Tem coisas que a gente ouve na infância e que teimam em nos seguir o resto da vida - não importa o quanto idiota seja a questão. Falo de manias, superstições, lendas, que em algum momento algum imbecil nos ensionou. No meu caso, lembro de duas histórias que volta e meia me pego pensando: a das topadas e a dos sonhos.
A das topadas nasceu na época em que eu estudava em um colégio de freiras. Essa temporada religiosa foi a responsável por noventa por cento do meu repúdio à Igreja Católica e a todas as suas representações (menos igrejas antigas que, inexplicavelmente, eu adoro visitar). Eu tinha uns dez anos e fazia aula de catecismo - porque a boa, naquela época, era fazer primeira comunhão; um mega evento social! - e estava nessa aula quando alguém perguntou pra freira/ professora se era verdade que Deus castigava.
- Castigar, ele não castiga - ela explicou - porque Deus é todo perdão. Mas de vez em quando ele dá uns avisos, né? Quando acontece um pequeno acidente, uma perna quebrada, um tornozelo torcido...
Desde então, toda vez que dou com o dedão na parede, ou com o cotovelo na maçaneta da porta (sabe aquele choquinho que dá?), eu penso em Deus. Na verdade, eu me pergunto: "mas o que que eu fiz pra levar uma dessas?", e busco o que poderia ter causado esse mínimo aviso divino. E olha que eu ainda não decidi se acredito ou não nessa coisa de poder do criador.
A outra história, a dos sonhos, não tem nada a ver com o colégio de freiras. Tem a ver com um suplemento que vendia no jornaleiro que se chamava "Mistérios do céu e da Terra" - acho que era mais ou menos isso. Esse livro falava de almas, vida após a morte, feitiços... Ensinava até a fazer um boneco vudu usando terra de cemitério (isso eu lembro bem, porque fiquei intrigadíssima com a idéia de ter que ir até o cemitério levando um baldinho e uma pá para depois confeccionar o seu boneco). Nessa época eu devia ter uns oito ou nove anos, mais novinha ainda que no episódio das topadas.
E aí que tinha um capítulo desse livro que falava sobre sonhos. E explicava que, enquanto estamos sonhando, nossas almas deixam o nosso corpo para vagar pelo mundo, encontrar pessoas, conhecer lugares diferentes. Um passeio básico no plano imaterial.
O texto dizia, ainda, que quando encontramos uma pessoa em um sonho, significa que nossas almas realmente se encontraram durante a noite, e que conversaram e passaram um tempo juntas e tal. E depois disso, para o resto da vida, toda vez que sonho com alguém penso na possibilidade do encontro de almas.
Mas por quê, exatamente hoje, lembrei dessas histórias? Acho que tive um sonho estranho, com uma pessoa que não vejo há muito tempo. Mas eu não lembro quem ela era, e nem o que acontecia no sonho. E no caso de almas que se encontram (o que me deixa muito confusa, porque fiz análise durante anos e tinha outra visão do que rolava na minha cabeça após adormecer), isso significa que a outra pessoa sonhou comigo também?
Até gostaria de acreditar no encontro das almas. Mas é muito mais lógico acreditar nas peças que a minha mente prega.
Wednesday, June 27, 2007
Tuesday, June 26, 2007
Eu sei que você está lendo isso
Abre a foto proibida e fica uns dois segundos olhando pra ela, e então conclui: acabou. Fecha a foto, desliga o computador, mas a imagem ainda existe lá no fundo, embora a sua tentativa seja ignorá-la. Ela não vai embora. Ela não vai embora tão fácil assim - é como deitar sob o sol de olhos fechados, abrir e enxergar uma cadeira de praia, e depois fechar os olhos de novo: tá lá a cadeira, na penumbra dos olhos fechados, demorando a desfazer o contorno. Já percebeu que isso acontece? E se deitar agora e tentar dormir, vai estar no centro do escuro a mesma foto, o sorriso torto e todas as olheiras do mundo, os dentes manchados de incontáveis cafés e cigarros e quem sabe mais o quê, o cabelo que teima em continuar despenteado. Era assim até o ano passado - vai saber como é esse ano. Mas não importa, porque o que vale é a imagem do computador, aquela que restou, a que não foi deletada nem guardada no fundo de uma gaveta qualquer, a que não se juntou a tantos outros arquivos mortos acumulados com os anos. Daqui a pouco eu faço trinta, faz aí as contas de quantas fotos inesquecíveis eu já esqueci que tenho. As fotos se renovam e as manias também, os programas imperdíveis são outros, alguns amigos permanecem os mesmos. No final, é tudo esquecimento - mas este texto vai continuar aqui, não importa o que aconteça.
Vai, confessa. Você sabe do que estou falando.
Vai, confessa. Você sabe do que estou falando.
Monday, June 25, 2007
It's a small world after all
Uma amiga me chamou para um encontro de um site de relacionamentos. Toda vez que eu falo "site de relacionamentos" as pessoas me olham de um jeito engraçado, achando que se trata de encontros on line. Mas não é nada disso. Essa é uma página de rede de amigos, no estilo do Orkut e de tantos outros por aí. O nome do site em questão é Small World, e eu nunca tinha ouvido falar até a noite de sexta passada.
A grande diferença do Small World em relação aos outros sites de relacionamento é que nele não é qualquer um que entra. Uma vez convidada, a pessoa tem que passar pelo "crivo" dos outros membros do grupo, que vão examinar suas referências, sua procedência, seu endereço, etc. Obviamente, eu não faço parte de tal grupo seleto de internautas. Fui no encontro no maior estilo bicão mesmo.
Hoje soube que fazem parte da conexão gente do naipe de Roberto Justus e outros famosos/ricos. Se bem que não tinha ninguém a nivel de Caras no encontro.
Mas vamos lá. Chegamos - eu e a minha amiga - no quiosque da Lagoa onde o programa havia sido marcado. A língua que se ouvia era o inglês, já que havia uma boa quantidade de gringos sentados à mesa. Em um primeiro momento, nós duas fomos renegadas à nossa mediocridade (eu mais do que ela, já que a minha amiga faz parte da rede, embora ela ainda não tenha moral para convidar ninguém). Mas depois de algumas doses de qualquer coisa, treinávamos intensamente o nosso inglês com as pessoas ao redor.
Havia um italiano que trabalhava pra Tim. Um alemão que dava aulas na Coppead. Um paulista corretor de imóveis que também não era do grupo. E umas meninas que pareciam ter vivido na Europa por algum tempo.
Os papos iam na base do: o que você faz? onde você mora? o que está achando do Brasil?
Em nenhum momento ficou aquele clima de "somos ricos e jovens" - até porque ninguém ali era tãããão jovem assim, a média era de mais de trinta anos. Eu logo firmei conversa com o italiano, que era, sem dúvida, o cara mais engraçado do grupo. E com o paulista, que era gay e mega simpático. Os outros não tive nem como conhecer, entretida que estava no papo da dupla surreal.
De lá resolvemos sair para dançar. Alguém falou em Lapa, outro falou em Ipanema. Fomos parar em um lugar chamado Hotel OuroVerde, em Copacabana. Um lugar que, na boa, não recomendo pra ninguém.
Quarenta minutos depois de chegarmos ao hotel/boate, resolvi que era hora de voltar pra casa. Dei um tchau geral, peguei telefones e emails dos meus novos camaradas, com a promessa de manter contato. Ainda não sei se serei capaz de manter a promessa. Geralmente, não cumpro.
Mas o mais interessante de tudo foi a idéia surgida no almoço de hoje, quando eu contava as aventuras de sexta-feira. Alguém na mesa teve a idéia de criar um site exatamente o contrário do Small World, em que os mais bagaceiros pudessem entrar. Nada dessa história de cifrões e referências. Quanto mais vira-lata fosse a pessoa, mais bem vinda ela seria no grupo.
O nome, disseram, deveria ser "Coração de mãe".
Só que, pensando bem, não adianta a gente fazer uma página nos moldes do Coração de Mãe. Porque, na verdade, essa página já existe.
Chama-se Orkut.
A grande diferença do Small World em relação aos outros sites de relacionamento é que nele não é qualquer um que entra. Uma vez convidada, a pessoa tem que passar pelo "crivo" dos outros membros do grupo, que vão examinar suas referências, sua procedência, seu endereço, etc. Obviamente, eu não faço parte de tal grupo seleto de internautas. Fui no encontro no maior estilo bicão mesmo.
