Houve uma época em que eu tinha certeza absoluta de que seria uma escritora. Não faz tanto tempo assim: eu ainda não havia virado o cabo da boa esperança dos 30 anos, e achava que tempo era o que não faltava para escrever meu livro. Enquanto isso, meus companheiros de outros blogs foram lançando livros, ganhando fama e pouco dinheiro, e hoje estão quase todos muito bem. E sobre o meu primeiro romance, nem uma linha. Virei a eterna promessa de mim mesma.
É que eu tinha (e tenho) medo de fazer algo medíocre. Sou muito boa em criticar a mediocridade, e não aguentaria o tranco de ser criticada de volta. Mas a vida vai passando e você percebe que não fez nada de relevante por você mesmo, e aí os medos começam a se transformar em outros. Foi isso o que aconteceu comigo.
Eu acho que preciso de solidão. De ficar um fim de semana isolada do mundo, de jogar meu celular no mar (como naquela cena de abertura do roteiro que eu comecei a escrever e não terminei), de ser forçada a pensar sobre a vida, mesmo que ela seja ficção.
Tá na hora de sair dessa comodidade ridícula.
Monday, April 05, 2010
Wednesday, March 24, 2010
Clubbers das antigas
Outro dia fui à festa de aniversário da Giselle, uma amiga que não chega a ser amiga, mas que eu quero muito bem. Ela faz parte de um grupo de pessoas que eu conheci na específica situação de boates de música eletrônica. E o mais irônico é que você realmente pode conhecer pessoas com a música alta e enquanto dança um pouquinho e bebe um pouquinho. Depois de ser apresentada à Giselle, já fiz uns trabalhos de assessoria de imprensa pro salão que ela mantém em Ipanema. E, de vez em quando, deixo umas medeixas por lá.
Meu marido não entende muito bem essa história de amizades noturnas. Durante toda noite, cada vez que alguém me encontrava e me dispensava um daqueles abraços dignos de resgate de seqüestro ("Brunaaaaaa!!! Quanto tempo!!!!"), ele me perguntava: de onde você conhece? E eu sempre tinha a mesma resposta: da noite...
Mas deixa eu explicar melhor. No meio dos anos 90, os amantes de música eletrônica no Rio de Janeiro eram uns poucos gatos pingados, que se encontravam todo sábado na mesma boate - a única a se dedicar ao gênero no Rio - ouvindo os mesmos DJs. Não queríamos ser um clube, mas éramos. Sonhávamos com o dia em que o Brasil veria raves do tamanho das que eram feitas nos desertos norte-americanos, ou nas ruas de Berlim. As meninas usavam glitter e estrelinhas coladas na sobrancelha, e todo mundo saía de tênis porque assim era mais confortável pra dançar.
Sendo assim, depois de certo tempo reconhecendo os mesmo rostos desconhecidos, chega uma hora em que você simplesmente passa a falar com aquelas pessoas. Não sei bem como conheci o povo que estava na festa da Giselle, mas sei que foi bom reencontrar meus antigos companheiros de dancinhas. É um pessoal fácil, que fala sobre amenidades, sem maiores conseqüências. E, por isso mesmo, é bem divertido.
Tem vezes que a gente só precisa falar sobre o calor do ex-verão ou sobre se a música que está tocando é boa ou não.
Meu marido não entende muito bem essa história de amizades noturnas. Durante toda noite, cada vez que alguém me encontrava e me dispensava um daqueles abraços dignos de resgate de seqüestro ("Brunaaaaaa!!! Quanto tempo!!!!"), ele me perguntava: de onde você conhece? E eu sempre tinha a mesma resposta: da noite...
Mas deixa eu explicar melhor. No meio dos anos 90, os amantes de música eletrônica no Rio de Janeiro eram uns poucos gatos pingados, que se encontravam todo sábado na mesma boate - a única a se dedicar ao gênero no Rio - ouvindo os mesmos DJs. Não queríamos ser um clube, mas éramos. Sonhávamos com o dia em que o Brasil veria raves do tamanho das que eram feitas nos desertos norte-americanos, ou nas ruas de Berlim. As meninas usavam glitter e estrelinhas coladas na sobrancelha, e todo mundo saía de tênis porque assim era mais confortável pra dançar.
Sendo assim, depois de certo tempo reconhecendo os mesmo rostos desconhecidos, chega uma hora em que você simplesmente passa a falar com aquelas pessoas. Não sei bem como conheci o povo que estava na festa da Giselle, mas sei que foi bom reencontrar meus antigos companheiros de dancinhas. É um pessoal fácil, que fala sobre amenidades, sem maiores conseqüências. E, por isso mesmo, é bem divertido.
Tem vezes que a gente só precisa falar sobre o calor do ex-verão ou sobre se a música que está tocando é boa ou não.
Friday, February 26, 2010
Foda-se o "como"
Sou absolutamente obcecada por Lost. Por isso, quando anunciaram que essa seria a última temporada, baixei ansiosa o primeiro e segundo episódios, esperando as respostas de todos os mistérios. Eu pensei: agora eles vão ter que explicar como a fumaça preta existe. Agora eles vão ter que arrumar explicações plausíveis de como as pessoas que não andam passam a andar na ilha, e de como os mortos voltam toda hora pra dar recados, e de onde vêm todos aqueles templos perdidos na mata. Quero ver como esses roteiristas vão sair dessa.
Já nos primeiros episódios deu pra sacar que nenhuma das minhas questões seria respondida. Ao menos, que não seriam respondidas com seriedade. A fumaça preta existe e pronto. Não importa o "como". Isso é menos importante no decorrer dos acontecimentos. Os mortos voltam porque eles voltam, e é assim que é. Acostume-se a isso.
No jornalismo, existem as cinco perguntas que toda reportagem deve responder: os famosos quem, quando, onde, como e por quê. Nas histórias de ficção, a regra deveria ser bem parecida, porque assim a coisa toda vez sentido, e quem assiste "acredita" naquilo que está vendo. Bem, parece que os roteiristas de Lost estão cagando para o fato de os espectadores estarem ou não comprando a história que eles estão contando. E o mais engraçado é que, quanto mais absurdo, mais a gente assiste. No True Blood é a mesma coisa. Em um mundo em que existem vampiros, lobisomens e bruxas, tudo é possível.
