Wednesday, July 04, 2007
Otariamente comprando CD
Só que outro dia não me agüentei e acabei comprando o disco novo da Björk. Como todo mundo sabe, me mudei e ainda não tenho a estrutura 100% lá em casa, de modo que a minha ansiedade para ouvir Volta foi maior que a minha paciência (pra variar). Como meio de justificar toda essa ansiedade sem justificativa, fiquei repetindo para mim mesma que com a Bjrörk é diferente, porque eu tenho toda a coleção dela em CD, e geralmente o encarte é muito legal, e etc etc etc. Arrumei várias razões para me enganar e comprar logo o tal do disco.
Pra se ter uma idéia, eu não sabia nem onde procurar. Lembrei da Saraiva, onde, de vez em quando, compro uns livros pela internet. E lá fui eu na loja do mundo real, passei direto, sem olhar, por todos aqueles livros maravilhosos e cheguei na seção de discos. De primeira identifiquei o que eu queria, peguei e paguei no caixa exatos R$31,90. Toda a operação não durou mais que dez minutos.
Daí fui correndo pro carro me deliciar com o novo presente. E, é claro, mer divertir com o encarte. Coloquei o disco pra tocar e tirei o livrinho da capa. Mas... o livrinho era muito fino. Fino demais para um CD da Björk, com apenas duas páginas e nenhuma foto ou grafismo interno. Pensei: "Isso deve ser coisa de edição nacional". Não deu outra: no canto superior da capa, à direita, estava escrito: "Special Edition for Latin America".
Que decepção. Paguei 32 reais por essa porcaria! Poderia ter baixado o disco todo na internet, inclusive o encarte, pagando nada! Me senti a pessoa mais otária do mundo. E prometi a mim mesma nunca mais entrar em uma loja de discos.
Andei vendo por outros blogs que eu não sou a única a se sentir uma idiota fazendo as coisas da maneira "legal". Outro dia, li o texto de uma menina que contava a sua peregrinação na tentativa de baixar arquivos MP3 comprados. É tudo tão complicado, incompatível, burocrático, que você fica o processo inteiro se perguntando por quê está fazendo aquilo. O que me faz chegar à conclusão de que a gente não tem que fazer o menor esforço para tentar acompanhar o estabilishment.
Ele que corra atrás do prejuízo!
Thursday, June 28, 2007
And the readhead girl goes by
Toda vez que estaciono na frente daquele açougue desativado, o homem que mora na calçada me dá boa noite ou bom dia, madame. Na primeira vez, não olhei e respondi bem baixinho. Na segunda vez, olhei, sorri e retribuí o cumprimento. E ontem, na terceira vez, saí do carro e ele ajeitou o espelho retrovisor, avisando que o caminhão de lixo ia passar na rua durante a noite, e que era melhor tomar cuidado.
E tem o cara do boteco onde eu compro cigarros. E os mecânicos da oficina de motos que passam cantadas pra todas as meninas da rua. E o caixa do supermercado que empacotou minhas compras bem rápido, porque eu estava atrasada. E as mesmas babás, com as mesmas crianças, na pracinha onde tem o chafariz francês. E os porteiros do meu prédio, e muitos meninos de vinte e poucos anos que são colírios para os meus olhos de pré-balzaquiana, e o chorinho aos domingos, e as duas academias, uma bem melhor que a outra.
Aos poucos, bem aos poucos, eu também vou fazendo parte do meu bairro.
Wednesday, June 27, 2007
Sobre topadas e sonhos
A das topadas nasceu na época em que eu estudava em um colégio de freiras. Essa temporada religiosa foi a responsável por noventa por cento do meu repúdio à Igreja Católica e a todas as suas representações (menos igrejas antigas que, inexplicavelmente, eu adoro visitar). Eu tinha uns dez anos e fazia aula de catecismo - porque a boa, naquela época, era fazer primeira comunhão; um mega evento social! - e estava nessa aula quando alguém perguntou pra freira/ professora se era verdade que Deus castigava.
- Castigar, ele não castiga - ela explicou - porque Deus é todo perdão. Mas de vez em quando ele dá uns avisos, né? Quando acontece um pequeno acidente, uma perna quebrada, um tornozelo torcido...
Desde então, toda vez que dou com o dedão na parede, ou com o cotovelo na maçaneta da porta (sabe aquele choquinho que dá?), eu penso em Deus. Na verdade, eu me pergunto: "mas o que que eu fiz pra levar uma dessas?", e busco o que poderia ter causado esse mínimo aviso divino. E olha que eu ainda não decidi se acredito ou não nessa coisa de poder do criador.
A outra história, a dos sonhos, não tem nada a ver com o colégio de freiras. Tem a ver com um suplemento que vendia no jornaleiro que se chamava "Mistérios do céu e da Terra" - acho que era mais ou menos isso. Esse livro falava de almas, vida após a morte, feitiços... Ensinava até a fazer um boneco vudu usando terra de cemitério (isso eu lembro bem, porque fiquei intrigadíssima com a idéia de ter que ir até o cemitério levando um baldinho e uma pá para depois confeccionar o seu boneco). Nessa época eu devia ter uns oito ou nove anos, mais novinha ainda que no episódio das topadas.
E aí que tinha um capítulo desse livro que falava sobre sonhos. E explicava que, enquanto estamos sonhando, nossas almas deixam o nosso corpo para vagar pelo mundo, encontrar pessoas, conhecer lugares diferentes. Um passeio básico no plano imaterial.
O texto dizia, ainda, que quando encontramos uma pessoa em um sonho, significa que nossas almas realmente se encontraram durante a noite, e que conversaram e passaram um tempo juntas e tal. E depois disso, para o resto da vida, toda vez que sonho com alguém penso na possibilidade do encontro de almas.
Mas por quê, exatamente hoje, lembrei dessas histórias? Acho que tive um sonho estranho, com uma pessoa que não vejo há muito tempo. Mas eu não lembro quem ela era, e nem o que acontecia no sonho. E no caso de almas que se encontram (o que me deixa muito confusa, porque fiz análise durante anos e tinha outra visão do que rolava na minha cabeça após adormecer), isso significa que a outra pessoa sonhou comigo também?
Até gostaria de acreditar no encontro das almas. Mas é muito mais lógico acreditar nas peças que a minha mente prega.
Tuesday, June 26, 2007
Eu sei que você está lendo isso
Vai, confessa. Você sabe do que estou falando.
Monday, June 25, 2007
It's a small world after all
A grande diferença do Small World em relação aos outros sites de relacionamento é que nele não é qualquer um que entra. Uma vez convidada, a pessoa tem que passar pelo "crivo" dos outros membros do grupo, que vão examinar suas referências, sua procedência, seu endereço, etc. Obviamente, eu não faço parte de tal grupo seleto de internautas. Fui no encontro no maior estilo bicão mesmo.
Hoje soube que fazem parte da conexão gente do naipe de Roberto Justus e outros famosos/ricos. Se bem que não tinha ninguém a nivel de Caras no encontro.
Mas vamos lá. Chegamos - eu e a minha amiga - no quiosque da Lagoa onde o programa havia sido marcado. A língua que se ouvia era o inglês, já que havia uma boa quantidade de gringos sentados à mesa. Em um primeiro momento, nós duas fomos renegadas à nossa mediocridade (eu mais do que ela, já que a minha amiga faz parte da rede, embora ela ainda não tenha moral para convidar ninguém). Mas depois de algumas doses de qualquer coisa, treinávamos intensamente o nosso inglês com as pessoas ao redor.
Havia um italiano que trabalhava pra Tim. Um alemão que dava aulas na Coppead. Um paulista corretor de imóveis que também não era do grupo. E umas meninas que pareciam ter vivido na Europa por algum tempo.
Os papos iam na base do: o que você faz? onde você mora? o que está achando do Brasil?
Em nenhum momento ficou aquele clima de "somos ricos e jovens" - até porque ninguém ali era tãããão jovem assim, a média era de mais de trinta anos. Eu logo firmei conversa com o italiano, que era, sem dúvida, o cara mais engraçado do grupo. E com o paulista, que era gay e mega simpático. Os outros não tive nem como conhecer, entretida que estava no papo da dupla surreal.
De lá resolvemos sair para dançar. Alguém falou em Lapa, outro falou em Ipanema. Fomos parar em um lugar chamado Hotel OuroVerde, em Copacabana. Um lugar que, na boa, não recomendo pra ninguém.
Quarenta minutos depois de chegarmos ao hotel/boate, resolvi que era hora de voltar pra casa. Dei um tchau geral, peguei telefones e emails dos meus novos camaradas, com a promessa de manter contato. Ainda não sei se serei capaz de manter a promessa. Geralmente, não cumpro.