Hoje soube que fazem parte da conexão gente do naipe de Roberto Justus e outros famosos/ricos. Se bem que não tinha ninguém a nivel de Caras no encontro.
Mas vamos lá. Chegamos - eu e a minha amiga - no quiosque da Lagoa onde o programa havia sido marcado. A língua que se ouvia era o inglês, já que havia uma boa quantidade de gringos sentados à mesa. Em um primeiro momento, nós duas fomos renegadas à nossa mediocridade (eu mais do que ela, já que a minha amiga faz parte da rede, embora ela ainda não tenha moral para convidar ninguém). Mas depois de algumas doses de qualquer coisa, treinávamos intensamente o nosso inglês com as pessoas ao redor.
Havia um italiano que trabalhava pra Tim. Um alemão que dava aulas na Coppead. Um paulista corretor de imóveis que também não era do grupo. E umas meninas que pareciam ter vivido na Europa por algum tempo.
Os papos iam na base do: o que você faz? onde você mora? o que está achando do Brasil?
Em nenhum momento ficou aquele clima de "somos ricos e jovens" - até porque ninguém ali era tãããão jovem assim, a média era de mais de trinta anos. Eu logo firmei conversa com o italiano, que era, sem dúvida, o cara mais engraçado do grupo. E com o paulista, que era gay e mega simpático. Os outros não tive nem como conhecer, entretida que estava no papo da dupla surreal.
De lá resolvemos sair para dançar. Alguém falou em Lapa, outro falou em Ipanema. Fomos parar em um lugar chamado Hotel OuroVerde, em Copacabana. Um lugar que, na boa, não recomendo pra ninguém.
Quarenta minutos depois de chegarmos ao hotel/boate, resolvi que era hora de voltar pra casa. Dei um tchau geral, peguei telefones e emails dos meus novos camaradas, com a promessa de manter contato. Ainda não sei se serei capaz de manter a promessa. Geralmente, não cumpro.
Mas o mais interessante de tudo foi a idéia surgida no almoço de hoje, quando eu contava as aventuras de sexta-feira. Alguém na mesa teve a idéia de criar um site exatamente o contrário do Small World, em que os mais bagaceiros pudessem entrar. Nada dessa história de cifrões e referências. Quanto mais vira-lata fosse a pessoa, mais bem vinda ela seria no grupo.
O nome, disseram, deveria ser "Coração de mãe".
Só que, pensando bem, não adianta a gente fazer uma página nos moldes do Coração de Mãe. Porque, na verdade, essa página já existe.
Chama-se Orkut.
Friday, June 22, 2007
Mudando o shape
Uma vez um amigo me perguntou por que as mulheres cortavam o cabelo quando terminavam um namoro. "Porque elas querem se sentir mais bonitas, basicamente" - expliquei. E então ele começou a reclamar que tinha mulher que acabava se enfeiando, que era mais bonita antes, etc e tal.
Mas, na real, só sendo mulher pra saber o poder renovador que tem uma passadinha no salão de beleza.
No meu caso, não é bem assim. Eu gosto de ter a unha feita, cabelinho cortado e devidamente esticado com formol, pernas depiladas, olheiras escondidas... Mas gostaria muito mais de tudo isso se eu vivesse no mundo dos Jetsons, onde basta você entrar numa mega máquina com mil braços para sair linda e perfeita.
O tratamento de beleza que eu mais odeio é fazer as unhas. Acho um saco ter que ficar de small talk com a manicure enquanto ela cavuca as minhas cutículas, ou esfrega a sola do meu pé com aquelas lixas terríveis. Invariavelmente, morro de cosquinha durante esta etapa da tortura, e me contorciono toda enquanto a pobre da mulher tenta fazer seu trabalho.
Depois, peço desculpas: "É que sinto cócegas"
Hoje eu tive um dia de salão de beleza. Fazia tempo que eu não encarava aquele recinto, e já era hora de eu dar a tal da renovada pós-término.
O que não se faz nessa vida em nome da possibilidade de se apaixonar de novo...
Mas, na real, só sendo mulher pra saber o poder renovador que tem uma passadinha no salão de beleza.
No meu caso, não é bem assim. Eu gosto de ter a unha feita, cabelinho cortado e devidamente esticado com formol, pernas depiladas, olheiras escondidas... Mas gostaria muito mais de tudo isso se eu vivesse no mundo dos Jetsons, onde basta você entrar numa mega máquina com mil braços para sair linda e perfeita.
O tratamento de beleza que eu mais odeio é fazer as unhas. Acho um saco ter que ficar de small talk com a manicure enquanto ela cavuca as minhas cutículas, ou esfrega a sola do meu pé com aquelas lixas terríveis. Invariavelmente, morro de cosquinha durante esta etapa da tortura, e me contorciono toda enquanto a pobre da mulher tenta fazer seu trabalho.
Depois, peço desculpas: "É que sinto cócegas"
Hoje eu tive um dia de salão de beleza. Fazia tempo que eu não encarava aquele recinto, e já era hora de eu dar a tal da renovada pós-término.
O que não se faz nessa vida em nome da possibilidade de se apaixonar de novo...
Thursday, June 21, 2007
Aplauso ao chope
Foi uma combinação entre amigos: vamos sempre aplaudir o primeiro chope, e talvez o último também. A idéia surgiu depois de um pôr-do-sol no Posto 9, em que um amigo que queria ser hippie - mas não é - insistiu naquele ritual bizarro da praia de Ipanema. Seguiu à risca a juventude dourada e se pôs a bater palmas pro horizonte. E eu, ao lado dele, horrorizei.
Mas aplaudir o primeiro chope é muito diferente. Eu e o amigo não hippie tentamos parar no Jobi, domingo à noite. Tudo cheio. Fomos pro Conversa Fiada, comemos um pouquinho, mas estava realmente desanimado por lá. E terminamos no Belmont do Leblon dando uma salva de palmas pra tulipa à nossa frente.
As outras (poucas) pessoas no bar nos observaram sem entender. E ninguém nos acompanhou. Pra falar a verdade, nem senti falta dos outros, porque já tem gente demais indo com as outras no pôr-do-sol de Ipanema. O ritual do chope é só meu e do meu amigo, que é uma das poucas pessoas que entende exatamente as minhas piadas. Eu diria até que ele é a minha alma-gêmea do humor, a ponto de nós deixarmos de lado outros acompanhantes, estabelecendo um papo reto que ninguém mais entende. Às vezes me sinto culpada, mas depois a culpa passa. Adoro não ter culpa de nada.
Mas aplaudir o primeiro chope é muito diferente. Eu e o amigo não hippie tentamos parar no Jobi, domingo à noite. Tudo cheio. Fomos pro Conversa Fiada, comemos um pouquinho, mas estava realmente desanimado por lá. E terminamos no Belmont do Leblon dando uma salva de palmas pra tulipa à nossa frente.
As outras (poucas) pessoas no bar nos observaram sem entender. E ninguém nos acompanhou. Pra falar a verdade, nem senti falta dos outros, porque já tem gente demais indo com as outras no pôr-do-sol de Ipanema. O ritual do chope é só meu e do meu amigo, que é uma das poucas pessoas que entende exatamente as minhas piadas. Eu diria até que ele é a minha alma-gêmea do humor, a ponto de nós deixarmos de lado outros acompanhantes, estabelecendo um papo reto que ninguém mais entende. Às vezes me sinto culpada, mas depois a culpa passa. Adoro não ter culpa de nada.
Tuesday, June 19, 2007
Blog bombando
Fico assustada quando vejo que a quantidade de Unique Visitors desse blog não pára de crescer. Tudo bem que a maioria entra aqui fazendo pesquisa sobre Rivotril (aviso logo a esses: Rivotril é uma merda! Acaba com a libido, dá uma super rebordosa depois do uso e é o verdadeiro paraíso artificial). Mas será que alguma dessas pessoas que caem aqui por acaso voltam mais tarde?
O engraçado é que eu tenho achado os meus textos muito chatos. Parece que eu to chegando aos trinta e ficando com cada vez mais preguiça de pensar. Os poucos amigos que lêem o meu blog (a maioria lê mas não me conta, principalmente os casinhos e os ex-namorados) dizem que o texto continua bom. Mas eu acho que dei uma caída considerável de qualidade.
É triste admitir que eu era mais inteligente aos 24 anos.
O lance que até tenho coisas a contar, mas pouco tempo pra fazer. Agora, por exemplo, está na hora de ir a uma festa de aniversário, pertinho da minha nova casa.
É uma delícia ser livre.
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro!"