Então por que a gente continua vendo e baixando loucamente todas essas séries? Nem dá vontade de esperar chegar ao Brasil: é só ser exibido nos Estados Unidos que eu já to fazendo o download, em inglês mesmo. A gente compra o absurdo por mais absurdo que ele seja. Mas eu juro que queria saber como eles conseguem isso.
Tenho medo do final da série. Medo de eles chutarem o balde no final, cansados de tantos anos de mistério, e de repente arrumarem umas razões muito meia bomba pra tudo aquilo que aconteceu em cinco anos. Volta e meia a gente vê bons filmes com finais lamentáveis. Tomara que eles, os autores, não estejam tão chafurdados nos seus milhões que não tenham tempo pra pensar em como dar um fim digno à sua mina de ouro. Porque eles podem se foder pro "como", mas a gente não pode se fuder junto não.
Monday, February 22, 2010
Enquanto as horas passam
Deixa eu contar uma verdade sobre trabalhar em casa: a menos que você já faça isso há muitos anos e já esteja esquematizada pra que a coisa role devidamente, você simplesmente não trabalha. Hoje acordei, fiz compras, trabalhei um pouquinho, dobrei a roupa do varal (mas não passei por preguiça), fiz meu almoço, comi almoço assistindo TV, lavei a louça do almoço, bati papo com o filho do meu marido, guardei as compras quando o entregador do Pão de Açúcar chegou, tomei dois copos de suco, cozinhei batatas pro jantar e só então sentei de novo na frente do computador. E aí já eram 5h.
Enquanto fico em casa sozinha, fumo muitos cigarros e atualizo de quando em quando o meu twitter. Tudo para me enganar, para que eu não pegue na labuta. O Extremamente alto, Incrivelmente perto que eu peguei pra ler de novo - porque não há nada melhor pra ler na minha casa cheia de livros - ainda está jogado no sofá. Esqueci de dizer que assisti um episódio da primeira temporada de Barrados no Baile, e escrevi no meu blog de palpites.
Aaaaiii, como eu quero que chegue logo o momento de eu voltar a trabalhar loucamente. Não fui feita pra ficar esperando as horas passarem. Tenho sono. E pressa.
Sunday, February 14, 2010
Sobre a virada dos 30
Fico passada com gente na faixa dos 40 anos que demonstra insegurança adolescente. Eu achava que quando alguém chegasse a essa etapa, a vida já tinha tratado de ensinar algumas coisinhas - e uma delas seria como lidar com a baixa auto estima. Ou como organizar melhor a impulsividade. Ou como não fazer intriga. Então, toda vez que encontro alguém de 40 e poucos que me parece que ainda não aprendeu porra nenhuma do mundo, fico pedindo baixinho pra que eu, pelo menos, não chegue lá da mesma maneira. É a minha meta de vida, mais que ser promovida, ou comprar um apartamento. Que eu não vire uma quarentona adolescente!
Mas como eu disse, as coisas não são exatamente como eu imaginava. Quando tinha 20 e poucos, achava também que aos 30 eu seria uma pessoa completamente diferente. Bem resolvida, mais paciente - mais sábia, digamos assim. Que decepção foi perceber que, na verdade, a minha paciência diminuiu deveras dos 20 e poucos pra cá. Às vezes eu penso que devoluí.
Eu também vejo a falta de paciência nas minhas amigas de trinta e poucos. Talvez isso aconteça justamente porque a gente passa os 20 anos fazendo um monte de merda, e depois, quando chega aos 30, não quer repetir tudo de novo. Quantas vezes já ouvi por aí: "vacilou uma vez, então esquece", como se ninguém fosse inocente por errar uma vez! Sou adepta do sistema das 3 chances: um vacilo, ok; dois vacilos, humm; três vacilos, beijo e não me liga.
Mas as meninas balzacas não estão tão dispostas a deixar pra lá o primeiro erro.
Pode ser que isso aconteça justamente porque a gente se acha mais malandra aos 30, mais vivida, e pronta a reconhecer comportamentos repetidos. O que nos torna umas verdadeiras biches, quando você olha mais de perto. Ou então é o relógio biológico mesmo, que fica gritando enfurecidamente que a gente não tem tempo pra besteira.
A verdade é que a sabedoria não vem de graça com a idade, como eu achava quando era mais nova. Essa coisa de amadurecer dói pra caralho, tem que dar um duro danado, e não é só porque a gente ganha uns pés de galinha e umas celulites que automaticamente passamos a entender melhor os outros. Ou a lidar melhor com os loucos.
Eu acho que o foda mesmo é perceber que nada vem de graça, e que agora é hora de correr atrás do seu próprio aprendizado, e fazer todos os esforços pra isso. Pelo menos eu já saquei como funciona a brincadeira. Agora tá na hora de começar a crescer.
Friday, February 12, 2010
Sabe quando?
Sabe quando você apaga e reescreve o começo de uma carta por que na verdade não tem coragem de dizer o que está dentro de você?
Sabe quando você percorre sozinha por mil caminhos conhecidos e se sente ainda mais sozinha quando está acompanhada?
Sabe quando você explica algo a alguém e o seu ouvinte parece não entender absolutamente nada do que você disse?
Pois é.
Essa mulher que eu vou contar a história chegou em uma festa e, olhando ao redor, descobriu que não tinha absolutamente ninguém com quem conversar.
Primeiro tentou ficar sozinha, mas parecia que todos os seus movimentos eram filmados pelos outros. Depois tentou puxar assunto, mas descobriu que tinha pouco interesse no que lhe diziam. E aí, sem muita alternativa, foi pegar um drink no bar.
Como é mágico o efeito do álcool. Ficamos fluentes em línguas que mal sabemos falar. Nos tornamos especialistas em assuntos que não dominamos e passamos a ter certeza absoluta de que somos indispensáveis para a festa.
Essa mulher de quem eu falo, em pouco tempo, circulava pelos grupos que antes ela tinha rejeitado.
