo, a avó da minha amiga sinalizou que ainda estava acordada. Baixamos o volume e continuamos a desfiar besteiras noite adentro, gravando cenas inesquecíveis que nunca foram parar no Youtube. Foi realmente uma noite memorável.

Nesse ano, passamos por temas polêmicos. Começamos uma discussão sobre pagar ou não propina pro guarda de trânsito, sobre fazer ou não gatos da Net e sobre usar ou não carteirinha de estudante falsificada. Quando a discussão começava a ficar muito intensa, alguém gritava: "boquete!", porque esse é um recurso usado pelos menos amigos. Quando vai dar briga, direcionamos o assunto para sexo (de novo). Só que a situação estava tão séria que ninguém se importou muito com os gritos de "boquete!", e seguimos adiante com mais discussões profundas.

Ningém dançou, ninguém estava a fim de dançar. Mas o papo seguia em frente, rumo a temas adultos. O incrível de tudo isso é que não foi uma festa chata, muito pelo contrário. Mas não se via vestígio do fogo pós-adolescente do ano passado.

Fiquei imaginando que, em pouco tempo, chegaremos na casa da Lu com nossos filhos a tiracolo. Colocaremos os pirralhos em um dos quartos da casa, onde eles assistirão A Pequena Sereia, ou outro clássico da Disney da nossa época. Quando tivermos certeza de que eles estejam dormindo, vamos começar a gritar "boquete!"

Acho que, no final, a gente não vai mudar. Mesmo que tenhamos que passar do tema propinas para o tema sexo (novamente) em um piscar de olhos.

Tuesday, July 10, 2007

Sonhos, de novo

Ontem assisti na TNT Abre los Ojos, versão original de Vanilla Sky. Eu só tinha ouvido falar desse filme, e estava achando tudo muito igual ao americano até que me deparei com a cena final. A cena final, que deve durar uns 3 segundos, é meio sinistra - taí uma diferença pra versão americana. Se bem que faz tanto tempo que não vejo Vanilla Sky que não tenho tanta certeza se há mesmo diferença.

Ah, sim, outra coisa é que a Penelope Cruz mostra os peitos no filme espanhol. Não tinha isso no filme hollywwodiano, tinha?
Bom, nevermind.

Esse filme é cruel. Eu passo mal com a história do playboy desfigurado que depois fica refém das armadilhas da sua mente. Impossível não comparar um pouquinho com Brilho Eterno, que também tem a ver com a terra dos sonhos (nesse caso, do esquecimento de uma realidade ruim), e que também dá errado. Assim como Abre los Ojos, Brilho Eterno também tem um pseudo final feliz: há esperança no caso, mas a gente sabe, bem lá no fundo, que aquilo não vai dar certo.

Eu entendo isso. Eu também agiria assim. Perdi a conta de quantas vezes ignorei a furada em que estava me metendo, sabendo perfeitamente que a longo prazo aquilo ia desaguar no mar, e mesmo assim meti as caras. O prazer do momento é sempre mais importante que a desilusão futura.

E aí, lembrei de outro filme. Todos os filmes do mundo. Mas esse eu preciso rever com urgência, porque só vi uma vez, e é o tipo de cinema que tem que ser visto over and over: Solaris. Pelo que me lembro, o homem optava por viver em sonho. Por viver uma realidade de fantasia, que só poderia existir no mundo extraterrestre de Solaris.

Mas e daí? Ele era feliz ali. O impossível era possível. Eu faria como ele.
Se me perguntassem: "você sabe que isso não é real, não é?", eu também responderia: "Não me importo".
A realidade nem é tão importante assim. A gente mente o tempo inteiro pros outros e pra nós mesmos, chegando ao ponto de acreditar nessa mentira. Realidade é construída de acordo com o que cada um quer. Estou cada vez mais convencida de que não existe verdade absoluta em nada.
Só o que a gente inventa.

Monday, July 09, 2007

Trilha sonora do caos

Eu pego um certo trânsito para ir e voltar do trabalho. Fiz o caminho oposto da maioria dos seres humanos e me mudei para um bairro que fica uns 40 km distante do meu horário comercial. Mas não me importo: foi uma escolha minha, já sabia que seria assim e, para que todos saibam logo, estou muito bem na minha casa nova, cercada de cinemas e barzinhos e amigos que eu posso ligar a qualquer dia para que eles me façam uma visita. Sendo assim, 1h no carro na ida e 1h na volta não significam absolutamente nada.