O engraçado é que eu tenho achado os meus textos muito chatos. Parece que eu to chegando aos trinta e ficando com cada vez mais preguiça de pensar. Os poucos amigos que lêem o meu blog (a maioria lê mas não me conta, principalmente os casinhos e os ex-namorados) dizem que o texto continua bom. Mas eu acho que dei uma caída considerável de qualidade.
É triste admitir que eu era mais inteligente aos 24 anos.
O lance que até tenho coisas a contar, mas pouco tempo pra fazer. Agora, por exemplo, está na hora de ir a uma festa de aniversário, pertinho da minha nova casa.
É uma delícia ser livre.
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro!"
Monday, June 18, 2007
Porque eu sou muito amada
Dias desses um cara deixou um recado no meu celular assim: "... queria dizer que eu tenho a minha família, os meus amigos... tenho muito amor. E amor é uma coisa que você não tem. Falta amor na sua vida, Bruna. Muita gente não gosta de você. Mas eu gosto. Se qusier, liga pra mim"
Eu não liguei.
Mas fiquei pensando no que ele disse. De onde ele tirou que eu não tenho amor na minha vida? E o que esse cara sabe da minha vida pra falar que falta isso ou aquilo? Essa humanidade é ridícula, o ser humano é ridículo. Uma vez um amigo (uma pessoa profunda, e não rasa como eu) disse que as plantas deviam estar rindo de nós, porque nós perdemos tempo sofrendo. Eu também acho isso, agora. Mas durante muito tempo cultivei o sofrimento, porque achava que esse era o caminho pro aperfeiçoamento pessoal.
Tudo isso me veio à cabeça porque reli um email guardado de um amigo que não vejo há pelo menos 5 anos. Espero, de coração, que ele esteja muito bem e muito feliz. Talvez o email dele tenha sido o mais lindo que eu já recebi na vida. E foi sem nenhum interesse especial, ele mandou o texto porque foi tocado, de alguma maneira, pelas coisas que eu andava escrevendo na época. E eu escrevia coisas muito mais importantes na época, porque ainda não tinha decidido ser rasa.
E quando eu me pergunto pra quê eu mantenho esse blog, em que todo mundo sabe um monte de parcialidades da minha vida, com emails como esse acabo lembrando sempre da razão.
Leiam vocês e entendam sozinhos do que eu estou falando.
faz tempo
From: ***
Sent: Tue 10/28/03 1:00 PM
To: brunapaixao
Oi Bruneca..lembra de mim..o Godô? Pois é gatinha...faz tempo que a gente não se fala..e mais tempo ainda quea gente não se vê...e confesso fazia tempo que eu não dava um passeio pelosseus blogs..coisa que fiz diariamente por muito tempo, mas acho que a genteé assim memso..cria hábitos para poder odia-los depois.Hoje com um pouco mais de tempo sobrando em minha cabeça e a nostalgiabombando nessa manhã chuvosa paulista resolvi rever ( a minha maneira... aque posso ) amigos e pessoas pelas quais guardo imenso carinho.Mandei e-mails para o Beto..pro David..e dei um volta pelos seus blogs.Estou muito contente de saber que suas letrinhas estão ficando maiores eatingindo pessoas alem do universo www.Tenho orgulho de ter você como amiga...mesmo que distante, as vezes tenhomedo de estar longe e trasformar pessoas que gosto em meros "conhecidos"...estava te devendo um e-mail né?Bruneca..a vida em SP continua meio maluca...apartamento montado pelametade, trabalho demais...confusões empresariais que deixam a genteapreensivo...e saudade..muita saudade.Mas você mesmo sem saber é um canal importante...quando quero lembrar doBG...da matriz..da bunker...tem sempre uma fotinha bacana esperando paraservir de colo. Alem de textos que não posso evitar de achar que foramescritos pra mim...por alguem que mora dentro da minha cabeca...que sabeexatamente como me sinto.Acho que é por isso que te gosto tanto...mesmo que você não saiba..e adistãncia não permita essa intimidade, eu acho que somos muitoparecidos...pelo menos na maneira de pensar e ver as coisas, talvez porisso eu me afaste de vez em quando..ler seus textos me mostram um lado meuque as vezes me incomoda, mas sempre volto quando preciso me reencontrar.Queria te falar que te acompanho..de longe e tenho um puta orgulho de teconhecer...prometo..como sempre... tentar mater mais contato..não conte comisso..mas saiba que estou por aqui. Um Grande beijo " Godô"
Eu não liguei.
Mas fiquei pensando no que ele disse. De onde ele tirou que eu não tenho amor na minha vida? E o que esse cara sabe da minha vida pra falar que falta isso ou aquilo? Essa humanidade é ridícula, o ser humano é ridículo. Uma vez um amigo (uma pessoa profunda, e não rasa como eu) disse que as plantas deviam estar rindo de nós, porque nós perdemos tempo sofrendo. Eu também acho isso, agora. Mas durante muito tempo cultivei o sofrimento, porque achava que esse era o caminho pro aperfeiçoamento pessoal.
Tudo isso me veio à cabeça porque reli um email guardado de um amigo que não vejo há pelo menos 5 anos. Espero, de coração, que ele esteja muito bem e muito feliz. Talvez o email dele tenha sido o mais lindo que eu já recebi na vida. E foi sem nenhum interesse especial, ele mandou o texto porque foi tocado, de alguma maneira, pelas coisas que eu andava escrevendo na época. E eu escrevia coisas muito mais importantes na época, porque ainda não tinha decidido ser rasa.
E quando eu me pergunto pra quê eu mantenho esse blog, em que todo mundo sabe um monte de parcialidades da minha vida, com emails como esse acabo lembrando sempre da razão.
Leiam vocês e entendam sozinhos do que eu estou falando.
faz tempo
From: ***
Sent: Tue 10/28/03 1:00 PM
To: brunapaixao
Oi Bruneca..lembra de mim..o Godô? Pois é gatinha...faz tempo que a gente não se fala..e mais tempo ainda quea gente não se vê...e confesso fazia tempo que eu não dava um passeio pelosseus blogs..coisa que fiz diariamente por muito tempo, mas acho que a genteé assim memso..cria hábitos para poder odia-los depois.Hoje com um pouco mais de tempo sobrando em minha cabeça e a nostalgiabombando nessa manhã chuvosa paulista resolvi rever ( a minha maneira... aque posso ) amigos e pessoas pelas quais guardo imenso carinho.Mandei e-mails para o Beto..pro David..e dei um volta pelos seus blogs.Estou muito contente de saber que suas letrinhas estão ficando maiores eatingindo pessoas alem do universo www.Tenho orgulho de ter você como amiga...mesmo que distante, as vezes tenhomedo de estar longe e trasformar pessoas que gosto em meros "conhecidos"...estava te devendo um e-mail né?Bruneca..a vida em SP continua meio maluca...apartamento montado pelametade, trabalho demais...confusões empresariais que deixam a genteapreensivo...e saudade..muita saudade.Mas você mesmo sem saber é um canal importante...quando quero lembrar doBG...da matriz..da bunker...tem sempre uma fotinha bacana esperando paraservir de colo. Alem de textos que não posso evitar de achar que foramescritos pra mim...por alguem que mora dentro da minha cabeca...que sabeexatamente como me sinto.Acho que é por isso que te gosto tanto...mesmo que você não saiba..e adistãncia não permita essa intimidade, eu acho que somos muitoparecidos...pelo menos na maneira de pensar e ver as coisas, talvez porisso eu me afaste de vez em quando..ler seus textos me mostram um lado meuque as vezes me incomoda, mas sempre volto quando preciso me reencontrar.Queria te falar que te acompanho..de longe e tenho um puta orgulho de teconhecer...prometo..como sempre... tentar mater mais contato..não conte comisso..mas saiba que estou por aqui. Um Grande beijo " Godô"
Friday, June 15, 2007
Eu recebi uma telemensagem de dia dos namorados
E é uma experiência única. Ou melhor: é bizarro. Porque não há nada, absolutamente, romântico. É mega brega, resumidamente falando.
Só pra esclarecer, a mensagem não foi de um admirador secreto. Foi de um membro da minha equipe, que cismou agora de falar que está apaixonado por mim. Oh, god. Depois de três anos trabalhando juntos, o cara achou que eu era a resposta aos problemas dele. Mas até agora eu não sei exatamente porquê ele resolveu que gosta de mim, mas sei que a minha paciência está nos limites.
Não que eu tenha um coração de pedra. Mas é que sei diferenciar fanfarronice de paixão.