Sabe quando o mundo gira muito rápido, e de uma maneira muito irônica?
As doses vão aumentando, assim como o incômodo que ela tentava sufocar. O incômodo estava sempre lá. A raiva. Essa mulher de quem eu falo é um poço de ressentimento, e ela sabe disso. Ela pensava em ir embora, mas sabia que não conseguiria ir à francesa. Ela olhava pra porta, juntava suas coisas, mas não saía do lugar.
Sabe quando isso acontece?
Wednesday, February 03, 2010
Encaixotando Bruna
Meus 32 anos podem ser resumidos em sete caixas de papelão tamanho médio. Passei o dia juntando, arrumando e fechando com fita adesiva todo o meu tesouro, que basicamente se resume a livros, CDs e pequenos souvenirs de pessoas e lugares. Encontrei a carta que a minha avó escreveu quando me formei em jornalismo e tive vontade de chorar. E outra mega carta que escrevi aos 15 anos para a minha melhor amiga, uma colagem de slogans recortados da revista Capricho, que na época eu assinava. Anos depois, essa amiga me devolveu a carta para que eu relesse e guardasse as nossas histórias ingênuas de adolescentes. Guardei. Não tenho coragem de jogar fora tantos papéis inúteis que só servem pra contar a minha história.
Mas muita coisa foi pro lixo. Pilhas de VHS. Minha matéria de faculdade sobre as festas After Ours, que "começavam às 4h da manhã e iam até depois do sol raiar"- dizia o texto do off. Essa ficou. Também ficaram os filmes Super 8 do meu primeiro aniversário, e do casamento dos meus pais. E as cartas de amigos e parentes, e alguns presentinhos de ex namorados.
Cheguei a considerar jogar fora essas lembranças de amores passados. Um snowglobe com um ursinho segurando um coração onde se lê "Eu te amo" em alemão. Aquilo não faz mais o mínimo sentido: o menino que me deu isso de presente já casou, e eu também estou casando. Nossos ursinhos segurando corações são para outras pessoas agora. Mas... não tive coragem. Eu também sou esse ursinho esquecido. Então o snowglobe voltou para a caixa de lembranças de onde não sai há muitos anos. Pobrezinho, faz tempo que não vê a luz do sol.
E todas aquelas credenciais de imprensa. Por que todo jornalista gosta de guardar as credenciais de imprensa dos eventos que cobre? Parece uma espécie de prêmio, uma medalha. A minha mais importante é a do tapete vermelho da última turnê do Michael Jackson, quando eu morava em Nova York, em 2001. Mas também tem a do Rio Parede, que eu e Ana Paula conseguimos. Não estávamos trabalhando, é óbvio. Mas subimos nos trio elétricos ao lados de nossos amigos DJs e vimos o povo dançar pela Avenida Rio Branco abaixo. E também dançamos muito. Eu sempre soube me divertir como ninguém.
Agora tudo isso está guardado em sete caixas médias, esperando para se acomodarem no apartamento novo. Não sei onde vou arrumar espaço pra tudo isso. Mas vou arrumar. O meu tesouro precisa continuar comigo. Mesmo que esteja enterrado e semi esquecido.
Thursday, January 14, 2010
Feliz ano novo
Em 2010, casei e mudei. Não tem nada mais simbólico que começar o ano com endereço novo e estado civil alterado. agora eu faço listas de compras e não janto mais um queijo quente e um copo de suco. Agora eu finalmente aprendi como se lavam verduras e legumes, e não compro mais aquelas saladas lavadas do supermercado Zona Sul. E também não frequento mais o segundo coqueirão da praia de Ipanema - se bem que isso não tem a ver com o fato de, agora, eu ser uma mulher casada.
Minhas amigas, a maioria de solteiras, me perguntam toda hora como é a vida a dois. Pois eu digo: por enquanto é uma colônia de férias. Cozinhar juntos é legal. Fazer compras juntos é legal. Lavar as cuecas do meu marido (na máquina de lavar também conta, né) e depois dobrar tudo e deixar em cima da cama é legal. Descobri que sempre fui uma Amélia incompreendida. To adorando essa história de brincar de casinha.
Fora isso, são as férias e a quase impossível missão de abrir espaço pras minhas coisas em uma casa que já está montada. Consegui negociar colocar o poster que a Luiza trouxe pra mim de uma feira de design na Alemanha na parede do banheiro, e aluguei uma garagem na esquina de casa com manobrista tudo. E de vez em quando eu vou dar uma volta na praia. Mas ainda não parei de fumar nem conheci uma cidade da América do Sul.
Tem muita coisa ainda a relizar em 2010.
Tuesday, December 15, 2009
Falta muito pro ano que vem?
Todo ano é a mesma coisa: os meses correm sem a gente perceber, mas quando chega dezembro, fica tudo leeento. Parece que dezembro é um mês café com leite: tudo o que a gente planeja, todas as mudanças e os sonhos ficam pra janeiro. A única função de dezembro, além de comer peru e gastar o que não tenho com presentinhos variados, é listar possíveis novidades para o novo ano. E contar os dias para que esse novo ano chegue logo.
É que 2010 vai ser tão diferente. Vou mudar de casa, de trabalho. De vida eu já venho mudando há um tempo, meio que me preparando pro que chega. Mas dá um frio na barriga. Um frio do tipo que é bom. Fazia bastante tempo que uma virada tão radical acontecia no final de um ano. É como uma era que se encerra.
Outro dia fui fazer compras pra minha casa nova. Estou gostando dessa história de brincar de casinha, porque meu apartamento na São Slavador acabou virando um monte de móveis doados amontoados, uma coisa nada a ver com a outra, uma coleção digna de brechó de Santa Teresa. Mas como eu gostei de morar ali. Foram dois anos e meio de muitas festas, muitos amigos gringos dormindo no sofá, muitas manhãs de domingo ouvindo chorinho na praça. Hoje a praça acorda no domingo já lotada de barracas e de gente por todos os lados. Confesso que preferia antes, quando éramos apenas alguns gatos pingados, sentados no coreto, curtindo a música. Ou quando eu chegava do trabalho e encontrava amigos na muretinha, e já ficava por lá mesmo, estragando toda a minha programação baladística do Rio de Janeiro. Eu aproveite demais o meu bairro. Saio de lá com boas lembranças.