Mas o engarrafamento, tem vezes, é bem chato. Aquela coisa de primeira-segunda-ponto morto pode estressar qualquer pessoa (principalmente uma de natureza ansiosa como eu). Para acalmar a minha jornada, passo os longos períodos automobilísticos ouvindo música boa.

Cada ponto da cidade tem a sua trilha sonora específica. Quando estou engarrafada na Lagoa, por exemplo, gosto de ouvir Air. Porque aí eu fico observando todas aquelas pessoas caminhando na ciclovia, sob o delicioso sol das 10h, e fica parecendo que eu etsou vendo televisão. Eu viajo. Combina muito a luz da manhã com Air.

Quando chego em São Conrado, gosto de ouvir o disco novo do Chemical Brothers. Geralmente o fluxo é bem melhor nesse ponto, de modo que eu dou asas ao meu pé de chumbo e sento o pau no acelerador. Freio no pardal e acelero de novo depois que passo o radar. Não é assim que todo mundo faz?

Na Barra, geralmente eu coloco um jazz. Pode ser Nina Simone, ou Ella Fitzgerald, ou Duke Ellington.

Quando estou quase chegando no trabalho, se ainda dá tempo de ouvir mais algum artista, coloco meu iPod no shuffle e deixo que ele escolha. De vez em quando meu iPod está de bem comigo e faz uma seleção de três músicas incríveis. Às vezes eu acredito que o meu iPod tem alma. E que, depois que eu morrer, ele vai pro céu comigo.

Deu super certo

Meus amigos ficaram emocionadíssimos com o livro que eu fiz pra eles. Contei ainda com a luxuosa diagramação do Zander.
No dia em que eu descobrir como se faz isso, coloco todos aqueles textos péla sacos pra download no Poça D'água. Mas alguém mais familiarizado com tecnologias do que eu terá que me ajudar.
Alguém?

Thursday, July 05, 2007

Novas velhas amizades

Meus amigos às vezes me cansam. Alguns têm o poder de falar a coisa errada na hora certa e, dessa maneira, magoar meu pobre coraçãozinho sensível. Tenho pensado muito sobre por quê os amigos fazem isso, por quê muitas vezes eles são cruéis - mas não sem esquecer que eu também já fui muito cruel com eles. Muito cruel mesmo. Será que a crueldade é uma característica do ser humano?

Mas ao mesmo tempo que os amigos mais íntimos têm me tirado do sério, ando redescobrindo outros, nem tão amigos assim, que andavam esquecidos. Cheguei à conclusão de que tem uma galera no Rio que eu mal conheço há uns dez anos. É possível você passar dez anos só falando: "oi, tudo bem?" para uma pessoa? Essa é a síndrome da noite: aquela situação em que a música está tão alta que é impossível estabelecer uma conversa.

Dia desses resolvi fazer diferente e marquei um chope com pessoas que originalmente só encontro depois de uma da manhã. Resultado: fui surpreendida. Eu, que tenho uma tendência a rotular precocemente as pessoas, percebi que gente que sai à noite também sabe conversar. Eu acreditava de verdade que fazia parte de um grupo restrito de gente que tem substância para manter uma conversa por mais de dez minutos sem mencionar uma única vez os efeitos de determinadas drogas. (Se tem uma situação que me testa a paciência é a pergunta: "o que você tomou hoje?" Rola muuuito por aí, infelizmente).

Ai, como eu adoro ser surpreendida. O chope foi ótimo, o papo foi ótimo, e eu terminei a minha terça interessada na humanidade de novo.
De vez em quando é bom dar uma reciclada nas amizades.

Wednesday, July 04, 2007

2002, 2003

Dia desses eu recuperei uns textos de blogs antigos. Coisas de 2002, 2003, quando eu ainda me considerava uma pessoa de vinte e poucos anos.

(Isso porque, desde que eu fiz 29, quando me perguntam a idade, eu digo logo que tenho 30. Achava que era a única a fazer isso, mas descobri uma amiga com a mesma atitude. E no final das contas, essa história de medo de chegar aos 30 é besteira... Até porque pouca coisa mudou pra mim desde os 25. A principal diferença é que agora eu tenho muito mais dinheiro)

Mas aí, relendo todas aquelas histórias, deu uma saudade louca dos meus vinte e poucos anos. Época em que eu poderia aterrisar de pára-quedas no Baixo a qualquer momento e, ainda assim, encontrar uma mesa cheia de amigos para eu me juntar. Muitas daquelas noites descritas nos textos eu já havia esquecido completamente, mas voltaram à memória no exato momento em que eu reli. Incrível isso: basta a gente ter um pequeno estímulo que o nosso cérebro recapitula direitinho.

