Sempre que estou sem assunto, dou uma passadinha em blogs alheios. Eu sou uma usurpadora, um chupa-cabra de idéias dos outros, portanto cuidado na hora em que me contarem algum projeto mirabolante. Eu posso esquecer toda a minha ética em momentos como esse.
Um ponto positivo é que eu sempre cito de onde roubei o tema. Será que isso faz de mim uma pessoa menos rata? Anyway, estava eu muito entediada na casa do meu namorado (ele não estava, é claro), quando resolvi espiar o blog da Baxt. E lá pelo meio tnha um negócio falando sobre Carpe Diem, etc, e o resto eu não vou contar porque tenho preguiça, portanto quem se interessar que passe lá pelo site dela.
E daí eu me lembrei de que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, todas as campanhas publicitárias norte-americanas abordavam o tema "aproveite a sua vida enquanto é tempo". Não sei se foi nesse momento que nasceu um certo asco por tudo o que envolve aproveitar o momento, cease the day e todo o resto que diziam na Sociedade dos Poetas Mortos, ou se esse sentimento já vinha crescendo em mim havia um tempo. Talvez tenha sido uma mistura dos dois fatores, um negócio que começou de um jeito e terminou de forma explosiva no pós ataque ao World Trade Center. O fato é que eu simplesmente odeio a idéia de ter que aproveitar a vida intensamente.
O que é meio estranho. Porque na adolescência, lembro bem, eu era uma mistura de hippie-gótica-punk-alternativa (deu pra imaginar?) e adorava colecionar frases de celebridades do rock que tinham morrido jovens. Escrevia na agenda "live fast, die young" e coisas do gênero. Quando ficava em casa muito tempo sem fazer nada, começava a sentir a ação do que meu pai chamava de bicho-carpinteiro e queria ir pra rua, descobrir as coisas, viver aventuras. Pelo menos era assim que eu encarava os meus dias. E, naquela época, qualquer quarta-feira à tarde com amigos depois do colégio era uma diversão sem precedentes.
Mas essa época passou, e agora tudo o que eu procuro fazer nos finais de semana é ficar quieta no meu canto e pisar levemente na jaca à noite. Todo sábado eu me programo para ir à praia- ao cinema - à exposição - ao anima mundi (quando tinha) - ao aterro do flamengo para patinar de rolleer, etc. E, no final, acabo é passando a tarde assistindo ao especial de Seinfeld na Sony, para depois tirar uma sonequinha, para depois acordar e tomar banho e sair. E olha que eu já acho isso muito.
Thursday, August 18, 2005
Wednesday, August 17, 2005
Terra do Nunca
A menos que todas estas coisas não sejam verdade - todas estas coisas que você me fala quase todos os dias, sobre amor e ficar junto e destino e tudo mais - a menos que nada disso seja verdade, então eu não tenho motivo para me preocupar com os outros (e com as outras, principalmente). Mas se na verdade tudo o que você me diz não passa de fantasia (veja bem, não digo que seja mentira, e sim fantasia, porque quando a gente mente a gente procura deliberadamente prejudicar o outro, enquanto que quando a gente fantasia, queríamos que aquilo se tornasse realidade) - então, se tudo o que você me diz não passa de fantasia, aí sim eu teria que me preocupar com traições morais, psicológicas e sexuais. E eu bem que acho que você é chegado inocentemente a uma fantasia, como naquele dia em que você disse que me amava. Hoje eu sei que você pode realmente me amar - já se passou tanto tempo e tal, e continuamos juntos e tal -, mas, naquele tempo, acho que você não me amava de verdade, mas você queria desesperadamente que aquilo se tornasse realidade, e então você falou a tal frase original: eu te amo. E aí eu ouvi e repeti que eu também, embora eu fosse exatamente como você: não amava, mas queria amar. E sabia que era só questão de tempo.
Como naquela outra vez em que a gente tinha bebido demais e eu estava levíssima, mais leve que o ar, flutuando entre os fogos, toda feliz porque estava rasa como muitas pessoas aparentemente felizes são, e então você me olhou bem sério - ok, nem tão sério assim - e segurou meus cabelos enquanto eu vomitava no jardim - eu nunca fui muito boa com bebidas, a menos que sejam destilados - e eu disse que tudo bem, e agora: olha aí.
Mas eu deveria saber, desde aquele dia, que você é chegado em um faz-de-conta, que você vive numa Disneylândia pessoal, e que quer transformar tudo em Vocelândia. Eu deveria ter percebido mas, por outro lado, isso não faria a mínima diferença. Afinal, eu também gosto de um conto-de-fadas. E outro dia mesmo eu vi a Sininho.
Como naquela outra vez em que a gente tinha bebido demais e eu estava levíssima, mais leve que o ar, flutuando entre os fogos, toda feliz porque estava rasa como muitas pessoas aparentemente felizes são, e então você me olhou bem sério - ok, nem tão sério assim - e segurou meus cabelos enquanto eu vomitava no jardim - eu nunca fui muito boa com bebidas, a menos que sejam destilados - e eu disse que tudo bem, e agora: olha aí.
Mas eu deveria saber, desde aquele dia, que você é chegado em um faz-de-conta, que você vive numa Disneylândia pessoal, e que quer transformar tudo em Vocelândia. Eu deveria ter percebido mas, por outro lado, isso não faria a mínima diferença. Afinal, eu também gosto de um conto-de-fadas. E outro dia mesmo eu vi a Sininho.
