Monday, July 07, 2008
Viajar é preciso
Essa noite sonhei que ia para a Polônia a trabalho. Não sei por quê o país do sonho foi a Polônia: não tenho nenhuma vontade de conhecer esse lugar - por enquanto - e não há a menor possibilidade de eu viajar para o exterior a trabalho. Quer dizer, isso eu já não digo com tanta certeza, porque uma das características da minha profissão é justamente a imprevisibilidade de compromissos, o que tanto pode significar o cancelamento da minha festa de aniversário quanto uma viagem pra Nova York com tudo pago pela empresa. Essa última opção nunca rolou, mas quem sabe um dia?
A verdade é que conheci quase o Brasil inteiro por causa do meu trabalho. E conheci de uma maneira interessante, proque não foi através da visão do turista, mas sim através do povo que mora no lugar. Agora, tinha vezes que eu ficava com água na boca de visitar melhor a cidade que estava no momento. Porque, ao contrário do que alguns pensam, viajar a trabalho não significa fazer turismo de graça. Se trabalha muito mais do que em casa e, se dá tempo de passear um pouquinho, é só um pouquinho mesmo. Na Chapada Diamantina, eu ficava doída de tanta vontade de fazer aquelas trilhas. Em Itamaracá, eu não dei um mergulho naquele mar maravilhoso. Em Ouro Preto, nem rolou de beber uma cachaça mineira. Fiquei só na vontade, em todos esses lugares - apesar de tantos convites dos nativos para me juntar a alguma farra. Pena que não deu...
Quando eu viajava a trabalho, gostava de sentar no banco da frente do carro que nos buscava no aeroporto, para poder ver as ruas e as placas melhor. Pra mim, essa sensação de olhar pela primeira vez um lugar é incomparável. Até o cheiro é diferente. As pessoas na rua, a arquitetura, os sotaques. Eu gosto de reparar em tudo nesse primeiro momento em que, felizmente, sou uma etsrangeira. Porque depois esse momento vai embora e nós, também felzimente, passamos a fazer parte daquela nova paisagem, mesmo que por apenas alguns dias.
Friday, July 04, 2008
A segunda metade do ano
O negócio é que as festas mais legais e os melhores shows e o meu aniversário, todos ficam para a segunda metade do ano. No final de agosto faço 31 (31!!!), e já penso em festas alucinadas, amigos DJs, lista de convidados e roupas novas. Por mais que eu faça 31, a minha comemoração de aniversário continua basicamente a mesma desde os 20.
Além disso, há o fato dos milhares de shows que povoarão o Brasil na segunda metade de 2008: estou esperando Radiohead, Nine Inch Nails, o tradicional Tim Festival e tantas outras bandas que eu ainda não conheço mas que na véspera do show vou baixar e cismar de assistir à apresentação. É assim que se faz.
O problema é que, atualmente, shows são meu maior custo-benefício no quesito lazer. Outro dia mesmo fui ver The Go! Team no Ibirapuera (tudo bem que esse foi de graça, mas vamos lá) e foi tãão bom, e eu saí com a alma tãão lavada que me fez pensar sobre ganhar e gastar dinheiro com coisas que valem a pena.
Shows valem a pena. Aniversários valem a pena. Roupas novas para festas de 31 anos também valem a pena.
É tudo uma questão de critério.
Thursday, July 03, 2008
Eu coração isso
Funciona assim: você faz um cadasttro no site e cria uma conta, e chama os seus amigos pra fazerem o mesmo, e aí você tem a sua pequena comunidade We Heart It (é isso aó, internet sem rede social não é internet, não é mesmo?) Aí você baixa pro seu computador (o termo correto não é baixar, é mais instalar, mas também não é isso, exatamente) a ferramenta que permita que você ame imagens muito legais que encontrar por aí.
Você pode amar qualquer tipo de imagem que, sem nenhuma explicação, você goste. E todas as imagens que você amou vão para o site, e outras pessoas podem amá-las também. Quando nos damos conta, estamos cercados de imagens legais, que dariam ótimas camisetas. E que não servem mais pra nada, a não ser para serem amadas. E não tem nada melhor que amar uma imagem.
E quando você percebe, adquiriu, através das imagens que você ama, uma descrição engraçada e inesperada de si mesmo.
Eu sou assim.
Feliz Aniversário (Para o Japanimation)
A vida tem sido uma reprise deliciosa.