Por causa do momento recuerdos, resolvi dar um presente para todos aqueles amigos que foram mencionados nos textos antigos: reuni tudo em um grande livro, que fala das nossas vidas desde 2002 até hoje.

Não sei se eles vão gostar - provavelmente, sim. Mas, pra mim, organizar esses textos já foi um super presente.
Pelo menos pra alguma coisa serve manter um blog...

Otariamente comprando CD

Fui uma das últimas pessoas que conheço a aderir à prática de baixar músicas pela internet. O motivo disso não era político, e sim porque durante muito tempo só tive conexão discada na minha casa. Mas faz uns três anos que não entro em uma loja de discos: toda vez que queria uma novidade, lá ia eu para o EMule ou o SoulSeek. E em algumas horas eu tinha os últimos lançamentos pra ouvir, muito antes de eles chegarem às lojas do Brasil.

Só que outro dia não me agüentei e acabei comprando o disco novo da Björk. Como todo mundo sabe, me mudei e ainda não tenho a estrutura 100% lá em casa, de modo que a minha ansiedade para ouvir Volta foi maior que a minha paciência (pra variar). Como meio de justificar toda essa ansiedade sem justificativa, fiquei repetindo para mim mesma que com a Bjrörk é diferente, porque eu tenho toda a coleção dela em CD, e geralmente o encarte é muito legal, e etc etc etc. Arrumei várias razões para me enganar e comprar logo o tal do disco.

Pra se ter uma idéia, eu não sabia nem onde procurar. Lembrei da Saraiva, onde, de vez em quando, compro uns livros pela internet. E lá fui eu na loja do mundo real, passei direto, sem olhar, por todos aqueles livros maravilhosos e cheguei na seção de discos. De primeira identifiquei o que eu queria, peguei e paguei no caixa exatos R$31,90. Toda a operação não durou mais que dez minutos.

Daí fui correndo pro carro me deliciar com o novo presente. E, é claro, mer divertir com o encarte. Coloquei o disco pra tocar e tirei o livrinho da capa. Mas... o livrinho era muito fino. Fino demais para um CD da Björk, com apenas duas páginas e nenhuma foto ou grafismo interno. Pensei: "Isso deve ser coisa de edição nacional". Não deu outra: no canto superior da capa, à direita, estava escrito: "Special Edition for Latin America".

Que decepção. Paguei 32 reais por essa porcaria! Poderia ter baixado o disco todo na internet, inclusive o encarte, pagando nada! Me senti a pessoa mais otária do mundo. E prometi a mim mesma nunca mais entrar em uma loja de discos.

Andei vendo por outros blogs que eu não sou a única a se sentir uma idiota fazendo as coisas da maneira "legal". Outro dia, li o texto de uma menina que contava a sua peregrinação na tentativa de baixar arquivos MP3 comprados. É tudo tão complicado, incompatível, burocrático, que você fica o processo inteiro se perguntando por quê está fazendo aquilo. O que me faz chegar à conclusão de que a gente não tem que fazer o menor esforço para tentar acompanhar o estabilishment.
Ele que corra atrás do prejuízo!

Thursday, June 28, 2007

And the readhead girl goes by

Toda vez que paro naquele sinal, vem um senhor meio maluquinho, com chapéu de pedreiro na cabeça, vendendo balas de hortelã. Na primeira vez, eu disse que não (não compro nada nos sinais e, pra falar a verdade, a pobreza tem que ser muito mais profunda para me abalar). Na segunda vez disse que não de novo, mas dessa vez olhei pra ele e sorri. Ele sorriu de volta, perguntou sobre a minha mãe (sem fazer a mínima idéia de que a minha mãe está morta há pelo menos 15 anos), elogiou o corte de cabelo e foi embora. Hoje eu resolvi comprar as balas e, por falta de troco, acabei levando cinco reais em confeitinhos de hortelã. Ele pediu, me deu a quantidade errada, e eu não reclamei. Deixa eu fazer uma boa ação monetária por hoje.

Toda vez que estaciono na frente daquele açougue desativado, o homem que mora na calçada me dá boa noite ou bom dia, madame. Na primeira vez, não olhei e respondi bem baixinho. Na segunda vez, olhei, sorri e retribuí o cumprimento. E ontem, na terceira vez, saí do carro e ele ajeitou o espelho retrovisor, avisando que o caminhão de lixo ia passar na rua durante a noite, e que era melhor tomar cuidado.

