Dia desses me colocaram em contato com aquele formulário de pedido de visto para os EUA. Um formulário é, por si só, um objeto estúpido. Mas talvez aquele seja o rei de todos os formulários estúpidos que já foram inventados.
Dentre as várias perguntas burocráticas que o burocrata americano tem mesmo que perguntar - tipo nome, idade, telefone, data de nascimento, tribo, etc - o cara quer saber se eu, por acaso, assim como quem não quer nada, sei manejar granadas ou explosivos plásticos ou qualquer tipo de arma. Ele me apresenta dois quadradinhos, um escrito SIM e outro escrito NÃO, e depois acrescenta: "caso a resposta seja SIM, por favor explique".
Tudo bem, eu esperaria tudo isso de um americano. Principalmente de um americano paranóico pós 11 de setembro. Mas o pior é que o espaço destinado à explicação é de uma linha!
Se eu soubesse manejar granadas, armas de fogo e explosivos plásticos, eu ia querer pelo menos uma página inteira como espaço para explicação. Poxa, deve ter uma história muito espetacular pra alguém saber usar tudo isso, deve haver um motivo, um local e uma aventura. Mas a gente só pode escrever duas ou três palavras, e mesmo assim saindo do espaço do quadrinho, se quiser justificar tantos conhecimentos de guerra.
Deve ser porque os americanos são muito cartesianos e resumem uma vida em duas frases. Eles são assim, não são?
Thursday, February 16, 2006
Wednesday, February 15, 2006
Nózinho na garganta
Se tem uma coisa que me deixa sentimental são emails antigos que eu esqueci que tinha guardado.
Entre mensagens de amigos, textos e provas de livros de outros, encontrei uma poesia de um cara que não me conhece, mas leu o meu blog e viu meu defunto fotolog. Olha só:
Bruna, vi tuas fotos e quis te dizer isso:
Bruna, bruníssima
sua cara é tão franca
cheinha
de uma beleza meio assim
rensacença, renascente
resplandescente
e quando ilumina
e aperta os olhos
pra sorrir
deixa perceber
nalgum canto
qualquer coisa de santa
e sacana ma non troppo
que é "capaz de certas coisas que não quis fazer"
e que esse mundo é mesmo
muito injusto
mas que não é sempre
necessáriamente
disgusting
e que as vezes
quando quer
ou está distraido(a)
poder ser muito muito muito lindo(a).
Oooow. Não é fofo?
Entre mensagens de amigos, textos e provas de livros de outros, encontrei uma poesia de um cara que não me conhece, mas leu o meu blog e viu meu defunto fotolog. Olha só:
Bruna, vi tuas fotos e quis te dizer isso:
Bruna, bruníssima
sua cara é tão franca
cheinha
de uma beleza meio assim
rensacença, renascente
resplandescente
e quando ilumina
e aperta os olhos
pra sorrir
deixa perceber
nalgum canto
qualquer coisa de santa
e sacana ma non troppo
que é "capaz de certas coisas que não quis fazer"
e que esse mundo é mesmo
muito injusto
mas que não é sempre
necessáriamente
disgusting
e que as vezes
quando quer
ou está distraido(a)
poder ser muito muito muito lindo(a).
Oooow. Não é fofo?
Stones: um programa Funai
Tudo bem, concordo que o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana tem todas as características de programa de índio. Mas eu simplesmente não consigo me convencer de que ficar em casa e assistir pela televisão será melhor do que ver os caras ao vivo. A quilômetros de distância, é verdade - mas ainda assim, ao vivo.
Na primeira vez em que os Stones tocaram no Brasil, eu fui assistir no Maracanã. Era uma pirralha de 18 aninhos (ou menos, não lembro bem...), e achava aquilo tudo inacreditável demais. Eu não havia visto nenhum dos megashows que mudaram vidas até o momento - Paul MacCartney, Rock in Rio I, etc... - então aquilo era o supra sumo pra mim.
Na segunda apresentação da banda no país, deixei de ir ao evento porque achava que ver os Stones uma vez já bastava. Mas que nada: a verdade era que eu não tinha amigos que me acompanhassem ao show, fora aqueles que iriam com um ex que recentemente havia me dado um belo de um pé na bunda, e com quem eu não queria nenhum contato. E então, adeus Rolling Stones na Apoteose.
E agora eles inventam essa história de show de graça em Copacabana. Como um ser humano elitista e pré-balzaquiano, eu pagaria a fortuna que fosse para ver os vovôs com (um poquinho mais de) conforto, visão parcialmente garantida, som teoricamente louvável e companhia provavelmente muito melhor. Essa história de RS na praia virou a boa do fim de semana, o que não me deixa dúvidas de que a galera vai pra lá só porque não tem mais o que fazer mesmo.
Mas como eu sei que, mesmo com todos os contras, eu vou me enfiar no meio da multidão no dia do show, minha carteirinha da Funai já está separada, junto com os bilhetes especiais de metrô. Só vou rezar pra que não chova.
Na primeira vez em que os Stones tocaram no Brasil, eu fui assistir no Maracanã. Era uma pirralha de 18 aninhos (ou menos, não lembro bem...), e achava aquilo tudo inacreditável demais. Eu não havia visto nenhum dos megashows que mudaram vidas até o momento - Paul MacCartney, Rock in Rio I, etc... - então aquilo era o supra sumo pra mim.
Na segunda apresentação da banda no país, deixei de ir ao evento porque achava que ver os Stones uma vez já bastava. Mas que nada: a verdade era que eu não tinha amigos que me acompanhassem ao show, fora aqueles que iriam com um ex que recentemente havia me dado um belo de um pé na bunda, e com quem eu não queria nenhum contato. E então, adeus Rolling Stones na Apoteose.
E agora eles inventam essa história de show de graça em Copacabana. Como um ser humano elitista e pré-balzaquiano, eu pagaria a fortuna que fosse para ver os vovôs com (um poquinho mais de) conforto, visão parcialmente garantida, som teoricamente louvável e companhia provavelmente muito melhor. Essa história de RS na praia virou a boa do fim de semana, o que não me deixa dúvidas de que a galera vai pra lá só porque não tem mais o que fazer mesmo.
Mas como eu sei que, mesmo com todos os contras, eu vou me enfiar no meio da multidão no dia do show, minha carteirinha da Funai já está separada, junto com os bilhetes especiais de metrô. Só vou rezar pra que não chova.
Tuesday, February 14, 2006
A Bagunceira está indo embora
Ok, alguém me ensina como é que se faz quando aquela sua amiga que você liga TODOS os dias simplesmente vai mudar de estado. Como é que se faz? A gente passa a pagar DDD e gastar fortunas, ou vai uma vez por mês pra São Paulo para conhecer o novo apê da ex-companheira de todas as horas, ou arranja novas amigas pra ligar todos os dias, mesmo sabendo que definitivamente não será a mesma coisa? E como é que se faz quando a gente precisa desesperadamente conversar com a dita cuja da tal amiga que agora vai morar em São Paulo, sob o risco de ir parar no Philip Pinel ou terminar o namoro caso não se consiga um minuto de conversa apaziguadora? Ou então quem é que vai tirar uma foto minha comendo Biscoito Globo doce e fazer com que isso pareça, ao mesmo tempo, carioquíssimo e cool?Até o presente momento eu não tinha me dado conta de que dona Mess está de malas prontas. No tinha caído a ficha até que eu descobri a foto do biscoito e lembrei desse dia, quando nós fomos à praia no meio da semana e ela queria participar de um concurso da Lomo, e até que ela foi selecionada, mas não com essa foto aí. E então eu percebi que esses dias de praia, que atualmente são bastante comuns nas nossas vidas, vão ficar resumidos a feriados e meses de férias ou recessos de trabalho.
Será que todo mundo é que nem eu, que só me toco de que o doce está acabando quando começo a raspar o fundo do tacho?
Vai nessa que daqui a pouco eu vou encontrar com você lá. E São Paulo vai ficar bem pequeno com nós duas juntas na terra da garoa.
Monday, February 13, 2006
Prazeres terceiro-mundistas
Em fevereiro, brinco o jogo do contente repetindo mentalmente o mantra: “Poderia ser pior; eu poderia estar em Salvador”. Mas se eu tivesse nascido na Bahia, provavelmente teria arrumado uma maneira de fugir de mais uma unanimidade brasileira: o carnaval.
Odeio. E não é que eu seja doente do pé, porque de um bom samba eu gosto muito. Até na quadra da Mangueira eu já fui, arrastada por um amigo que me convenceu de que o Palácio do Samba era imperdível, e o que era para ser uma noite antropológica acabou se transformando em muita diversão. Mas o meu amigo, que me conhece de outros carnavais (com o perdão do trocadilho), me levou pra sambar em novembro, quando a quadra ainda não está lotada e a temperatura não se encontra absurdamente alta.
Tem gente que acha que desse jeito não tem graça. Que carnaval tem que ser um monte de cerveja quente, e homens suados sem camisa, e sprays de espuma fedorenta. Pois é disso que eu não tenho paciência, e parece que é exatamente neste, digamos assim, exotismo, que os gringos se amarram.
Pra começar, gringo que é gringo gosta da Lapa. Claro que sim. Tem coisa mais terceiro-mundista que um bairro sujo, pobre, fedorenta, com barraquinhas de comidas esquisitas e cervejas gelada e barata? No carnaval, dá no mesmo. Uma porção de nativos dançando freneticamente em microvestimentas. Todos muito felizes, saltitantes.
Eu explico por que vim falar mal de carnaval, assim, do nada. É que durante este sábado fiquei ilhada no apartamento do meu namorado, por conta de um bloco fora de época que passava na porta do prédio dele.
Ainda bem que lá dentro tinha ar condicionado e muito Hershey’s de Io Io Cream. Taí o tipo de divertimento que eu gosto.
Odeio. E não é que eu seja doente do pé, porque de um bom samba eu gosto muito. Até na quadra da Mangueira eu já fui, arrastada por um amigo que me convenceu de que o Palácio do Samba era imperdível, e o que era para ser uma noite antropológica acabou se transformando em muita diversão. Mas o meu amigo, que me conhece de outros carnavais (com o perdão do trocadilho), me levou pra sambar em novembro, quando a quadra ainda não está lotada e a temperatura não se encontra absurdamente alta.
Tem gente que acha que desse jeito não tem graça. Que carnaval tem que ser um monte de cerveja quente, e homens suados sem camisa, e sprays de espuma fedorenta. Pois é disso que eu não tenho paciência, e parece que é exatamente neste, digamos assim, exotismo, que os gringos se amarram.
Pra começar, gringo que é gringo gosta da Lapa. Claro que sim. Tem coisa mais terceiro-mundista que um bairro sujo, pobre, fedorenta, com barraquinhas de comidas esquisitas e cervejas gelada e barata? No carnaval, dá no mesmo. Uma porção de nativos dançando freneticamente em microvestimentas. Todos muito felizes, saltitantes.
Eu explico por que vim falar mal de carnaval, assim, do nada. É que durante este sábado fiquei ilhada no apartamento do meu namorado, por conta de um bloco fora de época que passava na porta do prédio dele.
Ainda bem que lá dentro tinha ar condicionado e muito Hershey’s de Io Io Cream. Taí o tipo de divertimento que eu gosto.
Thursday, February 09, 2006
Efeitos Básicos
1 - A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
Na primeira vez que li, quis ser Sabina. Na segunda leitura, descobri que era Franz. Na terceira, concluí que Tereza é que é mulher de verdade. Mas ainda não sei o que vou achar de Thomaz na quarta.
2 - O Estrangeiro - Albert Camus
Porque todo mundo é julgado o tempo inteiro por qualquer de seus atos; porque todo mundo é júri do comportamento alheio; porque ninguém se sente tão à parte do resto do planeta; porque nenhum de nós se encaixa perfeitamente; porque às vezes a morte é só apertar um gatilho; porque 'não sei do que gosto, mas tenho certeza do que não gosto'.
3 - Crime e Castigo - Dostoiévski
Depois de ler me achei, assim, tão pequena e minúscula e tão ridícula ao me preocupar com microcosmos de acontecimentos que, dessa forma, abri meus horizontes.
4 - O Apanhador no Campo de Centeio - Sallinger
Não sei bem por quê, não sei bem o que, não sei bem quando nem como, mas esse livro me dá uma vontade louca de fumar um cigarro.
5 - 1984 - George Orwell
Estamos cada vez mais próximos.
6 - Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio - Henry Miller
Tive vontade de virar homem e fazer sexo sem camisinha.
7 - Tantos poemas do Fernando Pessoa
Descobri as piores feridas da minha alma e coloquei o dedo em todas elas.
8 - Um copo de cólera - Raduan Nassar
Bebi em largos goles babando de raiva em uma tarde de sábado.
9 - Pergunte ao Pó - John Fante
Aí está um livro que eu gosteria de ter escrito. Ou melhor: aí está O livro que eu gostaria de ter escrito.
10 - On the road - Jack Kerouac
Li aos 14 anos porque era o livro preferido do Jim Morrison e de repente descobri que existe vida fora do eixo escola - faculdade - emprego - casamento - dois filhos. E a descoberta deu um certo alívio, mesmo sabendo que provavelmente vou seguir o mesmo caminho dos meus pais.
Na primeira vez que li, quis ser Sabina. Na segunda leitura, descobri que era Franz. Na terceira, concluí que Tereza é que é mulher de verdade. Mas ainda não sei o que vou achar de Thomaz na quarta.
2 - O Estrangeiro - Albert Camus
Porque todo mundo é julgado o tempo inteiro por qualquer de seus atos; porque todo mundo é júri do comportamento alheio; porque ninguém se sente tão à parte do resto do planeta; porque nenhum de nós se encaixa perfeitamente; porque às vezes a morte é só apertar um gatilho; porque 'não sei do que gosto, mas tenho certeza do que não gosto'.
3 - Crime e Castigo - Dostoiévski
Depois de ler me achei, assim, tão pequena e minúscula e tão ridícula ao me preocupar com microcosmos de acontecimentos que, dessa forma, abri meus horizontes.
4 - O Apanhador no Campo de Centeio - Sallinger
Não sei bem por quê, não sei bem o que, não sei bem quando nem como, mas esse livro me dá uma vontade louca de fumar um cigarro.
5 - 1984 - George Orwell
Estamos cada vez mais próximos.
6 - Trópico de Câncer e Trópico de Capricórnio - Henry Miller
Tive vontade de virar homem e fazer sexo sem camisinha.
7 - Tantos poemas do Fernando Pessoa
Descobri as piores feridas da minha alma e coloquei o dedo em todas elas.
8 - Um copo de cólera - Raduan Nassar
Bebi em largos goles babando de raiva em uma tarde de sábado.
9 - Pergunte ao Pó - John Fante
Aí está um livro que eu gosteria de ter escrito. Ou melhor: aí está O livro que eu gostaria de ter escrito.
10 - On the road - Jack Kerouac
Li aos 14 anos porque era o livro preferido do Jim Morrison e de repente descobri que existe vida fora do eixo escola - faculdade - emprego - casamento - dois filhos. E a descoberta deu um certo alívio, mesmo sabendo que provavelmente vou seguir o mesmo caminho dos meus pais.
Wednesday, February 08, 2006
Repetitivamente ex-fumante
Tem dias que são assim mesmo, que a gente acorda achando que não faz parte de nenhum círculo social, ou então que a gente simplesmente não tem saco de encarar o círculo social o qual somos obrigados a integrar, entende? Hoje eu vim pra cá meio cansada de uma noite mal dormida e incomodada, com um pouquinho de vontade de chorar (mas isso é normal, essa vontade de chorar, até quando eu estou vendo comercial de pizza me vem um sentimento, assim, de sopetão, e eu já cheguei à conclusão de que toda vez que eu sinto de verdade, seja bom ou seja ruim, as lágrimas me vêm aos olhos), mas incrivelmente impaciente para small talk e fofoquinhas e universos pequenos, que é onde, infelizmente, passo meus dias enfurnada, de 9h às 17h.
Outras vezes eu penso 'e daí?', e realmente não ligo a mínima para as pautas desinteressantes do resto da humanidade. Caramba, eu penso, isso deve ser falta de trabalho. Falta de encostar a barriga no tanque e lavar uma trouxa enorme de roupa e ariar uma panela sem teflon. Tudo bem, eu nunca fiz nada disso, graças a deus papai trabalhou bastante e proviu minha vida com uma infinidade de panelas teflon que eu nunca precisei ariar, mas eu garanto que ocupo a minha mente com problemas mais importantes que os do vizinho - ou seja, os meus próprios. E quando eu estou muito assim sem jeito com o resto do mundo é porque não tenho mesmo o que fazer, é porque estou de bobeira no trabalho esperando que uma nova torrente de obrigações caia em cima de mim. São bem vindas, eu juro! Se tem uma coisa que eu adoro é trabalhar que nem louca, dez, onze horas por dia, vendo as coisas se realizando, se construindo, erguendo-se tijolo por tijolo na minha frente.
Caramba. Como eu queria um cigarro agora.
Outras vezes eu penso 'e daí?', e realmente não ligo a mínima para as pautas desinteressantes do resto da humanidade. Caramba, eu penso, isso deve ser falta de trabalho. Falta de encostar a barriga no tanque e lavar uma trouxa enorme de roupa e ariar uma panela sem teflon. Tudo bem, eu nunca fiz nada disso, graças a deus papai trabalhou bastante e proviu minha vida com uma infinidade de panelas teflon que eu nunca precisei ariar, mas eu garanto que ocupo a minha mente com problemas mais importantes que os do vizinho - ou seja, os meus próprios. E quando eu estou muito assim sem jeito com o resto do mundo é porque não tenho mesmo o que fazer, é porque estou de bobeira no trabalho esperando que uma nova torrente de obrigações caia em cima de mim. São bem vindas, eu juro! Se tem uma coisa que eu adoro é trabalhar que nem louca, dez, onze horas por dia, vendo as coisas se realizando, se construindo, erguendo-se tijolo por tijolo na minha frente.
Caramba. Como eu queria um cigarro agora.
Monday, February 06, 2006
Cuidado com o que você procura na rede
Ando acompanhando a polêmica acerca da censura chinesa ao Google, e a história vinha me parecendo muito óbvia, visto que todas as grandes empresas ponto com querem saber mesmo é de mais milhões em suas contas e não estão nem aí para a informação das massas. Mas aí hoje eu bolei. Bolei quando li que o Google e demais ferramentas de busca que a gente conhece armazenam os dados de pesquisa de todos os seus usuários, e podem passar essa informação pra justiça de qualquer país, se forem obrigados (ou se for de seus interesses).
Medo. Isso significa que absolutamente nada do que eu, você e a galera mundial fazemos na rede de computadores passa despercebido, e que se houver a necessidade todos nós teremos a vida exposta e arruinada pelas grandes corporações, por possíveis ditaduras e por gente má e poderosa.
Não tenho paciência para teorias da conspiração e provavelmente vou continuar pesquisando na internet e mandando emails idiotas para os meus amigos usando a conta do trabalho. Mas não posso deixar de lembrar daquele filminho meia bomba, protagonizado pela atrizinha meia bomba Sandra Bullock, que é o The Net. A Sandra Bullock era perseguida por uns terroristas-hackers e eles faziam de gato e sapato das fichas delas na polícia e no crediário; ela com o nome sujo na praça e polícia querendo prendê-la, coitadinha.
Descobrir que isso é possível dá uma certa preocupação, mas o que que a gente pode fazer? Parar de usar o Google, o Yahoo e o MSN?
Se pelo menos o Cadê funcionasse melhor... Ai, ai...
Medo. Isso significa que absolutamente nada do que eu, você e a galera mundial fazemos na rede de computadores passa despercebido, e que se houver a necessidade todos nós teremos a vida exposta e arruinada pelas grandes corporações, por possíveis ditaduras e por gente má e poderosa.
Não tenho paciência para teorias da conspiração e provavelmente vou continuar pesquisando na internet e mandando emails idiotas para os meus amigos usando a conta do trabalho. Mas não posso deixar de lembrar daquele filminho meia bomba, protagonizado pela atrizinha meia bomba Sandra Bullock, que é o The Net. A Sandra Bullock era perseguida por uns terroristas-hackers e eles faziam de gato e sapato das fichas delas na polícia e no crediário; ela com o nome sujo na praça e polícia querendo prendê-la, coitadinha.
Descobrir que isso é possível dá uma certa preocupação, mas o que que a gente pode fazer? Parar de usar o Google, o Yahoo e o MSN?
Se pelo menos o Cadê funcionasse melhor... Ai, ai...
Thursday, February 02, 2006
Momentos de ócio na rede
Com a produção em baixa e uma internet banda larga na minha frente, sou capaz de passar horas e horas só navegando na rede. Começo com uma olhada nos meus quatro emails, passo para O Globo on line, depois blogs de amigos, blogs de desconhecidos e então não tenho mais nada o que fazer. Nadinha. Obviamente eu poderia procurar por infinidades de sites interessantes, mas como sempre escolho a pior alternativa, fui cair na página da Saraiva.
E daí comprei um livro, um mega livro, que está me fazendo perder o sono enquanto não chega na minha casa. Naked Lunch, do William Burroughs, que de todos os beatniks era o mais atormentado, que matou a mulher brincando de Guilherme Tell, que já trabalhou de caçador de ratos e detetive, ai, que inveja, e ele só chega lá em casa daqui a quatro dias úteis, quatro dias que significam semana que vem, segunda ou terça se o correio não entrar em greve e se eu não conseguir esperar calmamente sem antes comprar outro exemplar na livraria do mundo real Matrix mais próxima.
