Wednesday, October 31, 2007

Domingo de sol

Eu adoro São Paulo. Gosto de passar fim de semanas insanos, de quase não dormir em 48h de noites paulistanas, de visitar a Liberdade e comprar sapatos totalmente dispensáveis na Galeria Ouro Fino. Mas não troco, por nada nesse mundo, o Rio de Janeiro. Nem por NY, nem por Paris. Sou viciada demais nas situações da minha cidade.

Domingo acordei com a voz rouca de incontáveis cigarros da noite anterior. Ainda com a voz cavernosa, telefonei para o número certo, que iria me proporcionar programas divertidos e baratos. E aí, peguei o carro e me mandei pra Santa Teresa, pra almoçar frutos do mar em um restaurante cheio de artesanato do nordeste.

Próxima parada: Paineiras. Meu guia me avisou que a boa não é aquele cano grudado na pedra que nego chama de cachoeira, e sim uma trilhazinha no meio do mato, subindo pedras e passando por teias de aranha. Mesmo chiliquenta e totalmente urbana, decidi inovar e aceitei o desafio de me embrenhar mata adentro, e o resultado foi um banho revigorante em águas totalmente geladas. Diz a lenda que a cachoeira tem um código secreto em que dois grupos desconhecidos nunca se encontram: quando sobe uma primeira galera, os outros ferquentadores só aparecem no momento da descida. Toda a organização é feita metafisicamente, através da mística das águas do Parque Nacional Floresta da Tijuca. Quando eu voltava ao asfalto das Paineiras, não deu outra: encontrei um casal subindo, pronto para pegar o nosso posto. Achei incrível.

Depois dei um pulo no Parque das Ruínas pra ver uma exposição moderninha, e aproveitei pra tirar fotos do céu de Santa e ainda comer um salgadinho natureba. E mesmo com toda a intensidade da programação, ainda estava sol. Fiquei com muita vontade de aproveitar mais os dias que as noites nos fins de semana - mas a verdade é que sempre me rendo ao primeiro telefonema nortuno, e acabo acordando muito tarde no dia seguinte.

Mas fala sério, é ou não é uma cidade incrível o Rio de Janeiro?
Deixa eu pegar o crachá aqui na bolsa.

Tuesday, October 30, 2007

State of Emergency

Hoje eu estava lendo o blog da Kamille quando me deparei com esse texto maravilhoso sobre o show da Bjork. E fiquei com vontade de escrever sobre música e sobre como a minha vida é toda baseada em sons, e até o meu tempo é dividido por canções: com essa eu vou arrumar a cama, com essa eu vou preparar o meu sanduíche/jantar e com essa eu vou ficar lendo, deitada na cama.

(Agora estou ouvindo She's leaving home, dos Beatles.)

Eu fui no show da Bjork. Numa puta má vontade, é verdade, mas fui. Já vi a cantora outras duas vezes - minha estréia no FreeJazz, inclusive, foi na apresentação dela, em longínquos 1996, quando eu ainda era jovem. Dessa vez eu achei que o show não ia ser nada demais, porque nem gostei tanto assim do disco Volta, e comprei só porque uma amiga estava na fila e se ofereceu pra comprar pra mim.

(Agora estou ouvindo The warning, do Nine Inch Nails.)

Ainda bem que eu fui, ainda bem. Acho que não existe situação mais específica em que eu sinto a alma satisfeita que depois de assistir a um bom show. Exceto, talvez, algumas vezes em que leio uma certa passagem realmente incrível de um livro (acontecia toda hora com Incrivelmente Perto...), mas aí a história toda é muito solitária, muito você e o papel, sabe? Em um show a coisa é diferente, é como se fosse uma satisfação coletiva, com todas aquelas pessoas fazendo coro e gritando de prazer, literalmente.

(Ouvindo Glória, do Tom Zé.)

No caso da Bjork, as músicas foram repletas de lembranças de casos passados, de eventos e de historinhas inesquecíveis dos meus twenty somethings. Saudosista até o último fio de cabelo, eu cantava o refrão de Joga, o tal do state of emergency, how beautiful to be, versos que sempre entendi muito bem e sempre achei incríveis, e que durante anos figuraram na mensagem de abertura do meu celular tijolão, só pra me lembrar que eu não devo ficar encostada no muro vendo o povo passar - a menos, é claro, que eu esteja saboreando infinitamente esse momento.

(Ever Fallen in Love, do Nouvelle Vague)

Depois do show, o que mais tem pra fazer? Eu estava morrendo de sono e feliz e satisfeita, e havia uma chuva que empurrava todo mundo pra baixo das poucas coberturas do local, e era uma guerra pra conseguir uma cerveja.
Fui pra casa. Quando a coisa ta no auge eu me retiro, que é pra não perder tempo com a decadência.