Tuesday, August 16, 2005
Sábados
Ai, que preguiça disso tudo de novo: pista enfumaçada, São Jorge sobre a porta e som ensurdecedor vindo dos quatro cantos do mundo. Acabei de acordar porque agora, no Rio, ou a gente tira um bom cochilo antes de sair à noite, ou tem que apelar para barbitúricos. Como eu já me considero velha demais para o delsumbramento adolescente das drogas, resolvo que dormir uma horinha à tarde é a minha alternativa. Mas que nada, esta foi uma péssima opção: chego no Dama de Ferro às quatro da manhã com a cara exata de quem acabou de acordar.
Lá em cima, pessoas estão se acotovelando, meninas muito magras seguram drinks rosas e formam-se almôndegas humanas remanescentes de 1997. Apesar de tudo, eu gosto daqui. Basicamente, o problema são as outras pessoas. As que me fazem bocejar. Me aproximo do bar para beber qualquer coisa e ouço a conversa ao lado (é que eu adoro ouvir a conversa ao lado. Não que seja uma questão de fofoca, mas sim de genuíno interesse no exemplar humano à primeira vista, antes de começar a sentir sono com comportamentos repetitivos):
- ... eu liguei pra ele e ele disse que vinha pra cá, ele tem uma namorada, mas a relação está mal das pernas, eu gosto dele mas ele não larga a namorada por mim, outro dia ele passou lá em casa e a gente começou a transar e no meio do sexo a namorada ligou, foi realmente muito constrangedor, mas eu não sei o que ele vê nela, ela é meio gordinha e se veste muito mal, ela nunca sai com ele, não gosta do tipo de música que ele gosta, daí ele fica sozinho por aí, todo interessante, dando sopa para as meninas que vão a bares gays e que têm pouca opção, ela pede mesmo pra ser corna, tadinha...
(Suspiro) Somos todos uns certinhos travestidos de modernos. Os preconceitos são os mesmos no Dama de Ferro ou no Bombar, só que aqui as pessoas usam mais piercings e ficam com outras do mesmo sexo. E é isso o que me dá sono.
Olho para o relógio: quatro e meia. Ainda é preciso resistir um pouco mais.
Lá em cima, pessoas estão se acotovelando, meninas muito magras seguram drinks rosas e formam-se almôndegas humanas remanescentes de 1997. Apesar de tudo, eu gosto daqui. Basicamente, o problema são as outras pessoas. As que me fazem bocejar. Me aproximo do bar para beber qualquer coisa e ouço a conversa ao lado (é que eu adoro ouvir a conversa ao lado. Não que seja uma questão de fofoca, mas sim de genuíno interesse no exemplar humano à primeira vista, antes de começar a sentir sono com comportamentos repetitivos):
- ... eu liguei pra ele e ele disse que vinha pra cá, ele tem uma namorada, mas a relação está mal das pernas, eu gosto dele mas ele não larga a namorada por mim, outro dia ele passou lá em casa e a gente começou a transar e no meio do sexo a namorada ligou, foi realmente muito constrangedor, mas eu não sei o que ele vê nela, ela é meio gordinha e se veste muito mal, ela nunca sai com ele, não gosta do tipo de música que ele gosta, daí ele fica sozinho por aí, todo interessante, dando sopa para as meninas que vão a bares gays e que têm pouca opção, ela pede mesmo pra ser corna, tadinha...
(Suspiro) Somos todos uns certinhos travestidos de modernos. Os preconceitos são os mesmos no Dama de Ferro ou no Bombar, só que aqui as pessoas usam mais piercings e ficam com outras do mesmo sexo. E é isso o que me dá sono.
Olho para o relógio: quatro e meia. Ainda é preciso resistir um pouco mais.
Tuesday, August 02, 2005
Plágio
O meu ego super mega king size ficou ouriçado na semana passada quando descobri que um texto que eu havia escrito há anos circulava pela internet sem os devidos créditos. Tudo aconteceu quando decidi mostrar um dos quatrocentos e sessenta mil blogs que eu criei e depois abandonei na rede. Aquele era dos tempos em que eu morava em NY pobre, praticamente miserável e nem um pouco glamourosa - mas atenta ao que corria ao meu redor, como sempre. E o texto em questão era sobre as características básicas dos nova-iorquinos, um blá blá blá besteirol que inventei porque não tinha nada melhor a dizer.
Mas então. Não é que eu estava mostrando o tal do site quando alguém disse: já recebi isso por email!
Calma aí. Sem link pro meu site? Poxa, que falta de criatividade. E nem era um texto tão bom assim. Definitivamente, nada que me levasse ao Pulitzer e ao reconhecimento internacional.
Assim, gente, se alguém quiser mandar texto meu por aí, tudo bem, sem problema. Mas coloca o endereço do blog, vai.
Ainda mais agora que eu coloquei contador. Dá uma deprê danada entrar aqui e ver que todos os acessos foram meus....
Entendam que o meu super mega king size ego não agüenta tanto abandono.
Mas então. Não é que eu estava mostrando o tal do site quando alguém disse: já recebi isso por email!
Calma aí. Sem link pro meu site? Poxa, que falta de criatividade. E nem era um texto tão bom assim. Definitivamente, nada que me levasse ao Pulitzer e ao reconhecimento internacional.
Assim, gente, se alguém quiser mandar texto meu por aí, tudo bem, sem problema. Mas coloca o endereço do blog, vai.
Ainda mais agora que eu coloquei contador. Dá uma deprê danada entrar aqui e ver que todos os acessos foram meus....
Entendam que o meu super mega king size ego não agüenta tanto abandono.