Mas, enfim, voltando à mensagem, a coisa funcionou mais ou menos assim. Ligou uma mulher para o meu celular avisando da telemensagem. Perguntou se eu gostaria de ouvir. "Ok", eu respondi, e a gravação começou. De fundo, uma música com letra que dizia: "eu vou roubar você pra mim", ou algo do tipo. E então, entrou um locutor que deve ser o mesmo cara que faz a voz da Good Times 98 (da rádio 98 FM daqui do Rio, "só sucesso"), e disparou um monte de frases "belas", do tipo: o seu sorriso me ilumina, estou adorando me relacionar com você, os momentos que passamos juntos, etc etc etc. E eu às gargalhadas.
O dia dos namorados é uma data comercial estranha. Quando calhou de eu estar namorando no 12 de junho, troquei presentes com o meu namorado da ocasião, mas sem o mínimo de love effect. Era mais uma coisa no estilo: e aí, do que você está precisando? Ia no automático, sabe como é? Tanto que não lembro o que fiz no último dia dos namorados que passei acompanhada. Provavelmente, não fiz nada de diferente do que faria em qualquer outro dia.
Paralelo a isso, tenho amigas que ficam desesperadas nessa data. Uma vez, um grupo de amigas solteiras emburacou em uma festa de quinta categoria, só para esquecerem que aquele era o dia do amor, teoricamente. Eu não estava junto com elas, apesar de também estar solteira neste ano. Pelo que me lembro, fui jantar com um ex (que já era ex naquele momento).
Mais uma razão pra se ficar amiga dos seus ex-amores. Na pior das hipóteses, eles pagam um jantar no japonês pra você.
Só pra esclarecer, a mensagem não foi de um admirador secreto. Foi de um membro da minha equipe, que cismou agora de falar que está apaixonado por mim. Oh, god. Depois de três anos trabalhando juntos, o cara achou que eu era a resposta aos problemas dele. Mas até agora eu não sei exatamente porquê ele resolveu que gosta de mim, mas sei que a minha paciência está nos limites.
Não que eu tenha um coração de pedra. Mas é que sei diferenciar fanfarronice de paixão.
Mas, enfim, voltando à mensagem, a coisa funcionou mais ou menos assim. Ligou uma mulher para o meu celular avisando da telemensagem. Perguntou se eu gostaria de ouvir. "Ok", eu respondi, e a gravação começou. De fundo, uma música com letra que dizia: "eu vou roubar você pra mim", ou algo do tipo. E então, entrou um locutor que deve ser o mesmo cara que faz a voz da Good Times 98 (da rádio 98 FM daqui do Rio, "só sucesso"), e disparou um monte de frases "belas", do tipo: o seu sorriso me ilumina, estou adorando me relacionar com você, os momentos que passamos juntos, etc etc etc. E eu às gargalhadas.
O dia dos namorados é uma data comercial estranha. Quando calhou de eu estar namorando no 12 de junho, troquei presentes com o meu namorado da ocasião, mas sem o mínimo de love effect. Era mais uma coisa no estilo: e aí, do que você está precisando? Ia no automático, sabe como é? Tanto que não lembro o que fiz no último dia dos namorados que passei acompanhada. Provavelmente, não fiz nada de diferente do que faria em qualquer outro dia.
Paralelo a isso, tenho amigas que ficam desesperadas nessa data. Uma vez, um grupo de amigas solteiras emburacou em uma festa de quinta categoria, só para esquecerem que aquele era o dia do amor, teoricamente. Eu não estava junto com elas, apesar de também estar solteira neste ano. Pelo que me lembro, fui jantar com um ex (que já era ex naquele momento).
Mais uma razão pra se ficar amiga dos seus ex-amores. Na pior das hipóteses, eles pagam um jantar no japonês pra você.
Tuesday, June 12, 2007
Odd Job Jack
Outro dia conversei com a versão em carne e osso daquele cara do desenho do Adult Swim, conhecido no Brasil como Jack Bom de Bico. Por acaso - mas isso é só uma coincidência, minha gente - ele também ouve Nina Simone. Resumindo, todos os meus textos se encontram em algum ponto. Se eu continuar assim, vou acabar falando do Lost in translation.
Olha só por onde o Odd Job Jack já passou:
1 - caixa de uma multinacional de fast food do Largo do Machado
Depois que ele foi demitido - provavelmente porque dava lanche de graça pra todos os seus amigos, e só marcava um suco na caixa registradora - fez um panfleto sobre os porcos capitalistas da rede americana de lanchonetes, e ficou distribuindo na porta da ex-empregadora dele. Nesse panfleto, ele contava algumas verdade sobre a cadeia de fast food. Como, por exemplo, que todos os funcionários bebem o sorvete da casquinha direto do recipiente aonde ele fica guardado no congelador. Ou seja: se você já comeu uma casquinha no Largo do Machado, dividiu essa delícia com outros tantos funcionários da rede.
2 - caixa extra de natal das Lojas Americanas
Segundo jack, nunca a LA vendeu tantos laticínios quanto naquele natal. Porque era só isso que ele marcava nas suas vendas.
3 - Garçom de restaurante
Foi demitido depois que fumou maconha no teto do restaurante depois do expediente. Ele me jurou que, na época, achava que não tinha nada demais ele fazer isso, já que o seu horário de trabalho já tinha terminado. O melhor é que não foi demitido por justa causa, e por isso entrou na justiça e ganhou uma mega indenização da empresa.
4 - vendedor de loja no Fashion Mall
Foi o recorde de menor tempo em um emprego. Ficou trabalhando por duas horas, e foi demitido quando não soube explicar a diferença entre uma blusa de cotton e uma de algodão para uma cliente.
E depois de ouvir isso tudo, em meio a três doses de vodka, eu acabei pensando: "um brinde ao Jack!" É que finalmente eu conheci alguém com alguma história pra contar, só pra variar um pouquinho...
Olha só por onde o Odd Job Jack já passou:
1 - caixa de uma multinacional de fast food do Largo do Machado
Depois que ele foi demitido - provavelmente porque dava lanche de graça pra todos os seus amigos, e só marcava um suco na caixa registradora - fez um panfleto sobre os porcos capitalistas da rede americana de lanchonetes, e ficou distribuindo na porta da ex-empregadora dele. Nesse panfleto, ele contava algumas verdade sobre a cadeia de fast food. Como, por exemplo, que todos os funcionários bebem o sorvete da casquinha direto do recipiente aonde ele fica guardado no congelador. Ou seja: se você já comeu uma casquinha no Largo do Machado, dividiu essa delícia com outros tantos funcionários da rede.
2 - caixa extra de natal das Lojas Americanas
Segundo jack, nunca a LA vendeu tantos laticínios quanto naquele natal. Porque era só isso que ele marcava nas suas vendas.
3 - Garçom de restaurante
Foi demitido depois que fumou maconha no teto do restaurante depois do expediente. Ele me jurou que, na época, achava que não tinha nada demais ele fazer isso, já que o seu horário de trabalho já tinha terminado. O melhor é que não foi demitido por justa causa, e por isso entrou na justiça e ganhou uma mega indenização da empresa.
4 - vendedor de loja no Fashion Mall
Foi o recorde de menor tempo em um emprego. Ficou trabalhando por duas horas, e foi demitido quando não soube explicar a diferença entre uma blusa de cotton e uma de algodão para uma cliente.
E depois de ouvir isso tudo, em meio a três doses de vodka, eu acabei pensando: "um brinde ao Jack!" É que finalmente eu conheci alguém com alguma história pra contar, só pra variar um pouquinho...
Monday, June 04, 2007
Nina Simone
Nina Simone une as pessoas. Ela é uma espécie de termômetro para saber se vale a pena ou não que alguma conversa seja estabelecida. O mesmo acontece com Dostoiévski, mas em graus diferentes, é claro. É que tanto Nina quanto Dostoiévski pertencem a um grupo de artistas que pouca gente saca. Não no sentido de erudistismo, ou cultura, mas sim no de sentir a alma tocada. Como eu havia dito no texto sobre Lost in Translation.
Lá vem eu com essa história de novo. Mas não posso evitar. Ouvir Nina Simone em uma conversa faz com que uma estrelinha brilhe automaticamente dentro da minha cabeça. E então, a situação é vista de outro modo. Meu interlocutor ganha mais respeito. Eu penso: se ouve Nina Simone, é boa gente, e vamos nos dar bem. E, geralmente, eu comento que vi o show da diva no extinto Claro Hall, um ano antes dela morrer.