(Próxima: Essa passou, Chico Buarque)

Vida sonora

Durante toda a minha vida eu fui viciada em música. Lembro de pegar uns disquinhos da Rita Lee que eram da minha mãe e colocar pra tocar naquelas vitrolas infantis que já vêm com caixa de som, e quando você dobra elas viram uma maleta. E depois, um pouco mais velha, comecei a fuçar a coleção de vinis de jazz do meu pai, e assim descobri Janis Joplin, Ella Fitzgerald e Chet Baker. E ainda teve as fases college rock e guitar band, uma curta passagem pelo heavy metal e pelo punk rock, até chegar ao injustificável e polêmico bate-estaca. Hoje em dia eu misturo tudo isso e ainda acrescento samba e MPB. Imagino que o povo do SoulSeek que vasculha a minha pasta de mp3 deve me achar uma louca, considerando que bem ao lado do Daft Punk existe uma lista extensa de Chico Buarques de todos os tempos.

Durante todos esses anos, o walkman (com todas as suas variações) virou o meu melhor amigo. Outro dia roubaram o rádio do meu carro e eu entrei em desespero, porque sabia que não aguentaria uma horinha de engarrafamento sem ter com que distrair meus ouvidos e a minha cabeça, sempre pronta a pensar um monte de besteiras. Mas aí, a solução foi dirigir de fone, burlando qualquer tipo de lei de trânsito que me prive de ter prazer. Saquei o iPod que mora na minha bolsa e me mandei para os meus 35km diários a caminho do trabalho.

O problema é que, desde então, não consigo mais tirar os fones do ouvido. Sabe como é, a vida fica muito mais interessante. Hoje mesmo, depois do trabalho, tive que passar no insuportável supermercado estreito e mega cheio que existe na minha rua. Não tive a menor dúvida: aumentei o volume do LCDSoundSystem que reinava no mp3 player a ponto de cobrir aqueles ordinários sons externos da vida cotidiana, sabe como é? E fui procurar margarina, requeijão, leite, etc, morrendo de vontade de dançar pelos corredores estreitos do Zona Sul, transformando todos os movimentos da menina do caixa em coreografia de videoclipe, fechando os olhos de vez em quando para me transportar pra fora daquela fila de no máximo 15 ítens (mas que todo mundo engana) e pensando que, não tem jeito, a minha sina é pagar duzentos reais no ingresso do show dos caras no Circo.
Essa necessidade de ter a alma beijada nunca vai me permitir virar milionária.

Tuesday, October 23, 2007

Pseudo malandragem

Tenho uma grande amiga que está de malas prontas pra morar em Madri. O plano é fazer um doutorado - 4 anos, minha gente... - e voltar com a tese debaixo do braço. Se bem que eu acho que ela vai terminar o doutorado e arrumar um trabalho em alguma universidade madrilenha, e conhecer um espanhol bem gato e se casar e ter dois filhos lindinhos e espanhoizinhos, que irão chamá-la de madrecita. E acho também que ela vai ser bem feliz lá, e de vez em quando ela virá pro Rio no carnaval, enquanto eu vou ter que ficar um tempão juntando dinheiro pro poder visitá-la, porque vou continuar ganhando míseros reais que nada valem no Velho Continente.

Tenho uma outra grande amiga, a única que conheço precisamente desde que nasci (ela nasceu dia 29 de abril e eu 29 de agosto, olha que simpático) que resolveu morar na Austrália, e já avisou que de lá ela não volta nunca mais. Lá vou eu juntar mais e mais ridículos reais para comprar essa passagem de avião mega cara que é a Rio - Sidney - Rio só para poder rever a minha amiga do coração.
Deve ser por isso que tenho problemas de abandono.

Eu e essas duas meninas costumávamos passar juntas todas as tardes depois do colégio. Fazíamos vários tipos de merdas, tipo roubar o carro do pai de uma delas pra ficar dando voltas pelo bairro, ter a cara de pau de pegar um filme de sacanagem pra ver como é que era e ficar com nojinho das cenas (porque o filme era feito de várias situações, mas todas terminavam com uma mulher sendo comida por cinco caras ao mesmo tempo), ou fumar os primeiros baseados de uma série, hábito que se estendeu por alguns anos.

Existe também a história clássica do arrombamento do armário. Uma das minhas amigas ficava o dia inteiro sozinha em casa, sem família e sem empregada, e por isso aquele lugar foi escolhido como a base do nosso pequeno clube. E a gente passava o dia inteiro comendo leite condensado com nescau e vendo televisão e ouvindo música, ou qualquer outro tipo de eventos não produtivos do dia-a-dia. Estudar, só se fosse na véspera da prova, ou nas provas finais. O que a gente queria era falar bastante besteira e andar de carro por aí.

Mas aí, a madrasta dessa amiga percebeu que os víveres do mês estavam acabando cada vez mais rápido. Mal sabia ela que alimentava duas bocas extras. E a madrasta passou a trancar o armário da despensa.
Nós três achamos um absurdo. Mas logo descobrimos um jeito de arrombar o armário sem que ninguém percebesse. E continuamos enchendo nossas barrigas de brigadeiros e biscoitos recheados de chocolate. Não sei como não ficamos obesas.

Anos depois, descobrimos que o pai da amiga de quem roubávamos o carro sempre soube do nosso truque. Perecebeu por causa da quilometragem. E a madrasta também sabia dos nossos assaltos à despensa. Provavelmente também sabiam dos baseados, mas isso a gente deixa quieto, né?
A gente se considerava tão malandra! Bons tempos esses de adolescentes de subúrbio. Pelo menos a pseudo-malandragem ficou pra trás...
E adolescência serve pra isso mesmo. Pra fazer coisas que ficariam ridículas se a gente fizesse quando adultos.

