Tuesday, July 24, 2007

Sobre gente legal

Tenho conhecido muita gente legal, ido a eventos legais, ouvido música legal. E por "legal" não quero dizer mediano, e sim absolutamente apaixonante, empolgante. Novidades que às vezes me fazem sentir que eu ainda tenho muito o que descobrir e o que aprender com os outros. Meu esporte favorito dos últimos meses é ouvir histórias alheias, e descobri que conversar com estranhos é muito mais fácil do que eu imaginava.

Sofro de amor à primeira vista a todo momento. Meu último caso de amor foi com a música Ceremony, do New Order, que eu baixei na trilha sonora de Marie Antoinette, e não consigo parar de ouvir. Coloco pra tocar todos os dias, e só no percurso trabalho - casa são duas execuções, uma quanto estou na zona sul e outra quando chego na zona oeste.

Sinto um prazer ainda maior ao me cercar dessas pessoas e eventos e músicas legais ao mesmo tempo em que risco da minha vida toda a espécie de chatices. Dá uma certa leveza a todos os movimentos se livrar dos pentelhos e péla sacos do mundo, e eu ando leve, leve demais, a ponto de dançar como se os meus pés tivessem vida própria, sem me importar com o que está ao meu redor, sem olhar pra trás ou pros lados, à procura de rostos conhecido.

Já fiz tanto disso, meu deus. Agora estou livre.

Mas falta mais. Falta dançar ainda mais, e ouvir ainda mais músicas e histórias legais, e depois copiar tudo nesse blog que, afinal, eu vivo buscando uma finalidade.
Porque agora eu escolho os temas. Não são mais os temas que me escolhem.

Thursday, July 19, 2007

Reconsiderando

O acidente da TAM me deixou muito mais angustiada que o da Gol. E não foi só comigo que ficou essa impressão, porque a amiga que vinha de SP me visitar desistiu do fim de semana carioca por conta da tragédia. Não se trata de medo de que seu avião caia (tudo bem, isso também está em jogo no momento), mas sim do clima macabro que se instalou em São Paulo.

Pela primeira vez na vida, me vi checando a lista de vítimas no Globo on line, para saber se não conhecia ninguém. Talvez a proximidade com São Paulo, ou o fato de que eu viaje muito de avião e já tenha feito Porto Alegre - SP milhões de vezes na vida, ou ainda talvez tudo isso junto, mais o medo da pista de Congonhas, e a crise dos controladores de vôo que ninguém mais agüenta comentar - talvez tudo isso tenha me deixado assim, chocada com a história, e um pouco mais deprê do que o habitual.

De qualquer forma, nessas horas a gente realmente considera ser um pouco menos hipócrita, um pouco menos egoísta, um pouco menos mesquinho. Tudo em nome do curtíssimo tempo que passamos aqui.
Pena que essa sensação de balanço interno acabe se esvaindo com o tempo.

Wednesday, July 18, 2007

Leve e esvoaçante

Fica assim não: a gente sabe que tudo isso aqui não passa de uma grande piada, que os sentimentos de agora não vão significar mais nada daqui a alguns dias, sejam eles raiva, amor, compaixão, afeto. Tudo se esvai pelo ralo, mesmo os mais sólidos acabam se desintegrando e se perdendo esgoto abaixo. Hoje em dia eu aprendi a rir de mim mesma e de todo mundo à minha volta. Não descobri nas últimas 24 horas um ser humano capaz de me tirar o sono. Já foi o tempo em que existiam outras prioridades. Agora é tudo risível, leve e esvoaçante. Todas as coisas no mundo ou caem esgoto abaixo ou saem planando pelos ares (o que é muito contraditório e, no entanto, não menos verdadeiro).

Mas tem vezes que eu perco a paciência. Parece que bem quando a gente precisa de um incentivo, de um empurrãozinho de outros humanos, aí mesmo que eles escondem as mãos atrás das costas, ou então abrem aquele espaço traiçoeiro na hora do mosh.

Mas essas são vezes que não contam, são as chamadas exceções que confirmam a regra, e, portanto, eu não me preocupo muito. Passo os meus dias como quem vai à feira: escolhendo muito bem o tomate menos pobre, a flor menos murcha.
Vai ver é esse o segredo pra você ficar bem: não buscar o perfeito, mas o menos pior da humanidade.

Tuesday, July 17, 2007

Todo dia um evento

Meu trabalho está calmo. A conseqüência disso é que todos os dias eu tenho um pequeno evento para comparecer: penetra de vernissage no MAM, jantarzinho com amigos que moram em SP, chopes intermináveis, festas de aniversário. É uma lista infindável de festividades as quais eu compareço diariamente, a ponto de quase não usufruir da minha nova casita. O engraçado é que chega o fim de semana e eu não tenho o que fazer. Todos os meus amigos já cumpriram suas obrigações sociais comigo de segunda a quinta.

Na primeira semana de festinhas, eu me joguei. Achei ótimo, dizia que essa era a vida que eu queria. Na segunda semana, o entusiasmo diminuiu um pouco, mas eu continuava uma participante ativa das combinações por email coletivos. E agora, na terceira semana, eu tenho sono, muito sono. E quero logo uma noite em casa, vendo novela das oito, para poder recuperar as minhas energias.

Amigos que moram sozinhos há mais tempo que eu avisaram que essa empolgação é normal nos primeiros dias de apartamento alugado. Disseram que com o passar dos dias a coisa toda vai esfriando e, de repente, nos pegamos novamente jantando em frente à TV. No meu caso, jantar não é exatamente a palavra que descreveria a minha útima refeição do dia. Faz um tempo que o que eu como quando chego em casa resume-se a fatias de queijo brie ou camembert, e suco de uva. Um primor da boa alimentação.

Bom, as francesas fazem isso. E elas são magras, não são?

De qualquer maneira, talvez estejam chegando ao fim as minhas obrigações sociais de dias úteis. Mas, ainda assim, na quinta-feira outra amiga de São Paulo estará no Rio, e já convocou a minha companhia para uma noitada que, com certeza, vai acabar tarde.

Mas não se enganem. Esse texto não é uma reclamação.
Os anos passam e os comportamentos continuam os mesmos.

Monday, July 16, 2007

A vida com os porteiros

Tenho pensado muito nos porteiros do meu prédio. De como eles devem me achar completamente louca, a julgar por quem entra e quem sai, a que horas entra e a que horas sai. Sei que é um absurdo me preocupar com o que os pobres dos rapazes da portaria devem concluir, mas a verdade é que essa vida de prédio é uma novidade pra mim. E, sim, me incomoda um pouquinho saber que algumas pessoas conhecem o meu cotidiano tão bem.

Alguns exemplos de situações constrangedoras perante os porteiros:

1 - Saí com uma amiga para beber uns drinks na Lagoa. Era pra ser um happy hour, mas aí um telefonema leva a outro, que leva a outro lugar, que leva a novos drinks. Enfim, cheguei em casa tarde da noite, de pilequinho (Porque desde os meus 16 anos eu não fico bebérima, só de pilequinho. É um tipo de consciência que se ganha quando se tem quase 30 e muitos cabelos brancos metodicamente cobertos com tinta vermelha). Saí do carro pensando: vou fazer a de simpática pro porteiro da noite. Encolhi a barriga, sorri e disse "boa noite" - ele respondeu "bom dia" - calculei os passos e mirei na porta do elevador. Mas, no caminho (certa de cinco metros), consegui:
- esbarrar na mesa da portaria (o que resultou em um mega roxo que durou umas três semanas),
- bater com força a porta que separa o hall de entrada do corredor do prédio,
- tropeçar no degrau que se formou entre o piso e o elevador.

2 - Em um fim de semana recebi um amigo para ver filminhos e ficar de bob na minha casa. O papo acabou tarde, e o meu amigo saiu do apartamento umas 3h da manhã. Deitei pra dormir e dez minutos depois o celular toca: é a minha roommate, meio desesperada, porque um outro amigo nosso botava os bofes pra fora na porta de uma festa. "Bota ele dentro de um táxi e leva pra tomar glicose", sugeri. Desliguei o telefone e voltei a dormir. Quinze minutos depois a roommate chega carregando o outro amigo bebum pelos braços, dizendo que ele só precisava dormir um pouco. Abrimos o sofá da sala e jogamos o pobre do menino ali. E o porteiro da noite - mais um a vez ele - acompanhou, sem se mover da cadeira, o esforço da minha amiga para levar o menino pro sofá da nossa sala.

3 - Tem o porteiro do dia que sempre, mas sempre, sacaneia o modo como eu estaciono o carro na frente do prédio.

4 - Tem o porteiro da tarde que fala uma língua estranha, a qual eu não entendo cerca de 60% do conteúdo.

5 - E, o meu preferido, o porteiro da noite. Aquele que chega meia-noite e sai às 5h. O que sempre responde "bom dia" quando eu dou boa noite. O que sabe quem entra e quem sai do meu apartamento. O que interfonou para pedir que abaixasse o som no dia do Open House.

E mesmo assim, eles são ótimos e necessários, né, gente. Tipo, sei lá, usar fio dental depois de escovar os dentes.

Thursday, July 12, 2007

Um ano faz diferença

Semana passada foi aniversário de uma amiga das antigas. Essa amiga já foi citada nesse blog, no post sobre os bastidores de um casório e em tantos outros menos importantes. Todos os anos ela faz uma pequena festa em sua casa, convida as mesmas pessoas de sempre, e geralmente nós enchemos a cara e saímos de lá com o sol raiando. Há pelo menos dez anos é assim.

Bom, costumava ser assim. No última festa aconteceu uma coisa bizarra: nossos comportamentos mudaram. Minha amiga, já casada e com o marido viajando, obviamente não participa mais dos programas adolescentes que o resto de nós insiste em desfrutar. Isso não é de se surpreender. O que me impressiona é que os outros membros do seleto grupo de amigos já não são mais os mesmos.

Dessa vez não bebemos um monte de vinho que deixa o dente preto. Ao invés disso, alguns optaram pelo whisky, outros (como eu), pela coca, e outros pela cerveja. As garrafas de vinho, compradas com muito esmero pela mãe da aniversariante, jaziam esquecidas sobre o balcão do bar. Um ou outro, de vez em nunca, levantava e se servia de um copo. Mas eu posso garantir que dessa vez sobrou muita bebida na festa.

E quanto aos papos? No ano passado, falamos de sexo e ligamos o som paraibinha nas alturas, conversando mais alto que a música e, por vezes, dançando no gramado. Em um determinado momento, enquanto discutíamos assuntos cabeludíssimos como drogas e (mais) sexo, a avó da minha amiga sinalizou que ainda estava acordada. Baixamos o volume e continuamos a desfiar besteiras noite adentro, gravando cenas inesquecíveis que nunca foram parar no Youtube. Foi realmente uma noite memorável.

Nesse ano, passamos por temas polêmicos. Começamos uma discussão sobre pagar ou não propina pro guarda de trânsito, sobre fazer ou não gatos da Net e sobre usar ou não carteirinha de estudante falsificada. Quando a discussão começava a ficar muito intensa, alguém gritava: "boquete!", porque esse é um recurso usado pelos menos amigos. Quando vai dar briga, direcionamos o assunto para sexo (de novo). Só que a situação estava tão séria que ninguém se importou muito com os gritos de "boquete!", e seguimos adiante com mais discussões profundas.

Ningém dançou, ninguém estava a fim de dançar. Mas o papo seguia em frente, rumo a temas adultos. O incrível de tudo isso é que não foi uma festa chata, muito pelo contrário. Mas não se via vestígio do fogo pós-adolescente do ano passado.

Fiquei imaginando que, em pouco tempo, chegaremos na casa da Lu com nossos filhos a tiracolo. Colocaremos os pirralhos em um dos quartos da casa, onde eles assistirão A Pequena Sereia, ou outro clássico da Disney da nossa época. Quando tivermos certeza de que eles estejam dormindo, vamos começar a gritar "boquete!"

Acho que, no final, a gente não vai mudar. Mesmo que tenhamos que passar do tema propinas para o tema sexo (novamente) em um piscar de olhos.

Tuesday, July 10, 2007

Sonhos, de novo

Ontem assisti na TNT Abre los Ojos, versão original de Vanilla Sky. Eu só tinha ouvido falar desse filme, e estava achando tudo muito igual ao americano até que me deparei com a cena final. A cena final, que deve durar uns 3 segundos, é meio sinistra - taí uma diferença pra versão americana. Se bem que faz tanto tempo que não vejo Vanilla Sky que não tenho tanta certeza se há mesmo diferença.