Mas o mais interessante de tudo foi a idéia surgida no almoço de hoje, quando eu contava as aventuras de sexta-feira. Alguém na mesa teve a idéia de criar um site exatamente o contrário do Small World, em que os mais bagaceiros pudessem entrar. Nada dessa história de cifrões e referências. Quanto mais vira-lata fosse a pessoa, mais bem vinda ela seria no grupo.
O nome, disseram, deveria ser "Coração de mãe".
Só que, pensando bem, não adianta a gente fazer uma página nos moldes do Coração de Mãe. Porque, na verdade, essa página já existe.
Chama-se Orkut.
Friday, June 22, 2007
Mudando o shape
Mas, na real, só sendo mulher pra saber o poder renovador que tem uma passadinha no salão de beleza.
No meu caso, não é bem assim. Eu gosto de ter a unha feita, cabelinho cortado e devidamente esticado com formol, pernas depiladas, olheiras escondidas... Mas gostaria muito mais de tudo isso se eu vivesse no mundo dos Jetsons, onde basta você entrar numa mega máquina com mil braços para sair linda e perfeita.
O tratamento de beleza que eu mais odeio é fazer as unhas. Acho um saco ter que ficar de small talk com a manicure enquanto ela cavuca as minhas cutículas, ou esfrega a sola do meu pé com aquelas lixas terríveis. Invariavelmente, morro de cosquinha durante esta etapa da tortura, e me contorciono toda enquanto a pobre da mulher tenta fazer seu trabalho.
Depois, peço desculpas: "É que sinto cócegas"
Hoje eu tive um dia de salão de beleza. Fazia tempo que eu não encarava aquele recinto, e já era hora de eu dar a tal da renovada pós-término.
O que não se faz nessa vida em nome da possibilidade de se apaixonar de novo...
Thursday, June 21, 2007
Aplauso ao chope
Mas aplaudir o primeiro chope é muito diferente. Eu e o amigo não hippie tentamos parar no Jobi, domingo à noite. Tudo cheio. Fomos pro Conversa Fiada, comemos um pouquinho, mas estava realmente desanimado por lá. E terminamos no Belmont do Leblon dando uma salva de palmas pra tulipa à nossa frente.
As outras (poucas) pessoas no bar nos observaram sem entender. E ninguém nos acompanhou. Pra falar a verdade, nem senti falta dos outros, porque já tem gente demais indo com as outras no pôr-do-sol de Ipanema. O ritual do chope é só meu e do meu amigo, que é uma das poucas pessoas que entende exatamente as minhas piadas. Eu diria até que ele é a minha alma-gêmea do humor, a ponto de nós deixarmos de lado outros acompanhantes, estabelecendo um papo reto que ninguém mais entende. Às vezes me sinto culpada, mas depois a culpa passa. Adoro não ter culpa de nada.
Tuesday, June 19, 2007
Blog bombando
O engraçado é que eu tenho achado os meus textos muito chatos. Parece que eu to chegando aos trinta e ficando com cada vez mais preguiça de pensar. Os poucos amigos que lêem o meu blog (a maioria lê mas não me conta, principalmente os casinhos e os ex-namorados) dizem que o texto continua bom. Mas eu acho que dei uma caída considerável de qualidade.
É triste admitir que eu era mais inteligente aos 24 anos.
O lance que até tenho coisas a contar, mas pouco tempo pra fazer. Agora, por exemplo, está na hora de ir a uma festa de aniversário, pertinho da minha nova casa.
É uma delícia ser livre.
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro!"
Monday, June 18, 2007
Porque eu sou muito amada
Eu não liguei.
Mas fiquei pensando no que ele disse. De onde ele tirou que eu não tenho amor na minha vida? E o que esse cara sabe da minha vida pra falar que falta isso ou aquilo? Essa humanidade é ridícula, o ser humano é ridículo. Uma vez um amigo (uma pessoa profunda, e não rasa como eu) disse que as plantas deviam estar rindo de nós, porque nós perdemos tempo sofrendo. Eu também acho isso, agora. Mas durante muito tempo cultivei o sofrimento, porque achava que esse era o caminho pro aperfeiçoamento pessoal.
Tudo isso me veio à cabeça porque reli um email guardado de um amigo que não vejo há pelo menos 5 anos. Espero, de coração, que ele esteja muito bem e muito feliz. Talvez o email dele tenha sido o mais lindo que eu já recebi na vida. E foi sem nenhum interesse especial, ele mandou o texto porque foi tocado, de alguma maneira, pelas coisas que eu andava escrevendo na época. E eu escrevia coisas muito mais importantes na época, porque ainda não tinha decidido ser rasa.
E quando eu me pergunto pra quê eu mantenho esse blog, em que todo mundo sabe um monte de parcialidades da minha vida, com emails como esse acabo lembrando sempre da razão.
Leiam vocês e entendam sozinhos do que eu estou falando.
faz tempo
From: ***
Sent: Tue 10/28/03 1:00 PM
To: brunapaixao
Oi Bruneca..lembra de mim..o Godô? Pois é gatinha...faz tempo que a gente não se fala..e mais tempo ainda quea gente não se vê...e confesso fazia tempo que eu não dava um passeio pelosseus blogs..coisa que fiz diariamente por muito tempo, mas acho que a genteé assim memso..cria hábitos para poder odia-los depois.Hoje com um pouco mais de tempo sobrando em minha cabeça e a nostalgiabombando nessa manhã chuvosa paulista resolvi rever ( a minha maneira... aque posso ) amigos e pessoas pelas quais guardo imenso carinho.Mandei e-mails para o Beto..pro David..e dei um volta pelos seus blogs.Estou muito contente de saber que suas letrinhas estão ficando maiores eatingindo pessoas alem do universo www.Tenho orgulho de ter você como amiga...mesmo que distante, as vezes tenhomedo de estar longe e trasformar pessoas que gosto em meros "conhecidos"...estava te devendo um e-mail né?Bruneca..a vida em SP continua meio maluca...apartamento montado pelametade, trabalho demais...confusões empresariais que deixam a genteapreensivo...e saudade..muita saudade.Mas você mesmo sem saber é um canal importante...quando quero lembrar doBG...da matriz..da bunker...tem sempre uma fotinha bacana esperando paraservir de colo. Alem de textos que não posso evitar de achar que foramescritos pra mim...por alguem que mora dentro da minha cabeca...que sabeexatamente como me sinto.Acho que é por isso que te gosto tanto...mesmo que você não saiba..e adistãncia não permita essa intimidade, eu acho que somos muitoparecidos...pelo menos na maneira de pensar e ver as coisas, talvez porisso eu me afaste de vez em quando..ler seus textos me mostram um lado meuque as vezes me incomoda, mas sempre volto quando preciso me reencontrar.Queria te falar que te acompanho..de longe e tenho um puta orgulho de teconhecer...prometo..como sempre... tentar mater mais contato..não conte comisso..mas saiba que estou por aqui. Um Grande beijo " Godô"
Friday, June 15, 2007
Eu recebi uma telemensagem de dia dos namorados
Só pra esclarecer, a mensagem não foi de um admirador secreto. Foi de um membro da minha equipe, que cismou agora de falar que está apaixonado por mim. Oh, god. Depois de três anos trabalhando juntos, o cara achou que eu era a resposta aos problemas dele. Mas até agora eu não sei exatamente porquê ele resolveu que gosta de mim, mas sei que a minha paciência está nos limites.
Não que eu tenha um coração de pedra. Mas é que sei diferenciar fanfarronice de paixão.
Mas, enfim, voltando à mensagem, a coisa funcionou mais ou menos assim. Ligou uma mulher para o meu celular avisando da telemensagem. Perguntou se eu gostaria de ouvir. "Ok", eu respondi, e a gravação começou. De fundo, uma música com letra que dizia: "eu vou roubar você pra mim", ou algo do tipo. E então, entrou um locutor que deve ser o mesmo cara que faz a voz da Good Times 98 (da rádio 98 FM daqui do Rio, "só sucesso"), e disparou um monte de frases "belas", do tipo: o seu sorriso me ilumina, estou adorando me relacionar com você, os momentos que passamos juntos, etc etc etc. E eu às gargalhadas.
O dia dos namorados é uma data comercial estranha. Quando calhou de eu estar namorando no 12 de junho, troquei presentes com o meu namorado da ocasião, mas sem o mínimo de love effect. Era mais uma coisa no estilo: e aí, do que você está precisando? Ia no automático, sabe como é? Tanto que não lembro o que fiz no último dia dos namorados que passei acompanhada. Provavelmente, não fiz nada de diferente do que faria em qualquer outro dia.