Monday, October 22, 2007

Grupos que vão crescendo

Um dia desses eu estava conversando com um parisiense e ele me revelou a mais estranha mania dos franceses: a de não fazer novos amigos. A declaração se deu em meio a uma conversa sobre como ele chegou ao Rio de Janeiro conhecendo apenas uma menina, e saiu de lá com uma lista de novas amizades. E toda essa conversa aconteceu no apartamento dele em Paris, quando um grupo de brasileiros comemorava o ano novo com uma moqueca de peixe mega improvisada (imagina tentar achar os ingredientes corretos pra fazer uma moqueca em plena Paris! Tem que rolar uma licença poética, né...)

Segundo nosso amigo, os franceses - principalmente os parisienses - conhecem na infância o grupo com quem irão se relacionar o resto da vida. Muito raramente um ou outro membro é adicionado ao grupo original. E os programas de sábado à noite são jantares e noitadinhas básicas, mas nada de grandes festas de aniversário com amigos dos amigos convidados. É uma galera bem restrita, essa de Paris.

A história de David (o parisiense em questão) no Brasil foi a seguinte: ele chegou para trabalhar no Rio de Janeiro com apenas um contato na mão. Esse contato arrumou uma casa pra ele morar em Santa Teresa, onde moravam mais duas pessoas. Os dois roommates deram festas no apartamento do trio e apresentaram David para outros amigos. David arrumou uma namorada brasileira e se apaixonou por mais uma dezena de cariocas - embora continuasse fiel à sua namorada. Meses depois, quando ele já estava de volta à França, foi surpreendido com o email de uma das novas amizades do Rio, avisando que passaria o reveillon em Paris, e que ficaria hospedada na casa dele. Pois é, a nova amizade, no melhor estilo brasileiro de ser, avisou que se hospedaria lá - não esperou por nenhum convite. E foi com mais duas amigas. E recebeu visitas de mais um casal de brasileiros que estava hospedado em um hotel ali perto. E na noite de 31 de setembro, David se viu cercado de uma mesa com pessoas que ele havia conhecido há menos de um ano.

E ele ficou maravilhado. Porque isso não existe lá.

Os meus amigos são exatamente o contrário dos amigos do David. O povo que eu conheço há uns 15 anos gosta de agregar cada vez mais gente - embora, de vez em quando, exista uma certa má vontade em relação a alguns namorados e namoradas dos membros do grupo. Mas acho que isso é normal, né? Em determinadas situações, a preguiça social com os acompanhantes dos amigos é altamente justificável. Mas, de uma maneira geral, o meu grupo não é assim. Aliás, ele cresceu tanto que acabou englobando outros grupos, e tudo virou uma gigantesca bolha da amizade, sabe como é?
Tipo a Bolha Assassina. Só que trabalhando para o bem.

Wednesday, October 17, 2007

Recebendo gente em casa

Uma das situações mais legais de ter uma casa só sua é que você pode encher o lugar de gente. No último feriado fui surpreendida com a presença de um paulista e um argentino, amigos de uma amiga, que chegaram no Rio para passar o fim de semana e encontraram todos os albergues da cidade lotados. Chamei as figuras pra ficarem lá em casa, mesmo não tendo a mínima idéia de quem se tratavam. Poderiam ser duas malas, mas eu dei sorte: os dois eram bem bacanas e me fizeram passar dias mega divertidos.

O lance de receber convidados é que o ritmo fica acelerado. Em se tratando de paulistas (ou sub-paulistas, como é o caso do argentino que mora em SP), a coisa fica mais complicada, porque de repente eu tive que levá-los pra um milhão de eventos que tinham a cara da cidade maravilhosa. Não conseguimos ir à praia, mas fizemos noitadas memoráveis. E o resultado disso tudo é que eu fiquei doente na segunda-feira.

Quando a poeira baixa, o corpo pede arrego.

Na sexta à noite fomos para a casa de um amigo em Ipanema, e depois paramos em uma boate recém reformada, que eu há muito já tinha riscado da minha lista de lugares visitáveis. No sábado, fomos tomar café da manhã no Leblon, almoço em Santa Teresa e caímos na gandaia em Botafogo. Domingo ainda deu tempo de um passeio rápido pela Urca, e depois uma merecida soneca à tarde, antes que meus novos amigos encarassem a estrada. Depois que eles acordaram e foram embora, a casa ficou tão vazia e silenciosa que me deixou um pouquinho deprimida.

Mas não tem nada não. Dá próxima vez que eu for a Sampa, já tenho muitos lugares pra ficar. E, melhor do que isso, tenho novos amigos que já moram no meu coração. E que eles me esperem no próximo mês! To chegando de mala e cuia.