Ah, sim, outra coisa é que a Penelope Cruz mostra os peitos no filme espanhol. Não tinha isso no filme hollywwodiano, tinha?
Bom, nevermind.

Esse filme é cruel. Eu passo mal com a história do playboy desfigurado que depois fica refém das armadilhas da sua mente. Impossível não comparar um pouquinho com Brilho Eterno, que também tem a ver com a terra dos sonhos (nesse caso, do esquecimento de uma realidade ruim), e que também dá errado. Assim como Abre los Ojos, Brilho Eterno também tem um pseudo final feliz: há esperança no caso, mas a gente sabe, bem lá no fundo, que aquilo não vai dar certo.

Eu entendo isso. Eu também agiria assim. Perdi a conta de quantas vezes ignorei a furada em que estava me metendo, sabendo perfeitamente que a longo prazo aquilo ia desaguar no mar, e mesmo assim meti as caras. O prazer do momento é sempre mais importante que a desilusão futura.

E aí, lembrei de outro filme. Todos os filmes do mundo. Mas esse eu preciso rever com urgência, porque só vi uma vez, e é o tipo de cinema que tem que ser visto over and over: Solaris. Pelo que me lembro, o homem optava por viver em sonho. Por viver uma realidade de fantasia, que só poderia existir no mundo extraterrestre de Solaris.

Mas e daí? Ele era feliz ali. O impossível era possível. Eu faria como ele.
Se me perguntassem: "você sabe que isso não é real, não é?", eu também responderia: "Não me importo".
A realidade nem é tão importante assim. A gente mente o tempo inteiro pros outros e pra nós mesmos, chegando ao ponto de acreditar nessa mentira. Realidade é construída de acordo com o que cada um quer. Estou cada vez mais convencida de que não existe verdade absoluta em nada.
Só o que a gente inventa.

Monday, July 09, 2007

Trilha sonora do caos

Eu pego um certo trânsito para ir e voltar do trabalho. Fiz o caminho oposto da maioria dos seres humanos e me mudei para um bairro que fica uns 40 km distante do meu horário comercial. Mas não me importo: foi uma escolha minha, já sabia que seria assim e, para que todos saibam logo, estou muito bem na minha casa nova, cercada de cinemas e barzinhos e amigos que eu posso ligar a qualquer dia para que eles me façam uma visita. Sendo assim, 1h no carro na ida e 1h na volta não significam absolutamente nada.

Mas o engarrafamento, tem vezes, é bem chato. Aquela coisa de primeira-segunda-ponto morto pode estressar qualquer pessoa (principalmente uma de natureza ansiosa como eu). Para acalmar a minha jornada, passo os longos períodos automobilísticos ouvindo música boa.

Cada ponto da cidade tem a sua trilha sonora específica. Quando estou engarrafada na Lagoa, por exemplo, gosto de ouvir Air. Porque aí eu fico observando todas aquelas pessoas caminhando na ciclovia, sob o delicioso sol das 10h, e fica parecendo que eu etsou vendo televisão. Eu viajo. Combina muito a luz da manhã com Air.

Quando chego em São Conrado, gosto de ouvir o disco novo do Chemical Brothers. Geralmente o fluxo é bem melhor nesse ponto, de modo que eu dou asas ao meu pé de chumbo e sento o pau no acelerador. Freio no pardal e acelero de novo depois que passo o radar. Não é assim que todo mundo faz?

Na Barra, geralmente eu coloco um jazz. Pode ser Nina Simone, ou Ella Fitzgerald, ou Duke Ellington.

Quando estou quase chegando no trabalho, se ainda dá tempo de ouvir mais algum artista, coloco meu iPod no shuffle e deixo que ele escolha. De vez em quando meu iPod está de bem comigo e faz uma seleção de três músicas incríveis. Às vezes eu acredito que o meu iPod tem alma. E que, depois que eu morrer, ele vai pro céu comigo.

Deu super certo

Meus amigos ficaram emocionadíssimos com o livro que eu fiz pra eles. Contei ainda com a luxuosa diagramação do Zander.
No dia em que eu descobrir como se faz isso, coloco todos aqueles textos péla sacos pra download no Poça D'água. Mas alguém mais familiarizado com tecnologias do que eu terá que me ajudar.
Alguém?

Thursday, July 05, 2007

Novas velhas amizades

Meus amigos às vezes me cansam. Alguns têm o poder de falar a coisa errada na hora certa e, dessa maneira, magoar meu pobre coraçãozinho sensível. Tenho pensado muito sobre por quê os amigos fazem isso, por quê muitas vezes eles são cruéis - mas não sem esquecer que eu também já fui muito cruel com eles. Muito cruel mesmo. Será que a crueldade é uma característica do ser humano?

Mas ao mesmo tempo que os amigos mais íntimos têm me tirado do sério, ando redescobrindo outros, nem tão amigos assim, que andavam esquecidos. Cheguei à conclusão de que tem uma galera no Rio que eu mal conheço há uns dez anos. É possível você passar dez anos só falando: "oi, tudo bem?" para uma pessoa? Essa é a síndrome da noite: aquela situação em que a música está tão alta que é impossível estabelecer uma conversa.

Dia desses resolvi fazer diferente e marquei um chope com pessoas que originalmente só encontro depois de uma da manhã. Resultado: fui surpreendida. Eu, que tenho uma tendência a rotular precocemente as pessoas, percebi que gente que sai à noite também sabe conversar. Eu acreditava de verdade que fazia parte de um grupo restrito de gente que tem substância para manter uma conversa por mais de dez minutos sem mencionar uma única vez os efeitos de determinadas drogas. (Se tem uma situação que me testa a paciência é a pergunta: "o que você tomou hoje?" Rola muuuito por aí, infelizmente).

Ai, como eu adoro ser surpreendida. O chope foi ótimo, o papo foi ótimo, e eu terminei a minha terça interessada na humanidade de novo.
De vez em quando é bom dar uma reciclada nas amizades.

Wednesday, July 04, 2007

2002, 2003

Dia desses eu recuperei uns textos de blogs antigos. Coisas de 2002, 2003, quando eu ainda me considerava uma pessoa de vinte e poucos anos.

(Isso porque, desde que eu fiz 29, quando me perguntam a idade, eu digo logo que tenho 30. Achava que era a única a fazer isso, mas descobri uma amiga com a mesma atitude. E no final das contas, essa história de medo de chegar aos 30 é besteira... Até porque pouca coisa mudou pra mim desde os 25. A principal diferença é que agora eu tenho muito mais dinheiro)

Mas aí, relendo todas aquelas histórias, deu uma saudade louca dos meus vinte e poucos anos. Época em que eu poderia aterrisar de pára-quedas no Baixo a qualquer momento e, ainda assim, encontrar uma mesa cheia de amigos para eu me juntar. Muitas daquelas noites descritas nos textos eu já havia esquecido completamente, mas voltaram à memória no exato momento em que eu reli. Incrível isso: basta a gente ter um pequeno estímulo que o nosso cérebro recapitula direitinho.

Por causa do momento recuerdos, resolvi dar um presente para todos aqueles amigos que foram mencionados nos textos antigos: reuni tudo em um grande livro, que fala das nossas vidas desde 2002 até hoje.

Não sei se eles vão gostar - provavelmente, sim. Mas, pra mim, organizar esses textos já foi um super presente.
Pelo menos pra alguma coisa serve manter um blog...

Otariamente comprando CD

Fui uma das últimas pessoas que conheço a aderir à prática de baixar músicas pela internet. O motivo disso não era político, e sim porque durante muito tempo só tive conexão discada na minha casa. Mas faz uns três anos que não entro em uma loja de discos: toda vez que queria uma novidade, lá ia eu para o EMule ou o SoulSeek. E em algumas horas eu tinha os últimos lançamentos pra ouvir, muito antes de eles chegarem às lojas do Brasil.

Só que outro dia não me agüentei e acabei comprando o disco novo da Björk. Como todo mundo sabe, me mudei e ainda não tenho a estrutura 100% lá em casa, de modo que a minha ansiedade para ouvir Volta foi maior que a minha paciência (pra variar). Como meio de justificar toda essa ansiedade sem justificativa, fiquei repetindo para mim mesma que com a Bjrörk é diferente, porque eu tenho toda a coleção dela em CD, e geralmente o encarte é muito legal, e etc etc etc. Arrumei várias razões para me enganar e comprar logo o tal do disco.

Pra se ter uma idéia, eu não sabia nem onde procurar. Lembrei da Saraiva, onde, de vez em quando, compro uns livros pela internet. E lá fui eu na loja do mundo real, passei direto, sem olhar, por todos aqueles livros maravilhosos e cheguei na seção de discos. De primeira identifiquei o que eu queria, peguei e paguei no caixa exatos R$31,90. Toda a operação não durou mais que dez minutos.

Daí fui correndo pro carro me deliciar com o novo presente. E, é claro, mer divertir com o encarte. Coloquei o disco pra tocar e tirei o livrinho da capa. Mas... o livrinho era muito fino. Fino demais para um CD da Björk, com apenas duas páginas e nenhuma foto ou grafismo interno. Pensei: "Isso deve ser coisa de edição nacional". Não deu outra: no canto superior da capa, à direita, estava escrito: "Special Edition for Latin America".

Que decepção. Paguei 32 reais por essa porcaria! Poderia ter baixado o disco todo na internet, inclusive o encarte, pagando nada! Me senti a pessoa mais otária do mundo. E prometi a mim mesma nunca mais entrar em uma loja de discos.

Andei vendo por outros blogs que eu não sou a única a se sentir uma idiota fazendo as coisas da maneira "legal". Outro dia, li o texto de uma menina que contava a sua peregrinação na tentativa de baixar arquivos MP3 comprados. É tudo tão complicado, incompatível, burocrático, que você fica o processo inteiro se perguntando por quê está fazendo aquilo. O que me faz chegar à conclusão de que a gente não tem que fazer o menor esforço para tentar acompanhar o estabilishment.
Ele que corra atrás do prejuízo!

Thursday, June 28, 2007

And the readhead girl goes by

Toda vez que paro naquele sinal, vem um senhor meio maluquinho, com chapéu de pedreiro na cabeça, vendendo balas de hortelã. Na primeira vez, eu disse que não (não compro nada nos sinais e, pra falar a verdade, a pobreza tem que ser muito mais profunda para me abalar). Na segunda vez disse que não de novo, mas dessa vez olhei pra ele e sorri. Ele sorriu de volta, perguntou sobre a minha mãe (sem fazer a mínima idéia de que a minha mãe está morta há pelo menos 15 anos), elogiou o corte de cabelo e foi embora. Hoje eu resolvi comprar as balas e, por falta de troco, acabei levando cinco reais em confeitinhos de hortelã. Ele pediu, me deu a quantidade errada, e eu não reclamei. Deixa eu fazer uma boa ação monetária por hoje.

Toda vez que estaciono na frente daquele açougue desativado, o homem que mora na calçada me dá boa noite ou bom dia, madame. Na primeira vez, não olhei e respondi bem baixinho. Na segunda vez, olhei, sorri e retribuí o cumprimento. E ontem, na terceira vez, saí do carro e ele ajeitou o espelho retrovisor, avisando que o caminhão de lixo ia passar na rua durante a noite, e que era melhor tomar cuidado.

E tem o cara do boteco onde eu compro cigarros. E os mecânicos da oficina de motos que passam cantadas pra todas as meninas da rua. E o caixa do supermercado que empacotou minhas compras bem rápido, porque eu estava atrasada. E as mesmas babás, com as mesmas crianças, na pracinha onde tem o chafariz francês. E os porteiros do meu prédio, e muitos meninos de vinte e poucos anos que são colírios para os meus olhos de pré-balzaquiana, e o chorinho aos domingos, e as duas academias, uma bem melhor que a outra.

Aos poucos, bem aos poucos, eu também vou fazendo parte do meu bairro.

Wednesday, June 27, 2007

Sobre topadas e sonhos

Tem coisas que a gente ouve na infância e que teimam em nos seguir o resto da vida - não importa o quanto idiota seja a questão. Falo de manias, superstições, lendas, que em algum momento algum imbecil nos ensionou. No meu caso, lembro de duas histórias que volta e meia me pego pensando: a das topadas e a dos sonhos.