Na morte de Nina eu fiz um texto. Foi a única das minhas cantoras de jazz preferidas que eu consegui ver ao vivo, com o queixo encostado no palco, os olhos grudadinhos nos seus movimentos. Não tenho certeza, mas devia haver um fiapo de baba escorrendo no canto da minha boca. Ou não, porque essa imagem nem combina com um show da Nina Simone.
Durante recente conversa noturna, aos berros (devido ao som ensurdecedor da pista de dança), Nina foi citada. E eu lembrei do show, e do texto do dia da morte dela, e de todas as vezes que eu e Mayra ouvíamos jazz bebendo whisky roubado do bar da casa dela. Mayra criou uma festa bissexta de jazz, mas eu continuo sem fazer nenhuma produção cultural. Acredito que Nina seja para se ouvir sozinha. Ou a dois - de preferência, com possibilidades sexuais em jogo.
Lá vem eu com essa história de novo. Mas não posso evitar. Ouvir Nina Simone em uma conversa faz com que uma estrelinha brilhe automaticamente dentro da minha cabeça. E então, a situação é vista de outro modo. Meu interlocutor ganha mais respeito. Eu penso: se ouve Nina Simone, é boa gente, e vamos nos dar bem. E, geralmente, eu comento que vi o show da diva no extinto Claro Hall, um ano antes dela morrer.
Na morte de Nina eu fiz um texto. Foi a única das minhas cantoras de jazz preferidas que eu consegui ver ao vivo, com o queixo encostado no palco, os olhos grudadinhos nos seus movimentos. Não tenho certeza, mas devia haver um fiapo de baba escorrendo no canto da minha boca. Ou não, porque essa imagem nem combina com um show da Nina Simone.
Durante recente conversa noturna, aos berros (devido ao som ensurdecedor da pista de dança), Nina foi citada. E eu lembrei do show, e do texto do dia da morte dela, e de todas as vezes que eu e Mayra ouvíamos jazz bebendo whisky roubado do bar da casa dela. Mayra criou uma festa bissexta de jazz, mas eu continuo sem fazer nenhuma produção cultural. Acredito que Nina seja para se ouvir sozinha. Ou a dois - de preferência, com possibilidades sexuais em jogo.
Wednesday, May 30, 2007
Inacreditável China
Dias desses eu fui parar no Centro Cultural do Banco do Brasil para ver a exposição da China. Caí de paraquedas, como sempre. Na verdade, ando tão por fora de qualquer evento cultural dessa cidade, que nem sabia que os chineses tinham invadido o CCBB, mesmo com todos os anúncios espalhados pelo Rio. Talvez por isso o efeito tenha sido tão intenso.
Eu tenho uma mania com exposições. Gosto de ir sozinha, porque quando estou acompanhada fico meio tensa, com medo de estar demorando muito em cada obra, ou indo mais rápido que os meus acompanhantes. No caso da expo da China, uns amigos me esperavam em outro ponto do centro cultural, de modo que eu vi tudo como se estivesse sozinha, e pude saborear a meu tempo todas as obras ali oferecidas.
Acontece que quando vejo alguma coisa realmente fascinante, tenho vontade de fazer um comentário em voz alta. Para alguém. Como que para dividir a grandiosidade daquele momento, sabe? E rolou essa história no meio do meu passei à arte oriental. Foi quando parei diante de um quadro a óleo que parecia uma fotografia. Não digo que parecia pela semelhança com o real, e sim pela técnica que o cara conseguiu produzir na sua tela. Ele deu à figura um brilho de impressão fotográfica! Fiquei totalmente de cara com aquilo. Como é que se consegue isso?
Devo ter feito uma cara tão idiota, que um senhor que também visitava a mostra comentou comigo: "Incrível isso, não é? Dizem que a pintura morreu, mas não morreu nada. Olha a prova aí."
Fazia tempo que eu não sentia a alma beijada. Acho que às vezes a gente se acostuma a levar uma vida sem satisfação de alma, apenas cumprindo compromissos e adquirindo aquele estado de dormência. Mas ao visitar a exposição da China, eu lembrei de tudo, da sensação de satisfação interna. Tenho uma certa pena de quem não consegue entender o que é isso. Porque é esse tipo de sentimento que faz o cotidiano valer a pena.
---
Aliás, ontem caí de paraquedas, mais uma vez, em um showzinho mega ultra underground. E bom. De tudo, eu tirei a seguinte frase, que totalmente se adequa ao momento:
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro".
Eu tenho uma mania com exposições. Gosto de ir sozinha, porque quando estou acompanhada fico meio tensa, com medo de estar demorando muito em cada obra, ou indo mais rápido que os meus acompanhantes. No caso da expo da China, uns amigos me esperavam em outro ponto do centro cultural, de modo que eu vi tudo como se estivesse sozinha, e pude saborear a meu tempo todas as obras ali oferecidas.
Acontece que quando vejo alguma coisa realmente fascinante, tenho vontade de fazer um comentário em voz alta. Para alguém. Como que para dividir a grandiosidade daquele momento, sabe? E rolou essa história no meio do meu passei à arte oriental. Foi quando parei diante de um quadro a óleo que parecia uma fotografia. Não digo que parecia pela semelhança com o real, e sim pela técnica que o cara conseguiu produzir na sua tela. Ele deu à figura um brilho de impressão fotográfica! Fiquei totalmente de cara com aquilo. Como é que se consegue isso?
Devo ter feito uma cara tão idiota, que um senhor que também visitava a mostra comentou comigo: "Incrível isso, não é? Dizem que a pintura morreu, mas não morreu nada. Olha a prova aí."
Fazia tempo que eu não sentia a alma beijada. Acho que às vezes a gente se acostuma a levar uma vida sem satisfação de alma, apenas cumprindo compromissos e adquirindo aquele estado de dormência. Mas ao visitar a exposição da China, eu lembrei de tudo, da sensação de satisfação interna. Tenho uma certa pena de quem não consegue entender o que é isso. Porque é esse tipo de sentimento que faz o cotidiano valer a pena.
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Aliás, ontem caí de paraquedas, mais uma vez, em um showzinho mega ultra underground. E bom. De tudo, eu tirei a seguinte frase, que totalmente se adequa ao momento:
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro".
Tuesday, May 29, 2007
Air! No Brasil!
Depois que vi o show do Daft Punk, comentei com um amigo: "Agora só falta o Air". Explico: é que já tinha assistido Chemical Brothers, no histórico show do (na época) ATL Hall, e naquela noite tinha rolado Daft Punk, e de todos os meus queridinhos eletrônicos só faltava a dupla francesa do Air pra eu ser uma pessoa total e absolutamente feliz.
De lá pra cá, mais Air na minha cabeça. Pocket Symphony é um disco lindo, e Mer Du Japon é tipo estar apaixonada por alguém. A mesma sensação. E Redhead girl eu disse por aí que é a minha música, só porque eu sou uma ruiva de farmácia assumida, desde os 16 anos, por aí. Só mudo o tom pra mais ou menos forte, dependendo do meu estado de espírito no momento.
Com o Air, tudo começou com Playground love. Ao contrpario da maioria, não foi amorà primeira vista quando ouvi Sexy Boy. Achei legal e pronto, mas estava numa fase ultra mega house (ai, ai, esses anos 90...), e aquele som do boooooyyyy tinha pouco groove pra mim. Na época. Mas quando vi Virgens Suicidas e ouvi Playground love, pensei: fudeu. E esse mesmo pensamento voltou à cabeça quando soube da vinda deles pro Brasil.
E depois vieram os medos (ai, ai, essas virginianas...). Medo de criar muita expectativa e não gostar do show. Medo de não conseguir ingresso. Medo de estar viajando na época do festival. Medo de um monte de situações absurdas, e que têm solução. Até a minha viagem fora de época - que é realmente possível - eu já sei como solucionar. Vai ser uma loucura, mas já me convenci de que isso é o certo: vou ver o show e depois pegar um avião direto de volta pra onde eu estiver. Quanto vale um show do Air, para alguém que sempre esperou por isso? Vale mais que uma passagem aérea.
De todas as poucas certezas que eu tenho, a mais interessante é a que diz respeito à minha vida careta. Não quero nem um drinkezinho nesse show. Nem uma vodka com coca-cola. Ele tem que ficar gravado na minha mente para sempre - assim como tantos outros ficaram, e que eu saboreio até hoje.