Monday, October 15, 2007

Muretinhas

Alguém pode explicar qual é a atração irresistível que os cariocas sentem por uma muretinha? Basta que exista um muro baixo, daqueles que ficam no nível certo pra gente sentar, que logo surge um grupo de amigos, uma cerveja de garrafa e uns copinhos de vidro estilo botequim. E o papo começa ali mesmo, e vai se estendendo noite adentro, e se você não tomar cuidado pode ver seu sábado à noite ir por água abaixo porque você passou o dia bebendo na mureta. É um problema sem solução. Uma vez que se chega à muretinha, ninguém mais sai.

A maldição da muretinha me pegou na quinta passada. Como era véspera de feriado, já tinha traçado uma programação incrível que incluía lançamentos de livros, festas com gente interessante, noite com destilados e pouca ressaca no dia seguinte. Só que, chegando do trabalho, me deparei com um amigo que bebia cerveja na mureta da praça da minha rua. Resultado: parei por ali, com bolsa mega cheia de material de produção a tiracolo, e me deliciei com um copinho do que os paulistas chamam de breja.

E o copinho chamou mais um, que chamou outro, que chamou uma nova garrafa. Eu esperava uma amiga chegar de São Paulo, e ficava me repetindo que, quando ela chegasse, eu ia pra casa tomar um banho, jantar, fazer uma maquiagem legal - todas essas coisas que as pessoas normais fazem antes de cair na noite.

Mas a minha amiga chegou e eu continuei lá. E daí que a gente foi parar em Santa Teresa, e depois em um bar de Laranjeiras, e eu dei adeus ao meu programa de destilados e festas de lançamento de obras literárias.

A minha mureta preferida é a que fica em frente ao Bar Urca. Esse ano descobri que existe um verdadeiro séquito do muro da Urca, gente que passa o fim de semana inteiro comendo pastel e curtindo uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro. Tem gente que leva cadeira de praia e fica ali na calçada, mas eu, tradicionalíssima, prefiro descansar o bumbum na base de pedra. Não é muito confortável, mas é mega carioca.

Nesse feriado, recebi em casa dois paulistas e um argentino. Passei três dias tentando levá-los na muretinha da Urca, mas ninguém me deu ouvidos. No último dia, tentamos almoçar no Bar Urca que, obviamente, estava lotado. Fomos embora sem aproveitar a tarde totalmente decepcionados. Mas os paulistas já avisaram: na próxima viagem ao Rio, aquele murinho será prioridade.

A mureta do Bar Urca também já foi responsável pelo fim de um sábado à noite - mas dessa vez eu nem reclamo, porque foi realmente uma tarde bem legal. Quer dizer, eu reclamei um pouquinho na hora, mas agora já nem me lamento tanto. Às vezes é uma opção sábia trocar a luz do estrobo pela luz do sol.

Saturday, September 29, 2007

Frenética

Não parei de fumar. Mas tenho uma explicação perfeitamente lógica pra isso, que vou dar uma outra hora. A vida tem estado frenética, corrida, e eu preciso confessar que adoro isso. Todas essas coisas acontecendo e eu com a sensação muito nítida de que tudo tá indo bem.

Outro dia ganhei um convite pra assistir Madeleine Peyroux no Teatro Municipal. Tive dois aniversários na semana, recebi um convite inusitado de trabalho, disse adeus a um menino bonitinho mas ordinário, ganhei uma audiência contra uma operadora de telefonia celular, penso no meu reveillon no Machu Pichu. Não sei como vai ser o ano que vem, mas também não quero concluir nada agora. 2007, com todos os seus altos e baixos, tem sido um ano que vai ficar pra história.

Às vezes paro para contar os meses desde que terminei um namoro que acreditava ser eterno, mudei pro apartamento novo e fiz uma dezena de novos amigos. Fico surpresa em descobrir que não faz tanto tempo assim. Tenho a impressão de que já se passaram anos, décadas, porque claramente não sou a mesma pessoa do começo do ano.

A Baxt estava falando de epifania outro dia. E só agora eu saquei o que é. Entendi (quase) tudo.

Wednesday, September 19, 2007

Ex-fumante com data marcada

Paro de fumar no dia 23 de setembro. Toda vez que falo isso, meus amigos me olham de lado e soltam aquele risinho zombateiro, de descrença, sabe como é? Nós, os fumantes que planejam parar de fumar, somos alvos de todo tipo de dúvida da sociedade. Somos uma categoria que sofre com o preconceito geral: o dos fumantes que não pensam em largar seu vício, o dos fumantes que tentaram inúmeras vezes ficar longe da nicotina e desistiram da empreitada (por hora) e o dos antitabagistas convictos. Ou seja: todos estão contra nós, e nós estamos contra nós. Porque dentro do nosso grupo, ninguém leva fé nos outros. Uma eterna guerra, contra tudo e contra todos.

Mas eu já estou convencida de que tenho que parar de fumar. Há muitos e muitos anos, quando eu comecei com o cigarrinho malvado na minha vida, dizia a todos que aos 30 seria dado o adeus a este delicioso e fedorento troço. Só que, naquela época, os 30 anos eram uma época distante, mítica, em que eu supostamente já estaria casada, grávida do primeiro filho e ganhando o triplo do que ganho atualmente.
Ah, que delícia é ser adolescente e imaginar a vida aos 30...