A das topadas nasceu na época em que eu estudava em um colégio de freiras. Essa temporada religiosa foi a responsável por noventa por cento do meu repúdio à Igreja Católica e a todas as suas representações (menos igrejas antigas que, inexplicavelmente, eu adoro visitar). Eu tinha uns dez anos e fazia aula de catecismo - porque a boa, naquela época, era fazer primeira comunhão; um mega evento social! - e estava nessa aula quando alguém perguntou pra freira/ professora se era verdade que Deus castigava.

- Castigar, ele não castiga - ela explicou - porque Deus é todo perdão. Mas de vez em quando ele dá uns avisos, né? Quando acontece um pequeno acidente, uma perna quebrada, um tornozelo torcido...

Desde então, toda vez que dou com o dedão na parede, ou com o cotovelo na maçaneta da porta (sabe aquele choquinho que dá?), eu penso em Deus. Na verdade, eu me pergunto: "mas o que que eu fiz pra levar uma dessas?", e busco o que poderia ter causado esse mínimo aviso divino. E olha que eu ainda não decidi se acredito ou não nessa coisa de poder do criador.

A outra história, a dos sonhos, não tem nada a ver com o colégio de freiras. Tem a ver com um suplemento que vendia no jornaleiro que se chamava "Mistérios do céu e da Terra" - acho que era mais ou menos isso. Esse livro falava de almas, vida após a morte, feitiços... Ensinava até a fazer um boneco vudu usando terra de cemitério (isso eu lembro bem, porque fiquei intrigadíssima com a idéia de ter que ir até o cemitério levando um baldinho e uma pá para depois confeccionar o seu boneco). Nessa época eu devia ter uns oito ou nove anos, mais novinha ainda que no episódio das topadas.

E aí que tinha um capítulo desse livro que falava sobre sonhos. E explicava que, enquanto estamos sonhando, nossas almas deixam o nosso corpo para vagar pelo mundo, encontrar pessoas, conhecer lugares diferentes. Um passeio básico no plano imaterial.
O texto dizia, ainda, que quando encontramos uma pessoa em um sonho, significa que nossas almas realmente se encontraram durante a noite, e que conversaram e passaram um tempo juntas e tal. E depois disso, para o resto da vida, toda vez que sonho com alguém penso na possibilidade do encontro de almas.

Mas por quê, exatamente hoje, lembrei dessas histórias? Acho que tive um sonho estranho, com uma pessoa que não vejo há muito tempo. Mas eu não lembro quem ela era, e nem o que acontecia no sonho. E no caso de almas que se encontram (o que me deixa muito confusa, porque fiz análise durante anos e tinha outra visão do que rolava na minha cabeça após adormecer), isso significa que a outra pessoa sonhou comigo também?

Até gostaria de acreditar no encontro das almas. Mas é muito mais lógico acreditar nas peças que a minha mente prega.

Tuesday, June 26, 2007

Eu sei que você está lendo isso

Abre a foto proibida e fica uns dois segundos olhando pra ela, e então conclui: acabou. Fecha a foto, desliga o computador, mas a imagem ainda existe lá no fundo, embora a sua tentativa seja ignorá-la. Ela não vai embora. Ela não vai embora tão fácil assim - é como deitar sob o sol de olhos fechados, abrir e enxergar uma cadeira de praia, e depois fechar os olhos de novo: tá lá a cadeira, na penumbra dos olhos fechados, demorando a desfazer o contorno. Já percebeu que isso acontece? E se deitar agora e tentar dormir, vai estar no centro do escuro a mesma foto, o sorriso torto e todas as olheiras do mundo, os dentes manchados de incontáveis cafés e cigarros e quem sabe mais o quê, o cabelo que teima em continuar despenteado. Era assim até o ano passado - vai saber como é esse ano. Mas não importa, porque o que vale é a imagem do computador, aquela que restou, a que não foi deletada nem guardada no fundo de uma gaveta qualquer, a que não se juntou a tantos outros arquivos mortos acumulados com os anos. Daqui a pouco eu faço trinta, faz aí as contas de quantas fotos inesquecíveis eu já esqueci que tenho. As fotos se renovam e as manias também, os programas imperdíveis são outros, alguns amigos permanecem os mesmos. No final, é tudo esquecimento - mas este texto vai continuar aqui, não importa o que aconteça.

Vai, confessa. Você sabe do que estou falando.

Monday, June 25, 2007

It's a small world after all

Uma amiga me chamou para um encontro de um site de relacionamentos. Toda vez que eu falo "site de relacionamentos" as pessoas me olham de um jeito engraçado, achando que se trata de encontros on line. Mas não é nada disso. Essa é uma página de rede de amigos, no estilo do Orkut e de tantos outros por aí. O nome do site em questão é Small World, e eu nunca tinha ouvido falar até a noite de sexta passada.

A grande diferença do Small World em relação aos outros sites de relacionamento é que nele não é qualquer um que entra. Uma vez convidada, a pessoa tem que passar pelo "crivo" dos outros membros do grupo, que vão examinar suas referências, sua procedência, seu endereço, etc. Obviamente, eu não faço parte de tal grupo seleto de internautas. Fui no encontro no maior estilo bicão mesmo.

Hoje soube que fazem parte da conexão gente do naipe de Roberto Justus e outros famosos/ricos. Se bem que não tinha ninguém a nivel de Caras no encontro.

Mas vamos lá. Chegamos - eu e a minha amiga - no quiosque da Lagoa onde o programa havia sido marcado. A língua que se ouvia era o inglês, já que havia uma boa quantidade de gringos sentados à mesa. Em um primeiro momento, nós duas fomos renegadas à nossa mediocridade (eu mais do que ela, já que a minha amiga faz parte da rede, embora ela ainda não tenha moral para convidar ninguém). Mas depois de algumas doses de qualquer coisa, treinávamos intensamente o nosso inglês com as pessoas ao redor.

Havia um italiano que trabalhava pra Tim. Um alemão que dava aulas na Coppead. Um paulista corretor de imóveis que também não era do grupo. E umas meninas que pareciam ter vivido na Europa por algum tempo.

Os papos iam na base do: o que você faz? onde você mora? o que está achando do Brasil?
Em nenhum momento ficou aquele clima de "somos ricos e jovens" - até porque ninguém ali era tãããão jovem assim, a média era de mais de trinta anos. Eu logo firmei conversa com o italiano, que era, sem dúvida, o cara mais engraçado do grupo. E com o paulista, que era gay e mega simpático. Os outros não tive nem como conhecer, entretida que estava no papo da dupla surreal.

De lá resolvemos sair para dançar. Alguém falou em Lapa, outro falou em Ipanema. Fomos parar em um lugar chamado Hotel OuroVerde, em Copacabana. Um lugar que, na boa, não recomendo pra ninguém.

Quarenta minutos depois de chegarmos ao hotel/boate, resolvi que era hora de voltar pra casa. Dei um tchau geral, peguei telefones e emails dos meus novos camaradas, com a promessa de manter contato. Ainda não sei se serei capaz de manter a promessa. Geralmente, não cumpro.

Mas o mais interessante de tudo foi a idéia surgida no almoço de hoje, quando eu contava as aventuras de sexta-feira. Alguém na mesa teve a idéia de criar um site exatamente o contrário do Small World, em que os mais bagaceiros pudessem entrar. Nada dessa história de cifrões e referências. Quanto mais vira-lata fosse a pessoa, mais bem vinda ela seria no grupo.
O nome, disseram, deveria ser "Coração de mãe".

Só que, pensando bem, não adianta a gente fazer uma página nos moldes do Coração de Mãe. Porque, na verdade, essa página já existe.
Chama-se Orkut.

Friday, June 22, 2007

Mudando o shape

Uma vez um amigo me perguntou por que as mulheres cortavam o cabelo quando terminavam um namoro. "Porque elas querem se sentir mais bonitas, basicamente" - expliquei. E então ele começou a reclamar que tinha mulher que acabava se enfeiando, que era mais bonita antes, etc e tal.

Mas, na real, só sendo mulher pra saber o poder renovador que tem uma passadinha no salão de beleza.

No meu caso, não é bem assim. Eu gosto de ter a unha feita, cabelinho cortado e devidamente esticado com formol, pernas depiladas, olheiras escondidas... Mas gostaria muito mais de tudo isso se eu vivesse no mundo dos Jetsons, onde basta você entrar numa mega máquina com mil braços para sair linda e perfeita.

O tratamento de beleza que eu mais odeio é fazer as unhas. Acho um saco ter que ficar de small talk com a manicure enquanto ela cavuca as minhas cutículas, ou esfrega a sola do meu pé com aquelas lixas terríveis. Invariavelmente, morro de cosquinha durante esta etapa da tortura, e me contorciono toda enquanto a pobre da mulher tenta fazer seu trabalho.
Depois, peço desculpas: "É que sinto cócegas"

Hoje eu tive um dia de salão de beleza. Fazia tempo que eu não encarava aquele recinto, e já era hora de eu dar a tal da renovada pós-término.

O que não se faz nessa vida em nome da possibilidade de se apaixonar de novo...

Thursday, June 21, 2007

Aplauso ao chope

Foi uma combinação entre amigos: vamos sempre aplaudir o primeiro chope, e talvez o último também. A idéia surgiu depois de um pôr-do-sol no Posto 9, em que um amigo que queria ser hippie - mas não é - insistiu naquele ritual bizarro da praia de Ipanema. Seguiu à risca a juventude dourada e se pôs a bater palmas pro horizonte. E eu, ao lado dele, horrorizei.

Mas aplaudir o primeiro chope é muito diferente. Eu e o amigo não hippie tentamos parar no Jobi, domingo à noite. Tudo cheio. Fomos pro Conversa Fiada, comemos um pouquinho, mas estava realmente desanimado por lá. E terminamos no Belmont do Leblon dando uma salva de palmas pra tulipa à nossa frente.

As outras (poucas) pessoas no bar nos observaram sem entender. E ninguém nos acompanhou. Pra falar a verdade, nem senti falta dos outros, porque já tem gente demais indo com as outras no pôr-do-sol de Ipanema. O ritual do chope é só meu e do meu amigo, que é uma das poucas pessoas que entende exatamente as minhas piadas. Eu diria até que ele é a minha alma-gêmea do humor, a ponto de nós deixarmos de lado outros acompanhantes, estabelecendo um papo reto que ninguém mais entende. Às vezes me sinto culpada, mas depois a culpa passa. Adoro não ter culpa de nada.

Tuesday, June 19, 2007

Blog bombando

Fico assustada quando vejo que a quantidade de Unique Visitors desse blog não pára de crescer. Tudo bem que a maioria entra aqui fazendo pesquisa sobre Rivotril (aviso logo a esses: Rivotril é uma merda! Acaba com a libido, dá uma super rebordosa depois do uso e é o verdadeiro paraíso artificial). Mas será que alguma dessas pessoas que caem aqui por acaso voltam mais tarde?

O engraçado é que eu tenho achado os meus textos muito chatos. Parece que eu to chegando aos trinta e ficando com cada vez mais preguiça de pensar. Os poucos amigos que lêem o meu blog (a maioria lê mas não me conta, principalmente os casinhos e os ex-namorados) dizem que o texto continua bom. Mas eu acho que dei uma caída considerável de qualidade.

É triste admitir que eu era mais inteligente aos 24 anos.

O lance que até tenho coisas a contar, mas pouco tempo pra fazer. Agora, por exemplo, está na hora de ir a uma festa de aniversário, pertinho da minha nova casa.

É uma delícia ser livre.

"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro!"

Monday, June 18, 2007

Porque eu sou muito amada

Dias desses um cara deixou um recado no meu celular assim: "... queria dizer que eu tenho a minha família, os meus amigos... tenho muito amor. E amor é uma coisa que você não tem. Falta amor na sua vida, Bruna. Muita gente não gosta de você. Mas eu gosto. Se qusier, liga pra mim"

Eu não liguei.

Mas fiquei pensando no que ele disse. De onde ele tirou que eu não tenho amor na minha vida? E o que esse cara sabe da minha vida pra falar que falta isso ou aquilo? Essa humanidade é ridícula, o ser humano é ridículo. Uma vez um amigo (uma pessoa profunda, e não rasa como eu) disse que as plantas deviam estar rindo de nós, porque nós perdemos tempo sofrendo. Eu também acho isso, agora. Mas durante muito tempo cultivei o sofrimento, porque achava que esse era o caminho pro aperfeiçoamento pessoal.