Tuesday, June 17, 2008
A Flor da Inglaterra
Bom, mas vamos aos fatos. "A Flor da Inglaterra" tem um personagem principal chatíssimo. Acho que, na verdade, eu gostei do livro; não gostei é do protagonista! Gordon Comstock é um cara que declara guerra ao dinheiro, mas vive tão obcecado pela falta do vil metal que acaba se tornando seu escravo. Ele repudia com todas as forças a burguesia inglesa (a burguesia fede... a burguesia vai ficar rica... sou só eu ou todo mundo que fala - ou escreve - a palavra 'burguesia' começa a cantar a música do Cazuza?), representada no livro pela aspidistra, uma planta que figura na sala de estar de toda a classe média da Inglaterra.
Pra piorar a chatice do Comstock, ele ainda é poeta, e mal sucedido (é claro). Então a amargura dele é financeira e profissional, porque a poesia dele é ignorada pelos literatos. O livro tem como pano de fundo pensões sem o mínimo conforto, plebe que lê livros de mistério, ricos que são socialistas e slogans publicitários lamentáveis. Pois é, Orwell sacou muito antes de todo mundo (o romance é de 1936) a grande porcaria que é a publicidade. Sorte dele não ter que aturar o meio da propaganda em plenos anos 00, com essa lista de prêmios, e de conceitos de que "publicidade é arte" que se vê por aí (e que só os publicitários acreditam, é claro).
Mas não foi horrível ler a "Flor da Inglaterra". Na verdade, todas as minhas reclamações a Gordon Comstock são, na verdade, elogios ao autor. Só quem é um gênio da literatura consegue fazer viver um ser que instiga tanta antipatia. Gordom é o verdadeiro anti-herói, o cara que você quer ver quebrar a cara, de tão tacanho que ele é. E o livro tem aquela escrita característica do nosso G.O., que faz as páginas serem viradas com facilidade, escorrendo palavras adentro.
Vale a pena, desde que você já tenha lido "A Revolução dos Bichos", "1984" e "Na pior em Paris e Londres".
A louca vida uma produtora de reportagem
O meu trabalho às vezes parece uma gincana. E mesmo assim, eu gosto. É uma espécie de masoquismo, mas eu adoro essa loucura de achar gente completamente diferente do habitual para participar de uma matéria na TV. Porque a televisão é um plus! Fazer matéria para a TV nem de longe significa fazer matéria pra jornal, em que o repórter conversa por telefone e acaba "preservando" muito mais o entrevistado. Televisão não tem dessa: quem aceita dar a entrevista tem que colocar a cara ali na telinha pra gente do Brasil inteiro assistir; tem que falar bem e ter todos os dentes (isso mesmo, entrevistado desdentado, só se for em matéria denúncia); tem que ser bem resolvido com as questões mais cabeludas (porque, obviamente, o repórter vai querer saber sobre os detalhes sórdidos). Enfim, tem que preencher um milhão de pré-requisitos e, ainda por cima, tem que ter a ver com a matéria.
De vez em quando mando uns emails para todos os meus amigos (mesmo os que nem são tão amigos assim, incluindo aí ex-namorados, ex-ficantes, ex-colegas de ex-trabalhos, etc) com pedidos insanos, do tipo: quem aí ainda tem gás natural em casa? Geralmente, já começo esses emails me desculpando. E o pior é que é sempre através dos emails que eu consigo chegar ao perfil que procuro.
Minha última tarefa foi achar um casal que seja casado e more em casas separadas. Estou procurando, ainda, com algumas possibilidades de sucesso. Já achei gente que não queria falar, já achei gente que queria falar mas que não agradou à alta cúpula da reportagem. Uma busca que deve agradar a gregos e troianos.
Bom, vou aproveitar pra buscar aqui também (se é que todo mundo que lê isso aqui já não está ciente) alguns dos personagens que procuro.
- Um casal que seja casado, tenha filhos e more em casas separadas.
- Uma mulher em torno de 65, 70 anos, que tenha se divorciado e só então começado uma carreira.
- Um casal homossexual que esteja buscando a dupla paternidade/ maternidade com os filhos adotados. E que tenha escolhido adotar uma criança negra, ou portadora de deficiência...
Isso aí, ta valendo a gincana. Quem responder por último é a mulher do padre. Um do lá si e já!
Friday, June 06, 2008
Sonhos coloridos
E por causa dos sonhos de cores muito intensas, ela acordou um pouco triste outro dia. Lembrava vagamente de por quê se sentia melancólica. Talvez fosse a saudade, que de vez em quando aparece inexplicável, aperta bem o peito e foge momentos depois, sem dar explicação. Ou então é a noção de que tem coisas guardadas bem fundo que só são remexidas à noite, contra a sua vontade, e a poeira das mágoas empacotadas ainda faz espirrar pela manhã.