E tem o cara do boteco onde eu compro cigarros. E os mecânicos da oficina de motos que passam cantadas pra todas as meninas da rua. E o caixa do supermercado que empacotou minhas compras bem rápido, porque eu estava atrasada. E as mesmas babás, com as mesmas crianças, na pracinha onde tem o chafariz francês. E os porteiros do meu prédio, e muitos meninos de vinte e poucos anos que são colírios para os meus olhos de pré-balzaquiana, e o chorinho aos domingos, e as duas academias, uma bem melhor que a outra.

Aos poucos, bem aos poucos, eu também vou fazendo parte do meu bairro.

Wednesday, June 27, 2007

Sobre topadas e sonhos

Tem coisas que a gente ouve na infância e que teimam em nos seguir o resto da vida - não importa o quanto idiota seja a questão. Falo de manias, superstições, lendas, que em algum momento algum imbecil nos ensionou. No meu caso, lembro de duas histórias que volta e meia me pego pensando: a das topadas e a dos sonhos.

A das topadas nasceu na época em que eu estudava em um colégio de freiras. Essa temporada religiosa foi a responsável por noventa por cento do meu repúdio à Igreja Católica e a todas as suas representações (menos igrejas antigas que, inexplicavelmente, eu adoro visitar). Eu tinha uns dez anos e fazia aula de catecismo - porque a boa, naquela época, era fazer primeira comunhão; um mega evento social! - e estava nessa aula quando alguém perguntou pra freira/ professora se era verdade que Deus castigava.

- Castigar, ele não castiga - ela explicou - porque Deus é todo perdão. Mas de vez em quando ele dá uns avisos, né? Quando acontece um pequeno acidente, uma perna quebrada, um tornozelo torcido...

Desde então, toda vez que dou com o dedão na parede, ou com o cotovelo na maçaneta da porta (sabe aquele choquinho que dá?), eu penso em Deus. Na verdade, eu me pergunto: "mas o que que eu fiz pra levar uma dessas?", e busco o que poderia ter causado esse mínimo aviso divino. E olha que eu ainda não decidi se acredito ou não nessa coisa de poder do criador.

A outra história, a dos sonhos, não tem nada a ver com o colégio de freiras. Tem a ver com um suplemento que vendia no jornaleiro que se chamava "Mistérios do céu e da Terra" - acho que era mais ou menos isso. Esse livro falava de almas, vida após a morte, feitiços... Ensinava até a fazer um boneco vudu usando terra de cemitério (isso eu lembro bem, porque fiquei intrigadíssima com a idéia de ter que ir até o cemitério levando um baldinho e uma pá para depois confeccionar o seu boneco). Nessa época eu devia ter uns oito ou nove anos, mais novinha ainda que no episódio das topadas.

E aí que tinha um capítulo desse livro que falava sobre sonhos. E explicava que, enquanto estamos sonhando, nossas almas deixam o nosso corpo para vagar pelo mundo, encontrar pessoas, conhecer lugares diferentes. Um passeio básico no plano imaterial.
O texto dizia, ainda, que quando encontramos uma pessoa em um sonho, significa que nossas almas realmente se encontraram durante a noite, e que conversaram e passaram um tempo juntas e tal. E depois disso, para o resto da vida, toda vez que sonho com alguém penso na possibilidade do encontro de almas.

Mas por quê, exatamente hoje, lembrei dessas histórias? Acho que tive um sonho estranho, com uma pessoa que não vejo há muito tempo. Mas eu não lembro quem ela era, e nem o que acontecia no sonho. E no caso de almas que se encontram (o que me deixa muito confusa, porque fiz análise durante anos e tinha outra visão do que rolava na minha cabeça após adormecer), isso significa que a outra pessoa sonhou comigo também?

Até gostaria de acreditar no encontro das almas. Mas é muito mais lógico acreditar nas peças que a minha mente prega.

Tuesday, June 26, 2007

Eu sei que você está lendo isso

Abre a foto proibida e fica uns dois segundos olhando pra ela, e então conclui: acabou. Fecha a foto, desliga o computador, mas a imagem ainda existe lá no fundo, embora a sua tentativa seja ignorá-la. Ela não vai embora. Ela não vai embora tão fácil assim - é como deitar sob o sol de olhos fechados, abrir e enxergar uma cadeira de praia, e depois fechar os olhos de novo: tá lá a cadeira, na penumbra dos olhos fechados, demorando a desfazer o contorno. Já percebeu que isso acontece? E se deitar agora e tentar dormir, vai estar no centro do escuro a mesma foto, o sorriso torto e todas as olheiras do mundo, os dentes manchados de incontáveis cafés e cigarros e quem sabe mais o quê, o cabelo que teima em continuar despenteado. Era assim até o ano passado - vai saber como é esse ano. Mas não importa, porque o que vale é a imagem do computador, aquela que restou, a que não foi deletada nem guardada no fundo de uma gaveta qualquer, a que não se juntou a tantos outros arquivos mortos acumulados com os anos. Daqui a pouco eu faço trinta, faz aí as contas de quantas fotos inesquecíveis eu já esqueci que tenho. As fotos se renovam e as manias também, os programas imperdíveis são outros, alguns amigos permanecem os mesmos. No final, é tudo esquecimento - mas este texto vai continuar aqui, não importa o que aconteça.