Tudo isso me veio à cabeça porque reli um email guardado de um amigo que não vejo há pelo menos 5 anos. Espero, de coração, que ele esteja muito bem e muito feliz. Talvez o email dele tenha sido o mais lindo que eu já recebi na vida. E foi sem nenhum interesse especial, ele mandou o texto porque foi tocado, de alguma maneira, pelas coisas que eu andava escrevendo na época. E eu escrevia coisas muito mais importantes na época, porque ainda não tinha decidido ser rasa.
E quando eu me pergunto pra quê eu mantenho esse blog, em que todo mundo sabe um monte de parcialidades da minha vida, com emails como esse acabo lembrando sempre da razão.
Leiam vocês e entendam sozinhos do que eu estou falando.

faz tempo‎
From: ***
Sent: Tue 10/28/03 1:00 PM
To: brunapaixao

Oi Bruneca..lembra de mim..o Godô? Pois é gatinha...faz tempo que a gente não se fala..e mais tempo ainda quea gente não se vê...e confesso fazia tempo que eu não dava um passeio pelosseus blogs..coisa que fiz diariamente por muito tempo, mas acho que a genteé assim memso..cria hábitos para poder odia-los depois.Hoje com um pouco mais de tempo sobrando em minha cabeça e a nostalgiabombando nessa manhã chuvosa paulista resolvi rever ( a minha maneira... aque posso ) amigos e pessoas pelas quais guardo imenso carinho.Mandei e-mails para o Beto..pro David..e dei um volta pelos seus blogs.Estou muito contente de saber que suas letrinhas estão ficando maiores eatingindo pessoas alem do universo www.Tenho orgulho de ter você como amiga...mesmo que distante, as vezes tenhomedo de estar longe e trasformar pessoas que gosto em meros "conhecidos"...estava te devendo um e-mail né?Bruneca..a vida em SP continua meio maluca...apartamento montado pelametade, trabalho demais...confusões empresariais que deixam a genteapreensivo...e saudade..muita saudade.Mas você mesmo sem saber é um canal importante...quando quero lembrar doBG...da matriz..da bunker...tem sempre uma fotinha bacana esperando paraservir de colo. Alem de textos que não posso evitar de achar que foramescritos pra mim...por alguem que mora dentro da minha cabeca...que sabeexatamente como me sinto.Acho que é por isso que te gosto tanto...mesmo que você não saiba..e adistãncia não permita essa intimidade, eu acho que somos muitoparecidos...pelo menos na maneira de pensar e ver as coisas, talvez porisso eu me afaste de vez em quando..ler seus textos me mostram um lado meuque as vezes me incomoda, mas sempre volto quando preciso me reencontrar.Queria te falar que te acompanho..de longe e tenho um puta orgulho de teconhecer...prometo..como sempre... tentar mater mais contato..não conte comisso..mas saiba que estou por aqui. Um Grande beijo " Godô"

Friday, June 15, 2007

Eu recebi uma telemensagem de dia dos namorados

E é uma experiência única. Ou melhor: é bizarro. Porque não há nada, absolutamente, romântico. É mega brega, resumidamente falando.

Só pra esclarecer, a mensagem não foi de um admirador secreto. Foi de um membro da minha equipe, que cismou agora de falar que está apaixonado por mim. Oh, god. Depois de três anos trabalhando juntos, o cara achou que eu era a resposta aos problemas dele. Mas até agora eu não sei exatamente porquê ele resolveu que gosta de mim, mas sei que a minha paciência está nos limites.

Não que eu tenha um coração de pedra. Mas é que sei diferenciar fanfarronice de paixão.

Mas, enfim, voltando à mensagem, a coisa funcionou mais ou menos assim. Ligou uma mulher para o meu celular avisando da telemensagem. Perguntou se eu gostaria de ouvir. "Ok", eu respondi, e a gravação começou. De fundo, uma música com letra que dizia: "eu vou roubar você pra mim", ou algo do tipo. E então, entrou um locutor que deve ser o mesmo cara que faz a voz da Good Times 98 (da rádio 98 FM daqui do Rio, "só sucesso"), e disparou um monte de frases "belas", do tipo: o seu sorriso me ilumina, estou adorando me relacionar com você, os momentos que passamos juntos, etc etc etc. E eu às gargalhadas.

O dia dos namorados é uma data comercial estranha. Quando calhou de eu estar namorando no 12 de junho, troquei presentes com o meu namorado da ocasião, mas sem o mínimo de love effect. Era mais uma coisa no estilo: e aí, do que você está precisando? Ia no automático, sabe como é? Tanto que não lembro o que fiz no último dia dos namorados que passei acompanhada. Provavelmente, não fiz nada de diferente do que faria em qualquer outro dia.

Paralelo a isso, tenho amigas que ficam desesperadas nessa data. Uma vez, um grupo de amigas solteiras emburacou em uma festa de quinta categoria, só para esquecerem que aquele era o dia do amor, teoricamente. Eu não estava junto com elas, apesar de também estar solteira neste ano. Pelo que me lembro, fui jantar com um ex (que já era ex naquele momento).

Mais uma razão pra se ficar amiga dos seus ex-amores. Na pior das hipóteses, eles pagam um jantar no japonês pra você.

Tuesday, June 12, 2007

Odd Job Jack

Outro dia conversei com a versão em carne e osso daquele cara do desenho do Adult Swim, conhecido no Brasil como Jack Bom de Bico. Por acaso - mas isso é só uma coincidência, minha gente - ele também ouve Nina Simone. Resumindo, todos os meus textos se encontram em algum ponto. Se eu continuar assim, vou acabar falando do Lost in translation.

Olha só por onde o Odd Job Jack já passou:
1 - caixa de uma multinacional de fast food do Largo do Machado
Depois que ele foi demitido - provavelmente porque dava lanche de graça pra todos os seus amigos, e só marcava um suco na caixa registradora - fez um panfleto sobre os porcos capitalistas da rede americana de lanchonetes, e ficou distribuindo na porta da ex-empregadora dele. Nesse panfleto, ele contava algumas verdade sobre a cadeia de fast food. Como, por exemplo, que todos os funcionários bebem o sorvete da casquinha direto do recipiente aonde ele fica guardado no congelador. Ou seja: se você já comeu uma casquinha no Largo do Machado, dividiu essa delícia com outros tantos funcionários da rede.

2 - caixa extra de natal das Lojas Americanas
Segundo jack, nunca a LA vendeu tantos laticínios quanto naquele natal. Porque era só isso que ele marcava nas suas vendas.

3 - Garçom de restaurante
Foi demitido depois que fumou maconha no teto do restaurante depois do expediente. Ele me jurou que, na época, achava que não tinha nada demais ele fazer isso, já que o seu horário de trabalho já tinha terminado. O melhor é que não foi demitido por justa causa, e por isso entrou na justiça e ganhou uma mega indenização da empresa.

4 - vendedor de loja no Fashion Mall
Foi o recorde de menor tempo em um emprego. Ficou trabalhando por duas horas, e foi demitido quando não soube explicar a diferença entre uma blusa de cotton e uma de algodão para uma cliente.

E depois de ouvir isso tudo, em meio a três doses de vodka, eu acabei pensando: "um brinde ao Jack!" É que finalmente eu conheci alguém com alguma história pra contar, só pra variar um pouquinho...

Monday, June 04, 2007

Nina Simone

Nina Simone une as pessoas. Ela é uma espécie de termômetro para saber se vale a pena ou não que alguma conversa seja estabelecida. O mesmo acontece com Dostoiévski, mas em graus diferentes, é claro. É que tanto Nina quanto Dostoiévski pertencem a um grupo de artistas que pouca gente saca. Não no sentido de erudistismo, ou cultura, mas sim no de sentir a alma tocada. Como eu havia dito no texto sobre Lost in Translation.

Lá vem eu com essa história de novo. Mas não posso evitar. Ouvir Nina Simone em uma conversa faz com que uma estrelinha brilhe automaticamente dentro da minha cabeça. E então, a situação é vista de outro modo. Meu interlocutor ganha mais respeito. Eu penso: se ouve Nina Simone, é boa gente, e vamos nos dar bem. E, geralmente, eu comento que vi o show da diva no extinto Claro Hall, um ano antes dela morrer.

Na morte de Nina eu fiz um texto. Foi a única das minhas cantoras de jazz preferidas que eu consegui ver ao vivo, com o queixo encostado no palco, os olhos grudadinhos nos seus movimentos. Não tenho certeza, mas devia haver um fiapo de baba escorrendo no canto da minha boca. Ou não, porque essa imagem nem combina com um show da Nina Simone.

Durante recente conversa noturna, aos berros (devido ao som ensurdecedor da pista de dança), Nina foi citada. E eu lembrei do show, e do texto do dia da morte dela, e de todas as vezes que eu e Mayra ouvíamos jazz bebendo whisky roubado do bar da casa dela. Mayra criou uma festa bissexta de jazz, mas eu continuo sem fazer nenhuma produção cultural. Acredito que Nina seja para se ouvir sozinha. Ou a dois - de preferência, com possibilidades sexuais em jogo.

Wednesday, May 30, 2007

Inacreditável China

Dias desses eu fui parar no Centro Cultural do Banco do Brasil para ver a exposição da China. Caí de paraquedas, como sempre. Na verdade, ando tão por fora de qualquer evento cultural dessa cidade, que nem sabia que os chineses tinham invadido o CCBB, mesmo com todos os anúncios espalhados pelo Rio. Talvez por isso o efeito tenha sido tão intenso.

Eu tenho uma mania com exposições. Gosto de ir sozinha, porque quando estou acompanhada fico meio tensa, com medo de estar demorando muito em cada obra, ou indo mais rápido que os meus acompanhantes. No caso da expo da China, uns amigos me esperavam em outro ponto do centro cultural, de modo que eu vi tudo como se estivesse sozinha, e pude saborear a meu tempo todas as obras ali oferecidas.

Acontece que quando vejo alguma coisa realmente fascinante, tenho vontade de fazer um comentário em voz alta. Para alguém. Como que para dividir a grandiosidade daquele momento, sabe? E rolou essa história no meio do meu passei à arte oriental. Foi quando parei diante de um quadro a óleo que parecia uma fotografia. Não digo que parecia pela semelhança com o real, e sim pela técnica que o cara conseguiu produzir na sua tela. Ele deu à figura um brilho de impressão fotográfica! Fiquei totalmente de cara com aquilo. Como é que se consegue isso?

Devo ter feito uma cara tão idiota, que um senhor que também visitava a mostra comentou comigo: "Incrível isso, não é? Dizem que a pintura morreu, mas não morreu nada. Olha a prova aí."

Fazia tempo que eu não sentia a alma beijada. Acho que às vezes a gente se acostuma a levar uma vida sem satisfação de alma, apenas cumprindo compromissos e adquirindo aquele estado de dormência. Mas ao visitar a exposição da China, eu lembrei de tudo, da sensação de satisfação interna. Tenho uma certa pena de quem não consegue entender o que é isso. Porque é esse tipo de sentimento que faz o cotidiano valer a pena.

---

Aliás, ontem caí de paraquedas, mais uma vez, em um showzinho mega ultra underground. E bom. De tudo, eu tirei a seguinte frase, que totalmente se adequa ao momento:
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro".

Tuesday, May 29, 2007

Air! No Brasil!

Depois que vi o show do Daft Punk, comentei com um amigo: "Agora só falta o Air". Explico: é que já tinha assistido Chemical Brothers, no histórico show do (na época) ATL Hall, e naquela noite tinha rolado Daft Punk, e de todos os meus queridinhos eletrônicos só faltava a dupla francesa do Air pra eu ser uma pessoa total e absolutamente feliz.

De lá pra cá, mais Air na minha cabeça. Pocket Symphony é um disco lindo, e Mer Du Japon é tipo estar apaixonada por alguém. A mesma sensação. E Redhead girl eu disse por aí que é a minha música, só porque eu sou uma ruiva de farmácia assumida, desde os 16 anos, por aí. Só mudo o tom pra mais ou menos forte, dependendo do meu estado de espírito no momento.