E aí, tem o bairro novo. Que eu ainda não vou dizer qual é. Um bairro que eu aprendi a gostar ao longo de 2009, que antes eu dizia ser caótico demais pra mim, grande demais pra mim, impessoal demais pra mim. Mas que, de repente, começou a fazer algum sentido. E que já me faz sentir em casa.
Mas enquanto é dezembro, todas essas coisas ainda estão no quase. E é isso que me deixa ansiosa. Não gosto de quases, nem de nada em cima do muro. Então fico na expectativa de que os dias andem logo. Feliz com a minha casinha nova e com a vida completamente diferente que me aguarda lá. Com medo também. Mas com aquele tipo bom de medo, que precede todas as grandes mudanças pelas quais a gente passa.
É que 2010 vai ser tão diferente. Vou mudar de casa, de trabalho. De vida eu já venho mudando há um tempo, meio que me preparando pro que chega. Mas dá um frio na barriga. Um frio do tipo que é bom. Fazia bastante tempo que uma virada tão radical acontecia no final de um ano. É como uma era que se encerra.
Outro dia fui fazer compras pra minha casa nova. Estou gostando dessa história de brincar de casinha, porque meu apartamento na São Slavador acabou virando um monte de móveis doados amontoados, uma coisa nada a ver com a outra, uma coleção digna de brechó de Santa Teresa. Mas como eu gostei de morar ali. Foram dois anos e meio de muitas festas, muitos amigos gringos dormindo no sofá, muitas manhãs de domingo ouvindo chorinho na praça. Hoje a praça acorda no domingo já lotada de barracas e de gente por todos os lados. Confesso que preferia antes, quando éramos apenas alguns gatos pingados, sentados no coreto, curtindo a música. Ou quando eu chegava do trabalho e encontrava amigos na muretinha, e já ficava por lá mesmo, estragando toda a minha programação baladística do Rio de Janeiro. Eu aproveite demais o meu bairro. Saio de lá com boas lembranças.
E aí, tem o bairro novo. Que eu ainda não vou dizer qual é. Um bairro que eu aprendi a gostar ao longo de 2009, que antes eu dizia ser caótico demais pra mim, grande demais pra mim, impessoal demais pra mim. Mas que, de repente, começou a fazer algum sentido. E que já me faz sentir em casa.
Mas enquanto é dezembro, todas essas coisas ainda estão no quase. E é isso que me deixa ansiosa. Não gosto de quases, nem de nada em cima do muro. Então fico na expectativa de que os dias andem logo. Feliz com a minha casinha nova e com a vida completamente diferente que me aguarda lá. Com medo também. Mas com aquele tipo bom de medo, que precede todas as grandes mudanças pelas quais a gente passa.
Thursday, December 10, 2009
Gente que mora longe
Tenho uma amiga do peito que há pouco tempo chegou da Austrália pra passar férias no Brasil. Eu não encontrava com ela há mais de 2 anos mas, no momento em que nos vimos, foi como se tivéssemos ficado apenas uma semana sem nos falar. Foi quando eu percebi que não há distância nem tempo que separe duas grandes amigas.
Penso nisso porque descobri que existe gente muito importante pra mim que mora fora do país. Gente que eu gosto demais, e que falo de menos; que planejo visitar, mas nunca vou de fato; que marco conversas no Skype e furo. Mas é gente que eu queria ter ao meu lado no ano que vem, quando darei uma mega festa pra comemorar coisas boas. Coisas incríveis que se anunciam em 2010.
No ano passado, passei o reveillon na Espanha, com outra grande amiga. Eu, ela, a que mora na Austrália e mais uma amiga que (ainda bem) está pertinho de mim formávamos um grupo fechado no colégio. Éramos quatro meninas inseparáveis, cada uma mais diferente que a outra: a pseudo alternativa (eu), a atleta (a Sandra), a popular (a Malu) e a aluna-nota-10 (a Cris). Com o passar do tempo, cada uma foi tomando um rumo no planeta: a primeira a se desgarrar fui eu, quando fui morar em NY. Depois a Sandra, que entre idas e vindas para a Austrália, resolveu se fixar de vez por lá. Depois a Malu, que descobriu a Europa e se apaixonou perdidamente por um espanhol. E a Cris que, estudando medicina, vivia enfurnada em plantões e provas de residência.
E, mesmo assim, vez ou outra, a gente ainda consegue se encontrar.
Monday, December 07, 2009
Todos os corações ao mesmo tempo
Não gosto de futebol. Quer dizer, gosto um pouco de futebol, mas posso perfeitamente viver sem 11 homens e uma bola. Posso ficar anos sem abrir o caderno de esportes do jornal. Ou sem saber o nome do técnico do meu time. Mas nos últimos meses acontece que passei a conviver intensamente com uma pessoa que adora, idolatra, respira o Botafogo. E quando me dei conta, lá estava eu assistindo partidas domingueiras na televisão - mesmo quando dava praia.
E ontem foi a final do Brasileirão 2009, a mais animada e emocionante dos últimos tempos. Vários times precisavam de ajuda de outras partidas pra fugirem do rebaixamento ou ganharem a taça. Um amigo assistiu à partida do Flamengo na sala, e meu namorado foi ver a do Botafogo no quarto. Sem mais TVs disponíveis, acabei vendo o jogo do Flu pela internet e pelos avisos de Gol que volta e meia apareciam na tela. Aliás, a cada aviso, meu estômago revirada. É que bastava um pontinho marcado pelo oponente para que o Fluminense caísse para a segundona. Torci pelo não rebaixamento com a mesma intensidade do meu amigo flamenguista que torcia pelo título do campeonato. Eram dois campeonatos diferentes naquele apartamento de Copacabana.