Da mesma forma que fiquei com medo do que aconteceria depois que lesse Crime e Castigo e Pergunte ao Pó, estou com medo do que vai me acontecer depois de Almoço Nu.
Juro que se meu presentinho for bom, eu queimo um livro ruim em homenagem a Burroughs. Vai ser como o sacrifício de uma virgem.
E daí comprei um livro, um mega livro, que está me fazendo perder o sono enquanto não chega na minha casa. Naked Lunch, do William Burroughs, que de todos os beatniks era o mais atormentado, que matou a mulher brincando de Guilherme Tell, que já trabalhou de caçador de ratos e detetive, ai, que inveja, e ele só chega lá em casa daqui a quatro dias úteis, quatro dias que significam semana que vem, segunda ou terça se o correio não entrar em greve e se eu não conseguir esperar calmamente sem antes comprar outro exemplar na livraria do mundo real Matrix mais próxima.
Da mesma forma que fiquei com medo do que aconteceria depois que lesse Crime e Castigo e Pergunte ao Pó, estou com medo do que vai me acontecer depois de Almoço Nu.
Juro que se meu presentinho for bom, eu queimo um livro ruim em homenagem a Burroughs. Vai ser como o sacrifício de uma virgem.
Wednesday, February 01, 2006
A vida sem nicotina é tosca
O ministério da Saúde adverte: nunca dê o primeiro trago. Pode parecer exagerado, mas nesse momento é exatamente desta maneira que eu me sinto. Se eu nunca tivesse começado, os meus dentes seriam mais claros, o meu pulmão seria mais limpo e o meu humor seria muito melhor do que está agora. Privar o corpo acostumado há dez anos com constantes baforadas é sentenciar a mente à TPM fora de época.
De vez em quando eu me pergunto por que mesmo eu parei de fumar, e daí lembro que tinha alguma coisa a ver com o fim da era dos vinte anos e com doenças respiratórias iminentes e pele, cabelo e voz de mulhereres que fumam há décadas. Só que quando a vontade bate, todas essas razões me parecem ridículas diante do prazer de dar um traguinho - ainda mais agora que estão descobrindo que as células-tronco podem ser usadas na cura de doenças pulmonares. Adeeeeus, câncer de pulmão!
Se você começa a pensar em todos os avanços da medicina e em tudo o que os cientistas caminham para descobrir, a última coisa que você se preocupa é em cuidar de si mesmo. Mas eu não quero pensar sobre isso, não quero pensar sobre cigarro, e quando alguém pára do meu lado com um bastãozinho de nicotina aceso, eu inspiro longamente, aproveitando o cheirinho de fumaça.
A vida é tosca com ou sem nicotina, eu presumo.
De vez em quando eu me pergunto por que mesmo eu parei de fumar, e daí lembro que tinha alguma coisa a ver com o fim da era dos vinte anos e com doenças respiratórias iminentes e pele, cabelo e voz de mulhereres que fumam há décadas. Só que quando a vontade bate, todas essas razões me parecem ridículas diante do prazer de dar um traguinho - ainda mais agora que estão descobrindo que as células-tronco podem ser usadas na cura de doenças pulmonares. Adeeeeus, câncer de pulmão!
Se você começa a pensar em todos os avanços da medicina e em tudo o que os cientistas caminham para descobrir, a última coisa que você se preocupa é em cuidar de si mesmo. Mas eu não quero pensar sobre isso, não quero pensar sobre cigarro, e quando alguém pára do meu lado com um bastãozinho de nicotina aceso, eu inspiro longamente, aproveitando o cheirinho de fumaça.
A vida é tosca com ou sem nicotina, eu presumo.
Tuesday, January 31, 2006
Chega de falar do sertanejo do msn!
O tal cara que fez a música sertaneja do orkut e do msn se deu bem. Mas os meus ouvidos não. O homem saiu em uma matéria do Dia, depois do Globo on line, depois foi pra home do iG, pro blog da Baxt, pra emails generalizados, até que conseguiu assinar com a EMI e aparecer no Faustão. E eu, que na primeira vez que ouvi a música achei bizarro e um pouquinho de nada engraçado, sou obrigada a escutar e escutar e escutar de novo aquele refrão chiclete e desafinado do tal do cantor.
O povo daqui do trabalho, gente muito simpática, diga-se de passagem, descobriu o homem HOJE. Não param de ouvir o novo hit, cada hora em um computador diferente. Gente, pelo amor de deus, essa notícia saiu semana passada!
Datou, né.
Se você se odeia, ouça a música aqui. (Devidamente roubado do blog da Baxt)
O povo daqui do trabalho, gente muito simpática, diga-se de passagem, descobriu o homem HOJE. Não param de ouvir o novo hit, cada hora em um computador diferente. Gente, pelo amor de deus, essa notícia saiu semana passada!
Datou, né.
Se você se odeia, ouça a música aqui. (Devidamente roubado do blog da Baxt)
O dono dos melhores trocadilhos do mundo
Em uma tarde de sábado em que chovia a cântaros no Rio de Janeiro, eu e Luizinho conversávamos sobre um milhão de coisas que eu já não lembro mais o que eram. A gente chegou duas horas antes da sessão do Odeon começar - por culpa minha - e aproveitamos o tempo livre pra falar de nada. Nossas conversas eram intermináveis e divertidas, e a gente não falava sobre amizade, nem sobre o mal estar da civilização, nem sobre o dia depois de amanhã. E era por isso que era bom.
Houve um tempo em que eu tinha companhia para qualquer programa, e o nome dessa companhia era Luizinho. Nós dois sofríamos de uma mega dor de cotovelo, cada um com sua história, até que demos um chute nos nossos corações partidos e voamos para a diversão. Em qualquer furada, o Luiz me acompanhava, e vice-versa. Chuva à tarde no Odeon. Churrasco em um sábado de 40 graus em São Cristóvão. Festa na casa de alguém que tocava violão e a gente rindo na cozinha e atrapalhando o sarau. Momentos, momentos...
E agora ele está na Suíça, fazendo pós-graduação, mestrado e doutorado, aprendendo com aquele bando de europeu um monte de conhecimentos que ele vem trazer pra América Latina - you suckers! - morrendo de saudades da namorada (e eu estava junto quando eles se conheceram), querendo rever amigos e alugar um quarto e sala no Flamengo; lendo o meu blog entre um experimento e outro; cada vez mais parecido com o cantor do Smashing Pumpkinks, só que um milhão de vezes mais simpático; passando frio e testando a vida de pobre na Europa - que é tipo a nossa de classe média brasileira; falando que eu tenho que casar com meu namorado só porque os nossos sobrenomes combinados são bizarros.
Ai, céus, como eu ando sentimental. Deve ser porque não fumo há umas 30 horas.
Houve um tempo em que eu tinha companhia para qualquer programa, e o nome dessa companhia era Luizinho. Nós dois sofríamos de uma mega dor de cotovelo, cada um com sua história, até que demos um chute nos nossos corações partidos e voamos para a diversão. Em qualquer furada, o Luiz me acompanhava, e vice-versa. Chuva à tarde no Odeon. Churrasco em um sábado de 40 graus em São Cristóvão. Festa na casa de alguém que tocava violão e a gente rindo na cozinha e atrapalhando o sarau. Momentos, momentos...
E agora ele está na Suíça, fazendo pós-graduação, mestrado e doutorado, aprendendo com aquele bando de europeu um monte de conhecimentos que ele vem trazer pra América Latina - you suckers! - morrendo de saudades da namorada (e eu estava junto quando eles se conheceram), querendo rever amigos e alugar um quarto e sala no Flamengo; lendo o meu blog entre um experimento e outro; cada vez mais parecido com o cantor do Smashing Pumpkinks, só que um milhão de vezes mais simpático; passando frio e testando a vida de pobre na Europa - que é tipo a nossa de classe média brasileira; falando que eu tenho que casar com meu namorado só porque os nossos sobrenomes combinados são bizarros.
Ai, céus, como eu ando sentimental. Deve ser porque não fumo há umas 30 horas.
Monday, January 30, 2006
Cada vez mais perto de 'O dia depois de amanhã'
Calorrrrrrrrrrrrrrr. Calor. Semana passada foi um passo em direção ao inferno: era aquela história de sair do banho e sentir a testa começando a acumular gotinhas de suor. Eu ajeitava o ventilador na minha direção, o vento direto no meu rosto, sem mexer um músculo do meu corpo, rezando por um ar condicionado no quarto. Ou então ligava o ar da sala, fechava todas as portas e janelas e mandavam o verão, praias, amigos, calçadão fechado e sorvete de frutas pra casa do cacete. Eu gosto de tudo isso, gosto mesmo, mas debaixo de alguma temperatura quinze graus mais baixa do que a que estava existindo no Rio de Janeiro.
Mas agora tudo mudou e eu quase tenho frio na minha sala de trabalho. Vai entender.
Mas que dá um medinho, isso dá. Quase todos os dias leio no jornal que o verão desse ano bateu recordes de temperaturas altas, e que estes recordes vêm sendo superados ano após ano, desde 1997. Ou seja: no final dos anos 1990 ficamos entregues ao calor escaldante e... ao fim dos tempos.
Sei lá se vai ser fim dos tempos. Mas todas as previsões catastróficas dos cientistas e ambientalistas estão se cumprindo. E se isso acontecer mesmo, o que é que a gente vai fazer?
Se eu pudesse escolher um filme de catástrofe específico para o fim da vida na Terra, escolheria 'O dia depois de amanhã". Porque nesse filme os Estados Unidos ficam congelados, todos os americanos saem correndo pro México e são barrados na fronteira (o que não deixa de ser engraçado), enquanto que aqui no Rio faz um friozinho gostoso, tipo de ligar a lareira, ou então fazer um boneco de neve na Praia de Botafogo. Uma coisa assim bem divertida antes de tudo ir pelos ares, entende?
Enquanto isso, ar condicionado. Muito. No máximo. Frio o suficiente para que eu use vários cobertores à noite.
Mas agora tudo mudou e eu quase tenho frio na minha sala de trabalho. Vai entender.
Mas que dá um medinho, isso dá. Quase todos os dias leio no jornal que o verão desse ano bateu recordes de temperaturas altas, e que estes recordes vêm sendo superados ano após ano, desde 1997. Ou seja: no final dos anos 1990 ficamos entregues ao calor escaldante e... ao fim dos tempos.
Sei lá se vai ser fim dos tempos. Mas todas as previsões catastróficas dos cientistas e ambientalistas estão se cumprindo. E se isso acontecer mesmo, o que é que a gente vai fazer?
Se eu pudesse escolher um filme de catástrofe específico para o fim da vida na Terra, escolheria 'O dia depois de amanhã". Porque nesse filme os Estados Unidos ficam congelados, todos os americanos saem correndo pro México e são barrados na fronteira (o que não deixa de ser engraçado), enquanto que aqui no Rio faz um friozinho gostoso, tipo de ligar a lareira, ou então fazer um boneco de neve na Praia de Botafogo. Uma coisa assim bem divertida antes de tudo ir pelos ares, entende?
Enquanto isso, ar condicionado. Muito. No máximo. Frio o suficiente para que eu use vários cobertores à noite.
Saturday, January 28, 2006
Uma das melhores cenas do cinema: A última Noite ('25th hour'), do Spike Lee
The 25th Hourwritten by David Benioff, from his novel
(Monty walks into the bathroom. He looks in the mirror. In the bottom corner, someone's written Fuck You!)
Monty: Yeah, fuck you, too.
Monty's Reflection: Fuck me? Fuck you! Fuck you and this whole city and everyone in it.Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back.Fuck squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job!Fuck the Sikhs and the Pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores and stinking up my day. Terrorists in fucking training. Slow the fuck down!Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35.Fuck the Korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English?Fuck the Russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafés, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin' and dealin' and schemin'. Go back where you fucking came from!Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling South African apartheid diamonds!Fuck the Wall Street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gecko wannabe mother fuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for fucking life! You think Bush and Cheney didn't know about that shit? Give me a fucking break! Tyco! Imclone! Adelphia! Worldcom!Fuck the Puerto Ricans. 20 to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin' parade in the city. And don't even get me started on the Dom-in-i-cans, because they make the Puerto Ricans look good.Fuck the Bensonhurst Italians with their pomaded hair, their nylon warm-up suits, and their St. Anthony medallions. Swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for the Sopranos.Fuck the Upper East Side wives with their Hermés scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You're not fooling anybody, sweetheart!Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don't want to play defense, they take fives steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on!Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their 41 shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust!Fuck the priests who put their hands down some innocent child's pants. Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin Otisville, Jay!Fuck Osama Bin Laden, Alqueda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fueled fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal, Irish ass!Fuck Jacob Elinski, whining malcontent.Fuck Francis Xavier Slaughtery, my best friend, judging me while he stares at my girlfriend's ass.Fuck Naturel Rivera. I gave her my trust and she stabbed me in the back. Sold me up the river. Fucking bitch.Fuck my father with his endless grief, standing behind that bar. Sipping on club soda, selling whiskey to firemen and cheering the Bronx Bombers.Fuck this whole city and everyone in it. From the row houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue. From the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it. Let the fires rage. Let it burn to fuckin ash then let the waters rise and submerge this whole, rat-infested place.
Monty: No. No, fuck you, Montgomery Brogan. You had it all and then you threw it away, you dumb fuck!
(He takes a breath and tries to rub away the words.)
(Monty walks into the bathroom. He looks in the mirror. In the bottom corner, someone's written Fuck You!)
Monty: Yeah, fuck you, too.
Monty's Reflection: Fuck me? Fuck you! Fuck you and this whole city and everyone in it.Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back.Fuck squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job!Fuck the Sikhs and the Pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores and stinking up my day. Terrorists in fucking training. Slow the fuck down!Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35.Fuck the Korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English?Fuck the Russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafés, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin' and dealin' and schemin'. Go back where you fucking came from!Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling South African apartheid diamonds!Fuck the Wall Street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gecko wannabe mother fuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for fucking life! You think Bush and Cheney didn't know about that shit? Give me a fucking break! Tyco! Imclone! Adelphia! Worldcom!Fuck the Puerto Ricans. 20 to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin' parade in the city. And don't even get me started on the Dom-in-i-cans, because they make the Puerto Ricans look good.Fuck the Bensonhurst Italians with their pomaded hair, their nylon warm-up suits, and their St. Anthony medallions. Swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for the Sopranos.Fuck the Upper East Side wives with their Hermés scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You're not fooling anybody, sweetheart!Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don't want to play defense, they take fives steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on!Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their 41 shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust!Fuck the priests who put their hands down some innocent child's pants. Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin Otisville, Jay!Fuck Osama Bin Laden, Alqueda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fueled fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal, Irish ass!Fuck Jacob Elinski, whining malcontent.Fuck Francis Xavier Slaughtery, my best friend, judging me while he stares at my girlfriend's ass.Fuck Naturel Rivera. I gave her my trust and she stabbed me in the back. Sold me up the river. Fucking bitch.Fuck my father with his endless grief, standing behind that bar. Sipping on club soda, selling whiskey to firemen and cheering the Bronx Bombers.Fuck this whole city and everyone in it. From the row houses of Astoria to the penthouses on Park Avenue. From the projects in the Bronx to the lofts in Soho. From the tenements in Alphabet City to the brownstones in Park slope to the split levels in Staten Island. Let an earthquake crumble it. Let the fires rage. Let it burn to fuckin ash then let the waters rise and submerge this whole, rat-infested place.
Monty: No. No, fuck you, Montgomery Brogan. You had it all and then you threw it away, you dumb fuck!
(He takes a breath and tries to rub away the words.)
Wednesday, January 25, 2006
A unanimidade é burra
Foi só o meu ex-chefe (do qual muito me orgulho) escrever um comentário ruim sobre Seu Jorge que o mundo veio abaixo. Na verdade, ele só encerrou o texto com uma farpazinha direcionada ao músico, e não dedicou um texto inteiro a acabar com a carreira do cara.
Mas não tem jeito. Nego sentou o pau nos comentários - o que deve ter feito, pelo que conheço do meu ex-chefe, com que ele caísse na gargalhada.
Seu Jorge virou unanimidade depois de Cidade de Deus. Que saco. A coisa mais chata é você não concordar com o que todo mundo concorda - seja sobre Seu Jorge, Central do Brasil, Gabriel Garcia Marquez ou Bukowisky.
Caramba, ninguém tem idéia do que eu já passei por não gostar de Bukowisky!
No fundo, no fundo, o mundo é Geisel.
Mas não tem jeito. Nego sentou o pau nos comentários - o que deve ter feito, pelo que conheço do meu ex-chefe, com que ele caísse na gargalhada.
Seu Jorge virou unanimidade depois de Cidade de Deus. Que saco. A coisa mais chata é você não concordar com o que todo mundo concorda - seja sobre Seu Jorge, Central do Brasil, Gabriel Garcia Marquez ou Bukowisky.
Caramba, ninguém tem idéia do que eu já passei por não gostar de Bukowisky!
No fundo, no fundo, o mundo é Geisel.
Sonhos
Hoje o dia começou estranho, com um sonho que envolvia o Ronaldo Fenômeno, a minha psicóloga, a Baxt e meu namorado. Algo a ver com uma entrevista que a Baxt tinha que fazer com o Ronaldinho, e uma consulta de terapia em meio a um churrasco. Acordei atrasada, dei um beijo no gatinho e voei para a Barra, aparentemente à procura do que fazer.
Houve um tempo em que eu anotava todos os meus sonhos, e eles eram sempre uma historinha com começo, meio e fim, geralmente cheios de realismo fantástico a la Gabriel Garcia Marquez. Nessa época eu até tirava umas idéias para textos, escrevia uns contos que ninguém lia a partir de fragmentos de sonho, e talvez estas tenham sido as minhas melhores ficções.
Mas como tudo o que a gente faz bem uma hora ou outra a gente abandona, eu parei de anotar os sonhos e eles se perderam por aí. Muito de vez em quando eu lembro de uma história noturna, e quando tem alguém ao lado quando acordo eu relato as minhas aventuras.
Os sonhos dele são mais legais. É uma mistura de game e filmes de ação, tiros de laser e perseguições implacáveis. Muitas vezes eu estou no sonho também, atirando com minhas pistolas futuristas e fugindo dos bandidos muito malvados.
Acho que eu prefiro os deste tipo.
Houve um tempo em que eu anotava todos os meus sonhos, e eles eram sempre uma historinha com começo, meio e fim, geralmente cheios de realismo fantástico a la Gabriel Garcia Marquez. Nessa época eu até tirava umas idéias para textos, escrevia uns contos que ninguém lia a partir de fragmentos de sonho, e talvez estas tenham sido as minhas melhores ficções.
Mas como tudo o que a gente faz bem uma hora ou outra a gente abandona, eu parei de anotar os sonhos e eles se perderam por aí. Muito de vez em quando eu lembro de uma história noturna, e quando tem alguém ao lado quando acordo eu relato as minhas aventuras.
Os sonhos dele são mais legais. É uma mistura de game e filmes de ação, tiros de laser e perseguições implacáveis. Muitas vezes eu estou no sonho também, atirando com minhas pistolas futuristas e fugindo dos bandidos muito malvados.
Acho que eu prefiro os deste tipo.
Tuesday, January 24, 2006
Chinesinha triste
2046 é um puta filme, mas eu facilmente tiraria 30 minutos do tempo final. Eu ando com essa mania de querer encurtar tudo que é filme que vejo, e não sei se isso é reflexo de ansiedade ou se minhas últimas idas ao cinema foram excessivamente longas mesmo.
Mas então, tem tanta coisa pra falar de 2046, tanta coisa que eu poderia ter adorado e nunca esquecido, mas o que realmente ficou foi a chinesinha do quarto da frente. A chinesinha que se apaixona pelo escritor e que, por causa disso, tem a sua vida mudada para sempre. Faz parte daquela história que todo mundo já conheceu uma vez na vida: o que significou para ela não significou para ele. Não chegou nem perto. E a menina carrega durante muitos anos dentro dela o peso do escritor mulherengo.
Tudo muito pequeno comparado com o que Jabor viu. Um dia, quem sabe, quando a minha cabeça não estiver mais ocupada em pensar um monte de baboseiras minúsculas, eu consiga enxergar 2046 da maneira como ele enxergou. Por enquanto eu só consigo pensar na chinesinha triste e chorando atrás da porta, torcendo para que com ela seja diferente do que foi com tantas.
As mulheres se unem em sentimentos iguais, e isso se chama visão estreita. E eu sofro disso.
Mas então, tem tanta coisa pra falar de 2046, tanta coisa que eu poderia ter adorado e nunca esquecido, mas o que realmente ficou foi a chinesinha do quarto da frente. A chinesinha que se apaixona pelo escritor e que, por causa disso, tem a sua vida mudada para sempre. Faz parte daquela história que todo mundo já conheceu uma vez na vida: o que significou para ela não significou para ele. Não chegou nem perto. E a menina carrega durante muitos anos dentro dela o peso do escritor mulherengo.