Vai, confessa. Você sabe do que estou falando.

Monday, June 25, 2007

It's a small world after all

Uma amiga me chamou para um encontro de um site de relacionamentos. Toda vez que eu falo "site de relacionamentos" as pessoas me olham de um jeito engraçado, achando que se trata de encontros on line. Mas não é nada disso. Essa é uma página de rede de amigos, no estilo do Orkut e de tantos outros por aí. O nome do site em questão é Small World, e eu nunca tinha ouvido falar até a noite de sexta passada.

A grande diferença do Small World em relação aos outros sites de relacionamento é que nele não é qualquer um que entra. Uma vez convidada, a pessoa tem que passar pelo "crivo" dos outros membros do grupo, que vão examinar suas referências, sua procedência, seu endereço, etc. Obviamente, eu não faço parte de tal grupo seleto de internautas. Fui no encontro no maior estilo bicão mesmo.

Hoje soube que fazem parte da conexão gente do naipe de Roberto Justus e outros famosos/ricos. Se bem que não tinha ninguém a nivel de Caras no encontro.

Mas vamos lá. Chegamos - eu e a minha amiga - no quiosque da Lagoa onde o programa havia sido marcado. A língua que se ouvia era o inglês, já que havia uma boa quantidade de gringos sentados à mesa. Em um primeiro momento, nós duas fomos renegadas à nossa mediocridade (eu mais do que ela, já que a minha amiga faz parte da rede, embora ela ainda não tenha moral para convidar ninguém). Mas depois de algumas doses de qualquer coisa, treinávamos intensamente o nosso inglês com as pessoas ao redor.

Havia um italiano que trabalhava pra Tim. Um alemão que dava aulas na Coppead. Um paulista corretor de imóveis que também não era do grupo. E umas meninas que pareciam ter vivido na Europa por algum tempo.

Os papos iam na base do: o que você faz? onde você mora? o que está achando do Brasil?
Em nenhum momento ficou aquele clima de "somos ricos e jovens" - até porque ninguém ali era tãããão jovem assim, a média era de mais de trinta anos. Eu logo firmei conversa com o italiano, que era, sem dúvida, o cara mais engraçado do grupo. E com o paulista, que era gay e mega simpático. Os outros não tive nem como conhecer, entretida que estava no papo da dupla surreal.

De lá resolvemos sair para dançar. Alguém falou em Lapa, outro falou em Ipanema. Fomos parar em um lugar chamado Hotel OuroVerde, em Copacabana. Um lugar que, na boa, não recomendo pra ninguém.

Quarenta minutos depois de chegarmos ao hotel/boate, resolvi que era hora de voltar pra casa. Dei um tchau geral, peguei telefones e emails dos meus novos camaradas, com a promessa de manter contato. Ainda não sei se serei capaz de manter a promessa. Geralmente, não cumpro.

Mas o mais interessante de tudo foi a idéia surgida no almoço de hoje, quando eu contava as aventuras de sexta-feira. Alguém na mesa teve a idéia de criar um site exatamente o contrário do Small World, em que os mais bagaceiros pudessem entrar. Nada dessa história de cifrões e referências. Quanto mais vira-lata fosse a pessoa, mais bem vinda ela seria no grupo.
O nome, disseram, deveria ser "Coração de mãe".

Só que, pensando bem, não adianta a gente fazer uma página nos moldes do Coração de Mãe. Porque, na verdade, essa página já existe.
Chama-se Orkut.

Friday, June 22, 2007

Mudando o shape

Uma vez um amigo me perguntou por que as mulheres cortavam o cabelo quando terminavam um namoro. "Porque elas querem se sentir mais bonitas, basicamente" - expliquei. E então ele começou a reclamar que tinha mulher que acabava se enfeiando, que era mais bonita antes, etc e tal.

Mas, na real, só sendo mulher pra saber o poder renovador que tem uma passadinha no salão de beleza.