Eu respeito o Flamengo, mas não gosto da torcida. Acho a maioria arrogante, mal educada e briguenta. Mas ontem, quando os urubus ganharam, admito que a festa foi bonita: mil janelas da Miguel Lemos se abriram e gritaram "Campeão!", gente nas ruas urrava de alegria, carros buzinavam. Parecia final de Copa. Pela primeira vez, fiquei feliz pelos flamenguistas e por seu time.
Depois ainda tive uns minutos de angústia com o final da partida do Fluminense. E assisti à briga ridícula da torcida do Coritiba. Essa é a parte mais babaca do futebol. E tem gente que se vangloria das brigas. Tem gente que acha que é prova de amor ao time. Tem gente que não percebe que cruzou a linha da admiração e entrou na obsessão. E eu nem me refiro apenas a futebol.
E ontem foi a final do Brasileirão 2009, a mais animada e emocionante dos últimos tempos. Vários times precisavam de ajuda de outras partidas pra fugirem do rebaixamento ou ganharem a taça. Um amigo assistiu à partida do Flamengo na sala, e meu namorado foi ver a do Botafogo no quarto. Sem mais TVs disponíveis, acabei vendo o jogo do Flu pela internet e pelos avisos de Gol que volta e meia apareciam na tela. Aliás, a cada aviso, meu estômago revirada. É que bastava um pontinho marcado pelo oponente para que o Fluminense caísse para a segundona. Torci pelo não rebaixamento com a mesma intensidade do meu amigo flamenguista que torcia pelo título do campeonato. Eram dois campeonatos diferentes naquele apartamento de Copacabana.
Eu respeito o Flamengo, mas não gosto da torcida. Acho a maioria arrogante, mal educada e briguenta. Mas ontem, quando os urubus ganharam, admito que a festa foi bonita: mil janelas da Miguel Lemos se abriram e gritaram "Campeão!", gente nas ruas urrava de alegria, carros buzinavam. Parecia final de Copa. Pela primeira vez, fiquei feliz pelos flamenguistas e por seu time.
Depois ainda tive uns minutos de angústia com o final da partida do Fluminense. E assisti à briga ridícula da torcida do Coritiba. Essa é a parte mais babaca do futebol. E tem gente que se vangloria das brigas. Tem gente que acha que é prova de amor ao time. Tem gente que não percebe que cruzou a linha da admiração e entrou na obsessão. E eu nem me refiro apenas a futebol.
Thursday, December 03, 2009
Sofá poliglota
Ontem chegou lá em casa uma menina de Cingapura,m que atende por um nome americano: Cristal. Ela vai passar uma semana dormindo no sofá da minha sala, e visitando pela segunda vez a cidade que, segundo ela, é o melhor lugar da América latina: o nosso Rio de Janeiro. Cristal está há um ano rodando pelo Brasil e pela América do Sul. Como tantos jovens estrangeiros, ela terminou o colégio, trabalhou uns seis meses pra juntar uma grana, e depois pôs a mochila nas costas. Quando ela voltar pra casa, ela vai procurar um emprego e começar uma faculdade.
Acho a tradição gringa de viajar durante um ano uma bela maneira de se despedir da vida adolescente e entrar na adulta. Toda a vida de Cristal nesse período se resume a uma mega mochila, uma outra mochila menor, e uma bolsa. Esse é todo o seu tesouro. E, vendo ela chegando lá em casa ontem, pronta pra sair pra rua mesmo depois de 10 horas de viagem de ônibus, dá pra imaginar que realmente não se precisa de muita coisa pra conhecer coisas e pessoas e lugares diferentes.
No Brasil, nosso primeiro grande sonho de viagem é conhecer a Disney. Nosso presente de 15 anos. Contei para um sueco que também dormiu no sofá da sala na semana passada (pois é, a rotatividade internacional é grande! Ainda bem que instalei um ventilador de teto, se não todos esses gringos iam passar um mega sufoco nas noites abafadas cariocas), que existe uma tradição brasileira quando se chega aos 15: ou você escolhe fazer uma grande festa, como um baile, um prom night, ou você viaja pra Disney.
Ele achou tão curiosa essa nossa história. "Mas por que a Disney", ele quis saber. E eu não sabia por quê. Minha irmã mais nova preferiu San Diego, mas minha irmã do meio e eu éramos malucas pra conhecer os parques do Mickey.
Mas nós, classe média brasileira, não temos o costume de encarar culturas e línguas completamente diferentes das nossas. E nem se pode falar de falta de dinheiro, porque essa galera que vem pra cá aos 20 e poucos também é duríssima, como são os jovens que estão começando a cair na vida real. Mas, então, por que eles podem e a gente não?
É claro que ser filho de uma moeda forte ajuda no start. Em qualquer empreguinho que se consegue, eles ganham em dólar e euro, o que facilita bastante. Mas eu acho que, mais do que a barreira econômica, existe um comodismo entre nós, que nos impede de juntar as coisas e encarar furadas.
A Cristal quase não viajou de avião durante esse ano de peregrinação. Foram horas e horas de ônibus, que ela aceitava na boa. Também não procurou grandes hotéis, nem partiu pra restaurantes muito caros. Pra se ter idéia, no Rio, o que ela gosta de fazer é ir pra Lapa: um programa barato e muito bom pros gringos, que acham aquela bagunça a coisa mais exótica do mundo.
A Cristal, com seus vinte e pouquinhos, conhece muito mais lugares da América do Sul do que eu. Com certeza ela conhece o Brasil bem mais. E olha que eu já viajei muito por aí gravando. Já fui em cada cidade inacreditável, que nem figura no mapa.
Mas ontem, quando ela me perguntou se eu conhecia as Cataratas de Iguaçu, tive que dizer que não.
Acho a tradição gringa de viajar durante um ano uma bela maneira de se despedir da vida adolescente e entrar na adulta. Toda a vida de Cristal nesse período se resume a uma mega mochila, uma outra mochila menor, e uma bolsa. Esse é todo o seu tesouro. E, vendo ela chegando lá em casa ontem, pronta pra sair pra rua mesmo depois de 10 horas de viagem de ônibus, dá pra imaginar que realmente não se precisa de muita coisa pra conhecer coisas e pessoas e lugares diferentes.