Tudo muito pequeno comparado com o que Jabor viu. Um dia, quem sabe, quando a minha cabeça não estiver mais ocupada em pensar um monte de baboseiras minúsculas, eu consiga enxergar 2046 da maneira como ele enxergou. Por enquanto eu só consigo pensar na chinesinha triste e chorando atrás da porta, torcendo para que com ela seja diferente do que foi com tantas.
As mulheres se unem em sentimentos iguais, e isso se chama visão estreita. E eu sofro disso.
Morangos Mofados
Como eu suspeitava, Caio Fernando Abreu escolheu o pior caminho. Ele deixou isso bem claro ao escrever uma carta pra um amigo jornalista que andava falando que queria lançar um livro. Ah, esses jornalistas e suas pretensões literárias sem noção... Um mal da faculdade de comunicação. Deveríamos metralhar todos os bacharéis em Comunicação Social que têm vontade de escrever um livro. Menos eu, é claro. Até porque provavelmente eu nunca lançarei nada. Vou ficar sempre ameaçando.
Monday, January 23, 2006
Love's a bitch
A gente vai envelhecendo e não aprende nada, né? Eu achava que ia me tornar uma velha sábia e etc, mas agora estou reparando que a velhice vai ser só artrite mesmo. Putz, até hoje não sei namorar. É uma droga escrever essa frase porque todo mundo fica pensando naquela horrenda música daquele grupo horrível que eu já esqueci o nome, mas a minha citação não é a eles, e sim à incapacidade de saber me comportar em realacionamentos amorosos.
Amar dá um trabalho... às vezes dá preguiça. Porque tem que ser suado, tem que ser construído à base de sangue, tem que carregar pedra nas costas. Não é nem um pouco parecido com todos aqueles desenhos da Disney sobre princesas lindas e magras e, caramba, a gente foi bombardeado com esse tipo de porcaria por anos a fio. Eu bem que adoraria encontrar um princípe encantado riquíssimo, que me fizesse ficar em casa sendo genial, ganhando presentes toda semana e trabalhando por hobbie. Hoje em dia assumo que adoraria cuidar do meu maridinho, marcar médico, arrumar a mesa de jantar, ajudar a escolher roupas e etc, contanto que recebesse em troca o mínimo do mimo também. Claro que isso é possível e viável, mas para que a história toda dure mais que um mês, é preciso de paciência... e sangue.
Não que eu não esteja insatisfeita, muito pelo contrário. Satisfação é o meu segundo nome. É que às vezes o ser humano complica muito as coisas. Na maior parte do tempo eu ignoro as complicações, mas quando se trata da sua cara metade, ficar blasé é muito mais difícil.
Ou então, talvez isso seja só reflexo de um feriado inteiro passado dentro do apartamento. Sabe como é, estava calor demais, e na casa do meu namorado tem DVD + internet banda larga + Net premium + ar condicionado. Sair pra quê?
Amar dá um trabalho... às vezes dá preguiça. Porque tem que ser suado, tem que ser construído à base de sangue, tem que carregar pedra nas costas. Não é nem um pouco parecido com todos aqueles desenhos da Disney sobre princesas lindas e magras e, caramba, a gente foi bombardeado com esse tipo de porcaria por anos a fio. Eu bem que adoraria encontrar um princípe encantado riquíssimo, que me fizesse ficar em casa sendo genial, ganhando presentes toda semana e trabalhando por hobbie. Hoje em dia assumo que adoraria cuidar do meu maridinho, marcar médico, arrumar a mesa de jantar, ajudar a escolher roupas e etc, contanto que recebesse em troca o mínimo do mimo também. Claro que isso é possível e viável, mas para que a história toda dure mais que um mês, é preciso de paciência... e sangue.
Não que eu não esteja insatisfeita, muito pelo contrário. Satisfação é o meu segundo nome. É que às vezes o ser humano complica muito as coisas. Na maior parte do tempo eu ignoro as complicações, mas quando se trata da sua cara metade, ficar blasé é muito mais difícil.
Ou então, talvez isso seja só reflexo de um feriado inteiro passado dentro do apartamento. Sabe como é, estava calor demais, e na casa do meu namorado tem DVD + internet banda larga + Net premium + ar condicionado. Sair pra quê?
Thursday, January 19, 2006
Quarta feira com amigos
Estou começando a achar que eu sou a Carrie Bradshaw, só que dez quilos mais gorda e com menos dinheiro que ela. É que, apesar de estar namorandinho e tudo e tal, me vejo fácil com trinta e poucos, solteira e saindo à noite todos os dias, com amigas igualmente solteiras e com mais de trinta.
Mas enquanto os trinta e tal não chegam, eu continuo levando a vidinha de sempre... à noite. Ontem resolvi praticar um exercício que se chama "sair sem o namorado". Não foi nada planejado, mas acabou surgindo uma festa de rock com amigos dos tempos da escola, e eu vi uma boa oportunidade de colocar o meu exercício em prática. É que tenho uma tendência muito grande a ter "preguiça" de sair sem namorado, o que é realmente ridículo e condenável para alguém que, como eu, possui uma enorme agenda de telefones.
E lá fomos nós para Copacabana fingir que somos adolescente. Uma coisa que eu adoro em festas de rock é que posso exorcizar muitos fantasmas e raivinhas inúteis cantando alto as músicas que embalam minhas madrugadas desde que eu me entendo por pessoa freqüentável de boates. As músicas são basicamente as mesmas, apesar da nova geração que, a cada ano, comparece às noites dos inferninhos. E isso me deixa feliz.
Tanited love é bom de cantar alto. Candy é bom de cantar alto, principalmente na parte da Kate Pierson. Cannonball, Bull in the heather, Enjoy the silence... Todas as queridas musiquinhas da minha jukebox noturna são bem vindas quando eu preciso exorcizar.
E, deus, estava precisando de expulsar essa coisa ruim do meu corpo. Andei meio possuída por esses dias, mas agora estou novinha em folha, só um pouco cansada demais pra sair hoje, em plena véspera de feriado no Rio, cheia de promessas de festas imperdíveis. Estou cansada, precisando dar um relax, mas, adivinha? É óbvio que isso não vai acontecer.
Que praga.
Mas enquanto os trinta e tal não chegam, eu continuo levando a vidinha de sempre... à noite. Ontem resolvi praticar um exercício que se chama "sair sem o namorado". Não foi nada planejado, mas acabou surgindo uma festa de rock com amigos dos tempos da escola, e eu vi uma boa oportunidade de colocar o meu exercício em prática. É que tenho uma tendência muito grande a ter "preguiça" de sair sem namorado, o que é realmente ridículo e condenável para alguém que, como eu, possui uma enorme agenda de telefones.
E lá fomos nós para Copacabana fingir que somos adolescente. Uma coisa que eu adoro em festas de rock é que posso exorcizar muitos fantasmas e raivinhas inúteis cantando alto as músicas que embalam minhas madrugadas desde que eu me entendo por pessoa freqüentável de boates. As músicas são basicamente as mesmas, apesar da nova geração que, a cada ano, comparece às noites dos inferninhos. E isso me deixa feliz.
Tanited love é bom de cantar alto. Candy é bom de cantar alto, principalmente na parte da Kate Pierson. Cannonball, Bull in the heather, Enjoy the silence... Todas as queridas musiquinhas da minha jukebox noturna são bem vindas quando eu preciso exorcizar.
E, deus, estava precisando de expulsar essa coisa ruim do meu corpo. Andei meio possuída por esses dias, mas agora estou novinha em folha, só um pouco cansada demais pra sair hoje, em plena véspera de feriado no Rio, cheia de promessas de festas imperdíveis. Estou cansada, precisando dar um relax, mas, adivinha? É óbvio que isso não vai acontecer.
Que praga.
Wednesday, January 18, 2006
Joana a contragosto
Foi com um ceticismo característico que eu peguei o livro de Marcelo Mirisola emprestado. Uma amiga chegou dizendo que era tudo de bom, que eu tinha que ler, que adorava o Mirisola e que ele era sujo e ogro e, por isso mesmo, imperdível. Fiquei cética porque ando meio de saco cheia dessa literatura maldita que tanto está em voga, essa coisa de gente que lê Bukowiski e genéricos e depois escreve como se fosse mega underground, mas que na verdade não suja a camisa que veste com nenhuma gota de vômito pós-bebedeira. E, nas primeiras vinte páginas, aquelas que são imprescindíveis pra que o livro seja aceito ou não pelo leitor, eu achava que o tal do MM estava fazendo tipo de deprimido pelas ruas de São Paulo. Mas aí o livro era bem escrito e tal, e eu acabei indo em frente, e hoje - logo hoje - eu vou terminar a obra.
O lance é que ele se apaixonou por uma menina - a tal da Joana - que não queria mais nada com ele, o que fez com que o cara descesse ladeira abaixo na dor de cotovelo. Achei engraçado a grande diferença da dor de cotovelo feminina para a masculina: a primeira é cheia de lágrimas e deprezinhas infantis por a vítima não ter achada o príncipe encantado ainda, enquanto que a segunda lamenta a perda da esposa, mas também do sexo bem tratado. O livro me ensinou que homem chora por amor e também por sexo da mesma forma e na mesma intensidade, e que os dois andam muito mais juntos do que a gente imagina.
E fiquei com inveja de não poder escrever desse jeito. Essa é a razão do texto anterior sobre a inveja que eu sinto dos homens: por mais que eu já tenha sentido, tantas vezes, algo parecido com o que Mirisola sentiu, nunca poderei usar as mesmas palavras que ele usou para descrever o sentimento. Não posso porque não consigo, porque amigos e namorado lêem o blog, porque já, uma vez, escrevi um texto com a palavra 'boceta' e publiquei, para logo depois apagar por não ter agüentado segurar a reação que essa palavra tem nas pessoas.
Sim, eu sou uma patricinha. No fundo, no fundo.
E aí Mirisola me deu vontade de escrever um livro e de sair do fácil contexto que é ter um blog. Me deu vontade de me trancar no quarto e deixar correr sangue na ponta dos dedos - e eu nunca, nunca mesmo, suei a camisa para escrever nada. Meio que sai sem eu ter que pensar.
Tem gente que acha que Mirisola é um babaca, e ele deve mesmo ser. Mas o que realmente me importa é que ele fez com que eu pensasse de novo. Eu que andava tão adormecida. Eu que andava carregada pela correnteza. Logo eu, às portas dos 30, sentindo muito forte o peso de se ter 30 anos.
Isso faz com que eu me lembre que tenho que parar de fumar em breve. Mulheres de 30 que fumam e usam anticoncepcional podem ter doenças coronárias. Agora a minha saúde passou a ser preocupação.
O lance é que ele se apaixonou por uma menina - a tal da Joana - que não queria mais nada com ele, o que fez com que o cara descesse ladeira abaixo na dor de cotovelo. Achei engraçado a grande diferença da dor de cotovelo feminina para a masculina: a primeira é cheia de lágrimas e deprezinhas infantis por a vítima não ter achada o príncipe encantado ainda, enquanto que a segunda lamenta a perda da esposa, mas também do sexo bem tratado. O livro me ensinou que homem chora por amor e também por sexo da mesma forma e na mesma intensidade, e que os dois andam muito mais juntos do que a gente imagina.
E fiquei com inveja de não poder escrever desse jeito. Essa é a razão do texto anterior sobre a inveja que eu sinto dos homens: por mais que eu já tenha sentido, tantas vezes, algo parecido com o que Mirisola sentiu, nunca poderei usar as mesmas palavras que ele usou para descrever o sentimento. Não posso porque não consigo, porque amigos e namorado lêem o blog, porque já, uma vez, escrevi um texto com a palavra 'boceta' e publiquei, para logo depois apagar por não ter agüentado segurar a reação que essa palavra tem nas pessoas.
Sim, eu sou uma patricinha. No fundo, no fundo.
E aí Mirisola me deu vontade de escrever um livro e de sair do fácil contexto que é ter um blog. Me deu vontade de me trancar no quarto e deixar correr sangue na ponta dos dedos - e eu nunca, nunca mesmo, suei a camisa para escrever nada. Meio que sai sem eu ter que pensar.
Tem gente que acha que Mirisola é um babaca, e ele deve mesmo ser. Mas o que realmente me importa é que ele fez com que eu pensasse de novo. Eu que andava tão adormecida. Eu que andava carregada pela correnteza. Logo eu, às portas dos 30, sentindo muito forte o peso de se ter 30 anos.
Isso faz com que eu me lembre que tenho que parar de fumar em breve. Mulheres de 30 que fumam e usam anticoncepcional podem ter doenças coronárias. Agora a minha saúde passou a ser preocupação.
Tuesday, January 17, 2006
Inveja dos homens
Completamente fudida. Fudida e com raiva, porque uma mulher não deve usar termos chulos em textos. Eu me sinto culpada cada vez que escrevo um palavrão, mas tenho muita inveja dos homens, porque eles podem ser baixos e vulgares, e é até glamuroso que eles sejam assim. É charmoso ser homem e ser underground, enquanto que as mulheres devem ser sempre anjos caídos, virgens inatingíveis, puras, preciosas. Só que eu não sou preciosa, nem pura, nem um anjo caído, eu sou da pior espécie de humano passível de existência, e tenho que controlar os meus impulsos vãos em nome dos costumes.
Estou fudida. Preciso fazer alguma coisa da minha vida com urgência, antes que o piloto automático se estabeleça de forma irreversível, e eu fique presa nos dias confortáveis e iguais. Mas, afinal, o que é mais válido? Uma felicidade tranqüila ou uma mente inquieta?
Gostava de dizer que, já que temos apenas uma vida, qualquer decisão que tomamos é a correta. É bom pensar dessa maneira, mas já não tenho tanta certeza se o que eu dizia faz sentido.
Tudo isso é culpa do Mirisola e do menino do fotolog. Foram eles que fizeram a história toda voltar à tona...
Estou fudida. Preciso fazer alguma coisa da minha vida com urgência, antes que o piloto automático se estabeleça de forma irreversível, e eu fique presa nos dias confortáveis e iguais. Mas, afinal, o que é mais válido? Uma felicidade tranqüila ou uma mente inquieta?
Gostava de dizer que, já que temos apenas uma vida, qualquer decisão que tomamos é a correta. É bom pensar dessa maneira, mas já não tenho tanta certeza se o que eu dizia faz sentido.
Tudo isso é culpa do Mirisola e do menino do fotolog. Foram eles que fizeram a história toda voltar à tona...
Monday, January 16, 2006
Viva a análise
Parece ser um problema quando você começa as frases com "minha analista acha que eu...". E eu tenho começado muitas frases minhas desta maneira. É estranho, porque faço análise desde os 19 anos e só agora, burra velha, fiquei com a mania de falar de psicologia pros meus amigos. A parte boa é que a maioria deles não acha o papo chato, já que quase todo mundo faz análise também. Quando começo a frase com "minha analista acha que eu...", o outro continua "já a minha acredita que..."
Quando comecei a freqüentar uma psicóloga, eu era a única da galera. Quis porque já estava de saco cheio de internalizar um monte de loucuras, e queria muito explicar pra alguém o que eu achava da vida. Alguém que, obrigatoriamente, teria que me ouvir por uma hora. Passados quase dez anos (faltam alguns meses para que sejam dez anos completos!), são poucos os do meu círculo de convivência que sobrevivem sem uma ajuda profissional. Mesmo os amigos mais durangos conseguem descontos extraordinários para tratar do que se passa na cachola, ou deixam de tomar chopes e comprar roupas ou fazer o que quer que seja. Porque tudo se torna não prioridade quando comparamos com a necessidade de cuidar da nossa mente futuramente sã.
Eu gosto de fazer análise, mas quando chego no consultório, só levo bronca. Minha analista é mestra em enumerar muitos dos meus defeitos, e em raras ocasiões ela faz um elogio. Eu poderia estar acostumada à crítica ferrenha, mas na verdade não estou. Cada vez que tenho uma consulta que eu sei que o bicho vai pegar, começo a sessão com "você vai querer me matar, mas eu..." E aí o bicho pega mesmo.
E quando eu brigo com meu namorado ela fica do lado dele em 95% dos casos.
Mas eu juro que gosto de fazer análise. Por que outra razão eu pagaria à minha analista o equivalente ao aluguel de um moquifo na zona sul?
Eu só queria saber se um dia eu vou conseguir realmente me curar das neuroses. será que Freud já deu alta pra algum paciente?
Quando comecei a freqüentar uma psicóloga, eu era a única da galera. Quis porque já estava de saco cheio de internalizar um monte de loucuras, e queria muito explicar pra alguém o que eu achava da vida. Alguém que, obrigatoriamente, teria que me ouvir por uma hora. Passados quase dez anos (faltam alguns meses para que sejam dez anos completos!), são poucos os do meu círculo de convivência que sobrevivem sem uma ajuda profissional. Mesmo os amigos mais durangos conseguem descontos extraordinários para tratar do que se passa na cachola, ou deixam de tomar chopes e comprar roupas ou fazer o que quer que seja. Porque tudo se torna não prioridade quando comparamos com a necessidade de cuidar da nossa mente futuramente sã.
Eu gosto de fazer análise, mas quando chego no consultório, só levo bronca. Minha analista é mestra em enumerar muitos dos meus defeitos, e em raras ocasiões ela faz um elogio. Eu poderia estar acostumada à crítica ferrenha, mas na verdade não estou. Cada vez que tenho uma consulta que eu sei que o bicho vai pegar, começo a sessão com "você vai querer me matar, mas eu..." E aí o bicho pega mesmo.
E quando eu brigo com meu namorado ela fica do lado dele em 95% dos casos.
Mas eu juro que gosto de fazer análise. Por que outra razão eu pagaria à minha analista o equivalente ao aluguel de um moquifo na zona sul?
Eu só queria saber se um dia eu vou conseguir realmente me curar das neuroses. será que Freud já deu alta pra algum paciente?
Despedida
Ando deveras irritada com fotologs.... Acho que é porque não tenho mais o que fazer e então fico navegando no flog dos outros, só pra descobrir - com raras exceções - que é tudo a mesma porcaria, sempre. Mas o que exatamente faz com que as pessoas tenham fotologs? É auto promoção? Se for, que tipo raso de propagando de si mesmo... Coisa que me deixa com menos paciência ainda.
Tem outra coisa também: não sei fazer cara de sexy. Já tentei muitas vezes, mas não consigo e pronto.
Por essas e outras razões, estou desativando o meu fotolog. Mas não poderia fazer isso sem mandar todo mundo se fuder. É só por essa semana que a foto continuará on line, então quem quiser que veja agora.
Porque se eu saísse dessa merda sem deixar um recadinho, não seria eu mesma.
Tem outra coisa também: não sei fazer cara de sexy. Já tentei muitas vezes, mas não consigo e pronto.
Por essas e outras razões, estou desativando o meu fotolog. Mas não poderia fazer isso sem mandar todo mundo se fuder. É só por essa semana que a foto continuará on line, então quem quiser que veja agora.
Porque se eu saísse dessa merda sem deixar um recadinho, não seria eu mesma.
Friday, January 13, 2006
Gelo
Queria congelar esse momento. Esse instante exato em que tudo parece perfeito: os livros, a música, a temperatura e a pressão; uma cama que não é a minha em um quarto que não é o meu e que, mesmo assim, faz com que eu me sinta confortavelmente em casa. Queria poder parar o tempo, mas sei que se tivesse essa habilidade, logo logo me encheria, bocejaria de tédio, procuraria outro interesse. O problema não é eternizar o momento, eu acho, é manter a sensação.
Sou viciada em pequenos acontecimentos, em novidades de cinco em cinco minutos, em pequenas polêmicas internas. Já quis, é verdade, tentar viver com a menor das necessidades do mundo. Mas sou gananciosa por informação, frenética e neurótica, uma pessoa que tem uma idéia muito controversa de paz.
Se eu pudesse eternizar a sensação, faria o seguinte: iria até ele, sentaria em seu colo e falaria que ele foi uma grata, uma bela surpresa. Mas não faço nada disso porque sei que não posso controlar nem o tempo, nem os sentidos, e que os meus sentimentos são sempre os primeiros a se dispersar. Então me mantenho calada.
Sou viciada em pequenos acontecimentos, em novidades de cinco em cinco minutos, em pequenas polêmicas internas. Já quis, é verdade, tentar viver com a menor das necessidades do mundo. Mas sou gananciosa por informação, frenética e neurótica, uma pessoa que tem uma idéia muito controversa de paz.
Se eu pudesse eternizar a sensação, faria o seguinte: iria até ele, sentaria em seu colo e falaria que ele foi uma grata, uma bela surpresa. Mas não faço nada disso porque sei que não posso controlar nem o tempo, nem os sentidos, e que os meus sentimentos são sempre os primeiros a se dispersar. Então me mantenho calada.
Pista
Cinqüenta por cento de chances de esta ser uma noite interessante. Começa sempre com a promessa de prazeres sem limites, e termina sempre na esperança de que chegue o outro sábado. E, assim, nunca termina. Um círculo de paraísos de estrobo, gente magra demais e roupas de cinco dígitos.
Que sono.
Eu tenho essa coisa de ficar cansada bem cedo. De querer dormir cedo, e acordar cedo, e depois querer sair do apartamento. De andar pelo calçadão da orla procurando no sol o que eu não tinha achado à noite. Mas durmo tarde e acordo cedo e aí o resultado são essas olheiras eternas e esse sono contínuo.