Friday, July 29, 2005
Nota
Alguém acredita que eu já to enjoando de Caio Fernando Abreu?
Estou acostumada com cultura McDonalds: a gente vê, come, se entope, acha delicioso, e daqui a meia hora tá com fome de novo.
Estou acostumada com cultura McDonalds: a gente vê, come, se entope, acha delicioso, e daqui a meia hora tá com fome de novo.
Extra! Pré-balzaca só assiste a filmes de super-heróis! (e ainda tece comentários sussurrados durante a sessão)
Achei Batman Begins chato. Quer dizer, tem coisas boas e coisas ruins, mas o que ficou na minha lembrança foi o fato de que as coisas ruins são tão bobas que poderiam ter sido facilmente evitadas, tornando o filme realmente o melhor filme do Batman de todos os tempos. Por causa disso – da facilidade com que poderiam evitar erros bobos – o meu veredicto final é radical: o filme é chato.
De chato eu falo pelo nervoso que eu tive do ator principal, porque ele tem a língua presa daquele jeito como o presidente Lula fala (nessas horas eu queria ser uma pessoa genial para conseguir escrever o som que a língua presa do Lula faz). E ele tem cara de cu. E eu não imagino o Bruce Wayne com cara de cu; foi mal.
Outro ponto que eu não gostei foi a maneira com que o Batman conseguiu todos os utensílios incríveis do batcinto. Eu sempre achei que o Batman era cabeçudo, que ele estudava pra caramba até conseguir construir, ele mesmo, os utensílios que precisava em sua busca de vingança. Mas lá no filme, tudo é dado de mão beijada por um antigo diretor nas empresas Wayne, e esse pequeno detalhe transforma Bruce Wayne em um herói que consegue combater o crime porque é milionário.
E, vem cá, gancho pro número 2 é foda, né? Pensei que eles tinham parado de fazer isso em 1985.
Ok, algumas coisas são bacanas, tipo a historinha dele vendo os pais serem assassinados e perdendo o gosto pela vida, etc etc. Mas como aprendiz de nerd viciado em quadrinhos, devo dizer que todo mundo criou muita expectativa quanto a esta versão da história do homem morcego. E olha que esse ainda é o melhor filme dos cinco já lançados. Coitado do Batman...
Ah, mas Quarteto Fantástico é óóóótimo. Adooooooro. O homem chamas é o melhor de todos, mas eu adorei o Coisa depois que ele se transformou. Aliás, eu preferia ele transformado que na aparência normal. E depois ele deixa a mulher loira-gelada pra trás e consegue uma caliente mulata ceguinha. Quem não iria fazer essa troca? Mas eu quase chorei quando a mulher dele colocou a aliança de casamento no chão, coitadinho, e me perguntei se as lágrimas do Coisa seriam de pedra. Mas ele não chorou, porque ele era machão e homens não choram, né.
Você sabe quando um filme pipoca vai ser bom quando ele agrada a ambos os sexos. Olha só: enquanto as mulheres tinham o homem chamas de peito nu a cada quadragésimo de segundo, os homens tinham a mulher invisível com decotes até o umbigo durante o filme inteiro. Assisti ao filme com o meu namorado e tenho certeza de que pensamos as mesmas coisas, embora com alvos diferentes.
O Quarteto Fantástico também deixou gancho para a parte 2. Mas este a gente releva – afinal, vamos todos poder rever músculos definidos e abdomens sarados. Diversão para toda família.
De chato eu falo pelo nervoso que eu tive do ator principal, porque ele tem a língua presa daquele jeito como o presidente Lula fala (nessas horas eu queria ser uma pessoa genial para conseguir escrever o som que a língua presa do Lula faz). E ele tem cara de cu. E eu não imagino o Bruce Wayne com cara de cu; foi mal.
Outro ponto que eu não gostei foi a maneira com que o Batman conseguiu todos os utensílios incríveis do batcinto. Eu sempre achei que o Batman era cabeçudo, que ele estudava pra caramba até conseguir construir, ele mesmo, os utensílios que precisava em sua busca de vingança. Mas lá no filme, tudo é dado de mão beijada por um antigo diretor nas empresas Wayne, e esse pequeno detalhe transforma Bruce Wayne em um herói que consegue combater o crime porque é milionário.
E, vem cá, gancho pro número 2 é foda, né? Pensei que eles tinham parado de fazer isso em 1985.
Ok, algumas coisas são bacanas, tipo a historinha dele vendo os pais serem assassinados e perdendo o gosto pela vida, etc etc. Mas como aprendiz de nerd viciado em quadrinhos, devo dizer que todo mundo criou muita expectativa quanto a esta versão da história do homem morcego. E olha que esse ainda é o melhor filme dos cinco já lançados. Coitado do Batman...
Ah, mas Quarteto Fantástico é óóóótimo. Adooooooro. O homem chamas é o melhor de todos, mas eu adorei o Coisa depois que ele se transformou. Aliás, eu preferia ele transformado que na aparência normal. E depois ele deixa a mulher loira-gelada pra trás e consegue uma caliente mulata ceguinha. Quem não iria fazer essa troca? Mas eu quase chorei quando a mulher dele colocou a aliança de casamento no chão, coitadinho, e me perguntei se as lágrimas do Coisa seriam de pedra. Mas ele não chorou, porque ele era machão e homens não choram, né.