No Brasil, nosso primeiro grande sonho de viagem é conhecer a Disney. Nosso presente de 15 anos. Contei para um sueco que também dormiu no sofá da sala na semana passada (pois é, a rotatividade internacional é grande! Ainda bem que instalei um ventilador de teto, se não todos esses gringos iam passar um mega sufoco nas noites abafadas cariocas), que existe uma tradição brasileira quando se chega aos 15: ou você escolhe fazer uma grande festa, como um baile, um prom night, ou você viaja pra Disney.
Ele achou tão curiosa essa nossa história. "Mas por que a Disney", ele quis saber. E eu não sabia por quê. Minha irmã mais nova preferiu San Diego, mas minha irmã do meio e eu éramos malucas pra conhecer os parques do Mickey.
Mas nós, classe média brasileira, não temos o costume de encarar culturas e línguas completamente diferentes das nossas. E nem se pode falar de falta de dinheiro, porque essa galera que vem pra cá aos 20 e poucos também é duríssima, como são os jovens que estão começando a cair na vida real. Mas, então, por que eles podem e a gente não?
É claro que ser filho de uma moeda forte ajuda no start. Em qualquer empreguinho que se consegue, eles ganham em dólar e euro, o que facilita bastante. Mas eu acho que, mais do que a barreira econômica, existe um comodismo entre nós, que nos impede de juntar as coisas e encarar furadas.
A Cristal quase não viajou de avião durante esse ano de peregrinação. Foram horas e horas de ônibus, que ela aceitava na boa. Também não procurou grandes hotéis, nem partiu pra restaurantes muito caros. Pra se ter idéia, no Rio, o que ela gosta de fazer é ir pra Lapa: um programa barato e muito bom pros gringos, que acham aquela bagunça a coisa mais exótica do mundo.
A Cristal, com seus vinte e pouquinhos, conhece muito mais lugares da América do Sul do que eu. Com certeza ela conhece o Brasil bem mais. E olha que eu já viajei muito por aí gravando. Já fui em cada cidade inacreditável, que nem figura no mapa.
Mas ontem, quando ela me perguntou se eu conhecia as Cataratas de Iguaçu, tive que dizer que não.
Wednesday, December 02, 2009
Friday, November 27, 2009
Vantagem feminina
Hoje o cara do Detran me liberou da vistoria mesmo tendo uma lanterna queimada no carro. Eu pensei: "Tenho que aproveitar isso enquanto não chego aos 50". Porque, convenhamos, essa boa vontade do funcionalismo público só acontece quando o atendente é homem e o atendido é uma mulher relativamente jovem.
Essa é a vantagem de ser mulher. Basta um sorriso largo para que o cara do outro lado do balcão se desmanche em cavalheirismos. Parece que, quando vê uma mulher pela frente, o homem fica imediatamente mais bobo, mesmo que essa mulher não dê necessariamente um mole pra ele. Eu não dei mole pro cara do Detran. Mas ele liberou o meu carro.
Descobri a vantagem feminina muito depois das minhas amigas, quando já estava na faculdade. Foi observando o comportamento dos professores com as alunas, e depois com os alunos, que ficou claro com quem os mestres tinham mais paciência e benevolência. Mas volto a dizer que naquele jogo não havia nada de sexual - pelo menos, não explicitamente e racionalmente. Era mais como uma magia, um feitiço que a aluna, sem perceber, jogava no professor barbado e com muitos anos de praia. E essa foi a minha segunda descoberta: nesse jogo, só importa a idade da mulher, e não a do homem - velho ou novo, ele nunca resiste a um sorriso.
Claro que essa regra só se aplica a mulheres bonitas. E claro que, quanto mais bonita, menos "nãos" uma mulher recebe na vida. O que me faz lembrar de uma grande amiga minha, que também é muito bonita. Só que ela, justamente porque era bonita demais, não mostrava o seu sorriso a torto e a direito. Dizem que as mulheres muito bonitas também são muito metidas a besta. A julgar pela minha amiga, o que dizem é verdade. Ela é queridíssima, mas também metidíssima, se é que isso é possível. E ela sabe disso, e acha até engraçado.
O sorriso largo é a arma que as mulheres medianas usam, aquelas que não são nem estrelas de cinema, nem monstros do Lago Ness. É a arma que eu uso, pelo menos. O bom é que sorriso largo e simpatia não desaparecem depois dos 50. E do jeito que a coisa vai indo, quando tiver 50 anos vou ser ninja na arte de conseguir as coisas com um sorriso. É aquela velha história: tá no inferno, então abraça o capeta.
Essa é a vantagem de ser mulher. Basta um sorriso largo para que o cara do outro lado do balcão se desmanche em cavalheirismos. Parece que, quando vê uma mulher pela frente, o homem fica imediatamente mais bobo, mesmo que essa mulher não dê necessariamente um mole pra ele. Eu não dei mole pro cara do Detran. Mas ele liberou o meu carro.
Descobri a vantagem feminina muito depois das minhas amigas, quando já estava na faculdade. Foi observando o comportamento dos professores com as alunas, e depois com os alunos, que ficou claro com quem os mestres tinham mais paciência e benevolência. Mas volto a dizer que naquele jogo não havia nada de sexual - pelo menos, não explicitamente e racionalmente. Era mais como uma magia, um feitiço que a aluna, sem perceber, jogava no professor barbado e com muitos anos de praia. E essa foi a minha segunda descoberta: nesse jogo, só importa a idade da mulher, e não a do homem - velho ou novo, ele nunca resiste a um sorriso.
Claro que essa regra só se aplica a mulheres bonitas. E claro que, quanto mais bonita, menos "nãos" uma mulher recebe na vida. O que me faz lembrar de uma grande amiga minha, que também é muito bonita. Só que ela, justamente porque era bonita demais, não mostrava o seu sorriso a torto e a direito. Dizem que as mulheres muito bonitas também são muito metidas a besta. A julgar pela minha amiga, o que dizem é verdade. Ela é queridíssima, mas também metidíssima, se é que isso é possível. E ela sabe disso, e acha até engraçado.