Quando comecei nas pistas a história era mais diferente. Não sabia que os comportamentos se repetiriam tanto quanto as músicas. Fazer o quê, não sou mais adolescente. E, de alguma inexplicável maneira, ainda me mantenho viciada nisto aqui.
Que sono.
Eu tenho essa coisa de ficar cansada bem cedo. De querer dormir cedo, e acordar cedo, e depois querer sair do apartamento. De andar pelo calçadão da orla procurando no sol o que eu não tinha achado à noite. Mas durmo tarde e acordo cedo e aí o resultado são essas olheiras eternas e esse sono contínuo.
Quando comecei nas pistas a história era mais diferente. Não sabia que os comportamentos se repetiriam tanto quanto as músicas. Fazer o quê, não sou mais adolescente. E, de alguma inexplicável maneira, ainda me mantenho viciada nisto aqui.
Romântica de 1,99
Quando nada acontece no trabalho, todos os dias são sexta-feira. O que é realmente um saco, posto que se perde aquela expectativa de chegada do fim de semana, com todas as programações e possibilidades que, no meu caso, nunca se realizam. Comigo é muito comum eu montar uma logística de festas e chopes com amigos tão apertada que no final eu não chego a cumprir nem o primeiro compromisso da lista. Penso que não vai dar tempo de atender a tanta demanda e acabo optando por alugar um dvd em casa com um copo de vodka com coca-cola e um namorado.
Se bem que hoje rolou a possibilidade de um programinha interessante e mega piegas: assistir ao pôr do sol na praia, às 19h30, quando a lua vai nascer exatamente no mesmo horário. Às 3h45 da manhã recebo uma mensagem de texto convidando para o anoitecer a dois, mas fico tão puta por ter sido acordada àquela hora que só respondo: "Você é completamente maluco." Demorei pra dormir de novo, e quando acordei estava com um baita mau-humor por ter tido o meu sono de beleza interrompido daquele jeito.
Acontece que essa foi, talvez, uma das maiores traições de mim para mim mesma. Proclamo aos quatro ventos que adoro romantismo, que o mundo deveria ser feito de mais rosas vermelhas e caixas de bombom, e quando finalmente alguém me faz um convite à altura das minhas esperanças românticas, eu acabo com o clima com uma simples frase. Tadinho. Se eu fosse ele, nunca mais seria fofo. Isso é pra eu aprender a dar mais valor a quem está do meu lado.
Se bem que hoje rolou a possibilidade de um programinha interessante e mega piegas: assistir ao pôr do sol na praia, às 19h30, quando a lua vai nascer exatamente no mesmo horário. Às 3h45 da manhã recebo uma mensagem de texto convidando para o anoitecer a dois, mas fico tão puta por ter sido acordada àquela hora que só respondo: "Você é completamente maluco." Demorei pra dormir de novo, e quando acordei estava com um baita mau-humor por ter tido o meu sono de beleza interrompido daquele jeito.
Acontece que essa foi, talvez, uma das maiores traições de mim para mim mesma. Proclamo aos quatro ventos que adoro romantismo, que o mundo deveria ser feito de mais rosas vermelhas e caixas de bombom, e quando finalmente alguém me faz um convite à altura das minhas esperanças românticas, eu acabo com o clima com uma simples frase. Tadinho. Se eu fosse ele, nunca mais seria fofo. Isso é pra eu aprender a dar mais valor a quem está do meu lado.
Thursday, January 12, 2006
Ainda existe gente legal
Me interesso quase que totalmente por gente sem máscaras. Nas poucas vezes em que conheço alguém assim, fico absolutamente fascinada, quase até com uma certa dose de inveja, intrigada em como alguém consegue ser daquela maneira. Acho tão difícil e tão heróico se despir de máscaras que tenho essa tendência a acreditar que estas pessoas são espécies de seres iluminados. E fico querendo ser amiga delas, que nem quando eu tinha dez anos e queria andar com a galera de quinze. Obviamente nunca dá certo.
Em contrapartida, morro de tédio de toda essa gente que veste um personagem. Fica tão na cara que aquilo não passa de encenação de uma noite que eu me pergunto se ninguém mais repara na falcatrua a não ser eu. Descobri que sim, só eu reparo, e isso se dá apenas por um detalhe: eu quero ver. Não que eu seja mais inteligente ou mais observadora que a maioria da humanidade, mas simplesmente já deixei pra trás há muito tempo a vontade de me enganar com posers.
O problema é que tem pessoas demais no fingimento. Ontem foi um dia em que, de repente, me vi cercada de uma galera legal. Céus, há tempos eu não me encontrava nessa situação, de vontade genuína de levar um papo com aquelas pessoas, sem ter que procurar no fundo do bolso conversas sobre amenidades só para quebrar o silêncio. Houve uma época em que eu deixava o silêncio incômodo correr de propósito, me recusando a falar sobre o tempo com gente com quem não tinha papo. Mas depois de uns anos você acaba entrando no jogo, eu acho, e então quando percebe está conversando sobre efeito de drogas e festas e o jeito como não sei quem dança. E, internamente, você tem vontade de ler algumas linhas do primeiro clássico que vê na frente.
Mas ontem não foi assim. Talvez toda a minha impaciência tenha sido amainada com doses de álcool, mas talvez também não seja essa a questão. O lance é que se tratavam de pessoas legais. E é ótimo descobrir que, apesar de todas as evidências contra, elas ainda existem em algum lugar por aí.
Em contrapartida, morro de tédio de toda essa gente que veste um personagem. Fica tão na cara que aquilo não passa de encenação de uma noite que eu me pergunto se ninguém mais repara na falcatrua a não ser eu. Descobri que sim, só eu reparo, e isso se dá apenas por um detalhe: eu quero ver. Não que eu seja mais inteligente ou mais observadora que a maioria da humanidade, mas simplesmente já deixei pra trás há muito tempo a vontade de me enganar com posers.
O problema é que tem pessoas demais no fingimento. Ontem foi um dia em que, de repente, me vi cercada de uma galera legal. Céus, há tempos eu não me encontrava nessa situação, de vontade genuína de levar um papo com aquelas pessoas, sem ter que procurar no fundo do bolso conversas sobre amenidades só para quebrar o silêncio. Houve uma época em que eu deixava o silêncio incômodo correr de propósito, me recusando a falar sobre o tempo com gente com quem não tinha papo. Mas depois de uns anos você acaba entrando no jogo, eu acho, e então quando percebe está conversando sobre efeito de drogas e festas e o jeito como não sei quem dança. E, internamente, você tem vontade de ler algumas linhas do primeiro clássico que vê na frente.
Mas ontem não foi assim. Talvez toda a minha impaciência tenha sido amainada com doses de álcool, mas talvez também não seja essa a questão. O lance é que se tratavam de pessoas legais. E é ótimo descobrir que, apesar de todas as evidências contra, elas ainda existem em algum lugar por aí.
Wednesday, January 11, 2006
From Hell
Outro dia eu vivi uma noite dos infernos. Daquelas com muitos cigarros e telefonemas de madrugada para ouvidos de plantão, de insônia, de vontade de retomar a sanidade. Agora, depois que a noite passou e que eu sobrevivi, tenho vergonha de tanta loucura, e um desejo imenso de que tenha aprendido alguma coisa com tudo aquilo. Mas isso é só uma maneira de auto enganação: o ser humano é o único animal que põe o dedo na tomada, toma um choque, e depois coloca a mão ali novamente. Os ratos são mais espertos que nós.
Há muito tempo eu não tinha uma noite dessas. Estava tudo tão controlado, tão aconchegado na palma da minha mão, que eu acreditava que infernos já não faziam parte da minha vida. Que tolinha. E agora, além da vergonha do drama inventado, há um certo orgulho. Bem lá no fundo. Uma felicidade de constatar que eu sou capaz ainda de perder o chão, de ir parar no Pinel, de tomar remédios tarja preta. Não, amigos, nem tudo é previsível aqui.
A previsibilidade é um dos aspectos mais tristes da vida. Tá certo, eu odeio infernos pessoais, odeio noites mal dormidas e, mais do que tudo, odeio me comportar como fazia há dez anos.
Mas nada me tira o prazer de me surpreender comigo mesma.
Há muito tempo eu não tinha uma noite dessas. Estava tudo tão controlado, tão aconchegado na palma da minha mão, que eu acreditava que infernos já não faziam parte da minha vida. Que tolinha. E agora, além da vergonha do drama inventado, há um certo orgulho. Bem lá no fundo. Uma felicidade de constatar que eu sou capaz ainda de perder o chão, de ir parar no Pinel, de tomar remédios tarja preta. Não, amigos, nem tudo é previsível aqui.
A previsibilidade é um dos aspectos mais tristes da vida. Tá certo, eu odeio infernos pessoais, odeio noites mal dormidas e, mais do que tudo, odeio me comportar como fazia há dez anos.
Mas nada me tira o prazer de me surpreender comigo mesma.
Friday, January 06, 2006
Melancolia pós-coito
Sou só eu ou todo mundo no fim de ano fica mais melancólico? Comigo a coisa é barra pesada: análise com alto nível crítico de todos os meus defeitos, seguida de culpa cristã por não ter melhorado nada durante o ano que passou, constatação de que faltam apenas dois anos para chegar aos trinta (ainda ganhando muito menos do que eu tinha imaginado aos 16 anos para esta época da minha vida), inquietação mediante a possibilidade de não ter onde passar o reveillón, mesmo quando no fundo é sabido que SEMPRE aparece a melhor festa da minha vida nos 45 do segundo tempo, medinho do que vem no ano que começa, medinho do que não vem no ano que começa, medinho de mudar, medinho de ficar na mesma. Muitos medos pequenos.
Posso dizer bastante consciente de que eu fico péssima nets aépoca do ano. Mas na virada eu sou a pessoa mais feliz do mundo, a que acha que está no lugar certo na hora certa, sabe como é? Efeito dos fogos de artifício.
Enquanto isso, percorro fotologs e descubro que é tudo a mesma coisa. Outro dia vi um muito interessante, de um menino igualmente interessante, que mora em Londres e aparentemente já experimentou todos os tipos de drogas. Não, não é por isso que ele é interessante, mas sim pela maneira como enxerga as coisas, um jeito incômodo de aceitar a relidade e de aproveitar pequenas colheradas de acaso no meio da rua.
Eu já fui que nem ele, juro que fui. Quando saí da faculdade eu ainda era assim. Ainda me pergunto como foi que me trsnformei em uma cópia feminina do meu pai.
Saudades daquela época.
Posso dizer bastante consciente de que eu fico péssima nets aépoca do ano. Mas na virada eu sou a pessoa mais feliz do mundo, a que acha que está no lugar certo na hora certa, sabe como é? Efeito dos fogos de artifício.
Enquanto isso, percorro fotologs e descubro que é tudo a mesma coisa. Outro dia vi um muito interessante, de um menino igualmente interessante, que mora em Londres e aparentemente já experimentou todos os tipos de drogas. Não, não é por isso que ele é interessante, mas sim pela maneira como enxerga as coisas, um jeito incômodo de aceitar a relidade e de aproveitar pequenas colheradas de acaso no meio da rua.
Eu já fui que nem ele, juro que fui. Quando saí da faculdade eu ainda era assim. Ainda me pergunto como foi que me trsnformei em uma cópia feminina do meu pai.
Saudades daquela época.
Thursday, November 17, 2005
Viagem parte V - Alto do Moura, Caruaru, PE
Alto do Moura é a referência de artesanato do nordeste. Tudo aquilo que a gente vê vendendo em feiras - bonecos de barro, bois sem perna, estátuas de Lampião e Maria Bonita - tudo isso é produzido lá e exportado para os outros cantos do país. Hoje, Alto do Moura é um amontoado de ateliês e lojinhas por onde turistas nacionais e internacionais se acabam nas compras. É que lá é barato demais, próprio para comprar presentes para toda a família.
Todo mundo que mora em Alto do Moura faz esculturas. Esse conhecimento é passado de geração em geração, e as crianças do lugar aprendem a fazer brinquedos de barro ao invés de comprar bonecos e panelinhas de plástico nas lojas. Até Mestre Vitalino, que foi quem elevou os bonequinhos de barro à categoria de arte popular, aprendeu seu ofício fazendo brinquedos.
Um lado ruim (já que falaram que eu to muito deslumbrada com o nordeste heheh): eu, como turista otário que sou, acabei pagando muito mais caro pelas peças. Explico: eu não sei pechinchar, e no Alto do Moura é essencial chorar um pouquinho na hora do pagamento. Dessa forma, é possível conseguir um desconto muito interessante - pelo menos foi o que presenciei com os chorões do meu grupo. Vai ver que é por isso que o carioca é conhecido no nordeste como ruim de jogo.
Todo mundo que mora em Alto do Moura faz esculturas. Esse conhecimento é passado de geração em geração, e as crianças do lugar aprendem a fazer brinquedos de barro ao invés de comprar bonecos e panelinhas de plástico nas lojas. Até Mestre Vitalino, que foi quem elevou os bonequinhos de barro à categoria de arte popular, aprendeu seu ofício fazendo brinquedos.
Um lado ruim (já que falaram que eu to muito deslumbrada com o nordeste heheh): eu, como turista otário que sou, acabei pagando muito mais caro pelas peças. Explico: eu não sei pechinchar, e no Alto do Moura é essencial chorar um pouquinho na hora do pagamento. Dessa forma, é possível conseguir um desconto muito interessante - pelo menos foi o que presenciei com os chorões do meu grupo. Vai ver que é por isso que o carioca é conhecido no nordeste como ruim de jogo.
Tuesday, November 15, 2005
Viagem parte IV - Areia, PB e Barra de Cunhaú, RN
Viajar pelo interior do país é muito diferente de viajar pelas cidades turísticas. Não só por causa das diferenças socias e etc, mas pelas paisagens que só uma corrida de carro proporciona. Foi conhecendo as estradas da Paraíba e Rio Grande do Norte que descobri que o céu do nordeste brasileiro talvez seja o mais bonito do mundo. Muito azul, com nuvens brancas aqui e ali, interminável e limpo. Quase uma poesia.
Areia foi a primeira cidade da Paraíba a ser tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. É também o lugar onde foi construído o primeiro teatro do estado, no começo do século XX. Por ser uma cidade no alto da serra, o clima de lá é ameno, e à noitinha faz certo frio, inesperado em um município do nordeste - pelo menos para aqueles que moram lá pro sul, como eu.
O caso de Barra do Cunhaú é outro. Trata-se de uma localidade no litoral do Rio Grande do Norte, uma colônia de pescadores que recentemente foi descoberta pelos gringos que gostam de praticar kite e windsurf. A fama da cidade cresceu de tal forma que vários restaurantes e pousadas foram abertos da noite para o dia. O engraçado é que pouca gente noBrasil conhece Cunhaú, e outro dia eu peguei um vôo com uma menina que é campeã brasileira de alguma categoria de kite surf e ela confessou nunca ter pisado no lugar. Nem ouvido falar.
Agora, imagine o que é para os habitantes das duas cidades, pessoas que têm um ritmo de vida muito diferente dos que vivem nas metrópoles, receber uma equipe de reportagem de televisão. É quase como uma invasão, um estupro no cotidiano deles, com todos aqueles equipamentos, cases, vans e etc. Aliás, tenho pensado muito sobre tempo e estilo de vida, mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão do que quero pro meu futuro. Pra variar, a única coisa que pode parecer segura, na minha vida, é saber o que não quero. E até isso muda com mais freqüência do que eu gostaria.
Areia foi a primeira cidade da Paraíba a ser tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. É também o lugar onde foi construído o primeiro teatro do estado, no começo do século XX. Por ser uma cidade no alto da serra, o clima de lá é ameno, e à noitinha faz certo frio, inesperado em um município do nordeste - pelo menos para aqueles que moram lá pro sul, como eu.
O caso de Barra do Cunhaú é outro. Trata-se de uma localidade no litoral do Rio Grande do Norte, uma colônia de pescadores que recentemente foi descoberta pelos gringos que gostam de praticar kite e windsurf. A fama da cidade cresceu de tal forma que vários restaurantes e pousadas foram abertos da noite para o dia. O engraçado é que pouca gente noBrasil conhece Cunhaú, e outro dia eu peguei um vôo com uma menina que é campeã brasileira de alguma categoria de kite surf e ela confessou nunca ter pisado no lugar. Nem ouvido falar.
Agora, imagine o que é para os habitantes das duas cidades, pessoas que têm um ritmo de vida muito diferente dos que vivem nas metrópoles, receber uma equipe de reportagem de televisão. É quase como uma invasão, um estupro no cotidiano deles, com todos aqueles equipamentos, cases, vans e etc. Aliás, tenho pensado muito sobre tempo e estilo de vida, mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão do que quero pro meu futuro. Pra variar, a única coisa que pode parecer segura, na minha vida, é saber o que não quero. E até isso muda com mais freqüência do que eu gostaria.
Saturday, November 12, 2005
Viagem parte III - Recife
Eu ando tipo apaixonada por Recife. Completamente in love. A cidade tem um clima de Rio de Janeiro mas, ao mesmo tempo, esconde nas entranhas anos e anos de história. E a gente sente isso quando anda pelos becos e quando visita o centro antigo das igrejas caindo aos pedaços e ruas cheirando a esgoto.
Recife se autointitula "Veneza brasileira", porque é cortada por dois rios, etc e tal. Nunca fui a Veneza, mas imagino que deve haver uma grande licença poética na comparação. O que eu posso afirmar é que a capital de Pernambuco é de verdade o lugar dos homens caranguejos, como dizia Chico Science, porque o mangue faz parte da cidade tanto quanto as igrejas centenárias.
Eu me apaixonei por Recife porque tudo aqui é absolutamente mergulhado em cultura, popular ou erudita, para pobres e ricos. Veja bem: hoje é sábado e na cidade se apresenta a ópera Carmem, o grupo Cordel do Fogo Encantado e o Pastoril do Velho Maroto, para citar apenas esses poucos. Milhões de micro acontecimentos pipocam ao mesmo tempo, em cantos por onde já passaram índios, negros, portugueses e holandeses, de forma que o povo daqui tem uma aparência muito característica.
E como os pernambucanos gostam de assuntar. Quem é do tipo que prefere ficar sozinho olhando o mar e fumando um cigarrinho não deve se assustar. Porque aqui, se você está de bobeira, vem logo um puxar assunto. E o assunto não termina nunca mais. E vira um caso depois do outro, e quase todo mundo já morou no Rio (ok, agora é a minha vez da licença poética...), e a conversa rola pra sempre, a menos que um dos interlocutores tenha que trabalhar. E essa parte, invariavelmente, é minha.
Ah, sim, e tem os tubarões. Ao longo do calçadão da praia de Boa Viagem - tipo Ipanema, sabe? - ficam expostas placas com o desenho de um tubarão e os dizeres: Cuidado. Área sujeita a ataques. Proibido surfar.
E eu, como boa turista, fui fotografada com uma dessas placas fazendo fundo, por uma senhora que tomava sol no banco do calçadão. E que puxou papo comigo.
Recife se autointitula "Veneza brasileira", porque é cortada por dois rios, etc e tal. Nunca fui a Veneza, mas imagino que deve haver uma grande licença poética na comparação. O que eu posso afirmar é que a capital de Pernambuco é de verdade o lugar dos homens caranguejos, como dizia Chico Science, porque o mangue faz parte da cidade tanto quanto as igrejas centenárias.
Eu me apaixonei por Recife porque tudo aqui é absolutamente mergulhado em cultura, popular ou erudita, para pobres e ricos. Veja bem: hoje é sábado e na cidade se apresenta a ópera Carmem, o grupo Cordel do Fogo Encantado e o Pastoril do Velho Maroto, para citar apenas esses poucos. Milhões de micro acontecimentos pipocam ao mesmo tempo, em cantos por onde já passaram índios, negros, portugueses e holandeses, de forma que o povo daqui tem uma aparência muito característica.
E como os pernambucanos gostam de assuntar. Quem é do tipo que prefere ficar sozinho olhando o mar e fumando um cigarrinho não deve se assustar. Porque aqui, se você está de bobeira, vem logo um puxar assunto. E o assunto não termina nunca mais. E vira um caso depois do outro, e quase todo mundo já morou no Rio (ok, agora é a minha vez da licença poética...), e a conversa rola pra sempre, a menos que um dos interlocutores tenha que trabalhar. E essa parte, invariavelmente, é minha.
Ah, sim, e tem os tubarões. Ao longo do calçadão da praia de Boa Viagem - tipo Ipanema, sabe? - ficam expostas placas com o desenho de um tubarão e os dizeres: Cuidado. Área sujeita a ataques. Proibido surfar.
E eu, como boa turista, fui fotografada com uma dessas placas fazendo fundo, por uma senhora que tomava sol no banco do calçadão. E que puxou papo comigo.
Rapidinhas porque estou com sono
*** É só a Bárbara colocar um link pra cá no blog dela que começa a entrar um monte de gente nova. Celebridade internética é isso aí.
*** Uma das minhas maiores divesrões ultimamente é descobrir como as pessoas acham este blog. As pesquisas no Google são as mais loucas, e eu sempre fico imaginando que o cara que tava procurando determinada coisa na net e acabou caindo aqui deve ter ficado deveras decepcionado. Afinal de contas, aqui não existe informação confiável.