Os sonhos são cruéis demais, e tinha dias que ela odiava sonhar.
Mas depois esquecia do ódio e sonhava em amarelo, e ficava tudo bem porque então ela colocava uma canção bem saltitante e assim, aos pulinhos, começava tudo de novo.
Um texto antigo redescoberto
Terça-feira, Agosto 24, 2004
Medo
Sobre o tédio
Sentou ao lado dela e começou a explicação: “... é que eu já tive algumas decepções e agora não quero mais me apaixonar”. Ela tragou o cigarro, olhou para ele e sorriu:
- Quantos anos você tem mesmo?
- 23
- Então eu devo te avisar: isso é só o começo.
Os dois então se calaram. Um em frente ao outro e tantas outras distâncias, muito mais que uma cadeira mais dois palmos entre um joelho e outro, e tantas coisinhas que precisavam ser entendidas, mas que não eram ditas porque nem tudo pode e deve soar pelos ares – até que ela arriscou e mandou:
- Vou te ligar um dia desses.
Ele fez cara de quem acha que aí já é demais, que aí já é muita interferência:
- É que eu não sou um bom partido.
- Quem disse que eu acho que você é um bom partido?
Ele riu do comentário e puxou a cadeira dela pra perto. Os joelhos se tocaram, mas as outras distâncias continuavam as mesmas. Ela fez que não entendeu, fez que esqueceu do que já sabe, jogou o cabelo pra trás e riu muito mesmo.
- Você ta bêbado!
Depois ela se cansou e deu uma olhada no relógio, e já era quase tempo de virar abóbora e perder o sapatinho.
- Ei, ei, tudo bem se eu te ligar? Ou você vai ficar tenso?
- Não vou ficar tenso. Tudo bem.
Ela levantou, rodeou a cadeira, chegou por trás dele e lhe segurou a cabeça. Deu um beijo na testa e ia dizer algo, mas decidiu não dizer nada. Catou a bolsa e foi embora, deixando ele lá sentadinho, no topo de seu monte de dúvidas, de seus 23 anos, de sua incerteza e de suas infinitas e assustadoras possibilidades.
posted by bruna paixão at 12:48 PM
Lutas de espada sem sangue
Não me importo com narrativas infantis, mas dessa vez confesso que perdi um pouco da minha paciência habitual. Não sei se foi a menina que interpreta a Lucy que, de tanto que se leva a sério, parece até uma daquelas crianças do programa Raul Gil. Ou se foi o climinha forçosamente criado entre o príncipe Caspian e a Susan. Ou, ainda, se foram as lutas de espada em que não se via sangue.
Depois que percebi que as mortes por espada eram as mais limpas da história do cinema - tanto que as lâminas não apresentavam nem um resquício de líquido vermelho depois que eram retiradas dos corpos dos inimigos - fiquei absolutamente obcecada pela maneira como os guerreiros morriam no filme. Alguns tinham a garganta cortada, mas o plano era feito pelas costas da vítima, de modo a não mostrar o ferimento de frente. Outros levavam flechadas ou eram esmagados por pedras das catapultas. Nenhuma morte era suja, e nem a noção de que isso acontecia para preservar a classificação livre do filme aplacava o meu incômodo.
Acho que fiquei tão incomodada porque esse episódio de Nárnia apresenta muito mais lutas que o primeiro, quando eles descobrem o mundo mágico. Nas 2h20 de história, tudo era luta, guerra, conquista. Como no segundo Senhor dos Anéis, mas mirando em uma faixa etária muito menor.
Queria saber se outras pessoas perceberam a ausência de sangue nas lâminas das espadas. E queria saber, mais ainda, se só eu me incomodei com isso. Mas, apesar de todas as minhas reclamações, foi bem divertido ir ao cinema na quarta pra ver Crônicas de Nárnia. Comprei um pacote de pipoca e um copo de mate com limão e me deixei levar pela história dos cinco pentelhinhos ingleses. Porque todo mundo sabe que eles são pentelhos, certo? Ou eu estou implicando de novo?
Tuesday, June 03, 2008
Sempre uma grande diversão
Mas nem mesmo minha língua maior que a boca é capaz de estragar esse filme. Crepúsculo dos Deuses é uma daquelas obras que todos os professores de cinema da minha faculdade diziam ser filmografia básica. Mesmo assim, demorei a ver. Lembro que uma vez aluguei na locadora, levei pra casa junto com outros filmes e, quando fui assitir, não soube settar o DVD pra ver sem notas. Juro por deus: devolvi o disquinho sem saber do que se tratava, roxa de curiosidade e de vergonha por não ter resolvido uma questão tão primária.