Paralelo a isso, tenho amigas que ficam desesperadas nessa data. Uma vez, um grupo de amigas solteiras emburacou em uma festa de quinta categoria, só para esquecerem que aquele era o dia do amor, teoricamente. Eu não estava junto com elas, apesar de também estar solteira neste ano. Pelo que me lembro, fui jantar com um ex (que já era ex naquele momento).
Mais uma razão pra se ficar amiga dos seus ex-amores. Na pior das hipóteses, eles pagam um jantar no japonês pra você.
Tuesday, June 12, 2007
Odd Job Jack
Olha só por onde o Odd Job Jack já passou:
1 - caixa de uma multinacional de fast food do Largo do Machado
Depois que ele foi demitido - provavelmente porque dava lanche de graça pra todos os seus amigos, e só marcava um suco na caixa registradora - fez um panfleto sobre os porcos capitalistas da rede americana de lanchonetes, e ficou distribuindo na porta da ex-empregadora dele. Nesse panfleto, ele contava algumas verdade sobre a cadeia de fast food. Como, por exemplo, que todos os funcionários bebem o sorvete da casquinha direto do recipiente aonde ele fica guardado no congelador. Ou seja: se você já comeu uma casquinha no Largo do Machado, dividiu essa delícia com outros tantos funcionários da rede.
2 - caixa extra de natal das Lojas Americanas
Segundo jack, nunca a LA vendeu tantos laticínios quanto naquele natal. Porque era só isso que ele marcava nas suas vendas.
3 - Garçom de restaurante
Foi demitido depois que fumou maconha no teto do restaurante depois do expediente. Ele me jurou que, na época, achava que não tinha nada demais ele fazer isso, já que o seu horário de trabalho já tinha terminado. O melhor é que não foi demitido por justa causa, e por isso entrou na justiça e ganhou uma mega indenização da empresa.
4 - vendedor de loja no Fashion Mall
Foi o recorde de menor tempo em um emprego. Ficou trabalhando por duas horas, e foi demitido quando não soube explicar a diferença entre uma blusa de cotton e uma de algodão para uma cliente.
E depois de ouvir isso tudo, em meio a três doses de vodka, eu acabei pensando: "um brinde ao Jack!" É que finalmente eu conheci alguém com alguma história pra contar, só pra variar um pouquinho...
Monday, June 04, 2007
Nina Simone
Lá vem eu com essa história de novo. Mas não posso evitar. Ouvir Nina Simone em uma conversa faz com que uma estrelinha brilhe automaticamente dentro da minha cabeça. E então, a situação é vista de outro modo. Meu interlocutor ganha mais respeito. Eu penso: se ouve Nina Simone, é boa gente, e vamos nos dar bem. E, geralmente, eu comento que vi o show da diva no extinto Claro Hall, um ano antes dela morrer.
Na morte de Nina eu fiz um texto. Foi a única das minhas cantoras de jazz preferidas que eu consegui ver ao vivo, com o queixo encostado no palco, os olhos grudadinhos nos seus movimentos. Não tenho certeza, mas devia haver um fiapo de baba escorrendo no canto da minha boca. Ou não, porque essa imagem nem combina com um show da Nina Simone.
Durante recente conversa noturna, aos berros (devido ao som ensurdecedor da pista de dança), Nina foi citada. E eu lembrei do show, e do texto do dia da morte dela, e de todas as vezes que eu e Mayra ouvíamos jazz bebendo whisky roubado do bar da casa dela. Mayra criou uma festa bissexta de jazz, mas eu continuo sem fazer nenhuma produção cultural. Acredito que Nina seja para se ouvir sozinha. Ou a dois - de preferência, com possibilidades sexuais em jogo.
Wednesday, May 30, 2007
Inacreditável China
Eu tenho uma mania com exposições. Gosto de ir sozinha, porque quando estou acompanhada fico meio tensa, com medo de estar demorando muito em cada obra, ou indo mais rápido que os meus acompanhantes. No caso da expo da China, uns amigos me esperavam em outro ponto do centro cultural, de modo que eu vi tudo como se estivesse sozinha, e pude saborear a meu tempo todas as obras ali oferecidas.
Acontece que quando vejo alguma coisa realmente fascinante, tenho vontade de fazer um comentário em voz alta. Para alguém. Como que para dividir a grandiosidade daquele momento, sabe? E rolou essa história no meio do meu passei à arte oriental. Foi quando parei diante de um quadro a óleo que parecia uma fotografia. Não digo que parecia pela semelhança com o real, e sim pela técnica que o cara conseguiu produzir na sua tela. Ele deu à figura um brilho de impressão fotográfica! Fiquei totalmente de cara com aquilo. Como é que se consegue isso?
Devo ter feito uma cara tão idiota, que um senhor que também visitava a mostra comentou comigo: "Incrível isso, não é? Dizem que a pintura morreu, mas não morreu nada. Olha a prova aí."
Fazia tempo que eu não sentia a alma beijada. Acho que às vezes a gente se acostuma a levar uma vida sem satisfação de alma, apenas cumprindo compromissos e adquirindo aquele estado de dormência. Mas ao visitar a exposição da China, eu lembrei de tudo, da sensação de satisfação interna. Tenho uma certa pena de quem não consegue entender o que é isso. Porque é esse tipo de sentimento que faz o cotidiano valer a pena.
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Aliás, ontem caí de paraquedas, mais uma vez, em um showzinho mega ultra underground. E bom. De tudo, eu tirei a seguinte frase, que totalmente se adequa ao momento:
"Ano passado eu não morri, esse ano é que eu não morro".
Tuesday, May 29, 2007
Air! No Brasil!
De lá pra cá, mais Air na minha cabeça. Pocket Symphony é um disco lindo, e Mer Du Japon é tipo estar apaixonada por alguém. A mesma sensação. E Redhead girl eu disse por aí que é a minha música, só porque eu sou uma ruiva de farmácia assumida, desde os 16 anos, por aí. Só mudo o tom pra mais ou menos forte, dependendo do meu estado de espírito no momento.
Com o Air, tudo começou com Playground love. Ao contrpario da maioria, não foi amorà primeira vista quando ouvi Sexy Boy. Achei legal e pronto, mas estava numa fase ultra mega house (ai, ai, esses anos 90...), e aquele som do boooooyyyy tinha pouco groove pra mim. Na época. Mas quando vi Virgens Suicidas e ouvi Playground love, pensei: fudeu. E esse mesmo pensamento voltou à cabeça quando soube da vinda deles pro Brasil.
E depois vieram os medos (ai, ai, essas virginianas...). Medo de criar muita expectativa e não gostar do show. Medo de não conseguir ingresso. Medo de estar viajando na época do festival. Medo de um monte de situações absurdas, e que têm solução. Até a minha viagem fora de época - que é realmente possível - eu já sei como solucionar. Vai ser uma loucura, mas já me convenci de que isso é o certo: vou ver o show e depois pegar um avião direto de volta pra onde eu estiver. Quanto vale um show do Air, para alguém que sempre esperou por isso? Vale mais que uma passagem aérea.
De todas as poucas certezas que eu tenho, a mais interessante é a que diz respeito à minha vida careta. Não quero nem um drinkezinho nesse show. Nem uma vodka com coca-cola. Ele tem que ficar gravado na minha mente para sempre - assim como tantos outros ficaram, e que eu saboreio até hoje.
Monday, May 28, 2007
Fui citada...
Tá vendo, existem outras pessoas no mundo que falam do passado...
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007
Os anos 90
Rodrigo Lariú (midsummer madness) e Gabriel Thomaz (ex-Little Quail, atual Autoramas) vão lançar fitinhas demos com versões raras pinçadas das demos de bandas do 'boom' do rock brasileiro nos anos 90, todas guardadas por Gabriel.Isso me deu uma nostalgia TÃO grande... Não sei se é o retorno de Saturno (também conhecido como proximidade dos 30 anos), mas me lembrei do tempo em que ia à Basement, à Dr. Smith, ao Circo Voador (que não era caro como agora e nós, estudantes de colégio ainda, podíamos freqüentar) e ao Humaitá Pra Peixe ver algumas dessas bandas da coletânea. Voltávamos pra casa de ônibus de madrugada. Não tinha tanto tiroteiro na cidade, ainda... Eu e minhas amigas (normalmente a Jô e a Bruna) passávamos o dia vendo MTV e ouvíamos a Fluminense FM. Usávamos camisas de flanela quando esfriava um pouco (só um pouquinho), comprávamos CDs importados 'piratas' (os chamados 'bootlegs') das nossas bandas preferidas, tínhamos mil furos nas orelhas. Ficávamos bêbadas rápido, escrevíamos frases dos nossos ídolos na agenda e tínhamos muito tempo livre.O momento nostalgia termina aqui porque acho superdeprê gente que acha que o seu tempo já passou e que antigamente é que era legal. Não é. Pra pessoas como nós, que temos sorte, o bom pode e deve ser agora. Por que não?
posted by Kamille @ 1:20 AM 0 comments
Encontros e desencontros
Esse filme tem vários significados pra mim. A primeira história vem logo na sua estréia, quando um ex-namorado me ligou depois de assistir ao filme. Avisou: "Acabei de ver um filme que você vai gostar." Esses ex-namorados sempre acabam me sacando muito bem. Bom, pelo menos a maioria deles. Segundo ele, o filme lembrava a minha época nos Estados Unidos, quando eu ainda não tinha emprego e ficava longos dias vagando por Manhattan à procura do que fazer.