Nada do que se supunha foi configurado. No entanto, mantenho a minha promessa, a única que depende única e exclusivamente da minha força de vontade direta. É só eu querer que pronto, parei. Como em um passe de mágica. Então, vambora, né. Chega de empurrar com a barriga.

Enquanto isso, fico me deliciando com as últimas doses do bastãozinho do prazer (soou erótico, ou foi impressão minha?). Fumo cigarros dirigindo, com a janela aberta, curtindo o ventinho. Fumo em frente ao computador, enquanto converso na internet. Fumo na hora de esticar as pernas para o cafezinho de 9h às 18h. Fumo quando assisto Seinfeld. E, claro, fumo quando encontro os amigos pra um chopinho.
Ai, como é bom fumar.

Mas pra mim, já deu. Por isso eu digo tchau. Se ninguém acredita, só lamento.
E acendo mais um cigarro brindando a isso.

Tuesday, September 18, 2007

I go out on Sunday night and I come home on Monday morning

Existe um determinado momento da noite que a gente sabe que não deve ir além. Um instante em que a nossa consciência avisa: mais um drink vai ser exagero, amanhã é dia de trabalho, não converse com malas em potencial, etc etc. Essa parte da decisão noturna eu já entendi. O que eu ainda não sei como acontece é exatemente quando e por que a gente opta pelo errado. Qual é a hora da definição do fracasso do dia seguinte? Não dá pra saber...

Outro dia fui encontrar amigas para um singelo drink e um inocente bate-papo. Pelas minhas contas, à meia-noite eu estaria em casa, com a alma intacta e o dia de trabalho de segunda-feira cheio de produtividade. Mas o que parecia ser uma noite calma se transformou em uma festa longa... e que acabou tarde.

No dia seguinte, eu catava os milhos em cima do meu teclado. A cabeça pesava e cada cigarro parecia a morte. Eu só queria, desesperadamente, dormir. Mas como a gente paga pelas escolhas que faz - mesmo que elas tenham sido feitas na base do mojito - meu dia só acabou 10h30 da noite, com direito a geladeira sem comida e quarto completamente desarrumado.

E tem mais: demorei a dormir. Inacreditável.

O problema é que se alguém me perguntar se rolou um arrependimento, eu vou confessar que... não. Nenhum. Nem dos telefonemas insanos de madrugada, direcionados a pessoas improváveis (quando a gente acha que ninguém vai atender, aí mesmo que nego atende, né? Esse mundo tá todo do avesso).

Vai ver a minha consciência, de tanto ser ignorada tarde da noite, optou por se calar de vez.
É o preço que se paga.

Friday, September 14, 2007

I go out on Friday night and I come home on Saturday Morning

Quem foi que disse mesmo que com 30 anos acabou o tempo de fazer loucurinhas? Comigo não rolou isso não. Na verdade, tenho 30 anos e 15 dias, e por isso não me libertei ainda do ranço dos twenty-something. Mas a impressão que eu tenho é de que justamente agora é que tá ficando bom! E só lamento o tempo inacreditávelmente enorme que eu perdi com cabelos esquisitos e reclamações pseudo-existencialistas.

Outro dia um amigo me escreveu perguntando como é que eu estava me sentindo agora que tinha chegado aos 30. Respondi que estava ótima, que me achava muito mais bonita agora do que aos 25, e que a independência financeira era um presente dos deuses. No email de resposta, ele escreveu: "Caramba, você está soando como uma autêntica balzaquiana".
Vale ressaltar que esse meu amigo é mais velho, tem dois filhos, etc, e me conheceu com vinte e poucos, no auge dos meus questionamentos pós-adolescentes, que ele provavelmente encarava entre o tédio e a diversão de homem mais velho. Talvez a constatação do meu amigo de que agora eu tenho 30 tenha feito com com que ele se sinta meio coroa. Afinal de contas, eu era o seu contato com o mundo "jovem", solteiro e sem amarras sociais.

Apesar da minha rotina continuar basicamente a mesma, há alguns aspectos que eu não posso negar que mudaram sensivelmente. Na maioria das vezes eu sei exatamente o que falar e quando falar, e são cada vez mais raras as pessoas que conseguem me impressionar de alguma maneira. Sei que é um papo blasé e meio pentelho, mas alguma coisa tem que mudar na gente depois de certa experiência de vida, né? E, pra falar a verdade, nem sei se é tão bom assim não ser surpreendida pela humanidade.

Eu sinto um pouquinho de falta de ficar desconcertada diante de uma situação e de sentir frio na barriga. Mas é só um pouquinho mesmo. De resto, to bem melhor agora.
Quem viver até os 30, verá.

Wednesday, September 12, 2007

Coisas legais que fiz nos últimos dias

- Pedi uma pessoa em casamento e ouvi um sim (provavelmente ele nem se lembra, mas isso não vem ao caso agora).
- Vi o sol nascer na Praia de Botafogo e tirei milhões de fotos com o celular.
- Dei uma estrela no canteiro central do Aterro do Flamengo, no exato momento que um ônibus passava.
- Apresentei dois amigos que se tornaram grandes companheiros naquela noita.
- Coloquei meus amigos de graça pra dentro de uma festa.
- Fiz uma macarronada pra duas amigas.
- Encontrei ao vivo um amigo virtual.
- Dei de presente pra uma amiga que tinha arrancado os cisos um pote (pequeno) de Haagen-Dasz.