*** Tá passando Ghost World no Telecine Cult. Cool!
*** Uma das minhas maiores divesrões ultimamente é descobrir como as pessoas acham este blog. As pesquisas no Google são as mais loucas, e eu sempre fico imaginando que o cara que tava procurando determinada coisa na net e acabou caindo aqui deve ter ficado deveras decepcionado. Afinal de contas, aqui não existe informação confiável.
*** Tá passando Ghost World no Telecine Cult. Cool!
Monday, November 07, 2005
Êxtase natural é melhor do que em pílulas
Se tem uma coisa que me deixa em êxtase, é arte. Pode parecer pedante, mas é verdade: às vezes estou lendo um livro e passo por algum trecho que me dá vontade de ligar pra amigos e conversar sobre o que li por horas e horas, até esgotar o assunto. Ou então quando vejo um quadro e tenho vontade de abraçar alguém ao meu lado, ou puxar um estranho pelo braço e falar:"você viu isso? como é que isso é possível?", e ficar rindo que nem boba, meio saltitante, entende? Não se trata de um carão cultural, mas é que existem situações em que eu sou tocada muito fundo na alma.
Hoje foi um desses dias em que eu me senti como criança em parque de diversões. Fui visitar o museu do Francisco Brennand em Recife, que é um dos lugares mais maravilhosos que eu já vi na vida.
Brennand é um senhor de família rica, que herdou do pai (dentre outras coisas, é claro) uma fábrica de cerâmicas abandonada. Ele reconstruiu a fábrica, transformou em museu e exposição de peças, abriu uma oficina de cerâmica e recebe, diariamente, dezenas de pessoas do mundo inteiro que vêm admirar suas obras. Ele é um velho safado, já nos seus 78 anos, que enche os jardins e o interior da antiga fábrica de seu pai com esculturas fálicas, peitos, cabeças e desenhos completamente insanos. Ele é tão controverso que uma parte da população de Recife ficou revoltada com a escultura que ele colocou próxima ao Marco Zero - encomendado pelo governador - e que se trata de um obelisco de muitos metros de altura que lembra bastante um pênis.
É um velho safado, mas eu adoro.
Enquanto estava lá, extasiada, passeando pela releitura do Taj Mahal que Brennand contruiu, me deparo com o próprio artista conversando com um grupo de visitantes. Ele trabalha no museu, de segunda a sexta, e recebe pessoalmente os turistas que vão prestigiá-lo. Fiquei com uma vontade louca de ir até ele e apertar sua mão, e falar alguma coisa do tipo: "isso aqui é sensacional"; mas aí deu vergonha. Vergonha! Logo eu, tão cara de pau pra algumas coisas, fiquei toda travada e acabei desistindo da idéia de conversar com o homem. Quem sabe outro dia...
Mas outro dia talvez não exista, como ele mesmo já sacou. Aos 78 anos, a gente começa a pensar que daqui a pouco a morte chega. Brennand sacou a proximidade da morte, mas não se deixou intimidar: está construindo um grande mausoléu em uma parte do jardim onde se lê "Casa dos Sacrfifícios"(ou algo parecido, não lembro muito bem...). Fúnebre? Nem um pouco. A construção está pintada de vermelho, cheia de esculturas - fálicas ou não - e envolta naquele clima mágico que ele conseguiu criar em todo o espaço.
Aquilo lá parece o País das Maravilhas. E eu confesso que me senti meio Alice.
Hoje foi um desses dias em que eu me senti como criança em parque de diversões. Fui visitar o museu do Francisco Brennand em Recife, que é um dos lugares mais maravilhosos que eu já vi na vida.
Brennand é um senhor de família rica, que herdou do pai (dentre outras coisas, é claro) uma fábrica de cerâmicas abandonada. Ele reconstruiu a fábrica, transformou em museu e exposição de peças, abriu uma oficina de cerâmica e recebe, diariamente, dezenas de pessoas do mundo inteiro que vêm admirar suas obras. Ele é um velho safado, já nos seus 78 anos, que enche os jardins e o interior da antiga fábrica de seu pai com esculturas fálicas, peitos, cabeças e desenhos completamente insanos. Ele é tão controverso que uma parte da população de Recife ficou revoltada com a escultura que ele colocou próxima ao Marco Zero - encomendado pelo governador - e que se trata de um obelisco de muitos metros de altura que lembra bastante um pênis.
É um velho safado, mas eu adoro.
Enquanto estava lá, extasiada, passeando pela releitura do Taj Mahal que Brennand contruiu, me deparo com o próprio artista conversando com um grupo de visitantes. Ele trabalha no museu, de segunda a sexta, e recebe pessoalmente os turistas que vão prestigiá-lo. Fiquei com uma vontade louca de ir até ele e apertar sua mão, e falar alguma coisa do tipo: "isso aqui é sensacional"; mas aí deu vergonha. Vergonha! Logo eu, tão cara de pau pra algumas coisas, fiquei toda travada e acabei desistindo da idéia de conversar com o homem. Quem sabe outro dia...
Mas outro dia talvez não exista, como ele mesmo já sacou. Aos 78 anos, a gente começa a pensar que daqui a pouco a morte chega. Brennand sacou a proximidade da morte, mas não se deixou intimidar: está construindo um grande mausoléu em uma parte do jardim onde se lê "Casa dos Sacrfifícios"(ou algo parecido, não lembro muito bem...). Fúnebre? Nem um pouco. A construção está pintada de vermelho, cheia de esculturas - fálicas ou não - e envolta naquele clima mágico que ele conseguiu criar em todo o espaço.
Aquilo lá parece o País das Maravilhas. E eu confesso que me senti meio Alice.
Friday, November 04, 2005
Viagem parte II - São Luís
Pra quem acha que o Rio é quente, São Luís deve ser tipo a casa de verão do diabo. Fica logo ali, na esquina da linha do Equador, e o sol faz juz à localização. É de rachar qualquer coco. Eu saí todos os dias usando filtro solar 15, boné e óculos escuros e, mesmo assim, quando me olho no espelho fico assustada com meu bronzeado. Há muito tempo eu não tinha uma cor assim tão... saudável. To adorando.
Mas a cidade é demais de maravilhosa para quem está de férias. O surpreendente é que neste polo turístico internacional que é São Luís do Maranhão só existe um hotel cinco estrelas. Perguntei pro Pituíba, nosso motorista-chaveirinho que calça 33, por que grandes redes de hotéis não vieram encher as burras de dinheiro na cidade. Ele me explicou que tudo o que existe de investimento no estado, e principalmente em São Luís, tem que passar pelo crivo do Sarney. Por "crivo" quero dizer que o Sarney tem que ter uma porcentagem, tem que ser sócio, tem que estar participando. Se não, nada feito.
O povo daqui é totalmente mixed feelings em relação a José Sarney: eles são gratos pelos avanços que o político trouxe, e ao mesmo tempo têm raiva porque ele bloqueia novos investimentos. Existe até a piada de que o livro que o Sarney escreveu entitulado "O dono do Mar" na verdade deveria se chamar "O Dono do Maranhão".
Fora esse pequeno detalhe do nosso ex-presidente, o povo de São Luís é incrível. Hospitaleiros, animadíssimos, participantes ativos de festas populares que pipocam o ano inteiro. Digo que é um povo incrível porque eles continuam comemorando e dançando e cantando no meio da grande pobreza que arrasa o estado. Mais uma vez, para quem acha que no Rio de Janeiro existe gente pobre, precisa conhecer Maranhão. É triste demais, e nós, classe média pseudo-européia do sudeste, não estamos preparados para ver meninos de 6 anos com dentes podres. Pra se ter uma idéia.
De São Luís, carrego ombros ardendo e vermelhos, bronzeado a la taxista (daqueles que tem a marca da manga da blusa, saca?), arroz de cuxá, um milhão de maneiras de preparar e comer camarão, Dona Lili - que aos 77 anos é considerada patrimônio cultural da cidade -, centro histórico, guias mirim, passagens subterrâneas que ligavam igrejas e pequenos bumba-meu-boi para dar de presente. Ah, que terra boa...
Mas a cidade é demais de maravilhosa para quem está de férias. O surpreendente é que neste polo turístico internacional que é São Luís do Maranhão só existe um hotel cinco estrelas. Perguntei pro Pituíba, nosso motorista-chaveirinho que calça 33, por que grandes redes de hotéis não vieram encher as burras de dinheiro na cidade. Ele me explicou que tudo o que existe de investimento no estado, e principalmente em São Luís, tem que passar pelo crivo do Sarney. Por "crivo" quero dizer que o Sarney tem que ter uma porcentagem, tem que ser sócio, tem que estar participando. Se não, nada feito.
O povo daqui é totalmente mixed feelings em relação a José Sarney: eles são gratos pelos avanços que o político trouxe, e ao mesmo tempo têm raiva porque ele bloqueia novos investimentos. Existe até a piada de que o livro que o Sarney escreveu entitulado "O dono do Mar" na verdade deveria se chamar "O Dono do Maranhão".
Fora esse pequeno detalhe do nosso ex-presidente, o povo de São Luís é incrível. Hospitaleiros, animadíssimos, participantes ativos de festas populares que pipocam o ano inteiro. Digo que é um povo incrível porque eles continuam comemorando e dançando e cantando no meio da grande pobreza que arrasa o estado. Mais uma vez, para quem acha que no Rio de Janeiro existe gente pobre, precisa conhecer Maranhão. É triste demais, e nós, classe média pseudo-européia do sudeste, não estamos preparados para ver meninos de 6 anos com dentes podres. Pra se ter uma idéia.
De São Luís, carrego ombros ardendo e vermelhos, bronzeado a la taxista (daqueles que tem a marca da manga da blusa, saca?), arroz de cuxá, um milhão de maneiras de preparar e comer camarão, Dona Lili - que aos 77 anos é considerada patrimônio cultural da cidade -, centro histórico, guias mirim, passagens subterrâneas que ligavam igrejas e pequenos bumba-meu-boi para dar de presente. Ah, que terra boa...
Thursday, November 03, 2005
Só no Maranhão você encontra Jesus
Em São Luís, Coca-Cola e Guaraná Antártica não são sucesso. O campeão de vendas na categoria é o Guaraná Jesus, um refrigerante tão rosa, mas tão rosa, que se eu ainda tivesse 16 anos iria tentar pintar o meu cabelo dessa cor. É que aos 16 eu gostava muito de cores não convencionais para cabelos. Anyway, Jesus tem gosto de groselha, canela e água com gás, e exibe, em letras garrafais, o aviso: "Colorido artificialmente". Ah, bom...
Outro dia um guia mirim me contou que a Coca-Cola comprou a produção do refrigerante, e que ele só não é comercializado no resto do Brasil porque o antigo dono, em seu leito de morte, pediu que a distribuição ficasse só no Maranhão. E acabou que a bebida se tornou tão folclórica e popular quanto o bumba-meu-boi e o reggae, e até na loja de artesanato do hotel vendem garrafinhas da marca, altamente inflacionadas: R$1,50 cada.
Eu já sabia que Jesus existia porque um dia entrei em um apartamento que exibia a garrafa de vidro, ainda fechada, como enfeite. Só que a cor já estava desbotada, e o sabor incomparável não podia ser apreciado. Agora, saio de São Luís a caminho do Recife com três garrafas na mala. Uma pra mim, outra pro dono do apartamento onde jazia o refrigerante desbotado, e a terceira para os meus amigos provarem.
Porque todo mundo deveria provar Jesus uma vez na vida.
Outro dia um guia mirim me contou que a Coca-Cola comprou a produção do refrigerante, e que ele só não é comercializado no resto do Brasil porque o antigo dono, em seu leito de morte, pediu que a distribuição ficasse só no Maranhão. E acabou que a bebida se tornou tão folclórica e popular quanto o bumba-meu-boi e o reggae, e até na loja de artesanato do hotel vendem garrafinhas da marca, altamente inflacionadas: R$1,50 cada.
Eu já sabia que Jesus existia porque um dia entrei em um apartamento que exibia a garrafa de vidro, ainda fechada, como enfeite. Só que a cor já estava desbotada, e o sabor incomparável não podia ser apreciado. Agora, saio de São Luís a caminho do Recife com três garrafas na mala. Uma pra mim, outra pro dono do apartamento onde jazia o refrigerante desbotado, e a terceira para os meus amigos provarem.
Porque todo mundo deveria provar Jesus uma vez na vida.
Wednesday, November 02, 2005
Viagem parte I - Fortaleza
A semana passada foi toda cearense. E, cara, como eu gosto do Ceará. Vai ver é porque uma vez tive umas férias maravilhosas em Jericoacoara, e em uma noite na boate moderninha de Fortaleza, o Órbita, eu fiz dezenas de amigos e levei todo mundo pro hotel onde eu estava hospedada, e a galera ficou em festa até que o recepcionista ligou pro meu quarto e disse que se aquele povo todo continuasse lá até depois das 6h, ele teria que cobrar uma diária de cada. Em questão de segundos coloquei todo mundo pra fora, com troca de endereços e emails e a promessa de manter contato. Óbvio que nunca mais falei com nenhum daqueles novos amigos.
Esse era um tempo bom, quando eu era jovem e podia fazer viagens deste tipo. Agora, passei por Fortaleza a trabalho mesmo. E cheguei do vôo e deixei minhas coisas no hotel e saí correndo pra gravar, como costuma ser no meu trabalho. Estômago enrolando de nervoso de não dar tempo de gravar tudo, filtro solar 15, óculos, boné e, mesmo assim, ombro vermelho à noite. E olha que eu adoro tudo isso.
Se bem que eu provei o mar do Ceará no meu segundo dia. Fomos gravar em uma cidadezinha chamada Paracuru, a 1h30 de Fortaleza, que é conhecida entre gente saudável como um windsurf spot. Depois que terminamos tudo, lá para as 5h30, corremos para a praia aproveitando os últimos resquícios de sol. 5h30 aqui já está quase escuro mas, em ,compensação, o dia amanhece bem cedo, tipo 5h da manhã. Ah, sim, e não tem horário de verão. Mas então, lá na praia, terminamos o dia mergulhados naquele mar delicioso, com tudo escuro ao nosso redor, minha bolsa jogada na areia e eu sem nenhum medo de que ela sumisse. Aquilo era Paracuru, pelo amor de deus, e só a empresa onde eu trabalho deve ter mais empregados do que aquela cidade tem de habitantes. E eu acho que todo mundo deveria dar uma passadinha lá pra ver como aquilo funciona.
Mas não é só isso, tem o povo também. Um povo sofrido pra caramba, que faz qualquer pessoa com crises existenciais se achar o ser humano mais ridículo da Terra. O nordeste - principalmente o Ceará - pode ser visto de duas maneiras: daquela em que você curte as praias, volta bronzeado e passa longe da realidade, ou aquela em que você perde o sono tentando imaginar como é que as pessoas daqui fazem pra manter o humor em certas situações. Eu, pra variar, to tentando o caminho do meio.
Esse era um tempo bom, quando eu era jovem e podia fazer viagens deste tipo. Agora, passei por Fortaleza a trabalho mesmo. E cheguei do vôo e deixei minhas coisas no hotel e saí correndo pra gravar, como costuma ser no meu trabalho. Estômago enrolando de nervoso de não dar tempo de gravar tudo, filtro solar 15, óculos, boné e, mesmo assim, ombro vermelho à noite. E olha que eu adoro tudo isso.
Se bem que eu provei o mar do Ceará no meu segundo dia. Fomos gravar em uma cidadezinha chamada Paracuru, a 1h30 de Fortaleza, que é conhecida entre gente saudável como um windsurf spot. Depois que terminamos tudo, lá para as 5h30, corremos para a praia aproveitando os últimos resquícios de sol. 5h30 aqui já está quase escuro mas, em ,compensação, o dia amanhece bem cedo, tipo 5h da manhã. Ah, sim, e não tem horário de verão. Mas então, lá na praia, terminamos o dia mergulhados naquele mar delicioso, com tudo escuro ao nosso redor, minha bolsa jogada na areia e eu sem nenhum medo de que ela sumisse. Aquilo era Paracuru, pelo amor de deus, e só a empresa onde eu trabalho deve ter mais empregados do que aquela cidade tem de habitantes. E eu acho que todo mundo deveria dar uma passadinha lá pra ver como aquilo funciona.
Mas não é só isso, tem o povo também. Um povo sofrido pra caramba, que faz qualquer pessoa com crises existenciais se achar o ser humano mais ridículo da Terra. O nordeste - principalmente o Ceará - pode ser visto de duas maneiras: daquela em que você curte as praias, volta bronzeado e passa longe da realidade, ou aquela em que você perde o sono tentando imaginar como é que as pessoas daqui fazem pra manter o humor em certas situações. Eu, pra variar, to tentando o caminho do meio.
Wednesday, October 26, 2005
Homens que pedem em namoro
Eu tenho um amigo que está saindo com uma menina há alguns meses, mas ainda não sabe se está namorando. Não, ele não tem quinze anos, ele tem quase trinta, já morou com outra namorada e já teve inúmeras outras meninas menos importantes. Mesmo assim, ele ainda se pega questionando se o que vive é ou não um namoro.
E um dia ele conversava comigo no carro para saber se aquilo que ele tinha era um relacionamento oficial, dizendo que ele não queria assustar a menina, e que etc e tal, quando eu perguntei: "Você já pediu ela em namoro?"
Ele riu. E riu mais. E o que eu fiz foi acender um cigarro e esperar que o ataque terminasse.
Por fim, ele parou, olhou pra mim, e respondeu:
- Pedir em namoro? Eu nunca fiz isso na minha vida!
Coitadinho, eu pensei. E falei:
- Coitadinho de você.
Esse meu amigo não sabe o quanto é legal você pedir em namoro. E, pelo visto, essa garota com quem ele está quase-namorando também não vai ouvir da boca dele.
É muito bom responder "sim". Mesmo quando você não tem certeza se é isso que deve fazer no momento. Um homem que pede em namoro já tem um diferencial dos outros. Merece uma atenção melhor, um tratamento especial.
Tá bom, eu confesso que já ouvi a pergunta, e que ela foi essencial para tornar a minha resposta positiva.
As pessoas precisam parar de ter medo e começar a agir de modo mais direto. Dá uma preguiça danada tentar adivinhar o que está rolando entre um casal.
Às vezes dá a maior saudade dos tempos da minha avó. Como a vida devia ser fácil de viver...
E um dia ele conversava comigo no carro para saber se aquilo que ele tinha era um relacionamento oficial, dizendo que ele não queria assustar a menina, e que etc e tal, quando eu perguntei: "Você já pediu ela em namoro?"
Ele riu. E riu mais. E o que eu fiz foi acender um cigarro e esperar que o ataque terminasse.
Por fim, ele parou, olhou pra mim, e respondeu:
- Pedir em namoro? Eu nunca fiz isso na minha vida!
Coitadinho, eu pensei. E falei:
- Coitadinho de você.
Esse meu amigo não sabe o quanto é legal você pedir em namoro. E, pelo visto, essa garota com quem ele está quase-namorando também não vai ouvir da boca dele.
É muito bom responder "sim". Mesmo quando você não tem certeza se é isso que deve fazer no momento. Um homem que pede em namoro já tem um diferencial dos outros. Merece uma atenção melhor, um tratamento especial.
Tá bom, eu confesso que já ouvi a pergunta, e que ela foi essencial para tornar a minha resposta positiva.
As pessoas precisam parar de ter medo e começar a agir de modo mais direto. Dá uma preguiça danada tentar adivinhar o que está rolando entre um casal.
Às vezes dá a maior saudade dos tempos da minha avó. Como a vida devia ser fácil de viver...
Thursday, October 20, 2005
Uma pesquisa mais bizarra
Hoje tentei pesquisar minhas imagens no Google. Coloquei meu nome, cliquei no Google Imagens e apareceu um monte de fotos de cantores gospel.
Que nada tinham a ver com o meu nome. Pelo menos isso.
Que nada tinham a ver com o meu nome. Pelo menos isso.
Wednesday, October 19, 2005
Bernard Cornwell rules!
Eu sou uma amante dos nerds. Na verdade este texto deveria se chamar Nerds rule!, mas aí eu me emocionei com o Bernard Cornwell e resolvi mudar tudo. Mas, como uma amante de nerds, eu mesma já me vi envolvida até o pescoço com comportamentos nerdísdicos de primeira. Já virei noite jogando RPG em ambientação medieval. Já li quase todos os quadrinhos do Sandman. Já usei camisetas de bandas de rock (alguém duvida que não há nada mais nerd do que isso?) e recentemente me vi na festa de uma amiga perguntando baixinho: "Ei, é aquele ali que é o Cardoso?" Quando você participa de uma festa em que a maior celebridade é um blogueiro famoso, você é nerd. E não há nada que se possa fazer para alterar este fato.
E por causa de toda nerdice adquirida, fiquei interessada em histórias da época medieval. Guerra de senhores, Cavaleiros da Távola Redonda, magia e brumas da Inglaterra antiga. Adoro tudo isso. É claro que li todos os volumes de "As Brumas de Avalon", mas isso foi lá pelos meus 14 aninhos, e hoje em dia confesso que acho o livro muito... mulherzinha. E não tenho mais paciência.
Até que conheci Bernard Cornwell. Uma amiga me mandou de presente os volumes de As Crônicas de Arthur, três calhamaços de 300 páginas que eu devorei feliz da vida durante 2004. Não tinha absolutamente nada a ver com As Brumas de Avalon, e eu fiquei particularmente feliz com as descrições de cenas de guerra, com muito sangue, sangue por todo lado, sangue, sangue, sangue. Coisa de quem já jogou RPG.