Parece absurdo não ter o que fazer em Manhattan. E é. Mas naqueles primeiros dias, eu vivia uma solidão que nunca tinha conhecido antes. Meu ex-namorado (o mesmo que me ligou depois da sessão, é claro) saía para trabalhar e eu ficava no apartamento, buscando um programa no guia turístico. Passava dias inteiros sem conversar com ninguém, mesmo dominando muito bem o inglês. Tinha vergonha de falar com sotaque, ou errar a gramática... Eram dias em que eu só ouvia a minha voz à noite, quando o namorado chegava em casa e a gente jantava juntos. Nas primeiras semanas, eu visitava muitos lugares e não sentia falta de conversa. Mas depois a coisa foi ficando complicada, e eu ansiava por ter o que fazer.
Mais um capítulo da síndrome da mulher de milionário.
Só que o filme vai além disso, dessa solidão no meio de situações fantásticas. Descobri revendo o filme, depois de ter comprado o DVD, que a falta de entendimento, o tal do lost in translation de que se fala, não atinge só as línguas diferentes da (linda) Scarlet Johanson e os japoneses. Existe também entre a menina e o seu marido, que não consegue entender o que ela está passando, tornando sua solidão ainda mais insuportável.
Até que aparece o coroa, que sabe exatemente o que ela diz. E então, a menina tem conversas e divide sentimentos como ela nunca conseguiu antes com seu marido. Por sua vez, o coroa também não tem com quem conversar até encontrar a menina. Os dois são salvos por uma comunicação só deles, que ninguém mais consegue entender. Aquela última cena em que a menina fala baixinho alguma coisa no ouvido do coroa, e que quem assiste não sabe o que é, é maravilhosa. Traduz todo o filme (com o perdão do trocadilho). A gente, aqui do lado de fora, pode até tentar imaginar o que é, mas a cena não foi feita pra isso, pra se buscar explicações. Foi o desfecho de uma linda história de amor.
Não dá pra sair ileso desse filme. Da última vez que assisti, chorei que nem maluca, eu mesma numa das maiores solidões da minha vida. Outro dia, emprestei o DVD para uma colega de trabalho assistir. No dia seguinte estava ansiosa para saber o que ela tinha achado. Ela me disse que achou o filme muito parado, muito lento... Que não tinha gostado muito. Eu respondi que deveria ter emprestado outros filmes com mais ação, e ficou por isso mesmo.
Essa colega de trabalho também não fala a minha língua. Estamos todos nos afogando numa sopa de letrinhas.
Wednesday, May 23, 2007
Pensamento puros e imundos
Oh, God. Esse blog está ficando muito pessoal.
Tuesday, May 22, 2007
Vida em ângulos
Mas eu sou assim mesmo, fazer o quê. E ainda assim, sou melhor que a grande maioria que conheço.
Agora chega, porque estou atrasada pro show da Miho Hatori. Finalmente. Tenho mais o que fazer e pouca coisa para dizer nesse blog. Viva a vida rasa.
Friday, May 18, 2007
Vous est trés belle
Outros amigos procuram em mim uma revolta pelo acontecido. Mais uma vez, explico que a revolta já veio e já foi embora, e o que sobrou agora foi só uma preocupação assumidamente egoísta com o meu umbigo. E de resto o que ficou foi um monte de lembranças legais, e outras não tão legais assim - mas essas eu deixo pra lá. Já não me dizem respeito.
Hoje mesmo estava ouvindo Air - semper air - e pensando na minha viagem pra Paris. Era meu primeiro dia na cidade, eu tinha passado no hotel, largado as malas, e já estava batendo perna pelas ruas. Devia estar com uma cara de total felicidade, porque um francês ignorou a presença do meu então namorado e falou pra mim: Vous est trés belle.
Não entendo nada de francês, mas essa frase eu pesquei muito bem. Acho que eu estava mesmo bonita, porque saltitava pela Place de Republique, com um casacão rosa que só eu usava (as pessoas lá não usam roupas coloridas no inverno, depois eu descobri. Todo mundo é muito sóbrio e chique).
Pode parecer justamente o contrário, mas quando lembro dessas histórias a dois, eu não fico com pena de mim mesma. Na verdade, eu sorrio. É que eu não consigo simplesmente varrer alguém que foi importante uma determinada época, e assim eu fiquei amiga de todos os meus ex namorados.
É tudo uma questão de continuar amando a mesma pessoa. Só que de outro jeito, entende.
Wednesday, May 16, 2007
Little earthquakes
E um dia as meninas ouviam "Little Earthquakes" e cantavam juntas quando comentaram: a Bruna não sabe o que são esses pequenos terremotos. E eu fiquei com raiva. Achei que estavam me discriminando porque eu era a do grupo que menos tinha experiência sexual (pra não dizer que não tinha nenhuma experiência sexual), e então protestei, mas sem grandes resultados. E fiquei me perguntando o que elas queriam dizer com aquilo de não conhecer os littles earthquakes da vida.
Mas hoje eu sei muito bem. Aprendi, eu acho. E vi que não tem necessariamente algo a ver com sexo - embora, às vezes, tudo isso esteja ligado. E de vez em quando eu canto mentalmente "hmm, these little earthquakes, here we go again". E o que me impressiona não são os pequenos terremotos em si, mas o "here we go again", porque agora eu sei que é assim mesmo, que uma hora a gente está lá em cima, e outra hora a gente está mais embaixo, e quem disser que não é assim está mentindo pra todo mundo - inclusive pra si.
E esses altos e baixos me levam a outra associação louca, que é a Roda da Fortuna, a carta do tarô que mostra mudanças e situações opostas. Na verdade, quando eu estou embaixo eu sempre penso: here we go again, vai passar -e depois, não é que passa? E aí eu subo de novo, feliz porque to subindo, embora as subidas sejam sempre mais demoradas que as decidas. Pelo menos, parecem assim.
Por outro lado, tudo é uma questão de ângulo. De posicionamento de câmera. Na minha profissão, você tem várias maneiras de gravar uma cena: mostrando a lata de lixo ao fundo, mostrando a rua, mostrando um jardim. O negócio é encontrar o ângulo que mais vai agradar a você. Como em todas as outras coisas.
Monday, May 14, 2007
Momento casa nova
2007, definitivamente, é um ano especial. Nem chegamos à metade e já tenho tanta coisa acontecendo em volta de mim, daquele tipo de coisas que faz você se sentir outra pessoa, sabe como? Nesses cinco meses fui contratada, recebi um aumento, fiquei solteira, emagreci uns 4 quilos de puro trabalho e agora estou a poucos passos de morar totalmente, absolutamente, on my own. Um brinde de vinho tinto a tudo isso.
E depois vem a outra metade do ano, 30 anos, projetos de parar de fumar e de retomar a academia, de fazer uma pós, ou de viajar pro Peru (a passeio, não a trabalho!). Tem limite o que a gente planeja? Têm fim as metas que a gente estabelece? Eu acho que não.
Ainda bem... Se não, morria de tédio...
Saturday, April 28, 2007
Texto reciclado
É muito feio reciclar um texto antigo?
Encontrei esse aí em um dos meus blogs antigos, e fiquei com vontade de postar de novo.Só não lembro quem eu estava amando na época.
Quinta-feira, Setembro 23, 2004
Mais um texto sobre o amor
Sobre o tédio
Quase tudo já foi dito sobre o amor, quase tudo já foi escrito e pensado da pior e da melhor maneira. Este não é um tema novo. Mesmo assim, insisto no erro e no lugar comum quando sento em frente à máquina de escrever com tela: cigarro em um canto da mesa, telefone sem fio, milhões de papéis e eu amando. Nada poderia, mesmo que eu tentasse, soar mais piegas que isso. ‘Eu estou amando’. Taí uma frase que não deveria ser dita em voz alta uma única vez da vida de uma pessoa sensata – e mesmo assim é dita.