O sorriso largo é a arma que as mulheres medianas usam, aquelas que não são nem estrelas de cinema, nem monstros do Lago Ness. É a arma que eu uso, pelo menos. O bom é que sorriso largo e simpatia não desaparecem depois dos 50. E do jeito que a coisa vai indo, quando tiver 50 anos vou ser ninja na arte de conseguir as coisas com um sorriso. É aquela velha história: tá no inferno, então abraça o capeta.
Wednesday, November 25, 2009
Os inesquecíveis de 2009
Parada no meio da estrada pra comer neve, na Espanha.
La Alhambra.
O Paquistanês do café de Barcelona.
O show do Radiohead.
Declarações de amor e castelos construídos na areia.
A primeira vez que cheirei (e achei uma merda, diga-se).
O karaokê indie e a minha redenção aos palcos da vida.
Uma conquista financeira e uma sentimental.
A volta à análise.
Meu primeiro roteiro elogiado.
Apendicite.
Gente chata x gente legal.
Gente louca.
Saudade dos amigos.
E outras coisas. Tantas outras. Pequenininhas. Todas valeram. Até as ruins. Eu agradeço todo mundo. Até quem me odeia. Até os loucos e os injustiços. Esses fizeram as coisas boas serem muito melhores! Até os loucos e os injustos merecem meus agradecimentos.
La Alhambra.
O Paquistanês do café de Barcelona.
O show do Radiohead.
Declarações de amor e castelos construídos na areia.
A primeira vez que cheirei (e achei uma merda, diga-se).
O karaokê indie e a minha redenção aos palcos da vida.
Uma conquista financeira e uma sentimental.
A volta à análise.
Meu primeiro roteiro elogiado.
Apendicite.
Gente chata x gente legal.
Gente louca.
Saudade dos amigos.
E outras coisas. Tantas outras. Pequenininhas. Todas valeram. Até as ruins. Eu agradeço todo mundo. Até quem me odeia. Até os loucos e os injustiços. Esses fizeram as coisas boas serem muito melhores! Até os loucos e os injustos merecem meus agradecimentos.
Arroz e ansiedade
Ontem eu fiz arroz. Fiz tudo direito, o arroz ficou soltinho, mas esqueci de colocar sal. Parece besteira, mas isso me resume um pouco: faço tudo bem certo, mas sempre rola uma cagada final. Tudo bem, antes pouco do que muito sal na comida. Compensei o erro com uma pitada extra com a porção já no prato. E se eu não contasse ninguém saberia que esqueci do sal. Mas eu não me satisfaço em fazer a pequena cagada do dia: eu tenho que divulgá-la e de me crucificar porque cometi o erro mais tosco do mundo fantástico das cozinheiras.
Ontem também foi o dia em que me avaliaram no trabalho. Adivinha: minha atuação supera em tudo. Mas é claro que supera, como poderia ser diferente?, eu penso. Do jeito que sou completamente viciada em trabalho, do jeito que priorizo a carreira na minha vida, impossível não superar as expectativas da chefia. Só que...
Só que eu sou ansiosa. Demais. E isso foi colocado na minha avaliação. Não entendi. Fiquei olhando a minha chefe dizendo que eu tinha que relaxar mais e fumar menos. Ela falou na boa, não foi uma bronca. Mas eu não entendi como se faz. Ela disse que eu tenho que continuar sendo uma profissional que supera expectativas, mas sem adquirir uma gastrite. Mas eu nunca tive problemas com gastrite, argumentei. Eu já tirei um apêndice, que não serve pra nada mesmo. E já fumei muitos cigarros, mas to a caminho da abstinência. Mas nunca tive nada com gastrite. Isso não. Tudo menos isso.
Fiquei olhando a minha avaliação ser preenchida com esse porém. O que passava na minha cabeça era: será que por causa disso não vou conseguir um aumento? Porque eu quero um aumento, eu mereço esse aumento, e eu não tenho a mínima vontade de continuar ganhando o que eu ganho. Portanto, é fato: vou ganhar o aumento.
Mesmo com toda a minha ansiedade.
Ontem também foi o dia em que me avaliaram no trabalho. Adivinha: minha atuação supera em tudo. Mas é claro que supera, como poderia ser diferente?, eu penso. Do jeito que sou completamente viciada em trabalho, do jeito que priorizo a carreira na minha vida, impossível não superar as expectativas da chefia. Só que...
Só que eu sou ansiosa. Demais. E isso foi colocado na minha avaliação. Não entendi. Fiquei olhando a minha chefe dizendo que eu tinha que relaxar mais e fumar menos. Ela falou na boa, não foi uma bronca. Mas eu não entendi como se faz. Ela disse que eu tenho que continuar sendo uma profissional que supera expectativas, mas sem adquirir uma gastrite. Mas eu nunca tive problemas com gastrite, argumentei. Eu já tirei um apêndice, que não serve pra nada mesmo. E já fumei muitos cigarros, mas to a caminho da abstinência. Mas nunca tive nada com gastrite. Isso não. Tudo menos isso.
Fiquei olhando a minha avaliação ser preenchida com esse porém. O que passava na minha cabeça era: será que por causa disso não vou conseguir um aumento? Porque eu quero um aumento, eu mereço esse aumento, e eu não tenho a mínima vontade de continuar ganhando o que eu ganho. Portanto, é fato: vou ganhar o aumento.
Mesmo com toda a minha ansiedade.
Tuesday, November 24, 2009
Viver sem tempos mortos
Finalmente fui ver a peça da Fernanda Montenegro. E foi tudo aquilo que eu esperava, e mais um pouco. Noi cenário, apenas uma cadeira e um canhã de luz em cima da atriz. E o texto saindo da boca de Fernanda, naquela voz rouca que ela tem. A história de Simone de Beauvoir, a mulher mais livre que já existiu no mundo. Até hoje em dia, Simone de Beauvoir seria uma mulher muito mais livre do que todas nós. Ela seria considerada uma puta, ainda hoje. O que me faz pensar que as putas sempre foram, e sempre serão, mais livres do que a maioria. Eu achava que puta era um xingamento. Agora já acho que é um elogio.