Você sabe quando um filme pipoca vai ser bom quando ele agrada a ambos os sexos. Olha só: enquanto as mulheres tinham o homem chamas de peito nu a cada quadragésimo de segundo, os homens tinham a mulher invisível com decotes até o umbigo durante o filme inteiro. Assisti ao filme com o meu namorado e tenho certeza de que pensamos as mesmas coisas, embora com alvos diferentes.
O Quarteto Fantástico também deixou gancho para a parte 2. Mas este a gente releva – afinal, vamos todos poder rever músculos definidos e abdomens sarados. Diversão para toda família.
Tuesday, July 26, 2005
Subjetivismo
Funciona da seguinte maneira: observe tudo o que está a seu redor e pense sobre isso. Pense mais. Pense até descobrir que existem problemas que devem ser resolvidos, questões de vida ou morte interiores que precisam de remédio com a máxima urgência. Não dê um só minuto de paz ao seu pequeno cérebro pequeno-burguês, e também não permita quer ele se ocupe com questões sócio-econômicas do seu país.
Foi cansando de ser assim que decidi que seria rasa, que falaria apenas do estritamente palpável, como meus sonhados pares de sapato estilo anos 20 que outro dia vi vender no shopping. Mas descobri, para desespero do meu super mega king size ego, que todas as mulheres do mundo – eu quero dizer todinhas as mulheres meeesmo – têm adoração a sapatos. Tento que até escreveram um livro sobre isso.
Mas, então, eis a questão: como deixar de ser subjetiva quando a única coisa que me diferencia do resto são os meus profundos ou profanos pensamentos? Grande questão.
Eu pensei sobre isso, pensei em como é importante não abandonar este blog (mesmo sabendo que eu já criei nomes muito mais interessantes do que este) e decidi, por pura preguiça mental, a me manter por aqui e ignorar o verdadeiro motivo da criação destes textos: a observação (e, em conseqüência, a crítica) dos comportamentos repetitivos na noite eletrônica carioca.
Traduzindo: dá licença, mas eu não quero mais falar sobre noite. Não me dá o mínimo tesão falar sobre noite. E, como já foi dito antes, leitura tem obrigação de despertar a libido – ou então não vale de nada.
Foi cansando de ser assim que decidi que seria rasa, que falaria apenas do estritamente palpável, como meus sonhados pares de sapato estilo anos 20 que outro dia vi vender no shopping. Mas descobri, para desespero do meu super mega king size ego, que todas as mulheres do mundo – eu quero dizer todinhas as mulheres meeesmo – têm adoração a sapatos. Tento que até escreveram um livro sobre isso.
Mas, então, eis a questão: como deixar de ser subjetiva quando a única coisa que me diferencia do resto são os meus profundos ou profanos pensamentos? Grande questão.
Eu pensei sobre isso, pensei em como é importante não abandonar este blog (mesmo sabendo que eu já criei nomes muito mais interessantes do que este) e decidi, por pura preguiça mental, a me manter por aqui e ignorar o verdadeiro motivo da criação destes textos: a observação (e, em conseqüência, a crítica) dos comportamentos repetitivos na noite eletrônica carioca.
Traduzindo: dá licença, mas eu não quero mais falar sobre noite. Não me dá o mínimo tesão falar sobre noite. E, como já foi dito antes, leitura tem obrigação de despertar a libido – ou então não vale de nada.
Tuesday, July 19, 2005
Caio Fernando? Adooooro!
O povo da noite adora esticar os “Os” da palavra “adoro”. E sempre estica os da segunda sílaba, como que para dar ênfase de que gosta mesmo daquilo. Quando leio a palavra “adoro” escrita dessa forma, imagino logo uma pessoa jogando a cabeça pra trás, com um copo de ProSecco na mão, vestindo calças Diesel. Eu sei, é uma imagem lugar-comum e ridícula, mas eu não tenho culpa que o mundo seja um esteriótipo só.
Mas, na boa, eu me recuso a escrever um texto sobre “Adoooooro”. Eu prefiro escrever sobre Caio Fernando Abreu. É que outro dia me ligaram da Argumento para avisar que a minha encomenda de Morangos Mofados, feita há quase um ano, finalmente havia chegado. Saí correndo para a livraria mais cara do Rio e comprei meu livrinho. Fininho. Pronto pra ser devorado. Mas que eu leio com cuidado, aos poucos, golinho por golinho.
Nos poucos contos que já li, descobri que a noite eletrônica carioca deveria conhecer Caio Fernando Abreu. Deveria ser obrigação, tipo assim: quando você chegasse na Fosfobox, ganhava um dos contos de Morangos Mofados xerocado. E aí sentava naquele sofá perto do bar e tentava decifrar as letras mal impressas no escuro, e só depois de ler tudo, até o final, você tinha o direito de jacar da maneira que desejasse.
Ai, que delícia o Caio Fernando deveria ser, uma biba atormentada, subjetiva ao extremo, do tipo que não fica um segundo sequer sem pensar sobre vida, cocaína, ser humano, sexo, homossexualidade, Baixo Leblon e tudo mais o que poderia ser dito em 82. Ai, que delícia que ele deveria ser, eu fico lendo e pensando nisso, e também penso em por quê não conheço ninguém assim. Das duas, uma: ou eu simplesmente não consigo fazer surgir o lado interessante das pessoas – o que me torna, logicamente, uma pessoa desinteressante também -, ou eu ando freqüentando os bares errados. Ou, ainda, ambas opções estão corretas.