No meu caso, não é bem assim. Eu gosto de ter a unha feita, cabelinho cortado e devidamente esticado com formol, pernas depiladas, olheiras escondidas... Mas gostaria muito mais de tudo isso se eu vivesse no mundo dos Jetsons, onde basta você entrar numa mega máquina com mil braços para sair linda e perfeita.

O tratamento de beleza que eu mais odeio é fazer as unhas. Acho um saco ter que ficar de small talk com a manicure enquanto ela cavuca as minhas cutículas, ou esfrega a sola do meu pé com aquelas lixas terríveis. Invariavelmente, morro de cosquinha durante esta etapa da tortura, e me contorciono toda enquanto a pobre da mulher tenta fazer seu trabalho.
Depois, peço desculpas: "É que sinto cócegas"

Hoje eu tive um dia de salão de beleza. Fazia tempo que eu não encarava aquele recinto, e já era hora de eu dar a tal da renovada pós-término.

O que não se faz nessa vida em nome da possibilidade de se apaixonar de novo...

Thursday, June 21, 2007

Aplauso ao chope

Foi uma combinação entre amigos: vamos sempre aplaudir o primeiro chope, e talvez o último também. A idéia surgiu depois de um pôr-do-sol no Posto 9, em que um amigo que queria ser hippie - mas não é - insistiu naquele ritual bizarro da praia de Ipanema. Seguiu à risca a juventude dourada e se pôs a bater palmas pro horizonte. E eu, ao lado dele, horrorizei.

Mas aplaudir o primeiro chope é muito diferente. Eu e o amigo não hippie tentamos parar no Jobi, domingo à noite. Tudo cheio. Fomos pro Conversa Fiada, comemos um pouquinho, mas estava realmente desanimado por lá. E terminamos no Belmont do Leblon dando uma salva de palmas pra tulipa à nossa frente.

As outras (poucas) pessoas no bar nos observaram sem entender. E ninguém nos acompanhou. Pra falar a verdade, nem senti falta dos outros, porque já tem gente demais indo com as outras no pôr-do-sol de Ipanema. O ritual do chope é só meu e do meu amigo, que é uma das poucas pessoas que entende exatamente as minhas piadas. Eu diria até que ele é a minha alma-gêmea do humor, a ponto de nós deixarmos de lado outros acompanhantes, estabelecendo um papo reto que ninguém mais entende. Às vezes me sinto culpada, mas depois a culpa passa. Adoro não ter culpa de nada.

Tuesday, June 19, 2007

Blog bombando

Fico assustada quando vejo que a quantidade de Unique Visitors desse blog não pára de crescer. Tudo bem que a maioria entra aqui fazendo pesquisa sobre Rivotril (aviso logo a esses: Rivotril é uma merda! Acaba com a libido, dá uma super rebordosa depois do uso e é o verdadeiro paraíso artificial). Mas será que alguma dessas pessoas que caem aqui por acaso voltam mais tarde?

O engraçado é que eu tenho achado os meus textos muito chatos. Parece que eu to chegando aos trinta e ficando com cada vez mais preguiça de pensar. Os poucos amigos que lêem o meu blog (a maioria lê mas não me conta, principalmente os casinhos e os ex-namorados) dizem que o texto continua bom. Mas eu acho que dei uma caída considerável de qualidade.

É triste admitir que eu era mais inteligente aos 24 anos.

O lance que até tenho coisas a contar, mas pouco tempo pra fazer. Agora, por exemplo, está na hora de ir a uma festa de aniversário, pertinho da minha nova casa.

É uma delícia ser livre.

"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro!"

Monday, June 18, 2007

Porque eu sou muito amada

Dias desses um cara deixou um recado no meu celular assim: "... queria dizer que eu tenho a minha família, os meus amigos... tenho muito amor. E amor é uma coisa que você não tem. Falta amor na sua vida, Bruna. Muita gente não gosta de você. Mas eu gosto. Se qusier, liga pra mim"

Eu não liguei.

Mas fiquei pensando no que ele disse. De onde ele tirou que eu não tenho amor na minha vida? E o que esse cara sabe da minha vida pra falar que falta isso ou aquilo? Essa humanidade é ridícula, o ser humano é ridículo. Uma vez um amigo (uma pessoa profunda, e não rasa como eu) disse que as plantas deviam estar rindo de nós, porque nós perdemos tempo sofrendo. Eu também acho isso, agora. Mas durante muito tempo cultivei o sofrimento, porque achava que esse era o caminho pro aperfeiçoamento pessoal.