Só de uma coisa Simone não era livre: seu amor por Sartre. Ela era escravizada por esse amor, não conseguia se livrar das amarras dele. Abandonou uma grande paixão para voltar a Sartre. O mesmo que disse a ela que não a via mais com desejo. Eles continuaram juntos, mesmo sem sexo. Faziam sexo com coadjuvantes, com gente sem importância na história dos dois. Mesmo que eu viva mil anos, não vou saber nunca que tipo de amor é esse.
Quando você se dá conta, a peça acaba. Mas peraí, só se passaram 20 minutos? Não, se passou uma hora. Não sentimos. E ficamos com a sensação de que aquele texto deveria ser gravado, porque perdemos muita coisa do que é dito. Cada linha é essencial. Cada frase tem que ser carregada pra sempre. Eu não gosto de teatro. Mas gosto da Simone, e da Fernando e do Felipe.
Só de uma coisa Simone não era livre: seu amor por Sartre. Ela era escravizada por esse amor, não conseguia se livrar das amarras dele. Abandonou uma grande paixão para voltar a Sartre. O mesmo que disse a ela que não a via mais com desejo. Eles continuaram juntos, mesmo sem sexo. Faziam sexo com coadjuvantes, com gente sem importância na história dos dois. Mesmo que eu viva mil anos, não vou saber nunca que tipo de amor é esse.
Quando você se dá conta, a peça acaba. Mas peraí, só se passaram 20 minutos? Não, se passou uma hora. Não sentimos. E ficamos com a sensação de que aquele texto deveria ser gravado, porque perdemos muita coisa do que é dito. Cada linha é essencial. Cada frase tem que ser carregada pra sempre. Eu não gosto de teatro. Mas gosto da Simone, e da Fernando e do Felipe.
Wednesday, November 18, 2009
5 coisas que um homem não deve dizer a uma mulher
No jantar do primeiro encontro
1 - Puta que pariu, 200 reais!?!?
2 - Eu pago agora e você paga depois.
3 - Dá licença que eu vou dar uma seringada.
4 - Tenho que ir ao banheiro, o camarão já tá fazendo efeito.
5 - Tá explicada a conta. Só o seu prato foi R$60.
Depois do sexo
1 - Você fez tudo certinho.
2 - Foi ótimo, mas ainda não bateu a vez que eu comi aquela garota boa pra caralho lá em Porto Seguro.
3 - Minha ex-namorada chupava muito bem.
4 - Desculpa, mas eu gosto de ficar sozinho depois que gozo. Depois a gente se fala.
5 - Sabe aquela hora que eu coloquei a camisinha? Então: era mentira! Te engane-ei, te engane-ei!
No email
1 - "Gata, derrepente vc topa faser uma viajem comigo?"
2 - "FoI DiMaiXXX oNtEm Di NoIti!"
3 - "voce sabe eu queria ver voce de novo mas nao sei quando posso me liga quando vc puder ai a gente combina tenta amanha..."
4 - "Passe esse email para 20 amigos e um desejo vai se realizar. Se não passar, você vai perder as duas pernas em duas horas."
5 - "Era assim que eu queria ontem" (título do email: As Melhores Chupadas da Rede)
Apresentando pros amigos
1 - Essa aqui é a Vânia, quer dizer, a Luana.
2 - Essa aqui é a Luana. Ela que eu falei que faz aquele barulho quando ta gozando.
3 - Essa aqui é a Luana. É por causa dela que eu não faço mais porra nenhuma com a galera.
4 - Essa aqui é a Luana. To preso em casa mas to trepando bem mais que vocês!
5 - Namorada? Não, essa aqui é a Luana...
Conhecendo sua família
1 - A Luana tem essa cara de santinha, mas vou te falar que ela não é santa não!
2 - To com uma idéia incrível, ta a fim de entrar com uma grana não?
3 - Eu trouxe um livrinho da Herba Life pro pessoal dar uma olhada aí de bobeira.
4 - Passa o sal que a comida ta meio sem gosto.
5 - Bom saber que um dia tudo isso vai ser meu.
1 - Puta que pariu, 200 reais!?!?
2 - Eu pago agora e você paga depois.
3 - Dá licença que eu vou dar uma seringada.
4 - Tenho que ir ao banheiro, o camarão já tá fazendo efeito.
5 - Tá explicada a conta. Só o seu prato foi R$60.
Depois do sexo
1 - Você fez tudo certinho.
2 - Foi ótimo, mas ainda não bateu a vez que eu comi aquela garota boa pra caralho lá em Porto Seguro.
3 - Minha ex-namorada chupava muito bem.
4 - Desculpa, mas eu gosto de ficar sozinho depois que gozo. Depois a gente se fala.
5 - Sabe aquela hora que eu coloquei a camisinha? Então: era mentira! Te engane-ei, te engane-ei!
No email
1 - "Gata, derrepente vc topa faser uma viajem comigo?"
2 - "FoI DiMaiXXX oNtEm Di NoIti!"
3 - "voce sabe eu queria ver voce de novo mas nao sei quando posso me liga quando vc puder ai a gente combina tenta amanha..."
4 - "Passe esse email para 20 amigos e um desejo vai se realizar. Se não passar, você vai perder as duas pernas em duas horas."
5 - "Era assim que eu queria ontem" (título do email: As Melhores Chupadas da Rede)
Apresentando pros amigos
1 - Essa aqui é a Vânia, quer dizer, a Luana.
2 - Essa aqui é a Luana. Ela que eu falei que faz aquele barulho quando ta gozando.
3 - Essa aqui é a Luana. É por causa dela que eu não faço mais porra nenhuma com a galera.
4 - Essa aqui é a Luana. To preso em casa mas to trepando bem mais que vocês!
5 - Namorada? Não, essa aqui é a Luana...
Conhecendo sua família
1 - A Luana tem essa cara de santinha, mas vou te falar que ela não é santa não!
2 - To com uma idéia incrível, ta a fim de entrar com uma grana não?
3 - Eu trouxe um livrinho da Herba Life pro pessoal dar uma olhada aí de bobeira.
4 - Passa o sal que a comida ta meio sem gosto.
5 - Bom saber que um dia tudo isso vai ser meu.
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