E, imagina só, se todo mundo ganhasse um conto de Morangos Mofados na porta da Fosfobox, e toda aquela modernidade dos tempos da minha avó descobrisse que a boa literatura dá, literalmente, tesão, talvez as festas eletrônicas não fossem tão zero a zero quanto são. Ou todo mundo ia ficar com um cigarro na mão, o copo de ProSecco e a xerox na outra, jogando a cabeça pra trás em suas calças Diesel e gritando: “Caio Fernando Abreu? Adoooooro!”
Mas, na boa, eu me recuso a escrever um texto sobre “Adoooooro”. Eu prefiro escrever sobre Caio Fernando Abreu. É que outro dia me ligaram da Argumento para avisar que a minha encomenda de Morangos Mofados, feita há quase um ano, finalmente havia chegado. Saí correndo para a livraria mais cara do Rio e comprei meu livrinho. Fininho. Pronto pra ser devorado. Mas que eu leio com cuidado, aos poucos, golinho por golinho.
Nos poucos contos que já li, descobri que a noite eletrônica carioca deveria conhecer Caio Fernando Abreu. Deveria ser obrigação, tipo assim: quando você chegasse na Fosfobox, ganhava um dos contos de Morangos Mofados xerocado. E aí sentava naquele sofá perto do bar e tentava decifrar as letras mal impressas no escuro, e só depois de ler tudo, até o final, você tinha o direito de jacar da maneira que desejasse.
Ai, que delícia o Caio Fernando deveria ser, uma biba atormentada, subjetiva ao extremo, do tipo que não fica um segundo sequer sem pensar sobre vida, cocaína, ser humano, sexo, homossexualidade, Baixo Leblon e tudo mais o que poderia ser dito em 82. Ai, que delícia que ele deveria ser, eu fico lendo e pensando nisso, e também penso em por quê não conheço ninguém assim. Das duas, uma: ou eu simplesmente não consigo fazer surgir o lado interessante das pessoas – o que me torna, logicamente, uma pessoa desinteressante também -, ou eu ando freqüentando os bares errados. Ou, ainda, ambas opções estão corretas.
E, imagina só, se todo mundo ganhasse um conto de Morangos Mofados na porta da Fosfobox, e toda aquela modernidade dos tempos da minha avó descobrisse que a boa literatura dá, literalmente, tesão, talvez as festas eletrônicas não fossem tão zero a zero quanto são. Ou todo mundo ia ficar com um cigarro na mão, o copo de ProSecco e a xerox na outra, jogando a cabeça pra trás em suas calças Diesel e gritando: “Caio Fernando Abreu? Adoooooro!”
Monday, July 18, 2005
Últimos anos dos vinte e poucos
Uma das piores verdades que me bateram nestes últimos tempos de vinte e poucos anos é de que eu não sei mais escrever. Foi algo que desaprendi. Será que isso é muito comum, você ter uma coisa que realmente gosta de fazer, e que faz bem, mas que deliberadamente joga pela janela? Pois foi isso o que eu fiz: joguei meus textos fora.
Outro dia sentei em frente ao computador, angustiada por uma idiotice qualquer, e tentei vomitar palavras na tela, como costumava fazer antes. Não saiu nada. Fiz e refiz inúmeras vezes as três primeiras linhas; relia, achava uma merda e apagava tudo. Esse processo de escreve – apaga – recomeça eu conheço muito bem, não é de forma alguma uma novidade. O que é novo é que, depois de algumas tentativas, eu cansei e fui ver televisão, com o orgulho intelectual (se é que eu tenho algum) ligeiramente ferido. Eu nunca na vida havia optado pela TV antes.
Não sei bem o que isso significa, essa constrangedora troca de telas, mas desconfio de que seja irreversível. Dizem que as coisas mudam quando se chega aos trinta. Será que mudam também quando se está apenas aproximando deles?
Outro dia sentei em frente ao computador, angustiada por uma idiotice qualquer, e tentei vomitar palavras na tela, como costumava fazer antes. Não saiu nada. Fiz e refiz inúmeras vezes as três primeiras linhas; relia, achava uma merda e apagava tudo. Esse processo de escreve – apaga – recomeça eu conheço muito bem, não é de forma alguma uma novidade. O que é novo é que, depois de algumas tentativas, eu cansei e fui ver televisão, com o orgulho intelectual (se é que eu tenho algum) ligeiramente ferido. Eu nunca na vida havia optado pela TV antes.
Não sei bem o que isso significa, essa constrangedora troca de telas, mas desconfio de que seja irreversível. Dizem que as coisas mudam quando se chega aos trinta. Será que mudam também quando se está apenas aproximando deles?
Friday, July 15, 2005
Botas ao lado da cama
Foi de um amigo a melhor descrição que eu já ouvi sobre a vida a dois: “existem botas ao lado da minha cama”. A sentença saiu no meio de um falatório caótico sobre o seu dia-a-dia, mas eu catei a afirmação e guardei na bolsa, porque eu gosto de sentenças assim, inventadas com uma simplicidade genial, e anotei mentalmente o que eu poderia plagiar depois. É que eu sou a rainha do plágio.
E agora, sentada na cama, observo meus próprios sapatos de salto, jogados cada um para um lado no chão de sinteco. Não é a minha casa, mas é quase como se fosse, porque abro a geladeira a hora que eu quero, acabo com o nescau, a manteiga e o leite e tudo fica por isso mesmo – e olha que eu nem saio pra comprar mais. Outro dia cheguei aqui com uma pista de corrida e dois carrinhos, e a gente passou sábado e domingo apostando garrafas de vinho pra ver quem ganhava, e mesmo sabendo que o carrinho vermelho era mais rápido, deixaram que eu ficasse com ele. Assim é o amor: você aceita que lhe prejudiquem e tudo bem.