O sinistro foi me pegar pensando no personagem principal. Pensando mesmo. Andando de ônibus, olhando pela janela e matutando: "O que será que o fulano (não lembro mais o nome...) vai fazer depois que Arthur nomeá-lo soldado?"
Quantos escritores você já leu que o fizeram pensar no personagem principal?
E agora eu me dedico à série Busca do Graal. Me dedico mesmo. Chego em casa, janto e me tranco no quarto. Não vejo TV, não leio jornal, não ligo pra ninguém. O meu negócio é com o Bernard. (Por enquanto)
E por causa de toda nerdice adquirida, fiquei interessada em histórias da época medieval. Guerra de senhores, Cavaleiros da Távola Redonda, magia e brumas da Inglaterra antiga. Adoro tudo isso. É claro que li todos os volumes de "As Brumas de Avalon", mas isso foi lá pelos meus 14 aninhos, e hoje em dia confesso que acho o livro muito... mulherzinha. E não tenho mais paciência.
Até que conheci Bernard Cornwell. Uma amiga me mandou de presente os volumes de As Crônicas de Arthur, três calhamaços de 300 páginas que eu devorei feliz da vida durante 2004. Não tinha absolutamente nada a ver com As Brumas de Avalon, e eu fiquei particularmente feliz com as descrições de cenas de guerra, com muito sangue, sangue por todo lado, sangue, sangue, sangue. Coisa de quem já jogou RPG.
O sinistro foi me pegar pensando no personagem principal. Pensando mesmo. Andando de ônibus, olhando pela janela e matutando: "O que será que o fulano (não lembro mais o nome...) vai fazer depois que Arthur nomeá-lo soldado?"
Quantos escritores você já leu que o fizeram pensar no personagem principal?
E agora eu me dedico à série Busca do Graal. Me dedico mesmo. Chego em casa, janto e me tranco no quarto. Não vejo TV, não leio jornal, não ligo pra ninguém. O meu negócio é com o Bernard. (Por enquanto)
Friday, October 14, 2005
Uma noite para cortar os pulsos
Na próxima sexta eu vou cortar os pulsos. Aviso logo para que depois ninguém fique surpreso com os meus pulsos cortados, já que meus amigos têm mania de achar que eu sou otimista (não sei bem quem inventou isso, mas a verdade é que eu peguei a fama, e agora está difícil de largar). Mas então, semana que vem estarei sozinha no quarto, sem companhia de amigos, porque todos eles estarão no show dos Strokes.
Já foi o tempo que eu me preocupava com shows perdidos. O pior deles foi o dos Beatsie Boys, quando tocaram no Rio e o meu pai não me deixou ir porque era ano de vestibular. Longínquos 1993. Na época pensei: "what the hell, uma hora os caras voltam". Mas eles nunca mais voltaram, e eu lembro com amargura da apresentação tão cobiçada que eu perdi.
Ano passado a história se repetiu, mas com uma sutil diferença: perdi a vinda dos Pixies, só que dessa vez foi por causa de trabalho e não por causa do meu pai. Tinha ficado uns bons meses na rua da amargura, e quando finalmente algum trabalho apareceu, eu tinha que começar a labuta no mesmo dia da apersentação dos caras lá em Curitiba. Dessa vez pensei: "Que coisa adulta", o que é sempre pior que pensar "what the hell". E os caras não vão mais voltar.
Agora é a vez dos Strokes. Não me perocupei em comprar os ingressos - que acabaram em quatro dias, por sinal - porque tinha uma viagem marcada. Os dias passam e a minha viagem é transferida para uma semana depois. Mas daí é tarde demais. Não existem mais ingressos disponíveis, e todos os meus amigos - to-dos - estarão lá.
Bom, pode ser que eu não corte os pulsos na próxima sexta e decida, ao invés da investida dramática, ir ao cinema. Ainda não sei. Até lá eu me decido.
Já foi o tempo que eu me preocupava com shows perdidos. O pior deles foi o dos Beatsie Boys, quando tocaram no Rio e o meu pai não me deixou ir porque era ano de vestibular. Longínquos 1993. Na época pensei: "what the hell, uma hora os caras voltam". Mas eles nunca mais voltaram, e eu lembro com amargura da apresentação tão cobiçada que eu perdi.
Ano passado a história se repetiu, mas com uma sutil diferença: perdi a vinda dos Pixies, só que dessa vez foi por causa de trabalho e não por causa do meu pai. Tinha ficado uns bons meses na rua da amargura, e quando finalmente algum trabalho apareceu, eu tinha que começar a labuta no mesmo dia da apersentação dos caras lá em Curitiba. Dessa vez pensei: "Que coisa adulta", o que é sempre pior que pensar "what the hell". E os caras não vão mais voltar.
Agora é a vez dos Strokes. Não me perocupei em comprar os ingressos - que acabaram em quatro dias, por sinal - porque tinha uma viagem marcada. Os dias passam e a minha viagem é transferida para uma semana depois. Mas daí é tarde demais. Não existem mais ingressos disponíveis, e todos os meus amigos - to-dos - estarão lá.
Bom, pode ser que eu não corte os pulsos na próxima sexta e decida, ao invés da investida dramática, ir ao cinema. Ainda não sei. Até lá eu me decido.
Thursday, October 13, 2005
Pesquisando pessoas no Google
Que atire a primeira pedra quem nunca colocou seu próprio nome no Google só pra ver o que aparece. Um dia comentei com uma antiga chefe que tinha feito esta experiência, e uma semana depois ela chegou ao trabalho com um globo de presente pra mim, seguido com a fala: "Isso aqui é pra você ver quantos lugares no mundo você ainda não conhece, e quanta gente mora em todo esse espaço. Pense nisso ao invés de pesquisar seu nome no Google" Foi uma fala de impacto, mas dita com muito cuidado, e por isso, no final, eu acabei concordando com ela. Mas hoje - só de curiosidade, sabe como é - eu pesquisei meu nome de novo.
E aparece tanta coisa bizarra! A maioria é de links pro meu blog antigo, o Pequenas Observações sobre Coisas sem Importância, que era um sucesso absoluto de público e bilheteria - mas que foi tirado do ar pela Globo.com porque eu fiquei dois meses sem atualizar. Bastards. Mas o engraçado é que não aparece uma linhazinha sequer deste meu novo diarinho de pensamentos pequenos e rasos, e eu não sei por quê. Vai ver é porque eu não escrevo o meu nome aqui em nenhum lugar. (Então que fique logo registrado BRUNA PAIXÃO. Tomara que agora o Google me localize).
Só que esquisita mesmo é essa mania que eu tenho de pesquisar outras pessoas na internet. Ou melhor: de pesquisar possíveis príncipes encantados. Será que só eu faço isso?
Acho incrível o quanto você pdoe descobrir sobre alguém usando a internet. Você descobre até o que não quer descobrir. Vê fotos que nunca deveria ver, lê textos que não deveriam estar publicados, é um desastre só. E mesmo sabendo de tudo isso, continuo fazendo. Uma vergonha.
Pesquisar pessoas no Google é feio, feio, feio. Mas às vezes eu não resito...
E aparece tanta coisa bizarra! A maioria é de links pro meu blog antigo, o Pequenas Observações sobre Coisas sem Importância, que era um sucesso absoluto de público e bilheteria - mas que foi tirado do ar pela Globo.com porque eu fiquei dois meses sem atualizar. Bastards. Mas o engraçado é que não aparece uma linhazinha sequer deste meu novo diarinho de pensamentos pequenos e rasos, e eu não sei por quê. Vai ver é porque eu não escrevo o meu nome aqui em nenhum lugar. (Então que fique logo registrado BRUNA PAIXÃO. Tomara que agora o Google me localize).
Só que esquisita mesmo é essa mania que eu tenho de pesquisar outras pessoas na internet. Ou melhor: de pesquisar possíveis príncipes encantados. Será que só eu faço isso?
Acho incrível o quanto você pdoe descobrir sobre alguém usando a internet. Você descobre até o que não quer descobrir. Vê fotos que nunca deveria ver, lê textos que não deveriam estar publicados, é um desastre só. E mesmo sabendo de tudo isso, continuo fazendo. Uma vergonha.
Pesquisar pessoas no Google é feio, feio, feio. Mas às vezes eu não resito...
Tuesday, October 11, 2005
Amanhã é feriado! Mas não pra mim...
Amanhã terei que trabalhar. Eu já deveria ter me acostumado a não ter feriado, horário, fim de semana ou qualquer outro tipo de day off institucionalizado. Afinal de contas, faz parte da minha profissão. Acontece que à medida que o tempo passa, menos paciência eu tenho para expedientes em dias que deveriam ser de folga.
Quando comecei a brincar de adulta, eu achava o máximo falar que estava super cansada de tanto trabalho. É essa veia workaholic que eu tenho e que agora eu luto tanto para fazer com que ela cale a boca. Mas no meu primeiro emprego ela gritava a altos brados. Fizesse chuva ou sol, fosse natal ou véspera de ano novo, lá estava eu em frente ao meu computador, suportando um calorão (é que desligavam o ar condicionado central do edifício nos dias que não eram "úteis", como se já não bastasse todo o resto), com o ICQ ligado e digitando loucamente.
Também, pudera: nessa época eu tinha pouco dinheiro, não tinha namorado, não gostava de praia e podia chegar na redação lá pelo meio-dia. O que rolava era que eu saía todos os dias e ia trabalhar todos os dias. Uma pessoa feliz.
Mas agora eu tenho uma puta inveja de quem tem um emprego de 8h às 5h, que tem fim de semana, que tem feriado, que tem férias remuneradas, décimo terceiro e licença maternidade. E essas pessoas são cada vez mais raras. Cada vez mais....
***
By the way, tem um textinho meu na Mood sobre o Nokia Trends do Rio. Não procurem informações corretas, trata-se apenas de uma visão muito pessoal de uma festa para muitos.
Enfim, quem puder, passa lá.
Quando comecei a brincar de adulta, eu achava o máximo falar que estava super cansada de tanto trabalho. É essa veia workaholic que eu tenho e que agora eu luto tanto para fazer com que ela cale a boca. Mas no meu primeiro emprego ela gritava a altos brados. Fizesse chuva ou sol, fosse natal ou véspera de ano novo, lá estava eu em frente ao meu computador, suportando um calorão (é que desligavam o ar condicionado central do edifício nos dias que não eram "úteis", como se já não bastasse todo o resto), com o ICQ ligado e digitando loucamente.
Também, pudera: nessa época eu tinha pouco dinheiro, não tinha namorado, não gostava de praia e podia chegar na redação lá pelo meio-dia. O que rolava era que eu saía todos os dias e ia trabalhar todos os dias. Uma pessoa feliz.
Mas agora eu tenho uma puta inveja de quem tem um emprego de 8h às 5h, que tem fim de semana, que tem feriado, que tem férias remuneradas, décimo terceiro e licença maternidade. E essas pessoas são cada vez mais raras. Cada vez mais....
***
By the way, tem um textinho meu na Mood sobre o Nokia Trends do Rio. Não procurem informações corretas, trata-se apenas de uma visão muito pessoal de uma festa para muitos.
Enfim, quem puder, passa lá.
Monday, October 10, 2005
Festa de amigos dos amigos
Sexta-feira em Santa Teresa, bem em frente à bela paisagem de pequenas luzes do Morro dos Prazeres. Digam o que quiser, mas eu acho que a favela à noite é muito bonita, toda iluminada por milhares de casas, casebres, barracos e prédios de três andares. Do outro lado da vista estava eu, debruçada sobre uma janela de apartamento, esperando que a sala ficasse cheia. É que cheguei muito cedo na festa, e como não conhecia ninguém, esperei pela música alta na companhia de coca-cola + vodka. Adoro.
Eu gosto dessas festas em casa de amigos, com músicas que todo mundo gosta e a sensação de que a casa poderia ser sua. Quer dizer, graças a deus a casa não era minha, porque o povo estava empolgado e o meu lado virginiano de primeiro decanato provavelmente ficaria freaking out com toda aquela animação. Mas é bem possível que nenhum virgiano morasse naquele prédio inteiro, a julgar pelo barulho que a gente fazia. Não houve reclamação por parte de nenhum vizinho, e isso foi realmente incrível.
Tinha esquecido de como era divertido sair para este tipo de festa. Tanto que às 4h da manhã pessoas decidiram dar uma passadinha ali no Riocenacontemporânea. Uma passadinha às 4h da manhã em qualquer lugar era algo que eu nao fazia há muito, mas muito tempo mesmo. E foi neste estado de espírito que cheguei à Estação Leopoldina.
Descobri todo um mundo novo depois desse final de semana. Descobri que é divertido ter namorado e sair sozinha, principalmente porque dessa forma a gente não carrega aquele eterno pensamento "será que hoje vou conhecer alguém interessante?" - pensamento este que nos persegue mesmo quando não estamos interessadas em ninguém.
Depois de uma hora de Riocenacontemporânea e Estação Leopoldina, decidi que a minha noite estava completa. Cheguei em casa e tirei os sapatos para não acordar o resto da casa, até que me joguei na minha caminha de solteiro. Não tenho certeza, mas acho que a noite tinha se transformado em 1998. Ou talvez até antes disso.´
É ótimo ser jovem de novo.
Eu gosto dessas festas em casa de amigos, com músicas que todo mundo gosta e a sensação de que a casa poderia ser sua. Quer dizer, graças a deus a casa não era minha, porque o povo estava empolgado e o meu lado virginiano de primeiro decanato provavelmente ficaria freaking out com toda aquela animação. Mas é bem possível que nenhum virgiano morasse naquele prédio inteiro, a julgar pelo barulho que a gente fazia. Não houve reclamação por parte de nenhum vizinho, e isso foi realmente incrível.
Tinha esquecido de como era divertido sair para este tipo de festa. Tanto que às 4h da manhã pessoas decidiram dar uma passadinha ali no Riocenacontemporânea. Uma passadinha às 4h da manhã em qualquer lugar era algo que eu nao fazia há muito, mas muito tempo mesmo. E foi neste estado de espírito que cheguei à Estação Leopoldina.
Descobri todo um mundo novo depois desse final de semana. Descobri que é divertido ter namorado e sair sozinha, principalmente porque dessa forma a gente não carrega aquele eterno pensamento "será que hoje vou conhecer alguém interessante?" - pensamento este que nos persegue mesmo quando não estamos interessadas em ninguém.
Depois de uma hora de Riocenacontemporânea e Estação Leopoldina, decidi que a minha noite estava completa. Cheguei em casa e tirei os sapatos para não acordar o resto da casa, até que me joguei na minha caminha de solteiro. Não tenho certeza, mas acho que a noite tinha se transformado em 1998. Ou talvez até antes disso.´
É ótimo ser jovem de novo.
Friday, October 07, 2005
Cheiros
Cheiros inesperados são deliciosos. Daquele tipo que a gente está passando e de repente sente um perfume e pensa: nossa, esse é de fulano. Ou então aqueles que imediatamente trazem sensações e sentimentos de volta, ou que lembram uma época específica. Adoro os cheiros.
Lembro que certa vez, lá pelo começo das aulas na faculdade, conheci um menino que me rendeu um ou dois encontros de verão. Nada mais que isso porque eu andava apaixonada por outro, e eu sou assim mesmo, fiel até a paixões não correspondidas. E depois eu nunca mais vi o menininho, que era uma pessoa legal, mas que parava por aí. Anos depois, quando terminei a faculdade, encontrei com o tal cara sem querer e a gente parou no Leblon pra tomar um café e colocar as novidades em dia. Papo vai, papo vem e, na despedida, trocamos um abraço. Nessa hora, ele vem com a surpreendente frase: "Nossa, você ainda usa o mesmo perfume!" E uso mesmo. Le Male do Jean Paul Gaultier, o qual sou cliente desde os dezoito aninhos, quando ganhei um frasco e passei a usar só porque não tinha outra marca disponível no momento. Perfumes masculinos são irresistíveis para mim.
E aí ontem, desfazendo a mala de roupas que estavam espalhadas em uma casa que não é a minha, veio um cheiro de surpresa, um cheiro de uma pessoa que não sou eu. Respirei fundo. Era como se a pessoa que não sou eu estivesse lá ao meu lado, o que me fez lembrar de várias situações interessantes e engraçadas, e eu sorri de saudade.
Tem gente que precisa de fotos, tem gente que precisa de músicas, tem gente que precisa de longas conversas ao telefone. Eu só preciso da fragância certa.
Lembro que certa vez, lá pelo começo das aulas na faculdade, conheci um menino que me rendeu um ou dois encontros de verão. Nada mais que isso porque eu andava apaixonada por outro, e eu sou assim mesmo, fiel até a paixões não correspondidas. E depois eu nunca mais vi o menininho, que era uma pessoa legal, mas que parava por aí. Anos depois, quando terminei a faculdade, encontrei com o tal cara sem querer e a gente parou no Leblon pra tomar um café e colocar as novidades em dia. Papo vai, papo vem e, na despedida, trocamos um abraço. Nessa hora, ele vem com a surpreendente frase: "Nossa, você ainda usa o mesmo perfume!" E uso mesmo. Le Male do Jean Paul Gaultier, o qual sou cliente desde os dezoito aninhos, quando ganhei um frasco e passei a usar só porque não tinha outra marca disponível no momento. Perfumes masculinos são irresistíveis para mim.
E aí ontem, desfazendo a mala de roupas que estavam espalhadas em uma casa que não é a minha, veio um cheiro de surpresa, um cheiro de uma pessoa que não sou eu. Respirei fundo. Era como se a pessoa que não sou eu estivesse lá ao meu lado, o que me fez lembrar de várias situações interessantes e engraçadas, e eu sorri de saudade.
Tem gente que precisa de fotos, tem gente que precisa de músicas, tem gente que precisa de longas conversas ao telefone. Eu só preciso da fragância certa.
Thursday, October 06, 2005
No escritório
No trabalho são anunciados planos mirabolantes de sucesso incontestável. Mas como eu sou mercenária, tudo o que penso é em ganhar um aumento. Outro dia li no meu horóscopo que esse era um bom mês para melhorar as finanças, mas até agora ninguém bateu no meu ombro e disse: "hmmm, você está merecendo ganhar mais". Então acho que sou eu que tenho que me mexer.
Uma coisa que não suporto no ambiente de trabalho é fofoca. E como tem, meu deus. O quanto cresce a fofoca é o quanto eu me distancio do grupo. E aí acaba que eu não sou convidada para festas e chopes do pessoal do escritório, o que realmente me incomoda. Odeio não ser convidada para festas, mesmo que eu não tenha a mínima pretensão de aparecer. Esse é um dos mes 4.723 defeitos.
No trabalho, é preciso ser diplomático, dizem os livros de auto-ajuda que eu não li. Mas me falta essa diplomacia, e o máximo que eu consigo é ficar de longe rindo das piadas maldosas, um pouco incomodada, com certa culpa sobre os ombros.
Ainda bem que está chegando o fim de semana.
Uma coisa que não suporto no ambiente de trabalho é fofoca. E como tem, meu deus. O quanto cresce a fofoca é o quanto eu me distancio do grupo. E aí acaba que eu não sou convidada para festas e chopes do pessoal do escritório, o que realmente me incomoda. Odeio não ser convidada para festas, mesmo que eu não tenha a mínima pretensão de aparecer. Esse é um dos mes 4.723 defeitos.
No trabalho, é preciso ser diplomático, dizem os livros de auto-ajuda que eu não li. Mas me falta essa diplomacia, e o máximo que eu consigo é ficar de longe rindo das piadas maldosas, um pouco incomodada, com certa culpa sobre os ombros.
Ainda bem que está chegando o fim de semana.
Wednesday, October 05, 2005
Adultos
Quando nosso amigos começam a arredondar para cima sua conta no bar, isso é sinal de que estamos virando adultos. Quando passamos a escolher o que vamos comer sem olhar a coluna da direita - a dos preços - isso é sinal de que viramos adultos e ganhamos razoavelmente bem. Agora, quando damos uma festa de aniversário em um bar e a conta final dá muito menos do que o bolo de dinheiro + ticket, e decidimos continuar a festa com o dinheiro que sobrou, isso é sinal de que não queremos virar adultos. Principalmente se essa festa estiver acontecendo em uma terça-feira.
Tenho problemas em usar a palavra "adulta" para me descrever. Isso só funciona quando quero afirmar que sou uma pessoa consciente de todas as merdas que eu faço. Nesse caso, posso usar frases do tipo: "Eu sei onde estou me metendo, sou uma pessoa adulta" - mesmo quando não faço a mínima idéia do que estará por vir. Aliás, não ter idéia do que vai acontecer é um dos aspectos que mais me seduz em qualquer situação. E talvez explique por que não gosto de me chamar de adulta.
Ontem foi aniversário de doze anos da minha irmã mais nova, e nós fomos comemorar a data comendo um mega hamburguer com cebola frita, cogumelos, queijo e bacon no Friday´s. Uma das coisas boas de ser adulta e não aceitar essa situação é que ter dinheiro para pagar mega hamburgueres em franquias americanas super caras.
A grande diferença entre minha irmã e eu - além dos 16 anos que nos separam - é que ela pediu coca normal, enquanto eu bebiba coca light.