Com o Air, tudo começou com Playground love. Ao contrpario da maioria, não foi amorà primeira vista quando ouvi Sexy Boy. Achei legal e pronto, mas estava numa fase ultra mega house (ai, ai, esses anos 90...), e aquele som do boooooyyyy tinha pouco groove pra mim. Na época. Mas quando vi Virgens Suicidas e ouvi Playground love, pensei: fudeu. E esse mesmo pensamento voltou à cabeça quando soube da vinda deles pro Brasil.

E depois vieram os medos (ai, ai, essas virginianas...). Medo de criar muita expectativa e não gostar do show. Medo de não conseguir ingresso. Medo de estar viajando na época do festival. Medo de um monte de situações absurdas, e que têm solução. Até a minha viagem fora de época - que é realmente possível - eu já sei como solucionar. Vai ser uma loucura, mas já me convenci de que isso é o certo: vou ver o show e depois pegar um avião direto de volta pra onde eu estiver. Quanto vale um show do Air, para alguém que sempre esperou por isso? Vale mais que uma passagem aérea.

De todas as poucas certezas que eu tenho, a mais interessante é a que diz respeito à minha vida careta. Não quero nem um drinkezinho nesse show. Nem uma vodka com coca-cola. Ele tem que ficar gravado na minha mente para sempre - assim como tantos outros ficaram, e que eu saboreio até hoje.

Monday, May 28, 2007

Fui citada...

...no blog da Kamille
Tá vendo, existem outras pessoas no mundo que falam do passado...

Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Os anos 90
Rodrigo Lariú (midsummer madness) e Gabriel Thomaz (ex-Little Quail, atual Autoramas) vão lançar fitinhas demos com versões raras pinçadas das demos de bandas do 'boom' do rock brasileiro nos anos 90, todas guardadas por Gabriel.Isso me deu uma nostalgia TÃO grande... Não sei se é o retorno de Saturno (também conhecido como proximidade dos 30 anos), mas me lembrei do tempo em que ia à Basement, à Dr. Smith, ao Circo Voador (que não era caro como agora e nós, estudantes de colégio ainda, podíamos freqüentar) e ao Humaitá Pra Peixe ver algumas dessas bandas da coletânea. Voltávamos pra casa de ônibus de madrugada. Não tinha tanto tiroteiro na cidade, ainda... Eu e minhas amigas (normalmente a Jô e a Bruna) passávamos o dia vendo MTV e ouvíamos a Fluminense FM. Usávamos camisas de flanela quando esfriava um pouco (só um pouquinho), comprávamos CDs importados 'piratas' (os chamados 'bootlegs') das nossas bandas preferidas, tínhamos mil furos nas orelhas. Ficávamos bêbadas rápido, escrevíamos frases dos nossos ídolos na agenda e tínhamos muito tempo livre.O momento nostalgia termina aqui porque acho superdeprê gente que acha que o seu tempo já passou e que antigamente é que era legal. Não é. Pra pessoas como nós, que temos sorte, o bom pode e deve ser agora. Por que não?
posted by Kamille @ 1:20 AM 0 comments

Encontros e desencontros

Outro dia comprei o DVD do filme Lost in Translation, conhecido aqui como Encontros e Desencontros. Não gosto muito dos nomes brasileiros para filmes gringos, acho sempre que se perde um pouco do significado nessa nova nomeclatura. Não foi diferente com Lost in Translation, mas só outro dia eu realmente entendi porquê o longa foi batizado dessa maneira pela Sofia Copola.

Esse filme tem vários significados pra mim. A primeira história vem logo na sua estréia, quando um ex-namorado me ligou depois de assistir ao filme. Avisou: "Acabei de ver um filme que você vai gostar." Esses ex-namorados sempre acabam me sacando muito bem. Bom, pelo menos a maioria deles. Segundo ele, o filme lembrava a minha época nos Estados Unidos, quando eu ainda não tinha emprego e ficava longos dias vagando por Manhattan à procura do que fazer.

Parece absurdo não ter o que fazer em Manhattan. E é. Mas naqueles primeiros dias, eu vivia uma solidão que nunca tinha conhecido antes. Meu ex-namorado (o mesmo que me ligou depois da sessão, é claro) saía para trabalhar e eu ficava no apartamento, buscando um programa no guia turístico. Passava dias inteiros sem conversar com ninguém, mesmo dominando muito bem o inglês. Tinha vergonha de falar com sotaque, ou errar a gramática... Eram dias em que eu só ouvia a minha voz à noite, quando o namorado chegava em casa e a gente jantava juntos. Nas primeiras semanas, eu visitava muitos lugares e não sentia falta de conversa. Mas depois a coisa foi ficando complicada, e eu ansiava por ter o que fazer.

Mais um capítulo da síndrome da mulher de milionário.

Só que o filme vai além disso, dessa solidão no meio de situações fantásticas. Descobri revendo o filme, depois de ter comprado o DVD, que a falta de entendimento, o tal do lost in translation de que se fala, não atinge só as línguas diferentes da (linda) Scarlet Johanson e os japoneses. Existe também entre a menina e o seu marido, que não consegue entender o que ela está passando, tornando sua solidão ainda mais insuportável.

Até que aparece o coroa, que sabe exatemente o que ela diz. E então, a menina tem conversas e divide sentimentos como ela nunca conseguiu antes com seu marido. Por sua vez, o coroa também não tem com quem conversar até encontrar a menina. Os dois são salvos por uma comunicação só deles, que ninguém mais consegue entender. Aquela última cena em que a menina fala baixinho alguma coisa no ouvido do coroa, e que quem assiste não sabe o que é, é maravilhosa. Traduz todo o filme (com o perdão do trocadilho). A gente, aqui do lado de fora, pode até tentar imaginar o que é, mas a cena não foi feita pra isso, pra se buscar explicações. Foi o desfecho de uma linda história de amor.

Não dá pra sair ileso desse filme. Da última vez que assisti, chorei que nem maluca, eu mesma numa das maiores solidões da minha vida. Outro dia, emprestei o DVD para uma colega de trabalho assistir. No dia seguinte estava ansiosa para saber o que ela tinha achado. Ela me disse que achou o filme muito parado, muito lento... Que não tinha gostado muito. Eu respondi que deveria ter emprestado outros filmes com mais ação, e ficou por isso mesmo.

Essa colega de trabalho também não fala a minha língua. Estamos todos nos afogando numa sopa de letrinhas.

Wednesday, May 23, 2007

Pensamento puros e imundos

E, a partir de agora, todos os meus pensamentos serão puros. Está decidido. Eu fico assim pendulando entre o ser santa e o ser puta, eu e todas as mulheres da Terra, mas ainda não me decidi a qual caminho seguir. Todos os meus pensamentos serão sujos. Todos os meus atos serão imundamente humanos, baixamente animais, instintivamente. Este blog está chato demais, e mesmo assim os page views vivem aumentando, e a cada dia que entro no meu orkut (e só entro quando alguém me deixa um scrap; deus me livre daquele troço), o número de visitantes está maior. Virei, de novo, uma celebridade internética? Afinal, 16 acessos na home no orkut não é um número considerável? Nego tá lá pra ver as minhas fotos, ler os meus recados e fuçar os testimonials? Acho inacreditável, porque nada é tão interessante assim. Até a minha descrição, o tal do "about me", que eu achava genial, agora me cansa. Até porque em breve terei que mudá-lo, porque daqui a muito pouco sou uma balzaquiana completa. Vou bolar outra frase genial, tenho certeza. Sou boa em "about me"s de orkut, e em nomes para blogs. Sou boa quando não há uma comissão julgadora ao meu lado, obrigando a fazer sair uma idéia brilhante. É quando estou sozinha que as idéias brilhantes vêm. Na quietude, na solidão, só eu e meu computador. Ainda bem que aqui no trabalho tenho uma sala só pra mim. Ninguém vê o que escrevo, nem o que faço, e neste exato momento deveria estar fazendo um roteiro. Mas que preguiça. Já sai no piloto automático, e não há nada mais triste do que viver assim. Gosto das coisas organizadas até um certo ponto, e depois eu reverencio o caos. Gosto quando chego em um lugar e o acaso me contempla com detalhes só percebidos por mim. Saboreio o acaso. A japinha de ontem cantando "paraíba mulher macho" em japonês foi um brinde ao caos. Pena que eu estava de mau humor. O mau humor já foi embora, talvez porque hoje seja quarta, e amanha e depois de amanha e depois de depois de amanhã eu tenha festas imperdíveis para comparecer. Quem precisa de uma noite de sono numa situação dessas? Estou a fim de ver o que quero, na hora que quero, e nesse ponto tenho sido como um animal seguindo seus instintos. Mas seguro a língua quando quero mandar alguém tomar no cu, e sorrio quando tenho à minha frente alguém que me faz uma cara feia. É tão fácil desarmar as pessoas. Todas vêm com uma bula embutida, uma explicação de como usar, tipo remédio. Pra tudo tem remédio. O mundo dá voltas. Recuperei um amigo antigo que eu desconfio que está apaixonado por mim. Mas eu não estou por ele, então me faço de desentendida. Esse meu amigo, já fui louca por ele. Hoje não sou mais. E ele está tão desesperado de solidão que se agarrou ao meu braço. Eu deixo, porque ele me faz bem. Pergunto sobre o trabalho, sobre os sonhos e os planos. Ele tem uma namorada e diz que não gosta mais dela. Eu acho isso tudo muito triste, porque ele é um cara novo e bonito e muto inteligente, mas ele tem medo de ficar sozinho. Um dia eu disse a ele que ele não precisava de nada disso, e ele ouviu calado, não respondeu nada e não mudou. Não tenho mais o que oferecer a ele além desses conslehos vazios, conselhos dados como se a minha própria vida fosse uma sucessão de acertos e conquistas.

Oh, God. Esse blog está ficando muito pessoal.

Tuesday, May 22, 2007

Vida em ângulos

Como eu disse outro dia, a mesma situação tem efeitos diferentes dependendo do ângulo enxergado. Enfim, eu estava enxergando tudo torto, escrevi coisas no blog que não acredito mais. Pensei em deletar o texto anterior, mas deletar textos é meio que admitir uma mentira. Então ele continua ali, mas eu não acredito mais em nada daquilo. Amor não vira amizade da noite para o dia, eu não viro Buda da noite para o dia, eu continuo má de vez em quando, apesar de buscar a bondade sempre. Mas eu sou má, tenho raiva, tenho inveja, falo mal de aspectos absolutamente rasos das outras pessoas, sou um ser rastejante (já disse), uma farsa, em engodo. E mesmo assim, to aqui tentando ser sincera. Que risível!

Mas eu sou assim mesmo, fazer o quê. E ainda assim, sou melhor que a grande maioria que conheço.

Agora chega, porque estou atrasada pro show da Miho Hatori. Finalmente. Tenho mais o que fazer e pouca coisa para dizer nesse blog. Viva a vida rasa.

Friday, May 18, 2007

Vous est trés belle

É engraçada a cara de pena que os amigos fazem quando ficam sabendo que o meu namoro acabou. Alguns avisam que eu vou ter que me readaptar, e que existem novas regras de pegação, o que eu acho no mínimo curioso, porque parece até que, aos olhos deles, eu acabo de sair de um casamento de vinte anos. É claro que a readaptação existe mesmo, e é lenta e meio chata de aturar, mas essa situação não é exatamente uma super novidade pra mim. Prometo que vou sobreviver.

Outros amigos procuram em mim uma revolta pelo acontecido. Mais uma vez, explico que a revolta já veio e já foi embora, e o que sobrou agora foi só uma preocupação assumidamente egoísta com o meu umbigo. E de resto o que ficou foi um monte de lembranças legais, e outras não tão legais assim - mas essas eu deixo pra lá. Já não me dizem respeito.

Hoje mesmo estava ouvindo Air - semper air - e pensando na minha viagem pra Paris. Era meu primeiro dia na cidade, eu tinha passado no hotel, largado as malas, e já estava batendo perna pelas ruas. Devia estar com uma cara de total felicidade, porque um francês ignorou a presença do meu então namorado e falou pra mim: Vous est trés belle.

Não entendo nada de francês, mas essa frase eu pesquei muito bem. Acho que eu estava mesmo bonita, porque saltitava pela Place de Republique, com um casacão rosa que só eu usava (as pessoas lá não usam roupas coloridas no inverno, depois eu descobri. Todo mundo é muito sóbrio e chique).