Tudo isso me veio à cabeça porque reli um email guardado de um amigo que não vejo há pelo menos 5 anos. Espero, de coração, que ele esteja muito bem e muito feliz. Talvez o email dele tenha sido o mais lindo que eu já recebi na vida. E foi sem nenhum interesse especial, ele mandou o texto porque foi tocado, de alguma maneira, pelas coisas que eu andava escrevendo na época. E eu escrevia coisas muito mais importantes na época, porque ainda não tinha decidido ser rasa.
E quando eu me pergunto pra quê eu mantenho esse blog, em que todo mundo sabe um monte de parcialidades da minha vida, com emails como esse acabo lembrando sempre da razão.
Leiam vocês e entendam sozinhos do que eu estou falando.

faz tempo‎
From: ***
Sent: Tue 10/28/03 1:00 PM
To: brunapaixao

Oi Bruneca..lembra de mim..o Godô? Pois é gatinha...faz tempo que a gente não se fala..e mais tempo ainda quea gente não se vê...e confesso fazia tempo que eu não dava um passeio pelosseus blogs..coisa que fiz diariamente por muito tempo, mas acho que a genteé assim memso..cria hábitos para poder odia-los depois.Hoje com um pouco mais de tempo sobrando em minha cabeça e a nostalgiabombando nessa manhã chuvosa paulista resolvi rever ( a minha maneira... aque posso ) amigos e pessoas pelas quais guardo imenso carinho.Mandei e-mails para o Beto..pro David..e dei um volta pelos seus blogs.Estou muito contente de saber que suas letrinhas estão ficando maiores eatingindo pessoas alem do universo www.Tenho orgulho de ter você como amiga...mesmo que distante, as vezes tenhomedo de estar longe e trasformar pessoas que gosto em meros "conhecidos"...estava te devendo um e-mail né?Bruneca..a vida em SP continua meio maluca...apartamento montado pelametade, trabalho demais...confusões empresariais que deixam a genteapreensivo...e saudade..muita saudade.Mas você mesmo sem saber é um canal importante...quando quero lembrar doBG...da matriz..da bunker...tem sempre uma fotinha bacana esperando paraservir de colo. Alem de textos que não posso evitar de achar que foramescritos pra mim...por alguem que mora dentro da minha cabeca...que sabeexatamente como me sinto.Acho que é por isso que te gosto tanto...mesmo que você não saiba..e adistãncia não permita essa intimidade, eu acho que somos muitoparecidos...pelo menos na maneira de pensar e ver as coisas, talvez porisso eu me afaste de vez em quando..ler seus textos me mostram um lado meuque as vezes me incomoda, mas sempre volto quando preciso me reencontrar.Queria te falar que te acompanho..de longe e tenho um puta orgulho de teconhecer...prometo..como sempre... tentar mater mais contato..não conte comisso..mas saiba que estou por aqui. Um Grande beijo " Godô"

Friday, June 15, 2007

Eu recebi uma telemensagem de dia dos namorados

E é uma experiência única. Ou melhor: é bizarro. Porque não há nada, absolutamente, romântico. É mega brega, resumidamente falando.

Só pra esclarecer, a mensagem não foi de um admirador secreto. Foi de um membro da minha equipe, que cismou agora de falar que está apaixonado por mim. Oh, god. Depois de três anos trabalhando juntos, o cara achou que eu era a resposta aos problemas dele. Mas até agora eu não sei exatamente porquê ele resolveu que gosta de mim, mas sei que a minha paciência está nos limites.

Não que eu tenha um coração de pedra. Mas é que sei diferenciar fanfarronice de paixão.

Mas, enfim, voltando à mensagem, a coisa funcionou mais ou menos assim. Ligou uma mulher para o meu celular avisando da telemensagem. Perguntou se eu gostaria de ouvir. "Ok", eu respondi, e a gravação começou. De fundo, uma música com letra que dizia: "eu vou roubar você pra mim", ou algo do tipo. E então, entrou um locutor que deve ser o mesmo cara que faz a voz da Good Times 98 (da rádio 98 FM daqui do Rio, "só sucesso"), e disparou um monte de frases "belas", do tipo: o seu sorriso me ilumina, estou adorando me relacionar com você, os momentos que passamos juntos, etc etc etc. E eu às gargalhadas.

O dia dos namorados é uma data comercial estranha. Quando calhou de eu estar namorando no 12 de junho, troquei presentes com o meu namorado da ocasião, mas sem o mínimo de love effect. Era mais uma coisa no estilo: e aí, do que você está precisando? Ia no automático, sabe como é? Tanto que não lembro o que fiz no último dia dos namorados que passei acompanhada. Provavelmente, não fiz nada de diferente do que faria em qualquer outro dia.