Hoje tenho na cortiça do meu quarto (esse é um hábito adolescente que nunca consegui me desfazer, o de ter um quadro de cortiça no quarto) uma lista de 100 filmes que são obrigação na vida de qualquer ser humano. Ganhei a lista no curso de assistência de direção. Confesso que me dá uma certa angústia ler aquela lista e descobrir que vi muito pouco dos 100 títulos listados. Dá a impressão de que nunca vou conseguir terminar esta tarefa, ainda mais porque a lista inevitavelmente aumenta e se transforma a cada estréia de sexta-feira.
Faz duas semanas que não vou ao cinema. Me sinto um pouco menos inteligente, confesso. Ou melhor: me sinto menos atualizada. Não vi Indiana Jones, e todo mundo só fala de Indiana Jones. Eu fico quieta. Sem graça de admitir que faz duas semanas que não vou ao cinema. Que tenho visto muito Seinfeld, muito Lost, muita Ugly Betty e todas essas coisas que eu adoro ver e que o Japanimation baixa pra mim.
Friday, May 30, 2008
Tudo se encontra na capital
Outro dia eu estava na casa do Japanimation. Faziam uns 12 graus na rua, chovia, ventava e o edredom era o melhor lugar do mundo, quando não sei por que, me lembrei da existência da cuca. A cuca vem a ser um pão doce alemão que é muito popular no RS - principalmente na cidade de Novo Hamburgo - e que é simplesmente uma tentação divina, quase pornográfico de tão gostoso. Eu fiquei viciada em cuca de chocolate (tem de vários sabores, minha gente) quando passei uma longa temporada de trabalho nas terras gaúchas. Pronto, me ferrei: cuca só se vende no sul, e mesmo assim só no RS, porque nem Santa Catarina, nem Paraná têm o costume de produzir essa delícia. Não sei o que me deu - talvez tenha sido o frio - que fiquei com uma vontade louca de comer uma cuca de chocolate como aquelas que viraram mania em Novo Hamburgo.
Googling "cuca alemã de chocolate em São Paulo", descobri um blog que citava um supermercado gaúcho que tinha aberto filial em Sampa. E, acreditem, vendia cuca de todos os sabores.
Corremos pro supermercado, compramos mais um milhão de coisas calóricas e irresistíveis, e afundamos no edredom. São Paulo é frio e bom pra comprar comida de todos os cantos do Brasil - então vamos aderir e na segunda a gente corre atrás do prejuízo.
Wednesday, May 28, 2008
Com o futebol ninguém se sente sozinho
Mas agora que eu moro no bairro mais tricolor do Rio de Janeiro, mesmo quando eu não to interessada, acabo participando da festa. Explico melhor: pela minha janela, cercada de outras janelas por todos os lados, ecoam gritos de júbilo a cada gol do Fluminense. E, a partir do primeiro, uma espécie de comunicação é estabelecida entre os torcedores: eu grito Nense aqui e outro alguém grita Nense lá, e soa uma corneta, e uivam os mais animados. Quando o adversário faz gol, já é diferente: a gente ouve um 'mengo' aqui e ali, provando que a maior torcida do mundo é realmente a do Flamengo, principalmente quando eles estão fora do campeonato e só querem que os outros times cariocas percam.
Para quem cresceu ali bem pertinho do clube das Laranjeiras, é praticamente impossível não ser tricolor. Até os flamenguistas da São Salvador devem ter aprendido a nadar da piscina de 50 metros do Fluminense, escondendo isso dos outros amigos que é pra não ser zoado na escola. Mas tem jeito? Se você mora em Laranjeiras ou no Flamengo, não vai nadar lá na Gávea, certo? Então, uma hora ou outra, mesmo os rivais do pó de arroz têm que pisar no clube inimigo.
Como não tenho saco pra assistir 90 minutos de bola rolando, minha tática pra saber o placar é muito simples: nego gritou, eu dou uma olhada na internet e fico por dentro da pontuação. Semana passada o Fluminense ganhou e teve até comemoração na praça. Mas como eu me defino como "tricolor não praticante", fiquei morrendo de preguiça da bebedeira da vitória, apesar feliz pela conquista. É que mesmo na minha curta carreira de torcedora eu aprendi que não vale a pena sair do sério por causa de time de futebol. Mesmo que a alegria entre ecoando pela minha janela.