Me enrosco no edredom com muita preguiça de levantar. Da última vez que saí assim, bati em um táxi e deixei um rastro de tinta amarela no meu pára-choque pretíssimo, sinalizando para todo o mundo que eu sou uma péssima motorista. A vida deveria ser mais leve para aqueles que estão amando, para aqueles que carregam a cruz da breguice nas costas com incomensurável alegria. Mesmo assim, tenho que levantar e trabalhar e soar muito séria e muito centrada, mesmo quando preferia estar deitada na piscina admirando nuvens cor de rosa. A vida é muito, muito dura para quem está amando. Todas as pessoas parecem amargas e mal comidas perto de mim, sinto uma pena altiva dos seres humanos ao meu redor. Eles não sabem o que eu sei, eles não sentem o que eu sinto. Pobres, pobres deles.
Hoje me peguei desenhando corações enquanto falava ao telefone com o revendedor de tacos. Falando sobre preço de obras e reformas e em quanto tempo a minha casa será habitável de novo. Quando me dei conta, rasguei o papel e escondi dentro da bolsa. Ninguém deve desconfiar que estou amando, ou se sentirão ainda mais amargos e mais mal comidos do que nunca.
De todas as últimas vezes que amei, gastei o que não podia para presentear o meu amor. Aprendi minha lição: nunca parcelar presentes para amores no cartão de crédito. O romance pode acabar antes de a conta ser paga. Pois é, sim, sim, a vida é muito dura para quem esta amando de novo e de verdade.
Pessoas que passam
O mais certo é que eu nunca mais volte à Goianésia. Ou a Silvânia. Ou a Pão de Açúcar. Ou até a Fernando de Noronha (que lugar absurdamente caro! Prefiro ir à Espanha e gastar a mesma quantia). Mas em todos estes lugares deixei pra trás novos amigos, de idades variadas, que acolherem à mim e à equipe como membros de uma grande família.
Uma vez, quando estava em Jericoacoara, CE (dessa vez eu fui a passeio), um israelense que havia conhecido toda a América Latina me ensinou que, para quem viva na estrada, o lance é estar desapegado das pessoas. Uma coisa assim meio budista, de deixar que o outro parta, que conclua a participação que teve na nossa vida, sem sofrer por saudades. O israelense, cujo nome já nem me lembro mais, disse que esta foi a maior lição que ele aprendeu nas suas andanças de um ano e meia pela América do Sul. E ele disse isso, é claro, quando estávamos nos despedindo.
Mas eu nunca fui muito boa em deixar as pessoas passarem. Tenho essa mania de segurar por perto quem eu considero de bem, talvez porque eu esteja de saco cheíssimo de gente chata. Esse povo que eu conheci pelo Brasil é sempre gente que tem estima por humildade e que abre as portas de sua casa com alegria e sem ressalvas. Uma situação muito difícil de acontecer no Rio.
Tirei tantas fotos de meus amigos goianenses, mas sei que daqui a um mês não me lembrarei mais do nome de ninguém. Só vai ficar na memória a imagem da senhorinha emocionada, e dos copos de vodka com coca-cola na beira da piscina depois da gravação, e do churrasco mal passado especialmente pra mim.
Thursday, April 26, 2007
Algumas imagens das minhas viagens
Terra de arco-íris
Sempre gostei de presenciar arco-íris. Lembro de uma vez, quando tinha passado o reveillon fora do Rio, e tinha acabado de voltar para a cidade, que fui recebida com um lindo exemplar. Era dia 3 de janeiro de 2004, e eu achei que aquele era um sinal de que o ano ia ser muito bom.
Foi um bom ano. Como são todos eles. Não são?
Wednesday, April 25, 2007
Algumas verdades sobre a humanidade que precisam ser aprendidas
2- Tentar agradar às pessoas é inútil, porque geralmente elas nunca estão satisfeitas.
3 - As fofocas servem para entreter gente que não consegue outros passatempos (e eu acho que é porque elas têm horizontes estreitos)
4 - quase ninguém olha para seu umbigo e é cruel consigo mesmo. A maioria costuma achar que está sempre certa.
5 - Pouca gente pede desculpas sinceras. E praticamente ninguém deixa de subir no salto ao ouvir desculpas pedidas com humildade.
6 - Subir um degrau na existência da espécie é gratificante, porém solitário.
Queria conhecer gente que:
- aceitasse um pedido de desculpas com um sorriso.
- fosse mais severa consigo mesmo, no sentido de fazer autocríticas.
- segurasse sua onda na hora de julgar os outros.
- reconhecesse o esforço de alguém para mudar.
- gostaria de subir um degrau na existência também.
Será que estou sendo utópica demais? Estou mais para ingenuidade que utopia.
Mas, no final, não é tudo a mesma coisa?
Tuesday, April 24, 2007
On the road
Passando por cidades mínimas, com uma praça, uma igreja desativada e uma em funcionamento. Jantando em casa de gente simples da cidade, mas que gosta de receber convidados. Aprendendo a andar a pé. Conversando com muitas crianças que ainda têm vontade de virar policiais quando crescerem. Outra vida, outro ritmo, e eu aqui aprendendo.
Mas com saudades do Rio.
Não tem jeito, sou amarrada a essa cidade. até quando morei em Nova York eu sentia falta, e volte achando a Lagoa Rodrigo de Freitas linda. Meus amigos todos reclamando que no Rio nao tem nada pra fazer, e eu toda babona.
Sou a carioca da gema menos bronzeada do universo.
Monday, April 23, 2007
Subindo um degrau na existência
A questão que sempre me persegue é: por que a gente tem que passar o diabo pra aprender alguma coisa? Ou melhor: existe alguém no mundo que aprende sem sofrer?
Tive um namorado que achava que sim, que ele aprendia simplesmente observando seu erros. Eu acho que ele estava muito enganado quanto isso... E que, na verdade, ele não aprendia era nada. Mas, vamos ser honestos, quem sou eu para julgar se alguém está evoluindo ou não?
Eu só sei avaliar a minha passagem de fase. A dos outros, eu não tenho nada com isso.
O lance é que eu to orgulhosa da minha passagem. Passar de fase de maneira merecida, por esforço próprio e sem a ajuda de ninguém é uma recompensa como nenhuma outra. Não importa o quanto você se colocou na chibata, o quanto você teve que ouvir verdades de você mesma. No final, o que sobra é uma consciência tranqüila... e uma certa certeza de que, por um tempo, você será uma pessoa um pouco mais solitária. É o preço que se paga.
Mês que vem tudo é possível pra mim. Tudo pode acontecer. Eu não aguentava mais tanta estagnação na vida.
Me desejem sorte. Mas eu já sei que eu terei.
Wednesday, April 18, 2007
A membrana do presente
Mas enfim, estávamos juntas ontem quando ela me contou de um curso filosófico/de desenho que ela fez no mês passado. E me ensinou a maior verdade dos últimos tempos.
Segundo o professor de desenho/filósofo da minha amiga, o tempo presente é uma membrana muito fina, na qual tentamos nos equilibrar. Só que, bobeou, estamos pendendo ou pro passado, ou pro futuro, e deixamos de viver o agora.
Fiquei completamente de cara. Mas essa é a resposta de todos os meus problemas! Viver o que está acontecendo no momento, e não ficar tantas horas, tanto tempo, pensando no que foi e em como vai ser...
Nas minhas viagens, muitas vezes fico ansiosa para voltar pra casa. Lá pelo meio do percurso morro de saudades da minha caminha, do meu travesseiro. E aí a temporada fora do Rio se transforma em algo insuportável, e qualquer dia parece se arrastar indefinidamente, como em um episódio de Além da Imaginação. Chego a ficar sem ar de tanta ansiedade, e acabo mergulhando em cigarros, noites mal dormidas e pratos rasos.
Mas a solução é poética. Ponha a sua alma no presente. Ponha você inteiro na ação que está fazendo agora, que aí você nunca mais briga com o Tempo, e você e o Tempo virarão grandes amigos. A membrana existe, mas ela é sustentável. Tem é que se ligar no equilíbrio - inclusive porque, não tem jeito, a vida é malabarismo mesmo, não é isso?
Friday, April 13, 2007
À procura de um apartamento
O Leblon não rolou, é claro. Mas outros lugares podem ser possibilidades incríveis, e eu estou à caça de uma companhia para dividir despesas. Mas aí é que está o problema: como é que a gente sabe quem vai ser um bom roommate pra gente?