Monday, September 10, 2007

O filme do momento

Outro dia fui fazer compras e ouvi um empacotador comentando com outro: "...agora vai sair a segunda versão pirata, dizem que é diferente da primeira, e que tem a versão proibida também. Lá no Centro eu comprei um DVD e já emprestei pra um camarada..."

Mesmo sem ouvir o nome do filme, eu sabia que eles estavam falando de Tropa de Elite.

Essa foi a terceira ou quarta vez na semana que ouvi alguém comentar sobre a obra não lançada de José Padilha. Até a minha manicure assistiu ao filme, e o meu professor de direção cinematográfica mencionou na aula o caso de pirataria da obra. Esse é o assunto do momento, e vai das classes A a D: do governador do Rio aos empacotadores do Zona Sul.

Depois de prestar atenção na conversa dos meninos do mercado, resolvi que era hora de saber que negócio é esse que todo mundo está falando. Procurei no Youtube um trecho do filme e, pra minha surpresa, encontrei a tal cena de invasão do morro, em que o policial pega um estudante pra cristo e põe a culpa da situação em que vivemos em "maconheiros como ele".

Eu fiquei impressionada, achei a seqüência bem feitinha e tal. Mas uma amiga me disse que viu o filme e achou tudo muito lugar comum: as cenas de violência, a truculência dos policiais, o ambiente das bocas de fumo. Só que eu não sei se é tão lugar comum assim, porque eu imagino que invasão de morro seja exatamente daquela maneira. Quer dizer, eu, enquanto classe média alta do asfalto, não faço a mínima idéia do que acontece nas favelas com boca de fumo. Não subo morro pra comprar nada, então todas as vezes em que estive em uma favela eu passei bem longe dos cara. Nunca levei uma dura, nunca fui presa, nunca fui a baile funk. Então, pra mim, tudo o que rola na seqüência do filme pode ser o mais puro retrato da realidade.

E isso tudo me deprime horrores. Tenho amigos que plantam maconha em casa porque gostam de fumar um baseado mas não concordam em comprar de traficantes. Além disso, dizem eles, a qualidade da cannabis caseira é muito melhor que a de atacado.
Admiro quem faz isso, mas a grande maioria compra no morro mesmo, ou então consegue com intermediários que são os buchas que vão lidar com os donos da boca. De qualquer forma, a menos que você passe a produzir seu próprio barato, você está diretamente ligado a toda essa merda. É simples e cruel.

Ao mesmo tempo que eu chego a essa conclusão, eu penso em Nova York. Todo mundo fuma maconha em NY. E usa cocaína. E, mesmo assim, não existe esse duplo controle de estado - o oficial e o oficioso. Então é muito fácil colocar toda a culpa no usuário, mas o buraco é muito mais embaixo.

Tropa de Elite vai estrear no Festival BR, que deve ser em outubro. Eu não vou assistir à cópia pirata, vou esperar pra ver no cinema, em tela grande e, de preferência, com ar condiocionado. Mas vou asssitir e comentar com quem puxar esse papo comigo. Acho que esses temas têm mais é que ser debatidos à exaustão mesmo.

Update (copiando Baxt): Depois de escrever o texto, cheguei na casa do meu pai e enocntrei uma cópia pirata do filme. Aí me sentir na obrigação de assistir, né? Já que eu tava ali... Resumindo, o filme é bom mesmo. E eu vou ver no cinema também. Provavelmente não na primeira semana, mas vou ver.
É isso.

Thursday, September 06, 2007

Nova Mania

Meu mais novo hobby é filmar os amigos quando eles estão no auge da bebedeira. Funciona assim: em certo momento da festa, quando todas as conversas não fazem mais o mínimo sentido, eu ligo a câmera a começo a captar a conversa. Nesse momento, ninguém mais se importa se eu estou filmando ou não. Na verdae, quando se encontram em estado avançado de álcool, todos são grandes atores e pensadores.

Minha primeira experiência foi na viagem pra Teresópolis. O grupo estava sentado na mesa da cozinha - onde, invariavelmente, as festas acabam - quando saquei a minha Sony Cybershot e iniciei a filmagem. Capitei uma amiga imitando o som do ronco dela quando ela bebia, e um dos meninos, que é estudante de cinema, explicando que quando terminar a faculdade vai fazer filmes pornôs e ganhar muito dinheiro. Diz ele que é melhor que fazer filme publicitário.

A segunda experiência foi no dia do meu aniversario, quando eu e dois amigos decidimos terminar a noite no Diagonal, o bar mais deprimente do Rio de Janeiro. Bebemos apenas um chope e o garçom anunciou que o bar estava fechando. Pedimos a saideira e fomos negados! O meu filme consiste no discurso que uma amiga fez sobre o direito de obter o último do chope da noite quando se chega aos trinta anos.