E está tudo bem mesmo. Quer dizer: eu não vou mais à praia nem ao Baixo Gávea, nunca mais ouvi meu CD do Chico Buarque, compro autoramas falsificados, falam mal de mim às pampas, virei inimiga de gente que eu nem conheço e no final - adivinha – tudo bem?
Tudo ótimo.
E agora, sentada na cama, observo meus próprios sapatos de salto, jogados cada um para um lado no chão de sinteco. Não é a minha casa, mas é quase como se fosse, porque abro a geladeira a hora que eu quero, acabo com o nescau, a manteiga e o leite e tudo fica por isso mesmo – e olha que eu nem saio pra comprar mais. Outro dia cheguei aqui com uma pista de corrida e dois carrinhos, e a gente passou sábado e domingo apostando garrafas de vinho pra ver quem ganhava, e mesmo sabendo que o carrinho vermelho era mais rápido, deixaram que eu ficasse com ele. Assim é o amor: você aceita que lhe prejudiquem e tudo bem.
E está tudo bem mesmo. Quer dizer: eu não vou mais à praia nem ao Baixo Gávea, nunca mais ouvi meu CD do Chico Buarque, compro autoramas falsificados, falam mal de mim às pampas, virei inimiga de gente que eu nem conheço e no final - adivinha – tudo bem?
Tudo ótimo.
Thursday, July 07, 2005
Gente bonita
Sábado fui numa festa de gente bonita, com direito a atriz global e modelos que desfilaram no Fashion Rio. Quer dizer, essa parte das modelos eu não tenho tanta certeza, mas tinham tantas meninas magérrimas lá que elas só poderiam ser modelos, certo? E, se elas são modelos, elas desfilam no Fashion Rio, certo? Pois então, era uma festa cheia de pessoas mais bonitas e mais bem vestidas que eu e os meus amigos, em uma puta casa em um bairro nobre do Rio, ao som de DJs bem cotados na noite carioca. Teoricamente, um evento inesquecível.
Se bem que...nem foi. Acho que era porque as pessoas ficavam encolhendo a barriga enquanto estavam na pista de dança. Quer dizer, eu tentei encolher a barriga enquanto dançava e não consegui – me senti meio que um Robocop dançando, toda durinha, pra lá e pra cá. Daí então relaxei: acho que todo mundo ali já tinha percebido que eu não era modelo nem atriz global, então eu não tinha claramente que manter uma pose.
Decidi que a noite valeria, pelo menos, minhas doses de Red Label original, cada uma a R$7, e enveredei pelo caminho do embelezador artificial. Não que eu precisasse notar, mas acabei notando: a noite estava totalmente zero a zero, como costumam ser as festas de gente bonita e magra.
Tá muito recalcado aqui? Até que está mesmo... Mas é que antes eu dizia que jornalista é um bando de gente assexuada, porque esse povo trabalha muito e ganha mal, até que comecei a freqüentar festas de gente bonita. Eu estava errada: sexualidade não tem nada a ver com dinheiro e beleza, e eu até tive uma certa saudade das minhas festas de faculdade em que todo mundo pegava todo mundo, ninguém era de ninguém, e pra isso só era necessário que comprassem uma caixa de cerveja e colocassem um CD no som. Ai, ai.
Mas enquanto freqüentadora noturna já comprometida, posso dizer o seguinte: para quem estava acompanhado, a noite foi maravilhosa. O céu estava estreladíssimo, não fazia calor nem frio e a varanda era o lugar mais animado da festa – talvez porque estivesse escuro e todo mundo pudesse deixar que as gorduras da cintura ficassem em paz.
Se bem que...nem foi. Acho que era porque as pessoas ficavam encolhendo a barriga enquanto estavam na pista de dança. Quer dizer, eu tentei encolher a barriga enquanto dançava e não consegui – me senti meio que um Robocop dançando, toda durinha, pra lá e pra cá. Daí então relaxei: acho que todo mundo ali já tinha percebido que eu não era modelo nem atriz global, então eu não tinha claramente que manter uma pose.
Decidi que a noite valeria, pelo menos, minhas doses de Red Label original, cada uma a R$7, e enveredei pelo caminho do embelezador artificial. Não que eu precisasse notar, mas acabei notando: a noite estava totalmente zero a zero, como costumam ser as festas de gente bonita e magra.
Tá muito recalcado aqui? Até que está mesmo... Mas é que antes eu dizia que jornalista é um bando de gente assexuada, porque esse povo trabalha muito e ganha mal, até que comecei a freqüentar festas de gente bonita. Eu estava errada: sexualidade não tem nada a ver com dinheiro e beleza, e eu até tive uma certa saudade das minhas festas de faculdade em que todo mundo pegava todo mundo, ninguém era de ninguém, e pra isso só era necessário que comprassem uma caixa de cerveja e colocassem um CD no som. Ai, ai.
Mas enquanto freqüentadora noturna já comprometida, posso dizer o seguinte: para quem estava acompanhado, a noite foi maravilhosa. O céu estava estreladíssimo, não fazia calor nem frio e a varanda era o lugar mais animado da festa – talvez porque estivesse escuro e todo mundo pudesse deixar que as gorduras da cintura ficassem em paz.