Paralelo a isso, tenho amigas que ficam desesperadas nessa data. Uma vez, um grupo de amigas solteiras emburacou em uma festa de quinta categoria, só para esquecerem que aquele era o dia do amor, teoricamente. Eu não estava junto com elas, apesar de também estar solteira neste ano. Pelo que me lembro, fui jantar com um ex (que já era ex naquele momento).

Mais uma razão pra se ficar amiga dos seus ex-amores. Na pior das hipóteses, eles pagam um jantar no japonês pra você.

Tuesday, June 12, 2007

Odd Job Jack

Outro dia conversei com a versão em carne e osso daquele cara do desenho do Adult Swim, conhecido no Brasil como Jack Bom de Bico. Por acaso - mas isso é só uma coincidência, minha gente - ele também ouve Nina Simone. Resumindo, todos os meus textos se encontram em algum ponto. Se eu continuar assim, vou acabar falando do Lost in translation.

Olha só por onde o Odd Job Jack já passou:
1 - caixa de uma multinacional de fast food do Largo do Machado
Depois que ele foi demitido - provavelmente porque dava lanche de graça pra todos os seus amigos, e só marcava um suco na caixa registradora - fez um panfleto sobre os porcos capitalistas da rede americana de lanchonetes, e ficou distribuindo na porta da ex-empregadora dele. Nesse panfleto, ele contava algumas verdade sobre a cadeia de fast food. Como, por exemplo, que todos os funcionários bebem o sorvete da casquinha direto do recipiente aonde ele fica guardado no congelador. Ou seja: se você já comeu uma casquinha no Largo do Machado, dividiu essa delícia com outros tantos funcionários da rede.

2 - caixa extra de natal das Lojas Americanas
Segundo jack, nunca a LA vendeu tantos laticínios quanto naquele natal. Porque era só isso que ele marcava nas suas vendas.

3 - Garçom de restaurante
Foi demitido depois que fumou maconha no teto do restaurante depois do expediente. Ele me jurou que, na época, achava que não tinha nada demais ele fazer isso, já que o seu horário de trabalho já tinha terminado. O melhor é que não foi demitido por justa causa, e por isso entrou na justiça e ganhou uma mega indenização da empresa.

4 - vendedor de loja no Fashion Mall
Foi o recorde de menor tempo em um emprego. Ficou trabalhando por duas horas, e foi demitido quando não soube explicar a diferença entre uma blusa de cotton e uma de algodão para uma cliente.

E depois de ouvir isso tudo, em meio a três doses de vodka, eu acabei pensando: "um brinde ao Jack!" É que finalmente eu conheci alguém com alguma história pra contar, só pra variar um pouquinho...

Monday, June 04, 2007

Nina Simone

Nina Simone une as pessoas. Ela é uma espécie de termômetro para saber se vale a pena ou não que alguma conversa seja estabelecida. O mesmo acontece com Dostoiévski, mas em graus diferentes, é claro. É que tanto Nina quanto Dostoiévski pertencem a um grupo de artistas que pouca gente saca. Não no sentido de erudistismo, ou cultura, mas sim no de sentir a alma tocada. Como eu havia dito no texto sobre Lost in Translation.

Lá vem eu com essa história de novo. Mas não posso evitar. Ouvir Nina Simone em uma conversa faz com que uma estrelinha brilhe automaticamente dentro da minha cabeça. E então, a situação é vista de outro modo. Meu interlocutor ganha mais respeito. Eu penso: se ouve Nina Simone, é boa gente, e vamos nos dar bem. E, geralmente, eu comento que vi o show da diva no extinto Claro Hall, um ano antes dela morrer.

Na morte de Nina eu fiz um texto. Foi a única das minhas cantoras de jazz preferidas que eu consegui ver ao vivo, com o queixo encostado no palco, os olhos grudadinhos nos seus movimentos. Não tenho certeza, mas devia haver um fiapo de baba escorrendo no canto da minha boca. Ou não, porque essa imagem nem combina com um show da Nina Simone.

Durante recente conversa noturna, aos berros (devido ao som ensurdecedor da pista de dança), Nina foi citada. E eu lembrei do show, e do texto do dia da morte dela, e de todas as vezes que eu e Mayra ouvíamos jazz bebendo whisky roubado do bar da casa dela. Mayra criou uma festa bissexta de jazz, mas eu continuo sem fazer nenhuma produção cultural. Acredito que Nina seja para se ouvir sozinha. Ou a dois - de preferência, com possibilidades sexuais em jogo.