No fim de semana passado ffilmei a minha última obra incrível. Um amigo que já havia consumido váááárias doses de vodca com qualquer coisa sem álcool começou uma manifestação sobre as pessoas que estavam na festa. Corri para a sala, peguei a minha câmera e gravei toda a lógica sem sentido dele. No dia seguinte assistimos ao vídeo e demos boas gargalhadas.

É ótimo eternizar estes momento que não deveriam ser eternizados.

Tuesday, September 04, 2007

Revelações automobilísticas

É dirigindo que tenho as maiores revelações existencialistas. E também idéias para textos. Não sei se isso acontece porque estou relaxada, ouvindo música, fumando um cigarro, ou se é porque este é o momento que me reservo para pensar na vida. O fato é que outro dia tive uma revelação que mudou a minha existência imediata (no sentido de ser existência que está acontecendo no momento, sabe): descobri que se mudo de A pra B e de B pra A o tempo todo, é porque não quero nem uma coisa nem outra.


Foi como tirar um piano das costas. Foi realmente incrível. De repente eu estava admirando o brilho do sol nos carros, cantando Beatles no máximo da minha curta afinação e dirigindo um pouquinho mais devagar que o habitual.

Dirigir é a maior diversão. Às vezes invento de viajar só pra poder ficar trancada no meu Palio 2002 com o som nas alturas e as janelas fechadas. Lembro de uma vez que peguei a serra de Teresópolis depois de ter brigado com um namoradinho tra-lá-lá. Coloquei aquele disco vocal da Björk e fui admirando toda a mata Atlântica intocada da região. O celular estava fora de área, o meu tanque estava cheio e o meu cartão de crédito andava a pleno vapor. O que mais eu posso pedir da vida, meu deus?

Uma pena a gasolina ser tão cara.

Thursday, August 30, 2007

E agora?

No fim de semana passado, terminei o livro "Extremamente..." Na verdade, não sosseguei enquanto não finalizei a história, e fiquei até altas horas da sexta à noite me deliciando com a prosa daquele cara que tem a minha idade e já escreveu dois livros geniais. Desisti de sair e encontrar amigos pra ficar cara a cara com Oskar e todos aqueles pensamentos absurdamente sensíveis e tristes. Obviamente, também fiquei sensível e triste enquanto acompanhava a vidinha do moleque novaiorquino - basta reler os últimos textos desse blog pra concluir que alguma coisa o livro conseguiu mexer aqui dentro.

Depois de ler a última frase e de acompanhar as últimas fotos, fiquei tomada daquela sensação de dever cumprido. Sabe como é, quando você conclui uma atividade a que se propôs, e fica sentindo aquele gostinho de satisfação. Mas essa sensação durou cerca de cinco minutos, e logo depois se transformou em um grande vazio. Afinal, agora eu não tinha mais com o que beijar a minha alma diariamente.

Costumo dizer para as pessoas que elogiam alguns textos desse blog que eu sou uma fraude. Porque os melhores contos e crônicas e etc saem justamente quando eu estou lendo algo muito bom. É como se a chama-piloto de repente passasse pra carga máxima, e então eu tivesse que colocar pra fora todas as coisas que costumo pensar enquanto leio um livro ou vejo um filme. Mas, uma vez terminada a leitura ou o cinema, volto ao estado inicial de chama-piloto, volto aos relatos fáceis e engraçados e curiosos do cotidiano, que eu escrevo com o pé nas costas, ouvindo música e conversando com outras pessoas. Falar sobre o cotidiano não é nem um pouco complicado pra mim; falar de sentimentos pega mais fundo, sai mais difícil e quase nunca eu gosto de resultado final. Mas também, quando gosto, leio e releio do texto me deliciando com a qualidade. Fico orgulhosa. Não é todo dia que a gente realmente gosta do que produz.

Agora me dedico ao livro do século XIX, um calhamaço de quase 700 páginas que eu estou há meses saboreando. Mas não é alguma coisa. Estou morrendo de saudades do Oskar. E também não é todo dia que sinto falta de alguém que nem existiu de verdade.

Tuesday, August 28, 2007

O milagre da multiplicação das cangas

Outro dia eu estava na praia com Gilles e outros amigos. Gilles vem a ser um francês maquiador da Chanel de Paris que calhou de aparecer na minha casa em um sábado à noite. Resultado: passou o sábado maquiando a mulherada, que ficou enlouquecida com a técnica sfumatto do rapaz. A partir desse dia, eu fiquei absolutamente fã de Gilles, de modo que nós marcamos uma praia antes que ele voltasse para sua terra.

No começo, era só eu, o francês, a Mari e uma amiga dela. Dali a pouco, apareceu o Kito com duas amigas, que estenderam a canga junto às nossas. E, um pouquinho depois, amigos das amigas do Kito também deitaram-se do nosso lado.

Gilles ficou admiradíssimo. Perguntou pra Mari, dias mais tarde, se a prática da união de cangas era muito comum nas praias cariocas. Quando soube da pergunta do francês, foi a minha vez de ficar surpresa. Afinal, não é assim no mundo inteiro? Não é por isso, inclusive, que é uma delícia ir à praia?