Friday, May 20, 2005
Afliçãozinha de sexta-feira
A grande questão das minhas sextas-feiras é: "hoje à noite vou de salto alto ou tênis?" É que a resposta desta pergunta é também o que se espera da noitada que vem a seguir. Se a festa promete ser bagaceira, destruidora e sujeita a ressacas, a resposta é tênis. Se os eventos das próximas oito horas forem mais comportados, a resposta é salto alto. A escollha do sapato é muito mais que uma opção de vestiário, é como assumir uma postura de vida - nem que essa postura dure apenas uma noite.
Quando chega quinta, eu já estou inquieta com a proximidade do fim de semana. Na verdade, ao contrário da maioria dos mortais, quinta-feira é meu dia de mau-humor. O problema é esse quase fim de semana, esse quase descanso, essa contagem regressiva para o pé na jaca. As quinta-feiras são sempre angustiantes para mim, que já acordo pensando: "que saco, ainda não é sexta".
Mas a sexta, essa é dia de festa. Geralmente chego ao trabalho mais tarde e saio mais cedo, me virando do avesso para conseguir menos horas de labuta. Na sexta, a contagem regressiva cessa porque rapidinho eu estou na rua, fones nos ouvidos, me dirigindo ao QG da zona sul onde provavelmente passarei todo o final de semana.
O grande problema da sexta é que, apesar dos meus esforços, ela ainda é um dia útil. Geralmente tenho assuntos sérios a tratar, e no final do dia estou esgotada. Sair na sexta requer uma dose extra de vontade. Mas a comunidade jaqueira me ensinou: pra pegar pesado, é melhor pegar hoje. Afinal, a jaca da sexta reserva dois dias - sábado e domingo - para a recuperação absoluta.
Quando chega quinta, eu já estou inquieta com a proximidade do fim de semana. Na verdade, ao contrário da maioria dos mortais, quinta-feira é meu dia de mau-humor. O problema é esse quase fim de semana, esse quase descanso, essa contagem regressiva para o pé na jaca. As quinta-feiras são sempre angustiantes para mim, que já acordo pensando: "que saco, ainda não é sexta".
Mas a sexta, essa é dia de festa. Geralmente chego ao trabalho mais tarde e saio mais cedo, me virando do avesso para conseguir menos horas de labuta. Na sexta, a contagem regressiva cessa porque rapidinho eu estou na rua, fones nos ouvidos, me dirigindo ao QG da zona sul onde provavelmente passarei todo o final de semana.
O grande problema da sexta é que, apesar dos meus esforços, ela ainda é um dia útil. Geralmente tenho assuntos sérios a tratar, e no final do dia estou esgotada. Sair na sexta requer uma dose extra de vontade. Mas a comunidade jaqueira me ensinou: pra pegar pesado, é melhor pegar hoje. Afinal, a jaca da sexta reserva dois dias - sábado e domingo - para a recuperação absoluta.
Thursday, May 19, 2005
Preparando a noite
Tudo era mais fácil quando eu tinha vinte e poucos anos. No sábado à noite, praticamente me mudava para a casa de uma amiga com metade do meu guarda-roupa dentro de uma mochila: gel para cabelos, maquiagem, glitter, acessórios em bijouteria, botas pretas de cano alto e salto, ou baixas e de cano médio, casacos de pelúcia, grampos e presilhas, saias plissadas ou lisas (mas sempre saias), blusas com brilhos, ou pretas, ou decotadas, ou de alcinhas e, quando eu estava muito inspirada, um boá de plumas pretas.
Eu e minha amiga roubávamos um pouco do whisky do pai dela e colocávamos Nina Simone aos berros às 11h da noite enquanto nos arrumávamos para a Factoria. Aquilo era mais como um ritual: o gel nos cabelos, o penteado, a maquiagem que às vezes ficava uma merda e precisava ser refeita. Tudo demorava horas, eu e ela meio bebinhas e comentando quem estaria e quem não estaria, que merecia e quem não merecia a nossa atenção e quem, definitivamente, era uma pessoa necessária para a festa.
E então a gente ligava para quase todas as pessoas do Rio de Janeiro, marcava a hora de encontro na porta, com direito a chope no boteco mais próximo. E saíamos no meu Uno Mille vinho, com caixa de som estourada, ouvindo o CD da trilha sonora de Trainspoiting, rumo a Ipanema.
Hoje em dia a gente sai de jeans, tênis e uma blusinha mais arrumada, sem maquiagem, com o cabelo solto ou preso em rabo de cavalo, com menos bijus que antes e completamente esquecidas do meu boá de plumas pretas.
Será que isso quer dizer que estamos virando adultas?
Ai, que medo.
Eu e minha amiga roubávamos um pouco do whisky do pai dela e colocávamos Nina Simone aos berros às 11h da noite enquanto nos arrumávamos para a Factoria. Aquilo era mais como um ritual: o gel nos cabelos, o penteado, a maquiagem que às vezes ficava uma merda e precisava ser refeita. Tudo demorava horas, eu e ela meio bebinhas e comentando quem estaria e quem não estaria, que merecia e quem não merecia a nossa atenção e quem, definitivamente, era uma pessoa necessária para a festa.
E então a gente ligava para quase todas as pessoas do Rio de Janeiro, marcava a hora de encontro na porta, com direito a chope no boteco mais próximo. E saíamos no meu Uno Mille vinho, com caixa de som estourada, ouvindo o CD da trilha sonora de Trainspoiting, rumo a Ipanema.
Hoje em dia a gente sai de jeans, tênis e uma blusinha mais arrumada, sem maquiagem, com o cabelo solto ou preso em rabo de cavalo, com menos bijus que antes e completamente esquecidas do meu boá de plumas pretas.
Será que isso quer dizer que estamos virando adultas?