De lá pra cá, mais Air na minha cabeça. Pocket Symphony é um disco lindo, e Mer Du Japon é tipo estar apaixonada por alguém. A mesma sensação. E Redhead girl eu disse por aí que é a minha música, só porque eu sou uma ruiva de farmácia assumida, desde os 16 anos, por aí. Só mudo o tom pra mais ou menos forte, dependendo do meu estado de espírito no momento.
Com o Air, tudo começou com Playground love. Ao contrpario da maioria, não foi amorà primeira vista quando ouvi Sexy Boy. Achei legal e pronto, mas estava numa fase ultra mega house (ai, ai, esses anos 90...), e aquele som do boooooyyyy tinha pouco groove pra mim. Na época. Mas quando vi Virgens Suicidas e ouvi Playground love, pensei: fudeu. E esse mesmo pensamento voltou à cabeça quando soube da vinda deles pro Brasil.
E depois vieram os medos (ai, ai, essas virginianas...). Medo de criar muita expectativa e não gostar do show. Medo de não conseguir ingresso. Medo de estar viajando na época do festival. Medo de um monte de situações absurdas, e que têm solução. Até a minha viagem fora de época - que é realmente possível - eu já sei como solucionar. Vai ser uma loucura, mas já me convenci de que isso é o certo: vou ver o show e depois pegar um avião direto de volta pra onde eu estiver. Quanto vale um show do Air, para alguém que sempre esperou por isso? Vale mais que uma passagem aérea.
De todas as poucas certezas que eu tenho, a mais interessante é a que diz respeito à minha vida careta. Não quero nem um drinkezinho nesse show. Nem uma vodka com coca-cola. Ele tem que ficar gravado na minha mente para sempre - assim como tantos outros ficaram, e que eu saboreio até hoje.
Monday, May 28, 2007
Fui citada...
...no blog da Kamille
Tá vendo, existem outras pessoas no mundo que falam do passado...
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Os anos 90
Rodrigo Lariú (midsummer madness) e Gabriel Thomaz (ex-Little Quail, atual Autoramas) vão lançar fitinhas demos com versões raras pinçadas das demos de bandas do 'boom' do rock brasileiro nos anos 90, todas guardadas por Gabriel.Isso me deu uma nostalgia TÃO grande... Não sei se é o retorno de Saturno (também conhecido como proximidade dos 30 anos), mas me lembrei do tempo em que ia à Basement, à Dr. Smith, ao Circo Voador (que não era caro como agora e nós, estudantes de colégio ainda, podíamos freqüentar) e ao Humaitá Pra Peixe ver algumas dessas bandas da coletânea. Voltávamos pra casa de ônibus de madrugada. Não tinha tanto tiroteiro na cidade, ainda... Eu e minhas amigas (normalmente a Jô e a Bruna) passávamos o dia vendo MTV e ouvíamos a Fluminense FM. Usávamos camisas de flanela quando esfriava um pouco (só um pouquinho), comprávamos CDs importados 'piratas' (os chamados 'bootlegs') das nossas bandas preferidas, tínhamos mil furos nas orelhas. Ficávamos bêbadas rápido, escrevíamos frases dos nossos ídolos na agenda e tínhamos muito tempo livre.O momento nostalgia termina aqui porque acho superdeprê gente que acha que o seu tempo já passou e que antigamente é que era legal. Não é. Pra pessoas como nós, que temos sorte, o bom pode e deve ser agora. Por que não?
posted by Kamille @ 1:20 AM 0 comments
Tá vendo, existem outras pessoas no mundo que falam do passado...
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Os anos 90
Rodrigo Lariú (midsummer madness) e Gabriel Thomaz (ex-Little Quail, atual Autoramas) vão lançar fitinhas demos com versões raras pinçadas das demos de bandas do 'boom' do rock brasileiro nos anos 90, todas guardadas por Gabriel.Isso me deu uma nostalgia TÃO grande... Não sei se é o retorno de Saturno (também conhecido como proximidade dos 30 anos), mas me lembrei do tempo em que ia à Basement, à Dr. Smith, ao Circo Voador (que não era caro como agora e nós, estudantes de colégio ainda, podíamos freqüentar) e ao Humaitá Pra Peixe ver algumas dessas bandas da coletânea. Voltávamos pra casa de ônibus de madrugada. Não tinha tanto tiroteiro na cidade, ainda... Eu e minhas amigas (normalmente a Jô e a Bruna) passávamos o dia vendo MTV e ouvíamos a Fluminense FM. Usávamos camisas de flanela quando esfriava um pouco (só um pouquinho), comprávamos CDs importados 'piratas' (os chamados 'bootlegs') das nossas bandas preferidas, tínhamos mil furos nas orelhas. Ficávamos bêbadas rápido, escrevíamos frases dos nossos ídolos na agenda e tínhamos muito tempo livre.O momento nostalgia termina aqui porque acho superdeprê gente que acha que o seu tempo já passou e que antigamente é que era legal. Não é. Pra pessoas como nós, que temos sorte, o bom pode e deve ser agora. Por que não?
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Encontros e desencontros
Outro dia comprei o DVD do filme Lost in Translation, conhecido aqui como Encontros e Desencontros. Não gosto muito dos nomes brasileiros para filmes gringos, acho sempre que se perde um pouco do significado nessa nova nomeclatura. Não foi diferente com Lost in Translation, mas só outro dia eu realmente entendi porquê o longa foi batizado dessa maneira pela Sofia Copola.
Esse filme tem vários significados pra mim. A primeira história vem logo na sua estréia, quando um ex-namorado me ligou depois de assistir ao filme. Avisou: "Acabei de ver um filme que você vai gostar." Esses ex-namorados sempre acabam me sacando muito bem. Bom, pelo menos a maioria deles. Segundo ele, o filme lembrava a minha época nos Estados Unidos, quando eu ainda não tinha emprego e ficava longos dias vagando por Manhattan à procura do que fazer.
Parece absurdo não ter o que fazer em Manhattan. E é. Mas naqueles primeiros dias, eu vivia uma solidão que nunca tinha conhecido antes. Meu ex-namorado (o mesmo que me ligou depois da sessão, é claro) saía para trabalhar e eu ficava no apartamento, buscando um programa no guia turístico. Passava dias inteiros sem conversar com ninguém, mesmo dominando muito bem o inglês. Tinha vergonha de falar com sotaque, ou errar a gramática... Eram dias em que eu só ouvia a minha voz à noite, quando o namorado chegava em casa e a gente jantava juntos. Nas primeiras semanas, eu visitava muitos lugares e não sentia falta de conversa. Mas depois a coisa foi ficando complicada, e eu ansiava por ter o que fazer.
Mais um capítulo da síndrome da mulher de milionário.
Só que o filme vai além disso, dessa solidão no meio de situações fantásticas. Descobri revendo o filme, depois de ter comprado o DVD, que a falta de entendimento, o tal do lost in translation de que se fala, não atinge só as línguas diferentes da (linda) Scarlet Johanson e os japoneses. Existe também entre a menina e o seu marido, que não consegue entender o que ela está passando, tornando sua solidão ainda mais insuportável.
Até que aparece o coroa, que sabe exatemente o que ela diz. E então, a menina tem conversas e divide sentimentos como ela nunca conseguiu antes com seu marido. Por sua vez, o coroa também não tem com quem conversar até encontrar a menina. Os dois são salvos por uma comunicação só deles, que ninguém mais consegue entender. Aquela última cena em que a menina fala baixinho alguma coisa no ouvido do coroa, e que quem assiste não sabe o que é, é maravilhosa. Traduz todo o filme (com o perdão do trocadilho). A gente, aqui do lado de fora, pode até tentar imaginar o que é, mas a cena não foi feita pra isso, pra se buscar explicações. Foi o desfecho de uma linda história de amor.
Não dá pra sair ileso desse filme. Da última vez que assisti, chorei que nem maluca, eu mesma numa das maiores solidões da minha vida. Outro dia, emprestei o DVD para uma colega de trabalho assistir. No dia seguinte estava ansiosa para saber o que ela tinha achado. Ela me disse que achou o filme muito parado, muito lento... Que não tinha gostado muito. Eu respondi que deveria ter emprestado outros filmes com mais ação, e ficou por isso mesmo.
Essa colega de trabalho também não fala a minha língua. Estamos todos nos afogando numa sopa de letrinhas.
Esse filme tem vários significados pra mim. A primeira história vem logo na sua estréia, quando um ex-namorado me ligou depois de assistir ao filme. Avisou: "Acabei de ver um filme que você vai gostar." Esses ex-namorados sempre acabam me sacando muito bem. Bom, pelo menos a maioria deles. Segundo ele, o filme lembrava a minha época nos Estados Unidos, quando eu ainda não tinha emprego e ficava longos dias vagando por Manhattan à procura do que fazer.