Houve um dia em que as cangas se multiplicaram com intensidade sem igual. Fui encontrar com a Lui e o Pepeu em frente à barraca Sandália da Humildade (escolhi ali porque simplesmente adoro esse nome) e logo apareceu um amigo do Pepeu que trouxe outro amigo, que trouxe uma canga gigante (talvez a maior que eu já vi na vida), que trouxe um monte de meninos que faziam malabares e acrobacias. Confesso que dessa vez fiquei meio incomodada, porque em poucos minutos eu não conhecia mais ninguém que estava ao meu redor, e me irrita em certo nível todas essas atividades circenses.

Mas aí, como Deus é brasileiro e, ainda por cima, carioca, logo se formou um subgrupo dentro do grupo do cangão, e todos foram felizes para sempre. E essas amizades de dias ensolarados vão se encontrar novamente no próximo fim de semana, em frente à Sandália da Humildade, ali pelo coqueirão.
Me encontra lá. E leva a sua canga.

Monday, August 27, 2007

Conexão 24h

A minha rotina tem sido mais ou menos assim: chego em casa do trabalho, ligo o computador, conecto na internet (com MSN, Skype e GTalk funcionando), preparo o meu sanduíche fromage au grill e meu copo de sucos variados e me sento em frente à tela. E ali fico por pelo menos uma hora, conversando com amigos que estão a um quarteirão da minha casa ou em outro país, assistindo a vídeos no Youtube, checando recados no Orkut, passando links e fotos para o mundo.

Até esse fim de semana, achei que só eu e alguns poucos estavam engajados em tamanha nerdice. Mas um papo na praia me mostrou que esse é um vício geral. A conversa surgiu depois que um dos amigos comentou que agora que tinha consertado a internet da sua casa, se sentia de volta à realidade. E confessou que a primeira coisa que faz quando chega em casa é ligar o computador, colocar um MP3 pra tocar e entrar na internet.

Nesse mesmo dia, encontrei com outro grupo de amigos e comentei sobre o papo da praia. Os meus amigos da noite disseram que eles também levavam a vida on line, e uma das meninas falou que o computador dela está 24h ligado, porque ela estava sempre baixando músicas no SoulSeek.

O curioso é que toda essa galera está, como eu, na faixa dos 30. Eu já sabia que os adolescentes gostavam de um bate-papo on line, mas não imaginava que os balzaquianos também levavam essa vida. Adolescentes já nasceram com a internet bombando, conexão banda larga e vários programas para baixar músicas e filmes. Os balzaquianos, ao contrário, viram essa história toda nascer e crescer - e, mesmo assim, se renderam às facilidades da vidinha do computador.

Eu acho tudo ótimo. Não vejo problema nenhum em não encontrar com os amigos ao vivo para ficar conversando via internet. Se não rolasse essa conexão, provavelmente eu ficaria isolada em casa, vendo TV. Mas, por outro lado, ando lendo muito menos do que gostaria, e isso tem muito a ver com o tempo que gasto em frente à telinha do meu querido laptop. Mas aí em nem coloco a culpa na internet.... A culpa é minha mesmo, compulsiva que sou em novidades comportamentais.

Friday, August 24, 2007

Se joga II

Não é possível proteger-se da tristeza sem antes proteger-se da felicidade.

Do livro Extremamente Alto, Incrivelmente Perto


Abro o livro do século XXI e, em meio a um texto sobre amor e abandono, encontro essa frase. Quando leio uma passagem que me chama a atenção, tenho essa necessidade urgente de anotar pra nunca mais esquecer. Meu primeiro impulso ao bater os olhos naquelas linhas foi copiar a frase e mandar uma mensagem para alguém que iria entender. Depois pensei que não adiantaria nada, porque só entende aquele que quer entender, e ao invés de anotar os dizeres para terceiros, anotei pra mim mesma, no caderninho que mora na minha bolsa. Para que eu pudesse usar a frase mais tarde. Ou para não enterrá-la em meio a outras frases muito menos importantes e eficientes.

Não é possível proteger-se da tristeza...

Foi meio que um soco no estômago. Estava me sentindo tão sabida, tão madura, totalmente segura dos meus sentimentos, tateando o chão antes de dar o próximo passo. E aí, não saía do lugar, ficava parada sentindo com as pontas dos dedos do pé a terra ao meu redor. Uma ilha de segurança que criei.

... sem antes proteger-se da felicidade.

E agora eu descobri que não é nada disso, e o que todas as minhas amigas falam sobre futuros e passados amantes é muito triste, porque a cada passo, a cada minuto, nos tornamos um pouquinho menos o que somos de verdade, porque escolhemos fazer o papel mais seguro, o que supostamente não nos magoa, porque acreditamos que estamos todos preparados para a vida e nada pode nos derrubar facilmente. E depois que eu descobri isso, eu fiquei com muita vergonha de toda a minha segurança, e gritei internamente: que se dane o que é certo, e passei a torcer por paixões impossíveis e avassaladoras, e passei a procurar pessoas que tivessem o mesmo sentimento que eu. Só não encontrei ninguém ainda que pense e que sinta como eu penso e sinto agora.

Mas não tem nada não. Tenho todo tempo do mundo.