Tuesday, May 20, 2008
Vale dos Templos

Um dos passeios mais legais que eu fiz desde que passei a, digamos assim, freqüentar São Paulo, foi conhecer o Vale dos Templos. É um refúgio em Itapecerica da Serra, a uma hora de Sampa, mas que parece estar muitos quilômetros de distância da capital paulista. Primeiro porque quando a gente chega lá, percorre ruazinhas de terra que lembram caminhos para casas de campo. Segundo que, passando o portal da entrada, temos a impressão de que entramos em outra dimensão, tal é o silêncio e a paz daquele lugar.
Não sou budista. Até admiro a filosofia de Buda aqui e ali, mas nada que me faça acompanhar os cultos ou tentar meditar. Mas quando a gente chega lá, a história é outra. Antes de chegarmos aos templos, na descida do morro, há um cemitério japonês, com lápides luxuosas que lembram um pouco aquele monolito de "2001" - sendo que nas lápides há uma escritura em japonês com o nome da família do morto. É incrível, porque você não espera encontrar um negócio daqueles no meio da mata. Uma surpresa.
E assim são todos os momentos do passeio. Cada esquininha que você vira, cada árvore que você percebe, guardam uma pequena admiração.
Compramos comidinhas pro piquenique (e eu levei um vinho, é claro, porque não sou nem um pouco espiritualizada...), estendemos o lençol e curtimos o resto do tempo no parque , que fecha às 17h e, obviamente, a gente só conseguiu chegar lá umas 16h. Uma outra família estava reunida um pouco mais adiante, e tinham umas crianças que corriam pra lá e pra cá.
E tinham uns patos que roubavam a ração que a gente comprou pra alimentar as carpas. E ainda um monge que eu acho que fez voto de silêncio, porque quando eu disse boa tarde ele só acenou com a cabeça. E um friozinho de 16 graus, que eu não senti porque bebi a garrafa de vinho quase inteira. E as cinzas do Cassio Gabus Mendes. E um monte de origamis pendurados sobre um anjo japonês. E cheiro de insenso dentro dos templos. E queijo brie com geléia de mirtilo.
Ai, ai, como a vida é boa.
Monday, May 19, 2008
Todos unidos contra o mal
Em São Paulo, essa solidariedade do perrengue pode ser vista no trânsito. Todos os esforços estão voltados para avisar os companheiros sobre qual caminho está engarrafado, qual está livre, quantos quilômetros de trânsito foram verificados... Uma estação de rádio, a Sulamérica FM, apresenta de manhã um programa que não toca músicas, só dá boletim de trânsito. E a galera participa ativamente, liga pra lá e avisa: "olha, eu to parado aqui na avenida tal, ta tudo ruim, então é melhor que os ouvintes que vão pra zona x que sigam pela rua y", ou então mandam emails através do WAP do celular sugerindo melhores caminhos e dando os panoramas da região.
Enfim, é um povo unido contra um mal.
Outra situação curiosa é aquela que diz que são tantos os quilômetros de engarrafamento. Nunca entendi que cálculo era aquele, porque eralmente imaginava uma fila dos tais quilômetros só de carros parados. Mas então o Japanimation me explicou que esse cálculo é feito da seguinte forma: eles pegam todos os trechos da cidade que estão engarrafados, medem a distância de cada pequeno engarrafamento e somam. E daí, o número de quilômetros divulgado é importante para que o pobre do paulista possa calcular quanto tempo ele vai demorar para chegar em determinado endereço.
No caminho que faço da casa do Japanimation pro aeroporto, ficamos sempre engarrafados no trecho inicial. Na avenida próxima ao apartamento do Japa, há um muro com um grafite, onde se lê "Você é escravo do trânsito". Tudo bem, é verdade, mas dá uma deprê danada ler aquilo às 7h30, com medo de perder o avião, contando carros incontáveis freando na sua frente.
Você é escravo do trânsito, e o trânsito manda em São Paulo. Solução? Se muda por Rio.
Friday, May 16, 2008
Parando no auge
Mas algumas continuações funcionaram tão bem que deixaram até saudade. Lembro que quando assisti o primeiro do Senhor dos Anéis, saí do cinema ansiosa para a segunda parte. E quando vi o terceiro e último filme da série, rolou uma certa melancolia de perceber que tinha acabado ali. Quer dizer, eu não ia mais ficar esperando o lançamento no próximo ano, lendo a respeito, contando os dias...
O mesmo aconteceu com Kill Bill. Achei muito foda o Quentin Tarantino não ter se dobrado a mais uma trilogia ao dividir a saga de Beatrice Kiddo em duas partes apenas. E na minha opinião os filmes são tão equilibrados que é difícil separá-los de contexto. Pra mim, o 1 e o 2 são o mesmo filme, não há divisão. Por isso achava mega estranho quando alguém vinha me perguntar de qual dos dois Kill Bill eu gostei mais. Eu pensava: puts, esse cara não entendeu nada!