Parece absurdo não ter o que fazer em Manhattan. E é. Mas naqueles primeiros dias, eu vivia uma solidão que nunca tinha conhecido antes. Meu ex-namorado (o mesmo que me ligou depois da sessão, é claro) saía para trabalhar e eu ficava no apartamento, buscando um programa no guia turístico. Passava dias inteiros sem conversar com ninguém, mesmo dominando muito bem o inglês. Tinha vergonha de falar com sotaque, ou errar a gramática... Eram dias em que eu só ouvia a minha voz à noite, quando o namorado chegava em casa e a gente jantava juntos. Nas primeiras semanas, eu visitava muitos lugares e não sentia falta de conversa. Mas depois a coisa foi ficando complicada, e eu ansiava por ter o que fazer.
Mais um capítulo da síndrome da mulher de milionário.
Só que o filme vai além disso, dessa solidão no meio de situações fantásticas. Descobri revendo o filme, depois de ter comprado o DVD, que a falta de entendimento, o tal do lost in translation de que se fala, não atinge só as línguas diferentes da (linda) Scarlet Johanson e os japoneses. Existe também entre a menina e o seu marido, que não consegue entender o que ela está passando, tornando sua solidão ainda mais insuportável.
Até que aparece o coroa, que sabe exatemente o que ela diz. E então, a menina tem conversas e divide sentimentos como ela nunca conseguiu antes com seu marido. Por sua vez, o coroa também não tem com quem conversar até encontrar a menina. Os dois são salvos por uma comunicação só deles, que ninguém mais consegue entender. Aquela última cena em que a menina fala baixinho alguma coisa no ouvido do coroa, e que quem assiste não sabe o que é, é maravilhosa. Traduz todo o filme (com o perdão do trocadilho). A gente, aqui do lado de fora, pode até tentar imaginar o que é, mas a cena não foi feita pra isso, pra se buscar explicações. Foi o desfecho de uma linda história de amor.
Não dá pra sair ileso desse filme. Da última vez que assisti, chorei que nem maluca, eu mesma numa das maiores solidões da minha vida. Outro dia, emprestei o DVD para uma colega de trabalho assistir. No dia seguinte estava ansiosa para saber o que ela tinha achado. Ela me disse que achou o filme muito parado, muito lento... Que não tinha gostado muito. Eu respondi que deveria ter emprestado outros filmes com mais ação, e ficou por isso mesmo.
Essa colega de trabalho também não fala a minha língua. Estamos todos nos afogando numa sopa de letrinhas.
Wednesday, May 23, 2007
Pensamento puros e imundos
E, a partir de agora, todos os meus pensamentos serão puros. Está decidido. Eu fico assim pendulando entre o ser santa e o ser puta, eu e todas as mulheres da Terra, mas ainda não me decidi a qual caminho seguir. Todos os meus pensamentos serão sujos. Todos os meus atos serão imundamente humanos, baixamente animais, instintivamente. Este blog está chato demais, e mesmo assim os page views vivem aumentando, e a cada dia que entro no meu orkut (e só entro quando alguém me deixa um scrap; deus me livre daquele troço), o número de visitantes está maior. Virei, de novo, uma celebridade internética? Afinal, 16 acessos na home no orkut não é um número considerável? Nego tá lá pra ver as minhas fotos, ler os meus recados e fuçar os testimonials? Acho inacreditável, porque nada é tão interessante assim. Até a minha descrição, o tal do "about me", que eu achava genial, agora me cansa. Até porque em breve terei que mudá-lo, porque daqui a muito pouco sou uma balzaquiana completa. Vou bolar outra frase genial, tenho certeza. Sou boa em "about me"s de orkut, e em nomes para blogs. Sou boa quando não há uma comissão julgadora ao meu lado, obrigando a fazer sair uma idéia brilhante. É quando estou sozinha que as idéias brilhantes vêm. Na quietude, na solidão, só eu e meu computador. Ainda bem que aqui no trabalho tenho uma sala só pra mim. Ninguém vê o que escrevo, nem o que faço, e neste exato momento deveria estar fazendo um roteiro. Mas que preguiça. Já sai no piloto automático, e não há nada mais triste do que viver assim. Gosto das coisas organizadas até um certo ponto, e depois eu reverencio o caos. Gosto quando chego em um lugar e o acaso me contempla com detalhes só percebidos por mim. Saboreio o acaso. A japinha de ontem cantando "paraíba mulher macho" em japonês foi um brinde ao caos. Pena que eu estava de mau humor. O mau humor já foi embora, talvez porque hoje seja quarta, e amanha e depois de amanha e depois de depois de amanhã eu tenha festas imperdíveis para comparecer. Quem precisa de uma noite de sono numa situação dessas? Estou a fim de ver o que quero, na hora que quero, e nesse ponto tenho sido como um animal seguindo seus instintos. Mas seguro a língua quando quero mandar alguém tomar no cu, e sorrio quando tenho à minha frente alguém que me faz uma cara feia. É tão fácil desarmar as pessoas. Todas vêm com uma bula embutida, uma explicação de como usar, tipo remédio. Pra tudo tem remédio. O mundo dá voltas. Recuperei um amigo antigo que eu desconfio que está apaixonado por mim. Mas eu não estou por ele, então me faço de desentendida. Esse meu amigo, já fui louca por ele. Hoje não sou mais. E ele está tão desesperado de solidão que se agarrou ao meu braço. Eu deixo, porque ele me faz bem. Pergunto sobre o trabalho, sobre os sonhos e os planos. Ele tem uma namorada e diz que não gosta mais dela. Eu acho isso tudo muito triste, porque ele é um cara novo e bonito e muto inteligente, mas ele tem medo de ficar sozinho. Um dia eu disse a ele que ele não precisava de nada disso, e ele ouviu calado, não respondeu nada e não mudou. Não tenho mais o que oferecer a ele além desses conslehos vazios, conselhos dados como se a minha própria vida fosse uma sucessão de acertos e conquistas.
Oh, God. Esse blog está ficando muito pessoal.
Oh, God. Esse blog está ficando muito pessoal.
Tuesday, May 22, 2007
Vida em ângulos
Como eu disse outro dia, a mesma situação tem efeitos diferentes dependendo do ângulo enxergado. Enfim, eu estava enxergando tudo torto, escrevi coisas no blog que não acredito mais. Pensei em deletar o texto anterior, mas deletar textos é meio que admitir uma mentira. Então ele continua ali, mas eu não acredito mais em nada daquilo. Amor não vira amizade da noite para o dia, eu não viro Buda da noite para o dia, eu continuo má de vez em quando, apesar de buscar a bondade sempre. Mas eu sou má, tenho raiva, tenho inveja, falo mal de aspectos absolutamente rasos das outras pessoas, sou um ser rastejante (já disse), uma farsa, em engodo. E mesmo assim, to aqui tentando ser sincera. Que risível!
Mas eu sou assim mesmo, fazer o quê. E ainda assim, sou melhor que a grande maioria que conheço.
Agora chega, porque estou atrasada pro show da Miho Hatori. Finalmente. Tenho mais o que fazer e pouca coisa para dizer nesse blog. Viva a vida rasa.
Mas eu sou assim mesmo, fazer o quê. E ainda assim, sou melhor que a grande maioria que conheço.
Agora chega, porque estou atrasada pro show da Miho Hatori. Finalmente. Tenho mais o que fazer e pouca coisa para dizer nesse blog. Viva a vida rasa.
Friday, May 18, 2007
Vous est trés belle
É engraçada a cara de pena que os amigos fazem quando ficam sabendo que o meu namoro acabou. Alguns avisam que eu vou ter que me readaptar, e que existem novas regras de pegação, o que eu acho no mínimo curioso, porque parece até que, aos olhos deles, eu acabo de sair de um casamento de vinte anos. É claro que a readaptação existe mesmo, e é lenta e meio chata de aturar, mas essa situação não é exatamente uma super novidade pra mim. Prometo que vou sobreviver.
Outros amigos procuram em mim uma revolta pelo acontecido. Mais uma vez, explico que a revolta já veio e já foi embora, e o que sobrou agora foi só uma preocupação assumidamente egoísta com o meu umbigo. E de resto o que ficou foi um monte de lembranças legais, e outras não tão legais assim - mas essas eu deixo pra lá. Já não me dizem respeito.