Não aguento mais ouvir conselhos, que chegam aos baldes, de todos os lados: "não more com quem você não conhece"; "morar com amigos íntimos é uma roubada"; "nunca divida o aluguel com um casal, eles unem forças contra você!"; "morar sozinho é solitário e caro, o melhor é ter uma companhia"... Enlouquecedor. Se pelo menos eu fosse o tipo de pessoa que decide tudo sozinha e foda-se o resto, estava tudo bem. Mas a verdade é que eu ouço tudo quanto é conselho, e me deixo convencer por todos eles, de modo que a minha opinião muda a cada cinco minutos.
O fato é que já arrumei um apezinho numa rua lindinha, arborizada, perto de vários cinemas, metrô, em frente à uma praça que tem um chafariz... Um lugar perfeito. Só falta mesmo conhecer o apartamento! Porque nele eu ainda não entrei - mas já etsou absolutamente convencida de que é ali que eu vou morar.
Queria muito definir tudo isso antes da minha próxima viagem. Mas que tolinha, na quarta to eu pegando a estrada de novo, rumo a Goiás e Brasília, bem no meio do Brasil. Vambora, né, minha gente. Anotei telefones de amigos que moram por aquelas bandas e avisei o proprietário do apartamento fofo: segura ele aí pra mim. E o cara vai segurar, porque é um cara legal e amigo da família e etc.
Se tudo der certo, em junho eu estou pintando uma parede de verde. E pendurando fotos na geladeira da minha cozinha.
Thursday, April 12, 2007
Retratos
A foto era de uma menina sentada no banco do que parecia ser uma praça de cidade pequena. Ela sorria, com os cabelos ondulados chegando à cintura, um chapeuzinho de tricô na cabeça. O rapaz não sabia muito bem o que fazer com a foto: ele guardava no bolso esquerdo na camisa, depois tirava e ficava olhando um pouquinho, tornava a guardar, tornava a tirar e a prender na trava da mesa... Era uma dança que não tinha fim. Imagine que, a essa altura, eu já estava quase pulando em cima dele de tanta vontade de perguntar quem era a moça da foto, se ele ia ficar muito tempo longe dela, se ia encontrar com ela no Rio... Fiquei com uma baita curiosidade, mas não mexi um centímetro do rosto. Nosso único contato (fora o bom dia que eu sempre dou a quem voa ao meu lado), foi quando ele procurou, sem jeito, ajeitar o encosto da poltrona. Apontei para o botão e falei meio baixinho "tem que apertar aqui", e ele sorriu muito sem graça - e eu sorri de volta, retribuindo o acanhamento. E o retrato da moça lá, por perto.
Mas foi na hora da decolagem que eu entendi a função da fotografia. No momento em que o avião acelerou para começar a subir, o cara fez o sinal da cruz, e agarrou com força a imagem da menina sorridente. Sua respiração só voltou uns cinco minutos depois, com o avião já estável no ar.
Achei tudo tão lindo! Que manteiga derretida que eu sou. Nunca cheguei a conversar com meu vizinho de vôo e, pra falar a verdade, a lembrança dele sumiu da minha cabeça assim que pisamos na cidade maravilhosa, louca que eu estava para voltar para casa. Mas hoje, confesso que a história do homenzinho me veio à tona, meio sem razão aparente. Na verdade, eu sei bem porque esse homem ressurgiu: simplesmente hoje eu me vi como ele, olhando uma fotografia esquecida no fundo da carteira da mesma maneira que ele olhava para a foto da noiva (noiva?)
A grande diferença entre o homenzinho e eu é que ele recuperou o fôlego cinco minutos depois da decolagem.
E eu ainda estou sem ar.
Friday, March 30, 2007
Os diários de Jack
Mas o livro “Diários de Jack Kerouac – 1947-
Agora durmo com Jack nos braços.
Dark side of the moon
Pink Floyd é melhor que Rivotril.
Pau no cu do Rush!
Bolívia, o estado pobre do Brasil
“To indo pra Bolívia amanhã. Quer alguma coisa de lá?”
Acreditem, quando eu disse na primeira vez, foi engraçado.
Saturday, March 10, 2007
A terceira conquista
A primeira tem a ver com a aquisição de bens de consumo duráveis. A compra do primeiro carro com infindáveis prestações usando o parco salário do primeiro emprego, a primeira viagem ao exterior, o primeiro aluguel e - um dia chegamos lá - o primeiro apartamento próprio.
O segundo é de cunho amoroso: quando a gente pára, mesmo que momentaneamente, a procurar a cara metade. Geralmente porque conhecemos alguém legal e pensamos "agora vai", mesmo que a história desande algum tempo depois. É o fim de beijos sem sentido e sexos com pessoas que preferimos nem lembrar. O famoso sossegar o facho com uma pessoa só, sabendo que agora você tem companhia para programas de índio.
A terceira conquista foi a que consegui realizar ontem. Muita gente vai dizer que não é nada demais, e que a ordem da lista está completamente equivocada, mas o fato é que na noite de sexta-feira eu consegui, finalmente, cozinhar um risoto de funghi.
Antes que comecem os protestos, eu preciso explicar quem sou eu em realção a assuntos de economia doméstica. Peguei uma receita na internet e rumei ao Zona Sul para comprar os ingredientes. Porém, enquanto monga, não sabia que a cebola tinha que ser pesada. Achava que a gente comprava cebola por unidade, que era só colocar no saquinho e apresentar no caixa. Passei pela vergonha de perguntar para a moça do supermercado: tenho que pesar isso aqui? Ela me olhou atônita, e respondeu que sim, com a cara de quem não está acreditando no que acabou de ouvir. E eu me recolhi à minha insignificância.
Depois teve o momento da falta da manteiga. Comprei tudo direitinho, até a cebola devidamente pesada, mas esqueci da manteiga. Acionei o Ninja, homenageado da noite (o que três semanas de viagem não fazem com o seu namoro!) para comprar pra mim o item que faltava, enquanto eu vigiava as panelas que já estavam no fogo. O coitado teve que calçar o tênis, atravessar a rua e voltar com o saquinho para que eu continuasse a minha aventura culinária.
Tem horas que você acha que aquilo não vai dar certo. Que a panela está mais parecendo uma canja que um futuro risoto, ou então que a quantidade de caldo de carne está errada. Mas, para a minha surpresa, o prato foi progredindo, progredindo, até que finalmente foi servido à mesa. Adivinha só. Ficou bom pra caralho. Na verdade, o risoto de ontem foi o melhor risoto de funghi que eu já comi na vida.
Não há tempero melhor que a auto satisfação.
Pra quem quiser se aventurar a fazer um risoto de funghi como este, aí vai uma receitinha tranquilíssima, e de sucesso garantido.
Se eu consegui, mesmo sem saber pesar a cebola, você também consegue. Acredite na terceira conquista.
Tuesday, March 06, 2007
Abre a jaula do leão!
Durante as tais viagens pelo norte, nordeste e agora sul do Brasil, aprendi que bicho feliz e bonito é bicho solto. Zoológicos me deixam deprimida (principalmente aquele do Rio, quente que nem Pão de Açúcar, talvez, e com jaulas de 2x2 para animais que precisam de espaço). Uma tristeza só. Agora, por outro lado, quem é que pode ver bicho solto de perto? Uns poucos privilegiados, com grana o suficiente para viajar. Ou gente que, como eu, ganha mal mas aproveita bem a vida.
Em Noronha tive a minha primeira experiência no mundo animal livre. Golfinhos acompanharam o nosso barco, e eram tantos, e estavam tão perto, que se esticasse a mão conseguiria tocá-los. Mas aí, enquanto turista não turista deslumbrada, não estiquei a mão, ocupada em tirar fotos de todos os ângulos possíveis. Tipo os japoneses na Disney, sabe como é?
E, ainda no arquipélago, houve aquela tartaruga enorme, quase pre-histórica, colocando ovos na areia da praia mais bonita que eu já vi. Fiquei como criança, olhando boquiaberta, esperando que a bichinha terminasse de postar para voltar, com muita dificuldade, ao mar de Noronha.
Depois disso eu vi macacos, rãs exóticas, jacaré, pacas... e, hoje, os lindíssimos leões marinhos. Acho que fiquei assim tão extasiada com esses bichos porque nunca na vida soube que eles vinham para o Brasil. Eu achava que leões marinhos viviam entre pinguins, geleiras e ursos polares. Quem poderia adivinhar que aquele casaco de peles ambulante tomaria um solzinho no sul do nosso país?
Mas, ainda bem, eles vêm, como pude ver bem de pertinho, sem barras de ferro entre nós.
Monday, March 05, 2007
Pão de Açúcar, AL
Os próprios habitantes da cidade citam seu terceiro lugar no ranking dos inferninhos terrestres. A impressão que tive foi que, se aquela cidade é a terceira mais quente, não quero saber da segunda e da primeira do Brasil! O sol castiga, eu tinha que gravar com óculos escuros, boné, filtro solar 15 - e, mesmo assim, digamos que eu peguei um bronze não intencionado. E tudo isso em apenas um dia de gravação!