Não tem jeito, um deslize ou outro sempre nos lembram a nossa verdadeira idade.
(principalmente se for levado em conta que ela não tem celulite nenhuma, enquanto que eu...)
Tenho problemas em usar a palavra "adulta" para me descrever. Isso só funciona quando quero afirmar que sou uma pessoa consciente de todas as merdas que eu faço. Nesse caso, posso usar frases do tipo: "Eu sei onde estou me metendo, sou uma pessoa adulta" - mesmo quando não faço a mínima idéia do que estará por vir. Aliás, não ter idéia do que vai acontecer é um dos aspectos que mais me seduz em qualquer situação. E talvez explique por que não gosto de me chamar de adulta.
Ontem foi aniversário de doze anos da minha irmã mais nova, e nós fomos comemorar a data comendo um mega hamburguer com cebola frita, cogumelos, queijo e bacon no Friday´s. Uma das coisas boas de ser adulta e não aceitar essa situação é que ter dinheiro para pagar mega hamburgueres em franquias americanas super caras.
A grande diferença entre minha irmã e eu - além dos 16 anos que nos separam - é que ela pediu coca normal, enquanto eu bebiba coca light.
Não tem jeito, um deslize ou outro sempre nos lembram a nossa verdadeira idade.
(principalmente se for levado em conta que ela não tem celulite nenhuma, enquanto que eu...)
Tuesday, October 04, 2005
Namorado
Como de costume, acordei ainda louca de sono, e fiz mentalmente a lista das tarefas que deveria realizar hoje. Funciona como uma espécie de fator de expulsão da cama, já que eu não estava, também como de costume, com a mínima vontade de levantar. Uma coisa é você ser obrigada a acordar porque precisa chegar a certa reunião às 9h da manhã. Outra bem diferente é ter a reunião marcada para as 14h e ter que chegar às 10h só para não ficar muito feio. Em um Universo perfeito, hoje eu sairia de casa às 13h, para chegar ao trabalho a tempo do meu encontro profissional. Mas como nem o meu trabalho, nem eu, nem o universo são perfeitos, foi com muito esforço que me chutei da cama uns vinte minutos depois do despertador começar a tocar. E só consegui me chutar usando a técnica da lista mental de tarefas do dia.
Se de manhã me obrigo a ficar ligada nas ocupações e deveres de um ser quase totalmente responsável, à noite quero, desesperadamente, deixar tudo para trás. Também inventei uma técnica particular para me desvincular de todo o peso de trabalho + pressão + pouco dinheiro, e essa técnica se chama "namorado". Basta eu pensar um pouquinho nele e pronto: em questão de minutos estou pulando as nuvens junto com meus carneirinhos. E só volto a mim na manhã seguinte, quando o despertador toca.
Fora isso, bem, estou entediada. Acordo entediada, chego ao trabalho entediada, converso aparantemente animada - mas no fundo estou transbordando de tédio. Parece que as coisas estão se movendo em câmera lenta, e isso me dá uma impaciência louca. Não tenho tido saco nem comigo mesma. Como se faz para tirar férias de si mesma? Na verdade, pouca gente sabe, mas existe uma maneira de parar de encher o próprio saco. E essa maneira se chama... "namorado".
Só que o meu está longe. Quilômetros de distância. E aí eu sou obrigada a me agüentar até poder voltar ao normal.
Ai, que tédio.
***
Se bem que aconteceu um milagre. Meu peixe não morreu. E eu juro que ele estava seguindo a luz branca na última vez que o vi. Eu juro que ele já estava com um pézinho lá no céu dos peixes. Mas ele voltou a si e ontem, quando me viu, fez festa pedindo comida.
Vai ver não era a hora dele ainda.
Se de manhã me obrigo a ficar ligada nas ocupações e deveres de um ser quase totalmente responsável, à noite quero, desesperadamente, deixar tudo para trás. Também inventei uma técnica particular para me desvincular de todo o peso de trabalho + pressão + pouco dinheiro, e essa técnica se chama "namorado". Basta eu pensar um pouquinho nele e pronto: em questão de minutos estou pulando as nuvens junto com meus carneirinhos. E só volto a mim na manhã seguinte, quando o despertador toca.
Fora isso, bem, estou entediada. Acordo entediada, chego ao trabalho entediada, converso aparantemente animada - mas no fundo estou transbordando de tédio. Parece que as coisas estão se movendo em câmera lenta, e isso me dá uma impaciência louca. Não tenho tido saco nem comigo mesma. Como se faz para tirar férias de si mesma? Na verdade, pouca gente sabe, mas existe uma maneira de parar de encher o próprio saco. E essa maneira se chama... "namorado".
Só que o meu está longe. Quilômetros de distância. E aí eu sou obrigada a me agüentar até poder voltar ao normal.
Ai, que tédio.
***
Se bem que aconteceu um milagre. Meu peixe não morreu. E eu juro que ele estava seguindo a luz branca na última vez que o vi. Eu juro que ele já estava com um pézinho lá no céu dos peixes. Mas ele voltou a si e ontem, quando me viu, fez festa pedindo comida.
Vai ver não era a hora dele ainda.
Monday, October 03, 2005
Meu peixe está morrendo
Outro dia acordei e o meu peixe estava morrendo. Eu percebi que ele não andava lá essas coisas, comia pouco, nadava menos ainda, e nem se animava quando eu entrava no quarto. É que, em condições normais, o meu peixe ficava muito feliz quando me via, já que eu era sinal de que ele receberia comida. Mas nos últimos tempos ele mal chegava na beira da água à procura da raçãozinha quase diária. E outro dia, finalmente, eu vi que ele não passaria de algumas horas.
Mas o que você faz quando um peixe está agonizando? Nada. Não é como um cachorro, ou um gato, que você pode levar pro veteriário e esperar por um milagre. Quando um peixe agoniza, o máximo que podemos fazer é esperar pela hora da morte. Como eu sou uma pessoa cheia de compromissos inadiáveis, tive que deixar o peixe moribundo pra trás, e desde então não pus mais os pés em casa. Há três dias não apareço por lá. Não consigo pensar no que vou fazer com meu peixinho morto, boiando de barriga pra cima. Vai ter o mesmo fim que tantos outros já tiveram. É o caminho natural das coisas.
E então, diante de toda a minha impotência naquela situação de quase-morte, eu mandei uma mensagem no celular para alguém que entenderia. A mensagem dizia apenas : "Meu peixe está morrendo." Cinco minutos depois, a resposta veio: "Ahh..."
Era só disso que eu precisava.
Não é todo mundo que entende o que você sente quando o seu peixe está morrendo. Quando se encontra uma pessoa assim, é preciso aproveitar com todos os poros o que ela tem a oferecer a você. Eu já sabia disso, mas a cada minuto mais um detalhe me confirma que é verdade.
Pessoas que entendem o peso da morte de um peixe entedem também de muitas outras coisas. É por isso que eu não abro mão de gente assim por nada no mundo.
Quando você voltar, o aquário vai estar limpo, com um novo morador, só esperando para que você o conheça.
Até lá, todos as minhas mensagens de celular estarão em silêncio. Simplesmente porque não adianta tentar de outra forma.
Mas o que você faz quando um peixe está agonizando? Nada. Não é como um cachorro, ou um gato, que você pode levar pro veteriário e esperar por um milagre. Quando um peixe agoniza, o máximo que podemos fazer é esperar pela hora da morte. Como eu sou uma pessoa cheia de compromissos inadiáveis, tive que deixar o peixe moribundo pra trás, e desde então não pus mais os pés em casa. Há três dias não apareço por lá. Não consigo pensar no que vou fazer com meu peixinho morto, boiando de barriga pra cima. Vai ter o mesmo fim que tantos outros já tiveram. É o caminho natural das coisas.
E então, diante de toda a minha impotência naquela situação de quase-morte, eu mandei uma mensagem no celular para alguém que entenderia. A mensagem dizia apenas : "Meu peixe está morrendo." Cinco minutos depois, a resposta veio: "Ahh..."
Era só disso que eu precisava.
Não é todo mundo que entende o que você sente quando o seu peixe está morrendo. Quando se encontra uma pessoa assim, é preciso aproveitar com todos os poros o que ela tem a oferecer a você. Eu já sabia disso, mas a cada minuto mais um detalhe me confirma que é verdade.
Pessoas que entendem o peso da morte de um peixe entedem também de muitas outras coisas. É por isso que eu não abro mão de gente assim por nada no mundo.
Quando você voltar, o aquário vai estar limpo, com um novo morador, só esperando para que você o conheça.
Até lá, todos as minhas mensagens de celular estarão em silêncio. Simplesmente porque não adianta tentar de outra forma.
Thursday, August 18, 2005
Eu odeio aproveitar o dia intensamente
Sempre que estou sem assunto, dou uma passadinha em blogs alheios. Eu sou uma usurpadora, um chupa-cabra de idéias dos outros, portanto cuidado na hora em que me contarem algum projeto mirabolante. Eu posso esquecer toda a minha ética em momentos como esse.
Um ponto positivo é que eu sempre cito de onde roubei o tema. Será que isso faz de mim uma pessoa menos rata? Anyway, estava eu muito entediada na casa do meu namorado (ele não estava, é claro), quando resolvi espiar o blog da Baxt. E lá pelo meio tnha um negócio falando sobre Carpe Diem, etc, e o resto eu não vou contar porque tenho preguiça, portanto quem se interessar que passe lá pelo site dela.
E daí eu me lembrei de que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, todas as campanhas publicitárias norte-americanas abordavam o tema "aproveite a sua vida enquanto é tempo". Não sei se foi nesse momento que nasceu um certo asco por tudo o que envolve aproveitar o momento, cease the day e todo o resto que diziam na Sociedade dos Poetas Mortos, ou se esse sentimento já vinha crescendo em mim havia um tempo. Talvez tenha sido uma mistura dos dois fatores, um negócio que começou de um jeito e terminou de forma explosiva no pós ataque ao World Trade Center. O fato é que eu simplesmente odeio a idéia de ter que aproveitar a vida intensamente.
O que é meio estranho. Porque na adolescência, lembro bem, eu era uma mistura de hippie-gótica-punk-alternativa (deu pra imaginar?) e adorava colecionar frases de celebridades do rock que tinham morrido jovens. Escrevia na agenda "live fast, die young" e coisas do gênero. Quando ficava em casa muito tempo sem fazer nada, começava a sentir a ação do que meu pai chamava de bicho-carpinteiro e queria ir pra rua, descobrir as coisas, viver aventuras. Pelo menos era assim que eu encarava os meus dias. E, naquela época, qualquer quarta-feira à tarde com amigos depois do colégio era uma diversão sem precedentes.
Mas essa época passou, e agora tudo o que eu procuro fazer nos finais de semana é ficar quieta no meu canto e pisar levemente na jaca à noite. Todo sábado eu me programo para ir à praia- ao cinema - à exposição - ao anima mundi (quando tinha) - ao aterro do flamengo para patinar de rolleer, etc. E, no final, acabo é passando a tarde assistindo ao especial de Seinfeld na Sony, para depois tirar uma sonequinha, para depois acordar e tomar banho e sair. E olha que eu já acho isso muito.
Um ponto positivo é que eu sempre cito de onde roubei o tema. Será que isso faz de mim uma pessoa menos rata? Anyway, estava eu muito entediada na casa do meu namorado (ele não estava, é claro), quando resolvi espiar o blog da Baxt. E lá pelo meio tnha um negócio falando sobre Carpe Diem, etc, e o resto eu não vou contar porque tenho preguiça, portanto quem se interessar que passe lá pelo site dela.
E daí eu me lembrei de que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, todas as campanhas publicitárias norte-americanas abordavam o tema "aproveite a sua vida enquanto é tempo". Não sei se foi nesse momento que nasceu um certo asco por tudo o que envolve aproveitar o momento, cease the day e todo o resto que diziam na Sociedade dos Poetas Mortos, ou se esse sentimento já vinha crescendo em mim havia um tempo. Talvez tenha sido uma mistura dos dois fatores, um negócio que começou de um jeito e terminou de forma explosiva no pós ataque ao World Trade Center. O fato é que eu simplesmente odeio a idéia de ter que aproveitar a vida intensamente.
O que é meio estranho. Porque na adolescência, lembro bem, eu era uma mistura de hippie-gótica-punk-alternativa (deu pra imaginar?) e adorava colecionar frases de celebridades do rock que tinham morrido jovens. Escrevia na agenda "live fast, die young" e coisas do gênero. Quando ficava em casa muito tempo sem fazer nada, começava a sentir a ação do que meu pai chamava de bicho-carpinteiro e queria ir pra rua, descobrir as coisas, viver aventuras. Pelo menos era assim que eu encarava os meus dias. E, naquela época, qualquer quarta-feira à tarde com amigos depois do colégio era uma diversão sem precedentes.
Mas essa época passou, e agora tudo o que eu procuro fazer nos finais de semana é ficar quieta no meu canto e pisar levemente na jaca à noite. Todo sábado eu me programo para ir à praia- ao cinema - à exposição - ao anima mundi (quando tinha) - ao aterro do flamengo para patinar de rolleer, etc. E, no final, acabo é passando a tarde assistindo ao especial de Seinfeld na Sony, para depois tirar uma sonequinha, para depois acordar e tomar banho e sair. E olha que eu já acho isso muito.
Wednesday, August 17, 2005
Terra do Nunca
A menos que todas estas coisas não sejam verdade - todas estas coisas que você me fala quase todos os dias, sobre amor e ficar junto e destino e tudo mais - a menos que nada disso seja verdade, então eu não tenho motivo para me preocupar com os outros (e com as outras, principalmente). Mas se na verdade tudo o que você me diz não passa de fantasia (veja bem, não digo que seja mentira, e sim fantasia, porque quando a gente mente a gente procura deliberadamente prejudicar o outro, enquanto que quando a gente fantasia, queríamos que aquilo se tornasse realidade) - então, se tudo o que você me diz não passa de fantasia, aí sim eu teria que me preocupar com traições morais, psicológicas e sexuais. E eu bem que acho que você é chegado inocentemente a uma fantasia, como naquele dia em que você disse que me amava. Hoje eu sei que você pode realmente me amar - já se passou tanto tempo e tal, e continuamos juntos e tal -, mas, naquele tempo, acho que você não me amava de verdade, mas você queria desesperadamente que aquilo se tornasse realidade, e então você falou a tal frase original: eu te amo. E aí eu ouvi e repeti que eu também, embora eu fosse exatamente como você: não amava, mas queria amar. E sabia que era só questão de tempo.
Como naquela outra vez em que a gente tinha bebido demais e eu estava levíssima, mais leve que o ar, flutuando entre os fogos, toda feliz porque estava rasa como muitas pessoas aparentemente felizes são, e então você me olhou bem sério - ok, nem tão sério assim - e segurou meus cabelos enquanto eu vomitava no jardim - eu nunca fui muito boa com bebidas, a menos que sejam destilados - e eu disse que tudo bem, e agora: olha aí.
Mas eu deveria saber, desde aquele dia, que você é chegado em um faz-de-conta, que você vive numa Disneylândia pessoal, e que quer transformar tudo em Vocelândia. Eu deveria ter percebido mas, por outro lado, isso não faria a mínima diferença. Afinal, eu também gosto de um conto-de-fadas. E outro dia mesmo eu vi a Sininho.
Como naquela outra vez em que a gente tinha bebido demais e eu estava levíssima, mais leve que o ar, flutuando entre os fogos, toda feliz porque estava rasa como muitas pessoas aparentemente felizes são, e então você me olhou bem sério - ok, nem tão sério assim - e segurou meus cabelos enquanto eu vomitava no jardim - eu nunca fui muito boa com bebidas, a menos que sejam destilados - e eu disse que tudo bem, e agora: olha aí.
Mas eu deveria saber, desde aquele dia, que você é chegado em um faz-de-conta, que você vive numa Disneylândia pessoal, e que quer transformar tudo em Vocelândia. Eu deveria ter percebido mas, por outro lado, isso não faria a mínima diferença. Afinal, eu também gosto de um conto-de-fadas. E outro dia mesmo eu vi a Sininho.
Tuesday, August 16, 2005
Sábados
Ai, que preguiça disso tudo de novo: pista enfumaçada, São Jorge sobre a porta e som ensurdecedor vindo dos quatro cantos do mundo. Acabei de acordar porque agora, no Rio, ou a gente tira um bom cochilo antes de sair à noite, ou tem que apelar para barbitúricos. Como eu já me considero velha demais para o delsumbramento adolescente das drogas, resolvo que dormir uma horinha à tarde é a minha alternativa. Mas que nada, esta foi uma péssima opção: chego no Dama de Ferro às quatro da manhã com a cara exata de quem acabou de acordar.
Lá em cima, pessoas estão se acotovelando, meninas muito magras seguram drinks rosas e formam-se almôndegas humanas remanescentes de 1997. Apesar de tudo, eu gosto daqui. Basicamente, o problema são as outras pessoas. As que me fazem bocejar. Me aproximo do bar para beber qualquer coisa e ouço a conversa ao lado (é que eu adoro ouvir a conversa ao lado. Não que seja uma questão de fofoca, mas sim de genuíno interesse no exemplar humano à primeira vista, antes de começar a sentir sono com comportamentos repetitivos):
- ... eu liguei pra ele e ele disse que vinha pra cá, ele tem uma namorada, mas a relação está mal das pernas, eu gosto dele mas ele não larga a namorada por mim, outro dia ele passou lá em casa e a gente começou a transar e no meio do sexo a namorada ligou, foi realmente muito constrangedor, mas eu não sei o que ele vê nela, ela é meio gordinha e se veste muito mal, ela nunca sai com ele, não gosta do tipo de música que ele gosta, daí ele fica sozinho por aí, todo interessante, dando sopa para as meninas que vão a bares gays e que têm pouca opção, ela pede mesmo pra ser corna, tadinha...
(Suspiro) Somos todos uns certinhos travestidos de modernos. Os preconceitos são os mesmos no Dama de Ferro ou no Bombar, só que aqui as pessoas usam mais piercings e ficam com outras do mesmo sexo. E é isso o que me dá sono.
Olho para o relógio: quatro e meia. Ainda é preciso resistir um pouco mais.
Lá em cima, pessoas estão se acotovelando, meninas muito magras seguram drinks rosas e formam-se almôndegas humanas remanescentes de 1997. Apesar de tudo, eu gosto daqui. Basicamente, o problema são as outras pessoas. As que me fazem bocejar. Me aproximo do bar para beber qualquer coisa e ouço a conversa ao lado (é que eu adoro ouvir a conversa ao lado. Não que seja uma questão de fofoca, mas sim de genuíno interesse no exemplar humano à primeira vista, antes de começar a sentir sono com comportamentos repetitivos):
- ... eu liguei pra ele e ele disse que vinha pra cá, ele tem uma namorada, mas a relação está mal das pernas, eu gosto dele mas ele não larga a namorada por mim, outro dia ele passou lá em casa e a gente começou a transar e no meio do sexo a namorada ligou, foi realmente muito constrangedor, mas eu não sei o que ele vê nela, ela é meio gordinha e se veste muito mal, ela nunca sai com ele, não gosta do tipo de música que ele gosta, daí ele fica sozinho por aí, todo interessante, dando sopa para as meninas que vão a bares gays e que têm pouca opção, ela pede mesmo pra ser corna, tadinha...
(Suspiro) Somos todos uns certinhos travestidos de modernos. Os preconceitos são os mesmos no Dama de Ferro ou no Bombar, só que aqui as pessoas usam mais piercings e ficam com outras do mesmo sexo. E é isso o que me dá sono.
Olho para o relógio: quatro e meia. Ainda é preciso resistir um pouco mais.
Tuesday, August 02, 2005
Plágio
O meu ego super mega king size ficou ouriçado na semana passada quando descobri que um texto que eu havia escrito há anos circulava pela internet sem os devidos créditos. Tudo aconteceu quando decidi mostrar um dos quatrocentos e sessenta mil blogs que eu criei e depois abandonei na rede. Aquele era dos tempos em que eu morava em NY pobre, praticamente miserável e nem um pouco glamourosa - mas atenta ao que corria ao meu redor, como sempre. E o texto em questão era sobre as características básicas dos nova-iorquinos, um blá blá blá besteirol que inventei porque não tinha nada melhor a dizer.
Mas então. Não é que eu estava mostrando o tal do site quando alguém disse: já recebi isso por email!
Calma aí. Sem link pro meu site? Poxa, que falta de criatividade. E nem era um texto tão bom assim. Definitivamente, nada que me levasse ao Pulitzer e ao reconhecimento internacional.
Assim, gente, se alguém quiser mandar texto meu por aí, tudo bem, sem problema. Mas coloca o endereço do blog, vai.
Ainda mais agora que eu coloquei contador. Dá uma deprê danada entrar aqui e ver que todos os acessos foram meus....
Entendam que o meu super mega king size ego não agüenta tanto abandono.
Mas então. Não é que eu estava mostrando o tal do site quando alguém disse: já recebi isso por email!
Calma aí. Sem link pro meu site? Poxa, que falta de criatividade. E nem era um texto tão bom assim. Definitivamente, nada que me levasse ao Pulitzer e ao reconhecimento internacional.
Assim, gente, se alguém quiser mandar texto meu por aí, tudo bem, sem problema. Mas coloca o endereço do blog, vai.
Ainda mais agora que eu coloquei contador. Dá uma deprê danada entrar aqui e ver que todos os acessos foram meus....