Hoje mesmo estava ouvindo Air - semper air - e pensando na minha viagem pra Paris. Era meu primeiro dia na cidade, eu tinha passado no hotel, largado as malas, e já estava batendo perna pelas ruas. Devia estar com uma cara de total felicidade, porque um francês ignorou a presença do meu então namorado e falou pra mim: Vous est trés belle.
Não entendo nada de francês, mas essa frase eu pesquei muito bem. Acho que eu estava mesmo bonita, porque saltitava pela Place de Republique, com um casacão rosa que só eu usava (as pessoas lá não usam roupas coloridas no inverno, depois eu descobri. Todo mundo é muito sóbrio e chique).
Pode parecer justamente o contrário, mas quando lembro dessas histórias a dois, eu não fico com pena de mim mesma. Na verdade, eu sorrio. É que eu não consigo simplesmente varrer alguém que foi importante uma determinada época, e assim eu fiquei amiga de todos os meus ex namorados.
É tudo uma questão de continuar amando a mesma pessoa. Só que de outro jeito, entende.
Outros amigos procuram em mim uma revolta pelo acontecido. Mais uma vez, explico que a revolta já veio e já foi embora, e o que sobrou agora foi só uma preocupação assumidamente egoísta com o meu umbigo. E de resto o que ficou foi um monte de lembranças legais, e outras não tão legais assim - mas essas eu deixo pra lá. Já não me dizem respeito.
Hoje mesmo estava ouvindo Air - semper air - e pensando na minha viagem pra Paris. Era meu primeiro dia na cidade, eu tinha passado no hotel, largado as malas, e já estava batendo perna pelas ruas. Devia estar com uma cara de total felicidade, porque um francês ignorou a presença do meu então namorado e falou pra mim: Vous est trés belle.
Não entendo nada de francês, mas essa frase eu pesquei muito bem. Acho que eu estava mesmo bonita, porque saltitava pela Place de Republique, com um casacão rosa que só eu usava (as pessoas lá não usam roupas coloridas no inverno, depois eu descobri. Todo mundo é muito sóbrio e chique).
Pode parecer justamente o contrário, mas quando lembro dessas histórias a dois, eu não fico com pena de mim mesma. Na verdade, eu sorrio. É que eu não consigo simplesmente varrer alguém que foi importante uma determinada época, e assim eu fiquei amiga de todos os meus ex namorados.
É tudo uma questão de continuar amando a mesma pessoa. Só que de outro jeito, entende.
Wednesday, May 16, 2007
Little earthquakes
Quando eu tinha uns 16 anos, ouvia Tori Amos o dia inteiro. Eu andava com umas meninas que jogavam RPG e liam Ane Rice, e usavam cabelos compridos e vermelhos, e freqüentavam a Dr. Smith aos sábados, vestidas de preto dos pés à cabeça. Em pouco tempo me tornei uma delas: lia Augusto dos Anjos (mas só os poemas famosos) e ouvia que ouvia a Tori, com um dicionário inglês-português nas mãos que era pra não perder nada das entrelinhas das letras.
E um dia as meninas ouviam "Little Earthquakes" e cantavam juntas quando comentaram: a Bruna não sabe o que são esses pequenos terremotos. E eu fiquei com raiva. Achei que estavam me discriminando porque eu era a do grupo que menos tinha experiência sexual (pra não dizer que não tinha nenhuma experiência sexual), e então protestei, mas sem grandes resultados. E fiquei me perguntando o que elas queriam dizer com aquilo de não conhecer os littles earthquakes da vida.
Mas hoje eu sei muito bem. Aprendi, eu acho. E vi que não tem necessariamente algo a ver com sexo - embora, às vezes, tudo isso esteja ligado. E de vez em quando eu canto mentalmente "hmm, these little earthquakes, here we go again". E o que me impressiona não são os pequenos terremotos em si, mas o "here we go again", porque agora eu sei que é assim mesmo, que uma hora a gente está lá em cima, e outra hora a gente está mais embaixo, e quem disser que não é assim está mentindo pra todo mundo - inclusive pra si.
E esses altos e baixos me levam a outra associação louca, que é a Roda da Fortuna, a carta do tarô que mostra mudanças e situações opostas. Na verdade, quando eu estou embaixo eu sempre penso: here we go again, vai passar -e depois, não é que passa? E aí eu subo de novo, feliz porque to subindo, embora as subidas sejam sempre mais demoradas que as decidas. Pelo menos, parecem assim.
Por outro lado, tudo é uma questão de ângulo. De posicionamento de câmera. Na minha profissão, você tem várias maneiras de gravar uma cena: mostrando a lata de lixo ao fundo, mostrando a rua, mostrando um jardim. O negócio é encontrar o ângulo que mais vai agradar a você. Como em todas as outras coisas.
E um dia as meninas ouviam "Little Earthquakes" e cantavam juntas quando comentaram: a Bruna não sabe o que são esses pequenos terremotos. E eu fiquei com raiva. Achei que estavam me discriminando porque eu era a do grupo que menos tinha experiência sexual (pra não dizer que não tinha nenhuma experiência sexual), e então protestei, mas sem grandes resultados. E fiquei me perguntando o que elas queriam dizer com aquilo de não conhecer os littles earthquakes da vida.
Mas hoje eu sei muito bem. Aprendi, eu acho. E vi que não tem necessariamente algo a ver com sexo - embora, às vezes, tudo isso esteja ligado. E de vez em quando eu canto mentalmente "hmm, these little earthquakes, here we go again". E o que me impressiona não são os pequenos terremotos em si, mas o "here we go again", porque agora eu sei que é assim mesmo, que uma hora a gente está lá em cima, e outra hora a gente está mais embaixo, e quem disser que não é assim está mentindo pra todo mundo - inclusive pra si.
E esses altos e baixos me levam a outra associação louca, que é a Roda da Fortuna, a carta do tarô que mostra mudanças e situações opostas. Na verdade, quando eu estou embaixo eu sempre penso: here we go again, vai passar -e depois, não é que passa? E aí eu subo de novo, feliz porque to subindo, embora as subidas sejam sempre mais demoradas que as decidas. Pelo menos, parecem assim.
Por outro lado, tudo é uma questão de ângulo. De posicionamento de câmera. Na minha profissão, você tem várias maneiras de gravar uma cena: mostrando a lata de lixo ao fundo, mostrando a rua, mostrando um jardim. O negócio é encontrar o ângulo que mais vai agradar a você. Como em todas as outras coisas.
Monday, May 14, 2007
Momento casa nova
Até o fim do mês me mudo. Com um certo medinho de dormir sozinha no apartamento de três quartos, que provavelmente só terá uma cama, uma TV, uma geladeira, um microondas e um fogão. E pronto. Vão ser dias de falar no telefone e sentir a voz ecoando em espaços vazios, e eu tenho um pouco de medo porque estou acostumada com casa cheia, gente vinte e quatro horas por dia, conversas no jantar, novela das oito assistida em conjunto, essas coisas. Mas, por outro lado, to bem feliz. Mais uma meta recebeu meu checklist mental.
2007, definitivamente, é um ano especial. Nem chegamos à metade e já tenho tanta coisa acontecendo em volta de mim, daquele tipo de coisas que faz você se sentir outra pessoa, sabe como? Nesses cinco meses fui contratada, recebi um aumento, fiquei solteira, emagreci uns 4 quilos de puro trabalho e agora estou a poucos passos de morar totalmente, absolutamente, on my own. Um brinde de vinho tinto a tudo isso.
E depois vem a outra metade do ano, 30 anos, projetos de parar de fumar e de retomar a academia, de fazer uma pós, ou de viajar pro Peru (a passeio, não a trabalho!). Tem limite o que a gente planeja? Têm fim as metas que a gente estabelece? Eu acho que não.
Ainda bem... Se não, morria de tédio...
2007, definitivamente, é um ano especial. Nem chegamos à metade e já tenho tanta coisa acontecendo em volta de mim, daquele tipo de coisas que faz você se sentir outra pessoa, sabe como? Nesses cinco meses fui contratada, recebi um aumento, fiquei solteira, emagreci uns 4 quilos de puro trabalho e agora estou a poucos passos de morar totalmente, absolutamente, on my own. Um brinde de vinho tinto a tudo isso.
E depois vem a outra metade do ano, 30 anos, projetos de parar de fumar e de retomar a academia, de fazer uma pós, ou de viajar pro Peru (a passeio, não a trabalho!). Tem limite o que a gente planeja? Têm fim as metas que a gente estabelece? Eu acho que não.
Ainda bem... Se não, morria de tédio...
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