Por ser uma cidade pequena e isolada das grandes capitais, Pão de Açúcar é cheia de lendas e boatos. Toda noite, depois que a cidade está dormindo, um grupo de moradores faz a ronda nas ruas, para evitar que algum grupo de mal feitores invada a comunidade, roube, apronte sei lá o quê. Esses caras da ronda são chamado de Anjos da Guarda, e é deles que partem a grande maioria das lendas que assustam os moradores de tempos em tempos.
O Lobisomem, por exemplo, já foi visto por lá. Descreveram o bicho como um cachorro muito grande, de olhos vermelhos, um monstro mesmo. Ninguém nunca viu o Lobisomem de perto, mas muitos relatam encontros inesperados com a besta. Também existem histórias de um pneu que rodava sozinho pelas ruas de Pão de Açúcar, como se uma mão invisível o guiasse, à maneira das brincadeiras dos moleques pãodeaçucarenses.
Pão de Açúcar também tem um Cristo Redentor, de braços abertos no morro mais alto do município, quase um Corcovado alagoano. Lá de cima podemos admirar uma vista muito bonita do Rio São Francisco e, dizem, o pôr-do-sol é espetacular (não tive tempo de ver, estava louca pra tomar um banho quando acabou a gravação). O Velho Chico é a base da cidade. Naquelas águas o povo cozinha, lava roupa e mergulha nos fins de semana. A água do rio nesse ponto é bem clarinha, quase uma água de mar, diferente do São Francisco do norte de Minas, que tem água barrenta.
Depois do nome Pão de Açúcar e do Cristo Redendor, mais uma coincidência une os cariocas tão distantes àquela cidadezinha do sertão de Alagoas. Na outra margem do rio há uma cidade de Sergipe em que, parece, a maior atração é a vista para o Cristo Redentor de Pão de Açúcar.
Sabe qual é o nome da cidade?
Niterói.
Saturday, March 03, 2007
Tomando um passe indígena
Essa foi apenas uma das atrações que 2007 me reservou. Apesar de estarmos entrando no terceiro mês do ano, já conheci pelo menos 5 estados em um mês e meio de viagem, interrompida apenas para passar o carnaval no Rio. Carnaval sem blocos e sem grandes jogações, diga-se de passagem. Apenas muitas sessões de Heroes, deitada no sofá da casa do Ninja.
Viajar a trabalho é legal porque você conhece lugares e pessoas inimagináveis, como a feiticeira indígena que me deixou na paz essa manhã. É um saco porque você fica longe do namorado, amigos e família, e o sua conta de celular ganha proporções absurdas. No momento, já passei por todos os estágios, desde saudades e saco cheio até deslumbramento. No momento, cair na estrada significa apenas mais um dia de trabalho. Só que quando você volta pra casa, não encontra a sua cama, e sim o travesseiro de penas de algum hotel quatro estrelas.
Preciso ressuscitar esse blog. É muito importante que eu conte pra alguém todas as coisas que eu ando vendo por aí, caindo na real de como realmente as coisas são fora do eixo Rio-SP. É muito importante que eu volte a escrever qualquer coisa, pra pensar na vida, sabe. Só voltei aqui porque alguém que leu o Poça me adicionou no orkut, e então eu percebi o quanto sentia falta destas linhas. Deve ser por causa do cachimbo do índio.
Wednesday, January 17, 2007
'You're still doing things that i gave up years ago'
E de todas as músicas que eu ouço dele, o verso que mais cutuca a ferida é esse aí do título do texto. Ele, que já sabia que era moderno mesmo sem nunca ninguém ter dito, avisou pra quem tentasse copiar: você tá indo quando eu já estou voltando. Sacou? Dá vontade de fazer uma camiseta e sair por aí andando e cumprimentando gente que, meu deus, se prendeu a uma década. Lou é foda.
A culpa do renascimento da minha paixão por Lou Reed aconteceu quando eu comprei um MP3 player lindinho. Me rendi à tecnologia, apesar de ser uma menina do século dezenove. Eu baixei Transformer e fui suar barras de chocolate na esteira da academia ouvindo a voz de veludo do meu mais novo antigo muso, e aí percebi que, caramba, não existe mais nada depois de Satelitte of Love, ou Perfect Day. Não existe nada, quem faz música deveria parar de escrever, todo mundo já pra dentro de casa pra colocar o disco no repeat, até cansar as orelhas, até acabar a bateria do seu radinho. Todo mundo, agora, tirando a roupa e fazendo uma suruba em nome de Lou. Ele sim sabe o que é sexo.
Wednesday, January 10, 2007
Xixi d'orange
Essa foi a segunda coisa que percebi sobre a cidade.
A primeira foi: é verdade, eles usam chuveirinho de mão aqui; se bem que dá pra fixar na parede, de modo que fique exatamente como o chuveiro do resto do mundo.
Tirando a fixação por banheiro (eu poderia falar do vaso em que o sujeito fica de cócoras, mas deixo isso para outra ocasião), o momento em que caiu a ficha de que eu estava, de verdade, em Paris, foi quando o Sena surgiu. Toda viagem eu tenho o momento de cair a ficha: em NY foi o Times Square (óbvio), e em Paris foi o Sena e todas aquelas pontes, cada uma a seu estilo.
Ok, eu confesso: nasci pra ser francesa. Primeiro porque ADORO queijos - quanto mais fedorento, mais eu gosto - e poderia viver a vida comendo queijos de sobremesa, como eles fazem. Segundo porque eu tenho uma tendência a tomar vinho em qualquer ocasião, a qualquer hora. Vinho tinto, apenas, que eu não tenho paciência pra sofisticação muito sutil de um vinho branco. Vamos logo deixar essa língua roxa e o dente preto, ne, gente. E depois, no fim de tudo, eu adoro me vestir de cebola, com camadas e camadas de roupa, e não ligo a mínima pro frio.
Resumindo: Je m'apelle Brruná.
2007 começou em uma festa de brasileiros em um apartamento francês. Uma festa para adolescentes de trinta anos (será que isso nunca acaba? Será que eu nunca vou deixar de gostar das mesmas coisas que me faziam sair de casa aos dezessete?). A dona da casa, uma das poucas francesas do recinto, ignorava o seu piso de tábua corrida sendo manchado de cerveja. É 2007, o outro ano ficou pra trás, e agora todo mundo vai ser muito feliz.
Adoro reveillons. principalmente quando os anos começam em Paris.
Thursday, December 07, 2006
Quase lá
Agora estou com um puta sono. Com uma vontade louca de ir embora, deitar em frente à TV e não pensar em nada, esquecer da viagem, esquecer de 2007, esquecer de comprar tantas coisas de natal, esquecer que ainda faltam três semanas que se arrastam indefinidamente.
Monday, December 04, 2006
Fonte da Vida
Mas, que isso, somos todos muito civilizados. Eu dou bom dia e boa noite e faço questão de olhar nos olhos e sorrir pros outros, faço questão de ser simpática e agradável, faço uma questão enorme de ser aceita e aceitar os outros. Tão ridiculamente básico, essa necessidade de aceitação, tão sonolentamente previsível que eu rio por dentro.
Se existe alguém que, agora, esteja lendo todos os blogs do mundo e tenha vergonha disso; saia. Vai arrumar alguma coisa melhor pra fazer.
Friday, December 01, 2006
Meu primeiro rivotril
É que não sei direito qual é a linha limite da dor que merece remédio daquela que não merece. Tem gente que não liga, que nos primeiros sintomas manda a cápsula pra dentro, mas, sei lá, eu não fui criada assim, e portanto não sou assim. No final, tudo é culpa das mães mesmo.
Mas esse ano ganhei de um amigo uma caixa de rivotril. Um amigo psquiatra. Eu é que pedi pra ele, porque achei - erroneamente - que rivotril era um remédio pra dormir. E às vezes, quando estou putíssima, ou tristíssima, ou ansiosíssima, eu tenho problemas com o sono. E aí, quando ele me deu a caixa, eu guardei para a ocasião certa.
Passaram-se semanas, meses. A caixa lá, dentro do meu armário, fechada. Mas à minha espera. E aí ontem eu decidi que este era um bom momento para chegar em casa, tomar um banho e deitar na cama, sem me relacionar com o mundo exterior. Foi uma semana de ligações de mega chefes no meu celular - e quando mega chefes ligam para o seu celular, ou eles te dão aumento, ou eles te dão esporro. Pelo rivotril da noite passada, dá pra se concluir que mais rica eu não estou. Alguém deve estar, mas não eu. Mas foram ligações curtas e grossas, somadas à ansiedade de que chegue logo o ano que vem, quando todos os meus problemas estarão resolvidos, e a viagem de reveillon que deve ser inesquecível, e o celular do Ninja sem bateria. Soma-se tudo isso e, tchan- nan, tem alguém que precisa se acalmar.