Mas, pelo visto, quem não entendeu nada fui eu. Porque ontem (quantos anos depois do lançamento do primeiro KB? Uns 4?), Tarantino anunciou que vai fazer o Kill Bill 3. Confesso que... dei uma brochada.
Eu queria ter o Kill Bill como aquela seqüência perfeita, dois filmes clássicos que se completam. Não queria testemunhar uma série que vai caindo de nível, como em O Poderoso Chefão. Porque isso me deixa meio deprimida, confesso.
Mas aí o cara quer fazer o terceido Kill Bill. Beleza, eu até confio nele. Até acho que ele é foda, que vai fazer um filme bom. Mas que soou desesperado, isso soou.
E a gente aqui de fora só fica esperando, com a certeza de que vamos todos assistir no cinema, mesmo que seja uma droga.
Thursday, May 15, 2008
Foi algo que eu disse?
Se através do blog fui bem analisada, e se meu nome aparece facilmente em qualquer site de busca, por que não colocar a minha URL no currículo? Realmente não faz o mínimo sentido, ainda mais porque sou uma pessoa que, além de blog, tem Flickr, Twitter, Orkut (claro), MySpace e tantas outras nerdices inventadas na era da rede mundial de computadores.
E, convenhamos, o meu texto é bom!
O meu texto é bom. Eu sou uma profissional de televisão completa. Eu me adequo a qualquer cargo em poucas semanas. Eu gosto de sentir frio na barriga e de percorrer outros caminhos. Eu não tenho problemas com relacionamentos interpessoais. Aliás, eu não tenho nem problemas com oportunidades de trabalho, porque estou empregada, com bebefícios mil, e todos os meus chefes me elogiam.
Então por que eu nunca fui chamada para nenhuma das últimas três vagas a que me candidatei?
Eu fico pensando: "Será que fui muito arrogante quando disse que sou uma profissional de televisão completa? Mas... cara, eu sou mesmo! Será que eu deveria ter fingido que não? Será que eu deveria ter dito que sou completa mas que, por outro lado, ainda tenho muito o que aprender? As pessoas adoram ouvir que a gente tem muito a aprender com elas. Vai ver foi isso..."
Sempre que saio de uma entrevista, tenho certeza quase absoluta de que fui muito bem. Sei conversar e expor minhas qualidades, e admito que nunca fiz certa coisa, mas que também não tenho medo de tentar, etc etc. Então depois, quando não me procuram com a resposta, eu fico dias martelando: O que eu fiz de errado? É quase como terminar um casinho que você jurava que ia virar namoro. Do nada a história desanda, e você nunca sabe exatamente por quê.
Da última vez foi uma troca de emails com o pessoal de um respeitado site de música eletrônica. Mandei meu currículo e recebi uma resposta quase imediata, pedindo para listar meu gosto musical. Fiquei animada com a rapidez e pronto: discorri sobre o que tenho baixado, sobre o que descobri recentemente, sobre os últimos shows incríveis que eu vi, sobre meu vício na Last.fm... E depois, quando dei meu endereço na Last, nunca mais ninguém do site me escreveu.
Será que não gostaram do meu gosto musical?
Mas, cara... Eu tenho um gosto tão bom!
Estou me tornando uma especilista no pé na bunda de Recursos Humanos.
Tuesday, May 13, 2008
Info addicted
Só que eu não sou uma data adictted. E dou graças a Deus, porque dificilmente teria dinheiro para adquirir todas as coisas muito legais que aparecem todos os dias nos meus emails. Mas justamente por essa mania de querer saber sobre tudo que está sendo lançado, relançado, divulgado, revitalizado, inventado, remasterizado (mesmo que eu não tenha nenhuma intenção de adquirir qualisquer dos ítens), me descobri um outro tipo de viciada: a dependente de informação.
A princípio, não há nada de mal em se tornar uma info addicted - ainda mais para uma jornalista que, a princípio, tem que saber de tudo mesmo. Mas a verdade é que a caçada por novidades se tornou quase doentia: toda vez que recebo um email com um link bacana, fico me perguntando como é que nego descobriu esse endeerço, e vasculho os outros links da página, à procura do que pode ser ainda mais interessante, e penso em postar no Twitter minha mais nova descoberta, e só sigo lá quem tem a me oferecer informação relevante (a não ser que sejam amigos da vida real).