Ai, que medo.
Wednesday, May 18, 2005
Chill Out
Às 6h da manhã, é possível notar uma movimentação estranhamente animada na pista da Fosfobox. Pessoas cochicham aqui e ali, números de celulares são trocados e começa a se formar uma fila para pagar o consumo da noite. A razão da inquietação dos freqüentadores da Fosfobox (e do Dama, e de qualquer outra boate carioca que toque música eletrônica - se é que existe mais alguma) é a pergunta: "Onde vai ser o chill out?"
Quando o tema 'chill out' entra na roda, surge a questão mais importante de todas: quem será e quem não será chamado. Não é todo mundo que está na festa que vai estender a noite dia adentro, mas apenas aqueles que se encaixam em certos papéis determinados. Para que o Chill out sobreviva, é preciso que os participantes encarnem com fineza a tarefa que lhes é dada. Se não, o que seria uma festa pós-noite acaba se transformando em um enterro de vampiros.
Para que seu Chill Out seja um sucesso, certifique-se que compareça:
1) O Mestre de Cerimônias.
É o cara que vai dar as coordenadas da festa, que vai levantar tópicos quando o assunto morrer, que vai sugerir as piadas e a duração do chill out.
2) O piadista.
É a pessoa engraçada que vai fazer todo mundo rir, até que ninguém queira mais rir, e sim ficar vegetando e pensando no universo.
3) O DJ.
É o cara que se preocupa com que música está rolando. Importantíssimo.
4) O fornecedor de drogas.
Essencial para que a festa continue.
5) Os coadjuvantes/figurantes.
Esses são os que seguem as tarefas do Mestre de Cerimônias, riem das graças do piadista, dançam qualquer música que o DJ colocar e consomem a droga que estiver à mão. E, se você bobear, consomem a droga que não está à mão também.
Se você já foi a um chill out, conhece pessoas assim.
Quando o tema 'chill out' entra na roda, surge a questão mais importante de todas: quem será e quem não será chamado. Não é todo mundo que está na festa que vai estender a noite dia adentro, mas apenas aqueles que se encaixam em certos papéis determinados. Para que o Chill out sobreviva, é preciso que os participantes encarnem com fineza a tarefa que lhes é dada. Se não, o que seria uma festa pós-noite acaba se transformando em um enterro de vampiros.
Para que seu Chill Out seja um sucesso, certifique-se que compareça:
1) O Mestre de Cerimônias.
É o cara que vai dar as coordenadas da festa, que vai levantar tópicos quando o assunto morrer, que vai sugerir as piadas e a duração do chill out.
2) O piadista.
É a pessoa engraçada que vai fazer todo mundo rir, até que ninguém queira mais rir, e sim ficar vegetando e pensando no universo.
3) O DJ.
É o cara que se preocupa com que música está rolando. Importantíssimo.
4) O fornecedor de drogas.
Essencial para que a festa continue.
5) Os coadjuvantes/figurantes.
Esses são os que seguem as tarefas do Mestre de Cerimônias, riem das graças do piadista, dançam qualquer música que o DJ colocar e consomem a droga que estiver à mão. E, se você bobear, consomem a droga que não está à mão também.
Se você já foi a um chill out, conhece pessoas assim.
Thursday, May 12, 2005
Rasa como uma poça
A melhor descrição de certa personagem que freqüenta a noite eletronica carioca foi: "Essa aí é mais rasa que uma poça d'água". Achei a comparção maravilhosa, e imediatamente a adicionei a meu vasto vocabulário. Desde então, usei e reusei a expressão inúmeras vezes, mas nem sempre para falar da mesma pessoa. A noite carioca tem memória muito curta, sabe como é.
A verdade é que estamos o tempo inteiro cercados de pessoas rasas. No trabalho, na noite, em filas de banco onde a gente consegue ouvir a conversa de celular alheia. A humanidade não passa de uma grande poça de enchente, de uma imensa lagoa de São Pedro d'Aldeia, e por mais que a gente caminhe, não conseguimos passar da água nos joelhos. Impossível de se afogar.
Pois é isso o que aconteceu: eu cansei de tentar ser profunda, de tentar em vão enxergar o que está por baixo de tanto glitter e sombra rosa. Decidi ser rasinha, dá licença? Não tem gente que toma drogas só para ter pauta para assuntos noturnos? Não tem gente que sabe de cor todas as roupas e sapatos dos amigos? Não tem gente que identifica os outros pelos carros que eles usam? Então qual é o problema de eu ser superficial?
Bem-vindos ao site que mostra diálogos inventados e nomes fictícios, mas fala de comportamentos reais.
A verdade é que estamos o tempo inteiro cercados de pessoas rasas. No trabalho, na noite, em filas de banco onde a gente consegue ouvir a conversa de celular alheia. A humanidade não passa de uma grande poça de enchente, de uma imensa lagoa de São Pedro d'Aldeia, e por mais que a gente caminhe, não conseguimos passar da água nos joelhos. Impossível de se afogar.
Pois é isso o que aconteceu: eu cansei de tentar ser profunda, de tentar em vão enxergar o que está por baixo de tanto glitter e sombra rosa. Decidi ser rasinha, dá licença? Não tem gente que toma drogas só para ter pauta para assuntos noturnos? Não tem gente que sabe de cor todas as roupas e sapatos dos amigos? Não tem gente que identifica os outros pelos carros que eles usam? Então qual é o problema de eu ser superficial?
Bem-vindos ao site que mostra diálogos inventados e nomes fictícios, mas fala de comportamentos reais.
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