Tomei dois. Um pra dar soninho e outro pra dormir. E deitei, assistindo A Grande Família. Tudo o que não me fizesse pensar. Comecei a sentir uma molezinha, uma dormência na língua e na ponta dos dedos que era bem legal. Mas nada de sono. E daí eu liguei para um amigo, que é outro psiquiatra, perguntando se a dosagem estava certa.
Batemos um longo papo sobre todas as coisas da vida. Sobre planos e passado e presente. Mas falamos pouco do rivotril. De repente eu estava de bom humor, rindo ao telefone. Na paz, entende? Na paz interior. Que medo desse troço. Dá uma calma boa, uma coisa assim de que tudo está bem. Ou melhor: de que nada é tão sério assim. É bom... E que medo que dá.
Depois, no meio da conversa, o Ninja ligou. Ele, ao contrário de mim, adora um remédio. Sabe marcas e estilos e efeitos e dosagens. E não acha nada demais eu tomar um rivs (todo mundo que toma rivotril chama o remédio de rivs, sabiam?). Ai, se eu vou na dele... Se eu vou na dele, talvez dê certo, porque ele sabe de tanta coisa e, sei lá, vai que ele acerta nessa também. Mas dá medo. É muita paz interior pra uma pessoa só.
Hoje eu estou ótima. Bem humorada. Com a marcha um número a menos da que costumo estar. E a caixinha, ainda com muitos comprimidos, continua no meu armário. Duro vai ser esquecer por um tempo da existência dela.
Wednesday, November 29, 2006
Muito sincera
Mas tem vezes que a minha verdade é usada pra brigar. Pra jogar na cara dos outros que eles estão errado, e que deveriam se envergonhar disso. Não sei bem quando isso acontece, que conjuntura inexistente dos astros me transforma de rainha em lutador de jiu-jitsu, mas de vez em quando eu uso da sinceridade como poder.
Outro dia estava com os dedos digitadores afiados. Escrevi um email esclarecedor para um grupo de amigos, que insistiam em travar uma guerra Lula x Alckmin na lista que usamos para combinar festas e churrascos. O primeiro eu relevei, o segundo eu fingi que não vi, mas no décimo... Foram frases do tipo: "Vocês falam de políticos como quem fala de celebridades de televisão. Como quem guarda recorte de jornal do seu candidato. Acho que a questão deveria ser tratada com mais seriedade".
Como resposta, o silêncio. Recebi uns dois emails de gente que estava fora da briga, e mais nada. Mas a gladiação acabou.
Depois, no mesmo dia, fiz um texto mega sobre certas dificuldades de realizar um trabalho adequado. Mandei para dois chefes, copiado para a assistente deles. Dessa vez, o resultado foi logo visto: me chamaram pra uma conversa em que pude colocar, ponto a ponto, o que estava me incomodando.
Vai ver é por essas e outras que algumas pessoas que trabalham comigo me consideram alguém "de fibra" no que tange ao profissional. Fiquei surpresa quando elas me disseram isso, porque sempre achei que passava a imagem de bebê chorão.
De tudo isso, se conclui: as pessoas vêem o que elas querem. E a sinceridade assusta.
Tuesday, November 28, 2006
Não façam isso em casa
Não é justo desejar outro dia que não seja hoje. É errado. Eu não quero viver para 2007, mas parece que a escolha não é minha. Eu treino agora para ser melhor amanhã, entende? 2007 tem a porcaria do Pan e tudo vai ficar engarrafado, e mesmo assim 2007 será um ano melhor do que este.
Acho que já sei. Eu não gostei de 2006.
Wednesday, November 22, 2006
A história da história
Não faço idéia do que se trata o livro. Mas há anos eu sei que um dia iria tê-lo nas mãos. Pra ser mais precisa, tenho essa absoluta certeza desde 1999, quando ainda era uma estudante, como já disse, interessada nas coisas que eram escritas e filmadas e cantadas por pessoas mais inteligentes que eu. Que delícia que é ser uma estudante interessada. E, enfim, como uma pessoa que tem absoluta certeza de que alguma coisa vai acontecer, nunca fiz esforço algum para obter o livro. Ele seria meu. Um dia.
Entendam que existe uma história por trás da história. Poderia ser uma história de amor, mas não passa de duas ou três noites de conversas e aulas assassinadas nas mesas do bar em frente à faculdade - o famigerado bar do Seu Pires. Era começo de período, ou final de período, quando estamos todos com o saco tão cheios de tantos trabalhos a entregar, formatados com o cuidado que só o Word constrói, que a gente passava na sala, assinava a listinha, entregava aquele calhamaço, e depois ia pro bar. Pedia uma cerveja e depois um caldinho de feijão, que só custava um real. Eu nunca fui muito de cerveja - eu nunca consegui entender a cerveja e o chope - mas esse era um dia de libertação. E eu fui pro Seu Pires.
E lá eu conheci um menino. Que fazia a mesma faculdade que eu, períodos acima, e que eu nunca tinha visto na vida. E a gente conversou sobre muitas coisas que eu não lembro. Sei que uma hora eu falei do Paulo Leminski. Eu era uma estudante interessada que gostava muito do Paulo Leminski naquela época. E ele me falou um monte de coisas que eu também não faço mais idéia do que foram, mas sei que surtiram efeito.
No dia seguinte, ele me ligou. Já estávamos de férias, e ele ia pra cidade dele que não era o Rio de Janeiro, e portanto eu só o veria no ano seguinte, para descobrir que já não tinha mais nada a ver. Mas nesse dia ele me ligou e disse: "Eu to lendo um livro chamado O Lobo da Estepe, e bem ontem, depois da nossa conversa, o cara do livro conhece uma mulher. E eu pensei: é você!"
Daí eu guardei o nome. E a certeza de que um dia ia ler esse livro pra saber que mulher é essa.
Depois que passa o tempo que passou, esse episódio perde qualquer razão que ele pudesse possuir. Esse menino não foi um grande amor. Ele está mais para colega de faculdade, vamos ser sinceros. Mas eu comecei a ler o livro e descobri que ele é bom. Parece ser bom, pelo menos. E era pra ser meu.
Tuesday, November 21, 2006
A diferença
O ano chega ao fim e eu concluo que muito coisa não basta apenas existir, tem que se extrapolar, superar a si mesma. Não basta fazer o seu, tem que mostrar a que veio. Não basta amar alguém, tem que ter afinidade. Não basta, não basta... tem sempre um porém, um motivo além, que faz com que a gente continue pensando em frente. Ainda bem. Se eu acreditasse em deus, ele diria, sem tirar a boca do canudo do chimarrão: "Tolinha, isso tudo é calculado"; e então colocaria mais uma pedra na minha frente pra que eu, bravamente, contornasse e seguisse o meu caminho.
Thursday, November 09, 2006
Angelica no Cirque du Soleil
(Prova disso foi a minha surpresa ao descobrir esse ano a separação de Caetano e Paula Lavigne. Nego do trabalho berrou: "Mas eles já brigaram há uns 2 anos, e ainda foi o maior barraco na mídia!" E eu juro, juro mesmo, que não vi nada)
Mas tem dias que a gente não consegue escapar das notícias pseudo-hollywoodianas/ projaquianas. E hoje, quando cheguei no trabalho, estava todo mundo comentando da Angelica no Cirque du Soleil.
Parece que a Angelica foi toda na soci, de vestidinho e tal, pra assistir ao espetáculo que, não sabia ela, era interativo. Foi pega por um dos palhaços para participar ativamente da apresentação. Jogaram a moça pra cima e pra baixo, deixando que a apresentadora pagasse uma calcinha nacional. E aí, Angelica, mulher casada e tal, emburrou e ficou de cara fechadíssima o resto da noite.
Teve gente que defendeu a Angelica. Disseram que, realmente, pagar calcinha (quando não é o objetivo da noite, ao contrário de outras situações que aconteceram a pouco, com outras famosas) é realmente uma situação terrível. Falaram que também fechariam o tempo. Que isso não se faz.
Eu acredito que cara feia não resolve a vida de ninguém. E que, se você está no inferno, a solução é abraçar o capeta. Portanto, se fosse Angélica, eu relaxava e gozava com as brincadeiras do circo. Já foi o tempo em que calcinha de celebridade chocava alguém.