Veja a maldição que é ser uma info addicted:
- Quando estou de bobeira em casa ou no trabalho, me sinto na obrigação de procurar novidades na rede. Mas eu acabo voltando sempre aos mesmos sites, o que me deixa muito mal-humorada. - Me sinto culpada quando fico em casa vendo televisão: acho que deveria usar eu tempo livre para ver um filme, ou ler um livro, ou porduzir de alguma maneira.
- Tenho vontade de conhecer o mundo inteiro, e raramente consigo decidir qual é a minha prioridade. Ou seja: minha meta muda assim que recebo informações sobre outro destino.
- Quando vejo uma matéria muito legal, penso: "damn it, por que não pensei nisso antes?" E tenho uma inveja negra do autor (a não ser que o autor seja meu amigo, aí a inveja é branca).
- Tenho idéias de matérias imperdíveis e não sei onde publicá-las. E como sou mesquinha, não quero passar essas idéias pra ninguém, achando que um dia vou finalmente realizar as reportagens.
- Dou refresh no Twitter de 5 em 5 minutos para ver se alguém postou alguma coisa legal.
Agora os pontos positivos - porque nem tudo é terrível nessa vida:
- Informação, atualmente, vale mais que dinheiro. Portanto, convenhamos que o meu vício veio bem a calhar.
- A troca de informações é o que há de mais belo na internet, a meu ver. I'll show mine and you'll show me yours, e dessa maneira todo mundo conhece coisas bem legais.
- Obter informação faz as idéias crescerem e a critividade aumentar, e quanto mais idéias a gente tem, mais elas surgem.
- Mais uma vez a internet ajuda todo mundo: temos acesso a qualquer revista ou publicação, de qualquer parte do mundo, absolutamente de graça.
- As pessoas te acham incrível quando você vem com uma solução que você viu em um site qualquer. Acham que você é a pessoa mais inteligente do mundo, mesmo a idéia não sendo originalmente sua...
Monday, May 12, 2008
Jonathan Safran Foer
"Everything is Iluminate" virou filme que eu, resistindo à maior de todas as curiosidades, ainda não assisti. Quero terminar o livro e só depois ver como é que ele foi adaptado ao cinema - mas confesso que existe uma constante luta interna pra não dar o braço a torcer e baixar de uma vez o longa.
E o livro está aqui na minha bolsa. Ele me olha lá do fundo e eu resisto ao impulso de abrir em uma página qualquer e ler um trecho. Ele é um livro que serve assim também, aberto ao acaso. Mesmo fora de ordem ele faz sentido, porque cada palavra escrita foi certamente bem pensada e, por isso, carrega um caminhão de significados.
Futilidades sobre Jonathan Safran Foer:
- "Extremamente alto, incrivelmente perto" foi eleito pelo Poça D'água's Voice Reader, o Oscar dos livros lançados e lidos por quem escreve esse blog, como o melhor romance publicado no século XXI
- Ele já veio ao Brasil participar da Flip e eu mosqueei e não fui lá pedir a benção.
- Como quase todo judeu americano, ele mora em Nova York. E como quase todo morador de Nova York, o que ele escreve tem muito a ver com a sua cidade (o que me faz analisar que os novaiorquinos são os cariocas dos Estados Unidos. Será?)
- Os direitos de "Extremamente.." foram vendidos para a Paramount, o que me deixa com medo, porque o livro é realmente incrível, e se o filme não for nada menos que maravilhoso, eu vou ficar muito, mas muito irritada.
- Ele mora na mesma rua que o Paul Auster.
- Ele é vegetariano (característica que me deixa um pouquinho desapontada).
Friday, May 09, 2008
Vida Estrangeira
Morei em NYC de maio a novembro de 2001. De recheio dos meus meses na América há o episódio que inaugurou o século XXI: o ataque ao Worl Trade Center. É óbvio que a minha temporada novaiorquina ficou muito marcada por esse fato, mas não ficou restrita a isso. Mesmo depois dos ataques, tenho outras lembranças que não remetem, necessariamente, à derrubada das Torres Gêmeas.
Posso dividir o tempo que estive em Nova York em três partes: assim que cheguei, depois que comecei a trabalhar como garçonete e quando entrei de estagiária na Globo NY. O 11 de setembro foi já na minha época de estagiária, e eu senti todo aquele caos com o gostinho de quem acabou de se formar jornalista e está no meio do furacão mundial. Os amigos me escreviam pedindo pra eu voltar pro Brasil, e eu respondia: "mas nem morta! Agora que tá ficando bom?" E babava observando as putas velhas do jornalismo brasileiro cobrindo os atentados. Só tinha primeiro time, e se tem uma coisa que me dá um tesão na vida, é ver gente competente trabalhando.