Pode parecer justamente o contrário, mas quando lembro dessas histórias a dois, eu não fico com pena de mim mesma. Na verdade, eu sorrio. É que eu não consigo simplesmente varrer alguém que foi importante uma determinada época, e assim eu fiquei amiga de todos os meus ex namorados.

É tudo uma questão de continuar amando a mesma pessoa. Só que de outro jeito, entende.

Wednesday, May 16, 2007

Little earthquakes

Quando eu tinha uns 16 anos, ouvia Tori Amos o dia inteiro. Eu andava com umas meninas que jogavam RPG e liam Ane Rice, e usavam cabelos compridos e vermelhos, e freqüentavam a Dr. Smith aos sábados, vestidas de preto dos pés à cabeça. Em pouco tempo me tornei uma delas: lia Augusto dos Anjos (mas só os poemas famosos) e ouvia que ouvia a Tori, com um dicionário inglês-português nas mãos que era pra não perder nada das entrelinhas das letras.

E um dia as meninas ouviam "Little Earthquakes" e cantavam juntas quando comentaram: a Bruna não sabe o que são esses pequenos terremotos. E eu fiquei com raiva. Achei que estavam me discriminando porque eu era a do grupo que menos tinha experiência sexual (pra não dizer que não tinha nenhuma experiência sexual), e então protestei, mas sem grandes resultados. E fiquei me perguntando o que elas queriam dizer com aquilo de não conhecer os littles earthquakes da vida.

Mas hoje eu sei muito bem. Aprendi, eu acho. E vi que não tem necessariamente algo a ver com sexo - embora, às vezes, tudo isso esteja ligado. E de vez em quando eu canto mentalmente "hmm, these little earthquakes, here we go again". E o que me impressiona não são os pequenos terremotos em si, mas o "here we go again", porque agora eu sei que é assim mesmo, que uma hora a gente está lá em cima, e outra hora a gente está mais embaixo, e quem disser que não é assim está mentindo pra todo mundo - inclusive pra si.

E esses altos e baixos me levam a outra associação louca, que é a Roda da Fortuna, a carta do tarô que mostra mudanças e situações opostas. Na verdade, quando eu estou embaixo eu sempre penso: here we go again, vai passar -e depois, não é que passa? E aí eu subo de novo, feliz porque to subindo, embora as subidas sejam sempre mais demoradas que as decidas. Pelo menos, parecem assim.

Por outro lado, tudo é uma questão de ângulo. De posicionamento de câmera. Na minha profissão, você tem várias maneiras de gravar uma cena: mostrando a lata de lixo ao fundo, mostrando a rua, mostrando um jardim. O negócio é encontrar o ângulo que mais vai agradar a você. Como em todas as outras coisas.

Monday, May 14, 2007

Momento casa nova

Até o fim do mês me mudo. Com um certo medinho de dormir sozinha no apartamento de três quartos, que provavelmente só terá uma cama, uma TV, uma geladeira, um microondas e um fogão. E pronto. Vão ser dias de falar no telefone e sentir a voz ecoando em espaços vazios, e eu tenho um pouco de medo porque estou acostumada com casa cheia, gente vinte e quatro horas por dia, conversas no jantar, novela das oito assistida em conjunto, essas coisas. Mas, por outro lado, to bem feliz. Mais uma meta recebeu meu checklist mental.

2007, definitivamente, é um ano especial. Nem chegamos à metade e já tenho tanta coisa acontecendo em volta de mim, daquele tipo de coisas que faz você se sentir outra pessoa, sabe como? Nesses cinco meses fui contratada, recebi um aumento, fiquei solteira, emagreci uns 4 quilos de puro trabalho e agora estou a poucos passos de morar totalmente, absolutamente, on my own. Um brinde de vinho tinto a tudo isso.

E depois vem a outra metade do ano, 30 anos, projetos de parar de fumar e de retomar a academia, de fazer uma pós, ou de viajar pro Peru (a passeio, não a trabalho!). Tem limite o que a gente planeja? Têm fim as metas que a gente estabelece? Eu acho que não.
Ainda bem... Se não, morria de tédio...

Arco-íris goiano


Prometi, e aí está.

Saturday, April 28, 2007

Texto reciclado

É muito feio reciclar um texto antigo?

Encontrei esse aí em um dos meus blogs antigos, e fiquei com vontade de postar de novo.
Só não lembro quem eu estava amando na época.

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Mais um texto sobre o amor

Sobre o tédio
Quase tudo já foi dito sobre o amor, quase tudo já foi escrito e pensado da pior e da melhor maneira. Este não é um tema novo. Mesmo assim, insisto no erro e no lugar comum quando sento em frente à máquina de escrever com tela: cigarro em um canto da mesa, telefone sem fio, milhões de papéis e eu amando. Nada poderia, mesmo que eu tentasse, soar mais piegas que isso. ‘Eu estou amando’. Taí uma frase que não deveria ser dita em voz alta uma única vez da vida de uma pessoa sensata – e mesmo assim é dita.

Me enrosco no edredom com muita preguiça de levantar. Da última vez que saí assim, bati em um táxi e deixei um rastro de tinta amarela no meu pára-choque pretíssimo, sinalizando para todo o mundo que eu sou uma péssima motorista. A vida deveria ser mais leve para aqueles que estão amando, para aqueles que carregam a cruz da breguice nas costas com incomensurável alegria. Mesmo assim, tenho que levantar e trabalhar e soar muito séria e muito centrada, mesmo quando preferia estar deitada na piscina admirando nuvens cor de rosa. A vida é muito, muito dura para quem está amando. Todas as pessoas parecem amargas e mal comidas perto de mim, sinto uma pena altiva dos seres humanos ao meu redor. Eles não sabem o que eu sei, eles não sentem o que eu sinto. Pobres, pobres deles.

Hoje me peguei desenhando corações enquanto falava ao telefone com o revendedor de tacos. Falando sobre preço de obras e reformas e em quanto tempo a minha casa será habitável de novo. Quando me dei conta, rasguei o papel e escondi dentro da bolsa. Ninguém deve desconfiar que estou amando, ou se sentirão ainda mais amargos e mais mal comidos do que nunca.

De todas as últimas vezes que amei, gastei o que não podia para presentear o meu amor. Aprendi minha lição: nunca parcelar presentes para amores no cartão de crédito. O romance pode acabar antes de a conta ser paga. Pois é, sim, sim, a vida é muito dura para quem esta amando de novo e de verdade.

Pessoas que passam

Às 11h da noite de ontem, eu me despedia de uma senhora de cabelos curtos que tinha lágrimas nos olhos. Ela já começava a sentir as saudades que teria das nossas gravaçoes, depois de cinco dias de convivência intensa. Eu sei que nunca mais verei essa senhorinha e, mesmo assim, embalada por latas e latas de cerveja, ela me abraçou e me deu um beijo no rosto. E convidou para voltar à Goanésia, GO, no carnaval do ano que vem.

O mais certo é que eu nunca mais volte à Goianésia. Ou a Silvânia. Ou a Pão de Açúcar. Ou até a Fernando de Noronha (que lugar absurdamente caro! Prefiro ir à Espanha e gastar a mesma quantia). Mas em todos estes lugares deixei pra trás novos amigos, de idades variadas, que acolherem à mim e à equipe como membros de uma grande família.

Uma vez, quando estava em Jericoacoara, CE (dessa vez eu fui a passeio), um israelense que havia conhecido toda a América Latina me ensinou que, para quem viva na estrada, o lance é estar desapegado das pessoas. Uma coisa assim meio budista, de deixar que o outro parta, que conclua a participação que teve na nossa vida, sem sofrer por saudades. O israelense, cujo nome já nem me lembro mais, disse que esta foi a maior lição que ele aprendeu nas suas andanças de um ano e meia pela América do Sul. E ele disse isso, é claro, quando estávamos nos despedindo.

Mas eu nunca fui muito boa em deixar as pessoas passarem. Tenho essa mania de segurar por perto quem eu considero de bem, talvez porque eu esteja de saco cheíssimo de gente chata. Esse povo que eu conheci pelo Brasil é sempre gente que tem estima por humildade e que abre as portas de sua casa com alegria e sem ressalvas. Uma situação muito difícil de acontecer no Rio.

Tirei tantas fotos de meus amigos goianenses, mas sei que daqui a um mês não me lembrarei mais do nome de ninguém. Só vai ficar na memória a imagem da senhorinha emocionada, e dos copos de vodka com coca-cola na beira da piscina depois da gravação, e do churrasco mal passado especialmente pra mim.

Thursday, April 26, 2007

Algumas imagens das minhas viagens

Mochileira na Bolívia - Cágados fazendo amor no Espírito Santo - Felino selvagem em Jundiaí - Leoes marinhos no Rio Grande do Sul - Casas em Ouro Preto, MG



Terra de arco-íris

Desde que cheguei a Goiás, já vi pelo menos três arco-íris, em situações diferentes. A razão disso, segundo a minha teoria absolutamente sem base nenhuma, é que devido às planícies do estado, a gente consegue ver a chuva lá longe, chegando, refletindo no sol que ainda está sobre o nosso carro (é que geralmente vejo esses arco-íris da estrada). Outro dia (também na estrada), consegui ver o começo e o fim de um arco-íris, um fato inédito para quem, como eu, mora em uma cidade grande, cercada de edifícios. Fiquei tirando fotos loucamente, e em breve elas estarão neste blog, quando eu recuperar o meu cabo e conseguir baixar as fotos da máquina.

Sempre gostei de presenciar arco-íris. Lembro de uma vez, quando tinha passado o reveillon fora do Rio, e tinha acabado de voltar para a cidade, que fui recebida com um lindo exemplar. Era dia 3 de janeiro de 2004, e eu achei que aquele era um sinal de que o ano ia ser muito bom.

Foi um bom ano. Como são todos eles. Não são?

Wednesday, April 25, 2007

Algumas verdades sobre a humanidade que precisam ser aprendidas

1 - Ser rotulada por um erro é fácil e rápido. Apagar a impressão que o erro causou nas outras pessoas demora meses, ou anos... Se você nunca mais errar. Se errar de novo, o julgamento virá mais forte que nunca.

2- Tentar agradar às pessoas é inútil, porque geralmente elas nunca estão satisfeitas.

3 - As fofocas servem para entreter gente que não consegue outros passatempos (e eu acho que é porque elas têm horizontes estreitos)

4 - quase ninguém olha para seu umbigo e é cruel consigo mesmo. A maioria costuma achar que está sempre certa.

5 - Pouca gente pede desculpas sinceras. E praticamente ninguém deixa de subir no salto ao ouvir desculpas pedidas com humildade.

6 - Subir um degrau na existência da espécie é gratificante, porém solitário.

Queria conhecer gente que:

- aceitasse um pedido de desculpas com um sorriso.
- fosse mais severa consigo mesmo, no sentido de fazer autocríticas.
- segurasse sua onda na hora de julgar os outros.
- reconhecesse o esforço de alguém para mudar.
- gostaria de subir um degrau na existência também.

Será que estou sendo utópica demais? Estou mais para ingenuidade que utopia.
Mas, no final, não é tudo a mesma coisa?

Tuesday, April 24, 2007

On the road

Tenho viajado pelas estradas de Goiás. Viajando e lendo o diário de Jack Kerouac, mas muito longe de ser como ele. Um dia, quem sabe... quando eu deixar de ser adolescente. Enquanto isso, admiro o céu do Centro-oeste do Brasil, um dos céus mais bonitos do mundo. Vou ouvindo Air, ou Chemical Brothers, ou a linda voz do Jim Morrison, amplificada nos meus headfones. My headphones... they've saved my life.

Passando por cidades mínimas, com uma praça, uma igreja desativada e uma em funcionamento. Jantando em casa de gente simples da cidade, mas que gosta de receber convidados. Aprendendo a andar a pé. Conversando com muitas crianças que ainda têm vontade de virar policiais quando crescerem. Outra vida, outro ritmo, e eu aqui aprendendo.

Mas com saudades do Rio.

Não tem jeito, sou amarrada a essa cidade. até quando morei em Nova York eu sentia falta, e volte achando a Lagoa Rodrigo de Freitas linda. Meus amigos todos reclamando que no Rio nao tem nada pra fazer, e eu toda babona.

Sou a carioca da gema menos bronzeada do universo.