Entendam que o meu super mega king size ego não agüenta tanto abandono.
Friday, July 29, 2005
Nota
Alguém acredita que eu já to enjoando de Caio Fernando Abreu?
Estou acostumada com cultura McDonalds: a gente vê, come, se entope, acha delicioso, e daqui a meia hora tá com fome de novo.
Estou acostumada com cultura McDonalds: a gente vê, come, se entope, acha delicioso, e daqui a meia hora tá com fome de novo.
Extra! Pré-balzaca só assiste a filmes de super-heróis! (e ainda tece comentários sussurrados durante a sessão)
Achei Batman Begins chato. Quer dizer, tem coisas boas e coisas ruins, mas o que ficou na minha lembrança foi o fato de que as coisas ruins são tão bobas que poderiam ter sido facilmente evitadas, tornando o filme realmente o melhor filme do Batman de todos os tempos. Por causa disso – da facilidade com que poderiam evitar erros bobos – o meu veredicto final é radical: o filme é chato.
De chato eu falo pelo nervoso que eu tive do ator principal, porque ele tem a língua presa daquele jeito como o presidente Lula fala (nessas horas eu queria ser uma pessoa genial para conseguir escrever o som que a língua presa do Lula faz). E ele tem cara de cu. E eu não imagino o Bruce Wayne com cara de cu; foi mal.
Outro ponto que eu não gostei foi a maneira com que o Batman conseguiu todos os utensílios incríveis do batcinto. Eu sempre achei que o Batman era cabeçudo, que ele estudava pra caramba até conseguir construir, ele mesmo, os utensílios que precisava em sua busca de vingança. Mas lá no filme, tudo é dado de mão beijada por um antigo diretor nas empresas Wayne, e esse pequeno detalhe transforma Bruce Wayne em um herói que consegue combater o crime porque é milionário.
E, vem cá, gancho pro número 2 é foda, né? Pensei que eles tinham parado de fazer isso em 1985.
Ok, algumas coisas são bacanas, tipo a historinha dele vendo os pais serem assassinados e perdendo o gosto pela vida, etc etc. Mas como aprendiz de nerd viciado em quadrinhos, devo dizer que todo mundo criou muita expectativa quanto a esta versão da história do homem morcego. E olha que esse ainda é o melhor filme dos cinco já lançados. Coitado do Batman...
Ah, mas Quarteto Fantástico é óóóótimo. Adooooooro. O homem chamas é o melhor de todos, mas eu adorei o Coisa depois que ele se transformou. Aliás, eu preferia ele transformado que na aparência normal. E depois ele deixa a mulher loira-gelada pra trás e consegue uma caliente mulata ceguinha. Quem não iria fazer essa troca? Mas eu quase chorei quando a mulher dele colocou a aliança de casamento no chão, coitadinho, e me perguntei se as lágrimas do Coisa seriam de pedra. Mas ele não chorou, porque ele era machão e homens não choram, né.
Você sabe quando um filme pipoca vai ser bom quando ele agrada a ambos os sexos. Olha só: enquanto as mulheres tinham o homem chamas de peito nu a cada quadragésimo de segundo, os homens tinham a mulher invisível com decotes até o umbigo durante o filme inteiro. Assisti ao filme com o meu namorado e tenho certeza de que pensamos as mesmas coisas, embora com alvos diferentes.
O Quarteto Fantástico também deixou gancho para a parte 2. Mas este a gente releva – afinal, vamos todos poder rever músculos definidos e abdomens sarados. Diversão para toda família.
De chato eu falo pelo nervoso que eu tive do ator principal, porque ele tem a língua presa daquele jeito como o presidente Lula fala (nessas horas eu queria ser uma pessoa genial para conseguir escrever o som que a língua presa do Lula faz). E ele tem cara de cu. E eu não imagino o Bruce Wayne com cara de cu; foi mal.
Outro ponto que eu não gostei foi a maneira com que o Batman conseguiu todos os utensílios incríveis do batcinto. Eu sempre achei que o Batman era cabeçudo, que ele estudava pra caramba até conseguir construir, ele mesmo, os utensílios que precisava em sua busca de vingança. Mas lá no filme, tudo é dado de mão beijada por um antigo diretor nas empresas Wayne, e esse pequeno detalhe transforma Bruce Wayne em um herói que consegue combater o crime porque é milionário.
E, vem cá, gancho pro número 2 é foda, né? Pensei que eles tinham parado de fazer isso em 1985.
Ok, algumas coisas são bacanas, tipo a historinha dele vendo os pais serem assassinados e perdendo o gosto pela vida, etc etc. Mas como aprendiz de nerd viciado em quadrinhos, devo dizer que todo mundo criou muita expectativa quanto a esta versão da história do homem morcego. E olha que esse ainda é o melhor filme dos cinco já lançados. Coitado do Batman...
Ah, mas Quarteto Fantástico é óóóótimo. Adooooooro. O homem chamas é o melhor de todos, mas eu adorei o Coisa depois que ele se transformou. Aliás, eu preferia ele transformado que na aparência normal. E depois ele deixa a mulher loira-gelada pra trás e consegue uma caliente mulata ceguinha. Quem não iria fazer essa troca? Mas eu quase chorei quando a mulher dele colocou a aliança de casamento no chão, coitadinho, e me perguntei se as lágrimas do Coisa seriam de pedra. Mas ele não chorou, porque ele era machão e homens não choram, né.
Você sabe quando um filme pipoca vai ser bom quando ele agrada a ambos os sexos. Olha só: enquanto as mulheres tinham o homem chamas de peito nu a cada quadragésimo de segundo, os homens tinham a mulher invisível com decotes até o umbigo durante o filme inteiro. Assisti ao filme com o meu namorado e tenho certeza de que pensamos as mesmas coisas, embora com alvos diferentes.
O Quarteto Fantástico também deixou gancho para a parte 2. Mas este a gente releva – afinal, vamos todos poder rever músculos definidos e abdomens sarados. Diversão para toda família.
Tuesday, July 26, 2005
Subjetivismo
Funciona da seguinte maneira: observe tudo o que está a seu redor e pense sobre isso. Pense mais. Pense até descobrir que existem problemas que devem ser resolvidos, questões de vida ou morte interiores que precisam de remédio com a máxima urgência. Não dê um só minuto de paz ao seu pequeno cérebro pequeno-burguês, e também não permita quer ele se ocupe com questões sócio-econômicas do seu país.
Foi cansando de ser assim que decidi que seria rasa, que falaria apenas do estritamente palpável, como meus sonhados pares de sapato estilo anos 20 que outro dia vi vender no shopping. Mas descobri, para desespero do meu super mega king size ego, que todas as mulheres do mundo – eu quero dizer todinhas as mulheres meeesmo – têm adoração a sapatos. Tento que até escreveram um livro sobre isso.
Mas, então, eis a questão: como deixar de ser subjetiva quando a única coisa que me diferencia do resto são os meus profundos ou profanos pensamentos? Grande questão.
Eu pensei sobre isso, pensei em como é importante não abandonar este blog (mesmo sabendo que eu já criei nomes muito mais interessantes do que este) e decidi, por pura preguiça mental, a me manter por aqui e ignorar o verdadeiro motivo da criação destes textos: a observação (e, em conseqüência, a crítica) dos comportamentos repetitivos na noite eletrônica carioca.
Traduzindo: dá licença, mas eu não quero mais falar sobre noite. Não me dá o mínimo tesão falar sobre noite. E, como já foi dito antes, leitura tem obrigação de despertar a libido – ou então não vale de nada.
Foi cansando de ser assim que decidi que seria rasa, que falaria apenas do estritamente palpável, como meus sonhados pares de sapato estilo anos 20 que outro dia vi vender no shopping. Mas descobri, para desespero do meu super mega king size ego, que todas as mulheres do mundo – eu quero dizer todinhas as mulheres meeesmo – têm adoração a sapatos. Tento que até escreveram um livro sobre isso.
Mas, então, eis a questão: como deixar de ser subjetiva quando a única coisa que me diferencia do resto são os meus profundos ou profanos pensamentos? Grande questão.
Eu pensei sobre isso, pensei em como é importante não abandonar este blog (mesmo sabendo que eu já criei nomes muito mais interessantes do que este) e decidi, por pura preguiça mental, a me manter por aqui e ignorar o verdadeiro motivo da criação destes textos: a observação (e, em conseqüência, a crítica) dos comportamentos repetitivos na noite eletrônica carioca.
Traduzindo: dá licença, mas eu não quero mais falar sobre noite. Não me dá o mínimo tesão falar sobre noite. E, como já foi dito antes, leitura tem obrigação de despertar a libido – ou então não vale de nada.
Tuesday, July 19, 2005
Caio Fernando? Adooooro!
O povo da noite adora esticar os “Os” da palavra “adoro”. E sempre estica os da segunda sílaba, como que para dar ênfase de que gosta mesmo daquilo. Quando leio a palavra “adoro” escrita dessa forma, imagino logo uma pessoa jogando a cabeça pra trás, com um copo de ProSecco na mão, vestindo calças Diesel. Eu sei, é uma imagem lugar-comum e ridícula, mas eu não tenho culpa que o mundo seja um esteriótipo só.
Mas, na boa, eu me recuso a escrever um texto sobre “Adoooooro”. Eu prefiro escrever sobre Caio Fernando Abreu. É que outro dia me ligaram da Argumento para avisar que a minha encomenda de Morangos Mofados, feita há quase um ano, finalmente havia chegado. Saí correndo para a livraria mais cara do Rio e comprei meu livrinho. Fininho. Pronto pra ser devorado. Mas que eu leio com cuidado, aos poucos, golinho por golinho.
Nos poucos contos que já li, descobri que a noite eletrônica carioca deveria conhecer Caio Fernando Abreu. Deveria ser obrigação, tipo assim: quando você chegasse na Fosfobox, ganhava um dos contos de Morangos Mofados xerocado. E aí sentava naquele sofá perto do bar e tentava decifrar as letras mal impressas no escuro, e só depois de ler tudo, até o final, você tinha o direito de jacar da maneira que desejasse.
Ai, que delícia o Caio Fernando deveria ser, uma biba atormentada, subjetiva ao extremo, do tipo que não fica um segundo sequer sem pensar sobre vida, cocaína, ser humano, sexo, homossexualidade, Baixo Leblon e tudo mais o que poderia ser dito em 82. Ai, que delícia que ele deveria ser, eu fico lendo e pensando nisso, e também penso em por quê não conheço ninguém assim. Das duas, uma: ou eu simplesmente não consigo fazer surgir o lado interessante das pessoas – o que me torna, logicamente, uma pessoa desinteressante também -, ou eu ando freqüentando os bares errados. Ou, ainda, ambas opções estão corretas.
E, imagina só, se todo mundo ganhasse um conto de Morangos Mofados na porta da Fosfobox, e toda aquela modernidade dos tempos da minha avó descobrisse que a boa literatura dá, literalmente, tesão, talvez as festas eletrônicas não fossem tão zero a zero quanto são. Ou todo mundo ia ficar com um cigarro na mão, o copo de ProSecco e a xerox na outra, jogando a cabeça pra trás em suas calças Diesel e gritando: “Caio Fernando Abreu? Adoooooro!”
Mas, na boa, eu me recuso a escrever um texto sobre “Adoooooro”. Eu prefiro escrever sobre Caio Fernando Abreu. É que outro dia me ligaram da Argumento para avisar que a minha encomenda de Morangos Mofados, feita há quase um ano, finalmente havia chegado. Saí correndo para a livraria mais cara do Rio e comprei meu livrinho. Fininho. Pronto pra ser devorado. Mas que eu leio com cuidado, aos poucos, golinho por golinho.
Nos poucos contos que já li, descobri que a noite eletrônica carioca deveria conhecer Caio Fernando Abreu. Deveria ser obrigação, tipo assim: quando você chegasse na Fosfobox, ganhava um dos contos de Morangos Mofados xerocado. E aí sentava naquele sofá perto do bar e tentava decifrar as letras mal impressas no escuro, e só depois de ler tudo, até o final, você tinha o direito de jacar da maneira que desejasse.
Ai, que delícia o Caio Fernando deveria ser, uma biba atormentada, subjetiva ao extremo, do tipo que não fica um segundo sequer sem pensar sobre vida, cocaína, ser humano, sexo, homossexualidade, Baixo Leblon e tudo mais o que poderia ser dito em 82. Ai, que delícia que ele deveria ser, eu fico lendo e pensando nisso, e também penso em por quê não conheço ninguém assim. Das duas, uma: ou eu simplesmente não consigo fazer surgir o lado interessante das pessoas – o que me torna, logicamente, uma pessoa desinteressante também -, ou eu ando freqüentando os bares errados. Ou, ainda, ambas opções estão corretas.
E, imagina só, se todo mundo ganhasse um conto de Morangos Mofados na porta da Fosfobox, e toda aquela modernidade dos tempos da minha avó descobrisse que a boa literatura dá, literalmente, tesão, talvez as festas eletrônicas não fossem tão zero a zero quanto são. Ou todo mundo ia ficar com um cigarro na mão, o copo de ProSecco e a xerox na outra, jogando a cabeça pra trás em suas calças Diesel e gritando: “Caio Fernando Abreu? Adoooooro!”
Monday, July 18, 2005
Últimos anos dos vinte e poucos
Uma das piores verdades que me bateram nestes últimos tempos de vinte e poucos anos é de que eu não sei mais escrever. Foi algo que desaprendi. Será que isso é muito comum, você ter uma coisa que realmente gosta de fazer, e que faz bem, mas que deliberadamente joga pela janela? Pois foi isso o que eu fiz: joguei meus textos fora.
Outro dia sentei em frente ao computador, angustiada por uma idiotice qualquer, e tentei vomitar palavras na tela, como costumava fazer antes. Não saiu nada. Fiz e refiz inúmeras vezes as três primeiras linhas; relia, achava uma merda e apagava tudo. Esse processo de escreve – apaga – recomeça eu conheço muito bem, não é de forma alguma uma novidade. O que é novo é que, depois de algumas tentativas, eu cansei e fui ver televisão, com o orgulho intelectual (se é que eu tenho algum) ligeiramente ferido. Eu nunca na vida havia optado pela TV antes.
Não sei bem o que isso significa, essa constrangedora troca de telas, mas desconfio de que seja irreversível. Dizem que as coisas mudam quando se chega aos trinta. Será que mudam também quando se está apenas aproximando deles?
Outro dia sentei em frente ao computador, angustiada por uma idiotice qualquer, e tentei vomitar palavras na tela, como costumava fazer antes. Não saiu nada. Fiz e refiz inúmeras vezes as três primeiras linhas; relia, achava uma merda e apagava tudo. Esse processo de escreve – apaga – recomeça eu conheço muito bem, não é de forma alguma uma novidade. O que é novo é que, depois de algumas tentativas, eu cansei e fui ver televisão, com o orgulho intelectual (se é que eu tenho algum) ligeiramente ferido. Eu nunca na vida havia optado pela TV antes.
Não sei bem o que isso significa, essa constrangedora troca de telas, mas desconfio de que seja irreversível. Dizem que as coisas mudam quando se chega aos trinta. Será que mudam também quando se está apenas aproximando deles?
Friday, July 15, 2005
Botas ao lado da cama
Foi de um amigo a melhor descrição que eu já ouvi sobre a vida a dois: “existem botas ao lado da minha cama”. A sentença saiu no meio de um falatório caótico sobre o seu dia-a-dia, mas eu catei a afirmação e guardei na bolsa, porque eu gosto de sentenças assim, inventadas com uma simplicidade genial, e anotei mentalmente o que eu poderia plagiar depois. É que eu sou a rainha do plágio.
E agora, sentada na cama, observo meus próprios sapatos de salto, jogados cada um para um lado no chão de sinteco. Não é a minha casa, mas é quase como se fosse, porque abro a geladeira a hora que eu quero, acabo com o nescau, a manteiga e o leite e tudo fica por isso mesmo – e olha que eu nem saio pra comprar mais. Outro dia cheguei aqui com uma pista de corrida e dois carrinhos, e a gente passou sábado e domingo apostando garrafas de vinho pra ver quem ganhava, e mesmo sabendo que o carrinho vermelho era mais rápido, deixaram que eu ficasse com ele. Assim é o amor: você aceita que lhe prejudiquem e tudo bem.
E está tudo bem mesmo. Quer dizer: eu não vou mais à praia nem ao Baixo Gávea, nunca mais ouvi meu CD do Chico Buarque, compro autoramas falsificados, falam mal de mim às pampas, virei inimiga de gente que eu nem conheço e no final - adivinha – tudo bem?
Tudo ótimo.
E agora, sentada na cama, observo meus próprios sapatos de salto, jogados cada um para um lado no chão de sinteco. Não é a minha casa, mas é quase como se fosse, porque abro a geladeira a hora que eu quero, acabo com o nescau, a manteiga e o leite e tudo fica por isso mesmo – e olha que eu nem saio pra comprar mais. Outro dia cheguei aqui com uma pista de corrida e dois carrinhos, e a gente passou sábado e domingo apostando garrafas de vinho pra ver quem ganhava, e mesmo sabendo que o carrinho vermelho era mais rápido, deixaram que eu ficasse com ele. Assim é o amor: você aceita que lhe prejudiquem e tudo bem.
E está tudo bem mesmo. Quer dizer: eu não vou mais à praia nem ao Baixo Gávea, nunca mais ouvi meu CD do Chico Buarque, compro autoramas falsificados, falam mal de mim às pampas, virei inimiga de gente que eu nem conheço e no final - adivinha – tudo bem?
Tudo ótimo.
Thursday, July 07, 2005
Gente bonita
Sábado fui numa festa de gente bonita, com direito a atriz global e modelos que desfilaram no Fashion Rio. Quer dizer, essa parte das modelos eu não tenho tanta certeza, mas tinham tantas meninas magérrimas lá que elas só poderiam ser modelos, certo? E, se elas são modelos, elas desfilam no Fashion Rio, certo? Pois então, era uma festa cheia de pessoas mais bonitas e mais bem vestidas que eu e os meus amigos, em uma puta casa em um bairro nobre do Rio, ao som de DJs bem cotados na noite carioca. Teoricamente, um evento inesquecível.
Se bem que...nem foi. Acho que era porque as pessoas ficavam encolhendo a barriga enquanto estavam na pista de dança. Quer dizer, eu tentei encolher a barriga enquanto dançava e não consegui – me senti meio que um Robocop dançando, toda durinha, pra lá e pra cá. Daí então relaxei: acho que todo mundo ali já tinha percebido que eu não era modelo nem atriz global, então eu não tinha claramente que manter uma pose.
Decidi que a noite valeria, pelo menos, minhas doses de Red Label original, cada uma a R$7, e enveredei pelo caminho do embelezador artificial. Não que eu precisasse notar, mas acabei notando: a noite estava totalmente zero a zero, como costumam ser as festas de gente bonita e magra.
Tá muito recalcado aqui? Até que está mesmo... Mas é que antes eu dizia que jornalista é um bando de gente assexuada, porque esse povo trabalha muito e ganha mal, até que comecei a freqüentar festas de gente bonita. Eu estava errada: sexualidade não tem nada a ver com dinheiro e beleza, e eu até tive uma certa saudade das minhas festas de faculdade em que todo mundo pegava todo mundo, ninguém era de ninguém, e pra isso só era necessário que comprassem uma caixa de cerveja e colocassem um CD no som. Ai, ai.
Mas enquanto freqüentadora noturna já comprometida, posso dizer o seguinte: para quem estava acompanhado, a noite foi maravilhosa. O céu estava estreladíssimo, não fazia calor nem frio e a varanda era o lugar mais animado da festa – talvez porque estivesse escuro e todo mundo pudesse deixar que as gorduras da cintura ficassem em paz.
Se bem que...nem foi. Acho que era porque as pessoas ficavam encolhendo a barriga enquanto estavam na pista de dança. Quer dizer, eu tentei encolher a barriga enquanto dançava e não consegui – me senti meio que um Robocop dançando, toda durinha, pra lá e pra cá. Daí então relaxei: acho que todo mundo ali já tinha percebido que eu não era modelo nem atriz global, então eu não tinha claramente que manter uma pose.
Decidi que a noite valeria, pelo menos, minhas doses de Red Label original, cada uma a R$7, e enveredei pelo caminho do embelezador artificial. Não que eu precisasse notar, mas acabei notando: a noite estava totalmente zero a zero, como costumam ser as festas de gente bonita e magra.
Tá muito recalcado aqui? Até que está mesmo... Mas é que antes eu dizia que jornalista é um bando de gente assexuada, porque esse povo trabalha muito e ganha mal, até que comecei a freqüentar festas de gente bonita. Eu estava errada: sexualidade não tem nada a ver com dinheiro e beleza, e eu até tive uma certa saudade das minhas festas de faculdade em que todo mundo pegava todo mundo, ninguém era de ninguém, e pra isso só era necessário que comprassem uma caixa de cerveja e colocassem um CD no som. Ai, ai.
Mas enquanto freqüentadora noturna já comprometida, posso dizer o seguinte: para quem estava acompanhado, a noite foi maravilhosa. O céu estava estreladíssimo, não fazia calor nem frio e a varanda era o lugar mais animado da festa – talvez porque estivesse escuro e todo mundo pudesse deixar que as gorduras da cintura ficassem em paz.
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