Mas antes disso, quando eu havia acabado de pisar nos Estados Unidos, decidi tirar um mês de férias e conhecer a minha nova cidade temporária. Todos os dias eu pegava o guia da Folha de SP e escolhia onde queria passear. Passei um dia inteiro andando no Metropolitan Museum, parando só pra comer um cachorro quente do lado de fora, e depois entrando de novo no prédio. Fiz o mesmo com o Museum of Natural History - e, mesmo assim, não consegui ver todo o acervo. É coisa pra cacete!
Eu vagava pela cidade sem muito dinheiro no bolso, conversando com quase ninguém, totalmente Lost in Translation (apesar de que eu falo inglês muito bem, mas é que sou meio bicho do mato mesmo). Foi uma época solitária.
Depois, quando consegui um trabalho de fim se semana em um restaurante brasileiro no Greenwich Village, tudo mudou. Eu saía do restaurante meio bebinha, sempre, lá pela meia-noite, uma hora da manhã, e as ruas estavam cheias de gente. Era o bairro gay de NY (um deles), e em cada esquina existiam dezenas de bares, e todo aquele povo ficava na rua conversando e rindo e falando alto. Eu conseguia fazer amizades fast food no caminho do restaurente ao trem (morava em New Jersey, então era trem e não metrô o que eu pegava, mas na prátoca era tudo a mesma coisa). Era uma época divertida.
A terceira parte, de quando fui estagiar na Globo, é a mais cansativa de todas: eu trabalhava de manhã em um restaurante americano típico, e de tarde eu ia pra Globo, de onde só saía às 9h, 10h da noite. Acordava às 6h porque tinha que chegar às 8h no restaurante (1h de metrô), vivia cansada, mas estava feliz. E depois que o WTC caiu eu fiquei só trabalhando na Globo mesmo, mas trabalhava umas 12h por dia e, dessa vez, ganhando uma graninha pelas organizações.
Eu morria de saudades do Brasil. E quando voltei, achava que tudo no Rio era lindo. Meus amigos reclamavam que não tinha nada pra fazer na cidade, e eu dizia: "Mas olha que linda a Lagoa".
Obviamente, esse sentimento passou em uma semana, e depois tudo voltou ao normal. Só ficou a saudade da New York Fucking City.
Thursday, May 08, 2008
A praça é nossa
Daí cheguei no Rio com a tal da sensação de que o que é público também é meu. Não lembro mais aonde foi, mas teve um dia em que eu estava cansada e resolvi me sentar na escada, e então veio um segurança e falou que eu não podia sentar ali porque atrapalhava a passagem. Uma escadaria enorme e só eu no canto e ele dizendo que eu estava atrapalhando! Foi aí que caiu a ficha de que a cidade não era minha, como eu pensava antes.
Quando me mudei e comecei a frequentar a querida pracinha da minha rua, a tal sensação de que o espaço público é uma continuação do privado voltou a me dominar. Isso porque existe uma série de eventos naquele coreto que me deixaram à vontade o suficiente para que eu chame o local de "meu bairro".
Na minha praça, crianças fazem festinhas de aniversário embaixo do coreto. O garçom do boteco da outra calçada arruma mesinhas e serve no meio da praça. Tem bloco de carnaval (pra quem gosta) uma vez por mês. Todo domingo, a partir das onze horas, rola um chorinho de craques, com partituras e tudo.
E não é só nas minhas redondezas que a praça é do povo. Em Laranjeiras, na General Glicério, é famoso o chorinho de sábado, logo depois da feira que tem tapioca e um mega pastel incrível. O povo fica lá ouvindo o chorinho, bebendo uma latinha, dando um relax da vida louca daquela cidade.
Outra praça que eu sou fã fica em uma daquelas ruas atrás da Jardim Botânico, naquele tipo de endereço que a gente nunca aprende o nome, mas sabe chegar lá de olhos fechados. Todo ano tem festa junina, e gente de todas as idades comparece fantasiado, e come salsichão e churrasquinho, e ouve música de festa junina, e não aquele funk podre que dominou as festividades de junho/julho da zona norte da cidade.
Quando etsou no Rio e não me acabei na noite anterior, meus domingos acontecem da seguinte maneira: acordo umas 11h30, desço e tomo um café na casa de sucos Copa de 70 (nome sensacional, vamos lá), sento no coretinho e fico ouvindo e vendo a vida passar. Quando acaba, vou logo ali no Oi Futuro ficar dando pinta até chegar a fome e a vontade de comer de novo. Faço tudo a pé, porque já dirijo muito nesse mundo de meu deus. E faço reverências ao sol da minha cidade do coração.