Monday, April 23, 2007

Subindo um degrau na existência

Nunca na minha vida eu tinha sentido com tanta intensidade a subida de um degrau rumo à aprimoração da espécie. Posso falar com toda certeza de que, dados os eventos dos últimos três meses, eu não sou mais a mesma pessoa. Em um certo momento, isso foi muito ruim. Mas agora está sendo bom demais.

A questão que sempre me persegue é: por que a gente tem que passar o diabo pra aprender alguma coisa? Ou melhor: existe alguém no mundo que aprende sem sofrer?

Tive um namorado que achava que sim, que ele aprendia simplesmente observando seu erros. Eu acho que ele estava muito enganado quanto isso... E que, na verdade, ele não aprendia era nada. Mas, vamos ser honestos, quem sou eu para julgar se alguém está evoluindo ou não?

Eu só sei avaliar a minha passagem de fase. A dos outros, eu não tenho nada com isso.

O lance é que eu to orgulhosa da minha passagem. Passar de fase de maneira merecida, por esforço próprio e sem a ajuda de ninguém é uma recompensa como nenhuma outra. Não importa o quanto você se colocou na chibata, o quanto você teve que ouvir verdades de você mesma. No final, o que sobra é uma consciência tranqüila... e uma certa certeza de que, por um tempo, você será uma pessoa um pouco mais solitária. É o preço que se paga.

Mês que vem tudo é possível pra mim. Tudo pode acontecer. Eu não aguentava mais tanta estagnação na vida.
Me desejem sorte. Mas eu já sei que eu terei.

Wednesday, April 18, 2007

A membrana do presente

Ontem encontrei uma amiga que é, de longe, a pessoa mais entusiasmada que eu conheço. Ela conta histórias com tanta paixão que é impossível não prestar atenção ao que ela fala, e geralmente nossas conversas são regadas a drinks rosas em copos com design especial. É que essa minha amiga é boa em bebidinhas, e investe no assunto. Ela é o meu bar preferido.

Mas enfim, estávamos juntas ontem quando ela me contou de um curso filosófico/de desenho que ela fez no mês passado. E me ensinou a maior verdade dos últimos tempos.

Segundo o professor de desenho/filósofo da minha amiga, o tempo presente é uma membrana muito fina, na qual tentamos nos equilibrar. Só que, bobeou, estamos pendendo ou pro passado, ou pro futuro, e deixamos de viver o agora.

Fiquei completamente de cara. Mas essa é a resposta de todos os meus problemas! Viver o que está acontecendo no momento, e não ficar tantas horas, tanto tempo, pensando no que foi e em como vai ser...

Nas minhas viagens, muitas vezes fico ansiosa para voltar pra casa. Lá pelo meio do percurso morro de saudades da minha caminha, do meu travesseiro. E aí a temporada fora do Rio se transforma em algo insuportável, e qualquer dia parece se arrastar indefinidamente, como em um episódio de Além da Imaginação. Chego a ficar sem ar de tanta ansiedade, e acabo mergulhando em cigarros, noites mal dormidas e pratos rasos.

Mas a solução é poética. Ponha a sua alma no presente. Ponha você inteiro na ação que está fazendo agora, que aí você nunca mais briga com o Tempo, e você e o Tempo virarão grandes amigos. A membrana existe, mas ela é sustentável. Tem é que se ligar no equilíbrio - inclusive porque, não tem jeito, a vida é malabarismo mesmo, não é isso?

Friday, April 13, 2007

À procura de um apartamento

E, finalmente, às portas dos trinta, eu estou procurando um lugar pra morar. Já havia resolvido há algum tempo que era hora de me mudar, mas os últimos acontecimentos fizeram com que a decisão se tornasse urgente. E de repente eu me vi tomando cafés com potenciais roommates em bares do Leblon. Aliás, morar no Leblon foi quase uma opção, apesar de eu já ter escrito aqui que nesse bairro o custo-benefício não compensa. Como eu não canso de avisar, falo de novo: sou uma fraude.

O Leblon não rolou, é claro. Mas outros lugares podem ser possibilidades incríveis, e eu estou à caça de uma companhia para dividir despesas. Mas aí é que está o problema: como é que a gente sabe quem vai ser um bom roommate pra gente?

Não aguento mais ouvir conselhos, que chegam aos baldes, de todos os lados: "não more com quem você não conhece"; "morar com amigos íntimos é uma roubada"; "nunca divida o aluguel com um casal, eles unem forças contra você!"; "morar sozinho é solitário e caro, o melhor é ter uma companhia"... Enlouquecedor. Se pelo menos eu fosse o tipo de pessoa que decide tudo sozinha e foda-se o resto, estava tudo bem. Mas a verdade é que eu ouço tudo quanto é conselho, e me deixo convencer por todos eles, de modo que a minha opinião muda a cada cinco minutos.

O fato é que já arrumei um apezinho numa rua lindinha, arborizada, perto de vários cinemas, metrô, em frente à uma praça que tem um chafariz... Um lugar perfeito. Só falta mesmo conhecer o apartamento! Porque nele eu ainda não entrei - mas já etsou absolutamente convencida de que é ali que eu vou morar.

Queria muito definir tudo isso antes da minha próxima viagem. Mas que tolinha, na quarta to eu pegando a estrada de novo, rumo a Goiás e Brasília, bem no meio do Brasil. Vambora, né, minha gente. Anotei telefones de amigos que moram por aquelas bandas e avisei o proprietário do apartamento fofo: segura ele aí pra mim. E o cara vai segurar, porque é um cara legal e amigo da família e etc.

Se tudo der certo, em junho eu estou pintando uma parede de verde. E pendurando fotos na geladeira da minha cozinha.

Thursday, April 12, 2007

Retratos

Na última vez que voei de BH para o Rio, estava sentado ao meu lado um cara que segurava a foto da namorada. Ele havia baixado a mesinha e colocado o retrato em cima. Depois, fechou o tampo e pendurou a fotografia na trava da mesa, de modo que a moça da foto ficava olhando para ele. E foi nessa posição que eu pude espiar que imagem era essa que ele tanto admirava.

A foto era de uma menina sentada no banco do que parecia ser uma praça de cidade pequena. Ela sorria, com os cabelos ondulados chegando à cintura, um chapeuzinho de tricô na cabeça. O rapaz não sabia muito bem o que fazer com a foto: ele guardava no bolso esquerdo na camisa, depois tirava e ficava olhando um pouquinho, tornava a guardar, tornava a tirar e a prender na trava da mesa... Era uma dança que não tinha fim. Imagine que, a essa altura, eu já estava quase pulando em cima dele de tanta vontade de perguntar quem era a moça da foto, se ele ia ficar muito tempo longe dela, se ia encontrar com ela no Rio... Fiquei com uma baita curiosidade, mas não mexi um centímetro do rosto. Nosso único contato (fora o bom dia que eu sempre dou a quem voa ao meu lado), foi quando ele procurou, sem jeito, ajeitar o encosto da poltrona. Apontei para o botão e falei meio baixinho "tem que apertar aqui", e ele sorriu muito sem graça - e eu sorri de volta, retribuindo o acanhamento. E o retrato da moça lá, por perto.

Mas foi na hora da decolagem que eu entendi a função da fotografia. No momento em que o avião acelerou para começar a subir, o cara fez o sinal da cruz, e agarrou com força a imagem da menina sorridente. Sua respiração só voltou uns cinco minutos depois, com o avião já estável no ar.

Achei tudo tão lindo! Que manteiga derretida que eu sou. Nunca cheguei a conversar com meu vizinho de vôo e, pra falar a verdade, a lembrança dele sumiu da minha cabeça assim que pisamos na cidade maravilhosa, louca que eu estava para voltar para casa. Mas hoje, confesso que a história do homenzinho me veio à tona, meio sem razão aparente. Na verdade, eu sei bem porque esse homem ressurgiu: simplesmente hoje eu me vi como ele, olhando uma fotografia esquecida no fundo da carteira da mesma maneira que ele olhava para a foto da noiva (noiva?)

A grande diferença entre o homenzinho e eu é que ele recuperou o fôlego cinco minutos depois da decolagem.
E eu ainda estou sem ar.

Friday, March 30, 2007

Os diários de Jack

É até covardia ler os diários de Jack Kerouac quando se está às portas dos trinta anos. Quero dizer, chega a ser meio cruel observar como esse menino, na época com apenas 26 anos, se esforça para escrever seu primeiro romance, The town and The City. São longas noites de trabalho com alguns milhares de palavras escritas, madrugada por madrugada. E depois relidas. E depois datilografadas. É uma correção que não tem fim, um aprimoramento quase doentio. E eu morro de inveja.

Mas o livro “Diários de Jack Kerouac – 1947- 1954” marca a minha volta a narrativas que fazem pensar. Não dá para sair ilesa das coisas que ele diz, do que ele pensa da vida. Kerouac era um cara que não parava de pensar em nenhum momento, e que gostava de dar longas caminhadas para poder refletir melhor. Ele não se permitia descansar nunca, a não ser quando encontrava os amigos beats no sábado à noite, e enchia a cara em alguma festinha de apartamento, ou então quando levava a mãe ao cinema, nos anos que se seguiram à morte do pai. No resto do tempo, pode apostar: Jack estava solitário, fumando um cigarro, caminhando quilômetros, andando e pensando.

Outro dia ele escreveu que sua vida era uma longa sucessão de dúvidas, e que isso o deixava satisfeito. Eu fiquei totalmente extasiada, porque meu maior problema sempre foi buscar respostas, quebrar a cabeça tentando achar uma lógica, uma linha de pensamento que justifique o acaso. Até que chega Jack e diz: prefiro as dúvidas, e de repente eu me vejo também preferindo dúvidas a afirmações forçadas, enfiadas goela abaixo. Até porque as dúvidas, uma hora ou outra, se solucionam sozinhas. O segredo está no que eu nunca aprendi: em deixar rolar.

Em tempos de viagem, quando depois de um longo dia de trabalho o que me resta é um quarto de hotel compartilhado, os livros têm me salvado de muitos momentos de falta de paciência e solidão. Foi dessa forma que li em menos de um mês dois livros consideravelmente grandes, saboreando cada história entre as escalas dos vôos loucos que eu pegava. Mas outro momento também me enche de prazer, que é aquele momento em que saímos para procurar novos livros, porque já acabamos com o volume que tínhamos em mãos. É um momento delicioso, mágico, cheio de dúvidas que acabam se solucionando, como todas as outras.

Encontrei Jack em um shopping horrível de Porto Alegre, onde só havia livros de auto-ajuda. Mas ele estava ali, filho único de mãe solteira, me esperando embaixo de volumes de “Faça seu dinheiro render” e “Inteligência emocional”.

Agora durmo com Jack nos braços.

Dark side of the moon

Sempre disse que achava rock progressivo um saco. E que um dia eu faria uma camiseta onde estaria escrito “Pau no cu do Rush” (bom, essa frase é de um amigo, mas eu achei legal e sempre digo que é minha). Só que outro dia baixei Dark side of the moon, e tive que pagar por todas as minhas xingações ao progressivo.

O disco é maravilhoso. Não paro de ouvir. Tanto que consegui convencer uma amiga indecisa a me acompanhar no show do Roger Waters em São Paulo, numa coincidência linda da vida de viajante: uma folga bem no dia seguinte ao show. Não é lindo?

Sempre achei “Wish you were here” uma das músicas mais lindas de todos os tempos. E “Comfortably Numb” tão triste e desesperada e tão maravilhosa.. – ainda não entendo porque considero as coisas tristes e desesperadas como maravilhosas – e estas eram as únicas músicas que eu falava que, ok, eram do Pink Floyd e eram legais. Ah, claro, também tinha “Another Brick on the wall” e “Money”, mas essas eram composições tão clássicas que deixavam de pertencer a uma banda e a um estilo, sabe? E era redundância falar que eram boas.

Mas de resto, eu dizia que era chato demais ter que ouvir uma música que ocupava todo o lado de um disco (no tempo do vinil, minha gente!), e eu tinha ouvido falar que o Pink Floyd tinha disso. Mas, na real, eu nunca ouvi a tal da música! E agora os nossos disquinhos não têm mais lado, então essa definição de música longa fica meio perdida, meio solta por aí.

Tenho vontade de encher a cara ouvindo Pink Floyd. E de sentar na varanda e ficar olhando o céu, sabe como é? Me ausentando de todas as coisas que me aborrecem e me tiram o sono, transcendendo, sei lá como. Pink Floyd é para ouvir no headphone, com os pés pra cima e o celular desligado. Um momento só para a sua alma, numa época em que a sua alma anda esquecida por todos os compromissos que aparecem no caminho.

Pink Floyd é melhor que Rivotril.

Obs: continuo achando o Rush uma merda.
Pau no cu do Rush!

Bolívia, o estado pobre do Brasil

Um belo dia eu estava de folga em Rio Branco. E o que fazer em Rio Branco em um dia de folga? Alguém deu a idéia: vamos até Cojibo comprar muambas e afins, porque lá é baratinho. Aceitei a empreitada e nós estávamos, 2h30 depois, na Bolívia.

A cidade de Cojibo fica grudada à nossa Brasiléia, no ponto mais ocidental em que eu já estive no país (o ponto mais oriental das Américas fica no Rio Grande do Norte. É uma praia maravilhosa chamada Ponta do Seixas, e tem até plaquinha pra você tirar foto. Eu tirei, é claro). Mas então, Cojibo é ligada ao Brasil por uma ponte, e tem uma polícia alfandegária totalmente ausente – pelo menos no dia em que eu estive lá. Deixamos o carro na parte brasileira e atravessamos a pé em direção ao país vizinho.

Quando se chega ao outro lado da ponte, a impressa que se tem é de que voltamos ao Brasil agrário. As ruas são de terra, as casas de madeira, com placas toscas onde se lê: vende-se sorvete. Poderia ser uma cidade do Brasil, é verdade, não fosse o fato de que Brasiléia é muito bonitinha, asfaltada, com canteiros centrais com coqueiros e praças e bancos. O contraste fica mais cruel.

Chegando à rua principal, onde se multiplicam as lojas de eletrônicos, já vemos asfalto. Mas vemos também tiazinhas com cara de índias, o cabelo dividido em duas tranças que ultrapassam a cintura, vendendo suco de laranja espremida na hora. Enquanto isso, brasileiros sacoleiros disputam a atenção pelos vendedores bolivianos. Os preços são dados em três moedas: pesos, reais e dólares. E o câmbio é feito na hora, usando a cotação do dólar no Brasil naquele dia (ou pelo menos a gente acredita que seja aquela a cotação. Eu é que não contestei).

Comprei uma câmera digital de 6 mega pixels achando que estava sendo malandra, poupando pelo menos uns 400 reais caso comprasse no Rio de Janeiro. Tolinha. Quando fui comparar os preços na internet, surpresa: algumas lojas no centro davam exatamente o mesmo valor, só que com garantia, ao contrário da minha compra boliviana.

Apesar da compra pseudo furada, a minha ida à Bolívia não foi de todo perdida. Pelo menos pude fazer a piadinha que, de tão genial, vou repetir aqui.

“To indo pra Bolívia amanhã. Quer alguma coisa de lá?”

Acreditem, quando eu disse na primeira vez, foi engraçado.

Saturday, March 10, 2007

A terceira conquista

Existem três conquistas que completam a alma.
A primeira tem a ver com a aquisição de bens de consumo duráveis. A compra do primeiro carro com infindáveis prestações usando o parco salário do primeiro emprego, a primeira viagem ao exterior, o primeiro aluguel e - um dia chegamos lá - o primeiro apartamento próprio.

O segundo é de cunho amoroso: quando a gente pára, mesmo que momentaneamente, a procurar a cara metade. Geralmente porque conhecemos alguém legal e pensamos "agora vai", mesmo que a história desande algum tempo depois. É o fim de beijos sem sentido e sexos com pessoas que preferimos nem lembrar. O famoso sossegar o facho com uma pessoa só, sabendo que agora você tem companhia para programas de índio.

A terceira conquista foi a que consegui realizar ontem. Muita gente vai dizer que não é nada demais, e que a ordem da lista está completamente equivocada, mas o fato é que na noite de sexta-feira eu consegui, finalmente, cozinhar um risoto de funghi.

Antes que comecem os protestos, eu preciso explicar quem sou eu em realção a assuntos de economia doméstica. Peguei uma receita na internet e rumei ao Zona Sul para comprar os ingredientes. Porém, enquanto monga, não sabia que a cebola tinha que ser pesada. Achava que a gente comprava cebola por unidade, que era só colocar no saquinho e apresentar no caixa. Passei pela vergonha de perguntar para a moça do supermercado: tenho que pesar isso aqui? Ela me olhou atônita, e respondeu que sim, com a cara de quem não está acreditando no que acabou de ouvir. E eu me recolhi à minha insignificância.

Depois teve o momento da falta da manteiga. Comprei tudo direitinho, até a cebola devidamente pesada, mas esqueci da manteiga. Acionei o Ninja, homenageado da noite (o que três semanas de viagem não fazem com o seu namoro!) para comprar pra mim o item que faltava, enquanto eu vigiava as panelas que já estavam no fogo. O coitado teve que calçar o tênis, atravessar a rua e voltar com o saquinho para que eu continuasse a minha aventura culinária.

Tem horas que você acha que aquilo não vai dar certo. Que a panela está mais parecendo uma canja que um futuro risoto, ou então que a quantidade de caldo de carne está errada. Mas, para a minha surpresa, o prato foi progredindo, progredindo, até que finalmente foi servido à mesa. Adivinha só. Ficou bom pra caralho. Na verdade, o risoto de ontem foi o melhor risoto de funghi que eu já comi na vida.
Não há tempero melhor que a auto satisfação.

Pra quem quiser se aventurar a fazer um risoto de funghi como este, aí vai uma receitinha tranquilíssima, e de sucesso garantido.
Se eu consegui, mesmo sem saber pesar a cebola, você também consegue. Acredite na terceira conquista.

Tuesday, March 06, 2007

Abre a jaula do leão!

Hoje estou na cidade mais ao sul que já estive na minha vida. Chama-se Cassino, litoral gaúcho, a apenas 250 km do Uruguai. Beeem longe de casa. Mas uma coisa legal de estar beeem longe de casa é justamente ver coisas que a gente não vê sempre. Pois bem, hoje foi meu dia de ver leões marinhos.

Durante as tais viagens pelo norte, nordeste e agora sul do Brasil, aprendi que bicho feliz e bonito é bicho solto. Zoológicos me deixam deprimida (principalmente aquele do Rio, quente que nem Pão de Açúcar, talvez, e com jaulas de 2x2 para animais que precisam de espaço). Uma tristeza só. Agora, por outro lado, quem é que pode ver bicho solto de perto? Uns poucos privilegiados, com grana o suficiente para viajar. Ou gente que, como eu, ganha mal mas aproveita bem a vida.

Em Noronha tive a minha primeira experiência no mundo animal livre. Golfinhos acompanharam o nosso barco, e eram tantos, e estavam tão perto, que se esticasse a mão conseguiria tocá-los. Mas aí, enquanto turista não turista deslumbrada, não estiquei a mão, ocupada em tirar fotos de todos os ângulos possíveis. Tipo os japoneses na Disney, sabe como é?
E, ainda no arquipélago, houve aquela tartaruga enorme, quase pre-histórica, colocando ovos na areia da praia mais bonita que eu já vi. Fiquei como criança, olhando boquiaberta, esperando que a bichinha terminasse de postar para voltar, com muita dificuldade, ao mar de Noronha.

Depois disso eu vi macacos, rãs exóticas, jacaré, pacas... e, hoje, os lindíssimos leões marinhos. Acho que fiquei assim tão extasiada com esses bichos porque nunca na vida soube que eles vinham para o Brasil. Eu achava que leões marinhos viviam entre pinguins, geleiras e ursos polares. Quem poderia adivinhar que aquele casaco de peles ambulante tomaria um solzinho no sul do nosso país?
Mas, ainda bem, eles vêm, como pude ver bem de pertinho, sem barras de ferro entre nós.

Monday, March 05, 2007

Pão de Açúcar, AL

Eu disse outro dia que fui a uns 5 estados esse ano, mas afinal acho que foram mais lugares. Em cada estado eu passei por cidades que nunca conheceria se não fosse o trabalho, porque não são lugares turísticos e ficam bem no meio do Brasil. Destes municípios, o que mais me marcou foi Pão de Açúcar, a terceira cidade mais quente do Brasil, no sertão de Alagoas, às margens do Rio São Francisco.

Os próprios habitantes da cidade citam seu terceiro lugar no ranking dos inferninhos terrestres. A impressão que tive foi que, se aquela cidade é a terceira mais quente, não quero saber da segunda e da primeira do Brasil! O sol castiga, eu tinha que gravar com óculos escuros, boné, filtro solar 15 - e, mesmo assim, digamos que eu peguei um bronze não intencionado. E tudo isso em apenas um dia de gravação!

Por ser uma cidade pequena e isolada das grandes capitais, Pão de Açúcar é cheia de lendas e boatos. Toda noite, depois que a cidade está dormindo, um grupo de moradores faz a ronda nas ruas, para evitar que algum grupo de mal feitores invada a comunidade, roube, apronte sei lá o quê. Esses caras da ronda são chamado de Anjos da Guarda, e é deles que partem a grande maioria das lendas que assustam os moradores de tempos em tempos.

O Lobisomem, por exemplo, já foi visto por lá. Descreveram o bicho como um cachorro muito grande, de olhos vermelhos, um monstro mesmo. Ninguém nunca viu o Lobisomem de perto, mas muitos relatam encontros inesperados com a besta. Também existem histórias de um pneu que rodava sozinho pelas ruas de Pão de Açúcar, como se uma mão invisível o guiasse, à maneira das brincadeiras dos moleques pãodeaçucarenses.

Pão de Açúcar também tem um Cristo Redentor, de braços abertos no morro mais alto do município, quase um Corcovado alagoano. Lá de cima podemos admirar uma vista muito bonita do Rio São Francisco e, dizem, o pôr-do-sol é espetacular (não tive tempo de ver, estava louca pra tomar um banho quando acabou a gravação). O Velho Chico é a base da cidade. Naquelas águas o povo cozinha, lava roupa e mergulha nos fins de semana. A água do rio nesse ponto é bem clarinha, quase uma água de mar, diferente do São Francisco do norte de Minas, que tem água barrenta.

Depois do nome Pão de Açúcar e do Cristo Redendor, mais uma coincidência une os cariocas tão distantes àquela cidadezinha do sertão de Alagoas. Na outra margem do rio há uma cidade de Sergipe em que, parece, a maior atração é a vista para o Cristo Redentor de Pão de Açúcar.
Sabe qual é o nome da cidade?
Niterói.

Saturday, March 03, 2007

Tomando um passe indígena

Hoje é um momento histórico. Tomei um passe de uma feiticeira indígena, com direito a fumar no cachimbo da paz. Isso mesmo: fui a uma aldeia, ganhei um colar de proteção para o meu espírito, fumei o cachimbo que não tem nada a ver com maconha, e fiquei em paz com o mundo. Transcendental.

Essa foi apenas uma das atrações que 2007 me reservou. Apesar de estarmos entrando no terceiro mês do ano, já conheci pelo menos 5 estados em um mês e meio de viagem, interrompida apenas para passar o carnaval no Rio. Carnaval sem blocos e sem grandes jogações, diga-se de passagem. Apenas muitas sessões de Heroes, deitada no sofá da casa do Ninja.

Viajar a trabalho é legal porque você conhece lugares e pessoas inimagináveis, como a feiticeira indígena que me deixou na paz essa manhã. É um saco porque você fica longe do namorado, amigos e família, e o sua conta de celular ganha proporções absurdas. No momento, já passei por todos os estágios, desde saudades e saco cheio até deslumbramento. No momento, cair na estrada significa apenas mais um dia de trabalho. Só que quando você volta pra casa, não encontra a sua cama, e sim o travesseiro de penas de algum hotel quatro estrelas.

Preciso ressuscitar esse blog. É muito importante que eu conte pra alguém todas as coisas que eu ando vendo por aí, caindo na real de como realmente as coisas são fora do eixo Rio-SP. É muito importante que eu volte a escrever qualquer coisa, pra pensar na vida, sabe. Só voltei aqui porque alguém que leu o Poça me adicionou no orkut, e então eu percebi o quanto sentia falta destas linhas. Deve ser por causa do cachimbo do índio.